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O pensamento politico em perspectiva historica

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    O PENSAMENTO POLITICO EM PERSPECTIVA HISTRICA

    Fernando Pedro

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    Sumrio

    Introduo

    1. A abordagem histrica

    1.1. Escopo e mtodo

    1.2. Teoria poltica em perspectiva histrica 1.2.1. Encaminhamentos 1.2.2. Teoria como polmica 1.2.3. Teoria como superao de dogmas 1.3. A historicidade da teoria 2. Vida poltica e teoria 2.1. Aproximaes 2.1.1. O antigo e o moderno 2.1.2. A vida poltica

    2.2. O pensamento clssico 2.3. Expanso Macednica e Helenismo 2.4. Em Roma como os romanos 2.5. Bizncio

    3. A formao da modernidade 3.1. A configurao do moderno 3.2. O intervalo medieval 3.2.1. A superao da lgica formal e a cincia 3.2.2. A montagem da poltica colonial

    3.3. O Estado e o poder poltico na Renascena 3.3.1. Maquiavel e a prtica poltica do poder 3.4. As polticas coloniais 3.4.1. Colonialismo e colonizao

    3.4.2. O colonialismo portugus 3.4.3. O colonialismo espanhol 3.4.4. O colonialismo dos pases-do-Mar-do-Norte 3.4.5. O colonialismo do imperialismo do sculo XIX 3.4.6. O Colonialismo no sculo XX 3.4. O pensamento do sculo XVII 3.5. O sculo XVIII: o fim do absolutismo 3.6. Capitalismo e imperialismo no sculo XIX 3.6.1. A perspectiva do centro 3.6.2. A perspectiva da periferia 3.7. O sculo XX: desenvolvimento, subdesenvolvimento. 3.8. Os Estados Unidos da Amrica do Norte 4. Pensadores formadores da modernidade 4.1. Aproximaes conceituais

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    4.2. Kant e a revoluo de efeitos retardados 4.3. Adam Smith e a revoluo burguesa 4.4. Hegel e a conscincia histrica 4.5. Ricardo e a poltica da economia nacional 4.6. Marx e a critica da sociedade burguesa

    5. Desdobramentos polticos da modernidade

    5.1. Interesses, ideologia e hegemonia 5.2. A teoria poltica do imperialismo 5.3. O fascismo 5.4. O socialismo precursor 5.5. A mobilizao anti-marxista 5.6. As teorias polticas do socialismo ps Marx 5.7. A viso burguesa e as redues temticas

    6. O pensamento poltico na America Latina moderna 6.1. Ps-colonialismo e autonomizao 6.2. Nveis de conscincia e de alienao 6.3. Necessidade e efetividade

    7. A vida poltica ativa 7.1. O jogo de alienao e afirmao 7.2. Os processos crticos do Estado

    7.3. A nova internacionalizao das elites 7.4. Mobilidade social e emergncia de novos grupos 7.5. A referencia externa 7.6. Ideologias, partidos polticos e movimentos sociais 7.6.1. O debate sobre ideologia

    7.7. As prticas do Estado burgus 7.7.1. O Estado burgus perifrico 7.7.2. Estilos de poltica 7.7.3. Polticas publicas 7.7.4. Paternalismo, clientelismo e competitividade 7.7.5. Autoritarismo dependente e sociedade democratizada 7.7.6. A questo da democratizao do Estado 7.7.7. A poltica revolucionaria e o Estado revolucionrio 7.7.8. Crise ideolgica e privatizao do Estado burgus 7.7.9. Estado nacional, as regies e as localidades 8. Nossa questo do Estado

