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2019 UNIVERSIDADE DE LISBOA FACULDADE DE CIÊNCIAS DEPARTAMENTO DE ESTATÍSTICA E INVESTIGAÇÃO OPERACIONAL Modelação e Previsão da Procura Turística: O caso de Lisboa e do Porto Débora Alexandra Barreiro Costa Mestrado em Matemática Aplicada à Economia e Gestão Trabalho de Projeto orientado por: Prof.ª Doutora Raquel João Fonseca

Modelação e Previsão da Procura Turística: O caso de Lisboa ......De acordo com a análise feita ao turismo de cada cidade, é possível retirar algumas conclusões que traduzem

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  • 2019

    UNIVERSIDADE DE LISBOA

    FACULDADE DE CIÊNCIAS

    DEPARTAMENTO DE ESTATÍSTICA E INVESTIGAÇÃO OPERACIONAL

    Modelação e Previsão da Procura Turística: O caso de Lisboa e

    do Porto

    Débora Alexandra Barreiro Costa

    Mestrado em Matemática Aplicada à Economia e Gestão

    Trabalho de Projeto orientado por:

    Prof.ª Doutora Raquel João Fonseca

  • 2019

    UNIVERSIDADE DE LISBOA

    FACULDADE DE CIÊNCIAS

    DEPARTAMENTO DE ESTATÍSTICA E INVESTIGAÇÃO OPERACIONAL

    Modelação e Previsão da Procura Turística: O caso de Lisboa e

    do Porto

    Débora Alexandra Barreiro Costa

    Mestrado em Matemática Aplicada à Economia e Gestão

    Trabalho de Projeto orientado por:

    Prof.ª Doutora Raquel João Fonseca

  • i

    Agradecimentos

    Ao longo de todo o percurso académico somos confrontados com várias dificuldades

    e desafios que nos fazem crescer a nível pessoal e profissional. Ultrapassam-se obstáculos,

    aprende-se com as derrotas e geram-se vitórias. Concluída esta etapa, é importante

    reconhecer todos aqueles que, de forma direta ou indireta, contribuíram positivamente para o

    alcance da mesma.

    Em primeiro lugar, gostaria de agradecer à professora Raquel Fonseca, pela

    disponibilidade, acompanhamento e apoio prestado ao longo de todos estes meses e, acima

    de tudo, por todo o conhecimento transmitido, não esquecendo todos os professores que

    fizeram parte de todo este percurso académico.

    Em segundo lugar, um enorme obrigada é dirigido aos meus colegas de curso, em

    especial à Oana, Joana, Cláudia e Maria, por estarem presentes em todos os momentos,

    partilhando as alegrias e ajudando a ultrapassar as dificuldades que iam surgindo e,

    principalmente, pelo apoio e amizade demonstrada ao longo destes 5 anos.

    Um agradecimento inevitável aos meus colegas da Mercer, Eduardo, Gonçalo e

    Marisa, por todo o incentivo ao longo destes meses, pela paciência e, acima de tudo, por todo

    o trabalho suportado na minha ausência.

    Por fim, um agradecimento muito especial à minha família, em particular aos meus

    pais, Fátima e Carlos, à minha irmã Andreia e ao meu cunhado André, pelo

    acompanhamento, preocupação, paciência, carinho e esforço que sempre demonstraram ao

    longo destes 5 anos.

  • ii

    Resumo

    O presente estudo tem como principal objetivo realizar a modelação da procura

    turística para as cidades de Lisboa e do Porto, bem como prever alguns indicadores

    relacionados com a área do turismo até ao ano de 2020. Neste sentido, utilizou-se a variável

    número de dormidas registadas em estabelecimentos hoteleiros para cada uma das cidades

    em questão, sendo esta série composta por dados trimestrais compreendidos entre 2006 e

    2017. De acordo com a teoria económica, selecionaram-se algumas variáveis explicativas

    que serviram de base para o estudo do modelo, nomeadamente: a taxa de crescimento do

    produto interno bruto, taxa de crescimento do índice de preços ao consumidor e o índice de

    desenvolvimento humano. Para estas três variáveis, recolheram-se dados para os países de

    Espanha, Alemanha, França, Reino Unido e Portugal. Por fim, as duas últimas variáveis

    incluídas foram a variação percentual da taxa de câmbio Euro – Dólar e Euro- Libra

    registada no período mencionado. Para se obter os modelos pretendidos teve-se por base o

    modelo de Regressão Linear Múltipla e, posteriormente, para o avaliar ter-se-á em conta

    quatro indicadores por forma a analisar o desempenho dos modelos e as suas previsões: Erro

    Percentual Absoluto Médio, coeficiente de correlação de Pearson, amplitude dos intervalos

    de previsão e soma dos quadrados dos erros.

    De acordo com a análise feita ao turismo de cada cidade, é possível retirar algumas

    conclusões que traduzem o sector turístico das cidades de Lisboa e do Porto: o número de

    dormidas verificadas é em maior percentagem de turistas estrangeiros, sendo que a sua

    maioria são provenientes de Espanha; o número de dormidas, a taxa de ocupação e os

    proveitos são indicadores favoráveis para o turismo de cada uma das regiões visto que têm

    sofrido um crescimento progressivo para o período em análise. Relativamente aos modelos

    determinados, os valores obtidos para o Erro Percentual Absoluto Médio e para o coeficiente

    de correlação de Pearson mostram que a qualidade de ajuste dos modelos é bastante

    satisfatória e permite efetuar previsões para a procura turística de Lisboa e do Porto com

    grande precisão.

    Palavras-chave: Modelação; Previsão; Lisboa; Porto; Dormidas; Regressão Linear

    Múltipla.

  • iii

    Abstract

    The main purpose of this study is to model tourist demand for the cities of Lisbon

    and Porto, as well as to predict some indicators related to the tourism area up to the year

    2020. In this scope, it was used the variable number of overnight stays registered in hotel

    establishments for both cities. This series was composed of quarterly data between 2006 and

    2017. According to the economic theory, we selected some explanatory variables that were

    used as a basis for the study of the model, namely: the growth rate of the gross domestic

    product, the growth rate of the consumer price index and the human development index. For

    these three variables, data were collected for the countries of Spain, Germany, France,

    United Kingdom and Portugal. Finally, the last two variables included were the percentage

    variation of the Euro - Dollar and Euro - Pound exchange rates recorded in the mentioned

    period. In order to obtain the desired models, Multiple Linear Regression model was used as

    the basis, and later, to evaluate it, four indicators will be taken into account: Mean Absolute

    Percentage Error, Pearson's correlation coefficient, confidence interval amplitude and

    Residual sum of squares.

    According to the analysis that was applied to the tourism of each city, it is possible

    to draw some conclusions that translate the tourist sector of the cities of Lisbon and Porto:

    the number of verified overnight stays is, in a greater percentage, of foreign tourists and the

    majority are from Spain; the number of overnight stays, occupancy rate and income are

    favorable indicators for the tourism of each of the regions, since they have suffered a

    progressive growth for the period under analysis. Regarding the determined models, the

    values obtained for the Mean Absolute Percentage Error and the Pearson correlation

    coefficient show that the quality of adjustment of the models is quite satisfactory and it

    allows to make forecasts for the tourist demand of Lisbon and Porto with great precision.

    Keywords: Modeling; Prediction; Lisbon; Porto; Sleeping; Multiple Linear Regression.

  • iv

    Índice

    Agradecimentos ............................................................................................................. i

    Resumo ........................................................................................................................ ii

    Abstract ....................................................................................................................... iii

    Índice de Gráficos ........................................................................................................ vi

    Índice de Tabelas ...................................................................................................... viii

    Lista de Abreviaturas e Siglas ...................................................................................... x

    Introdução ..................................................................................................................... 1

    Revisão de Literatura .................................................................................................... 3

    1.1. Conceptualização do Turismo ........................................................................... 3

    1.1.1 Definição de Turismo .............................................................................. 3

    1.1.2 Tipologias Turísticas ............................................................................... 4

    1.1.3 O Turismo na Economia Mundial ......................................................... 5

    1.2. Turismo: O Caso Português ............................................................................. 10

    1.2.1 Caracterização do sector turístico em Portugal.................................... 10

    1.2.2 Perfil do Turista ....................................................................................... 11

    1.2.3 Distribuição espacial do Turismo em Portugal ..................................... 13

    1.2.4 Prémios/Distinções Internacionais ......................................................... 15

    1.2.5 Evolução do Turismo em Portugal ........................................................ 16

    1.2.6 Impacto do Turismo na Economia Nacional ......................................... 18

    Caso de Estudo: Lisboa e Porto .................................................................................. 23

    2.1 O Turismo na cidade de Lisboa ........................................................................ 24

    2.2 O Turismo na cidade do Porto .......................................................................... 27

    Metodologia de Investigação ...................................................................................... 32

    3.1 Indicadores de avaliação da procura turística ................................................... 33

    3.2 Variáveis utilizadas no estudo .......................................................................... 34

    3.3 Tratamento de Dados ........................................................................................ 34

    3.4 Modelo de Regressão Linear Múltipla (RLM) ................................................. 34

    3.4 Avaliação dos Modelos e das suas previsões ................................................... 38

    Modelação da Procura Turística para Lisboa e Porto ................................................. 40

  • v

    4.1 Resultados obtidos pelo modelo de RLM ........................................................ 41

    4.1.1 Modelos iniciais ....................................................................................... 41

    4.1.2 Modelos finais .......................................................................................... 45

    4.2 Análise do desempenho dos modelos obtidos ........................................... 49

    4.3 Determinação do número de dormidas de 2018 ........................................ 51

    4.3.1 Cálculo do MAPE e Amplitude dos Intervalos de Previsão ................ 52

    O Turismo em 2020 ................................................................................................... 54

    5.1 Previsões para 2020 ......................................................................................... 54

    5.1.1 Lisboa e Porto .......................................................................................... 58

    Conclusão ................................................................................................................... 62

    Bibliografia ................................................................................................................ 64

    Anexos ....................................................................................................................... 68

  • vi

    Índice de Gráficos

    Gráfico 1: Receitas globais por consequência do turismo, em 2014. ........................... 6

    Gráfico 2: Número de turistas residentes e não residentes que cada país recebe.

