Musculação Guyton e Hall

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    Monografias do Curso de Fisioterapia Unioesten. 01-2004 ISSN 1678-8265

    CAROLINE RENATA DEMARCHI

    ESTUDO COMPARATIVO DA EFICCIA DOALONGAMENTO MUSCULAR EM JOVENS NO PERODO

    DE 30 E 60 SEGUNDOS

    CASCAVEL2004

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    CAROLINE RENATA DEMARCHI

    ESTUDO COMPARATIVO DA EFICCIA DOALONGAMENTO MUSCULAR EM JOVENS NO PERODO

    DE 30 E 60 SEGUNDOS

    Trabalho de concluso de Curso apresentado Universidade Estadual do Oeste do Paran Campus Cascavel, como pr-requisito paraobteno do Ttulo de graduado em Fisioterapia.

    Orientador: Prof. Carlos Eduardo de Albuquerque

    CASCAVEL2004

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    TERMO DE APROVAO

    CAROLINE RENATA DEMARCHI

    ESTUDO COMPARATIVO DA EFICCIA DOALONGAMENTO MUSCULAR EM JOVENS NO PERODO

    DE 30 E 60 SEGUNDOS

    Trabalho de Concluso de Curso aprovado como requisito parcial para obteno dotitulo graduado em Fisioterapia, na Universidade Estadual do Oeste do Paran.

    ...................................................................................Orientador: Prof.Carlos Eduardo de Albuquerque

    Colegiado de Fisioterapia UNIOESTE

    ...................................................................................Prof. Gladson Ricardo Flor BertoliniColegiado de Fisioterapia UNIOESTE

    ....................................................................................Prof. Rodrigo Daniel Genske

    Colegiado de Fisioterapia UNIOESTE

    Cascavel, 10 de fevereiro de 2004.

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    DEDICATRIA

    Dedico este trabalho aos meus pais,Vilmar e Marisa que, desde o incio, foramfonte de energia e entusiasmo, e quesempre me ensinaram a nunca desistirdos meus sonhos.

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    AGRADECIMENTOS

    Deus, por me proporcionar tranqilidade necessria nas horas difceis.

    s minhas irms, Carla e Camila que compreenderam a importncia deste trabalho e

    me ajudaram de vrias maneiras.

    Ao meu professor Carlos Eduardo de Albuquerque, que gentilmente compartilhou

    seus conhecimentos e experincias, tornando possvel a realizao deste trabalho.

    Aos meus Colegas, principalmente minha turma de estgio, pelo convvio agradvel.Agradeo a todos os participantes do projeto de alongamento e aos demais docentes

    do Curso de Fisioterapia.

    A todos muito obrigada!

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    RESUMO

    INTRODUO: O tecido muscular tem a capacidade de adaptao determinadaestimulao, resultante da plasticidade, isto , a capacidade de assumir novocomprimento aps a fora de alongamento ser retirada. O exerccio de alongamento um dos mais utilizados na prtica diria de fisioterapeutas e educadores fsicos. Noentanto, comum observar a utilizao errada desses exerccios, com tempo dedurao inadequado, resultando em efeitos ineficazes. OBJETIVOS: O objetivodeste estudo foi analisar a eficcia do alongamento ativo do grupo muscular trcepssural no perodo de 30 e 60 segundos em jovens. METODOLOGIA:O estudo foirealizado com 30 participantes, os quais foram separados aleatoriamente em 3grupos de dez indivduos. O grupo I realizou alongamento ativo por um perodo de

    30 segundos, no grupo II o perodo foi de 60 segundos e o grupo III ou controle norealizou nenhum alongamento. O grupo I e II realizaram doze sesses dealongamento, sendo submetidos avaliao inicial e final, na qual forammensuradas a ADM da articulao do tornozelo atravs de um gonimetro, inclusivedo grupo controle. RESULTADOS: O resultado entre as mdias final e inicial daADM dos grupos I, II e III foram os seguintes: grupo I aumentou 13,3 no MID e 17,9no MIE; no grupo II o aumento foi de 11,6 no MID e 13,5 no MIE; no grupo III oucontrole no obteve alterao estatstica, diminuindo 1 na ADM. CONCLUSO:Pode-se concluir aps a coleta e avaliao dos dados, que ambos os gruposapresentaram resultados superiores ao grupo controle, porm no obtiveramdiferena estatstica. Assim, conclu-se que tanto o alongamento por um perodo de

    30 ou de 60 segundos tem o mesmo efeito teraputico, na melhora da flexibilidademuscular.

    Palavras Chaves:alongamento muscular, tempo de alongamento, plasticidademuscular.

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    ABSTRACT

    INTRODUCTION:The muscular tissue has the capacity for adaptation to determinedstimulation, resultant of the plasticity, that is, the capacity to change length after thestretching force to be removed. The allonge exercise is one of the most used inpractical daily of physiotherapists and the physical educators. However, it is commonto observe the wrong use of these exercises, with inadequate time of duration,resulting in inefficacious effects. OBJECTIVES: The objective of this study was toanalyze the effectiveness of the active strecht of triceps sural muscular group in theperiod of 30 and 60 seconds in younger. METHODS: The study it was carriedthrough with 30 participants, which had been separate aleatoriamente in 3 groups often individuals. Group I carried through active stretch for a period of 30 seconds, ingroup II the period was of 60 seconds and group III or control did not carry exercise.Group I and II had carried through twelve sessions, being submitted to the initialevaluation and final, in which the range of motion (ROM) of the ankle joint throughone had been measured by gonimetro, also control. RESULTS: The resultsbetween the averages final and initial of the ROM of groups I, II and III had been thefollowing ones: group I increased 13,3 in the MID and 17,9 in the MIE; in group IIthe increase was of 11,6 no MID and 13,5 in the MIE; in control it did notsignificative diference, diminishing 1 in the ROM. CONCLUSION:After evaluationdatas both groups had presented resulteds superior to the group have controlled,however had not statistic difference. It concluded as much the stretching for a period

    of 30 or 60 seconds has same therapeutical effect of improvement muscularflexibility.

    Key-word:muscular length, muscular plasticity, stretching

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    SUMRIO

    AGRADECIMENTOS ..............................................................................................................vRESUMO...................................................................................................................................v

    ABSTRACT..............................................................................................................................viLISTA DE FIGURAS.............................................................................................................viiiLISTA DE TABELAS ..............................................................................................................ixLISTA DE anexos.....................................................................................................................xLISTA DE GRFICOS............................................................................................................xi1 INTRODUO......................................................................................................................12 DESENVOLVIMENTO .........................................................................................................32.1 TECIDO MUSCULAR.......................................................................................................32.1.1. ESTRUTURAS DO TECIDO MUSCULAR ...............................................................52.1.1.1 Miofibrilas .....................................................................................................................52.1.1.2 Sarcmero ...................................................................................................................52.1.2 PROTENAS ...................................................................................................................72.1.3 COMPONENTES DAS CLULAS MUSCULARES .................................................92.1.3.1 Sarcolema....................................................................................................................92.1.3.2 Sarcoplasma................................................................................................................92.1.3.2 Retculo Sarcoplasmtico....................................................................................... 102.2 TEORIA MECANISMO DA CONTRAO MUSCULAR......................................... 112.3 TECIDO CONJUNTIVO................................................................................................122.3.1 FIBRAS COLGENAS...............................................................................................132.3.2 FIBRAS ELSTICAS..................................................................................................152.3.3 RELAO ENTRE O COLGENO E AS FIBRAS ELSTICAS.........................16

    2.4 FLEXIBILIDADE ............................................................................................................. 172.5 PROPRIEDADES DOS TECIDOS MOLES QUE AFETAM O ALONGAMENTO182.6 AJUSTE DO COMPRIMENTO MUSCULAR ............................................................. 192.7 FATORES QUE DETERMINAM O ALONGAMENTO.............................................. 212.8 RECEPTORES SENSORIAIS RELACIONADOS AO ALONGAMENTO.............. 222.8.1 FUSOS MUSCULARES............................................................................................. 222.8.2 RGOS TENDINOSOS DE GOLGI...................................................................... 232.8.3 MECANORRECEPTORES ARTICULARES .......................................................... 242.9 PROGRAMA DE TREINAMENTO DE FLEXIBILIDADE ......................................... 252.9.1 OS BENEFCIOS DE UM PROGRAMA DE TREINAMENTO DEFLEXIBILIDADE....................................................................................................................27

    2.10 RELAO ENTRE FLEXIBILIDADE E LESO MUSCULAR ..............................272.11 MTODOS TERAPUTICOS PARA ALONGAR TECIDOS MOLES ................. 282.11.1 ALONGAMENTO PASSIVO ................................................................................... 292.11.2 INIBIO ATIVA....................................................................................................... 292.11.3 AUTO-ALONGAMENTO.......................................................................................... 302.12 INDICAES E METAS DE ALONGAMENTO...................................................... 302.13 PRECAUES E CONTRA-INDICAES PARA O ALONGAMENTO............313 METODOLOGIA ................................................................................................................ 334 RESULTADOS ...................................................................................................................375 DISCUSSO ......................................................................................................................396 CONCLUSO.....................................................................................................................43

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS .................................................................................. 44

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    LISTA DE FIGURAS

    Figura 1 - Posio de alongamento ativo do trceps sural vista

    posterior.

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    Figura 2 - Posio de alongamento ativo do trceps sural perfil. 35

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    LISTA DE TABELAS

    Tabela 1 - Valores mdios para idade e ADM inicial e final dos gupos I, II econtrole.

