NATALIA BONETI MOREIRA

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  • NATLIA BONETI MOREIRA

    PERCEPO DA QUALIDADE DE VIDA EM ATLETAS DO BASQUETEBOL MASTER: ASSOCIAO COM O NVEL DE

    ATIVIDADE FSICA, DEPENDNCIA DE EXERCCIO FSICO E LESES ESPORTIVAS

    CURITIBA 2014

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  • NATLIA BONETI MOREIRA

    PERCEPO DA QUALIDADE DE VIDA EM ATLETAS DO BASQUETEBOL MASTER: ASSOCIAO COM O NVEL DE ATIVIDADE FSICA,

    DEPENDNCIA DE EXERCCIO FSICO E LESES ESPORTIVAS

    Dissertao apresentada como requisito parcial para a obteno do Ttulo de Mestre em Educao Fsica do Programa de Ps-Graduao em Educao Fsica, do Setor de Cincias Biolgicas da Universidade Federal do Paran.

    Orientador: Prof. Dr. Wagner de Campos Co-orientadora: Prof. Dra. Gislaine Cristina Vagetti

  • TERMO DE APROVAO

  • Para as pessoas mais importantes em minha vida... Meus pais Aparecido e Jucide Meu irmo Eduardo.

  • AGRADECIMENTOS

    Quero agradecer primeiramente a Deus pela minha vida, minha sade e

    pelas oportunidades e pessoas que encontrei pelo caminho e que vieram cada um

    a sua maneira, engrandecer meus dias e me fazer evoluir.

    Aos meus grandes tesouros, Aparecido, Jucide e Eduardo, por nunca me

    deixarem desistir e serem os grandes incentivadores desse ttulo. Obrigada por

    fazerem parte de todas as estapas da minha vida.

    Aos meus grandes padrinhos acadmicos, Valdomiro e Gislaine, por terem

    disponibilizado tamanha oportunidade, pelo incentivo e por todo apoio.

    Ao meu amigo e companheiro, Ragami, por entender minhas ausncias,

    mudanas de humor e muitas horas de estudo. Obrigada por toda pacincia e

    carinho.

    Ao orientador Prof. Dr. Wagner de Campos, pela oportunidade de ingresso

    no programa de ps-graduao da UFPR, pela compreenso, tranqilidade,

    amizade e sabedoria.

    Aos membros da Banca Examinadora, por sua gentileza e disponibilidade.

    Aos amigos de laboratrio Oldemar, Guilherme, Bozza, Rafael, Roseane,

    Michael, Tiago, Renato e Rose pela participao no processo de minha formao.

    Aos amigos que auxiliaram na coleta de dados como profissionais,

    comprometidos e responsveis: Valdomiro, Gislaine, Oldemar, Priscila, Guilherme

    e Lvia.

    Aos atletas participantes do XXVIII Campeonato Brasileiro de Basquetebol

    Master que generosamente colaboraram para que esse trabalho fosse realizado.

    coordenao do XXVIII Campeonato Brasileiro de Basquetebol Master

    que me receberam com muita gentileza.

    Coordenao de Aperfeioamento de Pessoal de Nvel Superior (CAPES)

    pela bolsa concedida.

    Aos professores e funcionrios do Departamento de Educao Fsica da

    UFPR pela amizade e apoio nesse processo.

    Aos meus parentes e amigos que de alguma maneira apoiaram e

    contriburam para que eu chegasse at aqui.

    A todos que colaboram de forma direta ou indireta na realizao desta

    pesquisa.

  • RESUMO

    O presente estudo tem como objetivo verificar a associao entre o nvel de atividade fsica (NAF), dependncia do exerccio fsico (DEF) e leses esportivas com as dimenses relacionadas percepo da qualidade de vida relacionada sade (QVRS) em atletas do basquetebol master. Amostra: a amostra do presente estudo foi composta por 410 atletas masters do sexo masculino com idade entre 35 e 85 anos (52,26 11,83), participantes do Campeonato Brasileiro de Basquetebol Master, que praticam o basquetebol h pelo menos 8 meses. Instrumentos de medida: para avaliao da QVRS foi utilizado o instrumento Medical Outcomes Study, Short Form36. O NAF foi avaliado por meio do International Physical Activity Questionnaire. Informaes referentes DEF e as leses esportivas foram coletadas por meio da Negative Addiction Scale e do Inqurito de Morbidade Referida, respectivamente. Variveis sociodemogrficas e as caractersticas esportivas foram avaliadas por questionrios padronizados, visando a caracterizao da amostra e controle das anlises estatsticas. Anlise dos dados: a regresso de Poisson mediante estimativas de Razo de Prevalncia (RP) foi utilizada como medida de associao do NAF, DEF e leso esportiva com a QVRS. Resultados: os modelos de regresso ajustados evidenciaram uma associao positiva do NAF com os domnios Capacidade Funcional (RP = 1,46; 95%IC = 1,12-1,90) e Componente Fsico (RP = 1,32; 95%IC = 1,03-1,70) da percepo da QVRS, bem como a associao negativa da baixa DEF e dos domnios Capacidade Funcional (RP = 1,47; 95%IC = 1,06-2,04), Aspectos Fsicos (RP = 2,59; 95%IC = 1,84-3,64), Dor (RP = 1,62; 95%IC = 1,08-2,41), Estado Geral de Sade (RP = 1,45; 95%IC = 1,04-2,02), Aspectos Sociais (RP = 2,04; 95%IC = 1,47-2,85), Aspectos Emocionais (RP = 2,88; 95%IC = 2,03-4,08), Componente Fsico (RP = 2,19; 95%IC = 1,59-3,02) e Componente Mental (RP = 2,24; 95%IC = 1,66-3,02) da percepo da QVRS dos atletas masters, bem como a mdia DEF e os domnios: Capacidade Funcional (RP = 1,43; 95%IC = 1,08-1,89), Aspectos Fsicos (RP = 1,70; 95%IC = 1,21-2,38), Estado Geral de Sade (RP = 1,35; 95%IC = 1,00-1,81), Aspectos Emocionais (RP = 1,80; 95%IC = 1,27-2,56), Componente Fsico (RP = 1,31; 95%IC = 1,13-2,11) e Componente Mental (RP = 1,53; 95%IC = 1,14-2,06). A leso esportiva tambm esteve negativamente associada aos domnios Capacidade Funcional (RP = 1,85; 95%IC = 1,51-2,27), Aspectos Fsicos (RP = 3,99; 95%IC = 3,08-5,18), Dor (RP = 1,65; 95%IC = 1,26-2,16), Aspectos Sociais (RP = 1,79; 95%IC = 1,41-2,27), Aspectos Emocionais (RP = 4,40; 95%IC = 3,35-5,78), Sade Mental (RP = 1,37; 95%IC = 1,06-1,68), Componente Fsico (RP = 2,35; 95%IC = 1,90-2,90) e Componente Mental (RP = 2,65; 95%IC = 2,14-3,29) da percepo da QVRS. Concluses: De acordo com os achados desta pesquisa, foi possvel concluir que o NAF pode contribuir positivamente para alguns domnios fsicos da percepo da QVRS, j a DEF e a leses esportivas podem diminuir os nveis de percepo da QVRS, tanto em aspectos fsicos quanto mentais da QVRS. Palavras-Chave: Qualidade de Vida. Atividade Motora. Dependncia de Exerccio. Leses Esportivas. Atletas. Basquetebol.

  • ABSTRACT

    The present study aims to determine the association between physical activity level (PA), physical exercise dependence (PED) and sports injuries with the perception of health-related quality of life (HRQoL) dimensions in master basketball athletes. Sample: The study sample included 410 male master athletes aged between 35 and 85 years (52.26 11.83), of the Campeonato Brasileiro de Basquetebol Master, practicing basketball for at least 8 months. Measuring instruments: HRQoL was assessed using the instrument Medical Outcomes Study - Short Form-36. The PA was assessed using the International Physical Activity Questionnaire. Information regarding the PED and sports injuries were collected by Negative Addiction Scale and the Reported Morbidity Survey, respectively. Sociodemographic characteristics and sports were assessed by standardized questionnaires to characterize the sample and control the statistical analyzes. Data analysis: Poisson regression estimated by the prevalence ratio (PR) was used as a measure of association of PA, PED and sports injury with HRQoL. Results: The adjusted regression models showed a positive association of PA with Functional Capacity (PR = 1.46, 95%CI = 1.12-1.90) and Physical Component (PR = 1.32, 95%CI = 1.03-1.70 ) of the HRQoL perception, as well as the negative association of low PED and Functional Capacity (PR = 1.47, 95%CI = 1.06-2.04), Physical Aspects (PR = 2.59, 95%CI = 1.84-3.64), Pain (PR = 1.62, 95%CI = 1.08-2.41), General Health (PR = 1.45, 95%CI = 1.04-2.02), Social Functioning (PR = 2.04, 95%CI = 1.47-2.85), Emotional Aspects domains (PR = 2.88 , 95%CI = 2.03-4.08), Physical Component (PR = 2.19, 95%CI = 1.59-3.02) and Mental Component (PR = 2.24, 95%CI = 1.66-3.02) of masters athletes perceived HRQoL, as well as the moderated PED and domains: Physical Functioning (PR = 1.43, 95%CI = 1.08-1.89), Physical Aspects (PR = 1.70, 95%CI = 1.21-2.38), General Health (PR = 1.35, 95%CI = 1.00-1.81), Emotional Aspects (PR = 1.80, 95%CI = 1.27-2.56), Physical Component (PR = 1.31, 95%CI = 1.13-2.11) and Mental Component (PR = 1.53, 95%CI = 1.14-2.06). The sports injury was also negatively associated with perception of HRQoL in Functional Capacity (PR = 1.85, 95%CI = 1.51-2.27), Physical Aspects (PR = 3.99 , 95%CI = 3.08-5.18), Pain (PR = 1.65, 95%CI = 1.26-2.16), Social Functioning (PR = 1.79, 95%CI = 1.41-2.27), Emotional Aspects (PR = 4.40 , 95%CI = 3.35-5.78), Mental Health domains (PR = 1.37, 95%CI = 1.06-1.68), Physical Component (PR = 2.35, 95%CI = 1.90-2.90) and Mental Component (PR = 2.65, 95%CI = 2.14-3.29). Conclusions: According to the findings of this research, PA can positively contribute to some physical perception HRQoL domains, while PED and sports injuries may decrease the perceived HRQoL levels, both physical and mental aspects of HRQoL. Key-Words: Quality of Life. Motor Activity. Exercise Dependence. Athletic Injuries. Athletes. Basketball.

  • LISTA DE ILUSTRAES!

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    FIGURA 1 - CONCEITO DE QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA SADE............................................................................................. 32

    FIGURA 2 - ESTRUTURA DO QUESTIONRIO SF-36..................................... 48

  • LISTA DE TABELAS E QUADROS!

