mono usucapião

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Monografia: Usucapio

UJN 2007

INTRODUO

O objetivo deste trabalho consiste em comentar a aplicao do instituto do usucapio em suas vrias espcies, mediante os institutos legais. No nossa vontade exaurir o assunto, mas sim, que este trabalho sirva para dar incio a outras pesquisas sobre o tema, j que o Novo Cdigo Civil traz substanciais mudanas perante a legislao anterior.

O que ocorre hoje que o usucapio um instituto que faz parte da teoria geral do direito, que tem espcies prprias do direito provado e outras especficas do direito pblico, como o caso do direito urbanstico. O usucapio a aquisio do domnio pela posse prolongada, na forma da lei, tendo como objetivo acabar com a incerteza da propriedade, assim como assegurar a paz social pelo reconhecimento da propriedade com relao quela pessoa que de longa data o seu possuidor.

farta a doutrina que se aprofundam no usucapio de bem imvel, e aqueles que ao tentarem examinar os dois, sempre discorrem muito mais sobre os bens imveis do que os mveis. Os doutrinadores pesquisados afirmam que os dispositivos legais visam garantir o pleno ordenamento das funes sociais, alm de garantir o bem estar de seus habitantes e regular todas as espcies de usucapio, inclusive o constitucional.

A metodologia a ser utilizada ser a pesquisa bibliogrfica onde buscaremos conhecimentos embasados nas vozes dos doutrinadores.

O presente trabalho est assim dividido: no primeiro captulo relata-se a origem histrica e o conceito de usucapio. No segundo captulo discorreremos sobre o usucapio e suas espcies no Direito Brasileiro, no obstante nos atermos a quatro espcies e seus requisitos que, a nosso ver, dar uma viso geral do que a ser o usucapio. Em sequncia, no terceiro captulo falaremos sobre a prescrio no Direito Civil e no quarto e ltimo captulo, esclareceremos os procedimentos jurdicos, ou seja, a Ao e a Sentena.

Com isso, esperamos contribuir, como dissemos na inicial, para que outros estudos sejam iniciados sobre o tema e que possamos com o nosso trabalho oferecer a abertura para muitos outros que, com certeza, viro.

1. USUCAPIO

1.1 ORIGEM HISTRICA

O usucapio segundo Jos Carlos Moreira Alves em seu livro Direito Romano (1999, p. 311-6) um instituto antiqssimo, anterior a Lei das Tbuas (450 A.C que j apontava a posse durante determinado tempo como requisito indispensvel). O direito romano aprimorou a usucapio (nas fases pr-clssica, clssica e ps-clssica), fundando seus elementos caracterizadores que vigoram at os dias atuais.

O fator primordial no Direito Romano, para a aquisio do domnio foi o tempo. Nas leis das XII Tbuas os prazos eram determinados: dois anos para os imveis e um ano para os mveis. Mais tarde, segundo Pedro Nunes, Justiano (Rei brbaro Bizantino em Constantinopla- Ano 534 - d.C), dilatou-se para dez anos para os bens imveis entre presentes e vinte anos entre ausentes (regras da ionge temporis praescriptio) . (1997, p. 5)

O usucapio em princpio era direito exclusivo dos cidados romanos eleitores em Roma excluindo os peregrinos, porm, a expanso geogrfica de Roma nos vastos territrios forada Itlia, em locais povoados pelos peregrinos, o instituto ao usucapio lhes foi estendido reconhecido em justo ttulo e boa-f para proteo as suas posses. O imperador Teodsio introduziu uma nova instituio de carter extintivo: praescnpno longissimi lempons, a prescrio como meio extintivo das aes.

Caracteriza-se pelo surgimento de duas instituies jurdicas. Uma de carter geral para extinguir as aes e outra de maior aquisio, representada pelo antigo usucapio Esta viso . monista foi transportada para o Cdigo Civil que regulava a prescrio e usucapio de forma unitria. No entanto prevalece uma fuso entre as duas teorias, sendo o usucapio uma fora criadora e extintiva, viso dualista assim entendida por Clvis Bevilqua.

Justiano, rei bizantino em 534, de acordo com Aldyr dias Vianna, divulga "As Institutas (Teodora-Francis Fvre) ao usucapio do direito romano estendeu a prescrio de longa durao, que passou a denominar-se de prescrio aquisitiva", (1983, p. 5-6). Verifica-se a

identidade vocabular pela qual a praescriptio tanto serviu para a prescrio do direito de ao pelo decurso de tempo, como para a aquisio da propriedade o que origina a discusso para o direito moderno pelo surgimento de dois critrios: o monista e o dualista.

O critrio monista seria a prescrio extintiva enquanto o critrio dualista seria a prescrio aquisitiva. A maioria das legislaes modernas segue a corrente dualista porque entendem que o usucapio tem vida prpria, com contornos peculiares e autnomo, apesar de no perder afinidade com a prescrio. Segundo Vianna, comparando a prescrio extintiva e a prescrio aquisitiva. Depara-se com uma trplice diversidade: de objeto, de condies e de efeitos. A prescrio extintiva tem por objeto as aes estendendo-se a sua aplicao, a todos os setores tanto no direito civil, como no direito comercial. (1983, p.7-8).

