Monog Criminologia - Isabel

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ISABEL CASTELAR BRITTO ELIAS

AS PRINCIPAIS TENDNCIAS DA POLTICA CRIMINAL MODERNA E SEUS REFLEXOS NO ORDENAMENTO JURDICO BRASILEIRO

CAMPO BELO MG

2000

ISABEL CASTELAR BRITTO ELIAS

AS PRINCIPAIS TENDNCIAS DA POLTICA CRIMINAL MODERNA E SEUS REFLEXOS NO ORDENAMENTO JURDICO BRASILEIRO

Dissertao apresentada Universidade de Alfenas - Faculdade de Direito Campus Campo Belo como parte dos requisitos para obteno do ttulo de Bacharel em Direito, na forma dos art. 14 e 18 da Resoluo 01/98, desta instituio, sob orientao do Prof. Adelardo Franco de Carvalho Jnior.

CAMPO BELO MG 2000

BANCA EXAMINADORA ____________________________Dr. Adelardo Franco de Carvalho Jnior

________________________________________

Dra. Vera Vasconcelos Barbosa

Dedico este trabalho ao meu filho Joo Vitor Britto Elias.

AGRADECIMENTOS

Tinha razo o poeta quando afirmava que o benefcio a vspera da ingratido, porque tantas so as pessoas que, direta ou indiretamente, de uma forma ou de outra, por esta ou aquela razo, merecem ser citadas nestes agradecimentos que por certo acabaremos por confirmar as sbias palavras do literato. Antecipando as escusas para aqueles que eventualmente possam estar apenas neste momento sendo esquecidos, dentre as pessoas que agora nos ocorre de render homenagens, em primeiro lugar, vem lembrana o Professor Adelardo Franco de Carvalho Jnior, pela orientao prestada na consecuo deste trabalho, sem o qual os objetivos que almejamos jamais seriam passveis de ser atingidos.

Dra. Vera Vasconcelos Barbosa, juza da 2 Vara da Comarca de Campo Belo, por ter me honrado com sua ilustre e culta presena na Banca Examinadora.

Agradecimentos tambm so devidos a Professora e amiga Dra. Danielle Bastos Corra Belchior pela oportunidade estagiar em seu escritrio e por ter sempre colocado disposio, de forma solcita, a fabulosa biblioteca que dispe, cujas as obras clssicas foram imprescindveis para a realizao deste modesto trabalho.

Ao meu pai que, desde a infncia, sempre incentivou a busca pelo conhecimento. Obrigada pai pelas vezes, que apesar de cansado do trabalho, voc sempre com entusiasmo sentava na mesa da sala para estudar conosco, com muita pacincia e dedicao. Obrigado ainda, por ter se preocupado em nos ensinar sempre que mais que aprender devamos,

apreender a essncia das coisas e assim tudo tornava-se fcil desde de frmulas complexas de matemtica e at mesmo a memorizao de fatos histricos longnquos.

minha me, peo perdo por s depois de tambm ter sido me, soube compreendla e admir-la da maneira devida. Obrigado me pelo seu amor incondicional.

s minhas queridas irms Ceclia, Alice, Maria Clarrisse, Ester e Ana Elisa pelo apoio que cada uma a sua maneira puderam me dar. Contem sempre comigo!

E ,especialmente, ao meu esposo Joo Marcos pela pacincia e incentivo, e ainda, por ter me proporcionado tamanha tranqilidade no decorrer do curso como na realizao deste trabalho, ao cuidar com tanto amor de nosso filho, nas minhas inmeras ausncias.

RESUMO

O trabalho traz tona a contradio do sistema penal: a pena de priso no serve para atingir os fins a ela inerentes, ao mesmo tempo, o Estado e a sociedade perseveram na poltica de privilegi-la como o principal gravame imposto ao sentenciado. Para superar a oposio, so propostos e desenvolvidos alguns postulados poltico-criminais humansticos, buscando demonstrar que o Direito Penal somente estar legitimado a atuar como a ltima forma de controle social e somente na tutela dos bens jurdicos de extrema relevncia para sociedade.

SUMRIO1 INTRODUO....................................................................................................................3 2 EVOLUO HISTRICA DAS IDIAS PENAIS ...........................................................8 3 AS ESCOLAS PENAIS......................................................................................................21 4 - O DIREITO PENAL NO BRASIL......................................................................................35 5 A FINALIDADE DA PENA .............................................................................................40 6 OS MOVIMENTOS DA POLTICA CRIMINAL MODERNA ......................................47 7 O MODELO POLTICO-CRIMINAL BRASILEIRO.......................................................70 8 CONCLUSO....................................................................................................................77 9 BIBLIOGRAFIA................................................................................................................ 80

1 INTRODUO

A histria do Direito Penal pautada por constantes transformaes, visto que trata-se de ramo do direito que mais sofre influncia da evoluo da humanidade.

