MUITOS SÃO OS CHAMADOS - .:: Biblioteca Virtual Espírita ::. Sao os Chamados (psicografia Vera Lucia... ·

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  • MUITOS SO OS CHAMADOS

    Pelo Esprito Antnio Carlos

    _ Vera Lcia Marinzeck de Carvalho _

    Dedicamos:

    A todos os servos de Jesus

    que ajudam, curam, instruem

    em nome do Pai,

    chamando irmos ao Reino de Deus

    e com seus exemplos, incentivando

    muitos a se fazerem escolhidos.

  • NDICE

    1 O Diploma .................................................... 11

    2 Recm-Formado .......................................... 18

    3 A Doena ..................................................... 24

    4 Esperana ................................................... 30

    5 No Centro Esprita ....................................... 37

    6 A Cura ......................................................... 44

    7 O Inesperado ............................................... 50

    8 Pesadelo ...................................................... 58

    9 Beira da Loucura ...................................... 65

    10 Vagando .................................................... 75

    11 De Volta ao Lar .......................................... 86

    12 O Socorro .................................................. 94

    13 Aprendendo ............................................... 102

    14 A Visita ...................................................... 109

    15 A Excurso ................................................ 117

    16 Muitos So os Chamados .......................... 126

  • DIPLOMA

    Palmas ainda se ouviam pelo auditrio da Universidade. Grupinhos se formavam, eram os formandos que conversavam alegres com familiares e amigos, recebendo cumprimentos.

    os formandos que conversavam alegres com familiares e amigos, recebendo cumprimentos.

    Marcos estava com seus familiares, quando Romeu, seu amigo e formando, abraou-o alegremente, e apresentou-o noiva:

    - Esta Mara - disse sorrindo. - No linda? Este meu amigo Marcos.

    - Oi! - saudou sorridente Mara.

    - Muito prazer! - Marcos respondeu, observando-a. Um outro grupo de formandos se aproximou, Romeu se

    voltou para conversar com eles. Marcos no conseguiu desviar os olhos da noiva do amigo, estava encantado com sua beleza extica; loira dos olhos verdes, lbios bem feitos, estava vestida com muito bom gosto e elegncia. Mara tambm observou o amigo do noivo, com um sorriso misterioso.

    Romeu despediu-se dos amigos e voltou novamente para perto da noiva. Nesse instante, aproximou-se do trio Rosely, a namorada de Marcos.

    Novas apresentaes. j conhecia So Paulo? indagou Rosely Mara.

    - Oh, sim! J vim vrias vezes Capital paulista, fico os dias na casa de minha tia, que mora na Casa Verde, logo ali...

    Mara falou devagar o endereo olhando para Marcos. Mara, vem, querida, quero despedir-me de outros colegas. Romeu estava delirante, amava a profisso que escolhera, sempre tirara as melhores notas. Moo agradvel, simptico, de cabelos muito negros como os olhos, no era muito alto, mas o mais novo da turma. Sua famlia morava no interior de

    __ 11 __

    So Paulo, e ele viera estudar Medicina na Capital do Estado. Ele e Marcos se tomaram grandes amigos.

    - Vamos! - exclamou Mara, no deixando de corresponder aos olhares de Marcos.

    Abraaram-se os jovens formandos desejando, um ao outro, sucesso. Foram anos, juntos, de estudo puxado e agora se viam coroados de xito com o diploma recebido.

    Todos contentes. Muitas conversas, vai-e-vem de pessoas. Marcos procurava ter vista Mara, e seus olhares cruzaram-se vrias vezes. Marcos sentiu-se fascinado por aquela vnus loira, e Mara, dengosa, correspondia com olhares e sorrisos a insistncia muda do amigo do noivo.

    S Rosely percebeu, mas se manteve discreta como sempre, procurando ficar mais perto do namorado.

    A famlia de Marcos estava orgulhosa e, com suas melhores roupas, participava da conversa num grupinho de amigos e conhecidos.

  • O salo e o ptio foram se esvaziando, os formandos retiravam-se com os familiares. Marcos aproximou-se de Romeu para as despedidas. Deram-se um forte abrao. Marcos aproximou-se de Mara, enquanto o amigo despedia-se de Rosely.

    - Espero, Mara, v-la mais vezes, encantei-me com sua beleza e graa.

    - Falei o endereo de onde estou hospedada. Recorda?

    - respondeu a moa em tom baixo e sorrindo.

    - De cor - falou baixinho.

    E, porque Romeu se aproximasse deles, Marcos continuou a falar, como a completar um assunto:

    - No v maltratar meu amigo, cuide bem dele. Tive muito prazer em conhec-la.

    Separaram-se. O pai de Marcos, sr. Dlson, se aproximou do filho.

    - Vamos embora, Marcos; Trcio foi buscar um txi. Conforme determinara sua me, d. Adelaide, iriam

    embora de txi, pois aquela era uma ocasio especial, no ficaria bem ir de nibus com aquelas roupas de gala, e tambm porque j era tarde.

    __ 12 __

    Rosely voltou junto, morava perto do apartamento de Marcos. Eram namorados h doze anos. Isto fazia com que ouvissem gozaes dos amigos e vizinhos. Rosely era graciosa, morena clara com grandes e expressivos olhos castanhos e cabelos longos. Trajava um bonito vestido, ao contrrio da namoradinha de Marcos, que era simples demais para chamar a ateno.