    (Eurostat, 2016) ............................................................................................................ 7

    Gráfico 3: Evolução do turismo mundial. .................................................................... 9

    Gráfico 4: Número de dormidas em Portugal nos últimos 5 anos. (INE, PORDATA

    2017) ........................................................................................................................... 11

    Gráfico 5: Países emissores de um maior número de turistas para Portugal. ............. 12

    Gráfico 6: Repartição dos turistas por sexo, segundo os principais motivos da

    viagem, em milhares. (Estatísticas do Turismo, 2016)............................................... 13

    Gráfico 7: Número de turistas que visitaram Portugal em 2015. (INE, PORDATA

    2016) ........................................................................................................................... 15

    Gráfico 8: Número de hóspedes em estabelecimentos hoteleiros em Portugal. (INE,

    2018) ........................................................................................................................... 16

    Gráfico 9: Taxa de ocupação hoteleira em Portugal. (INE, 2018) ............................. 17

    Gráfico 10: Receita por quarto disponível, em euros. (INE, 2018) ............................ 18

    Gráfico 11: Gastos em viagens na Europa. (WTTC, 2018)........................................ 19

    Gráfico 12: Receitas turísticas em valor e em % do PIB. (Banco de Portugal, 2016)20

    Gráfico 13: Evolução dos Proveitos em milhares de euros. (INE, 2016) ................... 21

    Gráfico 14: População empregada no sector turístico, em milhares. (INE, 2016) ..... 21

    Gráfico 15: Evolução da remuneração média por trabalhador ao ano, em Euros. (INE,

    2016) ........................................................................................................................... 22

    Gráfico 16: Número de estabelecimentos hoteleiros na cidade de Lisboa. (INE, 2016)

    .................................................................................................................................... 25

    Gráfico 17: Principais atrações turísticas na cidade do Porto. (Moreira, 2010) ......... 28

  • vii

    Gráfico 18: Número de estabelecimentos hoteleiros na cidade do Porto. (INE, 2016)

    ................................................................................................................................... 29

    Gráfico 19: Gráficos de dispersão para cada variável explicativa do modelo de

    Lisboa. ........................................................................................................................ 47

    Gráfico 20: Histogramas dos erros aleatórios dos modelos finais. ............................ 47

    Gráfico 21: Gráfico dos erros aleatórios no papel de probabilidades da distribuição

    Normal para o modelo reduzido. ............................................................................... 48

    Gráfico 22: Número de dormidas em Portugal e previsões até 2020. ....................... 55

    Gráfico 23: Variação anual das receitas turísticas internacionais [%, 2007-2014].

    (Turismo 2020: Cinco princípios para uma ambição, Bancos Centrais Eurosistema)

    ................................................................................................................................... 56

    Gráfico 24: Receitas turísticas internacionais em Portugal e previsões até 2020. ..... 56

    Gráfico 25: Receitas por quarto disponível em Portugal e previsões até 2020. ........ 58

    Gráfico 26: Número de dormidas em Lisboa e no Porto e previsões até 2020. ......... 59

    Gráfico 27: Número de camas disponíveis e previsões até 2020. ............................. 59

    Gráfico 28: Proveitos totais em Lisboa e no Porto derivados do turismo e previsões

    até 2020. ..................................................................................................................... 60

  • viii

    Índice de Tabelas

    Tabela 1: Impactos económicos das viagens e turismo. (WTTC, 2010) .................... 10

    Tabela 2: Capacidade do alojamento por regiões. (INE, PORDATA 2016) .............. 14

    Tabela 3: Balança Corrente, em milhões de euros. (Banco de Portugal, 2016) ......... 20

    Tabela 4: Indicadores do turismo de Lisboa. (Turismo de Portugal, 2017) ............... 24

    Tabela 5: Critério de Avaliação dos Modelos. (Lewis, 1982, p.40) ........................... 39

    Tabela 6: VIFs obtidos para os modelos iniciais de Lisboa e Porto. .......................... 41

    Tabela 7: Modelos iniciais com 17 variáveis explicativas para cada uma das regiões.

    .................................................................................................................................... 42

    Tabela 8: Números condição e valores próprios obtidos. ........................................... 43

    Tabela 9: VIFs obtidos para os novos modelos de Lisboa e Porto. ............................ 44

    Tabela 10: VIFs finais obtidos para os modelos de Lisboa e Porto. .......................... 44

    Tabela 11: Medidas de desempenho dos modelos finais obtidos. .............................. 45

    Tabela 12: Teste F para os modelos finais obtidos. .................................................... 46

    Tabela 13: Teste de Durbin-Watson para os modelos finais obtidos. ........................ 47

    Tabela 14: Testes de ajustamento efetuados ao modelo final. ................................... 48

    Tabela 15: Coeficientes de determinação obtidos para cada um dos modelos finais. 48

    Tabela 16: Valores reais para cada variável explicativa entre 2015 e 2017. .............. 49

    Tabela 17: Cálculo do MAPE para cada um dos modelos finais. .............................. 50

    Tabela 18: Cálculo do coeficiente de correlação de Pearson para cada um dos

    modelos finais. ............................................................................................................ 50

    Tabela 19: Soma média do quadrado dos erros de cada modelo obtido..................... 51

    Tabela 20: Valores reais para cada variável explicativa em 2018. ............................. 51

    Tabela 21: Previsões do número de dormidas em Lisboa e no Porto. ........................ 52

  • ix

    Tabela 22: Cálculo do MAPE para as previsões de 2018. ......................................... 52

    Tabela 23: Intervalos de previsão para cada uma das previsões obtidas. .................. 52

    Tabela 24: Resultados do turismo de Portugal em 2017. (INE, 2017) ...................... 54

    Tabela 25: Saldo da balança do turismo nos últimos 7 anos. (BP - Estatísticas de

    Balança de Pagamentos (BOP), PORDATA) ............................................................ 57

  • x

    Lista de Abreviaturas e Siglas

    PIB: Produto Interno Bruto

    PNB: Produto Nacional Bruto

    OMT: Organização Mundial de Turismo

    OCDE: Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico

    WTTC: World Travel & Tourism Council

    UNESCO: Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura

    RevPAR: Revenue Per Available Room (Receita por quarto disponível)

    NUT: Nomenclatura das Unidades Territoriais para Fins Estatísticos

    ART: Agenda Regional do Turismo para a Região do Norte

    PwC: PricewaterhouseCoopers

    T.V.M.A.: Taxa de Variação Média Anual

    INE: Instituto Nacional de Estatística

    RLM: Regressão Linear Múltipla

    IPC: Índice de Preços ao Consumidor

    TC: Taxa de Câmbio

    MAPE: Mean Absolute Percentage Error

    MMQ: Método dos Mínimos Quadrados

    VIF: Variance Inflation Factor

    Eurostat: European Statistical System

    IDH: Índice de Desenvolvimento Humano

  • 1

    Introdução

    A atividade turística praticada constitui para o século XXI o sector líder da economia

    mundial, apresentando níveis de crescimento anuais bastante significativos. Este setor inclui

    vários níveis de habilidade, desde o mais simples até ao mais complexo envolvendo assim as

    mais variadas camadas sociais, e de formação, integrando todos os graus literários. Em

    vários países do mundo, quer estejam desenvolvidos ou em desenvolvimento, o turismo,

    dada a sua transversalidade e as áreas que envolve, tem vindo a ganhar um lugar de destaque

    do ponto de vista económico. Tendo em conta que envolve várias áreas de trabalho, acaba

    por as influenciar fazendo com que estejam em crescimento constante em linha com o que é

    verificado no setor turístico. Exemplo disso são os setores da agricultura, artesanato,

    alimentação, transportes, hotelaria, entre outros.

    Em Portugal, o turismo tem tido uma importância crescente com o passar dos anos.

    Esta é uma atividade que remonta à época dos descobrimentos e Portugal tem um vasto leque

    de conquistas realizadas em viagens e explorações marítimas. Atualmente, Portugal é um

    país caracterizado não só pela capacidade de acolhimento, como também pelo clima, a sua

    história, o seu património e cultura. Assim, o turismo representa para Portugal, tal como a

    nível mundial, um dos sectores com um crescimento bastante acentuado nos últimos anos

    sendo uma das principais áreas de proveito para a economia.

    Em particular, as cidades de Lisboa e do Porto são reconhecidas internacionalmente

    pelo seu turismo, pela sua hospitalidade e pelas mais variadas experiências que

    proporcionam. Estas trazem a Portugal um grande número de turistas anualmente, sendo que

    são escolhidas por um leque cada vez mais alargado de turistas de várias partes do mundo.

    As regiões de Lisboa e do Porto são conhecidas pela sua história e pelo seu clima ameno,

    sendo que possuem sol até 290 dias/ano e a temperatura raramente atinge valores inferiores a

    10ºC. Outro marco importante e realçado por um grande número de turistas é a sua

    segurança. A gastronomia, nomeadamente o bacalhau, o Fado, as tradições, a animação

    cultural, a inovação tecnológica e, acima de tudo, a hospitalidade são as características que

    melhor refletem estas duas cidades de Portugal.

    Ao longo dos anos têm surgido cada vez mais estudos relativamente à previsão e

    modelação da procura turística de uma determinada região. O mesmo tem acontecido com

    Portugal. Ainda assim, e em particular para as regiões de Lisboa e do Porto, os estudos

    realizados têm sido em menor escala o que representa uma fragilidade da atividade turística

    visto que o produto turístico é perecível e a sua previsão permite antever diferentes cenários

    e preparar qualquer sector para as suas mudanças. Este tipo de estudos representa ainda um

    importante contributo na planificação e previsão de fluxos turísticos que poderão ser

    utilizados pelas entidades competentes para tentar evitar uma grande discrepância entre a

    oferta e a procura turísticas registadas.

