OS JORNALISTAS-INTELECTUAIS NO BRASIL Identidade, .OS JORNALISTAS-INTELECTUAIS NO BRASIL Identidade,

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UNIVERSIDADE DE BRASLIA

FACULDADE DE COMUNICAO

PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM COMUNICAO

Fbio Henrique Pereira

OS JORNALISTAS-INTELECTUAIS NO BRASIL

Identidade, prticas e transformaes no mundo social

Braslia

2008

UNIVERSIDADE DE BRASLIA

FACULDADE DE COMUNICAO

PROGRAMA DE PS-GRADUAO EM COMUNICAO

Fbio Henrique Pereira

OS JORNALISTAS-INTELECTUAIS NO BRASIL

Identidade, prticas e transformaes no mundo social

Tese apresentada ao Programa de Ps-Graduao

em Comunicao da Universidade de Braslia

como requisito parcial para a obteno do ttulo de

doutor em Comunicao

Orientadora: Zlia Leal Adghirni

Braslia

2008

FBIO HENRIQUE PEREIRA

OS JORNALISTAS-INTELECTUAIS NO BRASIL

Identidade, prticas e transformaes no mundo social

Braslia, 18 de agosto de 2008

Banca examinadora

______________________________________

Profa Dra. Zlia Leal Adghirni (Presidente da banca) Universidade de Braslia

______________________________________

Prof Dr. Denis Ruellan Universit de Rennes 1

________________________________

Prof. Dr. Luiz Martins da Silva Universidade de Braslia

______________________________________

Profa. Dra. Dione Oliveira Moura Universidade de Braslia

______________________________________

Prof. Dr. Srgio Dayrell Porto Universidade de Braslia

______________________________________

Prof. Dr. Felipe Pena (Suplente) Universidade Federal Fluminense

Ao meu pai Dedicado e rabugento

como todo bom intelectual

APRESENTAO E AGRADECIMENTOS

Algumas leituras subversivas, o incentivo da orientadora e certo grau de

ingenuidade explicam a escolha pelo tema jornalistas-intelectuais. No incio, tinha a

inteno de resgatar para a academia as histrias de vida de grandes jornalistas. Queria

tambm ir em busca de um tempo perdido, quando jornalismo e mercado no se

confundiam. Nesse processo, talvez fosse possvel ressuscitar certos valores e prticas

profissionais que hoje caram em desuso: a produo elaborada do texto, a militncia

poltica, as sociabilidades partilhadas com os intelectuais.

Aps quatro anos e meio de leituras, discusses e reflexes, compreendi que,

afinal, um pesquisador no visita cemitrios para reviver os mortos, mas para entender

como eles morreram. No posso partilhar de iluso de retornar uma idade de outro das

redaes, mas posso ao menos entender como isso est ainda profundamente ligado ao

nosso meio cultural e vida de alguns indivduos, que chamei de jornalistas-

intelectuais. Este ser o tom das anlises feitas nas prximas pginas.

Na realizao desse trabalho pude contar com minha prpria rede de

colaboradores. Gostaria de citar alguns deles, j pedindo desculpas por eventuais lapsos

de memria (de qualquer forma, tenho uma sria desconfiana de que, se fosse citar

todos, essa seo seria interminvel). Isso no limita o mrito e a gratido que tenho por

todos que me acompanharam nos quatro anos e meio em que trabalhei nesta pesquisa.

Antes de tudo, foi fundamental a ajuda da minha eterna orientadora, Zlia

Adghirni. Em muito, ela ultrapassou as atribuies se espera de algum na sua posio.

Se uma interao sempre envolve diferentes papis sociais, Zlia foi durante todo o

tempo em que convivemos, orientadora, me, amiga, conselheira e intelectual. Em

alguns momentos, mais do que eu, foi ela quem demonstrou uma f inabalvel na

importncia minha capacidade para dar conta deste tema. Se, no momento em que

termino esta tese, o maior mrito parece ter sido o de conseguir falar por mais de 200

pginas sobre esses tais jornalistas-intelectuais, foi graas a ela, sem dvidas. Se nesse

processo, houve erros e falhas a responsabilidade minha.

Agradeo tambm aos dez jornalistas-intelectuais que decidiram colaborar para

esta pesquisa, expondo suas vidas, opinies, gastando seu tempo respondendo dvidas

e indagaes, s vezes pueris. So eles: Adsia S, Alberto Dines, Antnio Hohfeldt,

Carlos Chagas, Carlos Heitor Cony, Flvio Tavares, Juremir Machado da Silva, Mino

Carta, Raimundo Pereira e Zuenir Ventura. Em algumas dessas conversas tive a

oportunidade de ter verdadeiras aulas sobre o bom jornalismo. Em todas pude intuir

acertadamente como o ttulo intelectual no pode ser atribudo apenas pelo estatuto

social, mas a partir do posicionamento ideolgico e pelo teor das idias expostas numa

interao. Todos eles merecem minha inestimvel gratido.

