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Necrose, trombose, embolia, hemorragias

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14-09-2009

AULA PRTICA 1 NECROSES, TROMBOSE, EMBOLIA, HEMORRAGIAS

OBJECTIVOS1. Conhecer a necrose e identificar as suas diferentes formas de expresso morfolgica 2. Correlacionar as necroses com os diferentes agentes causais que as provovam, nomeadamente vasculares. 3. Compreender os mecanismos biolgicos que intervm na gnese das necroses, da trombose, das embolias, das hemorragias

Agresso Clula/Tecido/rgo NORMAL Adaptao Leso

Sub-letal

Letal

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LESO CELULAR/TECIDULAR Alteraes morfolgicas e/ou moleculares (e tambm funcionais) que um agente lesional provoca nas clulas e tecidos. O grau e intensidade dessas alteraes podem levar ao aparecimento de sintomas e de sinais alertam o doente e que caracterizam determinada doena

LESO E ADAPTAOQuando a intensidade da agresso suficientemente acentuada e provoca alteraes morfolgicas estruturais e funcionais bvias, a identificao da LESO evidente e fcil. Contudo, tambm pode acontecer que a agresso no provoque alteraes morfolgicas to graves. Ento as clulas e tecidos adaptam-se nova situao atravs de alteraes de forma (do tamanho, por exemplo) e no da estrutura. Falamos ento de ADAPTAO EXEMPLO: Uma hipertrofia do miocrdio que surja num doente hipertenso e diabtico pode ser olhada como leso. Se a mesma hipertrofia ocorrer num atleta de alta competio, considerada um fenmeno de adaptao. As fronteiras entre NORMAL, ADAPTAO e LESO nem sempre so fceis de delimitar nas situaes limite.

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NECROSE morte celular ou tecidular de um tecido ou rgo no seio de um organismo vivo. A necrose uma leso letal. Na necrose as alteraes histolgicas principais ocorrem no ncleo: picnose, cariorrexis, carilise, cromatlise. H vrios tipos de necrose de acordo com a causa, a clula e o tecido e o tempo de actuao. Genericamente e para efeitos pedaggicos, costumam dividir-se em dois tipos principais: de coagulao e de liquefaco. Como o nome indica, na necrose de coagulao o tecido necrosado fica amolecido, perde a estrutura normal, mas mantm alguma consistncia slida, por vezes frivel; na necrose de liquefaco, o tecido necrosado transforma-se em lquido espesso, como uma papa, que facilmente elimina do local onde se formou. As principais causas de necrose so: isquemia, agentes infecciosos (infeces por bactrias, virus ou parasitas); agentes qumicos (txicos, frmacos); agentes fsicos (queimaduras, geladuras, radiaes, traumatismos)

. TROMBOSE Quando, num organismo vivo, o sangue coagula no interior de um vaso sanguneo, diz-se que se formou um trombo. Ao fenmeno biopatolgico que leva formao de um trombo chama-se trombose. Quando a coagulao ocorre num ser j morto (no cadver por exemplo), chama-se cogulo. So 3 os principais factores que intervm na formao de um trombo: leso da parede vascular (sobretudo do endotlio), de que principal exemplo a aterosclerose; e/ou alterao do sistema de coagulao, com hipercoagulabilidade; e/ou estase sangunea, isto , diminuio da velocidade de circulao, que pode mesmo chegar paragem. Um trombo numa artria provoca isquemia e, portanto, pode levar a necrose isqumica, isto , a enfarte.

EMBOLIA Circulao de um corpo estranho na corrente sangunea. Ao corpo estranho que circula chama-se mbolo. Quando o corpo estranho um trombo, chama-se trombo-mbolo; quando o corpo estranho ar, fala-se em embolia gasosa; quando se trata de gordura, fala-se de embolia gorda; quando so colnias de agentes infecciosas, fala-se em mbolo sptico; quando circulam clulas neoplsicas diz-se embolia neoplsica. As embolias quando encravam e entopem a circulao do vaso em que circulam, tendem relativamente mais graves que a trombose, porque so de instalao sbita, no dando tempo ao estabelecimento de circulao compensadora, como acontece com a trombose.

. HEMORRAGIA Diz-se que h hemorragia, quando h sada de sangue de dentro para fora dos vasos. Podem ser internas, quando o sangue fica no interior do organismo (na cavidade abdominal, por exemplo), ou externas, quando o sangue vertido para o exterior. So factores que intevm na gnese das hemorragias os dois seguintes: (1) leses vasculares, com rotura e aumento da permeabilidade da parede; (2) perturbaes da coagulao sangunea (hipocoagulabilidade), como ocorre nas trombocitopenias e nas alteraes qualitativas ou funcionais dos factores plasmticos da coagulao como ocorre nas doenas hepticas crnicas ou nas faltas congnitas de factor VIII ou IX, as clssicas hemofilias.