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    LISTA DE ANEXOS

    ANEXO A - Ficha de avaliao 47

    ANEXO B - Autorizao para pesquisa 49

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    LISTA DE GRFICOS

    Grfico 1 -Valores mdios de ADM inicial e final para os grupos I, II econtrole. 37

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    1 INTRODUO

    Flexibilidade a amplitude de movimento disponvel em uma articulao ou

    grupo de articulaes (ALTER, 1999). Para que haja amplitude de movimento

    normal necessrio haver mobilidade e flexibilidade dos tecidos moles que

    circundam a articulao, ou seja, msculos, tecido conectivo e pele, e mobilidade

    articular (KISNER e COLBY, 1998).

    A flexibilidade especfica de um msculo e de uma articulao pode ser

    influenciada pela idade, sexo e possivelmente pela raa do indivduo (KRIVISCKAS,

    2001).

    O tecido muscular tem a capacidade de adaptao determinada

    estimulao, resultante de plasticidade, isto , a capacidade do tecido mole em

    assumir novo comprimento aps a fora de alongamento ter sido removida (KISNER

    e COLBY, 1998). O tecido conectivo encontrado nas massas musculares possui

    propriedades viscoelsticas permitindo o alongamento, o componente viscoso

    permite um estiramento plstico que resulta em alongamento depois que a carga

    removida (HARRELSON e DUNM, 2000).

    Para desempenhar a maioria das tarefas cotidianas funcionais, assim como

    ocupacionais e recreativas, importante uma boa amplitude de movimento, sem

    restries e dores, a grande mobilidade tambm auxilia na preveno de novas

    leses ou recorrentes. A perda da flexibilidade pode resultar em perda da fora

    muscular e dor (KISNER e COLBY, 1998).

    Um treinamento de flexibilidade sob a forma de um programa de exerccios

    planejados tem a finalidade de alongar, ligamentos, cpsulas e aumentar a

    extensibilidade das unidades msculo-tendo aumentado amplitude de movimento

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    articular (ALTER 1999; WATKINS, 2001). Os tecidos moles ao redor da articulao

    devem ser alongados de maneira progressiva a fim de aumentar a flexibilidade de

    uma articulao (CANAVAN, 2001). O alongamento deve ser realizado at a

    sensao de uma leve trao no msculo, mantendo a posio, no entanto durante

    a realizao do alongamento no deve haver a sensao de dor, parestesias,

    tonturas, se caso houver o aparecimento de alguns desses sintomas, o exerccio

    deve ser imediatamente interrompido (MOFFAT e VICKERY, 2002). Um

    alongamento estvel e suave normalmente essencial para um resultado

    satisfatrio ser alcanado (CHAITOW, 2001).

    O alongamento s ocorre quando a trao mantida por tempo suficiente

    para que haja deformao do tecido conectivo (BRUNO et al., 2001).o tempo de

    trao deve ser relativamente longo, j que a durao da trao diretamente

    proporcional capacidade de deformao viscoelstica do msculo (TRIBASTONE,

    2001).

    O objetivo deste estudo comparar a diferena da eficcia do alongamento

    ativo do trceps sural no perodo de 30 e 60 segundos de alongamento em jovens.

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    2 DESENVOLVIMENTO

    2.1 TECIDO MUSCULAR

    O tecido muscular, responsvel pelos movimentos corporais, constitudo por

    clulas alongadas e que contm grande quantidade de filamentos citoplasmticos,

    responsveis pela contrao (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999).

    As clulas musculares tm origem mesodrmica e sua diferenciao ocorre

    principalmente devido a um processo de alongamento gradativo, com simultnea

    sntese de protenas filamentosas (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999).

    Trs tipos histologicamente distintos de msculos so reconhecidos, cada um

    com suas prprias caractersticas especficas (CORMACK, 1996). O primeiro tipo

    descrito o msculo liso, formado por aglomerados de clulas fusiformes que no

    possuem estrias transversais. O processo de contrao lento e no est sujeito ao

    controle voluntrio (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999; CORMACK, 1996).

    O segundo tipo de msculo constitui a maior parte da parede do corao (isto

    , o miocrdio) e, portanto, denominado msculo cardaco (CORMACK, 1996).

    Apresenta estrias transversais, formado por clulas alongadas e ramificadas, que

    se unem por intermdio dos discos intercalares, estrutura encontradas

    exclusivamente no msculo cardaco. Apresentam contrao involuntria, vigorosa e

    rtmica (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999).

    O terceiro tipo descrito reconhecido por vrios nomes, incluindo msculo

    esqueltico, voluntrio e estriado. Este formado por feixes de clulas cilndricas

    muito alongadas e multinucleadas, que apresenta estrias transversais. Tm

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    contrao rpida, vigorosa e sujeita ao controle voluntrio (JUNQUEIRA e

    CARNEIRO, 1999; CORMACK, 1996).

    O msculo esqueltico composto por vrios tipos de tecido. Entre eles,

    esto as clulas musculares, o tecido nervoso, o sangue e vrios tipos de tecido

    conjuntivo. Os msculos individuais so separados entre si e mantidos no lugar por

    um tecido conjuntivo denominado fscia. Existem trs camadas separadas de tecido

    conjuntivo no msculo esqueltico. A camada mais externa que envolve todo o

    msculo denominada epimsio. medida que se move mais para o interior do

    epimsio, um tecido conjuntivo denominado perimsio envolve feixes individuais de

    fibras musculares. Cada fibra muscular de um fascculo revestida por um tecido

    conjuntivo denominado endomsio (POWERS e HOWLEY, 2000).

    As fibras de colgeno dos mltiplos envoltrios fibrosos fundem-se com

    aquelas das estruturas de tecido conjuntivo denso que o msculo traciona,

    comumente tendes, aponeuroses ou peristeo. O extenso componente de tecido

    conjuntivo de um msculo esqueltico disposto de forma ideal para a efetiva

    transferncia da trao da contrao para as inseres dos msculos (CORMACK,

    1996).

    As fibras musculares esquelticas so longas e cilndricas com extremidades

    arredondadas. Estendem-se por todo o comprimento de msculos curtos, masapenas por parte nos maiores. Alm disso, cada fibra contm vrios ncleos; isto ,

    so clulas multinucleadas (CORMACK, 1996).

    Cada fibra muscular composta de vrias unidades pequenas denominadas

    miofibrilas, estas so agrupadas em feixes e seguem a extenso da fibra muscular,

    sendo que cada uma dessas miofibrilas composta de um filamento longo e fino de

    sarcmeros ligados em srie (ALTER, 1999).

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    2.1.1. ESTRUTURAS DO TECIDO MUSCULAR

    2.1.1.1 Miofibrilas

    As miofibrilas so cilndricas, apresentam um dimetro de 1 a 2 m e correm

    longitudinalmente fibra muscular, preenchendo quase completamente o seu

    interior. Ao microscpio ptico, aparecem estriaes transversais, pela alternncia

    de faixas claras e escuras (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999). As bandas claras e

    escuras so referidas, respectivamente, como bandas I (isotrpicas) e A

    (anisotrpicas) (WATKINS, 2001). No centro da banda I aparece uma linha

    transversal escura, a linha Z (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999). A banda A

    apresenta uma zona mais clara no seu centro, a banda H que visualizada quando

    o msculo se encontra relaxado (WEISS e GREEP, 1981). Encontra-se tambm no

    centro do sarcmero uma estrutura densa que denomina-se linha M, local onde

    delgados filamentos transversais parecem se interconectar com os filamentos

    espessos (ALTER, 1999; CORMACK, 1996). Uma miofibrila consiste de uma cadeia

    de sarcmeros (WATKINS, 2001).

    2.1.1.2 Sarcmero

    A seco de uma miofibrila entre dois discos Z sucessivos chamada de

    sarcmero, a unidade estrutural bsica de uma fibra muscular (WATKINS, 2001).

    Eles medem aproximadamente 2,3 m de comprimento e repetem-se em um padro

    especfico em cada miofibrila (ALTER, 1999).

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    Um sarcmero contm dois grupos de filamentos contrteis, que so

    filamentos delgados, contendo actina, e filamentos espessos, contendo miosina.

    Ambos os grupos de filamentos so orientados longitudinalmente (CORMACK, 1996;

    HAM, 1977).

    Da linha Z, partem os filamentos finos (actina) que correm at o bordo externo

    da banda H. Os filamentos grossos (miosina) ocupam a regio central do sarcmero

    (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999). Alm destes filamentos contrteis, os

    sarcmeros contm filamentos elsticos longitudinais muito finos que possuem uma

    protena denominada titina (conhecida tambm como conectina) (CORMACK, 1996).

    A banda I formada somente pelos filamentos finos que no so invadidos

    pelos filamentos grossos. A banda A formada principalmente por filamentos

    grossos e a banda H somente pelos filamentos grossos (JUNQUEIRA e CARNEIRO,

    1999).

    O sarcmero miofibrilar no unido s na direo axial, ele tambm deve ser

    sustentado na direo transversa. A fonte de resistncia transversa que mantm a

    integridade do sarcmero so trs estruturas em forma de ponte: as pontes-M, as

    pontes-A e as pontes I (ALTER, 1999).

    Segundo ALTER (1999), as pontes-M e as pontes-A esto localizadas entre

    os filamentos grossos na banda-A, e as pontes-I, entre os filamentos conectivos nabanda-I.

