OS DESAFIOS DA ESCOLA PÚBLICA PARANAENSE NA .2016-06-10 · Pierre Bourdieu in A Dominação Masculina

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Verso On-line ISBN 978-85-8015-075-9Cadernos PDE

OS DESAFIOS DA ESCOLA PBLICA PARANAENSENA PERSPECTIVA DO PROFESSOR PDE

Produes Didtico-Pedaggicas

Ficha para identificao da Produo Didtico-Pedaggica

Ttulo: Msica Como Instrumento de Propagao da Dominao MasculinaAutor Rogrio Zanetti

Disciplina/rea HistriaEscola de Implementao do Projeto

e sua LocalizaoColgio Estadual Santa Rosa Rua

Joo Tobias de Paiva Netto, 515 BairroCajuru

Municpio da Escola CuritibaNcleo Regional de Educao Curitiba

Professor Orientador Armando Joo Dalla CostaInstituio de Ensino Superior UFPR

Relao Interdisciplinar Sociologia, ArteResumo Estudos recentes apontam o Paran, sua

capital e at cidades da regiometropolitana como locais onde ocorrem

muitos assassinatos contra mulheres(alguns chamam de feminicdio). Masessa violncia extrema deve ter umincio: no se imagina um homemmatando uma mulher sem motivo

aparente. Partindo da premissa de queessa violncia comea em algum

momento, buscamos em Bourdieu aideia de violncia simblica: durantemilnios, o homem naturalizou umaviolncia implcita e explcita contra amulher. Buscamos, nesse trabalho,

analisar o incio dessa violncia, aindaem sala de aula, atravs de um meio queos alunos comumente utilizam: a msica.

Analisaremos a msica produzida nosAnos 30 e 40 (Era Vargas) como recorte

para partirmos para uma anlise damsica produzida hoje, a fim de

responder uma pergunta bsica: amsica reproduz ou mesmo incentiva

atitudes violentas?Palavras-chave Mulher, violncia, msica

Formato do Material Didtico Caderno PedaggicoPblico Alvo Alunos do 3 Ano do Ensino Mdio

Apresentao

A violncia existe desde que o homem comeou a caminhar pela Terra. Desde osprimitivos homindeos at hoje, o ser humano agride seu semelhante e, de formamais contundente, o seu diferente. E essa violncia nem sempre explcita, poismuitas vezes disfarada, subentendida, escondida, muitas vezes nas formas maisdistantes do que se imagina como violento. A msica, por exemplo, uma delas. A msica tem diversos objetivos, desde o religioso at o lazer desinteressado(DUMAZEDIER, 2001 apud FERREIRA, 2010, p. 94). E, com o desenvolvimento dastecnologias, podemos ouvir msica em todo e qualquer lugar. Muitos professores atreclamam, pois muitos alunos insistem em ouvir msica durante as aulas. Enfim, amsica est presente em nosso cotidiano, ligada geralmente a boas sensaes eemoes. E, talvez, por isso mesmo, a maioria das pessoas no faa uma relaoentre msica e violncia. Em algumas pocas, tentou-se ligar o rock'n'roll com atitudes violentas, e haviaquem apontasse determinadas bandas de heavy metal com satanismo, violncia,sexismo e outras atitudes dignas de pessoas problemticas. Mas, atualmente, essepreconceito diminuiu muito, visto que os roqueiros j so vovs e no representamnada a no ser um certo saudosismo, por conta de quem os admirava. At o funk e ohip hop, at a pouco tempo ligados violncia, perdem a cada dia essacaracterstica, muitas vezes por fora da mdia, a quem interessa lucrar com asmesmas. Os alunos utilizam cada vez mais os celulares para ouvir msica, assim como eraat a pouco tempo com aparelhos de MP3 e MP4, que pouco a pouco esto caindoem desuso. E as atitudes violentas, sejam nas respostas rspidas, no bullying, oumesmo em brigas, tambm tm sido cada vez mais frequentes, no cotidiano escolar.Haveria alguma relao entre o aumento da violncia e a frequncia com que seescuta msica? Essa pergunta delicada e polmica.Assim foi gestada a base para o presente Projeto e, consequentemente, para esseCaderno Pedaggico, que envolve violncia e msica, mas tambm envolve outraquesto: o aumento da violncia contra a mulher. Poderamos discutir a violnciacontra a criana, contra o idoso, contra o negro ou mesmo contra determinados tiposde roupas, ou tribos, por parte daqueles que no as aceitam. Mas optamos porlevantar a questo da violncia contra a mulher, visto que ainda existe, mas muitasvezes disfarada, velada, talvez at mais do que a violncia contra outros gruposespecficos. E a metodologia aplicada parra esse fim tambm pode servir paraoutros tipos de violncia.Como sabido, em 2006 foi criada a Lei 11.340/2006, mais conhecida por Lei Mariada Penha, cujo objetivo coibir a violncia contra a mulher, especificamente. Noprimeiro ano, essa Lei coibiu esse tipo de violncia, diminuindo as estatsticas. Masnos anos subsequentes os nmeros voltaram a crescer e em 2013, chegaram aosndices da dcada de 90, altssimos, que motivaram a criao dessa legislao.Antes porm, de debatermos a questo da violncia atual, fizemos um recortehistrico, para vislumbrarmos outros tempos, os anos 30 e 40, durante a chamadaEra Vargas. Nos Anos 30 e 40, o mundo estava passando por grandes mudanas: os EstadosUnidos e a Unio Sovitica comeavam a ser os novos polos poltico-econmicos eculturais, em substituio aos pases europeus, que haviam dominado a cenadurantes sculos. O mundo j havia passado pela Primeira Guerra Mundial e pelaRevoluo Russa. Mas tambm enfrentava-se a crise econmica, que teve seu

