O Sector Electrico

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  • Infraestruturas Electricidade

    Informao Portugal Agosto-08

    O SECTOR ELCTRICO

  • Infraestruturas e Acessbilidades Electricidade

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    NDICE

    1. Evoluo do sector elctrico em Portugal 3

    2. Enquadramento legal do sector elctrico 3

    3. O sistema elctrico nacional 4

    3.1 Produo de electricidade 6

    3.2 Transporte de electricidade 8

    3.3 Distribuio de electricidade 11

    3.4 Comercializao de electricidade 11

    3.5 Operao dos mercados de electricidade 13

    4. A entidade reguladora ERSE 13

    5. Agentes do sector 13

    6. Qualidade do Servio 14 7. Tarifas 16

    ANEXOS

    ANEXO 1 Tarifrio aprovado para 2008 20

    ANEXO 2 Informao estatstica do sector elctrico 37

    ANEXO 3 Caractersticas da Rede Nacional de Transporte - RNT 39

    ANXEXO 4 Principal equipamento entrado ou retirado de explorao em 2007 45 ANEXO 5 Potncias disponveis por zonas de rede, para o perodo 2008/2010 para ligao de instalaes de produo de energia elctrica em regime especial 47

    ANEXO 6 Datas previstas para novas subestaes de RNT 48

    ANEXO 7 Comprimento das linhas e potncia de transformao - 2007 49

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    1. Evoluo do sector elctrico em Portugal

    Em Portugal s nos finais do sculo XIX se fizeram sentir as vantagens utilitrias da electricidade. Rezam as crnicas que a primeira experincia realizada em Portugal ter ocorrido em Lisboa, no Chiado, em 1878. A realizao da referida iluminao elctrica foi da iniciativa da Cmara Municipal de Lisboa e destinou-se a comemorar o aniversrio do rei D. Lus que, entretanto, autorizara o municpio a celebrar o contrato para o efeito, determinando que o mesmo tivesse execuo imediata. Essa iluminao utilizou seis candeeiros de arco voltaico retirados do Palcio da Cidadela localizado em Cascais. Aps vrias vicissitudes e peripcias entre a Cmara Municipal e a Lisbonense, sociedade privada detentora da concesso da iluminao pblica a gs, esta acabou por se fundir com a recm constituda Gs de Cidade, dando origem Sociedade Companhias Reunidas de Gs e Electricidade, sendo-lhe concedida a distribuio de gs e de electricidade no municpio de Lisboa. Foi j em pleno funcionamento desta sociedade que, no ano de 1889, foi montada a primeira rede elctrica de iluminao pblica alimentada por uma central elctrica.

    Depois de Lisboa, outros municpios decidiram instalar a iluminao elctrica, funcionando no incio, na maioria dos casos, em situaes de manifesta precariedade e com frequentes e prolongadas interrupes de fornecimento. As primeiras centrais produtoras de energia elctrica foram implantadas nos grandes centros urbanos, dado que era aqui que se verificavam as condies mais favorveis para o seu aparecimento. Na maioria dos casos, eram centrais trmicas de pequena potncia instalada. Em 1908, foi construda a Central da Senhora do Desterro, a primeira hidroelctrica, um aproveitamento das guas do Rio Alva, na Serra da Estrela, destinada ao fornecimento de energia cidade de Seia e s indstrias locais.

    No primeiro quartel do sculo XX, foram-se multiplicando por todo o Pas as instalaes elctricas, ainda sem qualquer poltica de interligao. Do ponto de vista legislativo, surgiram os primeiros regulamentos administrativos, todos no domnio da segurana das instalaes. O final da dcada de vinte do referido sculo marcado pela publicao da Lei dos Aproveitamentos Hidrulicos, que representa a primeira definio da rede elctrica nacional, sistematicamente estruturada nas actividades de produo, transporte e distribuio de energia elctrica, baseando-se o seu exerccio na explorao de concesses em regime de servio pblico.

    2. Enquadramento legal do sector elctrico

    Com a publicao da Lei n. 2002, de 26 de Dezembro de 1944, o Estado chama definitivamente a si a definio da poltica de electrificao nacional, passando a dirigir, orientar e intervir no sector. Entre as dcadas de quarenta e sessenta do sculo passado, realizaram-se os grandes aproveitamentos

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    hidroelctricos. O sector elctrico passou definitivamente a assentar em concesses do Estado aos municpios, exploradas por sociedades privadas concessionrias, em regra participadas pelo Estado. Em 1975, semelhana do que aconteceu nos outros sectores da actividade econmica, assistiu-se nacionalizao do sector elctrico e, em consequncia disso, criao de empresas pblicas s quais so conferidas, em exclusivo, em regime de servio pblico, por tempo indeterminado, o exerccio das actividades de produo, transporte e distribuio de energia elctrica: EDP, no Continente; EDA nos Aores; EEM na Madeira.