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    QUADRO 1 - DESCRIO DOS INSTRUMENTOS, VARIVEIS E CATEGORIAS UTILIZADAS NA ANLISE DOS DADOS...... 40

    QUADRO 2 - CLASSIFICAO DO NDICE DE MASSA CORPORAL

    PARA ADULTOS DE ACORDO COM A ORGANIZAO MUNDIAL DE SADE............................................................. 42

    TABELA 1 - CARACTERIZAO DA AMOSTRA DO ESTUDO................ 50 TABELA 2 - MDIA, DESVIO PADRO, MEDIANA, VALOR MNIMO E

    MXIMO DOS ESCORES DE QVRS DOS ATLETAS MASTERS, DO CAMPEONATO BRASILEIRO DE BASQUETEBOL MASTER, 2012........................................... 53

    TABELA 3 - CARACTERSTICAS DAS LESES DOS ATLETAS

    MASTERS NOS LTIMOS OITO MESES, DO CAMPEONATO BRASILEIRO DE BASQUETEBOL MASTER, 2012 (n = 239)........................................................ 53

    TABELA 4 - PROPORO DE ATLETAS NO MAIOR ESCORE DE

    CADA DOMNIO DA PERCEPO DA QVRS SEGUNDO AS VARIVEIS INDEPENDENTES (NAF, DEF E LESO ESPORTIVA), DO CAMPEONATO BRASILEIRO DE BASQUETEBOL MASTER, 2012........................................... 56

    TABELA 5 - REGRESSO DE POISSON AJUSTADA E INTERVALO

    DE CONFIANA DE 95% PARA AS VARIVEIS INDEPENDENTES (NAF, DEF E LESO ESPORTIVA) DE ACORDO COM OS DOMNIOS DA PERCEPO DA QVRS DOS ATLETAS MASTER, DO CAMPEONATO BRASILEIRO DE BASQUETEBOL MASTER, 2012............... 59

  • LISTA DE SIGLAS

    DEF Dependncia do Exerccio Fsico DP Desvio Padro IC Intervalo de Confiana IMC ndice de Massa Corporal IMR Inqurito de Morbidade Referida IPAQ International Physical Activity Questionnaire NAF Nvel de Atividade Fsica NAS Negative Addiction Scale QV Qualidade de Vida QVRS Qualidade de Vida Relacionada a Sade RP Razo de Prevalncia SF-36 Medical Outcomes Study 36-Item Short-Form Health Survey

  • SUMRIO

    1 INTRODUO...................................................................................................... 13 1.1 JUSTIFICATIVAS E IMPORTNCIA DA TEMTICA....................................... 16 1.2 SITUAAO PROBLEMA................................................................................... 20 1.3 OBJETIVOS...................................................................................................... 20 1.3.1 Objetivo Geral................................................................................................ 20 1.3.2 Objetivos Especficos..................................................................................... 20 1.4 DELIMITAO DO ESTUDO........................................................................... 21 1.5 LIMITAES DO ESTUDO.............................................................................. 21 2 REVISO DA LITERATURA............................................................................... 23 2.1 ESPORTE COLETIVO E SUAS PECULIARIDADES....................................... 23 2.1.1 Esporte Coletivo: Basquetebol....................................................................... 24 2.1.2 Esporte Coletivo: Basquetebol master e seus atletas.................................... 26 2.2 QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA SADE EM ATLETAS MASTERS. 29 2.3 DEPENDNCIA DO EXERCCIO FSICO........................................................ 31 2.4 LESO ESPORTIVA......................................................................................... 33 3 MATERIAIS E MTODOS................................................................................... 36 3.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO....................................................................... 36 3.2 PLANEJAMENTO AMOSTRAL........................................................................ 36 3.2.1 Populao e amostra..................................................................................... 36 3.2.2 Clculo amostral............................................................................................ 37 3.2.3 Critrios de incluso....................................................................................... 37 3.2.4 Critrios de excluso e amostra final............................................................. 38 3.3 PLANEJAMENTO DA COLETA DE DADOS.................................................... 38 3.3.1 Estudo piloto.................................................................................................. 38 3.3.2 Coleta de dados............................................................................................. 39 3.4 INSTRUMENTOS DE PESQUISA.................................................................... 39 3.4.1 Descrio dos instrumentos de pesquisa...................................................... 41 3.4.1.1 Formulrio com os dados de identificao e dados scio-demogrficos.... 41 3.4.1.2 Perfil antropomtrico................................................................................... 41 3.4.1.2.1 Estatura e massa corporal....................................................................... 41 3.4.1.2.2 ndice de massa corporal......................................................................... 42 3.4.1.3 Classificao econmica............................................................................. 42 3.4.1.4 Nvel de atividade fsica.............................................................................. 43 3.4.1.5 Dependncia do exerccio fsico................................................................. 43 3.4.1.6 Leso esportiva........................................................................................... 44 3.4.1.7 Qualidade de vida relacionada sade...................................................... 45 3.5 CRITRIOS TICOS DO ESTUDO.................................................................. 49 3.6 TRATAMENTO DE DADOS E ESTATSTICA.................................................. 49 4 RESULTADOS.................................................................................................... 50 5 DISCUSSO........................................................................................................ 60 6 CONSIDERAES FINAIS................................................................................. 70 REFERNCIAS........................................................................................................ 72 APENDICES............................................................................................................. 90 APNDICE A CARTA DE AUTORIZAO (ESTUDO PILOTO)........................... 91 APNDICE B CARTA DE CONCORDNCIA DOS SERVIOS ENVOLVIDOS.. 92 APNDICE C TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO........... 93 APENDICE D CARTA DE APROVAO DO COMIT DE TICA...................... 96 ANEXOS................................................................................................................... 99 ANEXO 1 QUESTIONRIO SOCIODEMOGRFICO........................................... 100 ANEXO 2 CARACTERSTICAS ESPORTIVAS..................................................... 101

  • ANEXO 3 QUESTIONRIO PARA A CLASSIFICAO ECONMICA................ 102 ANEXO 4 QUESTIONRIO INTERNACIONAL DE ATIVIDADE FSICA.............. 104 ANEXO 5 QUESTIONRIO DE DEPENDNCIA DO EXERCCIO FSICO.......... 105 ANEXO 6 INQURITO DE MORBIDADE REFERIDA........................................... 107 ANEXO 7 QUESTIONRIO QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA SADE.. 108

  • 13

    1. INTRODUO

    A prtica regular de exerccios fsicos amplamente conhecida por

    promover inmeros benefcios para a sade do indivduo (SNYDER et al.,

    2010; SILVA et al., 2011; LIS et al., 2010; BRACH et al., 2004; BYBERG et al.,

    2009). Diante disso, a participao esportiva tem sido utilizada como um

    mecanismo para que nveis suficientes de tal prtica sejam atingidos (SNYDER

    et al., 2010), deixando o esporte numa posio de destaque na sociedade.

    Entre os esportes em evidncia est o basquetebol, uma modalidade coletiva

    que praticada mundialmente, por diferentes classes sociais e idades

    (FEDERAO BRASILEIRA DE BASQUETEBOL MASTER, 2014).

    Atualmente, em decorrncia do aumento da longevidade da populao e

    sua preocupao com a sade e bem-estar, tem sido observado um aumento

    gradual na participao em atividades esportivas em indivduos na idade adulta

    e avanada (GAZALE; PIREDDA, 2010; MARON et al., 2001; TANAKA;

    SEALS, 2008; WILKS et al., 2009). Esses fatores tm chamado a ateno para

    o basquetebol master, criado na dcada de 60, composto por atletas com mais

    de 35 anos que mantm um regime de exerccios regulares e rigorosos at

    uma idade avanada, sendo chamados de atletas masters (MICHAELIS et al.,

    2008; WILKS et al., 2009), constituindo um modelo para o envelhecimento

    bem-sucedido (RITTWEGER et al., 2009; ROSENBLOOM; BAHNS, 2006).

    O basquetebol master foi iniciado na Argentina, e consecutivamente foi

    expandido para outros pases, sendo amplamente aceito. Em poucos anos

    percorreu o mundo dando origem aos campeonatos masters, superando no

    apenas barreiras demogrficas, mas tambm as barreiras fsicas e mentais,

    ultrapassando os limites impostos pela sociedade. No Brasil, esta categoria do

    basquetebol foi implementada na dcada de 80, e em 2013, aps 29 anos

    ininterruptos de competies nacionais, o basquetebol master brasileiro

    congrega 27 associaes, representando 19 estados brasileiros (FEDERAO

    BRASILEIRA DE BASQUETEBOL MASTER, 2014).

    Neste contexto, como resultado no apenas do aumento da populao

    adulta e idosa mundial (GOMES et al., 2013; BEARD et al., 2012; UNITED

    NATIONS, 2011), mas tambm da prtica esportiva nessa populao

    (GAZALE; PIREDDA, 2010; MARON et al., 2001; TANAKA; SEALS, 2008;

  • 14

    WILKS et al., 2009), a literatura cientfica tem demonstrado um crescente

    interesse nesses indivduos, com a finalidade de proporcionar um

    envelhecimento ativo e saudvel por meio do incentivo da prtica de exerccios

    fsicos e a manuteno e promoo da sade, possibilitando uma maior

    longevidade acompanhada por uma melhor qualidade de vida (QV).

    A QV tem sido amplamente utilizada para a avaliao de fatores

    relacionados sade e bem estar (MOTL; MCAULEY, 2010), sendo definida

    como a percepo do indivduo em relao a sua posio na vida, contexto

    cultural e sistema de valores em que vive, considerando suas metas,

    expectativas, padres e preocupaes (WORLD HEALTH ORGANIZATION

    QUALITY OF LIFE, 2002). Alm da satisfao de necessidades bsicas como

    alimentao, moradia, trabalho, sade, lazer e educao; valores no materiais

    como solidariedade, amor, insero social, felicidade e realizao pessoal

    compem tal conceito (KRETZER et al., 2010; CUNHA; MORALES;

    SAMULSKI, 2008).

    Devido importncia e a busca de uma boa QV da populao, a

    literatura tem estudado continuamente os principais determinantes da sua

    percepo em indivduos de diversas faixas etrias (ALENCAR et al., 2010;

    DOIMO; DERNTL, 2006), com diferentes caractersticas (YU et al., 2013;

    KRETZER et al., 2010; ABELL et al., 2005; HAKKINEN et al., 2010; VAGETTI

    et al., 2013a,b) e diferentes nveis de atividade fsica (CRUZ et al., 2008;

    PERNAMBUCO et al., 2012; PUCCI et al., 2012). De maneira conjunta,

    pesquisas recentes tm avaliado a qualidade de vida relacionada sade

    (QVRS) em atletas, revelando maiores ndices nessa populao quando

    comparados a indivduos no atletas, tanto em aspectos de sade mental

    quanto fsicos e sociais (SNYDER et al., 2010; MODOLO et al., 2009; CEVADA

    et al., 2012).

    A literatura revela que a prtica de exerccios fsicos pode estar

    relacionada a alguns domnios da QVRS dos indivduos (CRUZ et al., 2008; YU

    et al., 2013; KRETZER et al., 2010), pois tal prtica proporciona inmeros

    benefcios relacionados tanto promoo da sade fsica, incluindo o menor

    risco de morbidade e mortalidade por diversas doenas crnicas no

    transmissveis, como a obesidade e diabetes (AMERICAN COLLEGE OF

    SPORTS AND MEDICINE, 2009; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2008;

  • 15

    JOKL; SETHI; COOPER, 2004; BYBERG et al., 2009; KRETZER et al., 2010;

    ROSENBLOOM; BAHNS, 2006; CUNHA et al., 2010; MELLO et al., 2010;

    PALUSKA; SCHWENK, 2000; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2010), bem

    como a sua influncia positiva em dimenses psicolgicas, reduzindo ndices

    de depresso, ansiedade e estresse (SILVA et al., 2011; ARAUJO; MELLO;

    LEITE, 2007; CHEIK et al., 2003).

