o Teatro de Arena Na Arena Do Brasil

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  • MARIA CHRISTINA DA SILVA

    O TEATRO DE ARENA NA ARENA DO BRASIL

    Dissertao apresentada ao Programa de Ps-Graduao em Histria FAFICH - UFMG / Linha de Pesquisa: Histria e Culturas Polticas como requisito parcial para obteno do ttulo de Mestre em Histria. Orientadora: Prof Dr Heloisa Starling.

    BELO HORIZONTE 2008

  • 1

    MARIA CHRISTINA DA SILVA

    O TEATRO DE ARENA NA ARENA DO BRASIL

    BELO HORIZONTE

    2008

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    BANCA EXAMINADORA

  • 3

    Para

    meu filho Lucas e,

    in memoriam, minha me

    Benedita.

  • 4

    AGRADECIMENTOS

    Meus agradecimentos iniciais so minha orientadora Prof Dr. Helosa Maria Murgel

    Starling, por ter acreditado na pertinncia do tema, pelo incentivo e apoio ao

    desenvolvimento desta pesquisa e por ter contribudo para o fortalecimento de minha

    autonomia intelectual.

    A Prof. Dr. Rosangela Patriota agradeo imensamente por ter me recebido com

    enorme disponibilidade e pelas inestimveis sugestes para a execuo deste trabalho.

    A Prof. Dr. Maria Elisa Linhares Borges, ao Prof. Dr. Jos Carlos Reis, ao Prof. Dr.

    Joo Furtado e Prof. Dr. Betnia Gonalvez Figueiredo serei eternamente grata pela

    confiana que depositaram em mim, pela gentileza com que sempre me acolheram e

    pelos estimulantes questionamentos e profcuas sugestes.

    Gostaria de agradecer, in memoriam, minha querida me e amiga, que sempre

    acreditou em mim e cujo incentivo devo este trabalho. E ao meu filho, meu irmo e meu

    pai, pelo infinito apoio e compreenso.

    A Maria Paula, Maria Alice, Zeca, Tia Vera e in memoriam, a Maria Eunice, no h

    palavras que expressem minha gratido pela infinita amizade, apoio e generosidade.

    Ao Leonardo e ao Lucas pela amizade e pelas conversas inteligentes recheadas de

    estmulo, pacincia e confiana.

    A Fernanda, Ariadne, Alda, Flvia, Mnica, Ins e tias Nilza e Maria Eustquia pelo

    imenso apoio, carinho, pacincia nos momentos mais difceis.

    Aos amigos Bruno e Marcela pela generosa acolhida e estmulo.

    As secretrias Norma e Mrcia (Vice-Reitoria), Norma (Ps-Graduao) e Aninha

    (Diretoria da Fafich) pelo empenho, compreenso e solicitude.

    E finalmente, ao Rogrio pela compreenso, carinho, afeto e bom humor, que foram

    fundamentais para que eu mantivesse minha resistncia nos ltimos meses.

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    O passado no uma queda no nada; ao contrrio, uma passagem ao ser: o passado a consolidao do ser no tempo, durao realizada. Ele no o que no mais, mas o que foi e ainda . Ele penetra em nossa atividade presente e determina o futuro. Entretanto, embora seja durao realizada, o passado no existe em si. Ele se confunde com a reconstruo que se faz dele. Existe no presente como memria, reconstruo. O ser do passado a sua representao, que est situada no presente.

    Jos Carlos Reis

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    RESUMO

    Esta dissertao tem por finalidade contribuir para a reflexo das possveis conexes existentes entre Histria e Teatro. Prope a anlise das utopias do Teatro de Arena durante a dcada de 1950 no Brasil, com o intuito de discutir momentos de nossa histria contempornea. Partindo do pressuposto de que a produo esttica e, neste caso especfico, a dramaturgia, um momento constituinte do processo histrico, sero estudadas especificamente duas peas produzidas e encenadas pela primeira vez por essa companhia: Eles No Usam Black-Tie (1958), de Gianfracesco Guarnieri, e Chapetuba Futebol Clube (1959), de Oduvaldo Vianna Filho. No primeiro captulo, o Teatro de Arena ser analisado por meio das interpretaes elaboradas a seu respeito, no segundo, no interior do processo vivenciado e no terceiro, ser feito um estudo das peas indicadas acima, no mbito do processo da escritura e da encenao, com o objetivo de recuperar a contemporaneidade do papel exercido pelo Teatro de Arena na dramaturgia brasileira. Palavras Chave: Teatro de Arena de So Paulo; Histria e Teatro; Gianfrancesco Guarnieri; Eles no usam Black-Tie; Oduvaldo Vianna Filho; Chapetuba Futebol Clube.

