O Formativo e os Modos de Produção: Ocupações Pré-ceramistas

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  • Universidade de So Paulo

    Programa de Ps Graduao em Arqueologia

    Museu de Arqueologia e Etnologia

    Orientador: Prof Dr Eduardo Ges Neves

    O Formativo e os Modos de Produo:

    Ocupaes Pr-ceramistas no Alto Rio Madeira - RO

    GUILHERME ZDONEK MONGEL

    Agosto/2015

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    UNIVERSIDADE DE SO PAULO

    MUSEU DE ARQUEOLOGIA E ETNOLOGIA

    PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM ARQUEOLOGIA

    Guilherme Zdonek Mongel

    O Formativo e os Modos de Produo: Ocupaes Pr-ceramistas no Alto Rio Madeira - RO

    Dissertao apresentada ao Programa de Ps Graduao em Arqueologia do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de So Paulo para a obteno do ttulo de Mestre em Arqueologia.

    rea de Concentrao: Arqueologia Orientador: Professor Doutor Eduardo Ges Neves

    Linha de pesquisa 2. Espao, Sociedade e Processos de Transformao no Registro Arqueolgico.

    Verso revisada. A original encontra-se na Biblioteca do MAE

    So Paulo Agosto/2015

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    Entretanto, seremos ainda cientistas, se nos desligamos da multido? Os

    movimentos dos corpos celestes se tomaram mais claros; mas os

    movimentos dos poderosos continuam imprevisveis para os seus povos.

    A luta pela mensurao do cu foi ganha atravs da dvida; e a credulidade

    da dona-de-casa romana far que ela perca sempre de novo a sua luta pelo

    leite. A cincia, Sarti, est ligada s duas lutas. Enquanto tropea dentro

    de sua bruma luminosa de supersties e afirmaes antigas, ignorante

    demais para desenvolver plenamente as suas foras, a humanidade no ser

    capaz de desenvolver as foras da natureza que vocs descobrem. Vocs

    trabalham para qu? Eu sustento que a nica finalidade da cincia est

    em aliviar a canseira da existncia humana. E se os cientistas,

    intimidados pela prepotncia dos poderosos, acham que basta amontoar

    saber, por amor do saber, a cincia pode ser transformada em aleijo, e as

    suas novas mquinas sero novas aflies, nada mais. Com o tempo,

    possvel que vocs descubram tudo o que haja por descobrir, e ainda assim

    o seu avano h de ser apenas um avano para longe da humanidade.

    Bertold Brecht trecho da pea Vida de Galileu Galilei (1938-1939)

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    AGRADECIMENTOS

    No so poucos os trabalhos acadmicos que so feitos a muitas mos. Este no

    diferente. Espero dar conta, nestas linhas, dos meus sinceros agradecimentos de todos que

    contriburam para a finalizao desta dissertao.

    Em primeiro lugar, gostaria de agradecer ao Prof. Eduardo Neves, meu orientador, que

    abriu as portas do Laboratrio 1 e prontamente me inseriu no Projeto Amaznia Central,

    este grande coletivo de grandes amigos e arquelogos. O agradeo pela confiana, pela

    amizade, simplicidade e pelos inmeros momentos de aprendizagem. Sua clssica frase

    sobre a mosca azul nunca foi to verdadeira, a arqueologia foi a febre que peguei e que

    certamente nunca me curarei.

    Agradeo tambm aos colegas de arqueologia amaznica que passaram tanto pelo PAC

    como pelo ARQUEOTROP, todos de alguma forma foram meus professores: Kazuo e

    Mrjorie, Thiago Pitoco (grande parceiro de mestrado em Rondnia) Jaque Beletti,

    Felippo e Marta, Cear e Carol, Anne e Claide, Francine, Maurcio, Silvia, Carla, Jaque

    Gomes, Bernardo, Pupunha, Merrinha, Marcio papai, Chico, Pexe, Gabi, Jennifer,

    Poveron, Tijolo e Erndira. Tive ainda, duas estagirias, as quais tenho certeza que

    tiveram momentos importantes junto equipe do PALMA: Helena Santana e Kollontai

    Diniz.

    Aos colegas de Projeto Alto Madeira, que contriburam tanto nos campos como na

    elaborao de diversas das interpretaes que esto aqui presentes: Rodrigo, Breno,

    Rafael, Michelle (que levou a cabo as anlises qumicas de solo e participou ativamente

    de todos os campos), Thiago Taubat (grande amigo, fez grande parte das anlises

    qualitativas do material cermico sozinho), Myrtle (contribuiu com uma bibliografia

    considervel sobre antropologia econmica), Laura e Manu, que realizaram as anlises

    de vestgios paleoetnobotnicos e gastaram energia, dinheiro e pacincia nas campanhas

    de escavao. Agradeo tambm ao Fernando Almeida, grande incentivador para a

    criao deste projeto, e certamente a pessoa que mais contribuiu para a sua realizao. Se

    h pontos positivos na minha carreira acadmica, parte deles certamente compete sua

    proximidade.

    Aos companheiros da UNIR, professores e alunos, que disponibilizaram alm de recursos

    financeiros, disposio para trabalharem em campo: Silvana, Carlos Zimpel Guto,

    Eduardo Chumbinho, Valria, Juliana, Cleiciane, Alyne, Brena, Odair, Natiele,

    Andreia e Rbson Ravani, Laura, Rosane, Felipe e famlia (por abrirem as portas do stio

    na cachoeira do Teotnio), Carreirinha e tantos outros colegas que passaram pelos dois

    stios-escola organizados em 2013.

    Aos colegas do MAE, onde juntos construmos dois eventos internacionais, e que

    contriburam para dar outro sentido palavra coletividade na arqueologia brasileira:

    Meliam, Aninha, Juca, Dbora, Milena, Pedro, Tati Bina, Marcinha, Marina, Rafael S;

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    Davi, Bruno S, Bruno P, Mariana, Letcia C, Leticia R., Paty Marinho (mais uma

    dissertao de mestrado pro Morro do Querosene!), Fabi Belm, Duane, Gabi, Vinicius

    M. e Fabio. Aos cumpas do Pedra no Estilingue, Chico Stucchi, Raoni Valle, e Camila

    Jcome, por dividirem as pauladas, tanto as que distribumos, como as que levamos.

    Aos funcionrios do Museu, que contriburam de diversas formas para essa dissertao,

    mas com os quais tambm dividi momentos de angustia e exaltao durante vrias

    mobilizaes e greves: Regivaldo, Gilvan, Aline, Clberson, Klber, Viviane, Paulinho,

    seu Marinho, Regina, Karen, Renato, Judith, Hlio, Dna Nice, Conceio e Niccio.

    Aos companheiros Bruna Rocha e Vinicius Honorato que me inseriram em um debate

    essencial para essa dissertao, mostrando o real valor da prxis arqueolgica no Rio

    Tapajs. Na beira do stio Sapucaia entendi que a abundncia no uma caracterstica

    especfica do Teotnio, pan-amaznica. Aos grandes amigos que l fiz, seu Pedro, Dna

    Odila e todos os integrantes da famlia Braga, seu Josue e famlia, Juarez Saw e a todos

    os indgenas Munduruku que resistem bravamente s investidas colonialistas do estado

    brasileiro. Vinicius foi ainda um importante interlocutor na etapa final de interpretao

    da tecnologia ltica.

    A todos os professores do MAE, em especial aos professores Paulo de Blasis e Astolfo

    Araujo, cujas contribuies no exame de qualificao foram essenciais para dar um rumo

    finalizao. Aos professores Randall McGuire e Henry Tantalan, que alm de

    ministrarem instigantes cursos sobre o materialismo-dialtico, me cederam uma

    quantidade grande de bibliografia at ento inacessvel.

    Agradeo a complacncia na reta final de Thiago Oliveira, Juliana Mantovani e Ricardo

    Oliveira, meus companheiros de casa, que deram todas as condies materiais para criar

    um ambiente aconchegante para a redao final.

    Por fim, agradeo a minha famlia, que melhor do que ningum personificou a palavra

    suporte, impossvel mensurar seu apoio. Grande parte da segurana em escrever uma

    narrativa histrica sob a tica marxista vem de suas contribuies, seja pelo exemplo de

    militncia ativa, seja pelo constante incentivo leitura especializada.

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    Resumo:

    Essa dissertao procura levantar novos dados acerca das ocupaes pr-coloniais na

    bacia do Alto Rio Madeira, com nfase nos trabalhos realizados no Stio Cachoeira do

    Teotnio, municpio de Porto Velho, Rondnia. Neste stio, foi evidenciada uma

    estratigrafia de longa cronologia, que remonta, pelo menos at o Holoceno Inicial,

    perpassando pelo Holoceno Mdio e chegando at os estratos cermicos recentes. Nesse

    trabalho, procuraremos entender de que forma os processos de transformao

    socioeconmica influenciaram, ao longo do tempo, mudanas tecnolgicas das

    populaes que habitaram a Cachoeira do Teotnio, com destaque para o contexto

    denominado Perodo Formativo, que corresponde, no Alto Madeira, Fase Massangana.

    A partir dos dados, se discutir acerca da utilizao conceitual do termo Perodo

    Formativo, buscando alternativas ao modelo de periodizao histrica.

    Palavras-chave: Arqueologia Amaznia, Teotnio, Fase Massanaga, Perodo Formativo,

    pr-cermico

    Resume:

    The object of this dissertation is to present new data about pre-colonial contexts in Upper

    Madeira River, with emphasis on the information researched at Teotonio Falls Site, Porto

    Velho city, state of Rondonia. In this site, was evidenced a long crono-strata that goes

    beyond the Initial Holoce, passing through the Medium Holocene and reaching to the

    recent ceramic contexts. Our propose is to understand in which ways changes in socio-

    economical processes influenced technological changes in the history of the populations

    that habited Teotonio Falls, ,stressing the Formative Period context, that in the Upper

    Madeira Basin correspond to the Massangana Phase. From de discovery of new

    information, we will discuss the concept utilization of the Formative, looking for

    alternatives models to characterize history processes.

    Key-words: Amazon Archaeology, Teotnio, Massangana Fase, Formative Period, pre-

    pottery

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    Sumrio

    1- Introduo pp. 11 1.1 Notas Preliminares pp.11 1.2 A Arqueologia do Alto Rio Madeira do PRONAPA a