NOTAS DE MORFOLOGIA EXTERNA DE PLANTAS VASCULARES

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  • NOTAS DE MORFOLOGIA EXTERNA DE PLANTAS

    VASCULARES

    Ana Sneca Porto 2001

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    I - Raz Orgo de suporte da planta e absoro, do ponto de vista morfolgico

    podem distinguir-se:

    Fig. I 1-raz com coifa e pelos radiculares; 2 raz fasciculada; 3 raz aprumada; 4 raz tuberoso-aprumada; 5 raz tuberosa fasciculada; 6 raz tuberoso-fasciada de orqudea; 7 - razes areas de hera; 8 razes aquticas; 9 pneumatforo; 10 raz coralide (simbiose com micorrizas ou cianobactrias; 11 raz com ndulos (simbiose com micorrizas). (adaptado de Vasconcelos, 1969)

  • 3

    II - CAULE Originado a partir do caulculo do embrio, o caule tem como funes: dar s

    folhas posio favorvel para as funes que estas desempenham;

    estabelecer comunicao entre raz e folhas; local de circulao de gua e

    sais minerais e hidratos de carbono.

    Constitudo por ns e entrens.

    Podem ser : areos, aquticos ou subterrneos.

    Porte:

    Porte de planta adulta:

    Prostrado - podendo ser radicante (Fig. IV) Ascendente - se primeiro prostrado e depois se aproxima da vertical (eg. geniculado) (Fig. III) Difuso muito ramificado desde a base em todas as direces Decumbente - se primeiro cresce erecto e depois se aproxima do

    solo

    Trepador toma diversas direces consoante os suportes que encontra (eg. volvel)

    Fig. II Porte de planta jovem: 1- erecto; 2 suberecto, cresce fazendo um ngulo superior a 45com o solo; 3 subprostrado - cresce fazendo um ngulo inferior a 45com o solo; 4 prostrado cresce alongado-se sobre o solo.

    Fig. III _ Caule geniculado de gramnea

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    Principais tipos de caules

    Fig. IV 1 Planta acaule; 2 Caule estolhoso, prostrado; 3 Caule volvel; 4 Caule estolhoso rizomatoso; 5 rizoma; 6 Corte de bolbo tunicado: 7 Bolbo escamoso; 8 Bolbo slido; 9 Colmo; 10 Caule espalmado de cacto; 11 espique de palmeira; 12 tronco lenhoso

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    Rizoma caule subterrneo que cresce na horizontal ou obliquamente coberto de folhas escamiformes e provido de razes. (Fig. IV)

    Tubrculo Caule volumoso, orgo de reserva, desprovido de razes (eg. batata)

    Estolho caule prostrado ratejante que enraza nos ns (Fig. IV) Bolbo Caule subterrneo curto revestido de folhas escamiformes, as mais

    internas das quais so de reserva: tunicados, escamiformes ou slidos

    (Fig. IV)

    Escapo ou hstea Caule florfero prprio de plantas que durante parte do ciclo so acaules (Fig. IV)

    Colmo caule de ns bem marcados que internamente correspondem a tabiques, com os entrens revestidos pela banha das folhas; pode ou

    no ser oco. (Fig. IV)

    Espique Caule cilndrico coroado por um tufo de folhas que s engrossa enquanto jovem e mantm o mesmo dimtero durante o crescimento em

    altura (Fig. IV)

    Tronco Caule cnico lenhoso que engrossa com a idade, sem ramificaes na parte basal (Fig. IV)

    Sarmento caule flexvel lenhoso alongado prprio de plantas trepadoras como a videira

    Ramificao

    1 2

    Fig. V - Tipos de ramificao: 1 dicotmica; 2 - simpodial

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    Adaptaes e modificaes do caule

    Adaptaes destinadas propagao e acumulao de reservas:

    estolhos, rizomas, tubrculos e bolbos

    Gavinhas caulinares adaptao que permite s plantas crescer sobre

    suportes

    Espinhos adaptao secura (xeromorfia)

    Filocldios ramos curtos achatados em forma de folha que cumprem as

    respectivas funes nos casos em que estas so de reduzidas dimenses

    Braquiblastos ramos curtos diferenciados apenas para a insero de

    folhas ou flores e no para o alongamento da planta

    Eixos florais escapos ou hsteas

    Eixo das inflorescncias

    1

    2

    3 4

    Fig. VI Modificaes de acule: 1 filocldios; 2 braquiblastos (a) e macroblastos (b); 3 gavinhas; 4 - espinhos

    a

    b

  • 7

    III - FOLHA Orgo de assimilao e transpirao. As folhas primordiais originam-se

    directamente a partir do embrio, as outras a partir de gomos foliares

    diferenciados sobre os caules.

    Localizao:

    Areas

    Aquticas (flutuantes ou submersas)

    Subterrneas

    Constituio Uma folha completa encontra-se esquematizada na Fig. VI. Nalguns casos a

    folha incompleta, podendo estar reduzida banha, como nalgumas

    gramneas, ou ao pecolo, caso em que toma o nome de fildio. Mais frequentemente, quando incompleta, a folha est reduzida ao limbo e diz-se

    rente ou sssil.

    Fig. VII Constituio de uma folha completa

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    Insero Diviso do limbo

    Fig. IX Diviso do limbo: 1 folha inteira; 2 folha imparipinulada; 3 folha composta paripinulada

    Fig. VIII Insero das folhas: 1 Oposta; 2 Alterna; 3 - Verticilada

    1 2

    3

    Fololos

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    Forma geral do limbo Forma Geral do Limbo

    Fig. XII. Forma geral do limbo: 1 arredondada; 2 - elptica; 3 ovada; 4 obovada; 5 lanceolada; 6 violina; 7 oblonga; 8 espatulada; 9 linear; 10 ensiforme; 11 falciforme; 12 alabardina; 13 cordiforme; 15 escamiformes; 16 reniforme; 17 deltide; 18 romboidal; 19 sagitada. (Adaptado de Vasconcelos, 1969).

    Fig. XI Folha trifoliada

    Rquis

    Fololo primrio

    Fololo secundrio

    Fig. X Folha recomposta imparipinulada

  • 10

    A Fig. XII aponta apenas as formas mais comuns. De notar que os nomes

    atribudos s diferentes formas se aproximam ou de figuras geomtricas

    conhecidas ou de formas de objectos conhecidos. Contudo, estas formas

    encontram-se definidas por diversos autores de acordo com a razo

    comprimento largura do limbo bem como com a localizao da sua maior

    largura (Ref.)

    Forma do pice e da base do limbo Outros caracteres importantes referem-se forma do pice e da base do

    limbo, junto ao ponto de insero do pecolo (Fig. XIII).

    Fig. XIII Forma da base do limbo: 1 acunheada; 2 arredondada; 3- truncada; 4 auriculado - cordiforme; 5 auriculado - alabardina; 6 auriculado sagitada; 7 hastada; 8 com aurculas estipuliformes. Forma do vrtice do limbo: 9 acuminado; 10 agudo; 11 assovelado; 12 obtuso; 13 arredondado; 14 truncado e mucronado; 15 chanfrado ou emarginado. (Adaptado de Vasconcelos, 1969).

  • 11

    Nervao

    2

    Fig. XIV Outras formas da base do limbo: 1 peltada; 2 adunada; 3 perfoliada; 4 - decorrente

    3 4

    2

    3

    Fig. XV Venao 1 peninrvea; 2 paralelinrvea; 3 - palminrvea

    1

    1

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    Recorte do limbo Quanto ao recorte pode distinguir-se aquele que afecta apenas a margem do

    limbo, normalmente pequenos recortes recorte marginal - e o recorte que afecta uma percentagem aprecivel do limbo - recorte profundo. Uma margem no recortada caracterstica das folhas inteiras. Folhas de limbo

    com recorte profundo podem ou no possuir, adicionalmente, recorte

    marginal.

    Fig. XVI Recorte marginal: 1 inteira; 2 - serrada; 3 serrilhada; 4 duplamente serrada; 5 dentada; 6 denticulada: 7 crenada; 8 - crenulada

    Fig. XVII Recorte profundo 1 lobada; 2 fendida; 3 partida; 4 - penatissecta

    Fig. XVIII Folha palmatilobada

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    Folhas lobadas folhas cujo recorte no ultrapassa metade da maior largura

    do limbo at nervura; Folha fendida recorte at metade da maior largura

    do limbo at nervura; Folha partida recorte que ultrapassa metade da

    maior largura do limbo; Folha secta o recorte to profundo que as

    diversas pores do limbo ficam apenas ligadas pela nervura.

    Indumento Compreende todos os apndices que reveste a epiderme foliar e, por vezes,

    tambm o caule (Ex: plos, glndulas, plos glandulares, papilas e escamas).

    Quando falta os orgos dizem-se glabros. Quando apresentam poucos plos ou que os perdem rapidamente os orgos dizem-se glabrescentes. Existe toda uma srie de termos que designam o tipo de indumento, referindo

    se o indumento constuitudo por plos (longos ou curtos) ou por outras

    estruturas: glndulas, papilas, verrugas, entre outras.

    A existncia de um indumento pode ser indicao importante sobre o habitat

    que a planta ocupa e , para alm disso, um caracter taxonmico de relevo.

    O conhecimento das diferentes designaes do indumento adquire-se com a

    prtica do manuseamenteo de chaves dicotmicas com respectivos

    glossrios de termos.

    Termos mais vulgarmente utilizados:

    Piloso com plos compridos, delgados, rectos e patentes Viloso - com plos compridos, macios, mais ou menos levantados, por vezes sinuosos

    Hirsuto - com plos compridos, felxveis e dentosos Hspido - com plos compridos, rgidos mais ou menos afastados Tomentoso - com plos compridos, deitados, enleados uns nos outros, enfeltrados, que s lente se distinguem

    Pubescente - com plos curtos, pouco densos e moles Puberulento - com plos curtssimos e pouco densos Lanuginoso - com plos curtos, crespos e macios

    Fig. IX Acleos de roseira

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    Devem ainda considerar-se outras emergncias, para alm de glndulas,

    papilas e verrugas:

    Acleos formaes do tecido cortical, terminados em ponta aguda, fceis de arrancar.

    Quando no existem acleos a planta diz-se inerme.

    Adaptaes e modificaes

    Fig. XX Modificaes e apndices: espinhos de Opuntia; 2 folhas com estpulas ligadas ao pecolo; 3 folhas modificadas em gavinhas 3

    1 3

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    INFLORESCNCIAS Entende-se por inflorescncia a disposio das flores no eixo floral. Podem

    ser: