Os Desafios Do Transito Seculo XXI

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os desafios do transito seculo XXI

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  • Ano II: Maio / 2012

    1 Os desafios do Trnsito do Sculo XXI e Mudana de Comportamento

    II FRUM DE EDUCAO PARA O TRNSITO DO AMAZONAS

    OS DESAFIOS DO TRNSITO DO SCULO XXI E MUDANA DE COMPORTAMENTO.

    Autor: Rodrigo Ramalho. Educador de trnsito, consultor de Inteligncia Emocional e Segurana Viria da FENASDETRAN.

    RESUMO

    A problemtica do trnsito e dos acidentes se tornou uma questo de sobrevivncia. Dentro desta perspectiva, este artigo pretende suscitar uma reflexo sobre os grandes desafios que o trnsito do sculo XXI apresenta: comportamento inadequado do condutor brasileiro e solues sustentveis para a mobilidade e o meio ambiente. A cooperao e disseminao de conhecimentos, bem como a mobilizao de toda a sociedade podem produzir mudanas profundas de posturas e atitudes para um trnsito mais humano e sustentvel.

    Palavras-Chave: Trnsito; Mudana de comportamento; Mobilidade; Meio ambiente.

    ABSTRACT

    The problematic of the traffic and accidents is a matter of survival. This article aims to promote a reflection about the most important challenges that the 21st century presents: inadequate behavior of Brazilian drivers and sustainable solutions to the mobilization of the environment; the cooperation and dissemination of knowledge, as well as the mobilization of the entire society can produce deep changes of postures and attitudes for a more sustainable and human traffic.

    Key words: Traffic; change of behavior; mobilization; environment.

    Introduo

    Ondas tecnolgicas e a presena definitiva do veculo automotor nas metrpoles

    Desde o seu surgimento, um pouco mais de um sculo, o veiculo automotor se tornou um meio de transporte individual em todo o mundo. Em uma breve analise histrica, poderemos entender o porqu preferimos trocar os ps por quatro rodas e entender que este fenmeno no se deve a um evento ou fato isolado, mas por uma curiosa e intrigante conspirao deles.

    Segundo Toffler (2003), a nossa sociedade conheceu trs grandes ondas tecnolgicas que influenciaram a forma como vivemos hoje. A primeira grande onda, Toffler afirma ser a da agricultura. O homem vivia de uma cultura agrcola. A segunda grande onda de Toffler a revoluo industrial com a transio do processo artesanal para as mquinas, inclusive, a motorizao dos veculos1. A terceira onda a era digital, mas precisamente a partir da dcada de 40 onde foram desenvolvidos os primeiros circuitos integrados. Qual dessas trs ondas que mais influenciou a presena do veculo automotor em nossa sociedade?

    A revoluo digital automatizou as linhas de montagem nas fabricas, novas tecnologias foram agregadas como a robtica e a mecatrnica na fabricao de veculos. O processo fabril se tornou mais eficiente, econmico e mais gil. Se na segunda onda o surgimento dos veculos motorizados aconteceu, foi na terceira que pudemos testemunhar nas ruas, a sua infestao. Hoje, depois de 58 milhes de veculos fabricados em nosso pas, percebemos que algo deu errado: a frota cresceu vertiginosamente em um espao fsico incompatvel sua curva to ascendente. Descompasso e desequilbrio patrocinado tambm por incentivos aos financiamentos e pela falncia do transporte pblico de qualidade nas grandes capitais.

    Necessidade, desejo e sobrevivncia

    O fato que em meio s necessidades cotidianas ou fundamentais reside a superao de nossa espcie na busca de resolver seus impasses. Os veculos automotores assim como os outros - foram a soluo tecnolgica para as necessidades de transporte e deslocamento dos nossos tataravs, mas se tornaram o nosso problema de hoje. Inicialmente, em 4000 a.C, percebemos a necessidade de ir mais longe e criamos a roda, em 2000 a.C, os primeiros veculos de trao animal e no sculo XIX, os motorizados. No sculo XX, conhecemos os modelos luxuosos e as possantes Ferraris F-50. A partir de certo ponto, perdemos a noo das linhas que separam os limites entre funo e emoo. Depois de satisfazer as necessidades bsicas de distncias, passamos para o desejo de obter modelos e marcas mais emblemticas. No sculo XXI, os problemas e os novos paradigmas do trnsito se tornaram uma questo de sobrevivncia. No s porque tm ceifado

    1 A inveno do motor de combusto interna por Nikolaus

    August Otto (1832 - 1891) foi o marco inicial da motorizao dos veculos de quatro rodas e da automoo das indstrias.

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    inmeras vidas, mas porque deles dependem o nosso progresso e a nossa qualidade de vida.

    O incremento da nossa frota e a projeo emocional das pessoas nos veculos criou um monstro indomvel que o acidente. A besta avana devastando famlias, sedenta por sangue. Cresceu na medida da frota e da falta de preparo de uma sociedade que ainda no sabe lidar com a dinmica dos diferentes personagens sociais que abriga.

