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1 Seminário Internacional Fazendo Gênero 11 & 13 th Women’s Worlds Congress (Anais Eletrônicos), Florianópolis, 2017, ISSN 2179-510X MOBILIDADE DE MULHERES NA CIDADE Stefania Poeta Pontes 1 Resumo: A dinâmica da cidade contemporânea exige uma série de deslocamentos para que as pessoas possam desempenhar atividades relacionadas ao seu sustento. Entretanto, pesquisas revelam que a mobilidade urbana é diferente entre grupos distintos. Neste sentido, este estudo revela as dificuldades enfrentadas por mulheres, mães de crianças com idade entre 0 e 5 anos, em se deslocar no meio urbano, compreendendo quais os principais obstáculos enfrentados no cotidiano e a maneira como se organizam e estabelecem as associações entre mobilidade e maternidade. O estudo foi realizado por meio de entrevistas com mulheres que residem e tem seus filhos estudando em uma das creches municipais no bairro Campo de Santana, localizado a 25km do centro de Curitiba-PR. Os relatos mostraram como pode ser complicado fazer alguns deslocamentos, assim como como a dependência do transporte público é um fator que define a mobilidade e/ou imobilidade. Observou-se também o quanto a insegurança interfere em suas escolhas e como a dinâmica familiar pode ser um facilitador ou complicador de suas possibilidades de deslocamento urbano, revelando, desta maneira, a limitação sofrida por este grupo em termos de acesso à cidade. Palavras-chave: Mobilidade urbana, Mulheres, Maternidade, Curitiba. INTRODUÇÃO O presente artigo tem como objetivo apresentar questões relativas à mobilidade de mulheres, buscando compreender as experiências vividas no uso dos modais de transporte. Este texto traz à tona o contexto do cotidiano de mães que vivem no loteamento Rio Bonito, no bairro Campo de Santana, localizado na periferia da cidade de Curitiba. O trabalho foi realizado a partir de entrevistas realizadas entre agosto de 2015 e janeiro de 2016 que compuseram a parte da pesquisa de minha dissertação de mestrado. A concepção deste trabalho surgiu da compreensão que o deslocamento é meio constitutivo da existência e da construção da sociabilidade de pessoas e grupos e, não por acaso, se deslocar encontra em um dos seus fundamentos, a liberdade. E mesmo que essa questão possa ser problematizada, uma vez que alguns deslocamentos são realizados por necessidade e não por vontade da pessoa, ela ainda é ponto fundamental para garantir a existência e sobrevivência, e assim, várias instituições e normas vão afirmar essa mudança de lugar como um direito 2 . Ao mesmo tempo em que este direito pode garantir liberdade também se revela distanciado de seu pressuposto igualitário devido às diferentes desigualdades sociais, que, por sua vez, acabam 1 Professora da Rede Estadual de Ensino do Paraná, Mestra em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná - UFPR, Especialista em Direito à Cidade e Gestão Urbana pela Universidade Positivo e graduada em Ciências Sociais pela UFPR. 2 Como exemplo a Declaração Universal dos Direitos Humanos data de 1948 e foi adotada e proclamada pela Resolução 217 A (III) da Assembleia Geral das Nações Unidas, e com o texto da Constituição de 1988, em seu art. 5º.

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Seminrio Internacional Fazendo Gnero 11 & 13th Womens Worlds Congress (Anais Eletrnicos),

Florianpolis, 2017, ISSN 2179-510X

MOBILIDADE DE MULHERES NA CIDADE

Stefania Poeta Pontes1

Resumo: A dinmica da cidade contempornea exige uma srie de deslocamentos para que as pessoas possam

desempenhar atividades relacionadas ao seu sustento. Entretanto, pesquisas revelam que a mobilidade urbana

diferente entre grupos distintos. Neste sentido, este estudo revela as dificuldades enfrentadas por mulheres, mes de

crianas com idade entre 0 e 5 anos, em se deslocar no meio urbano, compreendendo quais os principais obstculos

enfrentados no cotidiano e a maneira como se organizam e estabelecem as associaes entre mobilidade e maternidade.

O estudo foi realizado por meio de entrevistas com mulheres que residem e tem seus filhos estudando em uma das

creches municipais no bairro Campo de Santana, localizado a 25km do centro de Curitiba-PR. Os relatos mostraram

como pode ser complicado fazer alguns deslocamentos, assim como como a dependncia do transporte pblico um

fator que define a mobilidade e/ou imobilidade. Observou-se tambm o quanto a insegurana interfere em suas escolhas

e como a dinmica familiar pode ser um facilitador ou complicador de suas possibilidades de deslocamento urbano,

revelando, desta maneira, a limitao sofrida por este grupo em termos de acesso cidade.

Palavras-chave: Mobilidade urbana, Mulheres, Maternidade, Curitiba.

INTRODUO

O presente artigo tem como objetivo apresentar questes relativas mobilidade de mulheres,

buscando compreender as experincias vividas no uso dos modais de transporte. Este texto traz

tona o contexto do cotidiano de mes que vivem no loteamento Rio Bonito, no bairro Campo de

Santana, localizado na periferia da cidade de Curitiba. O trabalho foi realizado a partir de

entrevistas realizadas entre agosto de 2015 e janeiro de 2016 que compuseram a parte da pesquisa

de minha dissertao de mestrado.

A concepo deste trabalho surgiu da compreenso que o deslocamento meio constitutivo

da existncia e da construo da sociabilidade de pessoas e grupos e, no por acaso, se deslocar

encontra em um dos seus fundamentos, a liberdade. E mesmo que essa questo possa ser

problematizada, uma vez que alguns deslocamentos so realizados por necessidade e no por

vontade da pessoa, ela ainda ponto fundamental para garantir a existncia e sobrevivncia, e

assim, vrias instituies e normas vo afirmar essa mudana de lugar como um direito2.

Ao mesmo tempo em que este direito pode garantir liberdade tambm se revela distanciado

de seu pressuposto igualitrio devido s diferentes desigualdades sociais, que, por sua vez, acabam

1 Professora da Rede Estadual de Ensino do Paran, Mestra em Sociologia pela Universidade Federal do Paran -

UFPR, Especialista em Direito Cidade e Gesto Urbana pela Universidade Positivo e graduada em Cincias Sociais

pela UFPR. 2 Como exemplo a Declarao Universal dos Direitos Humanos data de 1948 e foi adotada e proclamada pela Resoluo 217 A (III) da Assembleia Geral das Naes Unidas, e com o texto da Constituio de 1988, em seu art. 5.

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incidindo de formas diversas nas escolhas e necessidades de cada indivduo, atuando, muitas vezes,

como impeditivos do exerccio dos direitos.

Uma das barreiras sociais mais evidentes a econmica, porm existem outras que devem

ser levadas em considerao ao se pensar as origens de tais desigualdades (ORNAT, SILVA, 2007).

Assim, possvel compreender que questes culturais de gnero dentre tantas outras construes

sociais, como raa, classe, sexualidade, etnia etc., so condicionantes das experincias dos

indivduos no espao, e isso incide de diferentes formas e medidas nos sujeitos.

Visando compreender estas diferenas, o artigo apresenta questes referentes aos

deslocamentos de mulheres nos meios urbanos, aproximando o foco de ateno para a realidade das

mulheres entrevistadas.

A MOBILIDADE URBANA DAS MULHERES

Mover-se diariamente uma necessidade de muitos indivduos na sociedade moderna, por

motivos de trabalho, estudo, lazer, compras etc., todavia a apropriao real do sistema de

circulao caracterizada por diferenas enormes entre as pessoas, classes e grupos sociais, que

sempre revelam contrastes sociais e polticos (VASCONCELLOS, 2001, p. 85). No caso das

mulheres, Massey (2005) assinala que a tentativa de demarcar seus espaos, confinando-as na esfera

domstica, est relacionada a limitao da prpria construo da identidade, o que significa dizer

que a mobilidade um dos fatores que influi diretamente nas possibilidades de ascenso ou na

perpetuao da condio social (SANTOS, 1987), em que a imobilidade, quando imposta,

claramente um fator de aumento da excluso social (CAIAFA, 2002).

Cotidianamente as mulheres enfrentam dificuldades de acessibilidade e para circular nas

cidades, uma vez que assumem responsabilidades que no esto inscritas nos papeis tradicionais de

gnero (MIRANNE, YOUNG, 1999) entre outras que esto, mas ainda sim so ignoradas ,

todavia, trs fatores parecem permear mais intensamente suas as relaes com o espao urbano.

O primeiro a diviso entre os lugares de atuao de sujeitos femininos e masculinos nos

espaos pblico e privado. Historicamente a mulher no apresentada como sujeito das relaes,

sendo relegada para funes subalternas de acordo com valores sociais difundidos.