    Com base nessas informaes, a QVRS considerada como uma

    importante abordagem multidimensional que considera sintomas fsicos,

    mentais e sociais, bem como limitaes causadas por uma doena (SEIDL;

    ZANNON, 2004), sendo um importante fator para a avaliao do impacto

    provocado por eventos como leses e enfermidades, e possibilitar a

    identificao de efetivos tratamentos e intervenes (SNYDER et al., 2010;

    MCLEOD et al., 2009). Diante disso, torna-se evidente que a QVRS para os

    atletas apresenta caractersticas peculiares, pois alm de ser influenciada por

    fatores estressantes, caractersticos do meio esportivo competitivo, tambm

    pode estar relacionada a fatores de sade, como doenas ou deficincias que

    afetem o sistema musculoesqueltico (MICHAELIS et al., 2008). Esses fatores

    quando no enfrentados de maneira positiva podem gerar pensamentos

    negativos, diminuio de autoconfiana e bem-estar, aumento dos nveis de

    ansiedade, comprometimento do rendimento esportivo e de sua sade mental

    (NIPPERT; SMITH, 2008; NABKASORN et al., 2006), o que

    consequentemente, poder afetar sua QVRS.

    De maneira conjunta, tais fatores podem ser potencializados pela

    exposio excessiva a atividade desportiva em qualquer nvel de desempenho,

    constituindo assim, uma situao de risco para o desenvolvimento de uma

    relao de dependncia (TEIXEIRA et al., 2011; HAUSENBLAS; COOK;

    CHITTESTER, 2008) e/ou ocorrncia de leses (AGUIAR et al., 2010;

    KNOWLES et al., 2006; KUJALA, 2005; PODLOG; EKLUND, 2007). A prtica

    excessiva de exerccios pode desencadear um comportamento compulsivo,

    tornando o indivduo dependente do exerccio. Esse comportamento,

    classificado como dependncia do exerccio fsico (DEF), referido como uma

    necessidade ou nsia por exerccio fsico, de maneira incontrolvel em pratic-

    lo de forma excessiva, podendo ser considerado percursor de outros

    problemas, que se manifestam tanto por sintomas fisiolgicos de tolerncia e

  • 16

    abstinncia e/ou psicolgicos (por exemplo, ansiedade e depresso)

    (MODOLO et al., 2009), como por sintomas de ordem musculoesqueltica, ou

    seja, as leses, que so parte integrante de qualquer atividade desportiva e

    podem ser divididas em dois grupos principais: de forma progressiva (overuse,

    ou seja, sobrecarga ou exposio excessiva ao mesmo gesto esportivo) ou por

    condies traumticas (IVKOVIC et al., 2007; NUNES et al., 2010), causadas

    por exemplo, no basquetebol pelas disputas de bola e o contato entre os

    jogadores (MOREIRA; GENTIL; OLIVEIRA, 2003).

    Durante muito tempo as leses eram tratadas exclusivamente do ponto

    de vista biomdico. No entanto, dadas as mudanas que ocorreram nos ltimos

    anos no meio esportivo, a leso passou a ser ponto de estudo de outros

    campos de conhecimento; entre eles os fatores psicolgicos que podem estar

    diretamente associados predisposio de leses, ao tempo de reabilitao e

    retorno s atividades desportivas, e ao nvel de sucesso do processo de

    reabilitao (SUSSMAN; LISHA; GRIFFITHS, 2011; VEALE, 1987; BERCZIK et

    al., 2012).

    Neste contexto, a DEF (HAUSENBLAS; DOWNS, 2002; ASSUNO;

    CORDS; ARAJO, 2002) e as leses esportivas causam alteraes na vida

    dos atletas de todas as modalidades, dentre elas o basquetebol master, e so

    causas frequentes de afastamento temporrio ou definitivo, nas mais diferentes

    categorias e nveis tcnicos (NUNES et al., 2010; RUSCHEL et al., 2009;

    HENSEL; PERRONI; LEAL JUNIOR, 2008).

    Tendo em vista essas discusses, apresenta-se a seguir as justificativas

    e a importncia da elaborao de uma investigao sobre o nvel de atividade

    fsica (NAF), DEF e leses esportivas e sua relao com a QVRS em atletas

    masters do basquetebol.

    1.1 JUSTIFICATIVAS E IMPORTNCIA DA TEMTICA

    Apesar de uma vasta gama de estudos mostrarem a importncia da

    prtica de exerccios fsicos e da prtica esportiva (SILVA et al., 2011; LIS et

    al., 2010; BRACH et al., 2004; BYBERG et al., 2009), entre elas a prtica do

    basquetebol, para uma vida saudvel, outras pesquisas indicam alguns riscos

  • 17

    relacionados a essas atividades, como a DEF (ARAUJO; MELLO; LEITE, 2007;

    CHEIK et al., 2003; HAUSENBLAS; DOWNS, 2002; ASSUNO; CORDS;

    ARAJO, 2002; NUNES et al., 2007; MODOLO et al., 2011; SUSSMAN;

    LISHA; GRIFFITHS, 2011; BERZICK et al., 2012) e as leses esportivas

    (AGUIAR et al., 2010; ATALAIA; PEDRO; SANTOS, 2009; FONG et al., 2007;

    PILLEGI et al., 2010; SIMOES, 2005; MANN et al., 2010; SANTOS et al.,

    2010), que podem afetar tanto aspectos fsicos quanto psicolgicos, e

    consequentemente, gerar uma queda significativa em seu desempenho e/ou

    afastamento de sua atividade, que poder implicar na reduo de sua

    percepo de sade e QVRS.

    O basquetebol citado como um esporte dinmico que exige uma ampla

    preparao fsica, ttica e tcnica dos atletas, sendo considerado um esporte

    gerador de estresse (MARQUES; ROSADO, 2005). Esse fator pode gerar

    alteraes mentais e psicolgicas no atleta, aumentando o risco da prtica

    excessiva de exerccios fsicos, que pode evoluir para a DEF (MODOLO et al.,

    2009; TEIXEIRA et al., 2011; HAUSENBLAS; COOK; CHITTESTER, 2008), e

    consequemente, aumentar o risco das leses esportivas em detrimento da

    sobrecarga fsica (AGUIAR et al., 2010; KNOWLES et al., 2006; KUJALA,

    2005; PODLOG; EKLUND, 2007). Contudo, o impacto gerado por estas

    alteraes de acordo com a percepo da QVRS do atleta master ainda

    incerta, pois pouco foi estudado sobre o assunto. Alm disso, o basquetebol

    tambm citado como um dos esportes com maior incidncia de leses

    esportivas (BOROWISKI et al., 2008; VAZ et al., 2008; GAGE et al., 2012).

    Contudo, as caractersticas de tais leses, como a localizao e o mecanismo

    de leso, ainda so incertas em atletas masters.

    Na busca realizada em bancos de dados nacionais (LILACS e SciELO) e

    internacionais (PubMed/Medline; SportDiscus, Web of Science e PsycoInfo),

    poucos estudos abordam a DEF e a QVRS em atletas acima de 35 anos

    (LINCHTENSTEIN et al., 2014; MODOLO et al., 2011; ANTUNES et al., 2006).

    Em geral os estudos so conduzidos com atletas jovens (COOK et al., 2013),

    categorias individuais (ANTUNES et al., 2006) ou com vrias categorias

    agrupadas (MODOLO et al., 2011). Nesta busca, nenhum estudo brasileiro que

    relacione a DEF com a percepo da QVRS em atletas do basquetebol master

    foi identificado.

  • 18

    De maneira conjunta, uma busca foi realizada nos bancos de dados

    acima citados com a leso esportiva e a QVRS, apenas doze estudos foram

    identificados (KLEIBER et al., 1987; TURNER; BARLOW; HEATHCORE, 2000;

    MCALLISTER et al., 2001; MCALLISTER et al., 2003; VON PORAT; ROOS;

    ROOS, 2004; GUSKEWICZ et al., 2007; IRGENS et al., 2007; NICHOLAS et

    al., 2007; HUFFMAN et al., 2008; KUEHL et al., 2010; MALINAUSKAS et al.,

    2010; KERR; MARSHALL; GUSKIEWICZ, 2012). Destes estudos grande parte

    foi composta por vrias categorias agrupadas (KLEIBER et al., 1987;

    MCALLISTER et al., 2001; MCALLISTER et al., 2003; HUFFMAN et al., 2008;

    KUEHL et al., 2010; MALINAUSKAS et al., 2010), ou foram realizados com o

    futebol (TURNER; BARLOW; HEATHCORE, 2000; GUSKEWICZ et al., 2007;

    NICHOLAS et al., 2007; VON PORAT; ROOS; ROOS, 2004; KERR;

    MARSHALL; GUSKIEWICZ, 2012). As demais pesquisas encontradas que

    relacionavam a leso esportiva com a QVRS foram realizadas com atletas

    jovens (MCGUINE et al., 2012; MCLEOD et al., 2009; SAUERS et al., 2011;

    SNYDER et al., 2010; MELLER et al., 2007; CESAR; GONZALEZ; GONZALEZ,

    2006; ANANDACOOMARASAMY; BARNSLEY, 2005). Nesta busca, nenhum

    estudo brasileiro que relacione a leso esportiva com a percepo da QVRS

    em atletas do basquetebol master foi encontrado.

    Com base nessas informaes, torna-se evidente a escassez de estudos

    com a DEF, leso esportiva e QVRS em atletas do basquetebol master.

    Contudo, quando essas variveis so abordadas, a populao de estudo em

    sua maioria, composta por atletas jovens. A generalizao de tais dados para

    atletas adultos e idosos invivel, pois quando comparamos esses grupos

    sabemos que os sinais do envelhecimento esto mais evidentes em indivduos

    com idade mais avanada, ou seja, as estruturas corporais j apresentam

    sinais de desgaste, como as alteraes no sistema cardiovascular, pulmonar,

    dermatolgico e musculoesqueltico (MAYOR, 2012; FOSTER et al., 2007;

    WRIGHT; PERRICELI, 2008), o que pode alterar a percepo da QVRS do

    indivduo, variando de acordo com o impacto gerado pelas alteraes naturais

    que ocorrem durante esse processo (GUEDES et al., 2012). Alm disso, a

    maneira com que o indivduo encara essas alteraes, bem como os valores e

    experincias vivenciadas ao decorrer dos anos levam a mudanas na

    percepo da sade e QVRS do indivduo com o avanar da idade (MOLZAHN

  • 19

    et al., 2011). Dessa maneira, torna-se evidente a necessidade de estudos com

    os atletas do basquetebol master, pois essa populao apresenta

    caractersticas especficas e diferenciadas quando comparadas a atletas

    jovens.

    A anlise da DEF, leso esportiva e QVRS permitiro a identificao das

    alteraes ou consequncias causadas pela presena de DEF ou leses

    esportivas em relao percepo da QVRS dos atletas do basquetebol

    master, direcionando pesquisadores, profissionais e conferedees para aes

    preventivas, com o intuito de proporcionar um estilo de vida mais saudvel de

    maneira conjunta prtica esportiva. Com essas informaes, os atletas

    podero ter conhecimento e a conscientizao em relao aos malefcios da

    DEF e as leses esportivas em relao sua percepo de sade e QVRS, o

    que poder reduzir a prevalncia da DEF e das leses esportivas nessa

    populao.

    Outro fator importante envolve a abordagem da DEF, leso esportiva e

    QVRS. A maioria dos estudos com atletas no aborda de maneira conjunta a

    DEF e a leso esportiva quando o foco a QVRS do indivduo. Essa

    separao impede a identificao da real probabilidade de associao entre

    esses fatores, dificultando uma abordagem completa do atleta. Alm disso,

    atletas so constantemente expostos a esforos fsicos e psicolgicos muito

    prximos de seu limite (KELLER; BRAGA; COELHO, 2013), evidenciando uma

    abordagem diferenciada quando comparada a no atletas.

