NUTRIÇAO NA CULTURA DA VIDEIRA

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  • -NUTRIAO NA CULTURA DA VIDEIRA

    Teresinha Costa Silveira de Albuquerqu

    Mestre em Fitotecnia

    Doutora em Nutrio de Plantas

    1Embrapa Sem i-rido, BR 428, km 152, Petrolina, PE. Caixa Postal 23. CEP 56.300-970

  • INTRODUOO suprimento e absoro dos compostos qumicos necessrios para o crescimento e metabolismo

    das plantas pode ser definido como nutrio (Mengel e Kirkby, 1987). A nutrio das plantas e,principalmente das plantas perenes, est intimamente relacionada com o ambiente em que se encontramessas plantas, ou seja com o tipo de solo, umidade disponvel, quantidade de matria orgnica e, por fim,com a prpria fertilidade do solo. Diz-se que uma planta est bem nutrida quando se realiza a mximautilizao dos nutrientes da soluo do solo, com maior eficincia fisiolgica da parte area, havendo umperfeito equilbrio entre crescimento vegetativo e reprodutivo.

    REQUERIMENTOS DA VIDEIRA POR NUTRIENTES MINERAISAs reservas de nutrientes minerais, especialmente N, so importantes para o total

    desenvolvimento da videira. Presume-se que a maior percentagem de N requerido para odesenvolvimento de novos ramos mobilizado das reservas existentes de N nas estruturas permanentesda videira, predominantemente das razes. Em plantas jovens desenvolvidas em campo, Araujo eWilliams (1988) encontraram que 14% a 26% do N requerido para o crescimento de novos ramos foimobilizado de outros rgos que no as razes. Em outro estudo com 'Thompson Seedless', Mullins et aI.(1992) comenta que 15g de N por videira foi mobilizado das razes para os ramos, no perodo entre abrotao e o florescimento, e isto representa 70% do N requerido para os ramos. A quantidade de Nmobilizado das razes, caule e outras estruturas permanentes dependente da idade das videiras, dapoca do ano e do estdio de desenvolvimento das plantas.

    Somente uma pequena quantidade de K mobilizado das razes, mas do caule e dos braos nada mobilizado para outros rgos. O fruto o maior dreno para K aps o incio do desenvolvimento dobago. Muitos estudos tm mostrado que a mobilizao do K das folhas para os frutos ocorre se afolhagem extremamente densa. Alguns estudos tm mostrado que pode existir uma pequenaredistribuio de K das varas para os cachos. No entanto, a maior parte do K encontrado nos frutos extrado do solo (Mullins et aI., 1992).

    A concentrao da maioria dos nutrientes minerais nas videiras so mais altos no incio do ciclo,diminuindo a medida que as plantas crescem. Williams (1987) e Williams et aI. (1987) relatam, comopode ser observado na Tabela 3 um decrscimo na concentrao de nutrientes em folhas, varas ecachos de uva. No caso do N, a diminuio parece ser devida ao efeito de diluio, pois que o contedototal aumentou ou permaneceu constante com o crescimento continuado dos rgos. A ocorrncia dadiluio d-se devido a acumulao de acar nos bagos ou os componentes da parede celular dasfolhas e das varas aumentaram mais do que absorveram nutrientes.

    A concentrao de K e de P tambm diminui durante a estao de crescimento (Christensen,1969). Conradie (1981) citado por Mullins et ai. (1992) comenta que houve uma diminuio naconcentrao de K e de P nas folhas, no entanto, a concentrao de Ca e Mg aumentou ou permaneceuconstante.

    A quantidade de nutrientes minerais requerida pela videira consideravelmente pequena emrelao a necessidade de outras culturas (Olson e Kurzt, 1982 citado por Mullins et ai., 1992). Lafond etaI. (1965) determinou que para o crescimento dos ramos e dos frutos de St. Emilion so necessrios64kg de N/ha. A quantidade de N absoluta nos frutos varia com o cultivar, as condies do solo, alocalizao do vinhedo e as adubaes realizadas.

    Conradie e Saayman (1989) estudando a demanda de nutrientes para a videira na frica do Sul,comentam que a cultura necessita cerca de 3,9kg de N para produzir 1 tonelada de uvas de vinho,estando este dado de acordo com trabalhos realizados na Frana por Champagnol (1978). Em relaoao P, foi recomendado a colocao de 9kg/ha em cada ano, sendo recomendado ter cuidado em noexceder esta dose, por haver antagonismo P/K. Para K a dose adequada foi de 40kg para uma produode 13t1ha.

    Quando utilizados diferentes porta-enxertos, os teores de nutrientes na produtora, sobretudo do P,

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  • foram nitidamente superiores queles encontrados nas videiras de p-franco, especialmente quando acopa era Vitis vinifera (Condei, 1989).

    A definio das quantidades de nutrientes requeridos pela videira, durante todo o seudesenvolvimento um assunto bastante contraditrio, pois existem uma srie de fatores envolvidos nosprocessos de extrao, translocao e mobilizao de nutrientes. Com relao ao solo pode-se dizer queas caractersticas fsicas, qumicas e biolgicas do mesmo podem interferir nas quantidades de nutrientesdisponveis s videiras. A capacidade de extrao e translocao de nutrientes do porta-enxerto utilizado outro fator de suma importncia para estimar-se as quantidades de nutrientes requeridos pela cultura.Alm disso, tem-se as caractersticas prprias do cultivar considerado: idade da cultura, vigor, potencialprodutivo, finalidade da produo (mesa ou vinho), tipo de conduo e muitos outros aspectos.

    FUNO DOS NUTRIENTES ESSENCIAIS E SINTOMAS DEDEFICINCIA

    A nutrio da videira, como comentado anteriormente, decorrente de inmeros processos fsicos,qumicos, fisiolgicos e biolgicos, resultantes das interaes entre as plantas e o meio na qual estoestabelecidas. Por ser cultivada em unidades de solo com caractersticas qumicas e fsicas muitovariveis, importante que as plantas recebam quantidades de nutrientes, em acordo com o meio emque se desenvolvem, e que estas quantidades supram suficientemente s necessidades nutricionais dacultura para vegetar e produzir de maneira satisfatria.

    O carbono e o oxignio so obtidos atravs do ar, na forma de CO2 e O2 que so utilizados nosprocessos de fotossntese e respirao. O hidrognio, assim como o oxignio so encontrados na gua eos outros elementos so encontrados no solo sob diversas formas. Os elementos: nitrognio, fsforo,potssio, clcio, magnsio e enxofre so exigidos em grandes quantidades pelas plantas, sendodenominados macronutrientes; e os que so exigidos em pequenas quantidades: boro, cloro, molibdnio,cobre, ferro, mangans e zinco, so chamados de micronutrientes.

    A carncia ou o excesso de um ou mais nutrientes pode ser caracterizada por meio de sintomasvisveis nas folhas, ramos e frutos. No entanto, quando os sintomas de deficincia se manifestam, aproduo das plantas e a qualidade dos frutos j tero sido reduzidas substancialmente. O maisaconselhvel monitorar-se o vinhedo por meio de anlises foliares, evitando-se, desse modo, oaparecimento de sintomas de deficincia ou excesso nutricional (Albuquerque, 1996).

    MacronutrientesO conhecimento das formas pelas quais os macronutrientes so absorvidos, a sua mobilidade no

    solo e na videira, as funes desempenhadas nas plantas e compostos formados importante para quese possa identificar sintomas de deficincia, bem como determinar a poca e quais produtos utilizar nafertilizao das videiras (Tabela 01).

    NitrognioO nitrognio absorvido pelos vegetais nas formas NH/ e N03-, mas no caso da videira, quase

    todo o nitrognio absorvido e transportado at as folhas na forma de N03-, onde sofre reduo paraN02- e, em seguida, para NH/, na presena da enzima redutase do nitrato (Christensen et aI., 1978). Apartir do NH/ tem incio o processo de sntese de compostos orgnicos como, aminocidos, pigmentosda clorofila, protenas, hormnios, alcalides e fosfatos orgnicos.

    Praticamente no so observados sintomas visuais de deficincia de nitrognio nas videiras doSubmdio So Francisco. Isto ocorre porque os vticultores da regio, alm da adubao com nitrogniomineral aplicam 20 a 60 m3/ha de esterco de curral por ciclo da cultura, que apresenta em mdia 1% deN (Pereira et aI., 2000). Entretanto, chama ateno, em anos atpicos, quando ocorrem, em perodo curtode tempo, precipitaes intensas de 50mm ou mais, o aparecimento de leve descolorao das folhas das

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  • videiras devido a intensa lixiviao do nitrognio do solo dos vinhedos. Esta descolorao momentneae prontamente superada quando param as chuvas e as plantas voltam a absorver quantidadesadequadas de nitrognio do solo. O sintoma de deficincia de nitrognio bem ntido em plantas devideira desenvolvidas em hidroponia na ausncia desse nutriente.

    O excesso de nitrognio pode resultar em aumento de vigor das plantas, atraso na maturao doscachos, dessecamento da rquis e dos sarmentos, predisposio a doenas e desequilbrio na relaocarbono/nitrognio. Esta relao, em conjunto com o balano hormonal entre citocininas e giberelinas,regula todo o mecanismo de diferenciao e induo das gemas florais, provocando a diminuio dafertilidade das plantas (Srinivasan e Mullins, 1981) .

    FsforoO fsforo na planta, aps ser absorvido na forma de H2P04--, em solos com pH favorvel (6,5),

    permanece como fosfato inorgnico (Pi) ou esterificado, formando ster fosfato (acar fosfato) ou,ainda, une-se a um outro fosfato atravs de uma ligao altamente energtica - pirofosfato P - P (ATP).O fsforo est em constante mudana entre essas trs formas, dentro das plantas (Marschner, 1995).

    O fsforo mvel na planta e devido a isso, os sintomas de deficincia ocorrem, inicialmente, nasfolhas mais velhas e se caracterizam por uma clorose e presena de antocianinas (colorao roxo-violeta), evoluindo para necrose e secamento.

    A deficincia desse elemento afeta sobremaneira o vigor das plantas, causando reduo nodesenvolvimento do sistema radicular, retardamento no crescimento e escassa lignificao dos tecidos(Fregoni, 1980). Entretanto, essa sintomatologia se manifesta apenas quando a deficincia muitoacentuada, o que geralmente no acontece em vinhedos no campo.

    Na regio do Submdio So Francisco, so utilizadas grandes quantidades de fertilizantesfosfatados min