Em pesquisas realizadas em pases europeus (VASCONCELLOS, 2001), que abordam um

olhar sobre diferenas de gnero no que concerne aos deslocamentos, os dados revelam que a

mobilidade de mulheres se diferencia por elas serem as responsveis pelo cuidado, seja de crianas,

adultos ou pessoas com necessidades especiais. Ou seja, elas costumam ser responsveis por levar e

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buscar as crianas para a escola, levar a eventos culturais e de lazer, fazer compras, levar ao mdico

etc., enquanto os homens tm sua rotina mais comum, principalmente, no deslocamento de casa

para o trabalho e vice-versa.

Normalmente as primeiras diferenas entre os gneros na ocupao do meio urbano

comeam a ser sentidas no perodo da adolescncia quando os jovens ganham maior liberdade para

se locomover sozinhos3. Nesta idade os meninos conseguem explorar mais lugares que as meninas

que tendem a permanecer mais prximas as suas casas por questes de segurana e tambm por

desempenharem funes de cuidado domstico (SABORIDO, 1999).

O fato das mulheres ocuparem cada vez mais postos de trabalho, ao mesmo tempo em que

permanecem como principais responsveis pelos cuidados faz com que elas precisem realizar um

nmero maior de viagens (VASCONCELLOS, 2001), mas com as cidades formatadas

contemplando o tempo do mercado, as mulheres acabam enfrentando problemas de acessibilidade e

em alguns casos gastam mais tempo e dinheiro para efetuar seus deslocamentos. (PARDO,

ECHAVARREN, s/d).

Principalmente, mas no somente, quando a me sozinha e no conta como pai ou

companheiro, necessita de uma rede de solidariedade para auxili-la no cuidado das crianas.

Vasconcellos (2001) afirma que o fato de ser me faz com que seja necessrio que as mulheres se

aproximem mais seus trabalhos de suas casas. Todavia a pesquisa realizada por Gilbert (2000),

demonstra que esta no uma opo para vrias mulheres, assim problematiza-se esta generalizao

que dificilmente contemplar as classes mais baixas, justamente por restries de acesso ao

mercado de trabalho formal. A autora, que pesquisou um bairro de classe baixa nos Estados Unidos,

demonstra que as redes de relacionamento so um componente importante na hora de se conseguir

um trabalho e que para as mulheres imigrantes o deslocamento costuma ser maior para o emprego,

diferentemente das nativas que atravs de suas redes de parentesco e amizade conseguem trabalhar

mais perto de suas casas, evidenciando assim as diferenas entre os grupos de mulheres.

No mesmo sentido mulheres trabalhadoras de classe mdia e alta tendem a se locomover

menos nas cidades por buscarem empregos em locais mais prximos de suas moradias ou em

determinados setores da cidade, como o centro. Em contrapartida as mais pobres no tm escolha e

se deslocam de acordo com suas necessidades de manuteno de vida. (SABORIDO, 1999)

3 H outras questes que podem incidir sobre esta diferena, como a religio, por exemplo.

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Outro dado relevante o de imobilidade, um estudo em So Paulo aponta que 36% da

populao no se desloca em um dia tpico, destes 42% so mulheres contra 31% de homens, soma-

se a isso a questo da renda, que quanto mais baixa, menos mobilidade (VASCONCELLOS, 2001).

Um nmero to significativo como este deve ser melhor analisado e aprofundado para que

se possa descobrir as diferentes razes que impossibilitam a mobilidade para estes indivduos. A

escolha de permanecer em casa tambm deve ser compreendida na medida em que se entende que

suas razes tambm podem residir em aspectos sociais e culturais.

Os estudos tambm apontam que as mulheres utilizam menos que os homens os meios

motorizados, o que restringe a espacialidade de suas atividades. Historicamente o automvel um

transporte predominantemente masculino (PARDO, ECHAVARREN, s/d), e apesar de

contemporaneamente ser utilizado por um elevado nmero de mulheres, ainda existe uma srie de

formas que demonstram que culturalmente o carro ainda pertence ao universo masculino.

possvel observar esta questo a partir das propagandas das indstrias automobilsticas e da prpria

cultura a partir das falas dos sujeitos4. Inclusive isto pode gerar uma sensao de insegurana

relativa a ideia da prpria capacidade em conduzir veculo motorizado.

Neste mesmo sentido, outros discursos so simblicos para a manuteno da separao das

esferas, pois h uma estigmatizao de mulheres que permanecem muito tempo fora de casa e dos

homens que permanece mais tempo em casa (SABORIDO, 1999).