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    2.1.2 PROTENAS

    As miofibrilas do msculo estriado contm quatro protenas principais:

    miosina, actina, tropomiosina, e troponina. Os filamentos grossos so formados de

    miosina e as outras trs protenas so encontradas nos filamentos finos. A miosina e

    a actina, juntas, representam 55% do total de protenas do msculo estriado

    (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999).

    O filamento fino chamado de actina. A actina tem um dimetro de

    aproximadamente 5 ou 6 nm e um comprimento de aproximadamente 1 m (ALTER,

    1999). Cada filamento de actina consiste basicamente de duas fileiras de molculas

    de actina agrupadas longitudinalmente de uma forma helicoidal (WATKINS, 2001). A

    actina no o nico componente do filamento fino. Dentro ou ao lado do filamento

    encontram-se vrias protenas adicionais, incluindo nebulina, troponina e

    tropomiosina. Estas protenas servem para regular a ligao dos filamentos (ALTER,

    1999).

    A troponina um complexo de trs subunidades: TnT, que se liga fortemente

    tropomiosina; TnC, que tem grande afinidade pelos ons clcio; e TnI, que cobre o

    stio ativo da actina onde ocorre a interao entre a actina e a miosina. Cada

    molcula de tropomiosina tem um local especfico onde se prende a um complexo

    (trs subunidades) de troponina. (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999).

    A tropomiosina uma molcula longa e fina, com cerca de 40nm de

    comprimento, contendo duas cadeias polipeptdicas, uma enrolada na outra. As

    molculas de tropomiosina unem-se umas s outras pelas extremidades, para

    formar filamentos que se localizam ao longo do sulco existente entre os dois

    filamentos de actina F (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999).

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    O filamento grosso a miosina. Ele mede entre 10 a 15 nm de dimetro e

    aproximadamente 1,5 m de comprimento. Por essa razo, mais grosso que o

    filamento de actina (ALTER, 1999). Cada filamento de miosina composto de

    molculas de miosina. Cada molcula de miosina uma estrutura em forma de taco,

    consistindo de duas cabeas globulares adjacentes, presas por um colo curvo

    relativamente curta a uma difise longa (WATKINS, 2001). Os filamentos de miosina

    so os nicos vistos que possuem numerosas projees laterais pequenas ou

    hastes que se estendem na direo dos filamentos de actina. Essas projees so

    coletivamente classificadas como pontes cruzadas e so os locais de ligao entre

    filamentos de actina e miosina que produzem a tenso muscular (ALTER, 1999).

    A titina um filamento conectivo que constitui aproximadamente 10% de

    massa de miofibrila. Cada molcula de titina estende-se da linha-Z at a linha-M e

    promove a posio central do filamento de miosina no sarcmero (ALTER, 1999).

    Quando o sarcmero alongado, a regio da molcula de titina encontrada

    na banda-A comporta-se como se fosse rigidamente ligada aos filamentos grossos.

    Em comparao, a regio da molcula de titina que se liga s linhas-Z comporta-se

    elasticamente (ALTER, 1999).

    A titina encontrada compactamente dobrada dentro do sarcmero. Dessa

    forma, quando o alongamento inicialmente aplicado no msculo, o segmento detitina entre o final do filamento de miosina e a linha-Z o principal contribuinte para o

    comprimento aumentado do sarcmero (ALTER, 1999).

    Uma vez que o limite do comprimento desse filamento de titina atingido, o

    recrutamento de segmentos adicionais de titina que so dobrados ou de algum

    modo ligados ao filamento de miosina responsvel por um aumento extra no

    comprimento (ALTER, 1999).

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    2.1.3 COMPONENTES DAS CLULAS MUSCULARES

    Os componentes das clulas musculares receberam nomes especiais. A

    membrana chamada de sarcolema; o citoplasma (com exceo das miofibrila), de

    sarcoplasma; e o retculo endoplasmtico liso, de retculo sarcoplasmtico

    (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999).

    2.1.3.1 Sarcolema

    O sarcolema a membrana celular da fibra muscular. O sarcolema consiste

    em uma membrana celular verdadeira, denominada membrana plasmtica, e em um

    revestimento externo, constitudo por fina camada de material polissacardico que

    contm inmeras e finas fibrilas colgenas. Em cada extremidade da fibra muscular,

    essa camada superficial do sarcolema se funde com uma fibra tendinosa e, por sua

    vez, as fibras tendinosas juntam-se em feixes para formar os tendes dos msculos,

    que, a seguir, inserem-se nos ossos (GUYTON e HALL, 2002).

    2.1.3.2 Sarcoplasma

    As miofibrilas esto suspensas no interior da fibra muscular em uma matriz

    intracelular denominada sarcoplasma, que composta, principalmente, pelos

    constituintes intracelulares habituais. O lquido do sarcoplasma contm grande

    quantidade de potssio, magnsio e fosfato, assim como mltiplas enzimas

    proticas. Outro componente do sarcoplasma a mioglobina, uma protena que

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    armazena oxignio e que o principal responsvel pela cor vermelho-escura de

    alguns msculos (GUYTON e HALL, 2002; JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999).

    Est presente, tambm, grande nmero de mitocndrias, localizadas

    paralelamente s miofibrilas, condio que indicativa da grande necessidade das

    miofibrilas em contrao para a gerao da grande quantidade de energia, a partir

    do trifosfato de adenosina (ATP), formado nas mitocndrias (GUYTON e HALL,

    2002).

    2.1.3.2 Retculo Sarcoplasmtico

    O retculo sarcoplasmtico nas clulas musculares o equivalente do

    Retculo endoplasmtico em outros tipos celulares. Tem como funo primria

    regular a concentrao de ons clcio dentro das miofibrilas, necessrios para a

    realizao rpida dos ciclos de contrao e relaxamento (JUNQUEIRA e

    CARNEIRO, 1999; CORMACK, 1996). O retculo sarcoplasmtico consiste em uma

    rede de cisternas do retculo endoplasmtico liso, que envolve grupos de

    miofilamentos, separando-os em feixes cilndricos (ALTER, 1999).

    Quando a fibra muscular est relaxada, os ons clcio so armazenados

    dentro da luz do retculo sarcoplasmtico. Assim que o sarcolema despolariza, amembrana do retculo sarcoplasmtico sofre uma sbita alterao da permeabilidade

    que libera os ons clcio armazenados. Uma vez entrando livremente nas miofibrilas,

    os ons clcio possibilitam a interao dos filamentos espessos com os delgados e

    produziro a contrao muscular (CORMACK, 1996).

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    2.2 TEORIA SOBRE O MECANISMO DA CONTRAO MUSCULAR

    O mecanismo pelo qual os msculos contraem-se pode ser explicado atravs

    da estrutura do sarcmero. A teoria mais conhecida a do filamento deslizante, ela

    afirma que as mudanas no comprimento do sarcmero so medidas

    exclusivamente pelo relativo deslizamento dos filamentos grossos e finos (ALTER,

    1999).

    Durante a contrao muscular, os filamentos finos de actina de cada

    extremidade do sarcmero deslizam na direo uns dos outros. As linhas Z se

    movimentam na direo das faixas A, que mantm seu tamanho original, enquanto

    as faixas I tornam-se mais estreitas e a zona H desaparece (HALL, 2000).

    No ciclo de contrao a actina e a miosina interagem da seguinte maneira:

    durante o repouso ATP liga-se ATPase das cabeas de miosina. Para atacar a

    molcula de ATP e liberar energia, a miosina necessita da actina, que atua como co-

    fator. Quando ocorre a liberao de ons clcio para dentro da clula, este promove

    uma alterao na configurao espacial das trs subunidades de troponina

    empurrando assim a molcula de tropomiosina, promovendo a exposio dos stios

    de ligao da actina, ficando livres para se ligar miosina. Com a ligao dessas

    duas protenas o ATP convertido em ADP, Pi e energia. Como a actina est

    combinada com a miosina, o movimento da cabea da miosina empurra o filamento

    de actina, promovendo o deslizamento. medida que ocorre o deslizamento, novos

    locais para formao de pontes aparecem, as quais se desfazem depois que ocorre

    a ligao da miosina a uma nova molcula de ATP (JUNQUEIRA e CARNEIRO,

    1999; CORMACK, 1996; ALTER, 1999).

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    A contrao muscular continua at que os ons clcio sejam completamente

    removidos e o complexo troponina-tropomiosina cubra novamente o local de

    combinao da miosina (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999).

    2.3 TECIDO CONJUNTIVO

    O tecido conjuntivo apresenta vrios tipos de clulas que realizam as funes

    de defesa, proteo, armazenamento, transporte, ligao, conexo, suporte geral e

    reparo. O tecido conjuntivo formado de clulas e de substncias intercelulares

    produzidas pelas prprias clulas. Estas substncias intercelulares preenchem todos

    os espaos dando forma ao organismo. A riqueza em material extracelular uma de

    suas caractersticas mais evidentes. Este tecido possui grande capacidade de

    regenerao e varia quanto forma e a funo (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999;

    ZORZETTO, 1993; GUIRRO e GUIRRO, 2002).

    O tecido conjuntivo representado por uma parte com estrutura microscpica

    definida, as fibras do conjuntivo, e pela matriz extracelular ou substncia

    fundamental, um gel viscoso de macromolculas alongadas (glicosaminoglicanas,

    proteoglicanas e glicoprotenas adesivas) muito hidratadas, que formam um

    arcabouo entrelaado e ligado s fibras e a receptores celulares (JUNQUEIRA e

    CARNEIRO, 1999).

