Modelo Trabalhista Rescisao Indireta Atraso Salarial

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    04-Oct-2015

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MODELO TRABALHISTA RESCISAO INDIRETA ATRASO SALARIAL

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Excelentssimo Sr

Marco A. T. Nascimento OAB-GO 27.559 e Walter Silvrio Afonso - OAB-GO 10.687

Av. Anhanguera n 5389, Ed. Anhanguera Sala 804 centro, Fone: 32121987 _______________________________________________________________________________________________________

Excelentssimo Sr(a). Dr(a). Juiz(a) Federal do Trabalho da Vara de Goinia - GO.

GUILHERME, brasileiro, casado, almoxarife, CPF. 324.383.381-72, RG. 1474386 SSP/GO, residente e domiciliado na Av. ., Goinia GO, CEP. 74. neste ato representado pr seu procurador judicial que esta subscreve(m. j), com escritrio profissional no endereo acima, para os fins do art. 39, I do CPC, vem presena de Vossa Excelncia, com fulcro no art. 483 da CLT, Constituio Federal e demais normas pertinentes, propor:

RECLAMATRIA TRABALHISTAem face de: ENGEMAK, CNPJ n. 15. estabelecida na estrada D Qd- Gois, CEP. 74.711-120; em vista das razes de fato e direito adiante expostas:

DOS FATOS1 - DA ADMISSO REMUNERAO E FUNO.O Reclamante foi admitido pela reclamada em 22 de fevereiro de 2006, no cargo de Almoxarife, recebendo em mdia remunerao de R$ 1.100,00 (mil e cem reais), por ms, salrio fixo 933,00 mais horas extras e DSR, conforme recibos de pagamento, doc. anexos. 2 - DA JORNADA DE TRABALHOO reclamante foi contratado para laborar das 08:00 s 18:00 horas, de segunda a sexta, com intervalo de uma para repouso e alimentao, entretanto, sempre laborou alm da jornada normal, neste perodo ativava at as 19:30/20:00 horas, gerando horas extras conforme consta nos recibos de pagamento. Entretanto no foram pagas todas hs horas extras constando parcialmente nos contracheques conforme a convenincia patronal. Em razo da durao do trabalho ser superior ao limite de 8 horas dirias e 44 horas semanais, estabelecido no art. 7, XIII, da CF/88, tem-se que o reclamante perfez uma mdia de 47,15 horas extras por ms durante o pacto laboral, que no lhe foram pagas devidamente e agora so requeridas, com acrscimo de 50%.Para evitar enriquecimento indevido, requer a deduo dos valores pagos, a ttulo de horas extras, devidamente comprovados nos contracheques pela reclamada, uma vez que o reclamante no possui todas as cpias. Contudo, nas cpias que esto sendo juntadas j se admite a deduo das mesmas. Em face da habitualidade com que foram prestadas, a mdia das horas extras deve-se integrar remunerao do obreiro para todos os efeitos legais, repercutindo sobre DSRs e, a partir da, em aviso prvio, frias + 1/3, salrios trezenos e FGTS + 40%, o que tambm j requer. Requer a junta dos controles de jornada pela reclamada sob pena de confisso. 3 - DA RESSCISO INDIRETAOcorre que a partir de janeiro de 2010, a reclamada vem descumprindo o contrato de trabalho para com o Reclamante, ou seja, atraso constante no pagamento dos salrios. Como exemplo, citamos o ms de outubro de 2010, cujo pagamento ocorreu em 26/11/2010.

Se no bastasse o atraso nos pagamentos, at a presente data o reclamante no recebeu os salrios dos meses de agosto, setembro, novembro, dezembro e 13 salrio relativo a 2010.

Tambm ocorreu atraso no pagamento das frias gozadas em julho de 2010, cujo pagamento se deu em 17/09/2010, mais de dois meses aps.

Em razo dos atrasos constantes no pagamento dos salrios, o reclamante passou por inmeras dificuldades e humilhaes, posto que, no tinha como honrar com seus compromissos, alm de pagar sempre com atraso suas contas de gua, energia eltrica, telefone e outros compromissos, sem falar nas dificuldades para alimentar sua famlia, em razo do atraso constantes e pagamento dos salrios. Diante do flagrante descumprimento do contrato de trabalho pela reclamada, atraso constante no pagamento dos salrios e no depsito do FGTS, o reclamante interrompe a prestao laboral a partir de 05/01/2011, requerendo seja reconhecida a resciso indireta do pacto a partir desta data, com projeo do aviso prvio e ao final seja a reclamada condenada ao pagamento das verbas rescisrias devidamente corrigidas na forma da lei.4 DA MORA NO PAGAMENTO DOS SALRIOSConforme acima mencionado, alm de receber os salrios com atraso, a reclamada no pagou ao obreiro, os meses de agosto, setembro, novembro, dezembro e 13 salrio relativos a 2010, contrariando frontalmente a o disposto no art. 459, pargrafo nico da CLT.Alm da previso legal consolidada, os Tribunais do Trabalho tem reconhecido a resciso indireta quando o empregador no cumpre o contratado de trabalho, citamos:PROCESSO TRT - RO - 00257-2008-052-18-00-8

RELATOR : JUIZ DANIEL VIANA JNIOR REVISOR : DESEMBARGADOR PLATON TEIXEIRA DE AZEVEDO FILHO RECORRENTE(S) : SIDERAL TRANSPORTES E TURISMO LTDA. ADVOGADO(S) : FLVIA DE FARIA GENARO RECORRIDO(S) : VALDECI MOURA NETO ADVOGADO(S) : MARCUS VINCIUS PEREIRA LIMA E OUTRO(S) ORIGEM : 2 VT DE ANPOLIS-GO JUIZ(ZA) : KLEBER DE SOUZA WAKI ACRDO Vistos e relatados os autos acima identificados, acordam os Desembargadores da Segunda Turma do Egrgio Tribunal Regional do Trabalho da 18 Regio, em sesso ordinria, por unanimidade, conhecer do recurso e negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. Julgamento realizado com a participao dos Excelentssimos Desembargadores PLATON TEIXEIRA DE AZEVEDO FILHO (Presidente) e MRIO SRGIO BOTTAZZO e do Juiz convocado DANIEL VIANA JNIOR. Representando o Ministrio Pblico do Trabalho a Excelentssima Procuradora CLUDIA TELHO CORRA ABREU. P.J.U. - TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 18 REGIO PROCESSO TRT - RO - 00257-2008-052-18-00-8Goinia, 15 de outubro de 2008.(...............................)

A principal obrigao decorrente do contrato de trabalho o pagamento de salrios, que deve ocorrer at o 5 dia til do ms subsequente ao trabalhado, nos termos do art.459 da CLT.

Sendo o pagamento dos salrios a principal obrigao do empregador, dependendo o empregado deste para manuteno de sua sobrevivncia e a de sua famlia, conclui-se que os atrasos reiterados no pagamento dos salrios, como acontece no presente feito, autorizam a resciso do contrato de trabalho pelo empregado, diante da frustrao de seu direito bsico, qual seja, de perceber, no prazo legal, o salrio pelo trabalho prestado no ms anterior, de acordo com o disposto no art. 483, alnea 'd', da Consolidao das Leis do Trabalho.

Considerando que a mora salarial contumaz j apta a assegurar a resciso indireta do contrato de trabalho, deixo de apreciar, neste tpico, a inadimplncia de outras obrigaes decorrentes do contrato de trabalho.

Por todo o exposto, reputo configurada a existncia justo motivo para despedida indireta, na data de 22.04.2008 (pactuada entre as partes s fls. 58), com base no art. 483, 'd', da norma Consolidada.( ...........................)

CONCLUSO

Conheo do recurso ordinrio da reclamada, rejeito a preliminar suscitada e, no mrito, nego-lhe provimento, nos termos da fundamentao expendida.

Juiz Daniel Viana Jnior Relator

CERTIDO DE PUBLICAO

CERTIFICO, para cincia das partes, que o v. acrdo proferido no presente feito foi disponibilizado no Dirio da Justia Eletrnico N198, ANO II, Goinia/GO pgs. 10/23 do dia 29/10/2008 (4 f.), e publicado em 30 de outubro de 2008 (5 f.) (Lei n 11.419/2006, art.4, 3).

Goinia, 30/10/2008 (5 f.)