O segundo um reflexo do primeiro, pois consiste no fato que o desenho urbano e as

polticas pblicas no esto adaptadas para as necessidades das mulheres, visto que a separao

entre produo e reproduo criou desgnios de comportamento e de trabalhos diferenciados que

criam e multiplicam diferenas, e assim, o contexto urbano aparece mais adaptado as necessidades

consideradas masculinas.

A infraestrutura, tanto urbana como de transportes, age como limitador por no estar

adaptada as diferenas e reproduz um sistema homogneo, pendular e que por vezes no atende as

pessoas que no saem no horrio de pico. Os meios de transporte inadequados no esto adaptados

a conjugar as mltiplas tarefas que incidem sobre as mulheres.

No que concerne ao uso dos modais os dados de pesquisas mostram que as mulheres se

deslocam mais a p e percorrem menores distncias. Em uma lista com as principais dificuldades de

mobilidade de homens e mulheres, Vasconcellos (2001) aponta diferenas que devem ser

4 Cotidianamente possvel escutar anedotas que menosprezam a capacidade das mulheres de dirigir, como exemplo: Mulher no volante, perigo constante; ou se acontece algum acidente: s podia ser mulher, tambm h aqueles que envolvem a cor do cabelo, aposto que loira etc.

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questionadas, pois apesar de ser maior o nmero de homens ao utilizar o transporte coletivo, o

tempo de espera e a superlotao tambm afetam as mulheres. Talvez o nico item que realmente se

diferencie seja o assdio sexual.

Alm disso, questes culturais dificultam ou mesmo restringem a mobilidade, como

exemplo em determinados perodos do dia, pela manh e tarde, o nmero de mulheres nas ruas

expressivo, todavia se reduz drasticamente ao anoitecer, isto por questes que envolvem tambm a

segurana (CORTS, 2008).

Por ltimo a violncia. A insegurana das mulheres permeada por dois modos distintos de

violncia, a do assalto e a de gnero. O primeiro se caracteriza por se sentirem mais vulnerveis por

considerar que so mais fracas fisicamente, todavia tambm uma questo cultural que reforada

tanto pela diviso dos espaos como pelas prticas polticas e tcnicas aplicadas nas cidades. A

insegurana aparece como um dos grandes limitadores para as mulheres na ocupao do espao,

pois afeta suas escolhas e decises sobre os lugares e horrios de deslocamento. Notavelmente a

falta de iluminao no perodo noturno agrava esta situao, alm disso, as casas formatadas a

atender apenas o ncleo familiar tradicional tolhe a criao de vnculos com os vizinhos e ao se

encerrarem em suas casas a rua permanece esvaziada criando assim um ambiente favorvel para a

criminalidade (SABORIDO, 1999; BUCKINGHAM, 2014). um crculo vicioso, pois quanto mais

as os indivduos buscam proteo no isolamento, mais insegurana sentem quando precisam sair.

Em pesquisa realizada em uma localidade da cidade de Bogot na Colmbia, Ruiz (2011, p.

34) menciona que o estudo concluiu que as principais violncias cometidas contra as mulheres nos

espaos pblicos daquele local so: estupro, roubo e furto, toque ofensivo e elogios e que em

sua maioria ocorrem em locais de pouco movimento, mas tambm nos meios de transporte.

Neste sentido, urbanistas feministas vm desenvolvendo alguns projetos e discusses sobre

os problemas que as mulheres enfrentam nas cidades e as necessidades diferenciadas entre os

diferentes grupos no uso do espao pblico. So abordados diversos aspectos como servios,

moradias, infraestruturas etc., e trabalham com a compreenso que as necessidades diferenciadas se

produzem porque ainda persistem culturalmente determinaes de papeis de gnero.

De qualquer modo, todas as solues no residem na melhoria de aspectos tcnicos e de

polticas urbanas, esta uma questo social que no se restringe as ruas. Como possvel observar

pelo fato de que o maior nmero de casos de violncia contra as mulheres ocorre no ambiente

familiar e com pessoas conhecidas das vtimas (PARDO, ECHAVARREN, s/d).

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O USO DOS MODAIS PELAS MULHERES

As falas das entrevistadas revelam suas particularidades nos usos dos meios de locomoo,

mas possvel perceber que os deslocamentos realizados por elas ocorrem principalmente a p nas

atividades dentro do bairro mais especificamente no loteamento Rio Bonito onde vivem ,

principalmente para levar e buscar as crianas da creche e para atividades de compras, e de nibus

para o trabalho, mesmo que nove, dentre as onze, possuam ao menos um meio de transporte

individual motorizado.