incio na Bolsa de Valores de New York, os Regimes Totalitrios e suasconsequncias no Brasil: o fim da Repblica Velha, o incio da Era Vargas e aPoltica da Boa Vizinhana. E, nesse contexto, estava acontecendo a ascenso damulher, e a popularizao do rdio e do cinema, dois meios de comunicao quemudaram at mesmo a forma como as pessoas se relacionavam, entre si, com seusgovernantes, e com as demais instituies, inserindo noticirios, propagandas, emesmo msica, a pessoas que residiam at mesmo em lugares distantes dosgrandes centros. No Brasil, na poca analisada, 70% da populao residia na zona rural, e muitasvezes o pouco que sabia do mundo era atravs das notcias da Segunda GuerraMundial, na Hora do Brasil, criada por Vargas, nas msicas feitas por Noel Rosa eAry Barroso, e cantadas por Francisco Alves e Carmen Miranda, entre outros, oumesmo nos filmes de Fred Astaire e Ginger Rogers, ou das femme fatale docinema noir, to caractersticas dos Anos 40. Mesmo com os avanos da poca,percebemos que a mulher era tratada como uma boneca (as pin-ups), rainha do lar,quase uma figura santificada. Mas o seu oposto, a mulher independente, que lutavapor direitos iguais aos dos homens, era demonizada ou considerada perigosa, poisAmlia que era mulher de verdade.O intuito desse Caderno Pedaggico fazer uma anlise da situao da mulher nosAnos 30 e 40, e das msicas feitas ento, que depreciavam a figura feminina,sugerindo at mesmo violncia contra as mesmas. Pretende-se suscitar o debatesobre essa questo, para ento voltarmos ao nosso tempo, procurando responder aquestes como a presena de violncia nas msicas feitas hoje, na anlisesocioeconmica da violncia contra a mulher e na percepo do incio dessaviolncia, e como ela ocorre dentro do contexto escolar, que o primeiro contextosocial ao que o homem (e a mulher) esto expostos. As imagens que ilustram o texto so de bonecas feitas pela bibliotecria eprofessora de Arte Roseli Correa, sempre engajada na defesa das crianas, damulher, do idoso. Cada imagem (e cada boneca) foi feita com cuidado, de forma aintegrar o texto, e apresentar alguns esteretipos da mulher de outrora e, porqueno dizer, de hoje. Roseli, voc uma prova do que afirma Rita Lee, na msica Corde Rosa Choque (1982), e serve para muitas outras mulheres:

Sexo frgil, no foge luta

A VIOLNCIA SIMBLICA

Em 2004, a revista Educao trazia, em sua capa, a palavra intolerncia. E, em seuEditorial, intitulado Todos os Nomes, uma frase, que talvez sintetize a ideia desseprojeto: ela est por todos os lugares.

Essa a questo que nos trouxe at aqui: a intolerncia, que gera a violncia, emtodas as suas formas, e provoca nmeros assustadores, como os que foramapresentados em 2012 e 2013.

Tabela retirada do estudo realizado pelo CEBELA, disponvel no Mapa da Violncia 2012.

O primeiro se refere a um estudo feito pelo CEBELA (Centro Brasileiro de EstudosLatino-Americanos). Segundo essa sociedade sem fins lucrativos, em 2010, oEstado do Paran foi o terceiro estado brasileiro onde mais se mataram mulheres(Imagem 1, acima), enquanto Curitiba foi a quarta capital com maior taxa dehomicdios, no pas. Outros municpios prximos (Piraquara, Araucria, Fazenda RioGrande, Pinhais e So Jos dos Pinhais) ficaram entre os 100 municpios maisviolentos do Brasil, no que se refere a morte de mulheres. As taxas so percentuais,mas nem por isso menos preocupantes.

O segundo estudo foi realizado e apresentado pelo IPEA (Instituto de PesquisaEconmica Aplicada), que ligado Secretaria de Assuntos Estratgicos doGoverno Federal, e apresentado no Portal Compromisso e Atitude, em setembro de2013. Ele colocou o Paran em 13 estado brasileiro, em taxa de feminicdios, no

Brasil. Segundo o estudo, a mdia do Paran de 6,4%, quando a mdia brasileira de 5,8%.Quando vemos estudos que apontam o assassinato contra a mulher de forma toclara, pensamos em duas questes pertinentes: o que levou homens a tomar essetipo de atitude drstica, e porque essa violncia no recrudesceu, mesmo com acriao da Lei Maria da Penha?

A biofarmacutica Maria da Penha MaiaFernandes nasceu em Fortaleza (CE), em 1945.Em 1983, seu marido, o professor colombianoMarco Antonio Heredia Viveros, tentou mat-laduas vezes (uma com arma de fogo e outra poreletrocusso), deixando-a paraplgica. Foicondenado a oito anos de priso, mas foi soltoem 2002. Atualmente est livre. Fonte: Wikipdia

- Voc conhece a Lei Maria da Penha? Procure-ana Internet, dando nfase ao Artigo 7, que tratada violncia domstica:

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato200