Omissão Legislativa Inconstitucional e Mecanismos de Garantia

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Omisso legislativa inconstitucional e mecanismos de garantia

Por: Mariana Kowalski Furlan

O instituto da inconstitucionalidade por omisso deve manter-se, no para deslegitimar governos ou assemblias inertes, mas para assegurar uma via de publicidade crtica e processual contra a Constituio no cumprida. J. J. Gomes Canotilho

SUMRIO

1 INTRODUO

2 CONCEITO DE CONSTITUIO

2.1 TEORIAS SOBRE O SENTIDO E A ESTRUTURA DA CONSTITUIO SUPREMACIA E RIGIDEZ CONSTITUCIONAL

2.2 CONSTITUIO E MODELO DE ESTADO

3 APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS

3.1 EXISTNCIA, VIGNCIA, VALIDADE, LEGITMIDADE E EFICCIA

3.2 TEORIAS DA APLICABILIDADE DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS

3.2.1 Normas auto-aplicveis e no auto-aplicveis (teoria clssica)

3.2.2 Concepes modernas

3.2.3 Classificao proposta por JOS AFONSO DA SILVA

3.3 CAMPO DE INCIDNCIA DA OMISSO LEGISLATIVA INCONSTITUCIONAL

4 INCONSTITUCIONALIDADE

4.1 INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL, ORGNICA E MATERIAL

4.2 INCONSTITUCIONALIDADE TOTAL E PARCIAL

4.3 INCONSTITUCIONALIDADE POR AO E OMISSO

4.4 INCONSTITUCIONALIDADE ORIGINRIA E SUPERVENIENTE

4.5 INCONSTITUCIONALIDADE ANTECEDENTE (OU IMEDIATA) E CONSEQENTE (OU DERIVADA)

4.6 INCONSTITUCIONALIDADE DIRETA E INDIRETA

4.7 MODELOS DE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE

4.7.1 Modelo ingls

4.7.2 Modelo francs

4.7.3 Modelo americano

4.7.4 Modelo austraco

4.7.5 Modelo portugus e modelo brasileiro

4.7.6 Formas de manifestao do controle da constitucionalidade

5 OMISSO LEGISLATIVA INCONSTITUCIONAL

5.1 CARACTERIZAO

5.2 OMISSO LEGISLATIVA TOTAL E PARCIAL

5.3 OMISSO LEGISLATIVA FORMAL E MATERIAL

5.4 OMISSO LEGISLATIVA ABSOLUTA E RELATIVA

6 MECANISMOS DE GARANTIA CONSTITUCIONAL

6.1 AO DIRETA DE INCONSTITUCINALIDADE POR OMISSO

6.1.1 Caractersticas

6.1.2 Legitimidade ativa e passiva

6.1.3 Efeitos da deciso

6.1.4 Deciso de inconstitucionalidade por omisso parcial (relativa) por violao ao princpio da isonomia (clusula de excluso de benefcio)

6.2 MANDADO DE INJUNO

6.2.1 Caractersticas

6.2.2 Natureza da norma regulamentadora

6.2.3 Competncia para processar e julgar

6.2.4 Legitimidade ativa e passiva

6.2.5 Provimento judicial

6.2.6 O mandado de injuno e o princpio da separao dos poderes

6.2.7 O papel do mandado de injuno na Constituio de 1988

6.3 DIFERENAS ENTRE A AO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE POR OMISSO E O MANDADO DE INJUNO

7 CONCLUSO

REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS

1 INTRODUO

A monografia trata do controle de constitucionalidade com enfoque na omisso legislativa inconstitucional e os seus mecanismos de garantia. O controle de constitucionalidade surgiu com o fim de harmonizar o contedo da Constituio e a ordem jurdica, tendo como fundamento o princpio da supremacia do texto constitucional. Os mecanismos deste controle surgiram, ento, para assegurar o efetivo cumprimento da Constituio. Para anlise do tema proposto, dividiu-se o trabalho em cinco partes.

Primeiramente, estabelecer-se-o algumas noes sobre o conceito de Constituio, seu sentido e estrutura. importante destacar a supremacia e a rigidez constitucional, uma vez que, para a existncia da fiscalizao da constitucionalidade, deve-se estar diante de uma Constituio rgida e que ocupa um espao de supremacia em relao s demais normas que compem o ordenamento jurdico (normas complementares e ordinrias).

Em um segundo momento, tratar-se- da aplicabilidade das normas constitucionais. Tem-se, pois, que a partir do grau de eficcia e aplicabilidade da norma constitucional, surge a necessidade de atuao do legislador infraconstitucional a fim de dar efetividade ao disposto na Carta Magna. Por outras palavras, surge a necessidade de que o legislador complemente o Texto Constitucional atravs de leis que o regulamente. Assim, quando a norma constitucional necessita de regulamentao infraconstitucional para que possa ser efetivada, quedando-se inerte o legislador, passa-se caracterizao da omisso legislativa inconstitucional.

Na terceira parte, apresentar-se-o, de forma sucinta, as formas de inconstitucionalidades, que inspiram o desenvolvimento de mecanismos para o controle da constitucionalidade.

