Origem Dos Grandes Erros Filosoficos

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ORIGEM DOS GRANDES ERROS FILOSFICOS (Erros crtico-ontolgicos) MRIO FERREIRA DOS SANTOS

Direitos autorais dos herdeiros do autor

NDICE Introduo Um ponto de partida Dos conceitos Da verdade Dos conceitos universais Do conceptualismo Uma exposio do realismo Cepticismo, fonte de grandes erros Os erros do idealismo A opinio A verdade material, a verdade formal e os preconceitos Fundamentos para a verdade, oferecidos pela experincia A etiologia dos erros Demonstrao e argumentao Colheita de erros famosos Grandes erros ontolgicos So as essncias cognoscveis? A existncia. Conceito confuso para alguns filsofos modernos Do no-ser Ser, no-ser e privao Princpio de razo suficiente e os erros correspondentes O conceito positivo e o prxico Das propriedades do Ser Da individualidade Da distino Da verdade Do Bem Do finito e do infinito

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Da substncia Novos comentrios sobre o tema da causa e do efeito Exame de temas sobre as causas Da causa material e da formal Palavras finais INTRODUO

inegavelmente de grande perplexidade a emoo que invade o homem moderno, quando perpassa os olhos pelas idias que nos dois ltimos sculos dominaram o campo da criao e do pensamento humanos. espantoso, sem dvida, o nmero imenso de sistemas, de escolas de filosofia, de doutrinas sociais, de hipteses e mais hipteses, que substituem umas s outras, numa sarabanda sem fim. Se passarmos os olhos pelas diversas pocas, verificaremos desde logo que os que mais brilharam, os que receberam o afago dos elogios fceis, os que empolgaram mais facilmente grupos imensos de admiradores no foram os maiores de sua poca, mas os menores, os que encontram um lugar inexpressivo na histria do conhecimento humano. No de espantar que, em Atenas, a democracia grega (que o era apenas de uma minoria de senhores e de uma maioria de escravos) condenasse Scrates morte, porque ele ensinara aos homens serem mais dignos, mais nobres e mais honestos? No de espantar que Plato permanecesse quase annimo ante o seu povo, enquanto um Grgias, um Hipias brilhavam como luminares do saber? E no se acusem os gregos desse defeito. Ele se repete sempre em toda a histria humana. No vimos em pleno sculo XVIII Hegel pontificar na Alemanha como filsofo absoluto, Krause, no fim do sculo passado, empolgar multides de pensadores, Bergson brilhar no princpio deste com uma aurola que empalidecia os grandes luminares do passado, e modernamente um Sartre ser erguido s culminncias, para em muito breve despencar-se, enquanto ainda h literatos da filosofia que ascendem um Russel, um Moritz aos pinculos do conhecimento? No vimos a tremenda propaganda que em nossos dias receberam vultos de medocre valor, a ponto de serem considerados por muitos como definitivos marcos no caminho do saber, aps os quais nada mais cabia para ser feito? Quem passar os olhos pelo campo da cincia, e assiste essa enxurrada de hipteses, que tombam, substitudas por outras que no resistem, para tombarem tambm, a ponto de num ano, haver tantas modificaes no conhecimento cientfico, tantas REFUTAES, tantas substituies de teorias e hipteses, que ningum mais capaz de acompanh-las, verifica que os livros de divulgao cientfica tornam-se obsoletos em alguns meses.

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Teorias que no resistem a uma estao so imediatamente abandonadas, depois de haverem sido saudadas como solues definitivas. No mister alongarmo-nos nos exemplos, porque so tantos e to curiais, que no h quem no se amedronte ante a apavorante marcha do conhecimento humano, e no tem, por sua vez, que a doutrina que hoje segue como verdadeira no seja acoimada, amanh, de erro, e abandonada afinal. Mas o espantoso no apenas este, porque se apenas assim acontecesse, poder-se-ia afirmar que tais fatos revelariam um desenvolvimento da capacidade humana, que tende cada vez mais para uma anlise mais perfeita, tornando-se capaz de captar os erros das diversas posies, substituindo as doutrinas erradas por outras julgadas melhores, que, por sua vez penetre num campo de realizaes extraordinrias, e possa alcanar afirmaes definitivas. Poder-se-ia, assim, afirmar que seria a revelao de uma sade mental, de um vigor criador do homem: um sinal da evoluo criadora do seu esprito. Mas o que espanta a ressurreio de velhos erros j refutados! O que amedronta ver antigas concepes, que foram derrudas pela anlise e confutadas por rigorosas argumentaes, retornarem como fantasmas, para preocuparem outra vez mentes desprovidas, a dos que desconhecem essas refutaes, e se apresentarem, ento, como NOVIDADES, como confeces perfeitssimas, segundo o ltimo modelo intelectual, provocando em mentes no devidamente a par do que j foi realizado, espasmos de satisfao, exaltaes de gozo, como se fora atingida a quintessncia das coisas. Tal espetculo de causar d. E causa d, no porque tais idias surgem em crebros primrios, em pessoas que no tiveram meios de obter melhores conhecimentos, em pensadores improvisados, mas em homens que CURSARAM UNIVERSIDADES, que ostentam como a maior faanha do mundo o seu diploma, como o maior ttulo de glria, existente, e que um atestado irrefutvel (apenas para eles), de que so realmente sbios no assunto, senhores do saber, e que tais atestados lhes garante a AUTORIDADE NA MATRIA, como se algum que j cursou uma escola superior e possui um diploma, intimamente no soubesse como se fabricam diplomados, nem tampouco o real valor de suas escolas e de muitos pseudos-mestres. Mas, por que tais coisas se do? Por que retornam as mesmas idias que os sofistas gregos haviam espalhado, e que receberam a mais cabal das refutaes, para surgirem agora como avatares de velhas formas mortas e ora ressurrectas? Como se compreende que posies como o cepticismo, o relativismo, o agnosticismo, desmontadas eficazmente pelos luminares do pensamento grego, conheam hoje em dia um renascimento inesperado e encontrem cultores entre homens julgados como expoentes do conhecimento humano?