    O tecido conjuntivo possui propriedades viscoelsticas, definidas como dois

    componentes do estiramento, que permitem o alongamento do tecido. O

    componente viscoso permite um estiramento plstico que resulta em alongamento

    permanente do tecido depois que a carga removida. Inversamente, o componente

    elstico torna possvel o estiramento (alongamento) elstico, que um alongamento

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    temporrio, com o tecido retornando ao seu comprimento anterior depois que o

    estresse removido (HARRELSON e DUNM, 2000).

    As fibras do conjuntivo so de trs tipos principais: colgenas, reticulares e

    elsticas que se distribuem desigualmente entre as variedades do tecido. As fibras

    predominantes so responsveis por certas propriedades do tecido (JUNQUEIRA e

    CARNEIRO, 1999).

    Os ossos, ligamentos, tendes, fscias e cartilagens so formados por tecido

    conjuntivo, essas estruturas mantm a integridade do corpo (CHAFIN, ANDERSSON

    e MATIN, 2001).

    O tecido conjuntivo desempenha um papel importante na determinao da

    amplitude de movimento de uma pessoa. Esse tecido influenciado por uma

    variedade de fatores, tais como o envelhecimento, imobilizao, agresses para o

    corpo, distrbios metablicos e deficincias ou excessos nutricionais. A resistncia

    total para o movimento foi determinada como sendo 10% do tendo, 47% do

    ligamento e 41% da fscia. Pelo fato de os tecidos conjuntivos serem um dos

    componentes mais influentes na limitao da amplitude de movimento, eles devem

    ser favoravelmente alongados (ALTER, 1999).

    2.3.1 FIBRAS COLGENAS

    O colgeno a protena mais abundante no corpo humano, representando

    30% do total das protenas do organismo (JUNQUEIRA e CARNEIRO, 1999).

    definido como uma protena que contm trs cadeias de aminocidos enrolados em

    uma hlice tripla. As duas propriedades fsicas das fibras colgenas so grande

    fora de trao e relativa inextensibilidade (ALTER, 1999).

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    Ao microscpio, as fibras aparecem sem cor ou esbranquiadas. Elas esto

    arranjadas em feixes, exceto sob tenso, atravessam um caminho

    caracteristicamente ondulado. As fibras s so capazes de um leve grau de

    extensibilidade, contudo, muito resistentes ao estresse de trao sendo assim os

    principais constituintes de estruturas, como ligamentos e tendes que so

    submetidos a uma fora de trao (ALTER, 1999).

    Um grande nmero de tipos de colgeno diferentes conhecido. Cada tipo

    identificado por um nmero romano que reflete simplesmente a ordem na qual foram

    descobertos. Os tipos de colgeno mais conhecidos so: o tipo I, que a forma mais

    comum e importante na amplitude de movimento, este encontrado nos tendes,

    ligamentos, ossos, pele e tecido conjuntivo frouxo, o tipo II que encontrado nas

    cartilagens e o tipo III nas paredes dos vasos sanguneos de grande calibre (ALTER,

    1999; GUIRRO e GUIRRO, 2002).

    Os feixes de fibras colgenas quando submetidos a testes de tenso

    inicialmente se alongam, e depois tornam-se rgidos at cederem, este pequeno

    alongamento da fibra decorrente da sua configurao meio ondulada, a qual

    permite alongamento em cargas baixas antes do rompimento (CHAFIN,

    ANDERSSON e MATIN, 2001).

    O colgeno composto de muitas molculas complexas denominadas deaminocidos, sendo os trs principais a glicina, prolina e hidroxiprolina estes dois

    ltimos mantm a forma estvel e resistente do colgeno ao alongamento, assim a

    maior concentrao destes aminocidos determinar maior resistncia de

    alongamento das molculas (ALTER, 1999).

    Segundo ANDREWS et al (2000), a temperatura exerce influncia significativa

    sobre o comportamento mecnico do tecido conjuntivo sob estiramento tensional. J

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    que o tecido conjuntivo constitudo de colgeno, que resistente ao estiramento

    na temperatura corporal normal. Assim, baseado em pesquisas pode-se concluir que

    as temperaturas teraputicas mais altas com baixas cargas produzem o maior

    alongamento tecidual plstico com o mnimo de dano.

    A elevao da temperatura do tecido conjuntivo reduz a resistncia desse

    tecido ao estiramento e promove maior extensibilidade dos tecidos moles. Foi

    relatado que o colgeno extremamente malevel quando aquecido at uma gama

    entre 39C e 43C (ANDREWS, HARRELSON e WILK, 2000).

    2.3.2 FIBRAS ELSTICAS

    O tecido elstico o principal componente estrutural dos tecidos, encontrado

    em todo o corpo. O sarcolema de uma fibra muscular composto por grande

    quantidade de tecido elstico, determinando assim sua extensibilidade (ALTER,

    1999).

    O principal componente das fibras elsticas a glicoprotena estrutural

    elastina, que composta por aminocidos hidrofbicos no polares e com pouca

    hidroxiprolina e nenhuma hidrolisina (ALTER, 1999; JUNQUEIRA e CARNEIRO,

    1999).

    As fibras elsticas so frgeis quanto tenso aplicada, sofrendo

    deformaes e distenso a baixas cargas, aumentando seu comprimento. Elas

    alongam-se facilmente e quando cessado a tenso, ocorre o retorno de seu

    comprimento ao estado original. Com o envelhecimento as fibras elsticas perdem

    sua elasticidade devido a vrias alteraes, incluindo fragmentao, desgaste,

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    calcificao, mineralizao e aumento do nmero de ligaes cruzadas (CHAFIN,

    ANDERSSON e MATIN, 2001; ALTER, 1999).

    As fibras elsticas desenvolvem uma variedade de funes, incluindo

    disseminar estresses que se originam em pontos isolados, aumentar a coordenao

    dos movimentos rtmicos das partes do corpo, conservar energia, mantendo o tnus

    durante o relaxamento dos elementos musculares, fornecer uma defesa contra as

    foras excessivas e ajudar os rgos no retorno para configurao no-deformada

    quando todas as foras foram removidas (ALTER, 1999).

    2.3.3 RELAO ENTRE O COLGENO E AS FIBRAS ELSTICAS

    As fibras elsticas so sempre encontradas em associao precisa com os

    tecidos colagenosos. Alm disso, o desempenho desse tecido combinado o

    resultado de combinar e integrar as propriedades mecnicas nitidamente diferentes

    desses dois tecidos. Primeiro, as prprias fibras elsticas so tipicamente

    responsveis pelo que pode ser chamado de elasticidade reversa (a habilidade de

    um material alongado para retornar ao seu estado original). Segundo, a rede de

    colgeno fornece as foras rgidas que limitam as deformaes dos elementos

    elsticos e que so largamente responsveis pelas propriedades finais (fora de

    trao e inextensibilidade relativa) daquelas estruturas complexas. Logicamente,

    onde fibras colgenas predominam, rigidez, estabilidade, fora de trao e uma

    amplitude de movimento restrita iro prevalecer (ALTER, 1999).

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    2.4 FLEXIBILIDADE

    A flexibilidade a habilidade para mover uma articulao ou articulaes

    atravs de uma amplitude de movimento livre de dor e sem restries. Dependem da

    extensibilidade dos msculos, que permite que estes cruzem uma articulao para

    relaxar, alongar e conter uma fora de alongamento (KISNER e COLBY, 1998).

    Foram descritos dois tipos de flexibilidade, esttica e dinmica. A primeira

    refere-se ADM presente quando um segmento corporal movimentado

    passivamente, enquanto a segunda refere-se ADM que pode ser conseguida

    movimentando-se ativamente um segmento corporal em virtude da contrao

    muscular (FOX e MATHEWS,1993; HALL, 2000).

    A flexibilidade esttica considerada como sendo o melhor indicador da

    rigidez ou frouxido relativas de uma articulao em termos das implicaes para a

    ocorrncia de uma possvel leso. No entanto, a flexibilidade dinmica deve ser

    suficiente, porm sem restringir a ADM necessria para as atividades de vida diria,

    do trabalho ou dos desportos (HALL, 2000).

    Diferentes fatores podem influenciar na flexibilidade articular: formato das

    superfcies articulares, em algumas articulaes a ADM limitada pelo impacto com

    outras estruturas sseas restringindo certos movimentos; tenses na cpsula

    articular e nos ligamentos nos finais dos movimentos; massas de partes moles,

    principalmente os msculos esquelticos que circundam os ossos que formam a

    articulao; extensibilidade dos msculos esquelticos, isto , o mximo de

    comprimento que a unidade msculo-tendo pode alcanar sem que ocorra leso

    (WATKINS, 2001; HALL, 2000).

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    A ausncia de treinamentos regulares, assim como esportes que realizam

    movimentos repetitivos, provavelmente resultaro em reduo do alongamento

    muscular sendo o principal fator limitante da flexibilidade articular. O aumento ou a

    manuteno da flexibilidade envolve o alongamento dos ligamentos, fscias e

    msculos que limitam a ADM de uma articulao (WATKINS, 2001; HALL, 2000).

    A flexibilidade especfica do msculo e da articulao e influenciada pela

    idade, pelo sexo e possivelmente pela raa do indivduo (KRIVICKAS, 2001).

    A flexibilidade geral das pessoas comparada, porm ela especfica para

    cada articulao. Isto , uma quantidade extrema de flexibilidade em uma articulao

    no garante o mesmo grau de flexibilidade em todas as articulaes (HALL, 2000).