  • 2

    Posto isto, o presente estudo tem como principal objetivo modelar e prever a

    atividade turística para as cidades de Lisboa e do Porto, representada pelo “Número de

    dormidas nos estabelecimentos hoteleiros” registadas em cada região. Como variáveis

    explicativas para aplicar no modelo, de forma a explicar o comportamento da variável acima

    indicada, utilizar-se-ão a taxa de crescimento do Índice de Preços ao Consumidor, taxa de

    crescimento do Produto Interno Bruto, Índice de Desenvolvimento Humano e a variação

    percentual da Taxa de Câmbio. Para uma maior precisão, estas variáveis foram selecionadas

    para os quatro maiores mercados emissores de turistas para Portugal: Espanha, França,

    Alemanha e Reino Unido, bem como para Portugal. Para se efetuar a modelação dos mesmos

    irá recorrer-se ao modelo de Regressão Linear Múltipla. Por fim, para medir a precisão dos

    modelos analisar-se-á o Erro Percentual Absoluto Médio, o coeficiente de correlação de

    Pearson e a soma dos quadrados dos erros. Para além disto, com o intuito de medir a

    qualidade das previsões obtidas analisar-se-á o Erro Percentual Absoluto Médio e a

    amplitude dos intervalos de previsão.

  • 3

    Revisão de Literatura

    Capítulo 1

    1.1. Conceptualização do Turismo

    1.1.1 Definição de Turismo

    O turismo é um fenómeno que remonta ao passado. Desde os romanos até à época

    dos descobrimentos que este era visto como uma oportunidade de evasão, de conhecimento

    de novas culturas, e, ainda, como motivação para a deslocação de pessoas por via da sua fé.

    Atualmente, o turismo é visto como uma oportunidade de lazer e de convivência com

    culturas distintas do quotidiano sendo que a receita que gera, bem como o emprego e

    desenvolvimento socioeconómico fazem com que seja um dos setores mais importantes para

    a economia mundial. Tendo em conta o impacto que o turismo tem a nível mundial, visto ser

    uma atividade comum a milhões de pessoas, torna-se assim uma das atividades económicas

    com maior dimensão e com taxa de crescimento mais elevada a nível mundial. Prova disto é

    o facto de o turismo ter crescido 6% em 2017, representando 10% do PIB1 mundial, ser o

    terceiro sector exportador no mundo empregando 1 em cada 10 pessoas, de forma indireta ou

    indireta, segundo dados da OMT.

    O conceito de turismo não está ainda clarificado e com isto assume muitas

    definições. Ao longo dos tempos foi sofrendo grandes alterações, sendo que surgiu pela

    primeira vez em 1910 com o autor austríaco Herman Von Schullern Schrattenhoffen. O

    turismo é, por definição, segundo Mathieson e Wall, a deslocação temporária (curto prazo)

    de pessoas para destinos diferentes da sua residência/local de trabalho. Esta definição já era

    defendida por Walter Hunziker e Kurt Krapf (Cunha, 2009), em 1942, que estabeleceram

    que seria considerado turismo se as deslocações não fossem feitas tendo em conta um

    contexto laboral. Segundo uma perspetiva holística, o turismo foi considerado por Mclntosh

    et al. (1990) como o resultado da interação dos turistas com as comunidades locais de

    destino que os recebem, tal como já era defendido por McIntosh et al. (1990).

    Mais recentemente, a conceptualização de turismo segundo a British Tourist

    Authority considerou como sendo a estadia de uma ou mais noites fora da habitação própria

    por um determinado período de tempo por qualquer motivo, não considerando deslocações a

    nível profissional ou de educação, tal como já era defendido por Valter Hunziker e Kurt

    Krapf. Por esta definição, o turismo considera-se como uma vasta e variada atividade que

    engloba, além das deslocações das pessoas e de todas as relações que estabelecem nos locais

    1 PIB ou Produto Interno Bruto: Soma (em valores monetários) de todos os bens e serviços finais

    produzidos numa determinada região durante um período determinado.

  • 4

    visitados, também todas as produções e serviços desenvolvidos para responder às suas

    necessidades. É um conceito que abrange simultaneamente a oferta e a procura turística.

    Do ponto de vista económico pode definir-se turismo como sendo uma área que

    engloba a transação de meios monetários tendo em conta os pagamentos de prestações e

    serviços efetuados pelos turistas aquando das suas deslocações, independentemente do

    motivo das mesmas. Este sector contribui para a criação de emprego, preservação do

    ambiente e, principalmente, favorece o desenvolvimento regional.

    Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT), e de um ponto de vista mais

    técnico, o turismo consiste no “conjunto de atividades desenvolvidas por pessoas durante as

    viagens e estadias em locais situados fora do seu ambiente habitual por um período

    consecutivo que não ultrapasse um ano, por motivos de lazer, negócio e outros” (Cunha,

    2009). Ainda assim é percetível que esta definição engloba apenas as atividades

    desenvolvidas pelos visitantes, não contendo as atividades produtoras de bens e serviços

    criados para a receção dos turistas, mesmo que as deslocações e estadas não se efetuem ou

    sejam canceladas. Outra questão que põe em causa esta definição é o facto de se referir a

    «pessoas» e não a visitantes e por incluir «outros» motivos. Com isto, a definição perde o

    rigor visto que inclui todo o tipo de viajantes. Contudo, a definição da OMT contempla três

    componentes que caracterizam o turismo: a atividade dos visitantes inclui apenas o que está

    fora da rotina diária habitual; as viagens terão de incluir um meio de transporte para a

    deslocação até ao destino e o local de destino tem de estar adequado a este sector de

    atividade.

    A junção destas três componentes faz com que seja possível incluir, ou não, certas

    atividades na definição de turismo: “todas as atividades económicas, culturais e recreativas

    que sejam predominantemente destinadas à utilização dos residentes ou das pessoas que se

    desloquem para o local onde se situem para aí desenvolverem uma profissão remunerada,

    não podem ser classificadas como turistas” (Cunha, 2009). Esta nova restrição vem de

    encontro ao que já foi anteriormente referido visto que Valter Hunziker e Kurt Krapf

    defendiam que só seria considerado turismo caso fosse efetuado sob um contexto não

    laboral.

    1.1.2 Tipologias Turísticas

    Os vários tipos de turismo existentes são diretamente influenciados pelos motivos

    que levam os turistas a viajar e a finalidade do mesmo. Isto é, existem pessoas que viajam

    por motivos de saúde e de reabilitação e optam por destinos termais. No entanto também

    existem pessoas que viajam com o intuito de praticar desportos e neste caso escolherão

    destinos propícios a estas práticas de desporto, nomeadamente estâncias.

    Deste modo, tal como existem diversos motivos para as pessoas viajarem, existem

    também os mais variados tipos de locais de turismo fazendo com que haja uma grande

    diversidade de tipos de turismo, dos quais salientamos:

  • 5

    Turismo de recreio: usufruto da paisagem e das atrações locais, bem como de clima quente

    propício à prática de atividades balneares.

    Turismo de repouso: este tipo de deslocações inclui essencialmente turistas que pretendam

    usufruir de momentos de relaxamento físico e mental ou qualquer tipo de benefícios para a

    saúde, tais como a recuperação física dos desgastes provocados pelo “stress” ou intensidade

    do trabalho. O tipo de turistas que opta por turismo de repouso procura locais calmos com

    contacto com a natureza, estâncias termais ou locais onde exista prestação de cuidados

    físicos.

    Turismo cultural: este tipo de turismo centra-se essencialmente no aumento de

    conhecimento e no contacto com novas culturas, hábitos e monumentos. Os museus, centros

    culturais, locais com sinais de vivência de civilizações ou monumentos constituem a

    preferência destes turistas. Ainda assim, esta definição difere de autor para autor. Smith, em

    1988, definiu turismo cultural e turismo histórico como dois tipos diferentes de turismo.

    Turismo étnico: este tipo de turismo é “constituído pelas viagens que têm por fim observar

    expressões culturais ou modos de vida de “povos exóticos” (Cunha, 2009).

    Turismo de natureza: relaciona-se essencialmente com o turismo ambiental e o turismo

    ecológico. O primeiro diz respeito aos vários aspetos da terra, do mar e do céu, e o segundo

    inclui as viagens que são feitas com o intuito de observar e compreender a natureza e a sua

    história tendo por base a ideia de preservar o ecossistema.

    Turismo desportivo: este tipo de turismo inclui dois tipos de conceptualização. Uma delas

    consiste em assistir a práticas desportivas tais como os jogos olímpicos e a outra consiste na

    deslocação para a prática dos mais variados tipos de desportos como o ski, ténis, golfe, etc.

    Turismo religioso: a motivação principal deste tipo de turismo é a fé. Trata-se de

    deslocações que se baseiam em motivações associadas às crenças e às necessidades

    religiosas dos turistas.

    Turismo gastronómico: este modo de turismo visa experimentar e apreciar a gastronomia

    tradicional de diferentes regiões.

    Turismo político: consiste em efetuar deslocações com o objetivo de participar em reuniões

    políticas, quer sejam deslocações esporádicas, quer se trate de deslocações regulares.

    1.1.3 O Turismo na Economia Mundial

    Em pleno século XXI o turismo faz parte da maioria dos países desenvolvidos e

    trata-se de uma área que tende a sofrer grandes evoluções. Até recentemente, o turismo

    restringia-se à Europa Ocidental e à América do Norte, tanto em relação a origens como a

    destinos. Atualmente, o turismo está alargado a todos os continentes. A grande expansão do

  • 6

    turismo tem sido notória nas últimas décadas, sendo o sector de atividade económica que

    regista um maior crescimento em todo o mundo.

    O crescimento sustentável do turismo possibilita uma melhoria no bem-estar

    económico e de desenvolvimento, mas também implica aspetos negativos no que toca à

    segurança, alterações nos mercados e limites de recursos.

    “Em 1970, os dez principais destinos do mundo, entre os quais não se incluía

    nenhum país fora da área do Atlântico Norte, recebiam 65% dos turistas mundiais. Agora,

    incluem já três países fora dessa área e já recebem 45% da procura mundial, mas no fim da

    década em que a procura turística terá, entretanto duplicado, passarão a incluir cinco e

    receberão à volta de, apenas, 40% dessa procura” (Cunha, 2013).

    São percetíveis as mudanças que este sector turístico tem vindo a sofrer ao longo dos

    tempos. Entre elas destacam-se: o facto de existir mais informação disponível acerca do

    destino, o que faz com que os turistas sejam mais exigentes a nível da relação

    qualidade/preço; a diversificação do tipo de turistas visto que a motivação da realização de

    uma viagem tem sido cada vez mais abrangente; a alteração da conceção do

    desenvolvimento turístico, fazendo com que atualmente este tenha em mais atenção termos

    como a “sustentabilidade, qualidade, diferenciação e diversidade” (Cunha, 2013).

    Segundo a OMT, em 2014 cerca de 1.133 milhões de pessoas fizeram turismo em

    2014, o que representa 9% do PIB mundial, 1.4 biliões de euros por ano em exportações e

    6% das exportações mundiais. Ainda assim, a região da Europa e Ásia Ocidental lideram o

    crescimento absoluto com um registo de mais de 15 milhões de turistas internacionais face

    ao ano anterior.

    A nível económico, as receitas globais devidas ao turismo aumentaram 3,7% em

    2014, sendo que os EUA, Espanha e China lideram a tabela como é possível observar no

    gráfico seguinte.

    Gráfico 1: Receitas globais por consequência do turismo, em 2014.

    De acordo com dados mais recentes da OMT, o turismo mundial cresceu 6% em

    2017 quando comparado com o ano anterior. Os turistas chineses foram aqueles que mais

  • 7

    contribuíram para este crescimento, sendo um mercado emissor de turistas que sofreu uma

    rápida evolução impulsionando o grande incremento no turismo a nível mundial. Para 2018,

    espera-se que ocorra um incremento entre 3% e 4%.

    Segundo dados estatísticos do Eurostat, o número de dormidas na União Europeia

    em 2016 ronda os 922 milhões dos quais 60% corresponde a turismo doméstico2, perfazendo

    um total de 557 milhões de turistas provenientes do próprio país. Através da análise do

    Gráfico 2 é possível concluir que a prática de turismo doméstico nos vários países da União

    Europeia é bastante desigual. Exemplo disso é o facto da Alemanha e a França terem um

    turismo doméstico bastante superior quando comparado com o turismo externo.

    Contrariamente, em países como a Espanha e a Itália esta diferença não é notória.

    Gráfico 2: Número de turistas residentes e não residentes que cada país recebe. (Eurostat, 2016)

    As entradas de turistas estrangeiros nos mais diversos países do mundo têm vindo a

    aumentar abruptamente com o passar dos anos. Prova disso é o facto de ter aumentado 39

    vezes em 60 anos (1950-2011), sendo que neste período, e em particular na década de 90, o

    ritmo de crescimento abrandou. Ainda assim, entre 1950-2011 o turismo cresceu a uma taxa

    média anual de 11% segundo dados da OMT. Este crescimento deveu-se essencialmente à

    facilitação da entrada e saída de turistas dos países recetores de turismo, tornando-se numa

    das atividades com maior expressão a nível de transações mundiais. Prova disso é o facto de

    o número de turistas estrangeiros ter passado de 165 milhões em 1980, para cerca de 982

    milhões em 2011, e as receitas originadas se terem multiplicado por 57, passando de 18

    milhões para mil milhões de dólares.

    Apesar de não se esperar um crescimento tão elevado como o que já foi verificado, é

    de notar que em 2003 se verificou a maior queda de sempre na procura turística internacional

    em -1,7%. No entanto, no ano seguinte o crescimento registado de 10% foi o maior quando

    2 Turismo doméstico: é aquele em que o turista não passa a fronteira do seu país, segundo definição

    da OMT.

    -

    20

    40

    60

    80

    100

    120

    140

    mer

    o d

    e Tu

    rist

    as (

    Milh

    ões

    )

    Países

    Residentes Não Residentes

  • 8

    comparado com os 30 anos anteriores e, em 2007, aumentou 6,1%. Chegada a crise

    económica, esta teve alguns impactos no sector turístico em 2009 com uma diminuição

    abrupta de 4,3% nas entradas de turistas a nível mundial, embora em 2010 o crescimento

    verificado tenha sido superior a esta diminuição.

    Em 2016, o crescimento do turismo foi de 3,9% por todo o mundo o que se traduz no

    aumento do número de turistas em 1 milhão, segundo dados do INE3. A Europa foi o

    continente com a maior percentagem de turistas, 49,8%, o que perfaz 615 milhões de

    pessoas. Contrariamente, o médio oriente sofreu uma diminuição de 4,1% relativamente a

    2015. A OMT indicou que, em relação a 2017, o crescimento do turismo foi de 6%, superior

    ao verificado no ano anterior.

    Relativamente ao mercado turístico, a Europa continua a representar uma quota-parte

    bastante importante entre os turistas, tanto em relação às chegadas e dormidas, como

    relativamente às receitas turísticas. Este continente possui atualmente 12% da população e

    menos de um terço do PNB4 mundial, absorvendo cerca de 47% das receitas do turismo

    internacional. Ainda assim é de realçar que a Europa é a região que mais contribui para o

    turismo mundial, quer em relação ao número de turistas que daí saiam, quer em termos de

    despesa que realizam: cerca de 55% dos turistas que chegam aos mais variados destinos tem

    origem na Europa e 50% das despesas turísticas mundiais dizem respeito a turistas

    provenientes desta região.

    Até 1980, o turismo era um fenómeno que se centralizava principalmente na Europa

    e na América do Norte. A partir desse ano o turismo passou a ser mais universal, não só pelo

    aparecimento de novos turistas vindos de outros países, como pelo desenvolvimento da

    concorrência a estes 2 continentes. Prova disso é o facto dos cinco maiores países de origem

    serem de três continentes diferentes: Alemanha, Estados Unidos da América, Reino Unido,

    China e França, os quais perfazem 32% do total das despesas mundiais efetuadas.

    Contrariamente, os cinco principais destinos - Estados Unidos da América, França, Itália,

    Espanha e China - recebem 31,2% do total de receitas mundiais.

    Nas últimas décadas, as taxas médias de crescimento têm evoluído a um ritmo lento,

    ainda que o número de turistas deverá continuar a aumentar quando comparado com o

    crescimento da produção tal como é possível observar no Gráfico 3. Ainda assim, as crises

    económicas, o desemprego e a instabilidade das taxas de câmbio são alguns dos fatores que

    influenciam negativamente a evolução do turismo, podendo originar uma instabilidade no

    sector turístico e uma diminuição da procura. No entanto, a redução de “barreiras terrestres”

    e a melhoria da situação económica mundial darão um novo impulso ao turismo.

    3 INE: Instituto Nacional de Estatística

    4 PNB ou Produto Nacional Bruto: O Produto Nacional Bruto traduz a quantidade de bens e serviços

    produzidos pelos nacionais de um país num dado período de tempo, independentemente de ser

    efetuado em território nacional ou fora dele.

  • 9

    Gráfico 3: Evolução do turismo mundial.

    Analisando o Gráfico 3 é percetível que o crescimento do turismo ocorrido em 2017

    é mais significativo nos últimos anos, sendo que o número de turistas internacionais também

    aumentou, registando o seu valor mais elevado. A OMT espera que até ao final da presente

    década a entrada de turistas por todas as fronteiras do mundo cresça à taxa média anual de

    4,1%, o que fará com que se atinjam os 1.4 mil milhões de turistas.

    A nível económico, as receitas do turismo têm um maior crescimento quando

    comparado com o comércio mundial. Entre 1980 e 1995, as receitas turísticas aumentaram a

    uma taxa média anual de 8,5% enquanto que as exportações de mercadorias cresceram

    apenas 5,5%. Segundo a OCDE, o crescimento do turismo internacional foi superior à

    evolução do comércio e do investimento. Entre 1950 e 2005, as receitas também cresceram

    mais do que o rendimento da economia perfazendo um aumento médio anual de 11,2% (sem

    inflação), muito superior ao do PIB mundial. O mesmo acontece relativamente às

    exportações, sendo que as receitas turísticas representam 9% do total de exportações de

    mercadorias e mais de um terço dos serviços comerciais.

    De acordo com o WTTC5, “a economia do turismo, definida como o conjunto das

    atividades associadas às viagens, incluindo, portanto, a indústria dos transportes, contribui

    com cerca de 9,2% para o produto interno bruto mundial e, em 2010, dava emprego a 235.7

    milhões de pessoas, ou seja, 8,1% do total do emprego mundial”.

    5 WTTC ou World Travel & Tourism Council: fórum para a indústria de viagens e turismo.

  • 10

    Tabela 1: Impactos económicos das viagens e turismo. (WTTC, 2010)

    Milhares de milhões US$ 2010 2020

    (Previsões)

    Variação Média

    Global

    PIB gerado diretamente pelo turismo 1.986 3.650 83,79%

    PIB gerado pela economia turística 5.751 11.151 93,90%

    Emprego turístico direto 81.913.000 104.740.000 27,87%

    Emprego turístico gerado pela economia turística 235.758.000 303.019.000 28,53%

    Exportações turísticas 1.086 2.160 98,90%

    Investimentos em capital 1.241 2.757 122,16%

    Despesas governamentais 436 744 70,64%

    Os valores previstos para 2020 referem-se a previsões e trata-se de meros

    indicadores estatísticos. O WTTC prevê que o produto bruto gerado pelo turismo em 2020

    seja o dobro do verificado em 2010. Relativamente aos postos de trabalho criados por esta

    atividade econômica espera-se que aumente até 303 milhões, o que faz com que anualmente

    crie 6.8 milhões de novos empregos.

    1.2. Turismo: O Caso Português

    1.2.1 Caracterização do sector turístico em Portugal

    A atividade turística em Portugal é um fenómeno relativamente recente enquanto

    atividade empresarial e organizada, visto que a primeira agência de viagens surgiu em 1840,

    a Agência Abreu, e nesse mesmo ano foi inaugurado o primeiro hotel em Lisboa, o

    Bragança. Posteriormente, no decorrer dos anos 60 do século XX, o sul da Europa passou a

    ser um destino de eleição para os turistas nórdicos que procuravam um clima quente que

    oferecesse um bom leque de praias e destinos paradisíacos.

