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PIBID Programa de Iniciacção à Docência PROJETO BASE ARTÍSTICA E REFLEXIVA PROFESSORAS:BRUNA MARIA, DÉBORAH CORREIA, GORETTE ANDRADE, HAIANY LEÔNCIO, STEFANIE NASCIMENTO MÓDULO II LITERATURA DE CORDEL ALUNO:____________________________________________________

Módulo II - Cordel

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  • 1. PIBIDPrograma de Iniciaco Docncia PROJETO BASE ARTSTICA E REFLEXIVA PROFESSORAS:BRUNA MARIA, DBORAH CORREIA, GORETTE ANDRADE, HAIANY LENCIO, STEFANIE NASCIMENTO MDULO II LITERATURA DE CORDEL ALUNO:____________________________________________________

2. 2 CABRA DA PESTE Eu sou de uma terra que o povo padece Mas no esmorece e procura venc Da terra querida, que a bela cabca Com riso na bca zomba no sofr. No nego meu sangue, no nego meu nome, Olho para fome e pergunto: o que h? Eu sou brasilro fio do Nordeste, Sou Cabra da Peste, sou do Cear. Tem muita beleza minha boa terra, Derne o vale serra, da serra ao serto. Por ela eu me acabo, dou a propria vida, terra querida do meu corao. Meu bero adorado tem bravo vaquro E tem jangadro que domina o m. Eu sou brasilro fio do Nordeste, Sou Cabra da Peste, sou do Cear. Cear valente que foi muito franco Ao guerrro branco Soares Moreno, Terra estremecida, terra predileta Do grande poeta Juven Galeno. Sou dos verde mare da c da esperana, Qui as gua balana pra l e pra c. Eu sou brasilro fio do Nordeste, Sou Cabra da Peste, sou do Cear. Ningum me desmente, pois, com certeza Quem qu v beleza vem ao Cariri, 3. 3 Minha terra amada pissui mais ainda, A mui mais linda que tem o Brasi. Terra da jandaia, bero de Iracema, Dona do poema de Z de Alenc Eu sou brasilro fio do Nordeste, Sou Cabra da Peste, sou do Cear. Patativa do Assar O POBRE E O RICO O rico quem come tudo, tudo que quer ele come Mas o pobre que trabalha, ganha pouco e passa fome (2x) Rico come caviar, come picanha, fil Na vida o rico tem tudo e come tudo o que quer Onde o rico bota o dedo o pobre no bota o p O pobre come bolacha, tripa de porco e sardinha Farofa de girimum, bucho de boi com farinha Come cuscuz com manteiga e batata com passarinha O rico quem come tudo, tudo que quer ele come Mas o pobre que trabalha, ganha pouco e passa fome O rico leva a famlia para o salo de beleza Manda cortar o cabelo e na pele faz limpeza E a filha volta to linda que parece uma princesa O pobre leva a famlia num salo barato e fraco Manda raspar a cabea e o cabelo do sovaco E o filho fica igualmente a um filhote de macaco O rico quem come tudo, tudo que quer ele come Mas o pobre que trabalha, ganha pouco e passa fome O rico quando adoece vai pro melhor hospital No outro dia seu nome sai na pgina do jornal Dizendo que o danado j no t passando mal E o pobre quando adoece feliz quando ele escapa E quando t internado, a comida po e papa Se gemer muito de noite o caf que vem tapa O rico quem come tudo, tudo que quer ele come Mas o pobre que trabalha, ganha pouco e passa fome O filho do homem rico tem uma vida bacana Seu papai paga os estudos e no final de semana Ele sai com sua gata pra passear de Santana 4. 4 O filho do homem pobre vai passear de jumento Bota a nga na garupa, sai correndo contra o vento Quando o jegue d um pulo, mete a bunda no cimento O rico quem come tudo, tudo que quer ele come Mas o pobre que trabalha, ganha pouco e passa fome A mulher do homem rico, se vai pra maternidade D a luz a um menino, falam com sinceridade Ganha milhes de presente da alta sociedade A mulher do homem pobre, quando ela vai descansar O presente que ela ganha bolacha e guaran E um bala de chupeta que pro guri chupar O rico quem come tudo, tudo que quer ele come Mas o pobre que trabalha, ganha pouco e passa fome A mulher do rico sai num sapato bom, de couro Cabelo bem penteado, brinco que vale um tesouro Pulseira e colar de prata, relgio e cordo