Os principais ácidos utilizados no tratamento da acne ... ?· 3 3. Definições da acne vulgar Costa…

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    1 - Ps-graduanda em Fisioterapia Dermato-Funcional 2- Orientadora Fisioterapeuta Especialista em Metodologia do Ensino Superior

    Os principais cidos utilizados no tratamento da acne vulgar: uma

    reviso de literatura

    Ruth Nery dos Santos Pantoja1

    ruthneryp@hotmail.com

    Dayana Priscila Maia Mejia2

    Ps-graduao em Fisioterapia Dermato-Funcional Faculdade vila

    Resumo

    A acne uma das dermatoses que mais causam desconforto social. Estima-se que em torno de

    40 a 50 milhes de pessoas sofram com esta doena apenas nos Estados Unidos,

    representando a desordem cutnea mais vista por dermatologistas. uma doena gentico-

    hormonal, autolimitada, de localizao pilossebcea, com formao de comedes, ppulas e

    cistos, em cuja evoluo se ajunta processo inflamatrio de maior intensidade, levando

    formao de pstulas e abscessos. O presente artigo tem por finalidade analisar os estudos

    vigentes que abordam a aplicao e eficincia dos cidos no tratamento da acne vulgar.

    Verificou-se nos estudos encontrados que os AHAs so frequentemente utilizados em

    formulaes cosmecuticas para o tratamento da acne vulgar, assim como o cido acetil

    saliclico (AAS), os cosmticos bacteriostticos (o perxido de benzola e cido azelico)

    tambm foram citados na maioria dos artigos, os peelings de descamao mdia e profunda

    como o de fenol e o TCA fazem parte do acervo, porm os retinidescomo a isotretinona e

    adapalenoso classificados como tratamento de primeira linha, pois demonstraram

    resultados eficazes na melhora da aparncia cutnea, principalmente na acne

    inflamatria.Desta maneira, este estudo pde fornecer subsdios para se adotar uma

    abordagem teraputica mais segura para os pacientes injuriados pela acne vulgar, visto que

    esta patologia, se no tratada, deixa sequelas fsicas e principalmente psicolgicas.

    Palavras-chave: acne vulgar; fisiopatologia; tratamento; peelings qumicos.

    1. Introduo

    Em 2009 os membros da Global Alliance to Improve Outcomes in Acne (GAIOA) passaram a

    considerar a acnecomo uma doena crnica e no somente uma afeco limitada

    adolescncia, pois apresenta padro de recidiva e curso prolongado,manifesta-se com

    erupo aguda ou incio insidioso, alm de causar impacto psicolgico e social, o que

    caracteriza sua cronicidade.Ademais, Montagner e Costa (2010) afirmam que h grande

    evidncia de que a acne persistana idade adulta em cerca de 50% dos indivduos.

    Os autores frisam ainda que essa afeco se tornou foco de estudosque abordam sua

    fisiopatologia ou que demonstram resultados satisfatrios quanto ao seu tratamento. Neste

    contexto, a teraputica por cidos tem sido preconizada pela sociedade brasileira e

    internacional de dermatologiacomo tratamento de primeira linha a fim de evitar dependncia

    no uso de medicamentos e seus possveis efeitos colaterais.

    Nessa perspectiva, o presente artigo tornou-se importante ferramenta porque analisou os

    estudos vigentes no que tange ao uso, a aplicao e eficincia dos cidos no tratamento da

    acne vulgar, sabendo que tal teraputica vem se tornando um dos principais recursospara esta

    afeco.

    2. Aspectos anatmicos e funcionais da pele

    Akiyoshi e Cawahisa (2009) afirmam que a pele o rgo onde o peeling qumico tem a sua

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    ao direta e por isso, necessrio conhecer a sua fisiologia para que os resultados de um

    procedimento anti-acnico sejam satisfatrios e proporcionem segurana ao paciente,

    minimizando riscos.

    Alm disso, antes dese traar qualquer teraputica, faz-se necessrio compreender tambm a

    anatomia da pele e suas funes. Projetos cientficos produtivos tm mostrado que este um

    rgo complexo onde interaes celulares precisamente reguladas, governam vrias respostas

    cruciais ao nosso ambiente (MURPHY; SELLHEYER; MIHM JR; In KUMAR; ABBAS;

    FAUSTO, 2005).

    De acordo com Ribeiro e Ferranti (2005), a pele responsvel pela sensao, proteo,

    termorregulao e secreo, um revestimento elstico que protege o homem do meio

    ambiente contra passagem de agentes qumicos e fsicos, e impede a perda excessiva de gua

    e eletrlitos.

    Staley e Richard In OSullivan e Schmitz (2006) afirmam que a pele o maior rgo do corpo

    humano e consiste anatomicamente de duas camadas distintas de tecido: a epiderme, camada

    mais exposta ao ambiente (superficial), e a derme, camada mais profunda. A camada

    subcutnea de clulas adiposas que fica sob a derme e acima da fscia muscular, no

    considerada parte propriamente dita da pele, mas no deve ser esquecida ao falar de sua

    anatomia.

    A epiderme constituda por cinco camadas: germinativa, que a mais profunda e faz limite

    com a derme; a espinhosa; a granulosa; a lcida e a crnea, que por sua vez, so constitudas

    de clulas escamosas e queratinizadas que protegem o corpo contra traumas fsicos e

    qumicos (BLANES, 2004).

    Vale lembrar que aimpermeabilidade cutnea possibilita a reteno de gua e regulao

    trmica. As clulas da camada basal so capazes de se regenerar. Salincias e vales de

    epiderme aumentam a rea de superfcie entre a epiderme e a derme, que so necessrias para

    vencer as foras de frico s quais a pele exposta nas atividades dirias (STALEY;

    RICHARD In OSULLIVAN; SCHMITZ, 2006).

    A derme camada mais espessa da pele,nela contm vasos sanguneos, linfticos, nervos,

    colgeno, fibras elsticas que so os anexos da epiderme. subdividida em camada papilar

    superficial, que contm plexos vasculares, que em parte, servem para a nutrio da epiderme

    atravs da osmose; e camada reticular profunda que se localiza abaixo da derme papilar e suas

    fibras de colgeno so densamente entrelaadas. Essa camada se prende ao tecido subcutneo

    atravs de uma rede entrelaada irregular de tecido conjuntivo fibroso (BLANES, 2004).

    FIGURA 1: Estrutura anatmica do sistema tegumentar

    FONTE: NETTER (2004)

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    3. Definies da acne vulgar

    Costa e Bagatin (2013) ressaltam que a acne vulgar afeta 70 a 87% das pessoas entre 15 e 25

    anos de idade nos pases ocidentais, e no somente nestes pases, mas Coelho (2006)

    complementa dizendo que cerca de 80% dos jovens entre 12 e 18 anos de idade tm acne.

    Estima-se que em torno de 40 a 50 milhes de pessoas sofram com esta doena apenas nos

    Estados Unidos, representando a desordem cutnea mais vista por dermatologistas.

    Montagner e Costa (2010) ressaltam que esta dermatose afeta regies com grande

    concentrao de folculos pilossebceos como face, trax anterior e dorso, e sua produo se

    inicia por volta dos sete anos de idade onde as glndulas sebceas e os queratincitos

    foliculares so estimulados por hormnios andrognicos, formando microcomedes e,

    consequentemente, leses inflamatrias.

    Silva, Costa e Vinad (2009) frisam que a acne uma das patologias dermatolgicas que mais

    causa desconforto social. Definem a mesma como uma doena inflamatria de pele com

    predisposio gentica cujas manifestaes dependem da presena dos hormnios sexuais;

    que causam hipersecreo das glndulas sebceas. Isso leva a uma hiperqueratinizao com

    obstruo do canal folicular que favorece a proliferao e ao das bactrias, ou seja, uma

    reao inflamatria local, provocando o aparecimento de espinhas ou cravos.

    Coelho (2006) corrobora dizendo que a acne vulgar uma doena gentico-hormonal,

    autolimitada, de localizao pilossebcea, com formao de comedes, ppulas e cistos, em

    cuja evoluo se ajunta processo inflamatrio de maior intensidade, levando formao de

    pstulas e abscessos, com frequente xito cicatricial.

    Brenner et al. (2006), a caracteriza como uma enfermidade inflamatria da pele devido a

    presena decmedo, comedo ou cravo. Essa estrutura ocorre pela obstruo do orifcio de

    sada da unidade pilossebcea, com acmulo de secrees, restos celulares e algumas vezes

    um caro: o demodexfoliculorum.

    Desta maneira, Costa e Bagatin (2013) acreditam que necessrio o correto conhecimento da

    etiologia da acne para uma melhor compreenso da doena e uma abordagem teraputica mais

    adequada. Estes ainda consideram esta dermatose de fcil diagnstico, mas apesar de no

    comprometer a sade geral do paciente, leva a um prejuzo do bem-estar do mesmo.

    4. Classificao da acne vulvar

    Para se traar a conduta teraputica inicial da acne vulgar deve-se levar em conta a gravidade

    clnica do tipo de leso, ou seja, se h predomnio de leses inflamatrias ou comedonianas.

    Assim, os profissionais devem apoiar-se classificao adotada pelos algoritmos teraputicos

    de consensos internacionais mais recentes (COSTA; BAGATIN, 2013).

    Tal classificao descrita por Alvares, Taborda e Alma (2012), que abordam os quatro

    nveis da acne vulgar. Grau I- a forma mais leve, com caractersticas no inflamatrias,

    apresentando comedes fechados e abertos; grau II- denominada acne inflamatria ou

    ppulo-pustulosa, nesse caso h presena de comedes associados ppulas (leses slidas) e

    a pstulas (leses lquidas de contedo purulento); grau III- a acne chamada de ndulo-

    abscedante, quando se agrupam a ndulos (leses slidas mais visveis). Por ltimo, o grau

    IV- conhecida por acne conglobata, na qual h formao de abscessos e fstulas.

    A acne vulgar bastante caracterstica e, em geral, seu diagnstico clnico. Teixeira (2007)

    diz que a mesma por causar deformao visvel na face, produz um importante grau de

    desconforto, frustrao, raiva e at depresso nos pacientes. Alm disso, uma das doenas

    mais comuns em adolesc