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Necroses Leso LetalNecrose de coagulaoNecrose isqumica (enfarte) Necrose de caseificao (comum na tuberculose) Necrose de gomificao (comum na sfilis) Necrose fibrinide (comum em doenas imunes)

Necrose de liquefacoAmolecimento do encfalo (enfarte cerebral) Supurao (abcessos)

Necrose gorda (citoesteatonecrose)Enzimtica (pancreatite aguda) Traumtica (cirurgia, radiaes)

Leses de necroseessencialmente nucleares

Normal Picnose Cariorrexis Cromatlise CariliseNcleo pequeno e hipercromtico contornos irregulares

Fragmentao nuclear

Ncleo sem cromatina

Desaparecimento do ncleo

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Enfarte do miocrdio Necrose de coagulao na face posterior do ventrculo esquerdo

I Inflamao peri-necrose N - NecroseO tecido necrosado desencadeia uma resposta inflamatria no tecido so ao redor, de ndole reparativa.

I

N

I

Lmina 0107 Enfarte do Miocrdio Enfarte de coagulao Fibras cardacas com perda de estriao e coagulao citoplasmtica reas de necrose substitudas por clulas inflamatrias em incio de fase reparativa

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AA Enfartes esplnicos

BB Enfarte renal

D

CC e D Enfartes cerebrais reas de amolecimento com cavidade cistide (seta)

GANGRENA ISQUMICA Necrose isqumica das extremidades, quase sempre devida a aterosclerose. frequente na diabetes mellitus, onde o chamado p diabtico constitui um dos principais riscos e uma das mais temidas preocupaes.

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Colite isqumicaCamada superficial com exsudato fibrinoso, tecido Necrosado e clulas inflamatrias Ulcera na mucosa Clica por isquemia

Congesto e edema na submucosa

Glndula reactiva

Necrose. Edema. Inflamao

Colite isqumica

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NECROSE PANCRETICA (Lmina 401)

NORMAL

NECROSE (cromatlise)

Necrose em tumores (P3.3) Mulher com 46 anos de idade, aconselhada a fazer mamografia de rastreio de cancro da mama. A mamografia mostrou microcalcificaes muito suspeitas de corresponderem a neoplasia maligna. Os estudos que se seguiram confirmaram o diagnstico: a doente tinha um carcinoma ductal in situ de tipo comedo, com reas de necrose central onde havia calcificaes.

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NECROSE DE COAGULAO EM TUMORES

Microcalcificaes

Necrose tumoral

A

B

P3.3

A Ninho de microcalcificaes detectado por mamografia. B Histologia da leso: ductos cheios de clulas neoplsicas com necrose tumoral central. Na parte superior da figura o tecido necrtico est calcificado.

B

A P3.3A - Extensa rea de necrose tumoral em carcinoma ductal in situ de tipo comedo B Calcificao na zona de necrose

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CALCIFICAES DISTRFICAS: Depsito de clcio em tecidos alterados, com fibrose ou necrose. Solidificao de fluidos clculos. So exemplos os clculos biliares, os clculos renais No relacionadas com hipercalcemia

DISCRSICAS Associadas a hipercalcemia (hiperparatireoidismo, primrio ou secundrio)

NECROSE DE CASEIFICAO Lmina P3.4

de (caseum, caseificao) Gnglio linftico com superfcie de corte amarelada ou esbranquiada, com aspecto de queijo. A cor esbranquiada na imagem da direita devida a calcificao do tecido necrosado

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Linfcitos normais do gnglio

rea de fibrose com clulas epitelioides e clula gigante

rea de necrose de caseificao

Necrose de caseificao (P3.4): tecido linfide do gnglio destrudo e substitudo por extensa rea de necrose massa informe de tecido acidfilo, onde no se individualizam clulas (nem citoplasma nem ncleo). Predominam as leses de carilise e cromatlise.

A

CB A Carilise e cromatlise B Picnose: ncleos pequenos e hipercromticos C Cariorrexis: poeira nuclear onde se observa fragmentao de ncleos picnticos

NECROSE DE CASEIFICAO (P3.4)

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ABCESSO HEPTICO Abcesso: cavidade contendo pus (picitos) e cuja parede de natureza inflamatria

1A Necrose heptica de clulas isoladas: ncleo picntico e citoplasma com acidofilia. Este um tipo de necrose comum nas hepatites agudas. 1 hepatcitos com necrose 2 hepatcitos normais

2

A

B: Necrose heptica macia Na imagem ainda se identificam os canais biliares (seta fina). Os hepatcitos esto destrudos Identificam-se hepatcitos isolados e necrosados, alguns ainda com ncleo picntico. Outros sem ncleo - corpos de Councilman (seta grossa)

P3.2

B

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Qual o destino dos tecidos necrosados?Vrias possibilidades existem1. Reparao cicatricial: substituio do tecido necrosado por fibrose que se forma na sequncia de um processo inflamatrio crnico. A este fenmeno chama-se cicatrizao. Eliminao para o exterior: se o tecido necrosado est localizado numa superfcie cutnea ou mucosa, a perda de substncia leva formao de uma ferida que se chama lcera; se o tecido necrosado a eliminar estiver localizado num rgo slido parenquimatoso, a cavidade que se forma chama-se caverna. Calcificao distrfica: o tecido necrosado pode ser sede de depsito de clcio. Nalguns casos pode mesmo ocorrer ossificao, isto , formao de osso metaplsico.

2.

3.

APOPTOSEMorte por suicdio, morte program