Edna Maria Camargo

Assistente 3

Setor de Acrdo

RESCISO INDIRETA MORA SALARIAL OBRIGAES CONTRATUAIS DESCUMPRIMENTO Para configurao do inadimplemento da obrigao contratual, basta o dbito salarial no artigo 1o do Decreto-lei 368/68, isto , o no pagamento do salrio ao empregado no prazo e nas condies do contrato ou lei, at

o 5o dia til do ms subseqente ao vencido art. 459 da CLT. O atraso reiterado por mais de seis meses, no curso do contrato de trabalho, motivo suficiente para a resciso indireta do contrato de trabalho, mormente por ser o salrio a mais elementar obrigao do empregador, tendo em vista a sua natureza alimentar (in Processo TRTRO n 00545-2006-090-03-00-9, Stima Turma, Rel. Juza Convocada Tasa Maria Macena de Lima, Data dePublicao: 28/02/2008). (grifamos)DESPEDIDA INDIRETA COMPROVAO DOS ATOS FALTOSOS PRATICADOS PELO EMPREGADOR Ementa: Restando integralmente comprovado o descumprimento de diversas obrigaes legais inerentes execuo do contrato de trabalho, por parte do empregador, cabvel a pleiteada resciso contratual indireta, com os pagamentos consectrios. Sentena que se mantm por seus jurdicos fundamentos. rgo Julgador: TRT 20 R. RO 1837/99 Ac. 2079/99 3 JCJ de Aracaju Relator: Juiz Eliseu Nascimento,Publicao: J. 17.11.1999TRT/SP - ATRASOS NO PAGAMENTO SALARIAL. RESCISO INDIRETA. ATRASOS NO PAGAMENTO SALARIAL. RESCISO INDIRETA. A reestruturao financeira da empresa ou a "crise econmica" do pas no justificam o descumprimento das obrigaes contratuais bsicas, principalmente a contraprestao salarial. O risco do empreendimento do empregador, escabendo a tentativa de transferi-lo ao empregado, mormente devido sua condio de hipossuficincia. O pargrafo nico do art. 1 do Decreto-lei 369/68 informa estar em dbito salarial a empresa que no paga, no prazo e nas condies da lei ou do contrato, o salrio devido a seus empregados, configurando-se a mora contumaz quando o atraso perdura por 3 meses (art. 2, pargrafo 1). Para efeitos do artigo 483, "d", da CLT, a mora ensejadora da resilio contratual caracteriza-se por freqentes atrasos nos pagamentos dos salrios. O art. 7, X, da Constituio Federal estabelece a "proteo do salrio na forma da lei, constituindo crime sua reteno dolosa". TRT/SP - 02479200501502000 - RO - Ac. 4T 20081004502 - Rel. SERGIO WINNIK - DOE 28/11/2008. (grifamos)Tribunal Superior do Trabalho - TST. PROCESSO N TST-RR-433/2005-020-10-00.8