    2.5 PROPRIEDADES DOS TECIDOS MOLES QUE AFETAM O

    ALONGAMENTO

    Os tecidos moles que podem restringir a mobilidade articular so os

    msculos, tecido conectivo e pele. Cada um tem qualidades prprias que afetam sua

    extensibilidade, ou seja, sua capacidade de alongar-se. Quando procedimentos de

    alongamento so aplicados a esses tecidos moles, a velocidade, intensidade e

    durao da fora de alongamento iro afetar a resposta dos diferentes tipos de

    tecido mole. Tanto as caractersticas mecnicas dos tecidos contrteis e no

    contrteis quanto as propriedades neurofisiolgicas do tecido contrtil afetam o

    alongamento do tecido mole (KISNER e COLBY, 1998).

    Quando o tecido mole alongado, ocorrem tanto alteraes elsticas quanto

    plsticas. A elasticidade a capacidade do tecido mole retornar ao seu comprimento

    de repouso aps o alongamento passivo. A plasticidade a tendncia do tecido

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    mole de assumir um comprimento novo e maior aps a fora de alongamento ter

    sido removida. Tanto os tecidos contrteis quanto os no contrteis tm qualidades

    elsticas e plsticas (KISNER e COLBY, 1998).

    2.6 AJUSTE DO COMPRIMENTO MUSCULAR

    O msculo estriado esqueltico adapta-se s alteraes em seu comprimento

    por meio da regulao no nmero de sarcmeros em srie, e a manuteno de uma

    determinada posio fator determinante na regulao desse nmero (ROSA,

    GABAN e PINTO; 2002).

    Quando os msculos so alongados alm do comprimento superior ao

    normal, ocorre a hipertrofia. Isso acarreta o acrscimo de novos sacmeros nas

    extremidades das fibras musculares, onde se inserem nos tendes. (GUYTON e

    HALL, 2002).

    Inversamente, quando o msculo permanece encurtado continuamente, para

    menos que seu comprimento normal, os sarcmeros, nas extremidades das fibras

    musculares, desaparecem com rapidez aproximadamente igual. atravs desses

    processos que os msculos so remodelados continuamente, para manter o

    comprimento adequado, para a contrao muscular apropriada (GUYTON e HALL,

    2002).

    Quando o msculo estirado ou encurtado, o sarcmero passa a atingir um

    comprimento maior ou menor do que o de repouso e, por tanto, h reduo na

    sobreposio entre os filamentos contrteis. O ajuste parece ocorrer para que o

    comprimento do sarcmero retorne ao seu comprimento funcional (TABARY et al,

    1972).

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    Segundo TABARY et al (1972), as modificaes no comprimento da fibra

    muscular provavelmente ocorrem para manter o comprimento fisiolgico e funcional

    do sarcmero.

    Os tendes so frequentemente tratados como estruturas inextensveis que

    transmitem as alteraes do comprimento muscular s suas inseres sseas.

    Contudo, muitas vezes o tendo se comporta com maior complacncia que o prprio

    msculo, podendo contribuir como armazenador de energia elstica e

    conseqentemente, como realinhador durante as atividades motoras cclicas

    (DURIGON, 1995).

    Alm da reduo no comprimento da fibra e no nmero de sarcmeros em

    msculo imobilizado na posio encurtada, estudos tambm demonstram aumento

    em sua resistncia passiva e isso, provavelmente, devido a alterao na

    remodelao no tecido conjuntivo nos msculos mantidos encurtados (ROSA,

    GABAN e PINTO; 2002).

    Foi observado aumento na proporo de colgeno, diminuio no contedo

    de glicosaminoglicanas e gua da matriz extracelular com conseqente aproximao

    de suas fibras, deposio aleatria do colgeno recm-formado e formao de

    ligaes cruzadas anormais entre as mesmas. Todas essas mudanas no tecido

    conjuntivo parecem ocorrer para proteger o msculo de um alongamento muscularexcessivo (ROSA, GABAN e PINTO; 2002).

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    2.7 FATORES QUE DETERMINAM O ALONGAMENTO

    A quantidade e durao da fora aplicada e a temperatura do tecido durante a

    realizao do alongamento so os principais fatores que determinam o grau de

    alongamento elstico e plstico que ocorre com o alongamento do tecido conjuntivo.

    O alongamento elstico exacerbado pelo alongamento com muita fora e pouca

    durao, ao passo que o plstico resulta do alongamento de pouca fora e longa

    durao. Numerosos estudos assinalaram a eficcia do alongamento prolongado

    com nveis baixos a moderados de tenso (ANDREWS, HARRELSON e WILK,

    2000)

    A fora, freqncia e a durao do alongamento devem ser especificados na

    prescrio de exerccios. Todos estes fatores exercem uma papel importante ao se

    determinar tanto a eficincia do alongamento quanto a tendncia sobrecarga e o

    potencial de leses durante o alongamento (SHANKAR, 2002).

    Ainda no foi determinado um arcabouo temporal preciso para manter um

    alongamento esttico. A fora de alongamento geralmente aplicada por no menos

    que 6 segundos, mas preferivelmente por 15 a 30 segundos e repetida vrias vezes

    em uma sesso de exerccios (ANDREWS, HARRELSON e WILK, 2000; KISNER e

    COLBY, 1998; ALTER, 1999). O trabalho de TAYLOR et al (1990) feito com animais

    sugere que o maior alongamento muscular ocorre durante os primeiros 12 a 18

    segundos de um alongamento esttico e durante os primeiros quatro alongamentos

    estticos de uma srie de 10.

    WALLIN et al (2001) relata que trs sesses de alongamento por semana

    melhoram a flexibilidade, mas ganhos maiores na flexibilidade foram obtidos quando

    o alongamento foi realizado cinco vezes por semana. Aps a flexibilidade ter sido

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    aumentada por meio de um programa de treinamento, uma sesso de alongamento

    por semana suficiente para manter os alongamentos.

    2.8 RECEPTORES SENSORIAIS RELACIONADOS AO

    ALONGAMENTO

    Trs receptores principais tem implicaes para o alongamento e manuteno

    da amplitude de movimento favorvel. Esses receptores so os fusos musculares, os

    rgos tendinosos de Golgi (OTGs) e os mecano-receptores articulares (ALTER,

    1999).

    2.8.1 FUSOS MUSCULARES

    O fuso muscular o principal rgo sensitivo do msculo e composto de

    fibras intrafusais microscpicas que ficam paralelas fibra extrafusal. So

    consideradas unidades contrteis regulares do msculo, o fuso est ligado as fibras

    extrafusais, assim quando o msculo alongado ocorre tambm o alongamento do

    fuso. O processo de excitao do fuso muscular ocorre quando um estmulo de

    alongamento aplicado. O fuso muscular monitora a velocidade e durao do

    alongamento e detecta as alteraes no comprimento do msculo. As fibras do fuso

    muscular so sensveis rapidez com a qual um msculo alongado (KISNER e

    COLBY, 1998; ALTER, 1999).

    Existem dois tipos de fusos musculares: primrios e secundrios. Os fusos

    primrios respondem tanto ao grau de alongamento muscular como ao ritmo dessealongamento (resposta dinmica). Os fusos secundrios respondem somente ao

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    grau de alongamento (resposta esttica). A resposta dos fusos promove a ativao

    do reflexo de alongamento e inibio da elaborao de tenso no grupo dos

    msculos antagonistas (inibio recproca) (HALL, 2000).

    O reflexo de alongamento, tambm conhecido como reflexo miottico,

    decorrente da ativao dos fusos em um msculo distendido, promovendo uma

    resposta rpida atravs de uma transmisso neural, com estimulao dos nervos

    aferentes que conduzem estmulos dos fusos at a medula espinhal, os nervos

    eferentes trazem de volta a resposta resultando em elaborao de tenso no

    msculo. O procedimento para realizao de um alongamento muscular consiste,

    portanto, em minimizar os efeitos dos fusos musculares (HALL, 2000; ALTER, 1999).

    2.8.2 RGOS TENDINOSOS DE GOLGI

    O rgo tendinoso de Golgi (OTG) localiza-se prximo a juno

    msculotendnea, enrola-se nas extremidades das fibras extrafusais do msculo e

    sensvel tenso causada tanto pelo alongamento passivo quando pela contrao

    muscular (KISNER e COLBY, 1998; ALTER, 1999).

    um mecanismo de proteo que inibe a contrao do msculo respondendo

    atravs de suas conexes neurais, inibindo a elaborao de tenso no msculo

    (promovendo relaxamento muscular) e no permitindo a tenso nos msculos

    antagonistas. Tem um limiar muito baixo de disparo aps uma contrao muscular

    ativa e tem um alto limiar de disparo para o alongamento passivo (KISNER e

    COLBY, 1998; ALTER, 1999).

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    2.8.3 MECANORRECEPTORES ARTICULARES

    Todas as articulaes sinoviais do corpo so supridas de quatro variedades

    de receptores de extremidades nervosas. Esses receptores articulares sentem

    foras mecnicas nas articulaes, tais como presso de alongamento e distenso.

    So classificados como tipo I,II,III e IV, de acordo com as caractersticas

    morfolgicas e comportamentais (ALTER, 1999).