Neste sentido possvel perceber as diferenas entre elas e seus companheiros. Todos os

maridos, mesmo aqueles que no possuem veculo particular, possuem carteira de habilitao,

enquanto, dentre elas apenas quatro possuem. Elas atribuem este fato a dois condicionantes, o

econmico, pois o valor da autoescola e dos testes elevado, e o medo de dirigir. Apesar delas no

verbalizarem de maneira clara o que determinava este sentimento, possvel pensar que,

diferentemente dos homens, no h uma determinao social que as obrigue a necessidade de saber

conduzir um veculo, enquanto para eles, dirigir pode significar uma afirmao da masculinidade,

por estar associado simbolicamente aos homens. Mesmo dentre aquelas que possuem habilitao, o

medo de dirigir parece comum, algumas dizem ter superado pela necessidade, as demais afirmam

que o medo suplanta a coragem.

Compreendendo estes fatores, pode-se pensar nos diferentes usos dados aos veculos

particulares por homens e mulheres deste grupo. Dentre elas, atualmente oito trabalham fora de

casa, duas fazem o trajeto a p por ser prximo de casa, cinco utilizam o transporte pblico, e uma

vai de carona na moto com seu pai. Aquelas que no esto trabalhando atualmente, quando estavam

em seus antigos empregos tambm utilizavam o nibus como meio de transporte. Nenhuma delas

utiliza ou utilizou de um transporte particular prprio para ir trabalhar.

Em relao aos seus companheiros possvel perceber uma dinmica bastante diferenciada,

dentre os dez, cinco utilizam nibus, mas dois deles so transportados por veculos particulares de

suas respectivas empresas. Dois se transportam de carro, e a justificativa de que trabalham longe e

demorariam muito tempo no transporte coletivo. Outros dois utilizam a moto e um deles vai de

carro, mas de carona com seu pai.

O que pode ser observado com estas narrativas que o transporte individual utilizado

majoritariamente pelos homens, dando prioridade as suas necessidades de trabalho em alguns casos,

e outros justificando seu uso para transportar as crianas para locais mais distantes, uma vez que a

maioria das famlias se deslocam a p para leva-las creche.

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Uma das entrevistadas percebe esta diferena entre homens e mulheres no uso do transporte

individual e afirma que eles tm mais facilidade na locomoo porque normalmente eles so

proprietrios dos veculos.

Quanto aos percursos a p a maioria das famlias vive em locais prximos escola,

demorando cerca de 10 a 20 minutos no trajeto de ida e volta. Entretanto, mesmo no sendo

necessrio percorrer grandes distncias muitos so os problemas identificados neste curto trajeto.

Somente trs delas demoram mais de 30 minutos, sendo que a que mora mais distante s vezes leva

mais de 1h para ir e voltar para casa, demorando mais no trecho de volta porque as crianas andam

mais lentamente.

As principais reclamaes so quanto a falta de caladas, ou inadequabilidade destas, o que

com frequncia as leva a ter que dividir o espao com os automveis nas ruas, que mais uma vez

aparecem priorizados, pois a maioria das ruas est asfaltada, ou ao menos, possuem antip. Como

apontam os autores que tratam sobre mobilidade, Vasconcellos (2001) e Saborido (1999), entre

outros, a prioridade so os automveis e isto se reflete em uma das falas: calada acho que no tem

pra gente aqui... mais pra motorista, n?.

No que se refere ao transporte pblico todas apontaram problemas, algumas com mais

nfase que outras. As principais questes so: a falta de nibus, horrios que no condizem com

aqueles estabelecidos na tabela fornecida pela Urbanizao de Curitiba S/A URBS5, a demora e a

superlotao. Ou seja, a cidade modelo do transporte, na realidade apresenta inmeros problemas

que devem ser enfrentados pelas pessoas no seu uso cotidiano, principalmente para aquelas que

vivem nas periferias muito distantes do centro.

Dentre as entrevistadas, quem menos problematizou a questo do transporte pblico relatou

que o problema residia na distncia do local de moradia que afetava sua possibilidade de acesso a

trabalhos mais distantes, pois no momento da entrevista de emprego, as pessoas perguntam onde ela

mora para ver se ela consegue chegar at o local no horrio, como o primeiro nibus d passa perto

das 6h da manh6, se o local de trabalho for muito distante, ela perde a oportunidade de emprego.