    Sendo assim, justifica-se a realizao desse estudo, pois o mesmo poder

    contribuir para uma maior compreenso da importncia de conhecimento dos

    nveis de DEF e NAF, da prevalncia das leses e suas caractersticas, e sua

    relao com a QVRS em atletas do basquetebol master, e posteriormente

    fornecer subsdios cientficos para os profissionais que atuem com estes

    atletas nas diferentes reas de conhecimento. Podendo ainda oferecer

    subsdios terico-prticos que auxiliaro em possveis implementaes de

    programas e intervenes para os treinadores, esportistas e federaes, com

    a perspectiva de um envelhecimento saudvel para os atletas da modalidade

    do basquetebol master.

  • 20

    1.2 SITUAO PROBLEMA

    Face aos fatos anteriormente descritos, inmeras questes poderiam ser

    levantadas, no entanto, considerando a objetividade da pesquisa foram

    estruturadas inicialmente as seguintes questes: a) Qual a relao do NAF com

    a percepo da QVRS em atletas do basquetebol master brasileiro?; b) Qual a

    relao da DEF com a percepo da QVRS em atletas do basquetebol master

    brasileiro?; c) Qual a relao das leses esportivas com a percepo da QVRS

    em atletas do basquetebol master brasileiro?

    A partir dessas questes norteadoras outras so formuladas para

    entender melhor a QVRS do atleta master e suas interconexes: a) Qual o

    perfil sciodemogrfico da populao investigada (faixa etria, estado civil,

    ndice de massa corporal, escolaridade e nveis socioeconmicos)?; b) Qual

    o perfil esportivo (anos de prtica, frequncia de prtica do basquetebol e

    prtica de outro exerccio fsico) dos atletas do basquetebol master brasileiro?;

    c) Quais so as leses esportivas com maior prevalncia no basquetebol

    master brasileiro?; d) Quais as caractersticas das leses esportivas entre os

    atletas do basquetebol master brasileiro?

    Sendo assim, com tais questes os seguintes objetivos foram

    elaborados para o presente estudo:

    1.3 OBJETIVOS

    1.3.1 Objetivo Geral

    Verificar a associao entre o nvel de atividade fsica (NAF), dependncia

    do exerccio fsico (DEF) e leses esportivas com as dimenses relacionadas

    percepo da QVRS em atletas do sexo masculino do basquetebol master

    brasileiro.

    1.3.2 Objetivos Especficos

    - Caracterizar o perfil sciodemogrfico (faixa etria, ndice de massa

  • 21

    corporal, escolaridade, situao ocupacional, estado civil, classe econmica) e

    esportivo (anos de prtica, frequncia de prtica do basquetebol e prtica de

    outro exerccio fsico) da populao investigada;

    - Verificar a prevalncia e as caractersticas das leses esportivas em

    atletas do basquetebol master do sexo masculino;

    - Verificar a associao entre o NAF e a percepo da QVRS em atletas do

    basquetebol master do sexo masculino;

    - Verificar a associao entre a DEF e a percepo da QVRS em atletas do

    basquetebol master do sexo masculino;

    - Verificar a associao entre as leses esportivas e a percepo da QVRS

    em atletas do basquetebol master do sexo masculino.

    1.4 DELIMITAO DO ESTUDO

    Participaram do estudo 410 atletas do basquetebol master, do sexo

    masculino, com idade entre 35 e 85 anos, participantes do Campeonato

    Brasileiro de Basquetebol Master, que praticam o basquetebol h pelo menos 8

    meses. Os atletas entrevistados pertencem a diferentes estados do Brasil. As

    principais variveis analisadas no estudo foram NAF, DEF, leses esportivas e

    QVRS. Foram excludos da pesquisa os atletas com problemas neurolgicos e/

    ou psicolgicos que poderiam comprometer o preenchimento dos

    questionrios.

    1.5 LIMITAES DO ESTUDO

    A atual pesquisa possui algumas limitaes. A primeira est relacionada

    representatividade da amostra, composta por atletas participantes do

    Campeonato Brasileiro de Basquetebol Master. Essa caracterstica inviabiliza a

  • 22

    extrapolao dos resultados populao de outros atletas ou brasileira como

    um todo. A segunda limitao est relacionada utilizao de um delineamento

    transversal para indicar associaes entre as variveis, uma vez que uma

    caracterstica inerente ao delineamento transversal a possibilidade de

    causalidade reversa. Essas limitaes, embora no diminuam a importncia do

    presente estudo, indicam cautela na interpretao dos resultados do presente

    estudo.

  • 23

    2 REVISO DA LITERATURA

    Com o intuito de explorar as variveis que sero analisadas no presente

    estudo, uma breve reviso de literatura foi elaborada. Primeiramente sero

    abordados os aspectos relacionados ao esporte coletivo e, especificamente,

    o basquetebol e os atletas masters. Em seguida, a QVRS, NAF, DEF e

    leses esportivas sero exploradas sucessivamente.

    2.1 ESPORTE COLETIVO E SUAS PECULIARIDADES

    Nas ltimas dcadas, o esporte se tornou um fenmeno mundialmente

    reconhecido, motivando tanto acontecimentos internacionais, com grandes

    movimentaes financeiras e sociais, quanto locais, envolvendo grupos

    especficos com diferentes objetivos. Essas caractersticas fornecem ao

    esporte novos significados, tornando-o um fenmeno sciocultural que varia de

    acordo com o seu contexto e os objetivos de seus praticantes (PIMENTEL;

    GALATTI; PAES, 2010).

    O esporte definido como uma atividade competitiva institucionalizada,

    realizada de acordo com tcnicas, habilidades e objetivos definidos pelas

    modalidades esportivas, determinado por regras pr-estabelecidas que lhe do

    forma, significado e identidade, podendo tambm, ser praticado com liberdade

    e finalidade ldica estabelecida por seus praticantes (BARBANTI, 2003;

    MARON et al., 2001). A atividade esportiva uma atividade fsica, ou seja,

    qualquer movimento corporal produzido pelos msculos esquelticos que

    resultem em gasto energtico (CASPERSEN; POWELL; CHRISTENSON,

    1985), porm que envolva a competio formal e organizada (BARBANTI,

    2003). Sendo assim, o esporte representado em sua complexidade pelas

    modalidades esportivas, que de acordo com as suas caractersticas peculiares

    e regras especficas so classificados em esporte coletivo e individual.

    O esporte coletivo, originado em antigas civilizaes, possui uma grande

    insero social manifestando-se em diversos cenrios, apresentando um

    carter ldico processual do exerccio fsico (LOVATTO; GALLATI, 2007). De

    maneira geral, o esporte coletivo classificado pelo trabalho esportivo em

  • 24

    equipe, incluindo coordenao, agilidade, percepo temporal e espacial, alm

    do desenvolvimento cognitivo na organizao tcnica e ttica do jogo. Os

    esportes coletivos mais populares apresentam uma interao com o oponente,

    como o futebol, basquetebol, futsal e voleibol (GONZALEZ, 2004).

    Segundo Daolio (2002), as modalidades esportivas coletivas podem ser

    agrupadas em uma nica categoria pelo fato de todas possurem seis

    invariantes: uma bola (ou implemento similar), um espao de jogo, parceiros

    com os quais se joga, adversrios, um alvo a atacar (e, de forma

    complementar, um alvo a defender) e regras especficas. O conhecimento

    destes fatores imprescindvel para o sucesso dos jogadores, que so

    amplamente testados durante as competies.

    Para o atleta, estar inserido na competio esportiva com o melhor

    desempenho pela busca de vitrias significa manter um nvel atingido com

    muito sacrifcio, pois para ser um competidor efetivo, necessria a superao

    dos mais elevados nveis de exigncias fsicas, tcnicas, tticas e psicolgicas.

    Esse sacrifcio inclui, tambm, aspectos relacionados a sua vida pessoal, no

    dependendo da modalidade praticada, pois o objetivo principal dos atletas

    obter o melhor desempenho e, sempre que possvel, vencer (DE ROSE

    JUNIOR; DESCHAMPS; KORSAKAS, 1999).

    Um dos esportes que constituem a categoria coletiva o basquetebol, uma

    modalidade conhecida internacionalmente, sendo considerado um dos esportes

    mais populares do mundo. A seguir, sero abordados os conceitos e aspectos

    relacionados ao basquetebol.

    2.1.1 Esporte Coletivo: Basquetebol

    Dentre os esportes coletivos est o basquetebol que desde a sua criao,

    em 1891, at os dias atuais tem evoludo de maneira expressiva (OLIVEIRA;

    PAES, 2003, 2012). Atualmente, o basquetebol praticado por mais de 300

    milhes de pessoas em todo mundo, abrangendo crianas, adolescentes,

    adultos e idosos de diferentes nacionalidades. Inicialmente, o basquetebol foi

    institudo com caractersticas ldicas, contudo, desde a sua criao at os dias

    atuais o esporte tem assumido um carter competitivo (CONFEDERAO

  • 25

    BRASILEIRA DE BASQUETEBOL, 2014), composto por regras e fundamentos

    especficos, sendo representado por competies realizadas em diferentes

    ambientes, abrangendo desde os campeonatos locais at mundiais

    (PIMENTEL; GALATTI; PAES, 2010).

    No Brasil, um dos primeiros pases a conhecer esta modalidade,

    considerou o basquetebol em seu auge como o segundo esporte mais popular

    do pas (CONFEDERAO BRASILEIRA DE BASQUETEBOL, 2014),

    apresentando importantes conquistas internacionais no mbito competitivo, e

    na contemporaneidade tem sido vinculado prtica de exerccios fsicos e

    esportivos pela sociedade, sendo considerada uma alternativa para incentivar

    hbitos relacionados sade e QVRS da populao (PIMENTEL; GALATTI;

    PAES, 2010).

    O basquetebol apresenta uma grande variao de aes durante o jogo,

    sendo considerado um esporte complexo e imprevisvel, que envolve um

    processo dinmico e contnuo de situaes especficas (DE ROSE JUNIOR;

    DESCHAMPS; KORSAKAS, 2001; LIMA; MONTEIRO; BERGAMO, 2006),

    desenvolvidas em grande velocidade e com mudanas constantes de ritmo,

    intensidade e dinamismo (BORIN et al., 2007). A execuo efetiva de

    movimentos nesse esporte depende das capacidades fsicas, coordenativas e

    perceptuais, alm das habilidades motoras e cognitivas, exigindo concentrao,

    controle e confiana (DE ROSE JUNIOR; DESCHAMPS; KORSAKAS, 2001;

    LIMA; MONTEIRO; BERGAMO, 2006).

    Diante desta perspectiva, o basquetebol caracterizado como um esporte

    de coordenao e oposio (LIMA; MONTEIRO; BERGAMO, 2006), que exige

    um alto nvel na execuo dos movimentos, tornando necessrio uma boa

    preparao fsica, tcnica e ttica de seus praticantes. Para os atletas do

    basquetebol, esses fatores aliados aos aspectos psicolgicos envolvidos na

    prtica de qualquer esporte competitivo, so decisivos na determinao de seu

    desempenho e, at mesmo, na definio dos resultados dos jogos (DE ROSE

    JUNIOR; DESCHAMPS; KORSAKAS, 2001). Com isso, os aspectos

    relacionados prtica do basquetebol devem ser enfatizados desde a sua

    iniciao esportiva, afinal, ela tambm evidenciada, e muitas vezes

    potencializada, em fases adultas da vida, especificamente em decorrncia de

    problemas fsicos (MOREIRA; GENTIL; OLIVEIRA, 2003; MACKAY et al.,

  • 26

    2001; CUMPS; VERHAGEN; MEEUSEN, 2007) e psicossociais (FREITAS et

    al., 2009; MARQUES; ROSADO, 2003; MIGUEL; BRANDO; SOUZA, 2009).