A C R D O (Ac. 1 Turma) GMLBC/eaj/md/er RESCISO INDIRETA. MORA SALARIAL. CONFIGURAO. O Decreto-lei n. 368/1968 apenas repercute nas esferas administrativa, penal e fiscal, e no na trabalhista em sentido estrito. Assim, no mbito do Direito do Trabalho, a mora contumaz ali albergada somente tem importncia para a rea da fiscalizao a cargo dos rgos de inspeo do trabalho, no incidindo no campo do direito individual, para fins de caracterizao do ato faltoso do empregador. At porque o prazo previsto no 1 do artigo 2 do referido diploma legal - trs meses - extremamente longo para ter aplicao no domnio contratual, mormente considerando-se a natureza alimentar do crdito devido ao obreiro. No crvel que um empregado tenha que aguardar pacificamente mais de noventa dias para receber a contraprestao pecuniria pelo trabalho j realizado. Dessa forma, o atraso no pagamento dos salrios, independentemente de configurar a mora contumaz nos moldes do artigo 2, 1, do Decreto-lei n. 368/1968 e desde que no seja meramente eventual, carateriza inadimplemento das obrigaes contratuais por parte do empregador, ensejando a resoluo do contrato por ato culposo da reclamada, na forma do artigo 483, d, da Consolidao das Leis do Trabalho, que dispe: "o empregado poder considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenizao quando (...) no cumprir o empregador as obrigaes do contrato". Lembre-se que o salrio a principal obrigao do empregador no mbito do contrato de trabalho. Recurso de revista conhecido e provido. A doutrina pacfica nesse sentido. Eduardo Gabriel Saad, ao fazer comentrios sobre o teor do artigo 483, d, da CLT, categrico em afirmar que "sobre o assunto existe o Dec.-lei n. 368, de 19 de dezembro de 1968, cujo artigo 1, pargrafo nico, informa estar em 'dbito salarial a empresa que no paga, no prazo e nas condies da lei ou do contrato, o salrio devido a seus empregados'. O 1 do art. 2, esclarece que a mora contumaz, relativamente a salrios, s se configura quando o atraso no pagamento for igual ou superior a 3 meses. A conceituao de dbito trabalhista e de mora contumaz feita pelo Dec.-lei, para justificar sanes de carter penal e fazendrio. Para o efeito do artigo em epgrafe [483, d, da CLT], a mora ensejadora da resilio contratual fica bem caracterizada com freqentes atrasos no pagamento dos salrios" (SAAD, Eduardo Gabriel. Consolidao das Leis do Trabalho: comentada. 41 ed. atual., e rev. e ampl. por Jos Eduardo Duarte Saad e Ana Maria Saad Coelho Branco. So Paulo: LTr, 2008, p. 529 - grifos acrescidos). Arnaldo Sssekind, na obra Instituies de Direito do Trabalho, ao discorrer sobre os efeitos da mora salarial, dispe que, "na hiptese de pagamento intempestivo, poder o empregado, se lhe convier, pleitear a resciso do respectivo contrato", sendo que, ao examinar os termos do Decreto-lei n. 368/1968, expe consequncias meramente administrativas, conforme se observa do seguinte excerto: Se o pagamento efetuado por meio ilcito ou em local ou momento em que no os predeterminados pela lei, sujeita o empregador repetio ou ressarcimento precitados, certo que sua intempestividade ou o inadimplemento, total ou parcial, da obrigao propiciam ao empregado o direito de optar entre a sobrevivncia do contrato de trabalho ou sua resciso, assegurando-se-lhe, sempre, o direito de cobrar os salrios no pagos. De conseguinte, na hiptese de pagamento intempestivo, poder o empregado, se lhe convier, pleitear a resciso do respectivo contrato, com a indenizao correspondente (...). que o art. 483 da Consolidao no impe a resciso automtica do contrato de trabalho, nas hipteses que discrimina, limitando-se a estatuir que: "O empregado poder considerar rescindido o contrato e pleitear a devida indenizao, quando: d) no cumprir o empregador as obrigaes do contrato". (...) A empresa que estiver em dbito com seus empregados, isto , que no pagar, no prazo e nas condies da lei ou do contrato, o salrio devido (mora simples), no poder: "I - pagar honorrio, gratificao, pro labore ou qualquer outro tipo de retribuio ou retirada a seus diretores, scios, gerentes ou titulares da firma individual; II - distribuir quaisquer lucros, bonificaes, dividendos ou interesses a seus scios, titulares, acionistas, ou membros de rgos dirigentes, fiscais ou consultivos; III - ser dissolvida" (art. 1 do Decreto-lei n. 368, de 1968). Tratando-se, porm, de mora contumaz relativamente a salrios, alm das proibies acima mencionadas, a empresa no poder ainda "ser favorecida com qualquer benefcio de natureza fiscal, tributria ou financeira, por parte de rgo da Unio, dos Estados ou dos Municpios, ou de que estes participem" (art. 2 do decreto-lei cit.). Para tal fim, a lei considera mora contumaz "o atraso ou sonegao de salrios devidos aos empregados, por perodo igual ou superior a 3 (trs) meses, sem motivo grave e relevante, excludas as causas pertinentes ao risco do empreendimento" ( 1 do art. 2 cit.)". (SSSEKIND, Arnaldo ... [et al.]. Instituies de direito do trabalho. 22. ed. atual. por Arnaldo Sssekind e Joo de Lima Teixeira Filho - So Paulo: LTr, 2005, p. 466-468 - grifos acrescidos) No mesmo sentido, Orlando Gomes e Elson Gottschalk, em seu Curso de Direito do Trabalho, examinam de forma diversa os efeitos da simples mora salarial e da mora contumaz prevista no Decreto-lei n. 368/1968, conforme se percebe dos seguintes excertos: O Dec.-Lei n...