Nas asas do águia

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A autobiografia de uma garota em busca do seu propósito de vida, que culminou na criação do Método Águia – desenvolvendo idosos saudáveis, numa narrativa divertida e emocionante sobre carreira, casamento, maternidade, envelhecimento, perseverança e Amor. “Não foi difícil voltar ao trabalho. Eu já tinha tomado minha decisão, mesmo antes de casar. Eu teria uma vida. Por mais amor que pudesse sentir por outro ser, por mais que fizesse questão de ser uma mãe presente, nunca poderia abrir mão da minha vida por meus filhos. Eu não queria que o tempo se encarregasse de transformar meus dependentes em independentes, enquanto me soterrava sob os escombros de quem fui um dia, a ponto de não mais me encontrar. Fracassei. A esta altura, já tinha me perdido, e nem percebera. Não foi culpa do meu garotinho. Não foi culpa de garoto nenhum. Fui eu. Talvez, todas as vozes “Você vai ver quando crescer!”, estivessem ditando um ritual pré- programado, um roteiro a ser seguido, e eu segui, inconsciente.”

Text of Nas asas do águia

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  • NAS ASAS DO GUIA

    Cristiane Peixoto

    So Paulo, 2014

    Talentos Da Literatura Brasileira

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  • 2014IMPRESSO NO BRASILPRINTED IN BRAZIL

    DIREITOS CEDIDOS PARA ESTA EDIO NOVO SCULO EDITORA LTDA.

    Alameda Araguaia, 2190 11 andar CJ 1111CEP 06455 000 Barueri SP

    Tel. (11) 3699 7107 Fax (11) 3699 7323www.novoseculo.com.br

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    Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)(Cmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

    ndices para catlogo sistemtico:1. Crnicas : Literatura brasileira 869.93

    Copyright 2014 by Cristiane Peixoto

    Texto adequado s normas do Novo Acordo Ortogrfico da Lngua Portuguesa (Decreto Legislativo n 54, de 1995)

    Coordenao EditorialDiagramao

    CapaPreparao de texto

    Reviso

    Letcia TefiloLus PereiraElisa MedeirosThiago FragaFabrcia RomanivNovo Sculo

    Peixoto, CristianeNas asas do guia / Cristiane Peixoto. -- Barueri, SP : Novo Sculo Editora, 2014.-- (Talentos da Literatura Brasileira)

    1. Crnicas brasileiras I. Ttulo.

    14-12284 CDD-869.93

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  • GratidoQue todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o

    seu trabalho; isto um dom de Deus.(Eclesiastes 3:13)

    Fora, Deus de todo Universo, por me sustentar nos momentos difceis e, principalmente, por me conduzir pelos caminhos floridos deste mundo de provaes. Obrigada. Que eu possa ser usada mais e mais.

    Ao meu marido, Marcelo, pelo companheirismo, pela compreenso, pelo amor de cada dia. Obrigada.

    Aos meus filhos, Luan, Theo e Victor, pela oportunidade de ser me, pela confiana e pela admirao. Obrigada.

    Aos meus velhinhos, Nelson e Nair, pela vida, pela criao, pelo amor, pela dedicao que me trouxe at aqui. Obrigada.

    Ao meu grande amigo e mentor Rubens Cristofani, pela inspirao, parceria, amizade, chacoalhes, e por todas as verdades que compartilhamos. Obrigada.

    Ao meu amigo e parceiro de trabalho, William Fernando Boudakian de Oliveira, por acreditar no sonho, desde sempre. Obrigada. Voc um dos melhores terrqueos que conheo.

    Ao meu amado tio e escritor, Carlos Bruni, pelo exemplo de vida e pelo despertar que me proporcionou. Obrigada.

    A todos os meus alunos, por confiarem em mim sua sade e compartilharem um pedao de suas vidas. Obrigada.

    Aos que eu amo incondicionalmente. Obrigada.A todas as vidas que tocaram a minha, ainda que no

    saibam. Obrigada.Aos leitores, por viverem este tempo comigo. Obrigada.

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  • Obrigada, obrigada, obrigada.

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  • 7Dizem que um bom comeo um prenncio de bons ventos. Bons ventos que traro coisas boas, se uma pessoa causa uma boa impresso, se um lugar te traz uma boa sensao logo que voc o adentra, se um livro te prende logo no primeiro pargrafo Comeos.

    Talvez por acreditar nisso eu me veja sentada neste banquinho improvisado, tentando me colocar no momento em que voc est agora, procurando o comeo certo para embarcarmos juntos nesta viagem, com destino a um pedao de universo, que voc poder usar como quiser.

    Penso em frases como era uma vez, ou tudo comeou, mas preciso libertar minha mente repleta de velhos clichs e deixar fl uir o que quer que seja que este pedacinho de universo deseja revelar.

    Eu tenho pouco tempo agora. Os compromissos interminveis da agenda esto me obrigando a olhar no relgio a cada cinco minutos. Preciso ir embora, algum me espe

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  • 8ra chegar para tornar sua vida melhor. Eu amo isso. Apesar das frases que chegam todos os dias nas redes sociais, apesar dos filmes, dos livros, dos depoimentos, dos conselhos amigos, das histrias que ouvimos, eu no gostaria de ter uma vida com uma agenda mais vazia, pelo contrrio. Sinto me capaz, simplesmente capaz, de fazer diversas coisas em um dia. Para que desperdiar isso? Tenho a sensao de que h tanto para se fazer, e a vida passa to rpido! Eu sei. Aprendi bem isso com eles. Eles sempre dizem quando piscar os olhos, parece que foi ontem A vida passa muito rpido, mas eu sempre terei o agora. Aprendi isso tambm, e por isso que, em cada agora, posso ser e fazer o que quiser, pois eu escolhi o que tem na agenda, assim como escolho faz lo plenamente. Salvo excees, claro.