    Os mecanorreceptores do tipo I consistem de grupos de corpsculos

    globulares encapsulados e so denominados de Golgi-Mazoni; esto localizados na

    camada externa da cpsula articular fibrosa, so receptores de limiar baixo e

    adptao lenta, possuem vrias funes como: promoo da sensao cinestesica e

    postural, facilitao dos tnus muscular, regulao da presso articular, entre outros

    (ALTER, 1999).

    O tipo II chamado de corpsculo de Pacine, so representados por

    corpsculos maiores, grossamente encapsulados e cnicos. Esto localizados na

    cpsula articular fibrosa, em suas camadas mais profundas e em coxins gordurosos

    articulares. So conhecidos como mecanorreceptores dinmicos ou de acelerao,

    pois possuem limiar baixo e adaptao rpida (ALTER, 1999).

    Os mecanorreceptores do tipo III so corpsculos finamente encapsulados,

    confinados aos ligamentos intrnsecos e extrnsecos de muitas articulaes.

    Chamados de corpsculo de Ruffine possuem alto limiar que se adaptam

    lentamente, respondendo somente a altas tenses geradas nos ligamentos

    articulares, tem como funo monitorao da direo do movimento e inibio

    reflexa da atividade de alguns msculos (ALTER, 1999).

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    Ao contrrio dos mecanorreceptores, o tipo IV ou terminaes nervosas livres

    so desencapsulados. So encontrados nos coxins gordurosos e por toda cpsula

    articular. Constituem o sistema de receptor de dor dos tecidos articulares. Sob

    condies normais, esses receptores so inteiramente inativos. Contudo, eles se

    tornam ativos quando os tecidos articulares que contm esse tipo de extremidade

    nervosa so submetidos acentuada deformao mecnica ou irritao qumica

    (ALTER, 1999).

    2.9 PROGRAMA DE TREINAMENTO DE FLEXIBILIDADE

    Um treinamento de flexibilidade definido com exerccios planejados,

    deliberados e regulares que podem aumentar permanente e progressivamente a

    amplitude de movimento conveniente de uma articulao ou conjunto de articulaes

    atravs do alongamento de ligamentos, cpsulas e com aumento da extensibilidade

    das unidades msculo-tendo. Porm, todos os exerccios devem ser realizados

    visando s necessidades especficas do indivduo (ALTER, 1999; WATKINS, 2001).

    Quando uma pessoa inicia um programa de flexibilidade, os possveis

    benefcios so potencialmente ilimitados. A qualidade e a quantidade desses

    benefcios so determinados por dois fatores. O primeiro desses fatores corresponde

    aos fins do indivduo (as metas ou objetivo). O segundo fator, os meios, so os

    mtodos e tcnicas para atingir os objetivos do indivduo (ALTER, 1999).

    Um dos grandes benefcios encontrados em um programa de flexibilidade a

    obteno do relaxamento, pois um aumento da tenso muscular pode resultar em

    efeitos colaterais como diminuio da percepo sensorial, aumento da presso

    sangunea, diminuio do suporte sanguneo muscular o que acarretar em

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    produo elevada de resduos txicos que se acumularo nas clulas devido falta

    de oxignio e de nutrientes resultando em fadiga e algias. A presena de contraturas

    e tenso muscular e incapacidade do msculo em absorver choques e resistir ao

    estresse, alm de impedir a realizao de vrios movimentos (ALTER, 1999).

    A fora, a frequncia e a durao do alongamento devem ser especificados

    na prescrio de exerccios. Todos estes fatores exercem um papel ao se determinar

    tanto a eficincia do alongamento quanto tendncia sobrecarga e o potencial de

    leses. Um alongamento eficiente alcana o comprimento do tecido mais longo. A

    resposta contrtil ao alongamento deve ser evitada porque isto poderia resultar em

    encurtamento reativo do tecido que est sendo alongado, particularmente quando

    aplicado o alongamento muscular. A velocidade excessiva do encurtamento evoca

    resposta contrtil. Dessa forma, o conceito de segurar um alongamento prolongado

    suave deve ser claramente comunicado ao paciente. Um msculo colocado em

    alongamento at o ponto de no sentir a dor de retesamento e mantido neste

    ponto (SHANKAR, 2002).

    No entanto, durante o treinamento de flexibilidade deve-se evitar o

    alongamento excessivo, o que tornar as articulaes hieperflexveis e instveis,

    transformando-as em susceptveis a leses (WATKINS, 2001). Em casos de leses

    recentes no aparelho locomotor, ou processos inflamatrios infecciosos agudos, osexerccios de alongamento no devem ser realizados para que no ocorram maiores

    danos naqueles tecidos (TRIBASTONE, 2001).

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    2.9.1 OS BENEFCIOS DE UM PROGRAMA DE TREINAMENTO DE

    FLEXIBILIDADE

    Quando uma pessoa inicia um programa de flexibilidade, os possveis

    benefcios so ilimitados, podendo ser qualitativos ou quantitativos: relaxamento do

    estresse e da tenso; relaxamento muscular; autodisciplina; melhora da aptido

    corporal, postura e simetria; alvio de cibras musculares; alvio do sofrimento

    muscular e risco reduzido de leso ou dores lombares. Especialmente, a flexibilidade

    favorvel aumenta a eficincia do movimento (ALTER, 1999).

    2.10 RELAO ENTRE FLEXIBILIDADE E LESO MUSCULAR

    Muitos profissionais da sade, atletas e treinadores acreditam que a melhora

    da flexibilidade ajuda a prevenir leses musculoesquelticas, sobretudo leses por

    uso excessivo e por esforos musculares (FRONTERA, DANSON e SLOVIK, 2001).

    O uso de exerccios de alongamento para aumentara a flexibilidade

    geralmente, baseado na idia de que ele pode diminuir a incidncia, a intensidade

    ou a durao da leso musculotendinosa e articular (ALTER, 1999).

    Uma extensibilidade articular mnima parece ser vantajosa em alguns

    esportes e atividades para prevenir a fora muscular ou a distenso articular. Ou

    seja, parece ser uma amplitude de flexibilidade ideal ou favorvel que ir prevenir a

    leso quando os msculos e articulaes forem superalongados acidentalmente

    (ALTER, 1999).

    Segundo SKANKAR (2002), um dos fatores que pode causa leso a

    sobrecarga tensional. Pois, uma unidade musculotendnea, por exemplo, pode ter

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    uma extensibilidade variada entre um msculo e seu tendo, e isto determina o local

    onde um alongamento excessivo pode ocorrer. A resistncia para alongar tem a

    tendncia de ser maior no tendo do que em uma zona muscular com rea de

    seco transversa similar. Ento, quando o estresse de tenso aplicado em

    sobrecarga, a juno musculotendnea torna-se um local vulnervel leso. Assim,

    quando um msculo colocado em alongamento deve-se estir-lo at o ponto de

    no sentir a dor de retesamento, e ento, mant-lo nesse ponto pelo tempo

    determinado a fim de evitar a sobrecarga tensional aumentando o risco de leso.

    A quantidade desejvel de flexibilidade articular depende em grande parte das

    atividades que o indivduo deseja realizar (HALL, 2000).

    2.11 MTODOS TERAPUTICOS PARA ALONGAR TECIDOS MOLES

    Existem trs mtodos bsicos para alongar os componentes contrteis ou

    no-contrteis da unidade musculotendnea: alongamento passivo aplicado

    manualmente ou mecanicamente, inibio ativa e auto-alongamento. O auto-

    alongamento pode envolver alongamento passivo, inibio ativa ou ambos. Todos os

    procedimentos de alongamento devem ser precedidos de algum exerccio ativo de

    baixa intensidade ou aquecimento teraputico para aquecer os tecidos que sero

    alongados. O tecido cede mais facilmente ao alongamento se o msculo est

    aquecido quando a fora de alongamento aplicada (KISNER e COLBY, 1998).

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    2.11.1 ALONGAMENTO PASSIVO

    Como o prprio nome j diz, o alongamento passivo no envolve trabalho por

    parte do indivduo, ele relaxa enquanto outra pessoa movimenta o membro em

    determinada amplitude de movimento (HILLMAN, 2002). O terapeuta aplica uma

    fora externa e controla a direo, velocidade, intensidade e durao do

    alongamento dos tecidos moles, os quais sero alongados alm se seu comprimento

    de repouso (KISNER e COLBY, 1998).

    O alongamento passivo leva as estruturas alm da amplitude de movimento

    livre. O paciente deve estar o mais relaxado possvel durante o alongamento

    passivo. A fora de alongamento geralmente aplicada por no menos de 6

    segundos, mas preferivelmente por 15 a 30 segundos e repetida vrias vezes em

    uma sesso de exerccios (KISNER e COLBY, 1998).

    2.11.2 INIBIO ATIVA

    Inibio ativa refere-se a tcnicas nas quais o paciente relaxa reflexamente o

    msculo a ser alongado antes da manobra de alongamento. Quando um msculo

    inibido (relaxado) ocorre resistncia mnima ao alongamento do msculo. As

    tcnicas de inibio ativa relaxam somente as estruturas contrteis dentro do

    msculo, no os tecidos conectivos. Esse tipo de alongamento possvel somente

    se o msculo a ser alongado tem inervao normal e est sob controle involuntrio.

    No pode ser usado em pacientes com fraqueza muscular intensa, espasticidade ou

    paralisia devido disfuno neuromuscular (KISNER e COLBY, 1998).

