Nota Técnica Frigorifico MTE

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SecretarIa de nspeo do Trabalho 0epartamento de Segurana e Saude no Trabalho Nota Tcnica n ____/DSST/SIT Braslia, XX de junho de 2004

NOTA TCNICA: MEDIDAS PARA CONTROLE DE RISCOS OCUPACIONAIS NA INDSTRIA DE ABATEE PROCESSAMENTO DE CARNES

SUMRIO 1.OBJETIVOS........................................................................................... 22.APLICAO...........................................................................................2 3.JUSTIFICATIVAS...................................................................................2 4.RECOMENDAES MNIMAS A SEREM OBSERVADAS PELAS EMPRESAS ...........................................................................................3 5.ANEXOI - CAPACITAO...................................................................9 6.ANEXO 2 - CARACTERSTICAS DAS ATIVIDADES DE TRABALHO NA INDSTRIA DE ABATE E PROCESSAMENTO DE CARNES.... 12 7.ANEXO 3 LEGISLAO..................................................................14 8.REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS................................................... 25 2 OBJETIVOS A presente nota tcnica tem por objetivos:orientar empregados, empregadores, auditores-fiscais do trabalho (AFT), profissionais ligados rea e outros interessados quanto s boas prticas a serem adotadas na concepo e funcionamento do trabalho na indstria de abate e processamento de carnes para a preservao da sade dos trabalhadores do setor;fornecer subsdios aos auditores-fiscais do trabalho na implementao de aes de auditoria-fiscal nas diversas modalidades deste segmento, considerando a relevncia e a complexidade dos fatores de risco presentes nessa atividade. APLICAO As recomendaes desta nota tcnica aplicam-se a todas as empresas de abate e processamento de carnes (aves, sunos, bovinos etc.). JUSTIFICATIVAS Os processos de produo utilizados nas empresas de abate e processamento de carnes so organizados de tal maneira que as atividades de trabalho desenvolvidas apresentam potencial risco sade e segurana dos trabalhadores.A alta prevalncia de distrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) em sistemas de produo com as caractersticas existentes neste ramo industrial tem sido amplamente descrita na literatura (Anexo 2). A atuao dos AFT nesse ramo de atividade confirma essa prevalncia, o que justifica o interesse da Comisso Nacional de Ergonomia e do Departamento de Segurana e Sade Trabalhador (DSST) do Ministrio do Trabalho e Emprego (MTE) em desenvolver uma poltica nacional de preveno. 3 RECOMENDAES MNIMAS A SEREM OBSERVADAS PELAS EMPRESAS O Departamento de Segurana e Sade no Trabalho do Ministrio do Trabalho e Emprego, atendendo ao encaminhamento da Comisso Nacional de Ergonomia, orienta os empregadores para que observem as seguintes recomendaes: 1.Quanto organizao do trabalho: 1.1.Quaisquer acrscimos de jornada, incluindo aqueles realizados sob o ttulo de banco de horas, somente podero ser efetuados com previso explcita, em acordo escrito entre empregador e empregado, ou mediante contrato coletivo de trabalho. Por se tratar de atividades com risco potencial de agravo sade e segurana dos trabalhadores, esses acordos dependero de licena prvia do MTE que, para esse efeito, proceder devida inspeo, para verificao dos mtodos e processos existentes nos locais de trabalho, conforme determina o Art. 60 da CLT e a presente nota tcnica; 1.2.O MTE s autorizar a reduo de intervalo para repouso ou refeies quando a empresa atender integralmente s exigncias constantes no 3 do Artigo 71 da CLT, na Portaria MTE 3116/89 e nesta nota tcnica. Ressalte-se que tal autorizao no ser concedida nem renovada quando a empresa mantiver regime de trabalho prorrogado a horas suplementares e/ou quaisquer acrscimos de jornada; 1.3.O intervalo mnimo de 11 horas consecutivas entre duas jornadas de trabalho ser respeitado, conforme o Artigo 66 da CLT; 1.4.O tempo gasto na troca de roupa ser computado como hora efetivamente trabalhada, conforme o Artigo 4 da CLT e jurisprudncia consolidada; 1.5.As empresas garantiro pausas no trabalho para os que trabalham em ambientes artificialmente frios, durante as quais os trabalhadores permanecero em ambientes com temperatura superior a 20C, visando recuperao fsica e mental, em atendimento ao disposto no subitem 17.6.3, alnea b, da NR-17 da Portaria 3214/78 e ao artigo 253 da CLT. As pausas sero distribudas da seguinte maneira: 20 (vinte) minutos de repouso aps cada perodo de 1 (uma) hora e 40 (quarenta) minutos de trabalho contnuo ou, alternativamente, 10 minutos a cada perodo de 50 minutos trabalhados, computados esses intervalos como de trabalho efetivo. 