Alm das lies sobre sociologia do jornalismo, meu co-orientador, Denis

Ruellan foi uma presena fundamental no processo de pesquisa. Suas idias, expressas

em obras citadas durante toda esta tese, refletem um posicionamento acadmico, em que

se busca problematizar e inovar no trato de temas do cotidiano da prtica jornalstica.

Trata-se de uma postura to remarcvel quanto rara entre os pesquisadores da rea.

Agradeo ainda gentileza com que me recebeu e tratou durante todo meu sjour em

Lannion, por ocasio do doutorado-sanduche.

Alguns professores, mesmo sem exercer papis institucionalizados, trabalharam

como orientadores informais ao longo dessa trajetria. Dione Moura foi fundamental na

minha iniciao vida acadmica. Tenho cincia de que nossas conversas ressoaro

durante toda a minha carreira. As primeiras consideraes feitas por Jandyra Cunha

sobre o meu trabalho serviram para que eu refletisse e reorientasse minha postura como

doutorando. No sei se cheguei ao nvel de exigncia pretendido por ela, mas sem

aprendi a ser mais criterioso com relao s questo metodolgicas de uma pesquisa

acadmica. France Aubin teve a gentileza de me passar uma verso impressa da sua

tese. A leitura da sua pesquisa e os e-mails trocados me ajudaram a direcionar melhor

meu trabalho de pesquisa.

Agradeo ainda aos membros da banca Denis Ruellan, Dione Moura, Luiz

Martins, Felipe Pena, Srgio Porto, alm pela participao, pela leitura cuidadosa e

pelas crticas e sugestes que porventura faro. Tenho conscincia da imerecida

oportunidade que poder contar com suas participaes em minha defesa.

Rafael Barbosa, Chico Dutra e Franci de Moraes tiveram a gentileza de

revisarem os originais da tese, de forma que os erros de ortogrficos, semnticos e de

estilo puderam ser minorados. Os sugestes feitas pelos doutorandos da UnB Graa

Caldas, Elizena Rossi e Ricardo Silveira foram de grande valia. As conversas com

Olivier Tredan, colega de bureau em Lannion, me abriram novas formas de situar e

tratar os jornalistas-intelectuais. Alis, o captulo IX conseqncia direta das sugestes

dele, de Florence Le Cam e de Alberto Dines.

Os professores Luiz Motta, Beth Canceli, Roselyne Ringoot e ugenie Saita

integraram as minhas qualificaes de doutorado no Brasil e na Frana e deram

sugestes importantes. Dois jornalistas-pesquisadores, Chico SantAnna e Carlinhos

Muller, foram grandes companheiros no decorrer desse doutorado. Parte de um

aprendizado emprico sobre o funcionamento do mundo dos jornalistas resultou de

nossas conversas. Tive tambm o prazer de contar com a amizade da professora Thas

de Mendona, a quem gostaria de expressar minha gratido.

Outras pessoas colaboraram de forma menos direta na produo desta pesquisa.

No so, por isso, menos importantes. Agradeo aos meus pais e irm por suportarem

minhas escolhas, os estresses, as crises e toda essa parte invisvel que integra a

elaborao de uma tese. Sou grato ainda pacincia de Cssia Gomes e dos colegas do

STG/PQP: Arthur Lima, Eduardo Stnio, Alexandre Gomes e Marcos Macedo.

Regina Oliveira, secretria da Ps em Comunicao da UnB, expresso meu carinho pela

ajuda durante esses seis anos e meio que, como mestrando e doutorando, invadi seu

cercadinho para discutir problemas burocrticos, filar xcaras de caf ou

simplesmente jogar conversa fora.

Enfim, terminada a redao desta tese, s h uma coisa a dizer/fazer:

Estirar os braos

ao sol nalgum lugar

E at que morra o dia

Danar, pular, cantar!

Depois sob uma rvore

Quando j entardeceu,

Enquanto a noite vem

negra como eu

Descansar... o que eu quero!

(Inspirao Langston Hughes, traduo de Manuel Bandeira)

O filsofo pblico, hoje, no sou eu, mas voc. Eu no represento mais nada. o jornalista que d vida s mensagens. No eu. Quando a mdia tomar conta totalmente do poder intelectual, o que a ela vai fazer? (Michel Serres, filsofo francs, respondendo a um jornalista).

Na medida em que a vida avana, ns deixamos trs ou quatro imagens de ns, diferentes umas das outras, ns as remetemos em seguida ao vapor do passado como retratos de nossas diferentes idades. (Chateaubriand, Mmoires)

Sou uma pessoa plural. Quando Cristo expulsou o demnio ele perguntou: Qual o seu nome?. O demnio respondeu: Legio. Eu sou uma espcie de Legio. H muitos eus dentro de mim (Carlos Heitor Cony, entrevista revista Sexy Way).

Cada lagarta tem seu gosto; algumas preferem urtigas (provrbio japons).

RESUMO

O objetivo desta tese o de analisar o processo de construo identitria dos jornalistas-intelectuais. Trata-se de indivdu