    Conforme já foi referido anteriormente, o turismo é um sector bastante importante

    para impulsionar a economia nacional, tratando-se de uma área estrategicamente prioritária

    para Portugal devido ao emprego que daí advém e da riqueza que gera. Trata-se de um sector

    em que se tem vantagens claramente superiores relativamente a outros países tendo em conta

    o clima, a segurança, a proximidade à costa, a qualidade das praias, os campos de golfe de

    reconhecida qualidade internacional e a oferta diversificada.

    O elevado número de turistas que chega todos os anos a Portugal permite que este

    país ocupe uma posição bastante confortável no ranking internacional de destinos turísticos

    ocupando atualmente a 18ª posição a nível continental. Embora continue a ter um lugar de

    destaque, Portugal já teve uma melhor classificação neste mesmo ranking. Em 1998 ocupava

    o 12º lugar. Ainda assim tem vindo a melhorar desde 2008, altura em que ocupava a 19ª

    (BES Research, 2010). Isto deveu-se essencialmente à fraca taxa de crescimento do número

    de turistas chegados às fronteiras portuguesas registando um valor de 0.8%/ano e à

    correspondente perda de quota de mercado que verificou um decréscimo de 0.4 pontos

    percentuais neste mesmo período.

  • 11

    1.2.2 Perfil do Turista

    Segundo dados do INE, ao longo dos anos Portugal tem registado alguns records no

    que dizem respeito à atividade turística – mais turistas, mais dormidas e mais proveitos. É

    notório que ao longo dos anos o número de turistas estrangeiros tem sido sempre crescente e

    superior ao número de turistas nacionais.

    Gráfico 4: Número de dormidas em Portugal nos últimos 5 anos. (INE, PORDATA 2017)

    De acordo com o turismo de Portugal (2016) é possível identificar três tipos de

    turismo:

    City Breaks Standard: caracteriza-se por ser um tipo de turistas low-cost. Optam por se

    hospedar em pousadas da juventude ou pensões, utilizam transportes públicos como meio de

    transporte, as atrações que visitam têm um custo reduzido ou mesmo gratuito e as refeições

    são realizadas em estabelecimentos com preços económicos.

    City Breaks Upscale: este tipo de turistas opta por tudo o que o local de destino tem de

    melhor para oferecer em termos de qualidade e conforto. Optam por hotéis de 5 estrelas,

    restaurantes cujas refeições tem um valor avultado, deslocam-se em meios de transportes

    particulares e alugados com serviço de motorista ou então através de táxis, escolhem visitas

    guiadas aos monumentos e possíveis locais de visita e as atividades noturnas centram-se

    essencialmente em assistir a peças de teatro, óperas, etc.

    City Breaks Temáticos: turistas que optam por “viagens temáticas, para assistir a um

    evento musical, desportivo ou de moda, e cujos gastos dependem do interesse específico que

    os motivam para o destino” (Coutinho, 2012).

    De acordo com dados do INE, os países que mais turistas trazem a Portugal são

    Espanha, França, Alemanha e Reino Unido, tal como é possível verificar no gráfico seguinte.

  • 12

    Gráfico 5: Países emissores de um maior número de turistas para Portugal.

    Os turistas provenientes dos países acima indicados representavam, em 2016, 63,3%

    do total dos turistas, sendo que a Espanha é o país que mais turistas traz a Portugal por ano,

    mais especificamente, 68% das entradas em território nacional, perfazendo um total de 12.1

    milhões de visitantes (valor superior ao da população portuguesa) – 4.7 milhões de turistas e

    7.5 milhões de excursionistas.

    É facilmente percetível que o sector turístico português depende fortemente destes

    quatro países. Ainda assim, espera-se que até 2020, a China, o Japão e a Rússia se tornem os

    três principais países emissores de turistas, representando um total de 272 milhões de

    viajantes (BES Research, 2010). Posto isto, aqui se encontra um mercado turístico a explorar

    num futuro próximo como forma de reduzir a dependência do turismo português em relação

    aos seus quatro mercados de origem tradicionais (Turismo de Portugal, 2010).

    Relativamente ao turismo doméstico, em 2016, a população portuguesa realizou pelo

    menos uma viagem perfazendo um total de 4.54 milhões de portugueses a deslocarem-se da

    sua área de residência, o que equivale a 44,1% da população e a um aumento de 0,8 p.p. face

    a 2015. Neste mesmo ano, o motivo de realizar férias por parte da população portuguesa foi

    maioritariamente com o intuito de “lazer, recreio ou férias” representando 31,5% da

    população (ou seja, 3.2 milhões de pessoas), mais 1,4% quando comparado com 2015. A

    “visita a familiares e amigos” representou 21,4% da população (o mesmo registo do ano

    anterior) e por motivos profissionais ou de negócios viajaram 5,2% dos portugueses, o que

    contrasta com os 5,1% registados em 2015.

    Quando é analisado o género dos turistas que visitam o território português sem ter

    em conta o motivo dessa mesma viagem, a população feminina vence em relação à

    masculina, contribuindo com 52,6% do total de turistas em 2016 (sem alterações face ao ano

    anterior), proporção esta muito semelhante ao total da população feminina em Portugal

    (52,7%). No entanto, e tal como em anos anteriores, no caso das deslocações se terem

    realizado por motivos “profissionais ou de negócios”, é a população masculina que o faz

    20,40%

    16,10%

    9,10% 17,70%

    36,70%

    Espanha França Alemanha Reino Unido Outros

  • 13

    maioritariamente (61,3%), sofrendo uma queda de 1,1 p.p. face ao ano anterior. O número de

    turistas mulheres foi predominante quando o motivo da viagem era “saúde” representando

    67,7% (sendo que em 2015 era de 58,2%) e no caso de ser devido a “religião”, 55,9%.

    Gráfico 6: Repartição dos turistas por sexo, segundo os principais motivos da viagem, em milhares.

    (Estatísticas do Turismo, 2016)

    Analisando as idades dos visitantes de Portugal, o escalão etário 25-44 anos foi o que

    teve menos peso no número de turistas, registando apenas 29,3% (menor que os 30,2%

    registados em 2015). Contrariamente, a faixa etária composta por pessoas com idades

    superiores a 65 anos foi a que reforçou a sua importância em 2016 aumentando de 15,4%

    para 16,3%. Quando o motivo de deslocação se tratava de “lazer, recreio ou férias”, a

    população jovem diminuiu face ao ano anterior, registando apenas 62,2% (63,0% em 2015).

    Com isto, a faixa etária mais idosa ganhou algum peso aumentando assim para 13,0%,

    contrariando os 11,2% registados em 2015. Relativamente a “visita a familiares ou amigos”,

    a faixa etária que mais se destacou em 2016 foi o escalão 45-64 anos, aumentando para

    27,4% (25,9% em 2015), a par do aumento do escalão dos 65 ou mais anos para 18.4%

    (17,3% no ano anterior). Entre os turistas que viajaram por motivos profissionais, destaca-se

    o aumento para 32,5% da população com 45-64 anos (26,5% no ano anterior), ainda que

    tenha ocorrido uma diminuição para 39,5% no escalão 25-44 anos (face aos 47,1%

    registados em 2015).

    1.2.3 Distribuição espacial do Turismo em Portugal

    De acordo com o que já tem vindo a ser dito, a prática de turismo em Portugal já é

    um costume bastante antigo representando para algumas regiões do país uma atividade

    económica fundamental. Exemplo disso é o Algarve onde a partir dos anos 60 passou a

  • 14

    desempenhar um papel fundamental para o seu desenvolvimento e sustento. Neste mesmo

    patamar situam-se as ilhas da Madeira e dos Açores.

    Relativamente aos principais destinos de férias em Portugal tem-se o Algarve,

    Lisboa, Porto, ilhas da Madeira e dos Açores. A região algarvia é um dos destinos turísticos

    preferidos pelos portugueses tendo em conta o clima e as praias, o que contribui em grande

    escala para o crescimento da região. Como principal destino religioso em Portugal tem-se

    Fátima. Este local ficou conhecido devido às aparições que aí terão ocorrido. Por outro lado,

    Lisboa atrai turistas devido à sua história, quer pelos monumentos, quer pela sua

    contemporaneidade. Mais a norte surge a cidade do Porto. Esta conseguiu o seu

    reconhecimento internacional devido aos cruzeiros que são feitos no rio Douro, bem como as

    visitas às caves de vinho do Porto. As regiões autónomas da Madeira e dos Açores são dois

    destinos muito procurados tanto por turistas nacionais como estrangeiros. A ilha da Madeira

    com a sua floresta laurissilva classificada de património da Humanidade pela UNESCO, é

    um local de interesse devido ao seu clima ameno, às paisagens exuberantes e pela sua

    gastronomia, tal como acontece com a ilha dos Açores. Para além destes principais destinos,

    Portugal tem outras cidades igualmente importantes devido à sua história e ao seu património

    tais como o Alentejo, Coimbra, Aveiro e Braga.

    Tomando como exemplo o Algarve, e tendo em conta dados do PORDATA, esta

    região detém uma grande percentagem da capacidade hoteleira representando 32,5% do total,

    quando em 1970 não ia além dos 12%.

    Tabela 2: Capacidade do alojamento por regiões. (INE, PORDATA 2016)

    Territórios Estabelecimentos Hoteleiros

    Total Hotéis

    Anos 2009 2016 Tx. de Variação 2009 2016 Tx. de Variação

    Portugal 273.804 380.818 139,08% 141.575 201.507 142,33%

    Norte 38.827 58.247 150,02% 23.347 37.412 160,24%

    Centro 38.605 53.512 138,61% 23.859 34.360 144,01%

    Área Metropolitana de Lisboa 52.041 75.120 144,35% 39.465 54.502 138,10%

    Alentejo 10.591 22.779 215,08% 4.355 7.391 169,71%

    Algarve 95.910 123.797 129,08% 28.056 40.375 143,91%

    Região Autónoma dos Açores 8.806 10.826 122,94% 6.705 8.576 127,90%

    Região Autónoma da Madeira 29.024 36.537 125,89% 15.788 18.891 119,65%

    É possível avaliar a atração de cada região consoante a sua procura, sendo que o

    Alentejo e os Açores são aqueles que apresentam uma menor taxa de ocupação.