de ouro A mulher do pobrezinho s anda sem gabarito O cabelo assanhado, o casaco esquisito E a saia tem mais buraco que tbua de pirulito O rico quem come tudo, tudo que quer ele come Mas o pobre que trabalha, ganha pouco e passa fome Filha de rico se forma pra trabalhar em cartrio Gabinete especial, telefone, escritrio Engenheira, medicina, exame, laboratrio A filha do pobrezinho fica velha sem leitura Quando aparece um emprego na rua da amargura Pra jogar tambor de lixo no carro da prefeitura O rico quem come tudo, tudo que quer ele come Mas o pobre que trabalha, ganha pouco e passa fome O filho do homem rico s toma banho no chuveiro Uma caixa de sabonete, dois, trs perfumes estrangeiros Cada banho um roupa, cada perfume um cheiro O filho do pobrezinho s se molha no aude No pode ver empregada que ele f que nem lhe ajude E o pescoo e as costela tem quase um ba de grude O rico quem come tudo, tudo que quer ele come Mas o pobre que trabalha, ganha pouco e passa fome A filha do homem rico, se arranja um namorado Ele vai pra casa dela num carro novo, zerado Pois filha de doutor, de prefeito ou deputado A filha do pobrezinho quando arranja um man 5. 5 Ela diz: "Meu pai rico", e o povo sabe quem o que vende pipoca na porta do cabar O rico quem come tudo, tudo que quer ele come Mas o pobre que trabalha, ganha pouco e passa fome A filha do rico vai fazer curso no Japo Na Grcia, na Argentina, at Afeganisto Porque a filha de rico s viaja de avio A filha do pobrezinho, no interior grosseiro Passa quatro, cinco dias olhando o livro primeiro Engasgada na fumaa do farol do candeeiro O rico quem come tudo, tudo que quer ele come Mas o pobre que trabalha, ganha pouco e passa fome (6x) Caj e Castanha A PELEJA DA CARTA COM O E-MAIL Era uma carta e um e-mail Em discusso calorosa. Dizia o e-mail carta: No te faas de gostosa. Sou rpido como relmpago. Tu s lenta e preguiosa. A carta disse: s relmpago, s ligeiro na passada. Mesmo assim tua tarefa Sem paixo no vale nada. s moleque de recado Numa ao robotizada. E disse mais: Coleguinha, A sua labuta fria No tal correio eletrnico No existe poesia. Bom mesmo quando o carteiro 6. 6 Com um grito me anuncia. O e-mail disse: Amiga, Por caridade, essa no! A demora estraga tudo, Desagrada o corao. Mesmo quem se comunica Ta com pressa e preciso. Retruca a carta: Acredito Que de mim gosta o poeta. Inda mais a Internet De vrus vive repleta. E por fim quem em meio No faz a coisa completa E outra coisa, colega. Tu no s de confiana. Por causa de falha tcnica Na Internet, c dana. J me pondo no Correio Eu chego com segurana. Nisso o e-mail responde: Alto l! Pegue maneiro. Voc diz ser bem segura, Isso no verdadeiro, Pois hoje nos grandes centros Existe assalto a carteiro. Janduhi Dantas Nbrega 7. 7 A MULHER QUE VENDEU O MARIDO POR R$ 1,99 Hoje em dia, meus amigos os direitos so iguais tudo o que faz o marmanjo hoje a mulher tambm faz se o homem se abestalhar a mulher bota pra trs. Acabou-se aquele tempo em que a mulher com presteza se fazia para o homem artigo de cama e mesa a mulher se fez mais forte mantendo a delicadeza. No mais "mulher de Atenas" nem "Amlia" de ningum eu mesmo sempre entendi que a mulher direito tem de sempre s ser tratada por "meu amor" e "meu bem". Hoje o trabalho de casa meio a meio dividido para ajudar a mulher homem no faz alarido quando a mulher lava a loua quem enxuga o marido! Tambm na sociedade outra a situao a mulher hoje j faz tudo o que faz o macho h mulher que at dirige trem, trator e caminho. Esse fato todo mundo j deu pra assimilar a mulher hoje j pde seu espao conquistar quem no concorda com isso muito raro encontrar. Entretanto ainda existe caso de explorao o salrio da mulher de chamar ateno bem menor que o do homem fazendo a mesma funo. 8. 