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o estado das atividades nos ambientes marinhos e costeiros

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    o estado das atividadesnos ambientes marinhos e costeiros

    Os ambientes marinho e costeiro do Brasil vm sofrendo

    nos ltimos anos um considervel processo de degrada-o ambiental, gerado pela crescente presso sobre os re-

    cursos naturais marinhos e continentais e pela capacidadelimitada desses ecossistemas absorverem os impactos re-

    sultantes. A introduo de nutrientes, alterao ou destrui-o de habitats, alteraes na sedimentao, superexplora-

    o de recursos pesqueiros, poluio industrial, principal-mente de poluentes persistentes, e a introduo de espci-

    es exticas, constituem-se nos maiores impactos ambien-tais na Zona Costeira Brasileira.

    Ao longo do litoral, alternam-se mangues, campos de du-

    nas e falsias, baas e esturios, recifes e corais, praias ecostes, plancies intermars e outros ambientes impor-

    tantes do ponto de vista ecolgico. Em tal zona se locali-zam as maiores manchas residuais da Mata Atlntica, in-

    clusive sua maior manifestao contnua, envolvendo asencostas da Serra do Mar, nos estados do Rio de Janeiro,

    Tambm as plancies costeiras formadas pela justaposio

    de cordes litorneos so uma das feies marcantes dolitoral brasileiro, especialmente da sua poro sudeste e sul,

    em cujos ambientes atuais podem ser encontradas praias,dunas frontais, cordes litorneos e zonas de intercordes,

    que recebem a denominao de restingas.

    Esses ambientes, em funo de suas caratersticas e atribu-tos, so utilizados para a atividade petrolfera, porturia, agri-

    cultura e agroindstria, aqicultura, carcinicultura, extraomineral, extrao vegetal, extrativismo, pecuria, pesca, reflo-

    restamento, salinas, recreao, urbanizao e zonas de con-servao dos ecossistemas.

    O crescimento populacional e seu desenvolvimento as-

    sociado so a principal causa das mudanas ambientaisque estamos observando no Brasil. Sendo um pas em

    processo de desenvolvimento, o Brasil precisa crescerem altas taxas para suprir carncias bsicas de sua popu-

    lao. Para tanto, a explorao dos recursos naturais e aproduo industrial de manufaturados desempenham um

    importante papel para abastecer o mercado interno e con-seguir supervits na balana comercial. Os custos ambi-

    entais associados ao desenvolvimento so altos, parti-cularmente quando o sistema de controle ambiental no

    funciona adequadamente.

    A regio costeira brasileira apresenta um quadro preocupanteem relao degradao ambiental, especialmente em regi-

    es prximas aos grandes centros. Inmeras baas e esturi-os esto com seus habitats naturais comprometidos pela po-

    luio e explorao dos recursos naturais.

    Sendo o Brasil um pas de formao colonial, a ocupa-o de seu territrio ocorreu no sentido dos ncleos cos-

    teiros para a hinterlndia. Dessa forma, suas primeirasreas de adensamento populacional se localizaram na

    zona litornea, exatamente os plos de difuso do povo-amento. Tal estrutura condicionou uma concentrao po-

    pulacional na zona costeira, a qual perdura at a atualida-de. Este processo, contudo, gerou reas altamente povo-

    adas, entrecortadas por regies de ocupao rarefeita,que foram alvo de uma rpida ocupao nos ltimos

    anos. Isto gerou uma concentrao que equivale a umefetivo de mais de 70 milhes de habitantes, cuja forma

    de vida impacta diretamente os ambientes litorneos.

    So Paulo e Paran. Tambm os manguezais apresentam

    uma expressiva ocorrncia na zona costeira. O Brasil pos-sui de 10.000 a 25.000km2 de manguezais, sendo encontra-

    dos desde o Amap, ao longo de praticamente todo olitoral, margeando esturios, lagunas e enseadas, at La-

    guna, em Santa Catarina, limite austral desse ecossiste-ma no Atlntico Sul Ocidental. Os manguezais cumprem

    funes essenciais na reproduo bitica marinha e noequilbrio das interaes da terra com o mar.

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    Os ambientes marinhos e costeiros da costa brasileira pro-movem oportunidades para atividades econmicas e so-

    ciais que incluem: a pesca, agricultura, explorao de re-cursos minerais, etc. Na verdade, a costa brasileira possui

    um enorme valor para recreao, sendo que para l, e cadavez mais, uma significativa parcela da populao conver-

    ge o seu lazer e trabalho.

    Todo este patrimnio natural e cultural encontra-se amea-ado. O atual processo de degradao ambiental da zona

    costeira brasileira configura um estado de desequilbriodifcil de ser revertido, principalmente prximo aos gran-

    des centros urbanos.

    1 . Presses que ocorrem nos ambi-entes marinhos e costeiros

    Metade da populao brasileira reside a no mais de 200kmdo mar, impactando diretamente os ambientes litorneos.

    Neste contexto, 5 das 9 regies metropolitanas brasileirasencontram-se beira-mar: Fortaleza, Recife, Salvador, Rio

    de Janeiro e ainda Belm, em regio estuarina. As ativida-des econmicas costeiras so responsveis por cerca de

    70% do PIB nacional.

    A zona costeira brasileira tem como aspectos distintivos suaextenso e a grande variedade de espcies e de ecossistemas.

    Em termos de rea de abrangncia, a linha de costa se estendepor 7.300km, nmero que se eleva para mais de 8.500km, quan-

    do se consideram os recortes litorneos.

    A zona costeira brasileira pode ser considerada uma regio decontrastes, constituindo-se, por isso, um campo privilegiado

    para o exerccio de diferentes estratgias de gesto ambiental.Por um lado so encontradas nessa regio, reas onde coinci-

    dem intensa urbanizao, atividades porturia e industrial rele-vantes e explorao turstica em larga escala, como no caso

    das metrpoles e centros regionais litorneos, em grande par-te localizadas em reas estuarinas e baas, centros difusores

    dos primeiros movimentos de ocupao do Brasil, por consti-turem, naturalmente, reas abrigadas.

    Por outro lado, esses espaos so permeados por reas de

    baixa densidade de ocupao e ocorrncia de ecossiste-mas de grande significado ambiental, que, no entanto, vm

    sendo objeto de acelerado processo de ocupao, deman-dando aes preventivas de direcionamento das tendnci-

    as associadas dinmica econmica emergente (a exem-plo do turismo e da segunda residncia), e o reflexo desse

    processo na utilizao dos espaos e no aproveitamentodos respectivos recursos.

    Nas duas situaes, o elemento comum est na diversida-

    de dos problemas, na fragilidade dos ambientes encontra-dos e na complexidade de sua gesto, com uma demanda

    enorme por capacitao e mobilizao dos diversos ato-res envolvidos, pressupondo intervenes integradas, re-

    direcionadoras das polticas pblicas nacionais inciden-tes nessa regio.

    O crescimento populacional a principal forma de presso

    que ocorre no ambiente marinho e costeiro. A necessidadede terras para construo de casas e infra-estrutura, a de-

    pendncia dos recursos naturais para alimentao da popu-lao e a necessidade de gua doce so alguns dos proble-

    mas decorrentes do crescimento populacional especialmen-te nas grandes cidades. Como a tendncia atual de au-

    mento da populao costeira, esperado um aumento dosproblemas associados ao aumento da populao. A cons-

    truo de casas em reas de alta sensibilidade ambientaltais como dunas, mangues, esturios, etc., a falta de sanea-mento bsico, junto com as atividades de agricultura e ativi-

    dades urbanas, degradam os ambientes naturais atravs dapoluio orgnica, deposio de sedimentos e deterioriza-

    o dos habitats naturais.

    Presso associada a navios inclui o vazamento de leo e adescarga de gua de lastro, trazendo prejuzos qualidade

    da gua, especialmente nas regies porturias.

    Os esgotos domsticos so um produto inevitvel dos as-sentamentos humanos e o volume de esgotos gerados pode

    ser estimado atravs do PNB (produto nacional bruto percapita). A crescente ocupao das regies costeiras e a

    formao de grandes centros urbanos costeiros tm resul-tado, nas ltimas trs dcadas, na elevao dramtica da

    liberao de nutrientes e outros materiais deletrios conti-dos naqueles esgotamentos, incluindo organismos pato-

    gnicos. A perspectiva do crescimento continuado em den-sidade demogrfica costeira, conforme temos observado

    nas ltimas dcadas, urge pelo estabelecimento de estratgi-as adequadas de manejo e de reduo dos impactos ao meio

    ambiente e sade humana.

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    2 . Fragmentao dos habitats (eroso,sedimentao e assoreamento)

    De acordo com a classificao geomorfolgica da costa

    brasileira, mostrado que no Brasil o aumento relativo donvel do mar no usualmente considerado como uma

    causa possvel dos problemas de eroso observados. En-tretanto, h uma evidncia cada vez maior de eroso bei-

    ra-mar em diferentes partes da costa. A maior parte dosestudos geomorfolgicos tem se limitado a reas inerente-

    mente instveis e dinmicas, tais como enseadas e barrasna foz de rios (Marques, 1987: Muehe e Albino, 1992), ou a

    reas afetadas por obras de engenharia, no consideradas,nestes casos, como evidncia de eroso devida ao aumen-

    to do nvel do mar. E, ainda, que a falta de suprimento desedimento, o aumento da intensidade de tempestades, os

    movimentos tectnicos locais e a interferncia humana po-dem tambm contribuir para a eroso.

    Abaixo, descrevemos a situao da costa brasileira, subdi-

    vidida em regies geogrficas.

    LITORAL SUL / SUDESTE

    Nos 1.530 km de comprimento da linha da costa da re-gio Sudeste, cuja orientao do