Necessidades educativas especiais em Angola; .período de construção da paz. ... Baseando-sena

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  • NECESSIDADES EDUCATIVASESPECIAIS EM ANGOLA

    Editado por Boubacar CAMARA

    UNESCO - BREDA

  • NKessidades Educativas EspKiaisem Angola

    Editado por Boubacar CAMARA

    UNESCo-BREDA

  • As ideias e opinies desta obra so aquelas dos autore!;. Elasno exprimiram necessariamente as vistas da UNESCO.

    Publicado pelo Bureau Rgional de Dakar12 Av. Lopold Sedar Senghorc.P. 3311, Dakar-Sngal

    Maquete de cobertura: Ibrahima NDIAYEISBN 92.9091.067.4

    UNESCO, 1998

  • PRLOGO

    Esta obra sobre as necessidades educativas especiais em

    Angola uma das produes do projecto 53.J/ANG/1O relativo

    "promoo de oportunidades educativas para a reabilitao das

    crianas vulnerveis" em Angola. O projecto constitui uma parte do

    programa de emergncia em matria de educao elaborado em

    Maro de 1992, com o apoio tcnico da UNESCO.

    A orientao do projecto inscreve-se nas Perspectivas

    definidas Pela Conferncia de Salamanca de 1994 sobre as

    necessidades educativas especiais e particularmente sobre a

    estratgia de integrao.

    O projecto, financiado pelo Governo da /tlia e

    implementado pelo Ministrio da Educao, com a UNESCO como

    agncia de execuo, contribuiu ao acesso educao de base

    assim como melhoria das condies de aprendizagem para mais

    de 2000 crianas angolanas. Alm disso, a confeco do guia do

    professor para a educao integrada, isto para a tomada em

    considerao das necessidades educativas especiais, representa um

    instrumento precioso que este livro vem reforar.

    As contribuies de vrios especialistas nacionais e

    internacionais permitiram a afinao do contedo da obra.

    Graas a esta publicao, indicaes e dados teis so

    fornecidos a todos aqueles que interessam Pela educao numa

    Angola em reconstruo.

  • SUMRIO

    Introduio : Aprender de mos dadas .5

    Parte I: CONTEXTO 13

    A educao especial em Angola 15Programa do ensino de base regular 41

    Parte II: PARTICULARIDADES E NECESSIDADES 59

    Deficincias mentais: noes gerais e definies 61Atendimento oftalmolgico da criana comdeficina visual 73Aspectos auditivos e de fala 79Escola de deficientes auditivos e da fala -Luanda 91

    Parte III : MEIOS 95

    Salas especiais nas escolas normais 97A formao de professores em Angola 107Reabilitao com base na comunidade, uma viacomunitria para a integrao social do deficiente 117Reabilitao com base comunitria eestratgia de integrao: principios 125As tcnicas de comunicao social e o papel dosProfessores - animadores 135A contribuio da Rdio nacional na integrao ereabilitao das crianas com necessidadeseducativas especiais 147Problemas especficos: higiene geral e escolar.. 155

  • Parte IV : COOPERAO:EXPERINCIA INTERNACiONAL 173

    Necessidades educativas especiais: evoluo, marcos dapolitica educativa actual e componentes bsicas dumplano educativo 175ANGOLA E A UNESCO 201

    ANEXOS 211

    Anexo 1 : O programa de formao dos professores-animadores 213

    Anexo 2: O programa de interveno dos professores-animadores , 215

    Anexo J : O caso Benguela 219

  • Introduo

    APRENDER DE MOS DADASOU

    Construir a paz e a solidariedadeno esprito dos jovens angolanos.

    B. Camara*

    A educao em Angola deve expnmlr, num contexto dereconciliao e de reconstruo nacional, as aspiraes profundasdas populaes que sofreram vinte longos anos de conflito e deprivao, aspiraes para a paz, aspiraes para a necessriasolidariedade. O programa de emergncia em matria de educaoEDEPA elaborado em Maro de 1992 constitui uma primeiraresposta aos imperativos de reabilitao e de satisfao dasnecessidades educativas mais imediatas. Neste sentido, o aspecto dedo apoio s crianas que tm necessidades educativas especiais foiobjecto dum projecto designado por 534/ANG/1 O : Promoo deoportunidades educativas para a reabilitao das crianasvulnerveis, financiado pelo Governo da Itlia e cuja realizao foiconfiada UNESCO.

    As razes duma opo

    O conflito bi-decenal fez muitas vtimas, em particular entre ascrianas de que mais de 550.000 pereceram. Entre as quesobreviveram, cerca de meio-milho sofre de enfermidades edeficincias diversas. Hoje, as crianas no acompanhadas, osrfos, as crianas deficientes fisicas, os deficientes sensoriais, ascrianas que sofrem de traumatismos diversos tm necessidades

    *Responsvel pela execuo do projecto

  • Necessidades educativas especiais em Angola 6

    urgentes de assistncia multiforme e especialmente em matria dereabilitao e de integrao.

    Nas 18 provncias de Angola, as crianas em situao dificiloferecem o espectculo desolador duma gerao qua!;e sacrificada.A situao est agravada pela existncia das minas anti-pessoaisavaliadas em 10 milhes repartidas num pas de 12 milhes dehabitantes. At depois do fim das hostilidades, os destroos humanose materiais so considerveis. evidente que as crianas, menosprecavidas, so as principais vtimas. Angola ocupalia o segundolugar mundial em matria de vtimas de minas. Uma dasconsequncias directas da existncia das minas o impossvelregresso das populaes deslocadas aos seus domiclios de origemenquanto as minas permaneceram.

    Alm das consequncias directas da guerra, o conflito criouuma situao de insalubridade que favoreceu o desenvolvimento dediversas doenas tais como a meningite que uma das principaiscausas de surdez das crianas em Angola, o marasmo, a morbidez evrias afeces de origem nutricional.

    . Ainda por cima, pode-se dizer que a maior parte das crianasangolanas sofrem, de maneira diversa, dos traumatismos provocadospela guerra que viveram. As conscincias foram duravelmenteatingidas, da a necessidade duma nova abordagem pedaggica noperodo de construo da paz.

    A educao integrada e a reabilitao comunitria

    o projecto 534/ANG/l O que VIsa a promoo deoportunidades educativas para a reabilitao das crianasvulnerveis de Angola adoptou uma estratgia de integrao emcurso de experimentao nas trs provncias seguintes: Hula,Benguela e Luanda. A integrao das crianas com necessidadeseducativas especiais no sistema regular do ensino d,e base umaorientao que se inscreve, tambm, nas recomendaes daConferncia de Salamanca sobre as necessidad:s educativasespeciais realizada em 1994. A educao integrada a1irma-se comouma exigncia histrica que implica no s na integrao dascrianas marginalizadas no sistema regular, mas, aJ m disso, oscontedos da educao integrada devem reflectir na integrao na

  • Aprender de mos dadas 7

    cultura nacional e a integrao no processo de reconstruo nacionale de desenvolvimento humano durvel.

    A mudana de orientao necessita uma abordagemprogressiva e global. A estratgia implementada comporta, de facto,oito aspectos:

    - a formao dos formadores

    Baseando-se na colaborao efectiva entre o Ensino geral, oEnsino especial e a formao dos quadros assim como no apoio deoutros departamentos ministeriais tais como os da sade, dareinsero social, o projecto garantiu a formao de 35 formadoresde formadores, dos quais 17 mulheres em matria de educaointegrada. Entre esses formadores h: os responsveis das cincoescolas especiais ensino geral que existem no pas, das quais trsesto em Luanda, uma em Hula e uma em Benguela; osresponsveis e quadros do ensino especial e da formao dosquadros; os professores animadores itinerantes encarregados doapoio no plano local s actividades de integrao e de reabilitaocom base comunitria.

    O contedo dessa formao abrange aspectos tericos esobretudo prticos. Os formadores realizaram a desmultiplicao daformao em beneficio dos docentes das trs provncias visadas.Assim, cada provncia pode organizar um seminrio de formaodos docentes em matria de educao integrada. A mensagem-chavena implementao da educao integrada Aprender de MosDadas.

    - a elaborao do guia do professor

    Para fornecer os instrumentos necessrios de integrao, oprojecto permitiu elaborar um guia do docente em matria deeducao integrada que foi objecto de amplas consultas na base e dediscusses durante as actividades de formao. Durante o segundoseminrio-atelier de formao dos formadores em matria deeducao integrada, o projecto de guia foi finalizado. Esteinstrumento de trabalho vai orientar a actividade pedaggica dosdocentes angolanos, preparando-os melhor para a responsabilizao

  • Necessidades educatlvas especiOls em Angola 8

    pelas necessidades educativas especiais das crianas vulnerveis.Tanto ao nvel do ensino geral como ao do ensino especial, o guia utilizado e ser melhorado com a prtica. Alm disso, a publicaodo livro sobre as necessidades educativas especiais aparece como ocomplemento do guia do professor.

    - facilitao do acesso educao de base e melhoriadas condies de aprendizagem

    Para realizar o objectivo prioritrio de garantir o acesso educao de base a 2000 crianas angolanas, o projecto forneceu1000 carteiras de um s lugar cada :300 para a provncia de Hula,300 para a provncia de Benguela e 400 para a provncia de Luanda.Com o sistema de duplo turno, ou at de triplo turno, so mais de2000 crianas que beneficiam actualmente dos meios materiaisfornecidos pelo projecto. Entre esses meios, alm do mobilirio, oprojecto distribuiu cerca de cinco mil livros do primeiro nvel ecadernos, canetas. Os diferentes meios combinados com a formaodos docentes e a elaborao do guia pedaggico contribuem tantopara a extenso do acesso educao de base como para a melhoriadas condies de aprendizagem.

    Convm salientar que os equipamentos foram dist ribuidos nasescolas do ensino geral sobretudo nas zonas mais deserdads etambm nas escolas especiais que necessitavam urgentemente decarteiras e de materiais escolares. A comunidade educativa e os p~sdas localidades exprimiram o seu alvio com esta contribuio noambiente geral de escassez de mobilirio e materiais escolares.

    - a criaio dos centros de recu