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O Maravilhoso Pacto, por C. H. Spurgeon

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Sermão Nº 3326

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O Maravilhoso Pacto

C. H. Spurgeon

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Traduzido do original em Inglês

The Wondrous Covenant — Sermon Nº 3326

Metropolitan Tabernacle Pulpit — Volume 58

By C. H. Spurgeon

Via: SpurgeonGems.org

Adaptado a partir de The C. H. Spurgeon Collection, Version 1.0, Ages Software.

Tradução e Capa por William Teixeira

Revisão por Camila Almeida

1ª Edição: Janeiro de 2016

Salvo indicação em contrário, as citações bíblicas usadas nesta tradução são da versão Almeida

Corrigida Fiel | ACF • Copyright © 1994, 1995, 2007, 2011 Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil.

Traduzido e publicado em Português pelo website oEstandarteDeCristo.com, com permissão de

Emmett O’Donnell em nome de SpurgeonGems.org, sob a licença Creative Commons Attribution-

NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International Public License.

Você está autorizado e incentivado a reproduzir e/ou distribuir este material em qualquer formato,

desde que informe o autor, as fontes originais e o tradutor, e que também não altere o seu conteúdo

nem o utilize para quaisquer fins comerciais.

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O Maravilhoso Pacto (Sermão Nº 3326)

Pregado na quinta-feira, 31 de outubro de 1912.

Por C. H. Spurgeon, no Tabernáculo Metropolitano, Newington.

“Porque esta é a aliança que depois daqueles dias farei com a casa de Israel, diz o

Senhor; porei as minhas leis no seu entendimento, e em seu coração as escreverei;

e eu lhes serei por Deus, e eles me serão por povo.” (Hebreus 8:10)

A doutrina do Pacto Divino está na raiz de toda a verdadeira teologia. Já foi dito que aquele

que entende bem a distinção entre o Pacto de Obras e o Pacto da Graça é um mestre em

Teologia. Estou convencido de que a maioria dos erros que os homens cometem sobre as

doutrinas da Escritura se derivam de erros fundamentais no que diz respeito aos Pactos da

Lei e da Graça. Que Deus me conceda agora o poder de instruir, e lhes conceda a graça

de receber instrução sobre este assunto vital.

A raça humana na ordem da história, no que diz respeito a este mundo, em primeiro lugar

ficou em sujeição a Deus sob o Pacto de Obras. Adão foi o representante do homem. Uma

certa Lei foi-lhe dada. Se ele a mantivesse, ele próprio e toda a sua posteridade seria aben-

çoada como resultado da obediência. Se ele a quebrasse, ele receberia a maldição, ele

mesmo, e todos aqueles que eram representados por ele. Esse Pacto nosso primeiro pai

quebrou. Ele caiu, ele não cumpriu as suas obrigações, e em sua Queda, ele envolveu a

todos nós, pois estávamos todos em seus lombos, e ele nos representava perante Deus. A

nossa ruína, então, foi completa antes mesmo de nascermos! Fomos arruinados por aquele

que foi nosso primeiro representante. Portanto, ser salvo pelas obras da lei é impossível,

porquanto sob esse Pacto já estamos perdidos. Se seremos salvos de algum modo, isto

deve acontecer sob um plano bem diferente, e não sobre o plano de fazer e ser recompen-

sado por isso, pois este plano foi testado e o representante do homem, quando foi tentado

falhou por todos nós. Todos nós já falhamos em sua falha! É impossível, portanto,

esperarmos obter o favor Divino por qualquer coisa que possamos fazer, ou merecermos a

bênção Divina por meio de recompensa!

Mas a Divina misericórdia se interpôs e forneceu um plano de salvação da Queda. Esse

plano é um outro Pacto, um Pacto feito com Cristo Jesus, o Filho de Deus, que é apropria-

damente chamado pelo Apóstolo de “o segundo Adão”, porque Ele Se levantou novamente

como o representante do homem. Agora, o segundo Pacto, na medida em que Cristo estava

em causa, era um Pacto de Obras tanto quanto o outro! Ele era assim. Cristo veio ao mundo

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e perfeitamente obedeceu à Lei Divina. Ele deverá também, na medida em que o primeiro

Adão quebrou a lei, sofrer a penalidade do pecado. Se Ele fizer ambos, então todos os

quais Ele representa serão abençoados na Sua graça e salvos por causa de Seu mérito.

Você vê, então, que, até o nosso Senhor vir a este mundo, havia um Pacto de Obras em

relação a Ele. Ele teve algumas obras para executar, sob a condição de que certas bênçãos

seriam concedidas a nós. Nosso Senhor manteve este Pacto! Sua parte foi cumprida até a

última letra! Não há qualquer mandamento que Ele não tenha honrado. Não há nenhuma

penalidade da Lei quebrada que Ele não haja suportado! Ele Se tornou um servo obediente

e, sim, obediente até a morte, e morte de cruz. Ele tem, assim, feito o que o primeiro Adão

não poderia fazer e Ele recuperou o que o primeiro Adão perdeu por sua transgressão. Ele

estabeleceu o Pacto e, agora, ele deixa de ser um Pacto de Obras, porque todas as obras

foram consumadas!

“Jesus fez todas, todas as obras,

Há muito, muito tempo atrás.”

E agora o que resta do Pacto? Deus em Sua parte solenemente Se comprometeu a dar

favor imerecido a todos quantos estiveram representados em Cristo Jesus. Para todos pe-

los quais o Salvador morreu, estão reservadas uma quantidade ilimitada de bênçãos que

serão dadas a eles, não por causa de suas obras, mas pelo dom da soberana graça de

Deus, de acordo com a promessa de Seu Pacto, pelo qual eles serão salvos! Eis aí, meus

irmãos e irmãs, a esperança dos filhos do homem! A esperança de salvarem a si mesmos

é esmagada, pois eles já estão perdidos! A esperança de serem salvos pelas obras é uma

falácia, pois não podem cumprir a lei, eles já a tem quebrado! Mas há um caminho de

salvação aberto em Sua sabedoria — todo aquele que crê no Senhor Jesus Cristo — recebe

e torna-se participante da felicidade que Cristo comprou! Todas as bênçãos que pertencem

ao Pacto da Graça, por causa da obra de Cristo, pertencem também a toda alma que crê

em Jesus! Àquele que não pratica, mas crê naquele que justifica o ímpio [Cf. Romanos 4:5],

sem dúvida, receberá as bênçãos do novo Pacto da Graça!

Espero que esta explicação seja simples o suficiente. Se Adão tivesse mantido a lei, ele

teria sido abençoado pelo fato de mantê-la. Porém ele transgrediu a lei e fomos amaldiçoa-

dos com ele e nele. Agora, o segundo Adão, Cristo Jesus, manteve a Lei, estamos, portanto,

se somos crentes, representados em Cristo e abençoados como efeito da obediência de

Jesus Cristo à vontade do Pai. Ele disse no passado: “Eis que venho para fazer a tua

vontade, ó Deus! Deleito-me em fazer a tua vontade”. Ele fez a vontade de Deus e as

bênçãos da graça são agora dadas gratuitamente para os filhos dos homens!

Eu pedirei a sua atenção, então, em primeiro lugar, para os privilégios do Pacto da Graça.

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Em segundo lugar, aos participantes dele. Isto será o suficiente, tenho certeza, para sua

consideração nesta noite, durante o breve período concedido para o nosso sermão.

I. Sobre OS PRIVILÉGIOS DO PACTO DA GRAÇA.

O primeiro privilégio é que a todos quantos são participantes do Pacto será concedida a

iluminação de suas mentes. “Porei a minha lei no seu interior” [Jeremias 31:33]. Por natu-

reza, somos ignorantes quanto à vontade de Deus. A consciência preserva em nós uma

espécie de recordação vaga do que a vontade de Deus era. É um monumento da vontade

de Deus, mas muitas vezes é pouco legível. Um homem não se importa de lê-lo, ele é

avesso ao que ele lê ali. “O seu coração insensato se obscureceu”, esta é a expressão que

a Escritura [Romanos 1:21] usa para se referir à mente do homem. Mas o Espírito Santo é

prometido àqueles que são participantes do Pacto. Ele virá sobre suas mentes e lançará

luz, dissipando, assim, as trevas, e iluminando-os para que conheçam a vontade de Deus.

O ímpio tem algum grau de luz, mas é meramente intelectual. Esta é uma luz que ele não

ama. Ele ama mais as trevas do que a luz, porque as suas obras são más. Mas onde o

Espírito Santo vem, Ele inunda a alma com um brilho Divino no qual a alma se deleita e

deseja participar no máximo grau! Irmãos e irmãs, o homem renovado, o homem sob o

Pacto da Graça, não precisa constantemente recorrer à sua Bíblia para saber o que ele

deve fazer, nem ir a algum companheiro Cristão para pedir instruções, pois, agora, ele não

mais tem a lei de Deus escrita em tábuas de pedra, ou em pergaminho, ou no papel, ele

tem a lei escrita em sua própria mente! Há agora, um infalível Espírito Divino habitando

dentro dele, que lhe diz o certo e o errado e por isso, ele rapidamente discerne entre o bem

e o mal. Ele já não confunde as trevas com a luz e nem a luz com as trevas, nem confunde

amargo com o doce e nem o doce com o amargo! Sua mente é esclarecida quanto à

verdadeira santidade e a verdadeira pureza que Deus exige!

Basta observar os homens a quem esta Luz de Deus vem. Por natureza, alguns deles são

profundamente depravados. Todos eles são depravados, mas pela prática alguns deles

tornam-se ainda mais perversos. Não é maravilhoso que um pobre pagão que mal parecia

reconhecer a distinção entre o certo e o errado antes que o Espírito de Deus viesse à sua

mente, tenha posteriormente, sem necessidade de ser ensinado quanto a todos os precei-

tos, individualmente, recebido de uma vez a vívida Luz de uma terna consciência que o tem

conduzido a saber o certo e a amá-lo, e a ver o mal e evita-lo? Se você quer civilizar o

mundo, deve ser por pregar o Evangelho! Se você quer ter homens bem instruídos quanto

ao certo e o errado, isto deve acontecer por esta Instrução Divina, que somente Deus, Ele

mesmo, pode dar. “Diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior” [Jeremias 31:33], e, quão

abençoadamente Ele faz isso quando toma o homem que amava o mal e o chamava de

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bem, e lança luz Divina em sua alma, e doravante ele não pode ser perverso, não pode ser

obstinado, mas submete a si mesmo à vontade Divina! Essa é uma das primeiras bênçãos

do Pacto, a saber, a iluminação do entendimento.

A próxima bênção é: “em seu coração as escreverei” [Jeremias 31:33]. Isso é mais do que

conhecer a lei, infinitamente mais. “Escreverei a lei, não apenas em seus entendimentos,

para que eles possam orientá-los, mas em seus corações, os quais lhes guiarão”. Irmãos e

irmãs, o Espírito Santo faz com que os homens amem a vontade de Deus, leva-os a

deleitarem-se em tudo que Deus Se deleita e a abominarem o que o Senhor abomina! É

bem dito no texto que Deus fará isso, pois, certamente, ninguém pode fazer isso por si

mesmo. Poderia antes o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas manchas! Não é

o que o ministro pode fazer, embora ele possa pregar aos ouvidos, ele não pode escrever

a lei de Deus sobre as afeições. Fiquei maravilhado com a expressão utilizada no texto:

“em seu coração as escreverei”. Escrever em um coração deve ser um trabalho difícil,

contudo escrever em um coração, no interior do coração, quem pode fazer isso, senão

Deus? Um homem faz o seu nome sobre a casca de uma árvore e lá ele está. E as letras

crescem com a árvore, mas poderá ele escrever seu nome no interior da árvore? E ainda

assim, Deus grava Sua vontade e Sua lei no coração e na natureza do homem!

Eu sei que noção há sobre o povo Cristão — que eles não se conformam a este ou aquele

costume porque eles temem — que eles gostariam de se divertir nas vaidades do mundo,

mas eles não gostariam de encontrarem-se com as penalidades. Ah, vocês filhos dos ho-

mens, vocês não compreendem a misteriosa obra do Espírito! Ele não faz nada desse tipo!

Ele não faz com que o filho de Deus seja um servo, um escravo, com medo da escravidão,

mas Ele muda a natureza dos homens, e então eles deixam de amar o que uma vez ama-

ram! Eles se afastam com aversão das coisas pelas quais uma vez foram encantados e

não podem mais cometer pecados que antes eram agradáveis para eles, mais do que um

anjo poderia descer do Céu e chafurdar na lama com os porcos! Oh, esta é uma obra da

graça! E este é um Pacto bendito, no qual se promete que nós seremos ensinados quanto

ao que é correto, a conhecermos e amarmos a retidão, e a fazer o bem com um espírito

voluntário!

Estou me dirigindo a alguns nesta noite que têm dito: “Eu desejo ser salvo”. O que você

quer dizer com isso? Você quer dizer que você deseja escapar do Inferno? Ah, bem, eu

pediria a Deus que você tivesse um outro desejo, a saber, “Oh, que eu pudesse escapar do

pecado! que eu fosse feito puro, que minhas paixões fossem refreadas! Oh, que os meus

desejos e meus gostos fossem mudados!”. Se esse é o seu desejo, veja que Evangelho eu

tenho que pregar a vocês! Eu não vim para te dizer: faça isso, e não faço aquilo. Moisés

lhe disse isso, e o pregador da Lei fala com você segundo à sua maneira, mas eu, o

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pregador do Evangelho, desvelando o Pacto da Graça, nesta noite lhe digo que Jesus Cristo

fez tal obra pelos pecadores que Deus, agora, pelo amor de Cristo, vem a eles, e os leva a

ver corretamente e por uma obra Divina sobre eles e neles, faz com que amem a santidade

e sigam a justiça!

Eu anuncio esta que é uma das maiores bênçãos que uma língua poderia pronunciar! Eu

prefiro ser santo do que feliz, se é que estas duas coisas podem ser separadas. Se fosse

possível para um homem estar sempre triste e ainda ser puro, eu escolheria a tristeza se

eu pudesse ganhar a pureza, pois, amado, ser livre do poder do pecado, e ser levado a

amar a santidade, apesar de eu ter falado à maneira dos homens a você, é a verdadeira

felicidade! Um homem que é santo está alinhado como o propósito da Criação, ele está em

harmonia com Deus! É impossível para este homem sofrer por muito tempo. Ele pode, por

um momento, sofrer por seu bem permanente, mas tão certo como Deus é feliz, o santo

deve ser feliz! Este mundo não é de tal modo constituído que na longa carreira, a santidade

seguirá com sofrimento, pois na eternidade, Deus mostrará que ser puro é ser abençoado,

ser obediente à vontade Divina é ser eternamente glorificado! Ao pregar a você, então,

essas duas bênçãos do Pacto, eu praticamente preguei a você o Reino do Céu, que está

aberto a todos quantos a graça de Deus vier a olhar com os olhos da misericórdia!

A próxima bênção do Pacto é: “eu lhes serei por Deus”. Se alguém me perguntar o que isso

significa, eu lhe responderei: Dê-me um mês para pensar nisso. E quando eu tivesse

considerado o texto por um mês, eu pediria mais um mês! E quando eu tivesse esperado

um ano, eu pediria mais um ano, e quando eu tivesse esperado até que eu ficasse grisalho,

eu ainda gostaria de pedir o adiamento de qualquer tentativa de responder completamente

a esta pergunta até que eu chegasse à eternidade! “Eu lhes serei por Deus”. Agora, observe

isto, onde o Espírito de Deus veio para ensinar-lhe a Divina vontade e fazer com que você

a ame, Deus torna-Se-lhe o quê? Um Pai? Sim, um amorável e terno Pai. Um Pastor? Sim,

um guardião atento de Seu rebanho. Um Amigo? Sim, um amigo que é mais chegado do

que um irmão. Uma Rocha? Um Refúgio? Uma Fortaleza? Uma Torre Alta? Um Castelo

Forte? Uma Casa? Um Céu? Sim, tudo isso, mas quando Ele disse: “Eu lhes serei por

Deus”, Ele quis dizer mais do que todos estes juntos, pois, “Eu lhes serei por Deus”, abrange

todos os títulos da graça, todas as benditas promessas e todos os privilégios Divinos!

Isto compreendo — sim, agora eu paro, pois este é Infinito e o infinito, compreende todas

as bênçãos. “Eu lhes serei por Deus”. Você precisa de provisão? O gado em mil montanhas

pertence a Ele, não será nada para Ele lhe conceder! Isto não vai empobrecê-lO! Ele dará

a você como Deus! Você precisa de consolo? Ele é o Deus de toda a consolação, Ele vai

consolá-lo como um Senhor. Você precisa de orientação? Há sabedoria infinita esperando

o seu aceno e chamada! Você precisa de auxílio? Há um poder eterno, o mesmo que

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guarda os montes eternos esperando por você! Você precisa de graça? Ele Se deleita na

misericórdia e toda esta misericórdia é sua! Cada atributo de Deus pertence ao Seu povo,

que é pactuado com Ele. Tudo o que Deus é ou pode ser — e o que não há nisto? — tudo

o que você pode conceber e mais! Tudo o que está em Cristo, mesmo a plenitude infinita

de Deus, tudo isso pertence a você, se você está em pacto com Deus, através de Jesus

Cristo! Quão rico, abençoado, excelso, nobre são aqueles que estão pactuados com Deus,

pactuados com o Céu! A Infinidade pertence a você! Levante a cabeça, ó filho de Deus, e

nos gloriemos em uma promessa que eu não posso explicar, e você não pode sondar! Nós

a deixaremos, por agora, pois é uma promessa muito profunda a qual nos esforçamos em

vão para entender!

Observe a bênção seguinte: “E eles me serão por povo”. Toda a carne é de Deus, em certo

sentido. Todos os homens são Seus por direitos de criação e Ele tem uma infinita soberania

sobre eles. Mas ao olhar para os filhos dos homens Ele escolhe alguns, e diz: “Estes serão

o Meu povo, não os demais. Estes serão o Meu povo peculiar”. Quando o rei de Navarra

estava lutando por seu trono, o escritor que musicou a batalha diz:

“Ele olhou para os inimigos de guerra, e seu olhar era severo e altivo.

Ele olhou para o seu povo, e lágrimas estavam em seus olhos.”

E quando ele viu alguns dos franceses armados contra ele:

“Então falou gentilmente a Henry, nenhum francês é meu inimigo

Abatam, abatam todo estrangeiro, mas deixem seus irmãos irem.”

O rei olhou para o seu povo, mesmo estando eles em rebelião contra ele! Ele tinha um

pensamento diferente em relação a eles do que ele tinha para com os outros. “Deixe-os ir”,

ele parecia dizer: “eles são meu povo”. Então, observe, nas grandes batalhas e lutas deste

mundo, quando o Senhor envia a artilharia terrível do Céu, Seu olhar é severo sobre os

Seus inimigos, mas lágrimas estão em Seus olhos quando Ele olha para o Seu povo. Ele é

sempre terno em relação a eles. “Poupe o meu povo”, diz Ele, e os anjos interferem para

que esses escolhidos não tropecem com os seus pés em pedra!

As pessoas têm os seus tesouros, suas pérolas, suas joias, seus rubis, os seus diamantes

— e estas são as suas pedras peculiares. Agora, todos no Pacto da Graça são as pedras

peculiares de Deus. Ele as valoriza acima de todas as outras coisas! Na verdade, Ele man-

tém o mundo girando para eles! O mundo não é senão um andaime para a Igreja. Ele lança-

rá fora a embalagem da Criação quando Seus propósitos em relação aos santos houverem

findado. Sim, o sol, a lua e as estrelas passarão como trapos desgastados quando Ele

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reunir os Seus escolhidos e envolvê-los para sempre dentro da segurança dos muros do

Céu! Para eles, o tempo se move! Para eles, o mundo existe! Ele mede a nação de acordo

com o seu número e Ele faz com que as próprias estrelas do Céu lutem contra Seus ini-

migos e os defenda deles! “E eles me serão por povo”. O favor, que está contido em tal

amor não pode ser expressado por qualquer língua. Talvez em alguns desses quietos luga-

res de descanso preparados para os santos, no Céu, deverá ser uma parte de nosso prazer

eterno contemplar as alturas e profundidades destas linhas douradas!

II. E agora, irmãos e irmãs, eu gostaria de ter tempo para falar as outras partes contidas

nos versículos 11 e 12 do capítulo, mas eu não tenho, porque tenho uma aplicação prática

a fazer que consiste na seguinte pergunta: COM QUEM DEUS FEZ ESTE PACTO?

Eu disse que Ele o fez com Cristo, mas Ele o fez com Cristo como Representante do Seu

povo. A pergunta hoje à noite para você, e para mim, e para cada um é: “Eu sou participante

de Cristo? Será que Cristo Jesus é meu Representante?”. Agora, se eu fosse dizer que

Cristo foi o Representante de todo o mundo, você não encontrará qualquer vantagem subs-

tancial nisto, devido à proporcional grande parte da humanidade que está sendo perdida,

qualquer tipo de participação que eles pudessem ter em Cristo, certamente não é de

nenhum valor benéfico para eles no que diz respeito à sua salvação eterna! A pergunta que

faço é: tenho uma participação especial em Cristo que este Pacto sustenta em direção a

mim, de modo que eu terei, ou de modo que eu agora tenho a mente iluminada, as afeições

santificadas e a possessão de Deus como sendo o meu Deus? Não vos enganeis, meus

irmãos e irmãs, eu não posso e você não pode virar as folhas do livro do futuro! É impossível

para nós forçarmos nosso caminho para a câmara do gabinete do Eterno! Espero que não

estejam iludidos pelas ideias supersticiosas de que vocês tenham tido alguma revelação,

ou que tenham ouvido algum som especial ou tido um sonho que fez qualquer um de vocês

pensar que é um Cristão!