    Com o pacote legislativo de 1995 e a aplicao dos princpios da Directiva 96/92/CE, de 19 de Dezembro, que estabeleceu as regras comuns com vista criao do Mercado Interno de Electricidade, d-se incio liberalizao do sector, marcado pela reprivatizao da EDP e pela afirmao do principio de liberdade de acesso s actividades de produo e distribuio de energia elctrica, atravs da definio de um Sistema Elctrico Nacional baseado na coexistncia de um Sistema Elctrico de Servio Pblico (SEP) Mercado Regulado e de um Sistema Elctrico Independente ou no Vinculado (SENV) Mercado Liberalizado. Simultaneamente, consagra-se a regulao do sector elctrico atravs da criao de uma entidade administrativa independente, a ERSE.

    A publicao dos Decretos-Lei n 184/2003 e 185/2003, ambos de 20 de Agosto, representa o inicio do processo de liberalizao global do sector elctrico, liberalizao que tem os seus princpios expressos na Directiva 54/CE/2003, de 26 de Junho, e na qual se inspira a criao do Mercado Ibrico de Electricidade (MIBEL), expresso nos acordos celebrados entre Portugal e Espanha. O enquadramento do funcionamento do sector elctrico no mbito dos princpios de abertura e concorrncia estabelecidos na Directiva 2003/54/CE, de 26 de Junho, passou a estar consagrado no Decreto-lei n. 29/2006 de 15 de Fevereiro e consequente regulamentao. Este diploma estabelece os princpios gerais relativos organizao e funcionamento do sistema elctrico nacional, bem como ao exerccio das actividades de produo, transporte, distribuio e comercializao de electricidade e organizao dos mercados de electricidade, transpondo para a ordem jurdica interna os princpios da Directiva n. 2003/54/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 26 de Junho, que estabelece regras comuns para o mercado interno da electricidade, e revoga a Directiva n. 96/92/CE, do Parlamento Europeu e do Conselho, de 19 de Dezembro.

    3. O Sistema Elctrico Nacional

    Conforme j referido, a organizao do Sistema Elctrico Nacional (SEN) assenta na coexistncia de um Mercado Liberalizado (ML) com um Mercado Regulado (MR). Desta forma, os agentes econmicos tm a opo de estabelecer relaes contratuais com o Comercializador Regulado, ao abrigo das condies aprovadas pela ERSE, ou negociar outras condies com os Comercializadores em ML.

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    A figura seguinte apresenta um diagrama sucinto do modo como se organiza o sistema elctrico nacional.

    Fonte: ERSE

    O Sistema Elctrico Nacional pode ser dividido em quatro actividades principais: produo, transporte, distribuio, comercializao, a que acresce a operao dos mercados organizados de electricidade que, em regra, so desenvolvidas de forma independente.

    DESTAQUE: A electricidade produzida com recurso a diversas tecnologias e a diferentes fontes primrias de energia (carvo, gs, fuel, gasleo, gua, vento, biomassa, entre outros). Em Portugal, os principais produtores so a Turbogs, a Tejo Energia e a CPPE Companhia Portuguesa de Produo de Electricidade (EDP Produo)1. A REN SA opera a RNT Rede Nacional de Transporte de electricidade que liga os produtores aos centros de consumo assegurando o equilbrio entre a procura e a oferta. No mbito do respectivo contrato de concesso, a REN a nica entidade de transporte de electricidade em Portugal continental.

    A CPPE integra uma sub-holding do Grupo EDP, que surgiu como uma necessidade de optimizar a eficincia e coordenao das vrias centrais produtoras, e que inclui, alm da CPPE (SEP), as seguintes empresas: a HDN, Hidrocenel e TER (na produo no vinculada); a Ernova e a EDP Cogerao (Produo em regime especial); a EDP Produo EM, O&M Servios, HidroEm, Tergen e Enepro na rea dos servios.

    SEN Sistema Elctrico

    Nacional

    SEP Sistema Elctrico

    Pblico ou Vinculado

    SEI Sistema Elctrico

    Independente

    SENV Sistema Elctrico No

    Vinculado PRODUO VINCULADA

    RNT- Rede Nacional de Transporte (REN)

    DISTRIBUIDORES VINCULADOS

    PRODUO NO VINCULADA

    Distribuio no Vinculada

    Clientes no Vinculados

    Mini Hdricas

    Outras Energias Renovveis

    Cogeradores

    Produtores em baixa tenso at150 KW

    ERSE

    Mercado Regulado Mercado Liberalizado

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    Os pontos de entrega da RNT permitem alimentar a rede de distribuio a partir da qual so abastecidos os consumos da maioria dos consumidores finais. A EDP Distribuio actualmente a entidade concessionria da rede nacional de distribuio em alta e mdia tenso, em Portugal Continental. As empresas de comercializao de electricidade so responsveis pela gesto das relaes com os consumidores finais, incluindo a facturao e o servio ao cliente. A EDP Servio Universal, que actua como Comercializador de ltimo Recurso do SEN, actualmente o maior comercializador em Portugal. Adicionalmente, as principais empresas de comercializao em Portugal so a EDP Comercia