Alm disso, ela escuta as pessoas reclamarem da falta de nibus no final da tarde, na hora de

retornar para casa.

5 Empresa de economia mista que responsvel pelo controle do transporte pblico urbano da cidade de Curitiba. 6 A tabela dos horrios pode ser acessada pelo site: , entretanto as mudanas de horrios so constantes, assim o que Agatha falou pode no ser mais a realidade.

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Muitas reclamaram quanto ao tempo de espera no ponto de nibus, algumas ficaram mais de

30 minutos7 esperando enquanto uma delas precisou esperar por mais de 1h, e para piorar a

situao, isto ocorreu em um dia que estava com a filha mais nova junto, depois desta experincia,

dificilmente utiliza o transporte pblico, optando pelo uso do automvel para poder se locomover

para outros bairros da capital.

Sobre os nibus que circulam dentro do bairro, o Rio Bonito, que vai para o terminal do

Pinheirinho, parte de seu trajeto percorre a rodovia BR 116, o que gera enormes transtornos, pois

comum enfrentar longos congestionamentos em certas partes da estrada, e, consequentemente, afeta

no tempo necessrio para o deslocamento. Como a maioria necessita de no mnimo 1h para chegar

aos seus empregos, os problemas gerados pelo excesso de trfego e tambm de passageiros nos

transportes pblicos, acarreta na necessidade de mais tempo de seus dias para a locomoo. O

desgaste ocasionado por tanto desconforto e demora ntido na fala daquelas que utilizam o

transporte cotidianamente, pois enfatizam o cansao que isso gera e o quanto gostariam de poder se

locomover de forma mais rpida, confortvel e segura.

Aquelas que utilizam o Rio Bonito-CIC, tem menos reclamaes sobre o tempo de

deslocamento, pois no comum ficarem presas em engarrafamentos, todavia seus horrios de

atendimento so mais espaados e a linha s percorre uma pequena parte do loteamento, tendo seu

trajeto alocado principalmente na avenida principal, o que dificulta o acesso de muitas das

entrevistadas e da comunidade em geral. Outra demanda bastante comum entre as entrevistadas

maior nmero de linhas.

Alm disso, houve comentrios que o transporte deveria oferecer maior e melhor

acessibilidade para os deficientes, maior segurana e maior comodidade, para que a maioria das

pessoas fossem sentadas. Tambm comum ter que esperar mais de um nibus para conseguir

entrar, pois costumeiramente esto muito lotados, o que, por vezes, as leva a pegar nibus no outro

sentido e atravessar o bairro para garantir a entrada no transporte. Alm disso os taxistas

dificilmente atendem a regio.

Opes aos finais de semana tambm so reivindicadas pois muitas vezes desistem de sair

com as crianas pelo tempo que demoram se deslocando para um local de lazer. Neste caso, o

problema no apenas de o transporte ser escasso, mas a falta de opes mais prximas. Mas, alm

disso, algumas relatam alguns inconvenientes na hora de sair com as crianas.

7 Na tabela da URBS, o nibus no demora mais de 20 minutos, exceto do penltimo para o ltimo horrio que leva pouco mais de 30 minutos.

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Dentre elas, trs afirmaram que acham ruim sair com as filhas porque as pessoas geralmente

no cedem o assento e alguns motoristas no respeitam, fingindo no ver que as pessoas precisam

do acesso pelo elevador, elas atribuem este fato a demora que gera o uso do equipamento.

Alm disso, elas relataram que j enfrentaram diferentes tipos de violncia. Discusses com

outros passageiros por causa do uso do assento preferencial, quando grvidas ou com a criana j

um pouco maiorzinha, e tambm agresses sexuais. Duas passaram por momentos de assdio

quando adolescentes, quando homens aproveitaram o fato do nibus estar cheio para se esfregar em

seus corpos. Ambas reagiram aos gritos deixando seu assediador constrangido. Uma delas tentou

evitar ao mximo andar sozinha depois do incidente, sempre preferindo andar com um grupo de

amigas para que protegessem umas s outras.

Estes relatos demonstram que, mesmo que a maior parte da populao do bairro viva nas

proximidades de pontos de nibus, isto no significa concretamente que haja acessibilidade e que o

transporte satisfaa as demandas da populao.

Quando perguntadas sobre quais fatores elas acreditam que deveriam ser melhorados, as

principais respostas apontam para a questo de horrio, construo de um novo terminal que seja

mais prximo, novos trajetos e novas linhas, mas tambm afirmam que gostariam de um tempo de

qualidade, em que pudessem sentar, pois como os trajetos costumam ser longos e demorados, um

tempo de vida perdido, segundo elas mesmas. Alm disso, deveriam estar mais adaptados para

pessoas com deficincia, idosos e crianas, demonstrando assim o olhar delas sobre o cuidado, que

geralmente pesa sob seus ombros.

Nestas falas se percebe a espoliao delas enquanto trabalhadoras, reforada pelo fato de

terem mais de uma funo a cumprir diariamente, pois alm de trabalhadoras so mes e donas de

casa. Como afirma Kowarick (1979, p. 36):

Filas, superlotao, atrasos, perdas do dia de trabalho e s vezes a fria das depredaes

no constituem apenas simples problemas de trnsito. As horas de espera e de percurso

antes e depois do dia de trabalho, via de regra extremamente longo, expressam o desgaste a

que esto submetidos aqueles que necessitam do transporte de massa para chegar a seus

empregos. Em outras palavras, submetido engrenagem econmica da qual no pode

escapar, o trabalhador, para reproduzir sua condio de assalariado e de morador urbano,

deve sujeitar-se a um tempo de fadiga que constitui um fator adicional no esgotamento

daquilo que tem a oferecer: sua fora de trabalho. E como esta, pelo menos nos nveis de

qualificao mais baixos, e abundante, a engrenagem econmica pode facilmente substitu-

la to logo o desgaste a que est sujeita faa decair sua produtividade.

Quanto utilizao de outros modais, apenas o uso da bicicleta citado entre as

entrevistadas. A bicicleta, apontada como um dos veculos principais de locomoo para as

camadas mais empobrecidas, aparece na fala das entrevistadas vinculada principalmente com lazer

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junto s crianas. Tanto que muitas falam que seria interessante uma ciclovia no Rio Bonito para

que tivessem um espao seguro para levar as crianas para passear. Apenas o marido de uma delas

utiliza a bicicleta para locomoo, levando as crianas para a escola, e outra afirmou que se fosse

mais seguro gostaria de ir de bicicleta trabalhar, pois seu trabalho relativamente prximo,

principalmente considerando as distncias que as demais entrevistadas precisam percorrer.

possvel elencar alguns fatores principais para compreender os motivos que as levam a

no considerar a bicicleta como um meio de transporte eficaz. O primeiro que as distncias

percorridas para levar as crianas para escola so reduzidas, na maioria dos casos, assim, no h

necessidade de utilizar este modal. A passo que os trabalhos so muito distantes, o que acarretaria

em transitar em um percurso que alm de longo inseguro. E o fato de serem contratadas

formalmente lhes d o direito do vale-transporte, o que acaba no pesando tanto nos custos para

deslocamento dirio. Alm disso, por mais que os nibus apresentam inmeros problemas, como

elas relataram, ainda mais protegido e seguro que a bicicleta.

CONCLUSO

As questes levantadas por elas geram uma percepo em comum sobre a importncia e

relevncia do automvel particular, cuja a possibilidade de seu uso se traduz em qualidade de vida.

Conforme uma das falas: Ento a gente tem liberdade de ir, se tiver carro, n, porque nibus, meu

Deus, n? No tem, mas se voc tiver carro voc tem liberdade de ir em qualquer lugar. Conforme

Houseman (1979, apud UTENG, 2012) perceptvel a ligao entre a liberdade e a mobilidade,

dado que quanto maior a possibilidade de se locomover, maior o poder de escolha sobre as

atividades que o indivduo pode participar.

Este um retrato da realidade, pois os deslocamentos de nibus so realmente muito

demorados e cansativos, ainda mais quando no h possibilidade de conseguir um assento em um

percurso que no costuma demorar menos de 1 hora. Caso utilizassem o carro para se transportar

at o centro da cidade, levariam cerca de 30 minutos, mas este tempo multiplicado quando do uso

do transporte pblico que alm de demorado tambm no oferece a comodidade de um veculo

particular.

Neste contexto tambm foi possvel perceber que aquela que tem melhores condies

econmicas do grupo, quem, consequentemente, utiliza mais o carro, sendo a nica que afirma se

deslocar com certa frequncia para locais mais distantes da cidade para desfrutar de momentos de

lazer com a famlia. Isto significa que a renda, mesmo que, em alguns casos dentro deste grupo, no

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seja to diferenciada, influi nas possibilidades e escolhas de deslocamento. A falta de carro

realmente um limitador, que pode ser somado a falta de recursos para o combustvel, ento, apesar

de muitas contarem com um veculo em suas casas, no utilizam para outros fins que no sejam

vinculados ao trabalho dos maridos ou ao cuidado com as crianas.

