MODALIDADES DE USUCAPIÃO: UM ENFOQUE NA ANÁLISE sites.· Extraordinária, Usucapião Especial -

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MODALIDADES DE USUCAPIO: UM ENFOQUE NA ANLISE DA

CONSTITUCIONALIDADE DA USUCAPIO FAMILIAR

ADVERSE POSSESSION ARRANGEMENTS: A FOCUS ON ANALYSIS OF

ADVERSE POSSESSION OF CONSTITUTIONALITY FAMILY

Ana Carolina Lovato1

Marlia Camargo Dutra 2

RESUMO

O presente artigo buscou conceituar e descrever, dentro do ramo do Direito das Coisas, na

linha de pesquisa do direito privado e repersonalizao do direito civil, a Ao de Usucapio

para bens imveis, denominando e clarificando cada uma de suas modalidades, porm

enfatizando a modalidade de Usucapio Familiar no que tange a sua aplicabilidade,

peculiaridades, diferenas com as demais modalidades e na anlise da sua

Constitucionalidade. Tendo em vista sua atual dimenso para a sociedade, emerge um

importante questionamento sobre a dissidncia da aquisio de posse atravs dessa variedade,

devido ao fato de muitos a relacionarem com uma forma de punio ao cnjuge que se

ausentou do lar. Partindo desse pressuposto, o artigo intentou desfazer a idealizao implcita

presente na Ao de Usucapio Familiar de que h um cnjuge culpado pelo divrcio. Para

aperfeioar o projeto, foi elaborada uma pesquisa bibliogrfica baseada nas obras de

importantes doutrinadores e tambm jurisprudncias a respeito do tema, a fim de

esclarecimentos sobre a problematizao do estudo.

Palavras-chave: Direito das Coisas. Posse. Usucapio.

ABSTRACT

This paper aims to conceptualize and describe , within the branch of law of things , research

line of private law and repersonalization of civil law, adverse possession action for real estate,

naming and clarifying each of its modes, but emphasizing mode Family Usucaption regarding

its applicability , peculiarities , differences with other modalities and analysis of its

Constitutionality . Given its current size to society, emerges an important question about

dissent from the acquisition of ownership through this range, due to the fact many to relate to

a form of punishment to the spouse who is absent from home. Based on this assumption, the

article brought undo the implicit idealization present in the Family Action Usucaption that

there is a "guilty spouse" for the divorce. To improve the design, it created a literature based

on the works of important scholars and also case law on the subject in order to clariy the

questioning o the study.

Keywords: Possession. Property Law. Adverse possession.

1 Acadmica do stimo semestre do curso de Direito da Faculdade de Direito de Santa Maria-FADISMA.

Endereo eletrnico: anacarolina_lovato@hotmail.com 2 Acadmica do stimo semestre do curso de Direito da Faculdade de Direito de Santa Maria-FADISMA.

Endereo eletrnico: mariliacdutra@hotmail.com

INTRODUO

Em um primeiro momento, no captulo 1 deste artigo, ser explicada a essncia da

Ao de Usucapio bem como sua grande finalidade perante a sociedade brasileira. Tendo em

vista a sua frequente aplicabilidade, busca-se atravs deste estudo descrever cada uma de suas

modalidades presentes na Constituio da Repblica Federativa do Brasil de 1988(CRFB/88),

no Cdigo Civil Brasileiro vigente, e tambm na legislao dispersa.

Este estudo abordar principalmente - no seu Captulo 2 - a questo da Ao de

Usucapio Familiar e sua importncia para garantir a Funo Social da Propriedade no caso

de abandono de lar de um dos cnjuges. Este artigo demonstrar como o cnjuge que

permaneceu no imvel poder adquirir a propriedade deste. Para tanto, sero demonstradas as

peculiaridades da CRFB/88 e especificamente a Lei 12.424/2011, tambm do Cdigo Civil

Brasileiro no que tange a esta variedade da Ao. Criada justamente para dar maior eficincia

para esta modalidade de usucapio, esta Lei especificar nos seus pormenores os requisitos

necessrios para o exerccio deste direito.

A modalidade de Usucapio Familiar, grandemente criticada por alguns autores que

alm de considerarem o cnjuge que se retirou do lar como ainda possuinte do direito ao seu

quinho no que se refere a diviso do bem, mesmo aps transcorrido determinado tempo. Eles

veem esta modalidade como uma forma de punio por ele ter abandonado o outro cnjuge.

Para estes autores, a Usucapio familiar implicitamente uma forma de declarao de

culpabilidade ao consorte por ter enjeitado de fato o lar, ou seja, no consideram admissvel a

perda de parte da propriedade to somente pelo fato de ser considerado como responsvel

pelo divrcio.

