O Duplo Juízo de Admissibilidade dos Recursos e o ...· lei processual em vigor, quando for manifes-tamente

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O Duplo Juzo de Admissibilidade dos Recursos e o Princpio da Economia Processual.

Antnio Souza Prudente*

1. Do juzo de admissibilidade do Agravo.

Na afirmao dos princpios da razoabi-lidade e da economia processual, a Lei 9.139, de 30 de novembro de 1995, com eficcia a partir de 30 de janeiro de 1996, deu nova dis-ciplina ao recurso de agravo de instrumento, especialmente, retirando de seu procedimen-to o incuo duplo juzo de admissibilidade, at porque, na redao do texto legal anterior, o juzo singular, em primeira instncia, no poderia negar seguimento ao agravo, ainda que intempestivo.

O agravo de instrumento, agora, ser dirigido diretamente ao Tribunal competen-te (CPC, art. 524), devendo o agravante, no prazo de 3 (trs) dias, requerer a juntada, nos autos do processo original, de cpia da petio do agravo e do comprovante de sua interposio, assim como a relao dos docu-mentos que instruem o recurso, sob pena de inadmissibilidade do agravo (CPC, art. 526 e respectivo pargrafo nico, com a redao da Lei 10.352, de 26 de dezembro de 2001). Se o juzo monocrtico comunicar que reformou inteiramente a deciso recorrida, o relator considerar prejudicado o agravo (CPC, art. 529), por falta de interesse processual.

Distribudo o agravo de instrumento, no Tribunal de apelo, o Relator sorteado veri-ficar a existncia dos pressupostos genricos e especficos de admissibilidade do recurso e

no havendo qualquer um desses pressupos-tos, dever negar-lhe seguimento, liminar-mente (CPC, art. 527, I, c/c o art. 557, caput), ou, ainda, poder converter o agravo de ins-trumento em agravo retido, quando no for o caso de proviso jurisdicional de urgncia, atrelada a perigo de leso grave e de difcil ou incerta reparao, remetendo os respectivos autos ao juzo da causa, em primeira instn-cia, para serem apensados ao feito principal, cabendo agravo regimental dessa deciso ao rgo colegiado competente (CPC, art. 527, II, c/c o art. 557, 1).

No entanto, conforme determinao da lei processual em vigor, quando for manifes-tamente inadmissvel o agravo, o Tribunal condenar o agravante a pagar ao agravado multa entre 1% (um por cento) e 10% (dez por cento) do valor corrigido da causa, fican-do a interposio de qualquer outro recurso condicionada ao depsito do respectivo valor (CPC, art. 557, 2).

Esse dispositivo legal, contudo, se apresenta duplamente agressor de garantias constitucionais, quando determina a aplica-o da multa ao agravante e no a seu advo-gado, responsvel pela infrao processual, na espcie, ferindo, desse modo, a garantia fundamental da pessoalidade da pena (CF, art. 5, XLV) e quando condiciona a interpo-sio de qualquer outro recurso ao depsito do valor da multa aplicada, em total afronta

*Desembargador Federal do TRF-1 Regio; Mestre em Direito Pblico, Doutorando em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco e Professor Decano da

Universidade Catlica de Braslia/DF.

Revista do Tribunal Regional Federal 1 Regio, Braslia, v. 15, n. 2, fev. 2003.

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s garantias fundamentais da inafastabilidade da jurisdio e do pleno acesso Justia (CF, art. 5, XXXV), bem assim, da ampla defesa, constitucionalmente garantida (CF, art. 5, LV).

Melhor seria, na hiptese ventilada, que o legislador responsvel pela reforma do texto processual, mantivesse o olhar atentamente sistmico e vinculado sempre aos princpios e garantias constitucionais do processo justo, como o fizera na redao do pargrafo nico do art. 14 do CPC, atravs da Lei 10.358, de 27 de dezembro de 2001, mandando aplicar a multa ao responsvel pela infrao, em montante a ser fixado de acordo com a gravidade da conduta atentat-ria ao exerccio da jurisdio, como no caso dos recursos abusivamente protelatrios, em todos os graus de jurisdio.

Na modalidade de agravo retido, o agravante requerer que o Tribunal dele conhea, preliminarmente, por ocasio do julgamento da apelao, no se conhecendo desse agravo, se a parte no requerer expres-samente, nas razes ou na resposta da apela-o, sua apreciao pelo Tribunal (CPC, art. 523 e respectivo 1).

Como se v, o agravo retido, que se apresenta cabvel, somente nas hipteses de inexistncia de periculum in mora, vale dizer, nos casos em que no h a possibilidade de dano de difcil e de incerta reparao (CPC, art. 523, 4), est submetido a um s ju-zo de admissibilidade recursal, perante o Tribunal competente, ainda que vinculado existncia e admissibilidade do recurso de apelao, na espcie. Inexiste, assim, a possi-bilidade jurdica de conhecimento de agravo retido pelo Tribunal, quando no houver, nos

autos processuais, apelao da sentena, ou quando essa apelao no for admitida, res-tando, apenas, a apreciao da remessa oficial (CPC, art. 475 e respectivo 1).

2. Do juzo de admissibilidade da apelao.

Na sistemtica do processo vigente, quando interposta a apelao, o juiz, decla-rando os efeitos em que a recebe, mandar dar vista ao apelado para responder e apresentada a resposta, facultado ao juiz o reexame dos pressupostos de admissibilidade do recurso (CPC, art. 518 e respectivo pargrafo nico).

De outro lado, a mesma lei processual estabelece que, no Tribunal de apelao, o relator negar seguimento a recurso manifes-tamente inadmissvel, cabendo agravo regi-mental dessa deciso, no prazo de 05 (cinco) dias, ao rgo competente para o julgamento do recurso, e, se no houver retratao, o relator apresentar o processo em mesa, pro-ferindo voto; provido o agravo o recurso ter seguimento (CPC, art. 557 e respectivo 1).

De ver-se, assim, que inexiste qualquer vinculao do relator, no Tribunal compe-tente, ao Juzo de admissibilidade ou de inadmissibilidade da apelao, realizado, em primeira instncia, pelo juzo singular.

H de prevalecer, sempre, na espcie, pelo visto, o juzo de admissibilidade do rgo de jurisdio competente para o julga-mento do recurso, no Tribunal revisor.

No se me afigura, assim, razovel, nem justo, atentando mesmo contra o prin-cpio da economia processual, submeter a parte recorrente morosidade abusiva de

Revista do Tribunal Regional Federal 1 Regio, Braslia, v. 15, n. 2, fev. 2003.

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um duplo e provavelmente triplo juzo de admissibilidade de seu recurso, perante duas instncias de jurisdio, quando seja, de lege ferenda, perfeitamente dispensvel o juzo de admissibilidade recursal, ainda previsto no juzo singular (CPC, art. 518 e respectivo pargrafo nico).

A apelao deveria, em qualquer caso, ser interposta, nos autos, no prazo legal, para ser admitida ou inadmitida, unicamente, pelo juiz relator, no Tribunal, com possibilidade de reviso desse ato, atravs de agravo regi-mental, pelo rgo de jurisdio competente, para o julgamento do recurso, se no houver retratao do relator sorteado.

Nessa perspectiva da melhor reforma processual, uma vez interposta a apelao, os autos seriam imediatamente remetidos ao Tribunal competente, devendo a Secretaria Judiciria do Tribunal abrir vistas, de logo, ao recorrido, para responder.

Com a resposta recursal ou sem ela, o relator sorteado, exerceria o juzo de ad-missibilidade da apelao, facultando-se ao apelado promover, de pronto, a execuo provisria da sentena recorrida, mediante a instrumentalidade da respectiva carta, por despacho deferitrio do aludido relator (CPC, art. 521), nas hipteses previstas no art. 520, incisos I a VII, da lei processual codificada e em casos outros similares da legislao esparsa.

Haver de ser mantida, a todo modo, na espcie em comento, por manifesta economia processual, a norma inteligente do artigo le-gal que ordena ao relator negar seguimento a recurso manifestamente inadmissvel, impro-cedente, prejudicado ou em confronto com

a smula ou com jurisprudncia dominante do respectivo Tribunal, do Supremo Tribunal Federal ou de Tribunal Superior (CPC, art. 557, caput) e se a deciso recorrida estiver em manifesto confronto com smula ou com jurisprudncia dominante do Supremo Tribu-nal, ou de Tribunal Superior, o relator poder dar provimento ao recurso (CPC, art. 557, 1 - A), cabendo, em qualquer caso, o agravo regimental, no prazo de 5 (cinco) dias, ao r-go competente para o julgamento do recur-so, e se no houver retratao, o relator apre-sentar o processo em mesa, proferindo seu voto; sendo provido o agravo, o recurso ter seguimento, para ser regularmente julgado pelo rgo competente (CPC, art. 557, 1).

3. Do juzo de admissibilidade dos embargos infringentes.

O art. 530 do CPC, com a redao de-terminada pela Lei 10.352,