    Assim, pode-se dizer que problemas em qualquer um desses aspectos,

    causados por uma sobrecarga fsica ou psicolgica, podem representar

    declnios em seu desempenho ou interrupo em sua atividade esportiva.

    Torna-se portanto necessrio verificar quais mecanismos e atividades devem

    ser utilizados ou evitados para que uma ao preventiva possa ser realizada,

    de acordo com o treinamento do basquetebol embasado nas cincias do

    desporto. Tal situao amplificada quando falamos de atletas masters, que

    alm de apresentarem o risco de problemas fsicos e psicolgicos, como

    qualquer indivduo exposto a situaes exaustivas, apresenta de maneira mais

    evidente os sinais do envelhecimento (MARON et al., 2001).

    Com isso, o conhecimento do basquetebol master, bem como sobre os

    atletas que compem essa categoria e suas principais caractersticas, so

    imprescindveis para estimular a prtica do basquetebol master de modo

    seguro. Sendo assim, a seguir, o prximo tpico ir abordar o basquetebol

    master e seus atletas.

    2.1.2 Esporte Coletivo: Basquetebol master e seus atletas

    O basquetebol master composto por competies organizadas

    especificamente para atletas adultos e idosos (MARON et al., 2001;

    MICHAELIS et al., 2008; WILKS et al., 2009), consistindo em um conglomerado

    de vrias organizaes independentes que representam uma grande variedade

    de categorias esportivas em nvel de competies internacionais, nacionais e

    locais. Atualmente, mais de 50 pases patrocinam eventos esportivos para

    atletas masters, com uma maior participao dos Estados Unidos, Canad,

    Europa Ocidental, partes da sia e Amrica do Sul (MARON et al., 2001).

    Esta categoria esportiva, criada em 1969, possui um crescente nmero de

    atletas e, atualmente, conhecida em todo mundo. No Brasil, o basquete

    veterano foi iniciado no Rio de Janeiro, por um grupo de atletas que queriam

    estender o seu convvio social, organizando assim encontros semanais onde

    pudessem comentar suas jogadas e feitos, partilhando-as com os amigos e

  • 27

    familiares. Este movimento cresceu em todo o pas, at que em 1985 os atletas

    do basquetebol master organizaram o primeiro encontro nacional, combinando

    confraternizao e competio. Em 2013, o evento nacional realizado

    anualmente completou 29 anos ininterruptos de competio, evidenciando o

    sucesso da categoria no Brasil (FEDERAO BRASILEIRA DE

    BASQUETEBOL MASTER, 2014).

    Tal perspectiva vai ao encontro de estudos populacionais que, em

    decorrncia do crescimento da populao de adultos e idosos, indicam o

    envelhecimento mundial da populao (KINSELLA; HE, 2009; UNITED

    NATIONS, 2011). O avano da cincia e a melhoria das condies gerais de

    vida tm contribudo para controlar e tratar muitas das doenas responsveis

    por maiores ndices de mortalidade, tanto em pases desenvolvidos como nos

    pases em desenvolvimento, aumentando a expectativa de vida da populao

    (MATSUDO; MATSUDO; BARROS NETO, 2000).

    De maneira conjunta a essas mudanas, ao longo das ltimas dcadas tem

    sido testemunhado um aumento gradual na participao em esportes,

    principalmente em indivduos na idade adulta e avanada (GAZALE; PIREDDA,

    2010; MARON et al., 2001; TANAKA; SEALS, 2008; WILKS et al., 2009),

    tornando a categoria master cada vez mais popular. Entretanto, at o

    momento, as pesquisas pouco tem contribudo para o conhecimento dos

    atletas masters e de suas caractersticas, uma vez que essas so diferentes

    quando comparadas aos atletas jovens. Os veteranos apresentam os sinais do

    envelhecimento mais evidentes, em decorrncia da combinao das alteraes

    fsicas e mentais que ocorrem durante o processo natural de envelhecimento

    do ser humano (MAYOR, 2012; FOSTER et al., 2007; WRIGHT; PERRICELI,

    2008). Dessa maneira, estudos com os atletas masters so de profunda

    importncia para a evoluo desta categoria esportiva.

    Os participantes do esporte master variam amplamente em idade, porm

    so caracterizados como atletas acima de 35 anos (MARON et al., 2001;

    MICHAELIS et al., 2008; WILKS et al., 2009), com a maioria entre 40 e 50

    anos, e do sexo masculino. De maneira geral, esses atletas iniciaram mais

    cedo sua atividade esportiva e continuam competindo aps o fim de sua

    carreira profissional, realizando um regime de treinamento espordico, e

    continuam participando de competies (MARON et al., 2001).

  • 28

    Estudiosos propem que os atletas masters, representem um modelo ideal

    para o envelhecimento saudvel, devido a sua longa participao em

    exerccios de alta intensidade (RITTWEGER et al., 2009; HAWKINS;

    WISWELL; MARCELL, 2003; FELAND; HAGER; MERRILL, 2005;

    ROSENBLOOM; BAHNS, 2006; SILVA et al., 2012; TANAKA; SEALS, 2008).

    Diante de tal perspectiva, acredita-se que o sedentarismo, em sua totalidade,

    deve, portanto, desempenhar um papel de menor importncia nas mudanas

    que ocorrem nesses atletas em relao idade (MICHAELIS et al., 2008), pois

    o esporte tem se mostrado como uma excelente ferramenta para a manuteno

    das capacidades fsicas de seus praticantes (AMERICAN COLLEGE OF

    SPORTS MEDICINE, 2009). Por esta razo, as organizaes cientficas

    internacionais promovem a prtica regular de exerccios fsicos e esportivas

    para a preveno primria e secundria de sade (GAZALE; PIREDDA, 2010).

    Inmeros estudos de interveno tm demonstrado os benefcios fsicos

    promovidos pela prtica regular de exerccios fsicos estimulando positivas

    adaptaes na musculatura esqueltica em adultos de todas as idades. Pode-

    se incluir alguns exemplos como, o aumento da massa e fora muscular

    (TRAPPE; WILLIAMSON; GODARD, 2002; ROTH et al., 2001), o aumento da

    expectativa de vida (GALLOWAY; JOKL, 2000) e o menor risco de doenas

    cardiovasculares (JOKL; SETHI, 2004; KIRSCHKE et al., 2006; PATERSON;

    JONES; RICE, 2007; FARINATTI, 2008; GAZALE; PIREDDA, 2010; MARON et

    al., 2001).

    Outro fator amplamente discutido na literatura como resultado da prtica de

    exerccios fsicos so os benefcios psicolgicos e mentais por ele

    proporcionados, como a reduo dos ndices de depresso, ansiedade e

    estresse (SILVA et al., 2011; ARAUJO; MELLO; LEITE, 2007; CHEIK et al.,

    2003). Esta prtica pode estar relacionada a alguns domnios da QVRS (CRUZ

    et al., 2008; YU et al., 2013; KRETZER et al., 2010). Com base nessas

    informaes, a QVRS considerada como uma importante abordagem

    multidimensional que considera diferentes aspectos dos atletas masters, e ser

    abordada no prximo tpico.

  • 29

    2.2 QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA A SADE EM ATLETAS

    MASTERS

    O termo QV comeou a ser utilizado na dcada de 70 (LASSEY; LASSEY,

    2001), e tem recebido a ateno de diferentes reas do conhecimento nos

    ltimos anos (IRIGARAY; TRENTINI, 2009). De acordo com estudiosos da

    Organizao Mundial de Sade, a QV definida como um conceito

    multidimensional (WHOQOL GROUP, 2006; WORLD HEALTH

    ORGANIZATION, 2002), que permite a anlise de vrias dimenses de sade,

    entre elas a fsica, psicolgica e a social (PARSONS; SNYDER, 2011). Devido

    a esses fatores, a QV pode ser referida como a qualidade de vida geral (QVG)

    ou qualidade de vida relacionada sade (QVRS). O conceito de QVG

    baseado na definio da sensao de bem-estar e felicidade, sem referncia a

    problemas de sade ou distrbios. J, a QVRS, uma importante abordagem

    multidimensional que considera sintomas fsicos, mentais e sociais, bem como

    limitaes causadas por uma doena (SEIDL; ZANNON, 2004).

    A QVRS inclui elementos positivos e negativos, sendo a percepo do

    indivduo em relao a sua posio na vida no contexto da cultural e sistemas

    de valores em que ele vive, levando em considerao seus objetivos,

    expectativas, padres e preocupaes (FLECK et al., 1999), bem como a

    satisfao de suas necessidades bsicas como alimentao, moradia, trabalho,

    sade, lazer e educao, valores no materiais como solidariedade, amor,

    insero social, felicidade e realizao pessoal (MINAYO; HARTZ; BUSS,

    2000).

    Como pode ser observado na Figura 1 (PARSONS; SNYDER, 2011), o

    conceito de QVRS composto por critrios tanto subjetivos (nveis de

    satisfao de vida, autoestima, bem-estar), quanto objetivos (sade geral,

    capacidade funcional, nvel scio-econmico), e tambm pode ser influenciado

    pelos valores do indivduo e da sociedade em que vive, sendo, portanto,

    diferente de indivduo para indivduo e podendo mudar no decorrer da vida

    (NAHAS, 2010; STEINHILBER, 2003; MAZO, 2008; IRIGARAY; TRENTINI,

    2009). Dessa maneira, a mensurao da QVRS se torna complexa, pois

    representa uma avaliao nica, individual e modificvel, ou seja, os valores de

    referncia do indivduo podem mudar com o passar do tempo, alterando assim

  • 30

    suas prioridades de vida e, consequentemente, alterando sua definio de

    QVRS (IRIGARAY; TRENTINI, 2009; PARSONS; SNYDER, 2011).

    FIGURA 1 - CONCEITO DE QUALIDADE DE VIDA RELACIONADA SADE

    FONTE: PARSONS E SNYDER (2011)

    Como mencionado anteriormente, a sociedade est passando por um

    processo de modificaes em detrimento do envelhecimento da populao

    (KINSELLA; HE, 2009; UNITED NATIONS, 2011). Contudo, o aumento da

    esperana de vida ou diminuio da mortalidade no significa QVRS do

    indivduo, ou seja, ter um longo perodo de vida nem sempre significa bem-

    estar, para tal, deve-se levar em considerao a presena de doenas e

    declnio das capacidades fsicas (DANTAS; OLIVEIRA, 2003; VAGETTI et al.,

    2013b).

    Segundo Snyder et al. (2010) e Mcleod et al. (2009), a avaliao da

    percepo da QVRS importante para determinar o impacto provocado por

    eventos como leses e doenas, e possibilitar a identificao de efetivos

    tratamentos e intervenes. Nesse contexto, surge o conceito de QVRS para

    os atletas masters, que alm dos fatores supracitados, enfrentam uma srie de

    fatores estressantes mecnicos, fisiolgicos, emocionais e psicossociais

    exercidos pelo esporte, competies e vida cotidiana. Com isso, indicadores de

    QVRS so importantes para o esporte master, pois podem influenciar o

    desempenho do atleta e os resultados obtidos em competies (FREITAS et

    al., 2009).

    Devido ao crescente interesse na percepo da QVRS da populao,

    pesquisadores da rea esportiva passaram recentemente a demonstrar

    interesse em determinar quais fatores so relevantes especificamente para a

  • 31

    QVRS dos atletas (PARSONS; SNYDER, 2011; CEVADA et al., 2012; CUNHA;

    MORALES; SAMULSKI, 2008; DE ROSE JUNIOR, 2002; ZELLER et al., 2010;

    MCALLISTER et al., 2001; SGUIZATTO et al., 2006; SNYDER et al., 2010).