8 Tambm tem cabra safado que no muda o pensamento que no respeita a mulher que no honra o casamento que a vida de pleibi no esquece um s momento. Era assim que Damio (o ex-marido de Cca) queria viver: na cana sem tirar copo da boca enquanto sua mulher em casa feito uma louca... ... cuidando de trs meninos lavando roupa e varrendo feito uma negra-de-ferro de fome o corpo tremendo e o marido cachaceiro pelos botequins bebendo. Mas diz o velho ditado que todo mal tem seu fim e o fim do mal de Cca um dia chegou enfim foi quando Cca de estalo pegou a pensar assim: "Nessa vida que eu levo eu no t vendo futuro eu me sinto navegando em mar revolto e escuro vou remar no meu barquinho atrs de porto seguro." "Na prxima raiva que eu tenha desse meu marido ruim qualquer mal que me fizer tomarei como estopim e a triste casamento eu vou decidir dar fim." Estava Cca pensando na vida quando chegou Damio morto de bbado (nem boa-noite falou passava da meia-noite) e na cama se atirou! Dona Cca foi dormir muito trise e revoltada contudo tinha na mente a sua ao planejada pra dar novo rumo vida j estava preparada. De manh Cca acordou com a braguilha pra trs deu cinco murros na mesa e gritou: " Satans eu vou te vender na feira vou j fazer um cartaz! Pegou uma cartolina que ela havia escondido escreveu nervosamente com a raiva do bandido: "Por um e noventa e nove estou vendendo o marido". Assim mostrou ter no sangue sangue de Leila Diniz Pagu, Maria Bonita de Anayde Beiriz (de brasileiras de fibra) de Margarida e Elis! Pegou o marido bbado de jeito, pela abertura da direo do mercado ela saiu procura de vender o seu marido ia com muita secura! Ficou na feira de Patos no mais horrendo lugar (na conhecida U.T.I.) e comeou a gritar: "T vendendo o meu marido quem de vocs quer comprar?" Umas bbadas que estavam estiradas pelo cho despertaram com os gritos e uma do cabelo perguntou a Dona Cca: "Qual o preo do gato?" " um e noventa e nove no est vendo o cartaz?" Dona Cca respondeu 9. 9 e a bbada disse: "O rapaz tem uma cara simptica acho at que vale mais". Damio estava "quieto" e de ressaca passado com cordas nos ps e braos numa cadeira amarrado tambm tinha um esparadrapo em sua boca colado. Comeou a chegar gente se formou a multido em volta de Dona Cca e o marido Damio quando deu f, logo, logo encostou o camburo. Nisso um cabo da polcia do camburo foi descendo e perguntando abusado: "Que que t acontecendo?" Algum disse: "Esta mulher o marido est vendendo". Do meio do povo disse um velho em tom de chacota: "Esse caneiro j tem uma cara de meiota no tem mulher que d nele de dois reais uma nota". E, de fato, cabra feio desalinhado e barbudo fedendo a cana e a cigarro com um jeito carrancudo banguelo, um pouco careca pra completar barrigudo. Nisso chegou uma velha que vinha com todo o gs e disse para si mesma depois de ler o cartaz "Hoje eu tiro o prejuzo com esse lindo rapaz!". Disse a velha: "Francamente! Eu estou achando pouco! Por 1 e 99?! Tome dois, nem quero o troco! Deixe-me levar pra casa esse meu Chico Cuoco!". Saiu a velha enxerida de braos com Damio a polcia prontamente dispersou a multido e Cca tirou por fim um peso do corao. Retormou Cca feliz pra casa entoando hinos a partir daquele dia teria novos destinos... Com os dois reias da venda comprou de po pros meninos! Janduhi Dantas Nbrega 10. 10 ANTIGAMENTE ANTIGAMENTE, as moas chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. No faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo no sendo rapages, faziam-lhes p-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio. E se levavam tbua, o remdio era tirar o cavalo da chuva e ir pregar em outra freguesia. As pessoas, quando corriam, antigamente, era para tirar o pai da forca e no caam de cavalo magro. Algumas jogavam verde para colher maduro, e sabiam com quantos paus se faz uma canoa. O que no impedia que, nesse entrementes, esse ou aquele embarcasse em canoa furada. Encontravam algum que lhes passasse a manta e