Orientaã§ãµes curriculares para alunos cegos

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  • 1. Alunos cegos e com baixa viso OOrriieennttaaeess ccuurrrriiccuullaarreess 1 Alunos cegos e com baixa viso Orientaes curriculares

2. Alunos cegos e com baixa viso OOrriieennttaaeess ccuurrrriiccuullaarreess 2 Ficha Tcnica EDITOR Direco-Geral de Inovao e de Desenvolvimento Curricular Direco de Servios da Educao Especial e do Apoio Scio-Educativo TTULO Alunos cegos e com baixa viso Orientaes curriculares DIRECTOR-GERAL Lus Capucha COORDENAO Filomena Pereira AUTORES Alberto Mendona Cristina Miguel Graa Neves Manuela Micaelo Vtor Reino SUPERVISO CIENTFICA Leonor Moniz Pereira DESIGN Manuela Loureno DESENHO DA CAPA Ttulo da capa A voz dos jovens Arantza Guedes (15 anos), Rafael Castro (16 anos) Carlos Vicente (16 anos) e Fbio Vidal (17 anos), da CERCICA PAGINAO Olinda Sousa 2008 3. Alunos cegos e com baixa viso OOrriieennttaaeess ccuurrrriiccuullaarreess 3 ndice Nota de abertura ..................................................................................... 5 Introduo............................................................................................... 7 I Educao de alunos cegos e com baixa viso ..................................... 11 1. Alunos cegos e com baixa viso ...................................................... 11 2. Pressupostos bsicos e orientaes gerais a considerar na educao de alunos cegos e com baixa viso .................................... 16 II reas curriculares especficas .......................................................... 21 1. Treino de viso ............................................................................ 21 2. Braille......................................................................................... 31 3. Tecnologias especficas de informao e comunicao........................ 41 4. Orientao e mobilidade................................................................ 67 5. Actividades da vida diria .............................................................. 79 4. Alunos cegos e com baixa viso OOrriieennttaaeess ccuurrrriiccuullaarreess 4 5. Alunos cegos e com baixa viso OOrriieennttaaeess ccuurrrriiccuullaarreess 5 Nota de abertura A presena de alteraes nas estruturas ou funes da viso coloca limitaes realizao de actividades que envolvem este sentido. Todavia, o funcionamento visual no depende apenas das condies do respectivo sistema, decorrendo tambm de um processo interactivo com factores contextuais, passveis de serem manipulados com vista a minimizar barreiras actividade e participao. No caso dos alunos com baixa viso ou com cegueira, muitas das barreiras com que se confrontam no contexto escolar podem ser minoradas, ou mesmo ultrapassadas no processo de ensino/aprendizagem. Sensibilizar educadores e encarregados de educao para a importncia de se proceder a avaliaes especializadas no mbito das consultas de subviso e criar centros de recursos especializados na rea da deficincia visual que funcionem como suporte e orientao aos docentes que exercem funes junto desta faixa da populao escolar, constituem exemplos de medidas que o Ministrio da Educao est a desenvolver, no sentido de promover a participao dos alunos com alteraes nas estruturas ou funes da viso no sistema de ensino e a aquisio de competncias que lhes permitam autonomia e sucesso na escola e na vida. A presente publicao sobre Orientaes Curriculares para Alunos Cegos e com Baixa Viso focaliza o currculo e a necessidade da sua expanso em algumas reas bsicas para a autonomia e integrao social dos alunos, tais como as actividades da vida diria e a orientao e mobilidade. Visa, ainda, a aquisio de competncias fundamentais para o seu sucesso educativo relacionadas com o domnio da leitura e da escrita, focando aspectos fundamentais do treino de viso, do braille e das tecnologias de informao, sem descurar as estratgias a que o professor deve recorrer para melhorar os nveis de actividade e de participao do aluno nos diferentes contextos de vida. 6. Alunos cegos e com baixa viso OOrriieennttaaeess ccuurrrriiccuullaarreess 6 Ao dar a conhecer as estratgias de ensino e alguns dos contedos das reas especficas, pensamos tambm contribuir positivamente para a facilitao da interaco entre todos os intervenientes no processo educativo. O Director-Geral Lus Capucha 7. Alunos cegos e com baixa viso OOrriieennttaaeess ccuurrrriiccuullaarreess 7 Introduo Este livro destina-se a todos os professores que na escola assumem responsabilidades educativas bem como a todos aqueles que participam no estabelecimento do plano ou programa educativo individual relativamente s crianas e jovens cegas ou com baixa viso. Centra-se na necessidade de expanso do currculo geral e nas actividades que fazem parte do quotidiano escolar e no, no modelo clnico tradicionalmente seguido na abordagem da educao das crianas cegas ou com baixa viso. A escola inclusiva deve desempenhar um papel de relevo em todo o processo educativo desta populao