    Como evidenciado em vrios estudos (DE ROSE JUNIOR, 2002; MCALLISTER

    et al., 2001; MCLEOD et al., 2009; KUEHL et al., 2010; PARSONS; SNYDER,

    2011), a percepo da QVRS para os atletas pode ser influenciada por vrios

    fatores. Afinal, uma alterao em qualquer domnio por fatores psicossociais

    (por exemplo, o relacionamento com a equipe e preparao psicolgica) ou

    biolgicos (por exemplo, as leses, a falta de preparo fsico e problemas de

    sade) podem afetar diretamente seu rendimento e, consequentemente, sua

    performance na competio (CUNHA; MORALES; SAMULSKI, 2008).

    Para os atletas, apresentar uma boa percepo da QVRS significa estar

    bem de sade, tanto em aspectos de sade mental quanto em aspectos fsicos

    e sociais, com um melhor perfil comportamental e melhor capacidade funcional

    (CEVADA et al., 2012), independentemente do seu perodo de vida. Torna-se

    necessrio conhecer estudos cientficos que verifiquem tais relaes,

    principalmente em atletas com idades avanadas que ao longo das ltimas

    dcadas tm apresentado um aumento gradual em sua participao esportiva

    (GAZALE; PIREDDA, 2010; TANAKA; SEALS, 2008; WILKS et al., 2009).

    De maneira conjunta a avaliao da percepo da QVRS do atleta

    master, bem como os aspectos que possam alterar tal percepo devem ser

    levados em considerao. Um exemplo a DEF, um fator muitas vezes

    negligenciado pelos atletas, treinadores e confederaes, que podem afetar

    negativamente as dimenses psicolgicas e fsicas dos atletas. A seguir, a DEF

    e suas peculiaridades sero esclarecidas.

    2.3 DEPENDNCIA DO EXERCCIO FSICO

    A prtica de exerccios fsicos proporciona inmeros benefcios, sendo foco

    de vrias pesquisas que geralmente se reportam promoo da sade fisica

    (LI et al., 2010; BRACH et al., 2004; BYBERG et al., 2009) e sua influncia

    positiva em dimenses psicolgicas, reduzindo ndices de depresso,

    ansiedade e estresse (SILVA et al., 2011; ARAUJO; MELLO; LEITE, 2007;

  • 32

    CHEIK et al., 2003). Apesar dos benefcios fsicos e psicolgicos promovidos

    pelo exerccio fsico, sua prtica excessiva pode desencadear um

    comportamento compulsivo, tornando o indivduo dependente desta atividade

    (HAUSENBLAS; DOWNS, 2002; ASSUNO; CORDS; ARAJO, 2002).

    Neste contexto, a DEF conceituada por Hausenblas e Downs (2002),

    como uma incontrolvel e excessiva prtica de exerccios fsicos, manifestada

    por sintomas de ordem fisiolgica, como a tolerncia e abstinncia, e

    psicolgica, como a ansiedade e depresso. Dessa maneira, a DEF torna-se

    um termo adequado para retratar uma preocupao no-saudvel com a

    prtica de exerccios fsicos (BAMBER; COCKERILL; CARROLL, 2000).

    Identificar tal comportamento um fator importante para a sua preveno,

    evitando problemas posteriores, tanto psicolgicos quanto fsicos, como por

    exemplo, as leses esportivas causadas pelo excesso de exerccios fsicos

    (KNOBLOCH; YOON; VOGT, 2008; ERGEN et al., 2012).

    A DEF considerada um processo no qual a pessoa sente-se compelida

    a exercitar-se, de forma a aparecer sintomas fsicos e psicolgicos (SMITH;

    HALE, 2004). A sua caracterizao pode incluir os seguintes critrios (ROSA;

    MELLO; SOUZA-FORMIGONI, 2003): 1) Estreitamento do repertrio de

    atividades dirias, levando a um padro estereotipado de exerccios uma ou

    mais vezes por dia; 2) Salincia do comportamento de praticar exerccios,

    dando prioridade sobre outras atividades, para que seja mantido o padro de

    exerccios; 3) Aumento na tolerncia quantidade e frequncia dos exerccios

    com o decorrer dos anos; 4) Sintomas de abstinncia relacionados a

    transtornos do humor como irritabilidade, depresso e ansiedade; 5) Alvio ou

    preveno do aparecimento da sndrome de abstinncia por meio da prtica de

    mais exerccios; 6) Conscincia subjetiva da compulso pela prtica de

    exerccios; e 7) Rpida reinstalao dos padres prvios de exerccios e

    sintomas de abstinncia aps um perodo sem sua prtica.

    No basquetebol esses fatores podem ser potencializados quando o

    contexto competitivo est presente, em virtude deste esporte gerar situaes

    potencialmente geradoradoras de estresse, o que consequentemente, pode

    aumentar o risco de desenvolver a DEF. Essas caractersticas so

    evidenciadas em decorrncia das circuntncias dinmicas exigidas durante o

    jogo, como a grande concentrao, ateno e participao nas jogadas, a

  • 33

    presso gerada pela vontade de vencer a partida, e o anseio do atleta em

    desempenhar ao mximo suas habilidades (DE ROSE JUNIOR, 2002).

    Contudo, tais informaes ainda so incertas em decorrncia da escassez de

    estudos que abordem a DEF no basquetebol, especialmente, em sua categoria

    master, fato que evidencia a necessidade de estudos com esta temtica.

    Atualmente, a DEF muito estudada em outros pases (HAUSENBLAS;

    DOWNS, 2002; BERZICK et al., 2011; TERRY; SZABO; GRIFFITHS, 2004;

    HAUSENBLAS; GIACOBBI JUNIOR, 2004; WEIK et al., 2009; ALBRECHT;

    KISCHNER; GRUSSER, 2007; ADAMS; MILLER; KRAUS, 2003). Entretanto,

    pesquisas brasileiras relacionadas ao tema so escassas e, geralmente,

    retratam atletas maratonistas, corredores de aventura, com vrias categorias

    agrupadas (NUNES et al., 2007; MODOLO et al., 2011; ANTUNES et al., 2006;

    MODOLO et al., 2009), ou com atletas jovens (COOK et al., 2013), o que torna

    evidente a necessidade de estudos com outras caractersticas e modalidades

    esportivas, como o basquetebol master.

    Outro fator pouco estudado entre os atletas do basquetebol master so as

    leses esportivas e suas caractersticas, sendo assim, o prximo tpico

    abordar essas variveis e sua relao com o contexto esportivo.

    2.4 LESO ESPORTIVA

    Apesar dos benefcios provenientes da prtica regular de exerccios fsicos

    citados anteriormente, a exposio constante a modalidades esportivas em

    quaisquer nveis de performance, constitui-se uma situao de risco para

    ocorrncia de leses (AGUIAR et al., 2010; ATALAIA; PEDRO; SANTOS,

    2009). A literatura evidencia que a atividade esportiva uma das maiores

    causas de leses quando comparada a acidentes de trnsito, acidentes em

    casa, acidentes de lazer, acidentes laborais ou violncia, podendo resultar em

    dor, afastamento dos jogos ou do trabalho e gastos mdicos (FONG et al.,

    2007). Adicionalmente, entre as modalidades esportivas importante

    evidenciar que o basquetebol considerado um dos esportes com maior

    incidncia de leses esportivas (BOROWISKI et al., 2008; VAZ et al., 2008;

  • 34

    GAGE et al., 2012), fator que demonstra a necessidade de estudos especficos

    relacionados as leses em tal populao.

    Sendo assim, o conceito leso esportiva ainda muito discutido devido as

    suas divergncias na literatura. Porm, pesquisadores a definem como uma

    srie de eventos no desejados que ocorreram entre o jogador e o ambiente

    durante o exerccio fsico. Esses eventos resultam na incapacidade fsica,

    devido a uma fora que excedeu o limiar de tolerncia fisiolgica e gerou uma

    alterao, limitao ou interrupo da participao de um atleta em sua

    atividade por pelo menos um dia (ATALAIA; PEDRO; SANTOS, 2009;

    BELECHERI et al., 2001).

    No esporte essas leses esto relacionadas, principalmente, com a sua

    natureza competitiva e repetitiva, bem como aos fatores comportamentais,

    fisiolgicos e as adaptaes biomecnicas que acompanham a competio.

    Dessa maneira, a elevada exigncia fsica, a repetio do gesto tcnico e o

    desgaste causado pela prtica intensiva podem provocar um processo de

    adaptao orgnica que resulta em efeitos deletrios para o corpo, com alto

    potencial de desequilbrio muscular e de leso (ATALAIA; PEDRO; SANTOS,

    2009; GUEDES; BARBIERI; FIABANE, 2010). Outro fator importante a

    presena de fatores lesionais, por exemplo, o tipo de calado utilizado e

    adequao do campo ou quadra para treino ou competio, que aumentam a

    probabilidade da ocorrncia de leses (PILLEGI et al., 2010; SIMOES, 2005,

    MANN et al., 2010; SANTOS et al., 2011).

    Diante destes fatores, a exigncia e competitividade geradas volta dos

    mais variados tipos de esportes possibilitaram que o risco de leso tornasse

    muito elevado, tal como documentado para o futebol (HGGLUND et al., 2005;

    DVORAK et al., 2007; JUNGE; DVORAK; GRAF-BAUMAN, 2004; WALDEN;

    HAGGLUND; EKSTRAND, 2007; YOON; CHAI; SHIN, 2004), voleibol (BAHR;

    REESER, 2003; ARENA; CARAZZATO, 2007; PIRES et al., 2009), e

    basquetebol (KOFOTOLIS; KELLIS, 2007; BORIN; GONALVES; CHALITA,

    2008; DARIO; BARQUILHA; MARQUES, 2010). Tal fato evidenciado na

    literatura, porm, em sua maioria com atletas jovens (COHEN; SALA, 2010;

    MYERS et al., 2010; SCHIFF et al., 2010; DARIO; BARQUILHA; MARQUES,

    2010; BORIN; GONALVES; CHALITA, 2008; RIBEIRO et al., 2007; RIBEIRO;

    COSTA, 2006; AGUIAR et al., 2010; MOREIRA; GENTIL; OLIVEIRA, 2003)

  • 35

    deixando evidente a necessidade de estudos especficos e direcionados a

    populao que mais cresceu nos ltimos anos, ou seja, os adultos e idosos.

    Com isso, na qualidade de profissionais de sade, enquanto promotores do

    esporte e atividade fsica na perspectiva da sade, temos a responsabilidade

    de tornar a participao esportiva o mais segura possvel. Pois, o seu

    tratamento por vezes difcil, implicando em gastos econmicos e de tempo,

    sendo que estratgias de preveno de leses so cada vez mais necessrias,

    tanto por imposies a nvel econmico como para segurana dos atletas

    (ATALAIA; PEDRO; SANTOS, 2009).

  • 36

    3 MATERIAIS E MTODOS

    3.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO

    O presente estudo de carter transversal no probabilstico com

    delineamento descritivo correlacional. De acordo com Thomas, Nelson e

    Silverman (2012) os estudos correlacionais objetivam examinar a relao entre

    as variveis escolhidas, porm no pode presumir uma relao de causa e

    efeito.

    3.2 PLANEJAMENTO AMOSTRAL

    3.2.1 Populao e amostra

    O Brasil o maior pas da America Latina, com uma populao de

    190.755.799 habitantes, aproximadamente 38% dessa populao composta

    por indivduos com idade entre 30-59 e, aproximadamente 10% acima de 60

    anos (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATSTICA, 2010).

    Diante desse fato, grupos de atletas e ex-atletas masters, admiradores e

    praticantes de esportes coletivos elaboram anualmente campeonatos e

    torneios, com o intuito de divulgar o esporte e promover eventos de carter

    social, cultural e recreativo junto aos seus colaboradores, sendo desenvolvido

    em todo Brasil.