    Contrariamente, a região de Lisboa apresenta uma procura bastante superior às restantes,

    muito provavelmente por se tratar da capital de Portugal e por ser constituída pelas mais

    variadas atrações, o que pode possibilitar um maior desenvolvimento para a região.

  • 15

    Gráfico 7: Número de turistas que visitaram Portugal em 2015. (INE, PORDATA 2016)

    Comparando o número de turistas estrangeiros com o número de turistas nacionais

    que visitam Portugal é possível perceber que a região do Algarve é aquela que apresenta uma

    maior preferência por ambos ainda que o número de turistas seja bastante superior. Enquanto

    os turistas vindos de outros países visitam maioritariamente Lisboa, Algarve e Madeira, os

    portugueses optam principalmente pelo Algarve, Lisboa e regiões do Norte e Centro

    contribuindo assim para uma distribuição espacial do turismo mais equilibrada.

    1.2.4 Prémios/Distinções Internacionais

    No sector turístico, tal como acontece nos restantes sectores de atividade, a

    qualidade dos serviços prestados e o produto final apresentado são as características mais

    importantes para definir o sucesso do mesmo. Em particular, no caso do sector turístico, a

    qualidade do mesmo é algo complicado de analisar visto que os turistas têm uma certa

    dificuldade em avaliar os serviços turísticos antes de usufruírem deles. É por esta razão que

    muitos turistas optam por destinos já visitados tendo em conta que já conhecem o seu nível

    de qualidade.

    Portugal é caracterizado por ter inúmeros locais para visitar e os prémios e

    reconhecimentos que valorizam a sua beleza, a sua cultura e história são inúmeros,

    reconhecendo a qualidade deste destino turístico como inovador, sustentável e moderno. As

    paisagens vitivinícolas do Rio Douro e da Ilha do Pico no arquipélago dos Açores integram a

    lista do Património Mundial da UNESCO; os Açores alcançaram o segundo lugar numa

    iniciativa da National Geographic Traveler, numa seleção de 111 ilhas ou arquipélagos; a

    Madeira posicionou-se em sexto lugar no conjunto das “10 Melhores Ilhas Europeias” na

    revista Condé Nast Traveller; a cidade do Porto foi eleita como “Melhor Destino Europeu

    2012”; a praia de Albufeira no Algarve foi considerada pelos leitores do TripAdvisor a 6ª de

    10 melhores destinos de praia europeus e o Fado foi reconhecido pela UNESCO como

    Património Imaterial da Humanidade no final do ano de 2011, passando a fazer parte da lista

    representativa do património cultural imaterial da humanidade.

    No decorrer do ano de 2013, Portugal foi eleito pelo Condé Nast Traveller como o

    melhor destino do mundo para se viajar. Para esta distinção destacaram-se alguns aspetos

  • 16

    importantes já mencionados anteriormente, como a paisagem, a gastronomia e as praias. Esta

    prestigiada revista fala do “especial encanto que é visível nas tradições do país, com cidades

    que combinam a modernidade com o peso visível da história, paisagens e praias que nos

    reconciliam com a Natureza”. Foi neste mesmo ano que o Porto foi eleito como o melhor dos

    10 destinos de férias de eleição na Europa.

    Em 2016, Portugal foi considerado como um dos 20 maiores destinos do mundo e

    em 2017 foi mesmo eleito como o “Melhor Destino do Mundo” nos World Travel Awards,

    “Melhor Destino para City Break” e “Melhor Destino Insular” para a ilha da Madeira.

    1.2.5 Evolução do Turismo em Portugal

    Portugal, tem vindo ano após ano, a apostar no turismo uma vez que dispõe de

    fatores únicos no mundo que atraem qualquer tipo de turistas, sendo que o turismo português

    é aquele que mais cresce na Europa, de acordo com a OMT. Esta atividade é importante para

    diminuir o desemprego, criar riqueza e melhorar a economia do país. Para isso é necessário

    que a aposta na inovação e na qualidade do sector turístico seja cada vez maior com o

    objetivo de atrair cada vez mais turistas.

    O turismo tem-se afirmado em Portugal como um dos motores impulsionadores da

    economia nacional. Para isso contribuiu o facto de o número de turistas ter duplicado desde

    2002 sendo que a T.V.M.A.6 perfaz um crescimento de, aproximadamente, 4%.

    Gráfico 8: Número de hóspedes em estabelecimentos hoteleiros em Portugal. (INE, 2018)

    Através do gráfico 8, é possível observar que em 2002 o número de turistas que

    estiveram hospedados em Portugal praticamente duplicou quando comparado com 2017. À

    6 T.V.M.A.: Taxa de Variação Média Anual

  • 17

    exceção de 2009 e 2012, a tendência é de crescimento ainda que o ritmo esteja a abrandar. É

    de realçar que neste último ano, Portugal registou um número de turistas superior a 20

    milhões.

    O mercado hoteleiro possui dois grandes indicadores que refletem o seu estado: a

    taxa de ocupação e a receita por quarto disponível. A taxa de ocupação hoteleira, também

    conhecida por taxa de frequência de alojamento, é um indicador que permite avaliar em que

    medida a oferta se adequa à procura.

    Gráfico 9: Taxa de ocupação hoteleira em Portugal. (INE, 2018)

    Observando o gráfico 9 é possível observar que durante muitos anos a taxa de

    ocupação média rondou os 40%, sendo que em 2017 atingiu os 51,6%. Isto significa que a

    capacidade de alojamento oferecido ultrapassou em 48,4% a procura. Visto que a taxa de

    ocupação hoteleira se encontra abaixo dos 100% significa que existe um desequilíbrio entre a

    oferta e a procura, mas este valor só é atingível caso os estabelecimentos hoteleiros estejam

    sempre lotados o que só se verifica em alturas do ano e em determinadas regiões. Em

    períodos de época alta, estabelecimentos localizados no Algarve, por exemplo, atingem

    facilmente os 100% de taxa de ocupação.

    A taxa de ocupação média permite avaliar o grau de utilização da capacidade

    produtiva e com isto perceber se haverá excesso ou necessidade de novos estabelecimentos

    hoteleiros. Quando esta é baixa é porque há excesso de oferta relativamente à procura o que

    significa que o investimento em novos estabelecimentos hoteleiros não é uma boa opção.

    Contrariamente, quando esta é elevada constitui um estímulo aos novos investimentos.

    Outro índice bastante utilizado na indústria hoteleira para avaliar as receitas dos

    hotéis é a receita por quarto disponível (RevPAR). Este índice pode ser traduzido pelo rácio

    entre o rendimento líquido dos quartos e número de quartos disponíveis ou, de outra forma,

    multiplicando a taxa de ocupação (por quarto) pelo preço médio dos quartos.

  • 18

    Gráfico 10: Receita por quarto disponível, em euros. (INE, 2018)

    Tal como é possível observar no gráfico 10, em 2017 a receita por quarto disponível

    superou, pela primeira vez, os 50€. Este valor é praticamente o dobro do apresentado em

    2002 (28€), tal como aconteceu com o número de hóspedes em Portugal. Este aumento no

    RevPAR é principalmente influenciado pela cidade de Lisboa visto que a capital apresenta o

    valor mais alto de receita por quarto disponível, 53,61€, seguido das regiões autónomas dos

    Açores e da Madeira. Em 2015, a média referente a este indicador foi de 33,73€ por região.

    Com isto, a Taxa de Variação Média Anual verificada perfaz um total de 5,5%.

    1.2.6 Impacto do Turismo na Economia Nacional

    O turismo em Portugal está a atravessar uma fase de expansão apresentando um

    crescimento de 11,5% em 2016 face ao ano anterior. Este crescimento possibilitou gerar

    40.000 postos de trabalho, sendo que o número médio de estadia subiu de 3,1 para 3,8 dias

    em dez anos. Portugal tem já um plano definido até 2027, para atingir receitas turísticas de

    26 mil milhões e 80 milhões de dormidas.

    A importância económica, social e intersectorial do turismo faz com que este seja há

    muito considerado uma atividade estratégica, “sendo a maior atividade exportadora (mais de

    15% do total das exportações de bens e serviços nacionais; 46% do total de exportações de

    serviços), contribuindo para o maior equilíbrio da balança de pagamentos (...). Podendo

    ainda focar-se outros aspetos: gera emprego; é fator de desenvolvimento regional; integra

    uma multiplicidade de áreas e de agentes.” (BPI, 2016).

    Segundo dados disponibilizados pelo WTTC, em 2015 o turismo contribuiu 3,7% de

    forma direta e 9,9% de forma indireta para o PIB da Europa. Estes valores devem-se

    essencialmente ao crescimento de gastos efetuados pelos turistas. Os gastos devido a viagens

  • 19

    de negócios são os que apresentam um maior crescimento, superando os gastos por motivos

    de lazer.

    Gráfico 11: Gastos em viagens na Europa. (WTTC, 2018)

    Através do gráfico 11 é possível concluir que o turismo de lazer apresenta valores

    mais estáveis desde 2014, enquanto que o turismo de negócios é inconstante sendo que

    depois da sua variação percentual sofrer uma queda em 2013 (devido essencialmente à crise

    económica que o país atravessou), sofreu um aumento abrupto em 2014 e um novo

    decréscimo em 2015, mantendo-se constante nos anos seguintes. De notar, ainda, que em

    2011 e 2013 os gastos efetuados devido a turismo de lazer eram superiores ao turismo de

    negócios, sendo que no primeiro ano indicado chegou mesmo a registar o dobro da variação

    percentual.