Ainda assim, sobre premissas de alerta, eu tentarei ajuda-lo um pouquinho. Você já obteve

qualquer uma dessas bênçãos do Pacto? Você tem uma mente iluminada? Você agora

percebe que seu espírito lhe diz o que é o certo e o que é errado? Melhor ainda, você tem

amor pelo que é bom? Você tem ódio pelo que é mal? Se sim, como você tem uma bênção

Pacto, todo o resto virá com ela! Agora, homens e mulheres, vocês já passaram por uma

grande mudança? Vocês já chegaram a odiar o que vocês uma vez amaram? Se este for o

caso, o Pacto está diante de vocês assim como Canaã esteve diante dos olhos encantados

de Moisés, no topo da montanha! Olhe agora, pois é seu! Dela mana leite e mel, e pertence

a vocês, e vocês herdarão a terra! Mas se não houve tal mudança operada em vocês, eu

não posso lhes fazer qualquer congratulação, mas agradeço a Deus que eu possa fazer o

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que pode lhes ser útil! Eu posso lhes apontar a direção Divina, a direção para a obtenção

de uma participação neste Pacto; e verificar sua participação nele é simples. Ele está conti-

do em poucas palavras. Observe bem essas três palavras: “Creia e viva”, pois quem crê

em Cristo Jesus tem a vida eterna, que é a bênção do Pacto. O argumento é óbvio. Tendo

a bênção do Pacto você deve estar no Pacto! E estando no Pacto, Cristo evidentemente

deve ter te representado ficando por seu Fiador.

Mas alguém diz: “O que é crer em Cristo?”. Darei algo que é um sinônimo disso, a saber,

confiança em Cristo. “Como faço para saber se Ele morreu por mim em particular?”. Confie

nEle, quer você saiba se Ele morreu você em particular ou não. Jesus Cristo é levantado

na cruz do Calvário como a expiação do pecado e a proclamação é feita: “Olhai, olhai, olhai

e vivei!”. E quem renunciar à sua autojustiça, repudiar tudo aquilo do qual ele agora depen-

de, e vir e confiar na obra consumada de nosso Salvador exaltado, tem, nesta própria fé, o

sinal e que ele é um daqueles que estavam em Cristo quando Ele foi para a Crus, e operou

a eterna redenção por Seus eleitos! Eu não acredito que Cristo morreu no madeiro para

tornar os homens salváveis, mas para salvá-los! Não para que alguns homens possam ser

salvos “se”, mas para realmente resgatá-los! Ali, então, Ele deu-Se como um resgate. Ali

Ele pagou as dívidas deles. Lançou seus pecados no Mar Vermelho e lá fez uma limpeza

de tudo o que pudesse servir de acusação contra os escolhidos de Deus. Se você crê, você

é um dos Seus eleitos! Cristo morreu por você, se você crê em Deus, seus pecados estão

perdoados. “Bem, mas”, diz alguém, “e quanto àquela mudança de natureza?”. Ela sempre

vem com a fé! É o parente próximo à fé. Onde quer que haja uma genuína fé em Cristo, a

fé opera pelo amor. Um senso da misericórdia gera afeto. Amor por Cristo gera ódio pelo

pecado. O ódio ao pecado limpa a alma, e a alma sendo purificada, a vida muda!

Você não deve começar por remendar-se externamente, você deve começar com a nova

vida interna e isso deve ser obtido, é o dom de Deus através da fé simples em Jesus! Um

escravo que havia por algum tempo frequentando um lugar de adoração, havia assimilado

a ideia, uma ideia muito natural, de que ele foi salvo porque havia sido batizado. Ele tinha

ido a um desses lugares onde ensinam as crianças a repetirem essa fórmula: “No meu

batismo, no qual eu fui feito um membro de Cristo, filho de Deus, e um herdeiro do reino

dos céus”. “Agora”, disse ele, de forma muito simples e muito claramente, pois assim o

catecismo ensina — e esta é uma grande ilusão — “Estou salvo, porque eu fui batizado! O

Batismo fez de mim um filho de Deus”. Agora, o bom homem que tentou instruí-lo melhor

não poderia encontrar nenhuma metáfora para se adequar ao seu intelecto melhor do que

levá-lo para a cozinha e mostrando-lhe uma garrafa de tinta preta. “Agora”, ele disse, “Eu

vou lavá-la”, e ele lavou o exterior da garrafa e convidou o homem a beber dela porque ela

estava limpa. “Não”, disse o homem, “ela está cheia de tinta! Ainda está suja, e não está

limpa porque você lavou somente o exterior”. “Ah”, disse ele, “e assim acontece com você!