Porm, a partir da anlise acerca Usucapio Familiar, ser possvel demonstrar a

seguir a legitimidade do direito da parte remanescente, frente negligncia do domnio do

imvel pelo outro.

Baseado em importantes doutrinadores do Direito Civil no Brasil, como Arnaldo

Rizzardo, Carlos Roberto Gonalves, Silvio de Salvo Venosa, entre outros, busca-se a

concluso a respeito do dilema acerca da constitucionalidade desta ramificao da Usucapio

Especial Urbana no que se refere as suas crticas.

1 A AO DE USUCAPIO PARA BENS IMVEIS E SUAS MODALIDADES

REFERIDAS NA LEGISLAO BRASILEIRA

A Ao de Usucapio, tanto de bens mveis como imveis, de forma muito

generalizada, pode ser descrita como uma ao cabvel para os casos em que uma pessoa

busca garantir o seu direito propriedade de uma coisa, a qual vem usando como dono h

um considervel tempo. Antes de especificar a Ao de usucapio para bens imveis no que

tange as suas modalidades descritas no ordenamento jurdico brasileiro, importantssimo

ressaltar a sua principal finalidade: a garantia da funo social de um bem.

Arnaldo Rizzardo (2014, p. 270), a partir das palavras de Washington de Barros

Medeiros, discorre que a Ao de usucapio pode ser considerada como originada desde os

primrdios da organizao da sociedade civil, com a Lei das XII Tbuas, a qual a estendia

para bens mveis e imveis. Tambm estabelecia prazos para a aquisio dos bens, sendo

estes de um ano para bens mveis e dois anos para os bens imveis. Posteriormente, estes

prazos foram elevados.3

Desse modo, pode-se compactuar com a afirmao proferida por RIZZARDO (2014,

p.270) de que desde esses tempos mais remotos, a Usucapio sempre foi reconhecida e

legitimada pela sociedade. H legitimidade na titularidade da posse por fora da ocupao

prolongada4. Portanto, a partir da anlise destas afirmaes, possvel afirmar que se

pretende com a Usucapio, tanto na contemporaneidade quanto em outrora, a garantia de que

a propriedade cumpra a sua funo social, ou seja, garantir que esta seja til para a sociedade.

Quando se aborda a expresso garantia da funo social da propriedade, sabido

que est trata-se de um Princpio Constitucional, que relaciona-se diretamente ao ramo dos

direitos fundamentais. Este princpio encontra-se categoricamente manifestado na CRFB/88

como uma condio para o desempenho da propriedade de um bem. Pode-se encontrar este

princpio primordialmente no rol dos direitos e garantias fundamentais: o artigo 5 da

CRFB/88, em seu inciso XXIII. Este princpio pode ser encontrado no que se refere ao

3 Curso de Direito Civil, - Direito das Coisas, ob, cit., p.120.

4 Arnaldo Rizzardo, 2014, p.270.

regramento quanto s polticas urbanas, agrcola e fundiria, disposto respectivamente nos

artigos 170, inciso III, art 182, 2 e art. 186 da Lei Fundamental.

RIZZARDO (2014, p.270) relaciona tambm a ao de usucapio com a questo da

negligncia do proprietrio anterior do bem, visto que este cedeu espao para que outro se

implicitamente renunciando ao domnio deste por no exercer a sua posse. Deste modo, para o

autor, o proprietrio de certa forma estaria implicitamente renunciando ao domnio deste por

no exercer a sua posse.

J Carlos Roberto Gonalves (2011, p.244), discorre acerca da origem do Instituto da

Funo Social da Propriedade que:

O princpio da funo social da propriedade tem controvertida origem. Teria sido,

segundo alguns, formulado por Augusto Comte e postulado por Len Duguit,

comeo do aludido sculo. Em virtude da influncia que a sua obra exerceu nos

autores latinos, Duguit considerado o precursor da idia de que os direitos s se

justificam pela misso social para a qual devem contribuir e, portanto, que o

proprietrio deve comportar-se e ser considerado, quanto gesto dos seus bens,

como um funcionrio.

Silvio de Salvo Venosa (2007, p.144), por sua vez, relaciona este instituto a uma

concepo religiosa ao discorrer acerca da Encclica Mater et Magistra do Papa Joo XXIII,

ocorrida no ano de 1961, a qual clarificou que a propriedade apesar de um direito natural do

ser humano, deve ser exercida no somente em prol do titular, mas sim para o melhor proveito

perante a coletividade. O autor tambm expressou que o Estado no pode ficar omisso diante

do descumprimento do ordenamento jurdico da propriedade, portanto este deve fornecer

instrumentos jurdicos capazes de proporcionar para o proprietrio a defesa do que seu,

desde que esta lhe seja til. VENOSA (2007, P. 144) tambm considera que o espao urbano

mal utilizado um grande motivo de inquietao social e que a m utilizao