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    2.11.3 AUTO-ALONGAMENTO

    O auto-alongamneto ou alongamento ativo um tipo de exerccio de

    flexibilidade que o paciente realiza sozinho (KISNER e COLBY, 1998). No

    alongamento ativo, o paciente usa seu prprio corpo para produzir alongamento de

    determinada rea. Por exemplo, alongamento da panturrilha pode ser feito em p, o

    peso corporal e a fora do indivduo produzem a amplitude de movimento. Esse

    grupo muscular se alonga mais facilmente com a tcnica ativa que com a passiva

    (HILLMAN, 2002).

    O auto-alongamento possibilita aos pacientes manter ou aumentar

    independentemente a ADM conseguida em sesses de tratamento. Os princpios de

    intensidade e durao do alongamento que se aplicam ao auto-alongamento so os

    mesmos usados para o alongamento passivo (KISNER e COLBY, 1998).

    2.12 INDICAES E METAS DE ALONGAMENTO

    Segundo KISNER e COLBY (1998), algumas indicaes para a realizao de

    exerccios de alongamento so: quando a ADM est limitada como resultado de

    contraturas, adeses e formao de tecido cicatricial, levando ao encurtamento de

    msculos, tecido conectivo e pele; quando as limitaes podem levar a

    deformidades estruturais, que podem ser prevenidas; quando as contraturas

    interferem com as atividades funcionais cotidianas ou com a assistncia de

    enfermagem; quando existe fraqueza muscular e retrao nos tecidos opostos, os

    msculos retrados devem ser alongados antes que os msculos fracos possam ser

    efetivamente fortalecidos.

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    A meta geral do alongamento recuperar ou reestabelecer a amplitude de

    movimento normal das articulaes e a mobilidade dos tecidos moles que cercam

    uma articulao. J as metas especficas so: prevenir contraturas irreversveis,

    aumentar a flexibilidade geral de uma parte do corpo antes de exerccios vigorosos

    de fortalecimento e evitar ou minimizar o risco de leses musculotendneas

    relacionadas a atividades fsicas e esportes especficos (KISNER e COLBY, 1998).

    O objetivo global com o alongamento no alongar grupos isolados aos seus

    limites, mas ao contrrio, balancear a flexibilidade na cadeia cintica em relao s

    outras articulaes e grupos musculares (SHANKAR, 2002).

    2.13 PRECAUES E CONTRA-INDICAES PARA O

    ALONGAMENTO

    Algumas contra-indicaes para a prtica de alongamentos so: bloqueio

    sseo limitando a mobilidade articular; inflamao ou infeco nas estruturas

    envolvidas; em caso de dor aguda, cortante, com o movimento articular ou com o

    alongamento muscular; integridade ssea ou vascular comprometida; presena de

    hematomas ou outras indicaes de traumatismos teciduais; limitao da ADM por

    alteraes, que no sejam por retrao muscular; quando as contraturas ou tecidos

    moles encurtados forem a base de habilidades funcionais, particularmente em

    pacientes com paralisia ou fraqueza muscular intensa (KISNER e COLBY, 1998;

    ALTER, 1999).

    Durante a realizao dos exerccios de alongamento algumas precaues

    devem ser tomadas: no forar as articulaes alm da amplitude normal de

    movimento; estabilizar as fraturas recm consolidadas; evitar alongamentos

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    vigorosos aps uma imobilizao prolongada, devido a perda de tenso sofrida

    pelos tendes e ligamentos podendo resultar em ruptura; ter os devidos cuidados

    em pacientes com osteoporose, repouso prolongado no leito e idade avanada;

    cessar o alongamento na presena de dor acentuada durante sua realizao

    (KISNER e COLBY, 1998).

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    3 METODOLOGIA

    Participaram do estudo 30 acadmicos do curso de fisioterapia da

    Universidade Estadual do Oeste do Paran. A faixa etria dos participantes foi de 18

    a 26 anos, sendo somente do sexo feminino. Os participantes foram divididos

    aleatoriamente, atravs de um sorteio, em 3 grupos de 10 indivduos, dos quais os

    grupos I e II foram submetidos a tcnica de alongamento ativo do msculo trceps

    sural e o grupo III apenas avaliao inicial e final para controle.

    No grupo I realizou-se 30 segundos de alongamento e 60 segundos de

    repouso, com trs sries em cada membro. A mdia de idade deste grupo foi de

    20,9 anos (desvio padro 2,38). O grupo II realizou 60 segundos de alongamento e

    60 segundos de repouso, igualmente com trs sries em cada membro. A mdia de

    idade do grupo II foi de 21,6 anos (desvio padro 2,17). No grupo III ou controle no

    foi realizada nenhuma tcnica de alongamento visando o ganho de flexibilidade

    muscular. Este obteve uma mdia de idade de 21,1 anos (desvio padro 1,91).

    O grupo muscular envolvido neste estudo foi o trceps sural, que mesmo em

    pessoas saudveis, pode apresentar algum grau de encurtamento por cruzar

    mltiplas articulaes (KOTTKE e LEHMANN, 1994; KENDALL, McCREARY e

    PROVANCE, 1995). Esse grupo muscular se alonga mais facilmente com a tcnica

    ativa do alongamento que com a passiva (HILLMAN, 2002).

    Os critrios de excluso deste estudo foram: limitao do movimento articular

    por alterao estrutural e no por retrao muscular; alterao neurolgica do tnus

    muscular; fratura no consolidada; processo inflamatrio agudo na articulao do

    tornozelo ou em suas adjacncia, ou outros sintomas que indiquem sua presena

    como dores, hematoma, edema, ou ainda dores que contra-indiquem os

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    alongamentos; dficits de sensibilidade ou alterao da mesma; doenas

    metablicas das articulaes do tornozelo (ou outras articulaes vizinhas); doenas

    infecciosas e outras. Atletas ou indivduos que realizam atividades fsicas ou

    alongamentos tambm foram exclusos da pesquisa.

    Todos os participantes foram submetidos uma avaliao inicial, na qual foi

    inspecionada a regio do trceps sural procura de cicatrizes cirrgicas, feridas

    abertas, escoriaes de pele e presena de edema, indicativo de leses locais, foi

    realizado tambm um teste de sensibilidade tctil nesta regio. Com a ficha de

    avaliao tambm pode-se coletar os seguintes dados dos indivduos: nome, idade,

    profisso, existncia de alguma patologia ou histria de fraturas ou cirurgias

    recentes. Aps esta inspeo realizou-se a mensurao da amplitude de movimento

    do tornozelo (Anexo - A).

    A mensurao da amplitude de movimento do tornozelo foi realizada

    utilizando um gonimetro, da marca CARCI, com o objetivo de verificar o

    encurtamento do trceps sural. O gonimetro consiste em um compasso com dois

    braos longos unidos por um marcador de ngulo, que utilizado para medida de

    ngulos e determinao da amplitude de movimento articular. O gonimetro o

    instrumento mais utilizado para medir os ngulos articulares, apresenta algumas

    vantagens: um instrumento barato, de fcil manuseio e as medidas so tomadasrapidamente. A preciso da medida influenciada pela qualidade do gonimetro,

    pelas diferentes articulaes a serem medidas, pelo procedimento utilizado, pelas

    diferentes patologias e pela utilizao do movimento passivo ou ativo durante a

    realizao da goniometria (KENDALL, McCREARY e PROVANCE, 1995;

    TEDESCHI, 2002; MARQUES, 1997).

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    A mensurao foi realizada com o paciente deitado em decbito dorsal, com

    os joelhos estendidos e o p na posio anatmica. O brao fixo do gonimetro foi

    posicionado na face lateral da fbula, enquanto que o brao mvel foi colocado na

    face lateral do p, paralelo superfcie lateral do quinto metatarso, com o eixo

    posicionado na articulao do tornozelo junto ao malolo lateral, obedecendo aos

    critrios de Marques (2000).

    Os alongamentos foram realizados trs vezes por semana durante quatro

    semanas, equivalendo-se a doze sesses. O trceps sural foi submetido ao

    alongamento ativo da seguinte forma: paciente na posio ortosttica com o p

    apoiado em uma escada em frente ao espaldar (Fig. 1 e 2).

    No perodo das quatro semanas, os participantes foram instrudos a no

    realizar nenhum tipo de atividade fsica ou qualquer outro tipo de alongamento que

    poderia interferir nos resultados do estudo.

    Aps as doze sesses de alongamento, os participantes foram novamente

    submetidos a goniometria da articulao do tronozelo, na avaliao final.

    Figura 1 Posio de alongamento ativo do trceps sural vista posterior.Fonte: da autora.

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    Figura 2 Posio de alongamento ativo do trceps sural perfil.Fonte:da autora.

    A anlise estatstica foi realizada atravs do teste tStudent para as mdiasiniciais e finais entre os grupos. O nvel de significncia admitido foi = 0,05. Os

    valores foram obtidos a partir do programa Minitab verso 13 fornecido pelo

    laboratrio de estatstica da UNIOESTE.

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    4 RESULTADOS

    O grupo I, que realizou 30 segundos de alongamento, na avaliao inicial do

    membro inferior direito (MID) apresentou uma mdia de 19,4 graus de amplitude de

    movimento em dorsiflexo (desvio padro 5,08); e uma mdia de 16,7 no membro

    inferior esquerdo (MIE) (desvio padro 5,76), aps as doze sesses de alongamento

    houve um aumento das mdias para 32,7 (desvio padro 7,18) no MID e 34,6 (

    desvio padro 7,99) no MIE.