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Tudo o que essas gotas de água poderia fazer por você, tudo que o Batismo poderia fazer

por você é lavar o seu exterior, mas isso não faz com que você fique limpo, pois a sujeira

está toda em seu interior”. Agora, a obra do Pacto da Graça não é lavar o exterior, nem lim-

par a carne, nem fazer com que você passe por ritos, cerimônias e mãos episcopais, mas

a obra do Pacto da Graça é lavar o interior, purgar o coração, purificar os sinais vitais e

renovar a alma, e esta é a única salvação, sem a qual nenhum homem jamais entrará no

Céu! Você pode ir hoje à noite e renunciar a todos os seus vícios exteriores — e eu espero

que você faça isto. Você pode ir e praticar todas as cerimônias da igreja. E se elas são

bíblicas, eu desejo que você as faça, mas elas não farão nada por você, absolutamente

nada a respeito de sua entrada no Céu, caso você perca uma outra coisa, ou seja, que

fique sem receber a bênção pactual da natureza renovada, que só pode ser obtida como

um dom de Deus através de Jesus Cristo, e como o resultado de uma fé simples nAquele

que morreu sobre o madeiro!

Eu insto para que todos vocês se autoexaminem. Eu lhes pressiono com sinceridade, vocês

que são membros da Igreja. É inútil você ter sido batizado! É inútil que você tome o

sacramento. Que proveito há? Na verdade, devem trazer uma maior responsabilidade e

uma maldição sobre você, a menos que seus corações tenham sido feitos novos pelo

Espírito Santo, segundo a promessa do Pacto! Se você não tiver um coração novo, vá para

seu quarto, caia sobre os seus joelhos e clame a Deus por isso! Que o Espírito Santo o leve

a fazer isso! E enquanto você está suplicando, lembre-se que o novo coração vem do

coração sangrante, a mudança na natureza vem da natureza agonizante. Você deve olhar

para Jesus, e olhando para Jesus, sabemos que:

“Há vida em um olhar para o Crucificado!

Há vida neste momento para você!”

Essas bênçãos das quais eu falei me parecem ser um grande consolo e inspiração. Elas

são um grande consolo para os crentes. Você está em Pacto, meu querido irmão, mas você

me diz que você é muito pobre. Mas Deus disse: “Eu lhes serei por Deus”. Portanto, você

é muito rico! Um homem pode não ter um centavo no mundo, mas se ele tem um diamante,

ele é rico. Portanto, se um homem não tem nem um centavo e nem um diamante, contudo,

se ele tem o seu Deus, ele é rico! Ah, mas o seu casaco está esfarrapado e você não vê de

onde virão os meios para renovar o seu vestuário. “Considerai os lírios, como eles crescem;

não trabalham, nem fiam; e digo-vos que nem ainda Salomão, em toda a sua glória, se

vestiu como um deles” [Lucas 12:27]. Você tem o mesmo Deus que os lírios, Ele vestirá

assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, e não vestirá Ele

muito mais a vocês, homens de pouca fé? Eu também disse que essas bênçãos são uma

inspiração, e eu acho que sejam. Elas são uma inspiração para todos nós para trabalharmos

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para Cristo, porque temos a certeza de ter alguns resultados. Eu desejo, de fato, eu desejo

que as nações fossem convertidas a Cristo. Eu gostaria que toda a Londres pertencesse

ao meu Senhor e Mestre, e que todas as ruas fossem habitadas por aqueles que amam o

Seu nome! Mas quando eu vejo pecado abundante e o Evangelho muitas vezes sendo der-

rotado, eu caio para trás sobre estas palavras: “Todavia o fundamento de Deus fica firme,

tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus” [2 Timóteo 2:19]. Deus terá aqueles

que são Seus!

Os poderes infernais não roubarão a Cristo! Ele verá o fruto do trabalho da Sua alma, e

ficará satisfeito! O Calvário não significa derrota! Getsêmani uma derrota? Impossível! O

Homem Poderoso que foi levantado na cruz para sangrar e morrer por nós, sendo também

o Filho de Deus, não será derrotado, mas vitorioso! Ele verá a Sua posteridade, prolongará

os Seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na Sua mão! Se alguns não forem sal-

vos, outros serão. Se, ao serem convidados, alguns não se consideram dignos de ir à festa,

outros serão trazidos, até os cegos, os aleijados e os coxos — e a ceia ficará cheia de

convidados! Se eles não vêm da Inglaterra, eles virão do Oriente e do Ocidente, do norte e

do sul. Há de acontecer que enquanto Israel não for reunida, eis que as nações serão reuni-

das a Cristo! A Etiópia estenderá os braços! Sinim entregar-se-á ao Redentor! O deserto

uivante dobrará os joelhos e o estrangeiro remoto perguntará por Cristo! Oh, não, amado,

os propósitos de Deus não serão frustrados! A vontade eterna de Deus não será derrotada!

Cristo morreu uma morte gloriosa e terá plena recompensa por toda a Sua dor. “Portanto,

meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor,

sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” [1 Coríntios 15:58].

***

Exposição de Romanos 5:1-11, por C. H. Spurgeon

Romanos 5:1: Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso

Senhor Jesus Cristo. O Evangelho está cheio de “pois”, ele está acima da razão, mas

nunca é contra a razão, é a coisa mais razoável debaixo do Céu! “Tendo sido, pois” — é

uma questão de argumento. Você terá que ler os capítulos anteriores para ver como esta

conclusão decorre naturalmente do que tinha sido ensinado antes pelo Espírito Santo.

Vamos passar algum tempo nessas sentenças, enquanto os lemos: “justificados pela fé”.