escolar. Apesar de muitos desses alunos seguirem o currculo do regime educativo comum, necessrio expandir o seu programa individual atravs de reas curriculares especficas, sempre que se pretenda contribuir para: o reforo da autonomia; a qualidade do desempenho; um melhor domnio das suas competncias; uma maior participao social. Compreender o papel da viso no desenvolvimento e na aprendizagem, sobretudo na aprendizagem espontnea, determinante para perceber as dificuldades de movimentao e de acesso informao destes alunos assim como para entender a necessidade da existncia de determinados contedos e de contextos especficos visando o seu sucesso educativo. Considera-se tambm importante que os educadores e os professores conheam o funcionamento visual, suas dimenses e componentes de anlise, uma vez que todos eles podem ter um papel significativo no desempenho das vrias actividades que ocorrem na escola. Assim, uma rigorosa avaliao funcional da viso pressupe a interveno de uma equipa multidisciplinar o docente de educao especial; o professor da turma/disciplina; 8. Alunos cegos e com baixa viso OOrriieennttaaeess ccuurrrriiccuullaarreess 8 a famlia; servio oftalmolgico de baixa - viso. Esta avaliao um aspecto fundamental a ter em conta, contribuindo de forma decisiva para o estabelecimento do plano e do programa educativo do aluno. Julga-se fundamental que os educadores e os professores compreendam os diferentes tipos de problemas visuais e algumas das suas implicaes pedaggicas no s na identificao de objectos e formas, na leitura e na escrita, como tambm na orientao e mobilidade e nas actividades da vida diria. Procura-se tambm que se apercebam da necessidade de aprender atravs dos outros sentidos, dando significado a toda a informao recebida atravs da audio, do tacto e dos resduos visuais, sempre que existam. Por isso, considera-se que devem conhecer algumas estratgias bsicas de substituio da informao visual por uma informao hptica (tacto activo) e ou auditiva, contribuindo, assim, para a existncia adaptao curricular mais eficaz e eficiente, o mais contextualizada possvel, isto , o aluno aprende na sala de aula em conjunto com os seus colegas de turma sob a orientao do professor de uma turma/disciplina e com o apoio do docente de educao especial, tendo por base um trabalho cooperativo entre eles. Deste modo, as adaptaes curriculares tm um papel de relevo em todo o processo educativo desta populao escolar. Estas podem passar por estratgias de gesto e organizao da escola e da sala de aula bem como pela elaborao de materiais prprios adaptados. Finalmente aborda-se a questo das reas curriculares especficas, tais como o treino de viso onde se incluem programas de estimulao visual e de competncias visuais, o Braille e as suas especificidades, as tecnologias da informao e comunicao (TIC), como meio de comunicao e de interaco com a escrita a negro, a orientao e mobilidade, que deve ser introduzida no currculo desde as primeiras idades e sempre que o aluno muda de escola ou de casa, e por ltimo, as actividades da vida diria. Considera-se que, estas aprendizagens devem ser aprendidas no seu ambiente natural, isto , no contexto escolar e de sala de aula, em conjunto com os outros alunos sempre que possvel, ou individualmente com o docente de educao especial, sempre que a sua especificidade o exija e devem fazer parte integrante do programa deste alunos. Nestas matrias deve, tambm existir uma colaborao 9. Alunos cegos e com baixa viso OOrriieennttaaeess ccuurrrriiccuullaarreess 9 estreita entre todos os intervenientes no processo educativo, nomeadamente entre o professor da turma/disciplina, o docente de educao especial, os auxiliares de educao e a famlia para que haja uma aprendizagem eficaz, criando mais e melhores oportunidades de acesso sua participao social. Com este livro procura-se contribuir para a existncia de uma escola cada vez mais inclusiva e que saiba responder cada vez melhor a todo o tipo de alunos, o que o mesmo que dizer responder diversidade. Leonor Moniz Pereira Professora Catedrtica da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Tcnica de Lisboa 10. Alunos cegos e com baixa viso OOrriieennttaaeess ccuurrrriiccuullaarreess 10 11. Alunos cegos e com baixa viso OOrriieennttaaeess ccuurrrriiccuullaarreess 11 I. Educao de alunos cegos e com baixa viso 1. Alunos cegos e com baixa viso Cegueira e baixa viso Acuidade visual e campo visual Segundo a Organizao Mundial de Sade (ICD-10, 1999) existe um amplo espectro de perdas de viso, situadas ao longo de um continuum, correspondendo a baixa viso a acuidades visuais compreendidas entre os 0.3 e os 0.05 e a cegueira a acuidades visuais inferiores a 0.05 ou a um campo visual inferior a 10 em torno do ponto de fixao. A baixa viso integra duas categorias, a baixa viso moderada (relativa a acuidades visuais compreendidas entre 0.3 e 0.1), e a baixa viso severa (relativa a acuidades visuais entre 0.1 e 0.05). Esta definio baseia-se, pois, em medidas clnicas relativas a duas funes