azulava, dando s de vila-diogo. Os mais idosos, depois da janta, faziam o quilo, saindo para tomar fresca; e tambm tomavam cautela de no apanhar sereno. Os mais jovens, esses iam ao animatgrafo, e mais tarde ao cinematgrafo, chupando balas de altia. Ou sonhavam em andar de aeroplano; os quais, de pouco siso, se metiam em camisa de onze varas, e at em calas pardas; no admira que dessem com os burros ngua. HAVIA OS QUE tomaram ch em criana, e, ao visitarem famlia da maior considerao, sabiam cuspir dentro da escarradeira. Se mandavam seus respeitos a algum, o portador garantia-lhes: Farei presente. Outros, ao cruzarem com um sacerdote, tiravam o chapu, exclamando: Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo, ao que o Reverendssimo correspondia: Para sempre seja louvado. E os eruditos, se algum espirrava sinal de defluxo eram impelidos a exortar: Dominus tecum. Embora sem saber da missa a metade, os presunosos queriam ensinar padre-nosso ao vigrio, e com isso metiam a mo em cumbuca. Era natural que com eles se perdesse a tramontana. A pessoa cheia de melindres ficava sentida com a desfeita que lhe faziam, quando, por exemplo, insinuavam que seu filho era artioso. Verdade seja que s vezes os meninos eram mesmo encapetados; chegavam a pitar escondido, atrs da igreja. As meninas, no: verdadeiros cromos, umas tetias. ANTIGAMENTE, certos tipos faziam negcios e ficavam a ver navios; outros eram pegados com a boca na botija, contavam tudo tintim por tintim e iam comer o po que o diabo amassou, l onde Judas perdeu as botas. Uns raros amarravam cachorro com lingia. E alguns ouviam cantar o galo, mas no sabiam onde. As famlias faziam sortimento na venda, tinham conta no carniceiro e arrematavam qualquer quitanda que 11. 11 passasse porta, desde que o moleque do tabuleiro, quase sempre um cabrito, no tivesse catinga. Acolhiam com satisfao a visita do cometa, que, andando por ceca e meca, trazia novidades de baixo, ou seja, da Corte do Rio de Janeiro. Ele vinha dar dois dedos de prosa e deixar de presente ao dono da casa um canivete roscofe. As donzelas punham carmim e chegavam sacada para v-lo apear do macho faceiro. Infelizmente, alguns eram mais do que velhacos: eram grandessssimos tratantes. ACONTECIA o indivduo apanhar constipao; ficando perrengue, mandava o prprio chamar o doutor e, depois, ir botica para aviar a receita, de cpsulas ou plulas fedorentas. Doena nefasta era a phtysica, feia era o glico. Antigamente, os sobrados tinham assombraes, os meninos lombrigas, asthma os gatos, os homens portavam ceroulas, botinas e capa-de-goma, a casimira tinha de ser superior e mesmo X.P.T.O. London, no havia fotgrafos, mas retratistas, e os cristos no morriam: descansavam. MAS TUDO ISSO era antigamente, isto , outrora. Carlos Drummond de Andrade 12. 12 VARIAO LINGUSTICA: O que isso? A linguagem a caracterstica que nos difere dos demais seres, permitindo-nos a oportunidade de expressar sentimentos, revelar conhecimentos, expor nossa opinio frente aos assuntos relacionados ao nosso cotidiano, e, sobretudo, promovendo nossa insero ao convvio social. A variao de uma lngua o modo pelo qual ela se diferenciade acordo com o contexto histrico, geogrfico e scio-cultural no qual os falantes dessa lngua se manifestam verbalmente. 13. 13 Pode-se dizer que Variao Lingustica o conjunto das diferenas existentes no uso de uma mesma lngua - falada ou escrita. As chamadasvariedades lingusticasrepresentam as variaes de acordo com as condies sociais, culturais, regionais e histricas em que a lngua utilizada. Dentre elas destacam-se: Variaes histricas: Dado o dinamismo que a lngua apresenta, a mesma sofre transformaes ao longo do tempo. Um exemplo bastante representativo a questo da ortografia, se levarmos em considerao a palavra farmcia, uma vez que a mesma era grafada com ph, contrapondo-se linguagem dos internautas, a qual