    Os resultados do grupo II, que realizou 60 segundos de alongamento, foram:

    na avaliao inicial o MID apresentou uma mdia de 23,7 (desvio padro 8,34) e o

    MIE 22,5(desvio padro 8,93), e na avaliao final aps as sesses de

    alongamento as mdias alteraram para 35,3 (desvio padro 5,94) e 36 (desvio

    padro 7,94) respectivamente.

    No grupo III ou controle as mdias iniciais foram de 23,6 (desvio padro

    5,98) no MID e 19,8 (desvio padro 5,86) no MIE, e as mdias finais alteraram para

    23,5 (desvio padro 6,58) no MID e 19,7 (desvio padro 7,18) no MIE (Tabela -1).

    Tabela 1 Valores mdios para idade e ADM inicial e final dos gupos I, II e controle.

    Fonte:da autora.

    O resultado entre as mdias final e inicial da ADM dos grupos I, II e III foram

    os seguintes: grupo I aumentou 13,3 no MID e 17,9 no MIE; no grupo II o aumento

    Idade ADM i D ADM i E ADM f D ADM f E

    Grupo 1 20,9 19,4 5,08 16,7 5,76 32,7 7,18 34,6 7,99

    Grupo 2 21,6 23,7 8,341 22,5 8,935 35,3 5,945 36,0 7,944

    Controle 21,1 23,6 5,985 19,8 5,865 23,5 6,587 19,7 7,181

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    foi de 11,6no MID e 13,5 no MIE; no grupo III ou controle no obteve alterao

    estatstica, diminuindo 1 na ADM (Grfico 1).

    Mdia das ADMs dos grupos - Inicial e Final.

    0

    10

    20

    30

    40

    50

    MID Inicial MID Final MIE Inicial MIE FinalMembro Avaliado

    ADM(graus)

    3060

    Controle

    Grfico 1 Valores mdios de ADM inicial e final para os grupos I, II e controle.Fonte:da autora.

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    5 DISCUSSO

    O grupo controle, no qual dez pessoas foram mensuradas na avaliao inicial

    e final, no apresentou alterao significativa na ADM dos participantes sem a

    aplicao das tcnicas de alongamento, podendo ser analisada atravs da mdia

    (Grfico 1). Entre os dez, oito participantes alteraram a ADM em at trs graus, e

    dois permaneceram com a mesma amplitude.

    Segundo ALTER (1999), as fibras musculares so incapazes de alongar-se

    ou estender-se sozinhas, para ocorrer o alongamento, uma fora externa ao msculo

    deve ser recebida. Portanto, para que ocorra ganho de flexibilidade necessria a

    aplicao de um programa de exerccios planejados e regulares.

    Atravs deste programa de alongamento ativo realizado no grupo muscular

    trceps sural, no perodo de 30 e 60 segundos obteve-se aumento da ADM em

    graus, levando a concluir que ocorreu adaptao plstica no tecido muscular,

    aumentado assim sua flexibilidade.

    Quando um tecido ou material submetido a uma fora pode ocorrer uma

    mudana na forma ou tamanho do material. Essa resposta depende de muitas

    variveis: o tipo de material, a quantidade de fora, a durao da fora, a

    temperatura do material entre outras. Essas mudanas so chamadas de

    deformaes. Esse comportamento ocorre de acordo com as propriedades dos

    materiais. No tecido muscular a plasticidade a propriedade de assumir um

    comprimento novo e maior aps a fora de alongamento ter sido removida (ALTER,

    1999; DEYNE, 2001; KISNER e COLBY, 1998).

    A manuteno de uma determinada atitude corporal parece propiciar

    mudanas estruturais no msculo estriado esqueltico como forma de adaptao

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    estrutural, sendo essas alteraes responsveis pela perda de flexibilidade. A

    diminuio no comprimento da fibra muscular mantida em encurtamento, que pode

    ocorrer quando se mantm uma postura inadequada, associado a perda da

    extensibilidade, devido a alteraes no tecido conjuntivo, diminuem a amplitude de

    movimento (ROSA, GABAN e PINTO; 2002).

    A quantidade e durao da fora aplicada e a temperatura do tecido durante a

    realizao do alongamento so os principais fatores que determinam o grau de

    alongamento. Um mtodo de alongamento de fora baixa requer mais tempo para

    produzir a mesma quantidade de alongamento que um mtodo de fora mais alta.

    Contudo a proporo de alongamento tecidual que permanece depois que o

    estresse removido maior para um mtodo de fora baixa e de longa durao. A

    fora mais alta, com alongamento de curta durao, favorece a recuperao da

    deformao do tecido elstico, enquanto a fora baixa, alongamento de longa

    durao aumenta a deformao plstica permanente (ANDREWS, HARRELSON e

    WILK, 2000; ALTER, 1999 ).

    O tecido muscular bastante adaptvel, o limite terico do alongamento do

    sarcmero enquanto ainda se mantm pelo menos uma ponte cruzada entre os

    filamentos de actina e miosina excede 50% do seu comprimento de repouso. Dessa

    maneira, os elementos contrteis de um msculo so capazes de aumentar at 50%do comprimento de repouso, permitindo assim, que os msculos movam-se atravs

    de uma grande amplitude de movimento (ALTER, 1999 ).

    Alm disso, o nmero de sarcmeros, o comprimento da fibra e o

    comprimento do sarcmero demonstram ajustar-se ao comprimento funcional de

    todo o msculo.

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    Muitos so os estudos abordando a capacidade de adaptao do msculo

    estriado esqueltico, quando mantido em certo grau de extenso. Essa habilidade

    de adaptao foi demonstrada por ALDER et al (2002), que identificaram uma

    diminuio no comprimento do msculo esqueltico, aps certo perodo na posio

    encurtada.

    A diminuio no comprimento de msculos mantidos encurtados foi devido a

    perda de sarcmeros em srie, e seu aumento, quando mantido em posio

    alongada, foi por acrscimo desta unidade funcional (ROSA, GABAN e PINTO;

    2002).

    Quando o msculo estirado ou encurtado, o sarcmero passa a atingir um

    comprimento maior ou menor do que o de repouso e, portanto, h reduo na

    sobreposio entre seus filamentos contrteis. O ajuste parece ocorrer ento para

    que o comprimento do sarcmero retorne ao seu comprimento funcional (TABARY,

    TARDIEU e GOLDSPINK, 2002).

    Pode se observar nos resultados dos participantes do grupo I, um aumento de

    13,3 no MID e 17,9 no MIE. Enquanto que no grupo II o aumento foi de 11,6 no

    MID e 13,5 no MIE. O aumento da flexibilidade pode ser observado pelas

    diferenas das mdias inicias e finais de ambos os grupos. A diferena em graus do

    grupo I e II no apresentou variao estatstica. O mesmo resultado foi obtido comBANDY e IRION (1994), quando compararam a eficcia de 15, 30 e 60 segundos de

    alongamento dos msculos posteriores da perna. Seu estudo revelou que 30 e 60

    segundos de alongamento eram mais eficazes em aumentar a flexibilidade dos

    msculos posteriores da coxa que alongar por 15 segundos ou nenhum

    alongamento. Alm disso, nenhuma diferena importante existiu entre alongar 30

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    segundos e por 60 segunods, indicando que 30 segundos de alongamento dos

    msculos posteriores da coxa era to eficaz quanto a durao maior.

    Grady e Saxena (1991) tambm concluram que um alongamento de 30

    segundos adequado para melhorar a flexibilidade, com ganhos adicionais mnimos

    quando o alongamento estendido para um ou dois minutos.

    A pesquisa de BORMS et al (1971), afirma que uma durao de 10 segundos

    de alongamento esttico o suficiente para melhorar a flexibilidade do quadril. De

    acordo com BATES (1971), 60 segundos de alongamento mantido so favorveis

    para aumentar e manter a flexibilidade.

    Tambm parece haver uma diferena de opinio quanto freqncia mais

    eficaz ou nmero de repeties. O trabalho de Taylor et al (1990) feito com animais

    sugere que o maior alongamento muscular ocorre durante os primeiros quatro

    alongamentos estticos de uma srie de dez. WALLIN et al (1985) estudaram a

    freqncia com a qual um programa de alongamento deve ser realizado para

    melhorar ou manter a flexibilidade. Aps a flexibilidade ter sido aumentado por meio

    de um treinamento, uma sesso de alongamento por semana foi necessria para

    manter os aumentos. Trs sesses de alongamento por semana melhoram a

    flexibilidade, mas ganhos maiores na flexibilidade foram obtidos quando o

    alongamento foi realizado por cinco vezes por semana.Com os dados obtidos neste trabalho verificou-se que o aumento da

    flexibilidade em propores efetivas equivalente tanto com o alongamento de 30

    quanto com o de 60 segundos.

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    6 CONCLUSO

    Pode-se concluir aps a coleta e avaliao dos dados, que um treinamento de

    flexibilidade aplicado corretamente uma tcnica muito eficaz para aumentar a

    amplitude de movimento de uma articulao.

    Com o presente estudo foi possvel observar ganho de ADM na articulao do

    tornozelo dos participantes que realizaram o alongamento ativo do trceps sural por

    um perodo de trinta dias com uma freqncia de trs vezes por semana.

    Atravs da comparao das mdias dos grupos, concluiu-se que tanto o

    alongamento realizado por um perodo de 30 ou de 60 segundos tem o mesmo

    efeito teraputico, na melhora da flexibilidade muscular.

    Como no houve uma diferena significativa entre o tempo de aplicao do

    alongamento defende-se o treinamento de flexibilidade da articulao do tornozelo

    em um perodo de 30 segundos visando ganho de ADM.

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