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Por que doutrinas, fundadas em primrios erros de Lgica, que qualquer estudante melhor avisado os evitaria, so, depois, defendidas por filsofos que adquirem renome e se propagam como se propaga a m erva? E o que mais espanta, o que mais contrista, que tais erros perduram, atravessam os anos, penetram pelos sculos, e surgem aos olhos de muitos como esplendorosas realizaes da mente humana. apenas ignorncia que se devem debitar tais coisas, ou aliam-se a ela a m f e segundas intenes? Ser produto de uma deficincia do esprito, ou obedece a uma intencionalidade que no pode ser confessada? Se se pudesse apenas debitar tais erros m f, naturalmente que seriam eles ignominiosos. Mas no apenas a ela que se deve faz-lo, mas, sobretudo, a um descaso no estudo da Lgica, a uma falta de melhor raciocnio, a ignorncia do que j se fez nesse terreno. E quando so estes os motivos que os geram, tais erros so apenas de lamentar. Realmente causa d o espetculo que se assiste. Mas o pior no est apenas na messe de erros, se tais erros no fossem fatores de maiores males para a humanidade. O deplorvel em tudo isso que tais erros se multiplicam, geram atitudes e tomadas de posies, que tm arrastado os homens a srios conflitos, e muitos cadafalsos foram erguidos para liquidar os que no seguem tais posies. Muitos crimes se praticaram em nome de tais erros, e muito sangue se derramou por culpa deles. Esta a razo por que se impe denunci-los. mister que os mostremos luz meridiana, que os escalpelemos com todo o rigor, para que a calva nua transparea plenamente. mister advertir os bem intencionados para que no sejam vtimas de tais erros, para que possam compreender por que a perplexidade avassala o homem moderno, entendendo, ento, por que tais erros se repetem e conquistam adeptos. mister fazer essa obra de denncia, por que no mais possvel deixar que tantos males se repitam e se multipliquem. O que empreendemos nesta obra essa denncia. Queremos apenas contribuir para avisar os bem intencionados para que se livrem da ao malfica daqueles que perturbam a inteligncia humana, obnubilando-a com tantos vcios, a fim de permitir que muitos possam escolher, mas escolher com responsabilidade, entre o que errado e o que certo. No tero amanh o direito de alegar ingenuidade ou ignorncia, porque patenteado o erro, debruar-se sobre ele e segui-lo indcio de mau carter ou de morbidez. Com essa inteno construtiva foi realizada esta obra. Mrio Ferreira dos Santos

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UM PONTO DE PARTIDA

Em relao Filosofia, duas so as principais atitudes que se podem tomar: 1)a daqueles que nela admitem uma capacidade de solucionar os mais agudos problemas e dar respostas s mais insistentes e exigentes perguntas do homem, e 2)a daqueles que a julgam apenas uma diverso, um entretenimento de ociosos, sem capacidade de atingir, nem de leve, ao grau que pretende, no saindo, assim, do campo das opinies, e servindo apenas de terreno para disputas estreis, sem maiores proveitos para o homem, salvo o de servir de exerccio mental, agradvel ou no, sem conseqncias realmente benficas quanto soluo das magnas perguntas, que apenas no campo da cincia podero encontrar uma soluo. Deste modo, ao lado dos que aceitam um progresso filosfico, e que pode o homem alcanar constantemente estgios mais elevados, h os que afirmam que todo esse afanar apenas um jogo ilusrio de idias, que levam, afinal, convico da inutilidade, pois, proporo que se julga haver solucionado um problema, outros surgem exigentes, desafiando a inteligncia humana a prosseguir numa especulao, cujos resultados so sempre inferiores aos esforos despendidos. E em abono dessa tese, argumentam com os exemplos da heterogeneidade de idias e de opinies, que foram expressas e defendidas por tantos filsofos, o emaranhado de doutrinas, teorias e correntes filosficas, controversas, dspares, antagnicas e at contraditrias, que so o escndalo do homem, e que afirmam mais fortemente a nossa incapacidade de encontrar solues por esse caminho, do que propriamente