fundamenta-se pela supresso do vocbulos. Analisemos, pois, o fragmento exposto: Antigamente, as moas chamavam-se mademoiselles e eram todas mimosas e muito prendadas. No faziam anos: completavam primaveras, em geral dezoito. Os janotas, mesmo sendo rapages, faziam-lhes p-de-alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio." (Carlos Drummond de Andrade) Comparando-o modernidade, percebemos um vocabulrio antiquado. Variaes regionais: So os chamados dialetos, que so as marcas determinantes referentes a diferentes regies. Como exemplo, a palavra mandioca que, em certos lugares, recebe outras nomenclaturas, tais como: macaxeira e aipim. Figurando tambm esta modalidade esto os sotaques, ligados s caractersticas orais da linguagem. Variaes sociais ou culturais: Esto diretamente ligadas aos grupos sociais de uma maneira geral e tambm ao grau de instruo de uma determinada pessoa. Como exemplo, citamos as grias, os jarges: 14. 14 As grias pertencem ao vocabulrio especfico de certos grupos, como os surfistas, cantores de rap, tatuadores, entre outros. Os jarges esto relacionados ao profissionalismo, caracterizando um linguajar tcnico. Representando a classe, podemos citar os mdicos, advogados, profissionais da rea de informtica, dentre outros. Vejamos um poema e o trecho de uma msica para entendermos melhor sobre o assunto: VCIO NA FALA Para dizerem milho dizem mio Para melhor dizem mi Para pior pi Para telha dizem teia Para telhado dizem teiado E vo fazendo telhados. Oswald de Andrade CHOPIS CENTIS Eu di um beijo nela E chamei pra passear. A gente fomos no shopping Pra mode a gente lanchar. Comi uns bicho estranho, com um tal de gergelim. At que tava gostoso, mas eu prefiro aipim. Quanta gente, Quanta alegria, A minha felicidade um credirio nas Casas Bahia. Esse tal Chopis Centis muito legalzinho. Pra levar a namorada e dar uns rolezinho, Quando eu estou no trabalho, No vejo a hora de descer dos andaime. Pra pegar um cinema, ver Schwarzneger E tambm o Van Damme. Mamonas Assassinas 15. 15 CINEMA NO B.A.R. Lisbela e o Prisioneiro Sinopse: Lisbela (Dbora Falabella) uma moa que adora ir ao cinema e vive sonhando com os gals de Hollywood dos filmes que assiste. Lelu (Selton Mello) um malandro conquistador, que em meio a uma de suas muitas aventuras chega cidade de Lisbela. Aps se conhecerem, eles logo se apaixonam, mas h um problema: Lisbela est noiva. Em meio s dvidas e aos problemas familiares que a nova paixo desperta, h ainda a presena de um matador (Marco Nanini) que est atrs de Lelu, devido a ele ter se envolvido com sua esposa (Virginia Cavendish). FICHA TCNICA Lanamento:22 de agosto de 2003 (1h 50min) Direo:Guel Arraes Elenco: Dbora Falabella, Selton Mello, Marco Nanini, Helosa Priss, Bruno Garcia, Virginia Cavendish e outros. Gnero:Comdia , Romance Nacionalidade:Brasil 16. 16 LITERATURA DE CORDEL Literatura de Cordel o nome dado s histrias do romanceiro popular do serto Nordeste do Brasil (em especial Pernambuco, Paraba e Cear). A origem do nome Cordel est em folhetos de impresso precria e expostos venda pendurados em varais de barbante. O nome vem de Portugal, onde esse tipo de folheto de literatura popular tambm era produzido. Tambm eram encontrados em pases como Espanha, Frana, Itlia e Alemanha. Esse tipo de folheto surgiu na Idade Mdia, por volta dos sculos 11 e 12. Com a inveno da imprensa (1450), essa literatura que at ento era oral e recitada por jograis e menestreis ambulantes, passou a ser vendida em folhetos de papel ordinrio e preo barato. Surgia, assim, a literatura de folhetos. Literatura de Cordel no Brasil A literatura de cordel chegou ao Brasil com nossos colonizadores, instalando- se na Bahia e nos demais estados do Nordeste, onde encontrou um terreno frtil. Por volta de 1750, apareceram os primeiros poetas populares que narravam sagas em versos, visto que a maioria desse povo, sequer