    ABSTRACT

    This work aims to contribute to the reflection of the possible connections between History and Theater. It considers the analysis of Teatro de Arenas utopias during the decade of 1950 in Brazil, with the intent to discuss some moments of our contemporary history. Starting from approaches which blend drama and historical process, two plays produced and staged by the first time for this company will be studied: Eles No Usam Black-Tie (1958), by Gianfrancesco Guarnieri, and Chapetuba Futebol Clube (1959), by Oduvaldo Vianna Filho. In the first chapter, the Teatro de Arena will be analysed from the point of view of their critical approaches; in the second, relations between those plays and history. In the third, will be done a study over the process of writing and stage, looking for rescue the contemporary and importance of Teatro de Arena and its role on Brazilian drama. Key words: Teatro de Arena of So Paulo; History and Theater; Gianfrancesco Guarnieri; Eles No Usam Black-Tie; Oduvaldo Vianna Filho; Chapetuba Futebol Clube.

  • 7

    SUMRIO

    Apresentao................................................................................................................. 08

    Captulo 1 - Histria e Teatro: A Historiografia do Teatro de Arena de So Paulo...... 14

    Captulo 2 - O Encontro com o Tema do Nacional no Imaginrio dos Integrantes do

    Teatro de Arena ........................................................................................ 50

    Captulo 3 - Eles No Usam Black-Tie e Chapetuba Futebol Clube Na Arena de um

    Pas.......................................................................................................... 100

    As Utopias de Vianinha e Guarnieri no Teatro de Arena ....................... 106

    Eles No Usam Black-Tie: Os operrios entram em cena...................... 107

    A Recepo de Eles No Usam Black-Tie............................................. 130

    Chapetuba Futebol Clube: A dramaturgia nacional continua................. 137

    A Recepo de Chapetuba Futebol Clube............................................. 153

    Consideraes Finais................................................................................................. 157

    Iconografia.................................................................................................................... 167

    Lista de Siglas e Abreviaturas .......................................................................................178

    Cronologia dos Espetculos do Arena...........................................................................179

    Bibliografia ...................................................................................................................181

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    APRESENTAO

    Somos profissionais: no vamos agredir, agredir no fcil, mas transfere responsabilidades viemos aqui cumprir a nossa misso a de artistas , no a de juzes de nosso tempo a de investigadores a de descobridores ligar a natureza humana natureza histrica no estamos atrs de novidades estamos atrs de descobertas, no somos profissionais do espanto para achar a gua preciso descer terra adentro encharcar-se no lodo mas h os que preferem os cus esperar pelas chuvas.

    Oduvaldo Vianna Filho

    Nesse trabalho, propomos-nos a refletir acerca do debate poltico compartilhado

    por grupos da intelectualidade1 brasileira, ligados esfera artstica, durante a dcada de

    1950, luz das utopias teatrais presentes no Teatro de Arena. Pressupomos que a

    anlise desse conjunto de representaes permite uma chave de compreenso das razes

    do comportamento de uma gerao de homens e mulheres, que se acreditava poltica, e

    que considerava, portanto, que tudo deveria se submeter ao poltico: o amor, o

    comportamento, o sexo, a cultura e que, conseqentemente, por meio de suas criaes

    artsticas, no s buscava compreender as circunstncias histricas vivenciadas como

    tambm procurava intervir, direta ou indiretamente, na transformao da sociedade.

    Nesse sentido, o estudo do imaginrio poltico desse segmento de jovens artistas

    e intelectuais, tendo como fio condutor o resgate do processo de criao/produo de

    alguns momentos significativos da sua dramaturgia, possibilita pens-la historicamente,

    visto que, dessa forma, so trazidos luz os debates da poca, o que permite a anlise e

    1 Intelectualidade entendida como categoria social definida por seu papel ideolgico: eles so os

    produtores diretos da esfera ideolgica, os criadores de produtos ideolgico-culturais, o que engloba escritores, artistas, poetas, filsofos, sbios, pesquisadores, publicistas, telogos, certos tipos de jornalistas, certos tipos de professores e estudantes, etc. LWY, Michael. Para uma sociologia dos intelectuais revolucionrios. So Paulo: Cincias Humanas, 1979, p. 1.

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    auxilia na compreenso de um perodo recente da histria brasileira contempornea,

    como aquele que antecedeu o golpe de 1964 e, conseqentemente, possibilita a

    reconstruo desse passado como objeto de pesquisa.

    Nessa perspectiva, este estudo visa analisar as possveis conexes existentes

    entre Histria e Teatro durante as dcadas de 1950 no Brasil. A proposta central reside

    em tecer uma reflexo acerca de novos objetos e abordagens a partir da valorizao da

    produo teatral util