As entrevistas demonstram que as questes sobre a mobilidade das pessoas que Santos

(1987) apontava h cerca de 30 anos, continuam bastante representativas da realidade social na

atualidade, pois segundo o autor:

Como morar na periferia , na maioria das cidades brasileiras, o destino dos pobres, eles

esto condenados a no dispor de servios sociais ou a utiliz-los precariamente, ainda que

pagando por eles preos extorsivos. o mesmo que se d com os transportes. Caros e ruins.

Ruins e demorados. Como conciliar o direito vida e as viagens cotidianas entre a casa e o

trabalho que tomam horas e horas? A mobilidade das pessoas , afinal, um direito ou um

prmio, uma prerrogativa permanente ou uma benesse ocasional? Como h linhas de nibus

rentveis e outras no, a prpria existncia dos transportes coletivos depende de arranjos

nem sempre bem-sucedidos e nem sempre claros entre o poder pblico e as

concessionrias. Alis, com o estmulo aos meios de transporte individuais, as polticas

pblicas praticamente determinam a instalao de um sistema que impede o florescimento

dos transportes coletivos. Enquanto isso, o planejamento urbano convencional trabalha a

partir das mesmas falsas premissas e fica dando voltas em torno de si mesmo, sem

encontrar uma sada que seja de interesse da populao. (SANTOS, 1987, p. 47)

Como afirma Wilson (1991), as grandes distncias que estas mulheres precisam percorrer

para acesso ao trabalho ou a equipamentos pblico e privados, so ignoradas pelos planejadores que

no consideram as necessidades daquelas que possuem vrias e distintas funes. Alm da falta de

um planejamento adequado, isto tambm consequncia da busca pelo mximo lucro dos

capitalistas vinculados ao capital imobilirio, que se beneficiam de tal fato (SANTOS, 1987).

Mesmo que para o sistema econmico, de uma maneira global, fosse importante diminuir certos

gastos para o aumento da produo de bens, outros se beneficiam com a ineficincia de um

planejamento que desenvolva medidas mais igualitrias para o acesso da populao aos bens

pblicos.

No se pode ignorar tambm as escolhas dos indivduos para o local de moradia, todavia

imprescindvel compreender que fatores econmicos esto invariavelmente implicados em suas

escolhas e decises, como elas relatam quando as decises de suas famlias ou delas mesmas pelo

bairro.

Assim, o que se percebe que pelas dificuldades encontradas, apesar de haver certa

mobilidade esta realizada principalmente para atingir o local de trabalho e moradia. Pouco

utilizam os modais para lazer, e quanto menor a renda, menor a locomoo. O fato de serem mes

tambm diminui suas possibilidades de locomoo, uma vez que o acesso ao nibus, e o prprio

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veculo de acordo com os relatos no est devidamente adaptado para o uso das crianas, e,

somando-se isso, a falta de respeito de outros passageiros que no querem ceder lugar, aumenta a

indisposio de ter que enfrentar um longo percurso de nibus junto s crianas.

Todavia tambm h outras diferenas que podem permear as diferenas de deslocamento,

mas este relato permite que se perceba de que forma as mulheres acabam, de certa forma,

imobilizadas na cidade, pois moram em um local distante em que no existe reas pblicas

prximas, e cujo o deslocamento muitas vezes dispensado devido a sua condio de me.

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Women mobility in the city

Abstract: The dynamics of the contemporary city requires several displacements so people can

carry out activities related to their livelihood. However, researches show that urban mobility differs

between different groups. In this sense, this study reveals the difficulties faced by women, mothers

of children aged 0 to 5 years, in moving around in the urban environment, understanding the main

obstacles faced in the daily life and the way they organize and establish associations between

mobility and maternity. The study was conducted through interviews with women who reside and

have their children studying at one of the municipal nurseries schools in the Campo de Santana

neighborhood, located 25km from the center of Curitiba-PR. The reports showed how difficult it

could be to make some shifts, just as the dependence on public transport is a factor that defines

mobility and /or immobility. It was also observed how lack of security interferes with their choices

and how family dynamics can facilitate or complicate their possibilities of urban displacement, thus

revealing the limitation suffered by this group in terms of access to the city.

Keywords: Urban mobility, Women; Maternity; Curitiba.