    Chegaram. O prdio era simples, subiram todos ao apartamento e conversaram animados, trocando comentrios sobre a festa.

    Marcos estava distrado, pensava na noiva do amigo, e suspirou:

    - Estou cansado, desculpe-me, Rosely, vou dormir.

    - Com tantas emoes, s pode estar exausto, v descansar, querido - disse a me do rapaz, que no parava de olh-lo com a bata negra de formando, alugada to caro.

    - Boa-noite! - disse alto uma senhora, entrando na sala. Era d. Carmem, av materna de Marcos, que morava no apartamento ao lado. Tinha nas mos um embrulho.

    - Marcos - disse a senhora, muito contente -, isto para voc. Desculpe-me por no ter ido solenidade. Estou velha e estas festas me cansam tanto!

    - Obrigado, vov, no precisava me dar presente. Abriu, contente, adorava ganhar presentes. Era uma bonita

    e cara camisa. Com a chegada da av, novos comentrios sobre a formatura. D. Carmem aproximou-se do neto:

    - Marcos, j agradeceu a seus pais?

    Marcos riu, e pensou: "Agradecer a meus pais? S minha av mesmo para ter esta idia. Eu que estudei tanto..."

    - Marcos - continuou a simptica senhora -, voc sabe quantas horas trabalharam Dlson e Adelaide para form-lo? Deve sua formatura a eles. Tantos jovens querem estudar e no o conseguem, pois tudo to caro: livros, escolas etc.

  • - Compens-los-ei mais tarde. Quando ficar rico, eles se aposentaro, a senhora ir ver.

    - Se voc pensar s em enriquecer, no ser bom mdico, eu...

    __ 13 __

    - Vov, vov! - Marcos interrompeu-a. - Amo a Medicina e j sou um bom mdico.

    A senhora olhou-o, penalizada; Marcos se incomodou com a censura muda e saiu de perto dela. Gostava da av, mas, para ele, j estava mesmo velha.

    Todos conversavam animados, todavia Marcos sentiu vontade de ficar sozinho.

    - Boa-noite! vou descansar - disse, alto.

    - E Rosely? - indagou Solange, a irm caula de doze anos. - Como vai ela embora? J so duas horas da madrugada!

    - Acompanho-a. Levo voc para casa, vamos. "Trcio, meu irmo, quebrou o galho" - pensou Marcos

    despedindo-se da noiva com um simples "tchau".

    Retirou-se da sala e foi para seu quarto. Pensou:

    "Gosto dela, mas no sentia vontade de lev-la para casa e conversar sobre os mesmos assuntos."

    Parou na frente do espelho e viu sua imagem refletida. Com aquela bata negra parecia mais alto e musculoso. Sorriu satisfeito: era bonito, pele morena, cabelos negros e olhos azuis escuros; enquanto sorria, deixava aparecer os dentes claros e perfeitos.

    Olhou para seu diploma:

    "Um pedao de papel escrito e desenhado, bonito, mas s um pedao de papel". Entretanto, representava a confirmao de anos de estudo e de que estava apto a exercer a profisso de mdico.

    Marcos repartia o quarto com o irmo Trcio e, naquele momento, torceu para que ele demorasse, para poder desfrutar alguns momentos a ss.

    "Meu irmo deve estar com inveja" - pensou.

    Trcio prestara vestibular para Medicina por vrios anos e no passou; desistiu e fazia no momento Bioqumica. Embora fosse mais velho que Marcos dois anos, Trcio se formaria no ano vindouro.

    "Eu, no!" - Marcos falou, enchendo o peito de ar, a demonstrar orgulho. "Passei, na primeira vez em que prestei o vestibular."

    __ 14 __

    Colocou o diploma em cima da escrivaninha.

    "Fica aqui por hoje" - pensou. "Mame ir lev-lo para colocar moldura e seu destino ser um gabinete de luxo."

    Marcos gostava de falar consigo mesmo ao estar a ss. Monologava e, com prazer de escutar sua prpria voz, disse satisfeito:

  • "Mame e papai ficaram emocionados."

    Reconhecia que seus pais tinham dado duro para form-lo. Seu pai, sr. Dlson, era dono de uma pequena padaria, a dois quarteires do apartamento em que moravam. Levantava todos os dias s trs horas da madrugada, trabalhava s vezes at a noite, menos aos domingos, que para ele eram sagrados, quando ia sempre Igreja, pois era presbiteriano. Marcos via sempre o pai cansado, mas nunca a se queixar.

    A me, professora primria, lecionava na parte da tarde e, pela manh, cuidava dos afazeres do lar, sempre ajudando a todos e facilitando as tarefas dos filhos. Catlica, no ia muito Igreja a no ser na Semana Santa e em alguns domingos.

    Os filhos s vezes iam Igreja com o pai, ou com a me, porm no discutiam religio em casa, isto era-lhes proibido.

    S Gabriela, sua outra irm, seguia a religio do pai: casara com Flvio, um presbiteriano convicto, e tinha dois filhos.

    Solange era a caula da famlia, "temporona", como costumavam cham-la.