    Na época de crise que Portugal atravessou registaram-se défices extremos sucessivos

    nas contas nacionais com o exterior, ou seja, as receitas do orçamento de Estado eram

    inferiores às suas despesas. Em particular, o saldo da Balança Corrente foi deficitário durante

    anos consecutivos, superior a 10% do PIB, contribuindo para que a crise se acentuasse cada

    vez mais. Em termos brutos, a dívida excede atualmente 200% da riqueza gerada

    internamente, cerca de 100% do PIB, em termos líquidos. Desde o segundo ano de

    implementação do programa de ajustamento externo que Portugal tem conseguido manter os

    saldos externos excedentários o que contribui para uma boa avaliação por parte dos

    avaliadores e investidores externos. No entanto, para que exista este equilíbrio, as receitas

    provenientes do sector turístico têm contribuído em grande escala. Prova disso é o facto de

    Portugal ter registado em 2015, e pelo quarto ano consecutivo, um excedente das contas

    externas e em particular, na conta de Bens e Serviços, que superou 3.2 mil milhões de euros.

    No mesmo ano, o excedente da Balança de turismo superava os 7.7 mil milhões, com um

    contributo evidente para o saldo externo, como podemos ver na tabela 3.

  • 20

    Tabela 3: Balança Corrente, em milhões de euros. (Banco de Portugal, 2016)

    2011 2012 2013 2014 2015

    Exportações

    Bens e Serviços 61.595 64.372 68.587 70.747 74.064

    Serviços 19.299 20.063 22.111 23.511 25.073

    Viagens e Turismo 8.146 8.606 9.250 10.394 11.362

    Importações

    Bens e Serviços 68.048 64.204 65.455 68.781 70.950

    Serviços 11.287 10.569 10.928 12.060 12.795

    Viagens e Turismo 2.974 2.946 3.120 3.318 3.612

    Saldo

    Balança Corrente -10.572 -3.202 2.478 212 813

    Bens e Serviços -6.452 169 3.132 1.965 3.114

    Serviços 8.012 9.494 11.183 11.451 12.278

    Viagens e Turismo 5.172 5.660 6.130 7.076 7.750

    Ao se analisar a evolução das receitas provenientes do turismo, a tendência é

    também de crescimento, tendo-se alcançado em 2015 os 11.4MM €, o que significa um

    aumento de 9,6% face ao ano anterior em que se registou 10.4MM €. Outro aspeto

    importante e que reflete o grande dinamismo dos últimos anos é o facto de as receitas totais

    do turismo terem aumentado 50% entre 2010 e 2016, que é devido essencialmente ao poder

    político, investimento autárquico e investimento privado.

    Gráfico 12: Receitas turísticas em valor e em % do PIB. (Banco de Portugal, 2016)

    É facilmente percetível a importância que o turismo tem na economia do país tendo

    em conta a evolução positiva ao analisarmos o peso das receitas turísticas no PIB. Em 2010,

    as receitas representavam 4,2% do PIB, enquanto que em 2015 este valor acrescera para

    6,3%. Durante este período o país passou por uma crise económico-financeira grave, mas

    este acontecimento não teve grande impacto visto que o crescimento foi constante ao longo

    dos anos.

  • 21

    Gráfico 13: Evolução dos Proveitos em milhares de euros. (INE, 2016)

    O crescimento constante dos proveitos vai de encontro à mesma tendência por parte

    das receitas. Isto deveu-se essencialmente aos ganhos consolidados por parte dos proveitos

    realizados nos estabelecimentos hoteleiros, aldeamentos, apartamentos turísticos e outros

    alojamentos turísticos. Esta forte expansão turística influencia a população empregada na

    área e que, curiosamente, tem vindo a diminuir.

    Gráfico 14: População empregada no sector turístico, em milhares. (INE, 2016)

    A área da restauração é aquela que possui a maior percentagem de população

    empregada do sector, 74%, seguida dos empregados ligados ao alojamento com 21%, e as

    agências de viagens com uma quota a rondar os 5%. Ainda assim, apesar da restauração ser o

    sector que emprega um maior número de pessoas, foi devido a ela que se deveu o decréscimo

  • 22

    acentuado no número de empregados, tendo em conta que foi o sector mais penalizado após

    o programa de ajustamento externo.

    Gráfico 15: Evolução da remuneração média por trabalhador ao ano, em Euros. (INE, 2016)

    A remuneração média obtida por um trabalhador do sector hoteleiro é cerca de 37%

    inferior ao conjunto da economia. Ainda assim, de 2010 a 2015 essa remuneração ainda

    decresceu 2,35%. O mesmo não aconteceu com a restante economia, visto que os salários

    aumentaram em média, e para o mesmo período, 1,22%. Este decréscimo na remuneração

    pode justificar o facto deste sector estar a perder cada vez mais trabalhadores.

    Em particular, as cidades de Lisboa e do Porto estão entre as dez mais populares da

    Europa, situando-se na quinta e nona posições, respetivamente. Em 2017, Lisboa registou

    um aumento de 17% na sua procura face a 2016, enquanto que o Porto se ficou pelo

    crescimento de 12%. Estas duas cidades são as mais procuradas a nível nacional e

    internacional, a par do Algarve na época balnear.

  • 23

    Caso de Estudo: Lisboa e Porto

    Capítulo 2

    As cidades de Lisboa e do Porto são reconhecidas internacionalmente pelo seu

    turismo, pela sua hospitalidade e pelas mais variadas experiências que proporcionam.

    Resultado disto é o facto de em 2017 terem registado o 2° e 3° maior crescimento na Europa,

    respetivamente, segundo o estudo “European Cities Forecast” levado a cabo pela PwC7. O

    ano de 2017 registou resultados únicos e marcantes para estas duas cidades portuguesas:

    Lisboa e Porto registaram a 5ª e 6ª maior taxa de ocupação da Europa, de entre os 19 países

    em estudo; Lisboa registou um crescimento RevPAR de 6,9%, enquanto que o Porto registou

    um aumento de 5,8% - note-se que era expectável que ocorresse um aumento no RevPAR

    visto que este rácio é diretamente proporcional à tendência registada na taxa de ocupação.

    O grande aumento registado nas taxas de crescimento destas duas cidades deve-se

    essencialmente à imagem segura e positiva que ambas transmitem para o exterior. Este

    crescimento beneficiou ainda da quebra do número de viagens para o Mediterrâneo Oriental,

    do aumento do número de cruzeiros que atracam no porto de Lisboa e, ainda, dos inúmeros

    eventos culturais realizados na cidade do Porto.

    A par dos aspetos positivos que o turismo proporciona a estas cidades é igualmente

    importante perceber que existem algumas consequências para as mesmas. Prova disso é o

    aumento da carga fiscal relativa ao alojamento local, aumentos dos preços de bens essenciais

    vendidos no comércio local e o aumento do preço das rendas bem como dos imóveis.

    Um dos grandes objetivos do turismo é a promoção do desenvolvimento económico

    de uma determinada região ou país (Smith, 1994). Para isso é importante definir os seus

    principais recursos económicos, naturais, culturais e patrimoniais. Em particular, no caso do

    turismo é essencial determinar potenciais recursos geradores de turismo, com características

    peculiares que permitam diferenciar a região da restante oferta. O produto turístico é uma

    junção de tudo o que um turista poderá consumir, utilizar, experimentar, observar e apreciar

    durante uma viagem ou estada (Baptista, 1990).

    Segundo Middleton e Clark (2001), o produto turístico é considerado como um

    pacote de componentes tangíveis e intangíveis baseadas numa atividade, num dado destino.

    No entanto, acrescentam ainda que a experiência proporcionada ao turista está igualmente

    incluída no conceito de produto turístico. Estes dois autores defendem ainda que este

    conceito pode ser dividido em dois níveis: O nível total que inclui todas as experiências que

    um turista pode usufruir desde a sua partida para o destino de férias até ao regresso a casa e o

    7 PwC ou PricewaterhouseCoopers: é uma das maiores prestadoras de serviços nas áreas de

    auditoria e consultoria.

  • 24

    nível específico que tem em conta apenas a componente oferecida por uma organização

    particular.

    Por outro lado, Xu (2010) defende que o produto turístico engloba toda a experiência

    que advém de uma viagem e que atende às mais variadas necessidades do turismo bem como

    os benefícios que dele advém. Numa outra perspetiva, em particular do marketing, o produto

    turístico é constituído por 5 elementos: atrações do destino, alojamento, acessibilidade,

    imagem e preço. No entanto, Smith (1994) defendera que os 5 elementos seriam o espaço

    físico, os serviços prestados, hospitalidade, liberdade de escolha e o envolvimento, o que

    entra em contradição com o que era anteriormente defendido por Medlik e Middleton (1973).

    2.1 O Turismo na cidade de Lisboa

    A capital portuguesa é conhecida pela sua variedade de monumentos e locais a

    visitar: a Baixa Chiado é das zonas mais visitadas e conhecidas da região, sendo que os

    locais mais emblemáticos estão aqui situados: centro histórico, baixa pombalina, comércio

    tradicional e lojas contemporâneas e tradicionais; a Alfama composta por ruelas e becos em

    calçada e que representa assim a zona mais tradicional e antiga de Lisboa; o Bairro Alto

    conhecido pela sua animação noturna e pelo seu espírito festivo; a Avenida da Liberdade que

    constitui o lado mais luxuoso da cidade sendo que aqui se podem encontrar as mais variadas

    marcas internacionais; Belém que personifica a época dos Descobrimentos levados a cabo

    pelos portugueses; o Parque das Nações é uma zona totalmente reabilitada da cidade

    composta por inúmeros jardins e que deu lugar à Expo 98 e, por fim, a zona ribeirinha que

    delimita a capital.

    Segundo o relatório sobre o Turismo de Portugal no ano de 2017, em particular na

    região de Lisboa, este tem vindo a melhorar ano após ano e prova disso são os indicadores de

    desempenho abaixo apresentados:

    Tabela 4: Indicadores do turismo de Lisboa. (Turismo de Portugal, 2017)

    O crescimento verificado no número de hóspedes deveu-se essencialmente ao

    aumento do número de turistas estrangeiros que visitam a cidade visto que este sofreu uma

  • 25

    variação de 12,4% enquanto que o aumento do número de turistas nacionais ficou pelos

    2,4%. No que diz respeito à estada média são os turistas estrangeiros que mais tempo

    permanecem em Lisboa com uma média de 2,5 noites, enquanto que os restantes ficam

    apenas 1,8 noites.