Vivenciamos, na atualidade, uma fase humanstica da poltica criminal que teve incio com o iderio liberal do sc. XVIII e a Revoluo Francesa, de que exemplo maior e mais expressivo a figura de Beccaria, que se ops veementemente contra a crueldade das penas do Direito Penal Medieval consistente na utilizao descriteriosa da pena de morte e das penas corporais.

Logo aps o Iluminismo e a Revoluo Francesa h uma significativa substituio das penas corporais pela pena privativa de liberdade, sendo que esta torna-se a base do sistema punitivo estatal.

No incio deste sculo, surgiu o movimento denominado de Defesa Social, que a princpio acreditava que a priso poderia ressocializar o condenado.

No entanto, em aprimoramento a antiga corrente nasce a A Nova Defesa Social que prega a impossibilidade de ressocializao na priso, ao fundamento, entre outros, de que no se prepara a pessoa para a liberdade privando-a da liberdade. Elaboram o chamado

Programa Mnimo, que em sntese preceituava que aos mtodos de proteo social contra os deliqentes deveriam se juntar as medidas de prevenco para que eles no adentrassem na criminalidade.

Com efeito, aos se constatar que a pena privativa de liberdade, ao contrrio de outrora, no ressocializa o preso e bem como o carter humanstico que deve imperar sobre o sistema penal surge, numa linha mais radical a chamada Nova Criminologia ou Poltica Criminal Alternativa.

Esta corrente, de carter extremamente Marxista, v o sistema penal protegendo interesses da classe dominante, ao penalizar, mais gravemente, conduta tpicas de grupos marginalizados. Assim prope, basicamente: a) o desaparecimento da pena de morte ou, pelo menos, sua limitao; b) o deslocamento da pena privativa de liberdade de seu lugar central no sistema punitivo; c) a substituio da pena privativa de liberdade por outras medidas alternativas.

Todavia, restou evidenciado que o sistema punitivo est em crise, em virtude da falncia instrumental das maneiras utilizadas para repreender o crime e para piorar houve um aumento exarcebado da criminalidade que acarretou num clamor geral pelo recrudescimento das sanes.

Assim, paralelamente a corrente humanstica, com base opostas, numa tentativa incua de conter a criminalidade surgiram os movimentos de Lei e Ordem que mediante a dramatizao da violncia, promulgam uma poltica criminal de leis penais mais severas e uma exarcerbao das penas, supresso de direitos e garantias fundamentais.

A pretexto de maior segurana, tal movimento faz surgir o que doutrina penal denominou por Direito Penal do Terror atravs de uma verdadeira onda criminalizadora com a criao de novos tipos penais e, ainda, via a chamadas reformas pontuais, que desequilibram o ordenamento jurdico como um todo violando princpios basilares do Direito Penal.

Assim, o drama atual do Direito Penal , como adverte REALE, conciliar a tutela da segurana social com o respeito da pessoa humana. Ou, na sntese de CONDE (1985): Respeitar os direitos do homem, inclusive do homem delinquente, garantindo, ao mesmo tempo, os direitos de uma sociedade que vive com medo, a vezes, real, as vezes falso, da criminalidade, constitui uma espcie de quadratura do crculo que ningum sabe como resolver. A sociedade tem direito a proteger seus interesses mais importantes, recorrendo a pena se ela necessria; o delinquente tem direito a ser tratado como pessoa

Numa linha moderada, com propostas mais realistas e equilibradas eis que surge a Novssima Defesa Social , tendo como principais postulados: a) uma crescente descriminalizao, o que seus defensores chamam de Direito Penal Mnimo, ou seja a utilizao do direito penal como ultima forma de controle social; b) constante crticas as instituies penais vigentes com intuito de aprimorar e humanizar a atividade punitiva; c) que o Direito Penal no o nico instrumento de combate a criminalidade; d) a vinculao do

Direito Penal a todos os ramos do conhecimento humano capazes de contribuir para uma viso completa do fenmeno criminal.

Com o presente trabalho, buscou-se no mais que levantar e problematizar as seguintes indagaes: a) o aumento da criminalidade seria um problema exclusivo do Direito Penal ou englobaria questes de ordem econmica e social? b) qual eficcia intimidativa lei penal do terror expressada em penas elevadas e recrudescimento na execuo penal? c) dentre as polticas criminais da atualidade, qual seria mais eficiente a conteno da criminalidade? d) teriam as normas penais alguma eficcia intimidativa e motivadora dentro de uma sociedade marcada pelas desigualdades sociais, altamente marginalizadoras?

Afora o mais, o trabalho aponta novas tendncias da poltica criminal e seus reflexos no ordenamento jurdico brasileiro buscando reafirmar a importncia de um Direito Penal garantidor que limite o poder punitivo do Estado, ou seja, que tenta equacionar a liberdade individual com a interveno da autoridade estatal, conscientizando militantes do direito sobre a necessidade/dever de melhorar e humanizar a ativida