    O Campeonato Brasileiro de Basquetebol Master uma competio

    promovida pela Federao Internacional Brasileira de Basquetebol Master -

    FBBM, em conjunto com a associao sede, com a participao das 27

    associaes nacionais filiadas, em 10 categorias (30-34, 35-39, 40-44, 45-49,

    50-54, 55-59, 60-64, 65-69, 70-74 mais de 75 anos).

    Nesta perspectiva, os indivduos de interesse para este estudo so

    compostos por atletas com idade igual ou superior a 35 anos, do sexo

    masculino e que participam anualmente de campeonatos nacionais. De acordo

    com a Federao Brasileira de Basquetebol Master, no Campeonato Brasileiro

    de Basquetebol Master em 2012, realizado em Osasco, contou com a

    participao de 800 atletas do sexo masculino. Sendo assim, a populao de

  • 37

    interesse para este estudo foi composta por 800 atletas, subdivididos em suas

    respectivas associaes, que se renem anualmente para a realizao dos

    campeonatos anuais.

    3.2.2 Clculo amostral

    O clculo amostral foi baseado no estudo de Omorou et al. (2013), que

    conduziram uma pesquisa de base populacional, evidenciando uma razo de

    chance 1.8 maior de apresentar melhores nveis de percepo de QVRS dos

    indivduos esportistas quando comparados a no esportistas. Alm disso,

    foram considerados os seguintes parmetros estatsticos: (i) populao de 800

    atletas; (ii) nvel de confiana de 95%; (iii) erro amostral mximo de 5%. Desta

    forma, a amostra mnima deste estudo foi composta por 210 atletas. Em

    seguida, foi adotada a correo da amostra (deff) de 1,5, sabe-se que em raras

    excees um deff superior necessrio para correo amostral (SOUSA;

    SILVA, 2003; CARVALHO; ARAJO, 2010; MEDRONHO, 2009; MARTINS;

    VELASQUEZ-MELENDES; CERCATO, 1999); e acrescentado 20% para

    possveis perdas de dados ou recusas de participao, totalizando o valor

    amostral necessrio de 378 atletas.

    Com o intuito de verificar se a amostra do estudo tem a capacidade de

    garantir poder estatstico nas associaes entre QVRS e as variveis

    independentes (NAF, DEF e leso esportiva) foi realizada uma estimativa de

    poder amostral a posteriori para a amostra final do estudo (n = 410),

    considerando um nvel de confiana de 95% e poder de 80% no teste para a

    famlia z (Regresso de Poisson). De modo geral, o tamanho amostral desse

    estudo permite identificar valores de razo de prevalncia de 1,3 ou superiores,

    para o nvel de confiana de 95% ( = 0,05) e o poder de 80% ( = 0,20).

    3.2.3 Critrios de incluso

    Atletas com idade igual ou superior a 35 anos, que praticavam a

    modalidade esportiva (basquetebol) h pelo menos 8 meses. Neste estudo, o

    perodo de oito meses foi utilizado para permitir a avaliao das informaes

  • 38

    retroativas de leses com elevada taxa de concordncia com o diagnstico

    profissional (PASTRE et al., 2005).

    3.2.4 Critrios de excluso e amostra final

    Foram excludos da pesquisa os atletas com problemas neurolgicos e/ ou

    psicolgicos que poderiam comprometer o preenchimento dos questionrios.

    Tais critrios foram identificados por meio do contato inicial com os atletas.

    Alm disso, os atletas que no preencheram todos os questionrios foram

    excludos. Foi considerada como recusa quando o mesmo no apresentou o

    Termo de Consentimento assinado, durante a coleta dos dados.

    Dos 417 atletas que participaram da coleta de dados, 7 (1,68%) foram

    excludos por no terem completado a entrevista, ou seja, o preenchimento

    incompleto dos questionrios. Portanto, a amostra final do estudo foi composta

    por 410 atletas, representando 98,32% dos atletas avaliados.

    3.3 PLANEJAMENTO DA COLETA DE DADOS

    3.3.1 Estudo piloto

    Foi realizado um estudo piloto com 20 atletas do time de basquetebol

    mster da Sociedade Thalia (Sede Centro, Curitiba PR) no ms de Setembro

    de 2012 (APNDICE A). Os participantes do estudo piloto no foram includos

    na amostra final. O objetivo do estudo piloto foi analisar qual o melhor mtodo e

    momento para realizao das entrevistas e se os questionrios eram

    adequados para responder os objetivos da pesquisa, verificando tambm a sua

    objetividade, clareza e o tempo gasto com a sua aplicao, como tambm

    possibilitar um treinamento prvio para os avaliadores. O tempo mdio gasto

    para aplicao dos instrumentos foi de aproximadamente 30 minutos. A

    explicao dos questionrios foi dirigida de maneira lenta, com repetio das

    respostas quando necessrio, sempre com o cuidado para no conduzi-las. No

    estudo piloto no houve dificuldades por parte dos atletas em entender as

    perguntas, no sendo necessrias modificaes no instrumento de coleta de

    dados.

  • 39

    3.3.2 Coleta de dados

    Para a realizao da coleta de dados, primeiramente foi efetuado contato

    direto com o coordenador geral do campeonato brasileiro de basquetebol

    master, que ocorre anualmente em diferentes cidades do pas. Aps a

    autorizao da coordenao do evento (APNDICE B), detalhes sobre o

    mesmo foram verificados, como calendrio e locais de realizao dos jogos.

    No campeonato, primeiramente os tcnicos dos times participantes foram

    contatados para apresentao dos objetivos e relevncia do estudo, bem como

    esclarecimentos de possveis dvidas. Em seguida, com o consentimento dos

    tcnicos, os atletas foram abordados pelos avaliadores para que recebessem

    as instrues necessrias para sua participao no estudo e o TCLE

    (APNDICE C) que foi preenchido pelos participantes, autorizando o uso dos

    seus dados para fins de pesquisa. Neste termo consta uma breve explicao

    do objetivo da pesquisa e os mtodos que foram empregados, bem como as

    informaes de que no haveria identificao nominal dos mesmos e que elas

    poderiam abandonar as avaliaes a qualquer momento, se desejassem.

    Os atletas responderam aos questionrios por meio de entrevistas face a

    face antes de iniciar o aquecimento para o jogo. A aplicao dos questionrios

    foi realizada por pesquisadores vinculados ao Centro de Pesquisa em Exerccio

    e Esporte, da Universidade Federal do Paran. Esses avaliadores participaram

    de treinamento composto por explicaes tericas e simulaes prticas da

    coleta de dados, bem como participaram do estudo piloto sob as mesmas

    condies do estudo principal.

    A coleta de dados foi realizada entre os dias 09 e 17 de Novembro de

    2012, durante o XXVIII Campeonato Brasileiro de Basquetebol Master, na

    cidade de Osasco SP, no Clube Parque Continental.

    3.4 INSTRUMENTOS DE PESQUISA

    A quadro 1 apresenta os instrumentos, as variveis dependentes e

    independentes utilizadas no estudo.

  • 40

    QUADRO 1 - DESCRIO DOS INSTRUMENTOS, VARIVEIS E CATEGORIAS UTILIZADAS NA ANLISE DOS DADOS

    VARIVEIS INSTRUMENTO DESCRIO DAS CATEGORIAS

    DEPENDENTE

    Qualidade de Vida Relacionada Sade

    Medical Outcomes Study, Short Form (SF-36)

    Para cada domnio da QVRS: Abaixo da mediana Acima da mediana

    INDEPENDENTE

    Nvel de Atividade Fsica Questionrio Internacional

    de Atividade Fsica (IPAQ - curto)

    Volume semanal de AF (min/sem) Tercil 1 Tercil 2 Tercil 3

    Dependncia de Exerccio Fsico

    Negative Addiction Scale (NAS)

    Dependncia baixa Dependncia mdia

    Dependncia alta

    Leso esportiva Inqurito de Morbidade Referida (IMR) Presena de leso Ausncia de leso

    INTERVENIENTE

    Sciodemogrficas

    Faixa etria 35-44; 45-54; 55-64; 65 anos

    Escolaridade

    Fundamental incompleto / completo Ensino mdio incompleto / completo

    Tcnico completo / Superior incompleto Superior completo

    Ps-graduao

    Classes econmicas A1-A2; B1-B2; C1-C2; D-E

    ndice de Massa Corporal

    < 18,5 (Abaixo do peso) 18,6 24,9 (Peso normal) 25,0 29,9 (Sobrepeso) 30,0 (Obesidade)

    Situao Ocupacional Autnomo

    Empregado Aposentado

    Estado Civil Casado

    Divorciado Solteiro / Vivo

    Caractersticas esportivas

    Tempo de prtica do esporte

  • 41

    Os instrumentos para a coleta de dados foram:

    a) Formulrio com os dados de identificao, caractersticas scio-

    demogrficos (ANEXO 1) e esportivas (ANEXO 2);

    b) Critrio de classificao econmica (INSTITUTO BRASILEIRO DE

    GEOGRAFIA E ESTATSTICA, 2012; ANEXO 3);

    c) Avaliao do NAF: verso brasileira do International Physical Activity

    Questionnaire, proposto pela Organizao Mundial de Sade, forma curta,

    verso 8 (MATSUDO et al., 2001; ANEXO 4);

    d) Avaliao da DEF: Negative Addiction Scale em sua verso brasileira

    (ROSA; MELLO; SOUZA-FORMIGONI, 2003; ANEXO 5);

    e) Avaliao do histrico de leses: Inqurito de Morbidade Referida (IMR)

    (PASTRE et al., 2004; ANEXO 6);

    f) QVRS: verso brasileira do instrumento Medical Outcomes Study 36-Item

    Short-Form Health Survey (SF-36) validada por Ciconelli et al. (1999; ANEXO

    7).

    3.4.1 Descrio dos instrumentos de pesquisa

    3.4.1.1 Formulrio com os dados de identificao e dados sciodemogrficos

    Este formulrio apresenta questes abertas e fechadas, relacionadas com

    os dados de identificao, as caractersticas scio-demogrficas (ANEXO 1) e

    esportivas dos atletas (ANEXO 2).

    3.4.1.2 Perfil antropomtrico

    3.4.1.2.1 Estatura e massa corporal

    As informaes referentes estatura e massa corporal foram coletadas por

    meio do autorelato dos atletas. A estatura foi reportada em centmetros e a

    massa corporal em quilogramas, de acordo com estudos prvios, que relataram

    fidedignidade e validade para a utilizao do auto-relato de tais variveis em

  • 42

    estudos de grande nmero amostral (MARANHO NETO; POLITO; LIRA,

    2005; DEL DUCA et al., 2012), independentemente do NAF, pois este no

    parece influenciar os resultados obtidos com tal avaliao (MARANHO NETO;

    POLITO; LIRA, 2005).

    3.4.1.2.2 ndice de massa corporal (IMC)

    Para obteno do IMC foi realizado o seguinte clculo: IMC = Massa

    Corporal (kg) / Estatura (m)2. Este mtodo analtico, desenvolvido por Quetelet

    em 1972 (EKNOYAN, 2008), utiliza medidas obtidas pelos procedimentos

    citados anteriormente. Para classificao do IMC, foram utilizadas as tabelas

    de referncia propostas pela Organizao Mundial de Sade (WORLD

    HEALTH ORGANIZATION, 2000) como exposto no Quadro 2.