    Tenho uma famlia, e essa minha maior conquista. A histria da minha vida prova que casar foi uma grande superao. Superao de crenas, medos, uma fora interior com armas em punho para me defender dos perigos. E, alm de casar, tive trs filhos. Estou casada h quase uma dcada. Nem acredito! Sou a nica garota em casa, rodeada de homens por todos os lados praticamente uma ilha! Se tivessem me contado que isso aconteceria, quando eu era uma garota perdida, eu diria: Que horas passa o prximo foguete para Marte?!. No entanto, justamente em como cheguei a este ponto que desejo comear, pois foi com a minha famlia que tudo comeou a acontecer, de verdade.

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  • 9 melhor no precisar de ningum. melhor ter metas e sonhos que se possa realizar sozinho. Essas foram as frases que me fortaleciam durante um

    perodo da vida, que chamo de negro. Perodo negro, fase negra, ou at pegando emprestado lado negro da fora. Foi culpa daquele garoto. Ele fez algo que nenhuma garota poderia superar: rejeitou me na escola, durante todo o Ensino Fundamental, s porque eu no quis namorar quando eu tinha dez anos. J ele, era muito experiente, era repetente, mais velho, tinha doze. Ele me deu um apelido idiota que pegou at os dias de hoje. Meu pai costuma us lo sempre que deseja me demonstrar amor, e no um paradoxo. O garoto devia mesmo ter me apelidado com muito carinho, antes de eu ter partido seu corao. Ele se defendeu sendo muito cruel, virou o Menino Malvado das Belas Pernas.

    Aos quinze anos me apaixonei por outro garoto, aquela sensao de passar mal. Aproveito para deixar um pedido e

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    uma prece, para que todos possam conhecer, ou ter conhecido, sensao assim. Demorou para eu perceber que aqueles tremores, as palpitaes, o suor frio, as mos geladas, o rubor no rosto no eram, na verdade, problema hormonal, defeito da sandlia, falta de condicionamento fsico, cafena em excesso (at porque eu nunca tomei caf). Era mesmo a reao fsica a um sentimento nunca antes conhecido, nem mesmo com o Menino Malvado das Belas Pernas. Ele era a criatura mais especial que conhecera, no era como ningum, era um menino cor de lavanda, entre o azul e o violeta, um Menino Anjo. Ele tambm me rejeitou. A entra o segundo culpado.

    Com base em experincias dramticas, conclu que homem fazia mal, e que era melhor fazer algo bom da minha vida, e nunca me casar, se quisesse ser feliz.

    melhor no precisar de ningum. melhor ter metas e sonhos que se possa realizar sozinho.E, claro, como minha autoestima sempre foi positiva:No se pode confiar nos homens. Eles no tm bom gos

    to (nem corao).Sempre gostei de danar. Aos doze anos j sabia que

    queria ter uma escola de dana. Naquela poca, escolhi a faculdade de Educao Fsica. Um dia teria minha escola. J que faria essa faculdade, iria precisar de algum curso que me ajudasse na administrao do meu negcio. Decidi fazer curso tcnico de Administrao. Escolhi o que considerava melhor. Precisaria fazer um vestibulinho, porque era uma escola concorrida. Aos catorze anos, por fim, comecei uma deliciosa rotina: estudava de manh, o ltimo ano do Ensino Fundamental, almoava na casa da minha av, caminhava at

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    a biblioteca municipal do bairro, ficava l at o horrio de fechamento, s dezessete horas, estudando para o vestibulinho. Voltava a p, ia para a academia de dana fazer aula de ballet trs vezes por semana, e jazz as outras duas. Todos os dias. Todos os dias. Todos os dias.

    Lembro me de estar na fila, ao lado dos meus pais, esperando entrar na rea da secretaria para ver se eu havia sido aprovada. Ufa. Havia conseguido. Alvio! Engraado: alvio, no alegria.

    Prxima etapa do plano: entrar no vestibular. Tinha que ser a USP. Educao Fsica tem currculos muito diferentes nas universidades, e, para o que eu queria, a USP era a ideal. Passei o Ensino Mdio fazendo um curso tcnico. O currculo era muito diferente, eu precisaria de um cursinho se quisesse ingressar na Fuvest. Naquela poca, tinha uma rotina interessante: escola, estgio, ballet e jazz. Almoava uma marmita quase fria em menos de cinco minutos, andava de metr, saa de casa antes das sete e voltava depois das vinte horas. Tinha que decidir se iria fazer o cursinho junto com o ltimo ano do Ensino Mdio e abandonar o estgio em Administrao, ou se iria esperar o curso terminar, e fazer o cursinho no ano seguinte, com mais calma. E perder um ano? Nunca. Ento, adeus estgio, ol, cursinho, semana cheia, fins de semana dedicados aos estudos para o vestibular, nada de festas, de viagens, de almoar fora Mas essa a parte que minha me se lembra. Eu nem me lembrava.

    Fazer a prova da Fuvest foi um ritual de gratido e desafio. Desde as pessoas que trabalharam para elaborar aquelas questes, at as pessoas que me ajudaram a preparar o crebro para respond las. Desde as pessoas que limparam

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    aquela sala, at meus lpis apontados no estojo. Sem falar nos meus pais, que investiram em escolas, no cursinho, na educao, em mim, at que eu chegasse quela carteira da deciso. Do momento em que cheguei at o que conclu a prova, tudo vivido com muita intensidade. Mas uma coisa no saa da minha c