sabia ler e as histrias eram decoradas e recitadas nas feiras ou nas praas. s vezes, acompanhadas por msica de violas. Portanto, surgiu tambm no Brasil, como literatura oral, caracterstica fundamental da cultura popular. Enfim, foram esses cantadores do improviso, itinerantes, os precursores da literatura de cordel escrita. E verdadeiros reprteres, pois eram eles quem divulgavam as notcias nos lugares mais longnquos, especialmente, os acontecimentos histricos do Brasil, narrados em verso. O fenmeno s despertou o interesse dos estudiosos letrados em fins do sculo 19, comeo do sculo 20. O poeta 17. 17 paraibano Leandro Gomes de Barros considerado por esses pesquisadores, o primeiro a imprimir e vender seus versos, por volta de 1890. Temas da Literatura de Cordel Na riqussima literatura de cordel nordestina h uma grande variedade de temas, tradicionais ou contemporneos, que refletem a vivncia popular, desde os problemas atuais at a conservao de narrativas inspiradas no imaginrio europeu. Assim, no difcil compreender histrias de cavaleiros medievais, nem um folheto como o "Romance do Pavo Misterioso", onde encontramos ntidas influncias das celbres "Mil e Uma Noites". Mas, no h limite na escolha dos temas para a criao de um folheto, que tanto pode narrar os feitos de cangaceiros, as espertezas de heris como Joo Grilo e Pedro Malasartes ou uma histria de amor, ou ainda acontecimentos importantes de interesse pblico, como o suicdio de Getlio Vargas, em 1954. Tambm so comuns os temas sobrenaturais, como a chegada de Lampio no Inferno ou a realizao de profecias de Antnio Conselheiro. Com o advento dos meios de comunicao de massa, os astros da TV tambm passaram a aparecer como personagens de cordel. Mtrica e rima Os folhetos de cordel brasileiros, com textos poeticamente estruturados, tm a sextilha (conjunto de seis versos) como estrofe bsica, mas h tambm as septilhas, oitavas e as dcimas (respectivamente sete, oito e dez versos, este ltimo tambm chamado "martelo"). A mtrica dos versos em geral a redondilha maior, ou seja, os versos de sete slabas, mas sem o rigor que vigora na poesia erudita. Finalmente, tm rimas e vocabulrio simples, mas nem por isso perdem - antes ganham - em valor esttico. Os folhetos so ilustrados principalmente com xilogravuras, ou seja, gravuras rsticas feitas a partir de entalhes em chapas de madeira. 18. 18 AGORA SUA VEZ! J vimos que nossa cultura repleta de riqueza E a literatura de cordel nosso orgulho com certeza Tem linguagem popular Que nossa por natureza. Agora que voc j entrou Nesse mundo do cordel J riu e se divertiu Pegue caneta e papel Ta na hora de criar O seu folheto de cordel. Pense num fato engraado Numa histria bem legal Qualquer tema vira assunto E pode ser sensacional Faa um cordel bem bacana Para mostrar pro pessoal. Se juntem agora em duplas Pra situao melhorar E vo logo j pensando No que vo apresentar Turmas de primeiro ano: Esse negcio vai bombar! E para finalizar Fique agora bem contente D um nome ao seu cordel E uma xilogravura invente Boa sorte para vocs Mos obra e sigam em frente! Gorette Andrade 19. 19 Conhecendo a arte da Xilogravura Xilogravura significa gravura em madeira. uma antiga tcnica, de origem chinesa, em que o arteso utiliza um pedao de madeira para entalhar um desenho, deixando em relevo a parte que pretende fazer a reproduo. Em seguida, utiliza tinta para pintar a parte em relevo do desenho. Na fase final, utilizado um tipo de prensa para exercer presso e revelar a imagem no papel ou outro suporte. Um detalhe importante que o desenho sai ao contrrio do que foi talhado, o que exige um maior trabalho ao arteso. A xilogravura muito popular na regio Nordeste do Brasil, onde esto os mais populares xilogravadores (ou xilgrafos) brasileiros. A xilogravura frequentemente utilizada para ilustrao de textos de literatura de cordel. 20. 20 ANOTAES