Suas condies elementares so: a inrcia e o tempo. O efeito de extinguir as aes. O que no acontece com o usucapio, tambm chamado de prescrio aquisitiva, que tem por objeto a propriedade, circunscrevendo-se ao direito das coisas, na esfera unicamente do direito civil sem projeo no direito comercial. Tambm so condies elementares do usucapio a p osse e o tempo acompanhado e tusto iituio e boa te (usucapio ordinrio). O efeito e a aquisio do domnio.

Segundo Pedro Nunes, "O usucapio se subordina a uma necessidade de ordem social e econmica, a um imperativo de carter pblico e para o bem pblico a fim de que algumas coisas no ficassem por muito tempo em domnio incerto [...]". (1997, p. 6). O usucapio ao mesmo tempo fora criadora e extintiva

1.2. CONCEITO

A definio clssica adotada plos juristas nacionais, segundo Pedro Nunes em sua obra Do Usucapio (1997, p. 4-5), de Modestino na definio romana Usucapio est adjectio dominii per continuationem possessionis temporis lege definit. Significa modo derivado de adquirir o domnio da coisa pela sua posse continuada durante certo lapso de tempo, com o concurso e requisitos que a Lei estabelece para esse fim. Portanto, Usucapio (de usu capere - tomar pelo uso).

Lenine Nequete (1983, p. 5), complementa afirmando que o usucapio no apenas um modo de aquisio de um direito de propriedade, mas, tambm, de outros direitos reais, passives de serem objeto de posse continuada. O usucapio uma forma de aquisio da propriedade que

depende no s da posse qualificada, mas tambm do decurso de tempo. Por extino de direitos observam-se dois institutos: a prescrio e a decadncia.

O usucapio uma forma originria de aquisio da propriedade, por conseguinte do nascimento de uma relao direita entre o sujeito e a coisa. Por ser causa autnoma, por si s passa a gerar ttulo constitutivo da propriedade.

segundo Nunes, o domnio da coisa que se apia principalmente na negligncia ou prolongada inrcia do seu proprietrio com o no uso delas. "[...] A perda ocorre quando o dono da coisa manifesta expressa ou tacitamente, a inteno de no mais t-la como sua; ou no a ocupa, ou a deixa por incria ou negligncia, inteiramente ao abandono, por longo espao de tempo". (1997 p. 14-5).

Caracteriza uma forma de aquisio de natureza originria, pois o adquirente no sucede juridicamente o proprietrio. O usucapio um modo de aquisio de propriedade assim como de transferncia de propriedade.

Como define tambm, o civilista portugus Menezes Cordeiro (1979, p. 467), da Universidade de Lisboa, a usucapio "a constituio, facultada ao possuidor, do direito real correspondente sua posse, desde que esta, dotada de certas caractersticas, se tenha mantido pelo lapso de tempo determinado na lei". O usucapio uma forma de aquisio da propriedade que depende no s da posse qualificada, mas tambm do decurso de tempo. Por extino de direitos observam-se dois institutos: a prescrio e a decadncia.

No bastasse, a jurista Maria Helena Diniz, em seu livro Curso de Direito Civil Brasileiro, pelo usucapio define:

O legislador permite que uma determinada situao de fato, que, sem ser molestada, se alongou por certo intervalo de tempo previsto em lei, se transforme em uma situao jurdica, atribuindo-se assim juridicidade a situaes fticas que amadurecem com o tempo. A posse fato objetivo, e o tempo, a fora que opera a transformao do fato em direito. O fundamento desse instituto garantir a estabilidade e segurana da propriedade, fixando um prazo, alm do qual no se podem mais levantar dvidas ou contestaes a respeito e sanar a ausnc de ia ttulo do possuidor, bem como os vcios intrnsecos do ttulo que esse mesmo possuidor, porventura, tiver. (DINIZ, 2002, p. 144)

Modernamente, tm convergido os autores em destacar mais o cunho social desse instituto. Atravs dele, segundo tais doutrinadores, atinge-se o bem comum, pois coletividade interessa que se d coisa usucapienda o uso mais adequado, seja mediante o seu cultivo, a sua utilizao como morada, a sua conservao, etc. Desta forma todos sairiam contemplados, cumprindo a propriedade a sua funo social, entre ns, constitucionalmente exigida. (CF, artigo 170, III. 5 XXIII).

Com a usucapio, portanto, a lei procura fazer justia, na medida em que protege aquele que faz boa utilizao do bem, no protegendo aquele que com sua inrcia no utilizou o bem ou no se ops a sua utilizao por outra pessoa.

Todavia, como se percebe o direito brasileiro no prev apenas a posse (poder de fato) e o tempo como requisitos necessrios usucapio. Capacidade do possuidor, qualidades da c oisa a ser usucapida, boa-f (ignorncia dos obstculos que impedem a regular transmisso da propriedade) e justo ttulo (ttulo que contenha algum vcio ou irregularidade que o impede de ser instrumento apto para promover a transmisso da propriedade; sua noo est ligada a de boa-f) so outros requisitos que