Em seguida, dedicar-se- uma parte para a caracterizao da omisso legislativa inconstitucional. A Constituio de 1988 configura-se como bastante avanada no campo dos direitos e garantias fundamentais e sociais. Vista como uma Constituio Dirigente, a Carta Magna trouxe tambm em seu bojo a preocupao com o efetivo cumprimento desses direitos e garantias. A omisso legislativa inconstitucional impede o exerccio dos direitos e garantias previstos no Texto Maior (com exceo dos direitos e garantias fundamentais, pois estes tm aplicao imediata, conforme reza o art. 5, 1, da Suprema Carta), devido ao silncio (inrcia) do legislador, motivo pelo qual deva ser veementemente combatida.

Por fim, na quinta parte apresentar-se-o os mecanismos de garantia da inconstitucionalidade por omisso do Poder Legislativo ao direta de inconstitucionalidade por omisso e mandado de injuno. Procurar-se- tambm destacar o papel que o Judicirio dever assumir na busca pela efetividade das normas constitucionais.

2 CONCEITO DE CONSTITUIO[1]

Para conceituar a Constituio a doutrina de um modo geral expe diversas teorias as quais foram concebidas ao longo do tempo, tendo em vista principalmente o modelo de Estado no qual tais concepes estavam inseridas. Neste trabalho apresentar-se-o algumas dessas concepes de forma a tentar construir um conceito de Constituio, que se faz imprescindvel para o desenvolvimento do tema que se prope tratar omisso legislativa inconstitucional e os seus mecanismos de garantia. Para tanto, desde logo se faz a ressalva que no se pretende aqui esgotar as teorias que tratam do assunto, pelo contrrio, procurar-se- expor algumas das concepes de forma a nortear o desenvolvimento do trabalho, adotando aquela que parecer mais adequada.

2.1 Teorias sobre o sentido e a estrutura da Constituio supremacia e rigidez constitucional

Ao tratar do conceito de Constituio Oswaldo Luiz PALU anota o que entende como as principais correntes doutrinrias que procuraram desenvolver a sua idia central, bem como sua estrutura. Aponta, resumidamente, as seguintes: a) jusnaturalismo a Constituio o reconhecimento dos princpios gerais do Direito Natural; b) positivismo a Constituio tida como norma superior de todo o ordenamento jurdico, tendo seu fundamento de validade na norma hipottica fundamental, visualizada por Kelsen; c) historicistas Constituio como expresso da estrutura histrica de cada povo e a base da legitimidade de sua organizao poltica; d) sociolgicas as Constituies so conseqncias dos mutveis fatores sociais que condicionam o exerccio do poder (Lassalle); e) marxistas Constituio como mera superestrutura jurdica de uma organizao econmica subjacente, sendo um dos instrumentos da ideologia da classe dominante; f) decisionista Constituio como deciso poltica fundamental (Carl Schmitt); g) institucionalista Constituio como organizao social como expresso das idias duradouras da sociedade e como ordenamento das foras e fins polticos; h) filosofia de valores ordem de valores anterior e no criada por ela a vincular os poderes estatais e a prpria Constituio (PALU, 2001, p. 26-27).

Aps a exposio dessas concepes sobre o conceito de Constituio, o autor acaba por conceitu-la da seguinte forma: ... sistema de normas jurdicas que regula a forma do Estado, a forma de governo, o modo de aquisio e exerccio do poder e seus limites, bem como os direitos e garantias fundamentais da pessoa humana. (PALU, 2001. p. 31) E, por fim, acrescenta que:

A constituio algo que tem como forma um complexo de normas (escritas ou costumeiras); como contedo, a conduta humana motivada pelas relaes sociais (econmicas, polticas, religiosas etc.); como fim, a realizao dos valores que apontam para o existir da comunidade; e, finalmente, como causa criadora e recriadora, o poder que emana do povo.

Jos Joaquim Gomes CANOTILHO tambm apresenta variadas concepes sobre o sentido da Constituio: a) conceito histrico universal, no qual expe que todos os pases possuem e possuram sempre, em todos os momentos da histria, uma constituio (tambm entendido como um modo de organizao); b) fonte de direito, na qual era designada como fonte escrita do direito com valor de lei; c) modo de ser da comunidade, a totalidade da estrutura social da comunidade; d) organizao jurdica do povo; e) lex fundamentalis limitadora do poder soberano; e, f) ordenao sistemtica e racional da comunidade poltica atravs de um documento escrito.

CANOTILHO destaca os pontos fundamentais que conduzem a estrutura e funo da Constituio: a) idia de lei fundamental como instrumento formal e processual de garantia; b) tese de que as constituies podem e devem ser tambm programas ou linhas de direo para o futuro.

Explica que a fora hierrquica suprema das normas constitucionais justifica a imposio pela Constituio do princpio da conformidade de todos os atos do poder pblico com as normas e princpios constitucionais.

Parte da doutrina, a exemplo de Jos Afonso da SILVA e Michel TEMER, entende que a Constituio pode ser conceituada a partir de trs sentidos clssicos: sociolgico, poltico e jurdico.

Representante do sociologismo constitucional, Ferdinand Lassalle explica o sentido sociolgico da Constituio, no qual esta vista antes como fato do que como norma o Direito concebido como fato social. Por este sentido, basicamente, tem-se que a Constituio est vinculada reali