    QUADRO 2 - CLASSIFICAO DO NDICE DE MASSA CORPORAL PARA ADULTOS DE ACORDO COM A ORGANIZAO MUNDIAL DE SADE (2000)

    ndice de Massa Corporal Status do peso < 18,5 Abaixo do peso

    18,5 24,9 Peso normal 25,0 29,9 Sobrepeso 30,0 Obesidade

    FONTE: WORLD HEALTH ORGANIZATION (2000)

    3.4.1.3 Classificao Econmica

    A pesquisa foi composta por variveis definidas a partir do Critrio de

    Classificao Econmica (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E

    ESTATSTICA, 2012) (ANEXO 3), contendo informaes sobre bens possudos

    e escolaridade do chefe da famlia. O critrio categoriza os sujeitos em classes

    econmicas: A1 (42-46 pontos); A2 (35-41 pontos); B1 (29 -34 pontos);

    B2 (23-28 pontos); C1 (18-22 pontos); C2 (14-17 pontos); D (8-13

    pontos); E (0-7 pontos). Aps a classificao dos atletas avaliados, com o

    intuito de facilitar a compreenso e discusso dos resultados, os estratos foram

    agrupados da seguinte maneira: A1/A2, B1/B2 e C1/C2.

  • 43

    3.4.1.4 Nvel de atividade fsica (NAF)

    Os atletas foram questionados sobre os hbitos de atividades fsicas por

    meio do International Physical Activity Questionnaire (IPAQ) Verso Brasileira

    (2000) (ANEXO 4), desenvolvido para avaliar o NAF da populao, em duas

    formas: longa e curta, proposto pela Organizao Mundial de Sade. No Brasil,

    a validao do IPAQ foi desenvolvida pelo Centro de Estudos do Laboratrio de

    Aptido Fsica de So Caetano do Sul, CELAFISCS (MATSUDO et al., 2001).

    Neste estudo foi utilizada a forma curta, verso 8, que composta por

    sete questes abertas e suas informaes permitem estimar o tempo

    despendido, por semana, em diferentes dimenses de atividade fsica

    (caminhadas e esforos fsicos de intensidades moderada e vigorosa) e de

    inatividade fsica (posio sentada) (MATSUDO et al., 2001). De acordo com

    as atividades fsicas relatadas, os atletas foram categorizados de acordo com

    os tercis do tempo semanal de prtica habitual de atividade fsica: Tercil 1 (0

    240 minutos por semana), Tercil 2 (240 480 minutos por semana) e Tercil 3

    (480 minutos por semana). Essa categorizao foi utilizada devido ao elevado

    tempo semanal de prtica de atividades fsicas pelos atletas avaliados no

    presente estudo.

    Este instrumento foi utilizado em outros estudos apresentando um bom

    nvel de reprodutibilidade e nvel moderado de validade concorrente contra as

    medidas de referncia adotadas (pedmetro e dirio de atividade fsica) para

    avaliar o NAF em adultos jovens (PARDINI et al., 2001) e adultos (MATSUDO

    et al., 2001).

    3.4.1.5 Dependncia do exerccio fsico (DEF)

    A dependncia de exerccio foi avaliada por meio do instrumento Negative

    Addiction Scale (NAS) (ANEXO 5), desenvolvido por Hailey e Bailey (1992). No

    presente estudo foi utilizada a verso brasileira do instrumento, traduzido e

    validado por Rosa, Mello e Souza-Formigoni (2003).

    O NAS quantifica o grau de dependncia de exerccio, com base nos

    aspectos negativos da prtica esportiva, focalizando principalmente as

  • 44

    caractersticas psicolgicas negativas da dependncia por meio de 13

    perguntas objetivas em uma escala de 14 itens, atribuindo-se a cada item um

    escore (0 ou 1), gerando um escore mximo de 14 pontos. Para a pontuao

    das respostas foi utilzada a recomendao do instrumento original, atribuindo-

    se um ponto para as respostas (Q1: A=1); (Q2: A ou B=1); (Q3: B=1); (Q4-

    Q9,Q11-Q12: Concordo muito=1); (Q10: Discordo muito=1) e (Q13: B e/ou

    H=1). Escores altos esto relacionados a maiores nveis de dependncia

    (ROSA; MELLO; SOUZA-FORMIGONI et al., 2003). Em seguida, os atletas

    foram classificados em 3 nveis: dependncia baixa (0 a 4 pontos),

    dependncia mdia (5 a 9 pontos) e dependncia alta (10 a 14 pontos)

    (NUNES et al., 2007).

    O questionrio apresentou bons ndices de consistncia interna: alpha de

    Cronbach de 0.79, confiabilidade de 0.76 e na escala de Guttman de 0.76

    (ROSA et al., 2004).

    3.4.1.6 Leso esportiva

    Para avaliao da prevalncia de leses foi utilizado o Inqurito de

    Morbidade Referida (IMR) (ANEXO 6), meio pelo qual possvel obter

    informaes sobre a frequncia de agravos sade e seus fatores de risco

    (PEREIRA, 1995).

    O IMR composto por um questionrio utilizado como instrumento de

    coleta de dados, elaborado por meio de modelo fechado, contendo inicialmente

    dados relacionados ao treinamento dos atletas. Em seguida, para obteno das

    informaes referentes s leses, so utilizadas questes sobre o tipo de

    leso, local anatmico, mecanismo, perodo de treinamento, alm da

    informao relativa ao retorno s atividades fsicas normais, baseado na

    experincia de outros autores que j trabalharam com o mesmo instrumento

    (PASTRE et al., 2004; HINO et al., 2009; ABRAHO et al., 2009; HOSHI et al.,

    2008; AGUIAR, 2010) e instrumentos semelhantes (GIROTTO; PADOVANI;

    GONALVES, 1994; GREGO et al., 1999; LAURINO et al., 2000; RIBEIRO;

    COSTA, 2006; DARIO; BARQUILHA; MARQUES, 2010).

  • 45

    A questo referente ao tipo de leso objetivou identificar, a exemplo de

    estudos epidemiolgicos de morbidade referida, o agravo percebido pelo atleta,

    independente de diagnstico mdico (ANEXO 5). Para efeito de estudo

    considerou-se leso desportiva qualquer dor ou afeco musculoesqueltica

    resultante de treinamentos e/ou competies desportivas, suficiente para

    causar alteraes no treinamento normal, seja na forma, durao, intensidade

    ou freqncia, conforme j utilizado em outras pesquisas (BENNELL;

    CROSSLEY, 1996; LUN et al., 2004; PASTRE et al., 2004; HOSHI et al., 2008;

    PASTRE et al., 2005; HINO et al., 2009; ABRAHO et al., 2009).

    Alm disso, foram consideradas no presente estudo as informaes

    retroativas ao perodo de oito meses, pois de acordo com Pastre et al. (2004),

    os dados obtidos pelo IMR com intervalo de tempo retroagindo at oito meses

    possuem elevada taxa de concordncia com o diagnstico profissional. Embora

    o perodo possa parecer longo para o entrevistado recordar os agravos

    ocorridos, vale lembrar que o atleta possui caractersticas distintas de no

    atletas. Afinal, para esse grupo a leso significativamente marcante e, no

    rara, impossibilitando a prtica de suas atividades esportivas por determinado

    perodo de tempo, ao contrrio do que se observa habitualmente em IMR em

    populaes em que no h interesse dirigido para um tipo de agravo especfico

    (PASTRE et al., 2005).

    Com o intuito de facilitar a compreenso e discusso dos resultados do

    presente estudo, os dados encontrados com a avaliao dos atletas foram

    agrupados nos itens mecanismo, local e tipo da leso, de acordo com a sua

    semelhana ou proximidade, por exemplo, no tipo de leso, o entorse e a

    toro foram agrupados em uma nica categoria. Os demais itens foram

    expostos do modo apresentado no questionrio.

    3.3.1.7 Qualidade de vida relacionada sade (QVRS)

    Para a avaliao da QVRS foi utilizado o Medical Outcomes Study 36-Item

    Short-Form Health Survey (SF-36) (ANEXO 7), desenvolvido pelos estudiosos

    Ware e Sherbourne (1992), previamente validado em sua verso brasileira

    (CICONELLI et al., 1999), com a finalidade de ser um questionrio genrico de

  • 46

    avaliao de sade de fcil administrao e compreenso, porm sem ser to

    extenso (WARE; SHERBOURNE, 1992).

    A criao deste instrumento foi baseada em uma reviso de literatura e

    derivado de um questionrio de avaliao de sade formado por 149 artigos,

    desenvolvido e testado em mais de 22.000 pacientes, como parte de um

    estudo de avaliao de sade. O SF-36 foi constitudo para satisfazer o padro

    psicomtrico, para a comparao entre grupos que envolvem conceitos

    genricos de sade, no sendo especfico para determinada idade, doena ou

    tratamento (CICONELLI et al., 1999; BEATON; SCHEMITSCH, 2003).

    O SF-36 o instrumento mais comumente utilizado na literatura ortopdica

    (BEATON; SCHEMITSCH, 2003; GAY; AMADIO; JOHNSON, 2003), bem como

    seu uso tem sido recomendado associado ao de instrumentos especficos em

    estudos de desordens msculo-esquelticas (GAY; AMADIO; JOHNSON,

    2003). Alm disso, o SF-36 tem sido amplamente utilizado em atletas,

    apresentando uma boa confiabilidade e validade para esta populao

    (ANDREW et al., 2010).

    O questionrio multidimensional, formado por 36 itens capazes de avaliar

    oito domnios distintos da QVRS: Capacidade Funcional, Aspectos Fsicos,

    Dor, Estado Geral da Sade, Vitalidade (Energia/Fadiga), Aspectos Sociais,

    Aspectos Emocionais e Sade Mental (estresse psicolgico e bem-estar

    psicolgico) (WARE, 2000; CICONELLI et al., 1999). Sua taxonomia possui trs

    nveis: 1) itens; 2) escalas que agregam 2 a 10 itens cada; 3) duas medidas

    sumarizadas (componentes) que agregam os domnios. Todos os itens do

    questionrio so utilizados para pontuar os oito domnios, exceto um, o item 2,

    que se refere ao auto-relato de transio de sade (WARE, 2000).

    Dessa maneira, o questionrio foi construdo utilizando o mtodo de soma

    de pontos, de acordo com respostas obtidas por meio de uma escala do tipo

    likert (excelente, muito boa, boa, ruim e muito ruim) (WARE, 2000). A

    pontuao das respostas seguir as recomendaes do SF-36 Health Survey,

    que so: 1- Verificar todas as questes para avaliar se esto classificadas de

    1 a 5 (Q2, Q3, Q4, Q5, Q10), em que (1=1) (2=2) (3=3) (4=4) (5=5); 2- Inverter

    os valores das respostas das questes que tm as frases negativas, que so:

    Q1, Q6 e Q11 (1=5) (2=4) (3=3) (4=2) (5=1); para Q7 e Q9 (1=6) (2=5) (3=4)

    (4=3) (5=2) (6=1). Para Q8 o valor atribudo depender da resposta de Q7; 3-

  • 47

    Transformar os escores de acordo com a sintaxe recomendada. Cada escore

    foi computado e multiplicado por 100 e transformados para a escala de 0 a 100.

    Com a soma das respostas, foi apresentado um escore final de 0 a 100, no

    qual zero corresponde ao pior estado geral de sade e 100 ao melhor estado

    de sade (CICONELLI et al., 1999). Em seguida, os onze domnios da QVRS

    foram classificados em escores binrios, baseando-se na mediana da prpria

    amostra. A confiabilidade do SF-36 tem sido estimada usando tanto a

    consistncia interna quanto os mtodos de teste-reteste, atingindo um alpha de

    Cronbachs de 0.80 (BLACKLOCK; RHODES; BROWN, 2007).

    Por meio da anlise fatorial, cada d