    Bibliografia Introduo

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    Uma apresentao critica do pensamento terico em Poltica tornou-se imperativa para estabelecer a relao entre a vida social e o pensamento terico na perspectiva de naes no hegemnicas. Nesse movimento, a critica histrica necessria para relativizar a importancia do formalismo terico, situando-o como aparato de uma classe social e de um momento de seu desenvolvimento. Ao reconhecer a pluralidade de experincias no campo da poltica e desde a antiguidade, revelam-se pueris as tentativas de dar foros de universalidade s experincias de alguns poucos pases poderosos. Trata-se de reconduzir a cincia poltica a sua condio de cincia social historicamente ancorada. Esta opo tem diversas conseqncias em mtodo e em programa de trabalho que se pretende esboar. O reconhecimento da complexidade dos processos sociais em seus modos locais e em sua internacionalidade, tal como eles se apresentam desde os movimentos pelo desenvolvimento econmico, pela superao do colonialismo e pela extenso dos direitos humanos, revela exigncias aos estudos sociais para sua legitimidade e pertinncia. Um passo necessrio nesse sentido consiste em desmontar aparelhos intelectuais de controle ideolgico que tornaram as ciencias sociais dependentes de modos de pensamento funcionais ao sistema internacional de poder desenvolvido com a globalizao capitalista. A busca de um rumo efetivamente independente torna-se um imperativo histrico que se coloca alem da rejeio inevitvel ao entorpecimento do poder criativo da cincia formalista. A substituio de critica conceitual por modelos explicativos, a aceitao dogmtica de premissas de racionalidade formal, so entraves a que se perceba a historicidade dos processos sociais. No entanto processo social algum surge do nada. O anterior est contido transformado no posterior. Configura-se, portanto, um pleito por uma abordagem histrica do mundo da poltica. Os estudos de poltica, combinando seu componente conceitual com o registro da prxis encontram-se diante de uma bifurcao entre uma adeso passiva aos preceitos do pensamento representativo do poder e a oportunidade de exercer um esforo de autonomia que, de um modo ou de outro, resulta em uma postura critica. A construo de uma postura crtica se d por meio de um desafio de conceitos consagrados com dados empricos diferentes daqueles que informaram a teoria no passado. A postura crtica ser inevitvel sempre e quando a realidade histrica seja efetivamente percebida e venha a constituir a base emprica com que se trabalha. Como a sociedade do capital em expanso sempre afirmou tcita ou explicitamente sistemas sociais constitudos de desigualdade torna-se falacioso um pensar poltico que confunde igualdade formal com igualdade real. O consequente problema de renovao/liberao da teoria poltica no se limita a pas algum em particular, seno corresponde problemtica da poltica nos processos do subdesenvolvimento e da dominao moderna. A academia brasileira em sua maioria tem seguido a concordncia burguesa com um liberalismo conservador que esquiva as criticas ao positivismo ou simplesmente deriva no fluxo de um pensamento impregnado das opes do poder euro-norte-americano. No se trata de concordar ou discordar desse fluxo central seno de estabelecer uma afirmao colateral independente, representativa da Amrica no saxnica. Sob a presso contnua de uma apropriao da vida poltica por um sistema de poder fundado na aliana do grande capital com os meios de comunicao, o pensamento poltico passa por um estigma de perda de identidade ideolgica e perda de capacidade critica. A teoria poltica codificada pela academia um arcabouo positivo que admite como vlidas referencias a exerccios formais cuja consistncia material nunca foi

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    verificada. A distino entre consistncia formal e material no parece ter muita importncia quando se constroem modelos em poltica admitindo comportamentos individuais como referencias de coletivos histricos. Assim como o conservadorismo admite expectativas racionais como indicativos de consumo coletivo em poltica o conservadorismo admite a percepo individual como guia de comportamentos de grupos historicamente concretos. Torna-se praticamente impossvel entender o ambiente critico de hoje, no comeo do sculo XXI, sem ver a atualidade como parte de uma seqncia que comea com o Tratado de Viena de 1830 e marca a ascenso do capitalismo centrado na Europa ocidental at 1870 e at 1914, interrompido e modificado pelas duas guerras mundiais e reorganizado sobre as bases do bloco de poder liderado pelos EUA desde 1946. A crise econmica de hoje est ligada ao esgotamento do sistema poltico e econmico estruturado em 1946, que sofreu sucessivos abalos das revolues tecnolgicas desde a dcada de 1960 e passou a conviver com uma reorganizao do mercado mundial com ascenso da China e estagnao da Europa. A rpida renovao tecnolgica nos transportes e nas comunicaes na dcada de 1960 foi continuada por intensa renovao nos meios de comunicao na dcada seguinte, traduzindo-se em uma seqncia de crises na periferia do capitalismo mundializado. Ainda com muitos aspectos a serem explicados, a crise do sistema financeiro que eclodiu no novo sculo parte dessas transformaes progressivas do sistema scio-produtivo, indicando o profundo reajuste do sistema mundial marcado pela ascenso da China. As tentativas de recomposio do poder de uma Europa em que a liderana econmica da Alemanha questionada pela agressividade da Frana encontram-se com um complexo tecido de interesses envolvendo seu mercado, seu suprimento de matrias primas e energticos e sua administrao de seu desemprego. Em princpio cabe considerar que uma instabilidade progressiva crescente do sistema em seu conjunto se realiza com maior instabilidade na periferia que no centro do sistema, em um desempenho que coincide com o da instabilidade dos sistemas fsicos apontada Prigogine. No entanto a observao da economia mundial desde a dcada de 1990 mostra alteraes nas relaes estruturais entre as velhas naes industriais e as mais novas que indicam novas relaes polticas internacionais. Esse quadro de mudana demanda uma correspondente revisa o da anlise poltica. Uma teoria poltica constituida de leitura exegtica ou mesmo de leitura crtica de doutrinas dos centros mundiais de poder revela-se inadequada ou imprpria para refletir o ambiente das mudanas estruturais do mundo perifrico. obscurecida por uma abordagem sobre o curto prazo mas aparece claramente em um contexto em longo prazo, em que se reconhece a simbiose entre as esfera