    Ao longo dos anos, Lisboa tem ganho bastante prestígio dentro de casais cujas

    idades estão entre os 35 e os 54 anos e tem vindo a melhorar progressivamente no ramo dos

    negócios. Como consequência de toda a oferta proveniente da cidade de Lisboa, as tipologias

    turísticas mais frequentes são o turismo de recreio, o turismo desportivo - essencialmente

    devido ao surf que é praticado nas praias da zona costeira -, o turismo gastronómico e o

    turismo político. Ainda assim, este último tipo de turismo é uma das áreas que ainda pode ser

    reforçada, principalmente através da promoção de conferências políticas de grande

    dimensão.

    O reconhecimento internacional tem trazido a Lisboa vários prémios que premeiam

    as qualidades que a cidade possui. Em 2014 foram atribuídos 4 importantes prémios à capital

    portuguesa por parte dos World Travel Awards:

    Europe’s Leading Cruise Destination and Cruise Port;

    Best Winter Holiday Destination;

    2nd Most Affordable Destination;

    6th Best Destination to visit.

    Segundo dados do INE, a cidade de Lisboa tem sofrido um aumento significativo na

    capacidade hoteleira que está diretamente relacionado com o facto da cidade ter ganho um

    grande reconhecimento internacional nos últimos anos:

    Gráfico 16: Número de estabelecimentos hoteleiros na cidade de Lisboa. (INE, 2016)

    Através do gráfico acima apresentado é possível perceber que o número de

    estabelecimentos hoteleiros duplicou em 7 anos, perfazendo assim uma taxa de variação

    média anual de 10,7%. Este aumento significativo na capacidade hoteleira deve-se

  • 26

    essencialmente ao crescimento abrupto da procura por parte dos turistas que tem aumentado

    ano após ano, sendo que em 2017 registou um aumento de 17% tal como já foi referido

    anteriormente, e a rentabilidade da hotelaria seguiu o mesmo sentido, mas aumentando 20%,

    segundo dados do turismo de 2017. Este lugar cada vez mais sólido como destino turístico de

    eleição na Europa é devido essencialmente a turistas vindos de França, Espanha e Alemanha.

    Com o objetivo de sintetizar o que é o turismo em Lisboa é viável fazer a análise

    SWOT do mesmo, analisando assim o ambiente interno, ou seja, os pontos fortes que fazem

    com que a cidade se diferencie de outros pontos turísticos do mundo, e os pontos fracos que

    representam o que pode ainda ser melhorado de forma a aumentar o números de turistas que

    visitam a mesma. No entanto, é possível também fazer a análise do ambiente externo, isto é,

    as oportunidades existentes que poderão fazer com que Lisboa possa competir com grandes

    cidades mundiais e as ameaças que o turismo proporciona.

    Forças / Strengths:

    1- Principal rede metropolitana de Portugal e terceira maior da Península Ibérica;

    2- Diversidade da oferta e qualidade hoteleira;

    3- Elevada diversidade cultural;

    4- Proximidade ao rio Tejo;

    5- Capacidade de organização de grandes eventos que trazem a Portugal milhares de

    turistas;

    6- Clima ameno;

    7- Aumento das áreas verdes da cidade, bem como a erradicação dos bairros de

    barracas;

    8- Grande oferta de habitação na periferia da capital atrativa para famílias de estratos

    socioeconómicos intermédios;

    9- Boa cobertura por parte dos equipamentos de saúde;

    10- Proximidade ao aeroporto da cidade;

    11- Diversidade de monumentos históricos e culturais.

    Fraquezas / Weaknesses:

    1- Perda de população local;

    2- População cada vez mais envelhecida;

    3- Deslocalização das sedes das empresas para a periferia da cidade;

    4- Aumento das tarifas dos transportes públicos;

    5- Elevada exposição a níveis sonoros superiores ao limite legal, bem como o

    congestionamento que se faz sentir em hora de ponta;

    6- Alta exposição aos riscos sísmicos;

    7- Aumento abrupto no preço dos imóveis.

    Oportunidades / Opportunities:

    1- Reforço da rede de transportes públicos da capital alargando a área abrangente;

    2- Metas de redução do tráfego na cidade por parte da Câmara Municipal de Lisboa;

  • 27

    3- Redução da distância entre as áreas urbanas;

    4- Alargamento de rotas efetuadas por companhias low-cost;

    5- Investimento na ciência e investigação por forma a aumentar o turismo tecnológico;

    6- Aproveitamento de áreas abandonadas para o aumento de espaços verdes.

    Ameaças / Threats:

    1- Aeroporto de Lisboa em vias de saturação devido ao elevado número de passageiros

    que aterra da capital todos os dias;

    2- Forte concorrência por parte de cidades espanholas;

    3- Custos elevados de manutenção dos espaços verdes muitas vezes não considerados

    como prioritários;

    4- Congestionamento urbano e poluição verificada em algumas áreas da cidade;

    5- Deslocação da população para a periferia da cidade onde os preços da habitação são

    mais baixos;

    6- Diminuição das despesas destinadas ao investimento municipal que se faz sentir

    desde 2012.

    2.2 O Turismo na cidade do Porto

    Em 2015 foram definidos os recursos turísticos da região do Porto com o objetivo de

    delinear uma visão e um plano estratégico para a região do norte. Posto isto, os pontos

    turísticos da área metropolitana do Porto são o centro histórico do Porto, Património

    histórico-cultural classificado, Caves do Vinho do Porto e Barcos Rabelos, Cultura e

    conhecimento, Centro económico e empresarial, Pólo de Congressos, Convenções e

    Seminários, Animação, Foz do Douro e orla costeira. Esta região turística engloba as NUTS

    III8: Grande Porto (área metropolitana do Porto), Tâmega (Vale do Sousa e Tâmega) e Entre

    Douro e Vouga. Ainda assim, o poder económico e social está centrado na cidade do Porto.

    De acordo com as tipologias turísticas já mencionadas, os produtos turísticos

    considerados estratégicos para a região do Porto segundo a ART são: turismo de negócios,

    urbano, náutico, gastronomia & vinhos – enoturismo, saúde e bem-estar, histórico-cultural e

    golfe. Segundo a mesma fonte, e para esta região, os produtos em que a região do Porto

    deveria apostar mais seriam o turismo de negócios, urbano, náutico e histórico-cultural visto

    que esta região desenvolveu ao longo dos anos um vasto património histórico e cultural de

    reconhecimento nacional e internacional, tais como museus, teatros, edifícios

    contemporâneos, jardins, universidades, etc.

    8 NUTS III: divisões regionais existentes em todos os estados-membros da União Europeia, sendo

    utilizadas pelo Eurostat para a elaboração de todas as estatísticas regionais e pela União Europeia na

    definição de políticas regionais e atribuição dos fundos de coesão. Em particular, o terceiro nível da

    NUTS é constituído por 25 unidades, das quais 23 estão presentes no continente e 2 correspondentes

    às Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira.

  • 28

    Segundo a ART, o turismo na cidade do Porto centrou-se essencialmente no turismo

    histórico-cultural, turismo de negócios (muito devido à modernização do aeroporto, sedes de

    grandes empresas situadas nesta região, bem como universidades) e visitas às caves de vinho

    do Porto. Ainda assim, em maior destaque encontram-se a gastronomia e a paisagem humana

    e urbana.

    Tendo em conta todo o investimento feito no sector turístico, seria expectável que o

    volume de turistas aumentasse em grande escala. Este fenómeno verificou-se e a cidade do

    Porto já foi reconhecida várias vezes internacionalmente, nomeadamente a sua distinção

    como Melhor Destino Europeu em 2017.

    A cidade do Porto proporciona aos seus visitantes um vasto património histórico,

    cultural e monumental que possuem um grande potencial de atração turística. Esta oferta

    inclui 95 monumentos classificados (sendo que 39 estão abetos às visitas do público),

    estando integrados em vários percursos turísticos e culturais. A nível cultural e de lazer a

    oferta é ainda mais alargada visto que existem cerca de 30 museus/núcleos museológicos

    abertos ao público, 28 igrejas, 14 caves de vinho do Porto e 12 mercados/feiras. A oferta

    turística é ainda constituída por mais de 60 obras de arquitetura contemporânea e vários

    locais de passeio que se estendem desde a Ribeira até à Foz. A Casa da Música, a Casa das

    Artes, o Coliseu do Porto, o Jardim Botânico, Serralves, SEA LIFE, o Pavilhão da Água, o

    Planetário do Porto, o Rivoli e o Parque da Cidade (CCDRN, 2008) são locais de grande

    interesse e que são visitados por milhões de turistas todos os anos. Ainda assim, segundo

    dados do Porto Turismo9, os turistas que visitam a cidade do Porto apresentam um maior

    interesse pelo vinho do Porto.

    Gráfico 17: Principais atrações turísticas na cidade do Porto. (Moreira, 2010)

    A par da cidade de Lisboa, a Invicta aumentou abruptamente o número de

    estabelecimentos hoteleiros presentes na cidade tendo em consideração o maior fluxo do

    9 Porto Turismo: entidade encarregue das estratégias de turismo na cidade do Porto.

  • 29

    número de turistas. Segundo dados do INE, a cidade do Porto tem sofrido um aumento

    significativo na capacidade hoteleira:

    Gráfico 18: Número de estabelecimentos hoteleiros na cidade do Porto. (INE, 2016)

    Através do gráfico anteriormente apresentado é possível perceber que a capacidade

    hoteleira da cidade do Porto aumentou cerca de 130 estabelecimentos hoteleiros em 7 anos, o

    que corresponde a uma taxa de variação média anual de 7,9%. É de notar que nos últimos

    anos o turismo, e por consequência o perfil dos turistas que visitaram a cidade por motivos

    de lazer, tem vindo a sofrer grandes alterações. Estas alterações devem-se es