1.6.As sadas do posto de trabalho devero ser garantidas, a qualquer momento da jornada, a fim de que os operadores satisfaam suas necessidades fisiolgicas, atendendo ao item 17.1 da NR-17; 1.7.O nmero de trabalhadores em atividade ser compatvel com a produo. Dever ser comprovado, atravs de estudo tcnico de dimensionamento de efetivos, o nmero de trabalhadores necessrios, em 4 funo da demanda de produo, levando em conta absentesmo, frias e pausas, conforme o subitem 17.6.1 da NR-17; 1.8.Exerccios fsicos, caso adotados pela empresa, no podero ter carter obrigatrio e sero orientados por profissional habilitado; 2.Quanto ao ambiente de trabalho: 2.1.Atender ao previsto na NR-17 e normas nacionais quanto s condies de iluminamento conforme itens 17.5.1, 17.5.2 da mesma NR-17 e NBR 5413; 2.2.Assegurar o conforto trmico por meio de controle da qualidade, temperatura, umidade relativa e velocidade do ar, conforme subitens 17.5.1, 17.5.2 e alneas, da NR-17 e subitem 9.3.5.1 e alneas, da NR-09; 2.3.Assegurar ventilao adequada e de forma a se evitar correntes de ar, conforme subitens 17.5.1, 17.5.2, alnea c, da NR-17 e subitens 9.3.5.1 e 9.3.5.2 da NR-09; 2.4.Controlar o rudo ambiental atravs da implementao de medidas tcnicas e de engenharia para reduo do rudo nas fontes, conforme subitens 9.3.5.1, 9.3.5.2 e alneas, da NR-09; 3.Quanto ao mobilirio, incluindo dimenses, distncias e alturas, deve-se: 3.1. Assegurar que esteja de acordo com as caractersticas antropomtricas de, pelo menos, 95% da populao economicamente ativa do Brasil, a fim de proporcionar condies de boa postura, visualizao e operao, atendendo, no mnimo ao disposto no subitem 17.3.2 e alneas, da NR-17; 3.2.Assegurar, tanto para o trabalho na posio sentada quanto na posio em p, posies confortveis para o pescoo, tronco, membros superiores e inferiores, conforme os subitens 17.3.1 e 17.3.2 e alneas, da NR-17 e 12.4.2 da NR-12 da Portaria 3214/78; 3.3.Assegurar que seja construdo de forma a permitir que os movimentos do tronco dos trabalhadores respeitem as trajetrias naturais dos movimentos corporais e os ngulos limites de conforto, evitando-se flexes e tores excessivas, conforme subitens 17.4.1 e 17.3.2 e alneas, da NR-17; 3.4.Garantir espao adequado (no inferior a um metro) por trabalhador, nas atividades realizadas ao longo de linhas de produo e bancadas, para movimentao livre e segura dos trabalhadores, conforme subitem 12.1.2 da NR-12 e Portaria n 210 do Ministrio da Agricultura - Anexo I, subitens 4.4.5 e 4.4.12.1; 5 3.5.Fornecer assentos para possibilitar a alternncia do trabalho sentado com o trabalho em p em todos os postos estacionrios, com as seguintes caractersticas: a)altura ajustvel ao trabalhador e natureza da funo exercida, conforme subitens 17.3.1, 17.3.2, alnea a, e 17.3.3, alnea a, da NR-17; b)pouca ou nenhuma conformao na base do assento, conforme subitem 17.3.3, alnea b, da NR-17; c)borda frontal arredondada, atendendo ao subitem 17.3.3, alnea c, da NR-17; d)encosto ajustvel, com dimenses suficientes para o apoio das costas e com forma adaptada ao corpo para proteo da regio lombar, conforme subitem 17.3.3, alnea d, da NR-17; e)construdos com material que proporcione conforto trmico. 3.6.Disponibilizar suportes para os ps, que possibilitem o posicionamento e a movimentao adequada dos segmentos corporais, conforme subitens 17.3.2, alnea c, e 17.3.4 da NR-17. Os mesmos sero constitudos de material antiderrapante e dotados de superfcie inclinada (ngulo inferior a 20), com dimenses suficientes para possibilitar o apoio total da regio plantar e facilitar as mudanas de posio (conforme subitem 17.3.2, alnea c, da NR-17); 3.7.Garantir espao suficiente para pernas e coxas, nas atividades executadas na posio sentada, conforme subitem 17.3.2, alnea c, da NR-17; 3.8.Garantir que as dimenses dos estrados e plataformas, quando utilizados para adequao da altura do plano de trabalho ao trabalhador, nas atividades realizadas em p, sejam suficientes para permitir a movimentao segura do trabalhador, conforme subitem 17.3.2, alnea c, da NR-17; 3.9.Assegurar que as bancadas possuam altura e caractersticas da superfcie de trabalho compatveis com o tipo de atividade e que sejam providas de bordas arredondadas, conforme subitem 17.3.2, alneas a, b e c, da NR-17; 3.10.Garantir que os recipientes para depsito e coleta de produtos sejam posicionados de forma a permitir movimentos confortveis dos segmentos corporais, sejam dotados de boas pegas e no possuam superfcies cortantes, conforme o item 17.1 da NR-17. 4.Quanto manipulao do produto: 4.1.Garantir que a manipulao dos produtos no acarrete o uso de fora muscular excessiva por parte dos trabalhadores, conforme subitem 17.2.2 da NR-17; 6 4.2.Colocar os materiais e produtos prximos aos trabalhadores a fim de minimizar as distncias de alcance na pega e depsito dos produtos manuseados (o alcance mximo para cada trabalhador no deve exceder o comprimento de seu brao estando o tronco na posio ereta), conforme subitem 17.3.2 e alneas, da NR-17; 4.3.Utilizar equipamentos e instrumentos adequados e em perfeito estado de funcionamento, conforme subitem 17.4.1 da NR-17; 4.4.Posicionar adequadamente caixas e outros dispositivos para depsito dos produtos de modo a facilitar a pega e para que n