    Um problema comportamental de uma sociedade que adoece a cada dia com tanta violncia - no , mas ainda est incapaz de enfrentar os desafios do trnsito do sculo XXI.

    Figura 1: Acidente fatal com 5 jovens na Lagoa Rodrigo de Freitas, RJ. Ano: 2006. Fonte: globo.com

    Os grandes desafios do trnsito do sculo XXI

    Os desafios deste sculo tm se mostrado diferentes do sculo XIX. Antes, o que nos preocupava era vencer os limites de tempo e espao, e vencemos. Curiosamente, hoje, o dilema continua, pois teremos que romper as barreiras (mais uma vez) do tempo e espao nos congestionamentos. Mas, com eles, conhecemos tambm os comportamentos emocionais dos condutores e os acidentes e conflitos violentos do trnsito. Estes dois ltimos vm se transformando numa verdadeira epidemia do trnsito brasileiro.

    Diante destas necessidades, este artigo prope uma discusso sobre trs tpicos fundamentais que iro demandar uma profunda adaptao de comportamento da populao: mudana de comportamento do condutor brasileiro, incremento da mobilidade nas cidades e a preservao do meio ambiente.

    1 - O desafio da mudana de comportamento do condutor brasileiro

    Dentre os fatores que concorrem para os acidentes e o caos no trnsito, o humano tem sido o mais citado pelos especialistas e no-especialistas. claro que muitos outros elementos externos contribuem para a crise no trnsito do Brasil. Mas as imprudncias e a falta de educao dos condutores ainda tm um destaque especial nos fenmenos dos acidentes, conflitos e dos congestionamentos.

    Transitando num conflito interno entre o dever e a vontade, entre o cumprimento da lei e a lei dos seus prprios interesses, os condutores esto numa encruzilhada. Querem um trnsito melhor, mas no esto dispostos a pagar o preo. Querem vias mais seguras, mas pretendem abusar da velocidade quando trafegarem por ela. Desejam vias sem congestionamentos, mas no esto dispostos a deixar seus carros em casa, quando necessrio. Queixam-se da poluio, mas no revisam os seus carros para diminurem emisses de gases txicos. Um dilema que envolve novas condutas e atitudes, e para isto, um processo de mudana de comportamento.

    Ocorre que os desvios de conduta no trnsito so extremamente complexos e somam um conjunto de fatores. Estes comportamentos indesejveis podem mostrar-se pela falta de cuidado com a prpria segurana e a dos passageiros. Migram para comportamentos agressivos ao volante e contra os outros condutores e pedestres. Citaremos alguns aspectos de comportamento, embora no se tenha a inteno de enumer-los em definitivo, pois o certo que podem estar variando de acordo com o tempo, cultura e outros fatores que ainda iremos descobrir.

    Percepo de risco e dispositivos de segurana e proteo Percepo de risco e dispositivos de segurana e proteo

    A percepo de risco e o uso de dispositivos de segurana sempre permeavam as discusses entre os educadores. Originalmente, os cintos de segurana eram caseiros e protegiam o abdmen do usurio (dois pontos), permitindo assim que o tronco fosse projetado para a frente em acidentes. Desenvolvido pelo engenheiro da Volvo, Nils Bohlin e apresentado pela primeira vez em 1959, o cinto de trs pontos foi uma revoluo, o engenheiro j tinha experincia na fabricao desses equipamentos para pilotos de avies e adaptou o projeto para que se tornasse mais

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    ergonmico para os motoristas. O seu mecanismo original era do tipo esttico (o cinto era ajustado ao condutor), a partir da dcada de 1980, o modelo evoluiu para o tipo retrtil que permite maior movimentao e conforto para o usurio.

    Tipos de Traumas e leses

    A inrcia que atua nos corpos dos ocupantes do veculo projeta o corpo contra o painel, volante e parabrisas do automvel, promovendo politraumatismo, tipo de situao que requer procedimentos ATLS2. A regio do trax - que aloja rgos vitais como o corao, pulmes e os grandes vasos (aorta, artria pulmonar) quando lesionada, pode levar o paciente rapidamente a bito. Nos acidentes automobilsticos, estas so as reas mais vulnerveis nos impactos, quando o condutor no usa dispositivos de reteno.

    Neste caso, a caixa torcica sofre um violento impacto, as costelas perfuram rgos e artrias importantes. Um choque hipovolmico iminente, a maior parte dele secundria, a perda rpida de sangue, o choque hemorrgico que pode ser o resultado de perda de sangue interna aguda do trax e das cavidades abdominais. As costelas so as estruturas mais comumente lesadas da caixa torcica. Mas o cinto de segurana pode acarretar alguns prejuzos. A chamada "sndrome do cinto de segurana" refere-se a leses causadas pelo uso do equipamento. Os mdicos Rudy Vandersluise e C. O'Connor afirmam que mais comum ocorrer em crianas do que em adultos e o