É assim? Você está, de fato justificado apenas pela fé em Jesus Cristo, sua Justiça? Então,

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você tem a paz neste dia e hora, a paz dentro de sua própria consciência e com seus

semelhantes, mas o que é muito melhor, você tem paz com Deus! Assim que somos justifi-

cados pela confiança em Jesus, deixamos de ter qualquer desavença com Deus e Ele pas-

sa a não ter nada contra nós! Somos aliados, estamos em união feliz, temos paz com Deus!

Não deve tê-lo por isso ou aquilo, mas temos agora como nossa posse presente e feliz

possessão, pois temos sido justificados pela fé. Estamos agora no gozo de perfeita paz

com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo. “Pelo qual também temos entrada pela fé a esta

graça, na qual estamos firmes”. Uma vez que estamos em paz com Deus, podemos entrar

em Sua casa. Sua porta está aberta para nós, temos boas-vindas à Sua Divina graça e

permanecemos nela — permanecemos nela com certeza e garantia total!

2. Pelo qual também temos entrada pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e

nos gloriamos na esperança da glória de Deus. Oh, que conforto este é nos alegrarmos,

especialmente nos gloriarmos na esperança! É melhor adiante — pode haver nuvens e

escuridão aqui, mas podemos ver a luz do sol ali raiando — “até que o dia amanheça e fu-

jam as sombras”, temos a esperança de manter nossa chama brilhante do Senhor! Nos

“glo-riamos na esperança da glória de Deus, e não somente isto”. Quando uma vez

entramos na cada de Deus, nos erguemos mais alto nisso — subimos outro par de escadas.

“E não somente isto”, embora parece ser o suficiente nos gloriarmos na esperança da glória

de Deus, e termos acesso à Sua graça e ter paz com Ele, porque somos justificados! Con-

tudo, não é só por isso: “mas também nos gloriamos nas tribulações”. Nós transformamos

nossos problemas em alegria e nos gloriamos neles! Somos espiritualmente enriquecidos

pela tribulação!

3, 4. E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a

tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperan-

ça. Outra esperança, ou melhor, a mesma esperança vista de outro modo. Começamos

com alegria na esperança da glória de Deus pela fé. Agora temos uma nova esperança que

nasce da experiência, as coisas que já provamos e tocamos do amor de Deus criam em

nós uma esperança mais radiante inferida a partir do que temos experimentado.

5, 6. E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em

nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Porque Cristo, estando nós

ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Qual é a conexão aqui? Não é esta:

que o Espírito Santo nos faz sentir o que amor maravilhoso é o amor de Deus por nós, por-

que quando estávamos fracos, no devido tempo, Cristo morreu pelos ímpios? Amor mara-

vilhoso! Quando estávamos sem Deus e sem Cristo, em Seu tempo, Cristo morreu por nós!

7. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém

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ouse morrer. Ninguém se sentiria impelido a morrer por um homem que é severa e estrita-

mente justo. Ele pode despertar a nossa admiração, mas não o nosso afeto. Aristides, o

Justo é, de fato, o último banido, os homens não podem suportar um homem cujo caráter

é completamente justiça nua, pois eles próprios são geralmente muito injustos. Mas “um

bom”, sucinta o nosso amor. Um homem desse caráter que é gracioso, gentil e benevolente,

talvez — e este é um raro talvez — alguém pode ousar morrer por tal como este. Isso não

é, todavia, muito provável.

8. Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo

nós ainda pecadores. Ele fez o máximo por nós quando éramos menos merecedores dis-

to! Oh, que amor é esse! Que seja derramado em nossos pobres corações empedernidos,

e recomendado por nós a outros.

9. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele

salvos da ira. Este é um argumento irresistível e deve ser o golpe mortal a toda descon-

fiança. Se Ele morreu por nós quando éramos injustos, Ele nos deixará perecer, agora que

Ele nos fez justos e completamente justificados? Impossível!

10. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu

Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. Há três

pontos que reforçam o argumento aqui, o que você verá facilmente por lê-lo em seu devo-

cional. O Senhor nosso Deus, que nos justificou quando éramos inimigos, pela morte de

Seu Filho, nos salvará agora que somos amigos através da vida de Seu Filho. “E não so-

mente isso”. Aqui nós ascendemos outra vez, é cada vez mais e mais alto, algo ainda maior,

pois nunca chegamos ao fim deste registro abençoado de misericórdia e graça!

11. E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus

Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação. Estamos reconciliados com Deus.

Estamos perfeitamente reconciliados com Deus e nós temos neste momento, neste exato

momento, uma grande alegria e prazer em Deus!

Soli Deo Gloria!

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10 Sermões — R. M. M’Cheyne

Adoração — A. W. Pink

Agonia de Cristo — J. Edwards

Batismo, O — John Gill

Batismo de Crentes por Imersão, Um Distintivo

Neotestamentário e Batista — William R. Downing

Bênçãos do Pacto — C. H. Spurgeon

Biografia de A. W. Pink, Uma — Erroll Hulse

Carta de George Whitefield a John Wesley Sobre a

Doutrina da Eleição

Cessacionismo, Provando que os Dons Carismáticos

Cessaram — Peter Masters

Como Saber se Sou um Eleito? ou A Percepção da

Eleição — A. W. Pink

Como Ser uma Mulher de Deus? — Paul Washer

Como Toda a Doutrina da Predestinação é corrompida

pelos Arminianos — J. Owen

Confissão de Fé Batista de 1689

Conversão — John Gill

Cristo É Tudo Em Todos — Jeremiah Burroughs

Cristo, Totalmente Desejável — John Flavel

Defesa do Calvinismo, Uma — C. H. Spurgeon

Deus Salva Quem Ele Quer! — J. Edwards

Discipulado no T empo dos Puritanos, O — W. Bevins

Doutrina da Eleição, A — A. W. Pink

Eleição & Vocação — R. M. M’Cheyne

Eleição Particular — C. H. Spurgeon

Especial Origem da Instituição da Igreja Evangélica, A —

J. Owen

Evangelismo Moderno — A. W. Pink

Excelência de Cristo, A — J. Edwards

Gloriosa Predestinação, A — C. H. Spurgeon

Guia Para a Oração Fervorosa, Um — A. W. Pink

Igrejas do Novo Testamento — A. W. Pink

In Memoriam, a Canção dos Suspiros — Susannah

Spurgeon

Incomparável Excelência e Santidade de Deus, A —

Jeremiah Burroughs

Infinita Sabedoria de Deus Demonstrada na Salvação

dos Pecadores, A — A. W. Pink

Jesus! – C. H. Spurgeon

Justificação, Propiciação e Declaração — C. H. Spurgeon

Livre Graça, A — C. H. Spurgeon

Marcas de Uma Verdadeira Conversão — G. Whitefield

Mito do Livre-Arbítrio, O — Walter J. Chantry

Natureza da Igreja Evangélica, A — John Gill

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— Sola Scriptura • Sola Gratia • Sola Fide • Solus Christus • Soli Deo Gloria —

Natureza e a Necessidade da Nova Criatura, Sobre a —

John Flavel

Necessário Vos é Nascer de Novo — Thomas Boston

Necessidade de Decidir-se Pela Verdade, A — C. H.

Spurgeon

Objeções à Soberania de Deus Respondidas — A. W.

Pink

Oração — Thomas Watson

Pacto da Graça, O — Mike Renihan

Paixão de Cristo, A — Thomas Adams

Pecadores nas Mãos de Um Deus Irado — J. Edwards

Pecaminosidade do Homem em Seu Estado Natural —

Thomas Boston

Plenitude do Mediador, A — John Gill

Porção do Ímpios, A — J. Edwards

Pregação Chocante — Paul Washer

Prerrogativa Real, A — C. H. Spurgeon

Queda, a Depravação Total do Homem em seu Estado

Natural..., A, Edição Comemorativa de Nº 200

Quem Deve Ser Batizado? — C. H. Spurgeon

Quem São Os Eleitos? — C. H. Spurgeon

Reformação Pessoal & na Oração Secreta — R. M.

M'Cheyne

Regeneração ou Decisionismo? — Paul Washer

Salvação Pertence Ao Senhor, A — C. H. Spurgeon

Sangue, O — C. H. Spurgeon

Semper Idem — Thomas Adams

Sermões de Páscoa — Adams, Pink, Spurgeon, Gill,

Owen e Charnock

Sermões Graciosos (15 Sermões sobre a Graça de

Deus) — C. H. Spurgeon

Soberania da Deus na Salvação dos Homens, A — J.

Edwards

Sobre a Nossa Conversão a Deus e Como Essa Doutrina

é Totalmente Corrompida Pelos Arminianos — J. Owen

Somente as Igrejas Congregacionais se Adequam aos

Propósitos de Cristo na Instituição de Sua Igreja — J.

Owen

Supremacia e o Poder de Deus, A — A. W. Pink

Teologia Pactual e Dispensacionalismo — William R.

Downing

Tratado Sobre a Oração, Um — John Bunyan

Tratado Sobre o Amor de Deus, Um — Bernardo de

Claraval

Um Cordão de Pérolas Soltas, Uma Jornada Teológica

no Batismo de Crentes — Fred Malone

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2 Coríntios 4

1 Por isso, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos;

2 Antes, rejeitamos as coisas que por vergonha se ocultam, não andando com astúcia nem

falsificando a palavra de Deus; e assim nos recomendamos à consciência de todo o homem,

na presença de Deus, pela manifestação da verdade. 3 Mas, se ainda o nosso evangelho está

encoberto, para os que se perdem está encoberto. 4 Nos quais o deus deste século cegou os

entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória

de Cristo, que é a imagem de Deus. 5 Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo

Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos por amor de Jesus. 6 Porque Deus,

que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações,

para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. 7 Temos, porém,

este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós. 8 Em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados.

9 Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos;

10 Trazendo sempre

por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus

se manifeste também nos nossos corpos; 11

E assim nós, que vivemos, estamos sempre

entregues à morte por amor de Jesus, para que a vida de Jesus se manifeste também na

nossa carne mortal. 12

De maneira que em nós opera a morte, mas em vós a vida. 13

E temos

portanto o mesmo espírito de fé, como está escrito: Cri, por isso falei; nós cremos também,

por isso também falamos. 14

Sabendo que o que ressuscitou o Senhor Jesus nos ressuscitará

também por Jesus, e nos apresentará convosco. 15

Porque tudo isto é por amor de vós, para

que a graça, multiplicada por meio de muitos, faça abundar a ação de graças para glória de

Deus. 16

Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o

interior, contudo, se renova de dia em dia. 17

Porque a nossa leve e momentânea tribulação

produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; 18

Não atentando nós nas coisas

que se veem, mas nas que se não veem; porque as que se veem são temporais, e as que se

não veem são eternas.