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SECRETARIA DE ESTADO DE SANEAMENTO E ENERGIA COORDENADORIA DE SANEAMENTO DESCRIÇÃO DOS SISTEMAS EXISTENTES E PROJETADOS E AVALIAÇÃO DA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS DE SANEAMENTO BÁSICO DO MUNICÍPIO DE ILHABELA - PRODUTO2 PLANOS INTEGRADOS REGIONAIS DE SANEAMENTO BÁSICO PARA AS UNIDADES DE GERENCIAMENTO DE RECURSOS HÍDRICOS DA SERRA DA MANTIQUEIRA, PARAÍBA DO SUL E LITORAL NORTE UGRHIS 1,2 e 3. Setembro / 2010

P2 PlanSan Diagnostico Ilhabela

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Documento base para construção do Plano Municipal de Saneamento Básico de Ilhabela

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SECRETARIA DE ESTADO DE SANEAMENTO E ENERGIA COORDENADORIA DE SANEAMENTO

DESCRIO DOS SISTEMAS EXISTENTES E PROJETADOS E AVALIAO DA PRESTAO DOS SERVIOS DE SANEAMENTO BSICO DO MUNICPIO DE ILHABELA - PRODUTO2

PLANOS INTEGRADOS REGIONAIS DE SANEAMENTO BSICO PARA AS UNIDADES DE GERENCIAMENTO DE RECURSOS HDRICOS DA SERRA DA MANTIQUEIRA, PARABA DO SUL E LITORAL NORTE UGRHIS 1,2 e 3.

Setembro / 2010

SECRETARIA DE SANEAMENTO E ENERGIA

Cliente:

CSAN SECRETARIA DE SANEAMENTO E ENERGIA DE SO PAULO

Codificao:

Reviso:

Data de Emisso:

0872.RT.13.S.3902

00

Setembro/2010

PLANOS INTEGRADOS REGIONAIS DE SANEAMENTO BSICO PARA AS UNIDADES DE GERENCIAMENTO DE RECURSOS HDRICOS DA SERRA DA MANTIQUEIRA, PARABA DO SUL e LITORAL NORTE UGRHIs 1, 2 e 3DESCRIO DOS SISTEMAS EXISTENTES E PROJETADOS E AVALIAO DA PRESTAO DOS SERVIOS DE SANEAMENTO BSICO DO MUNICPIO DE ILHABELA - PRODUTO 2

Emitido por:

Local:

Consrcio PLANSAN 123

So Paulo - SP

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SUMRIOSUMRIO........................................................................................................................ 1 1. 2. APRESENTAO .................................................................................................. 4 DADOS E CARACTERSTICAS DE INTERESSE DA UGHRI 03 .......................... 4 2.1 DESCRIO GERAL ..................................................................................... 4 2.2 ASPECTOS FSICOS ..................................................................................... 5 2.3 VEGETAO E USO DO SOLO .................................................................... 6 2.4 CLIMA ........................................................................................................... 10 2.5 CONJUNTURA SOCIO-ECONMICA ......................................................... 10 2.6 DISPONIBILIDADE HDRICA DA UGRHI 03 ............................................... 11 2.7 UTILIZAO DOS RECURSOS HDRICOS ................................................ 15 2.8 INSERO DE ILHABELA NA UGRHI 03 ................................................... 17 2.9 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ................................................................... 19 3. BASES E FUNDAMENTOS LEGAIS DOS PLANOS MUNICIPAIS DE SANEAMENTO ..................................................................................................... 19 3.1. INTRODUO.............................................................................................. 19 3.2. ABRANGNCIA DOS SERVIOS ............................................................... 213.2.1 Abastecimento de gua Potvel ................................................................ 21 3.2.2. Esgotamento Sanitrio ............................................................................... 23 3.2.3. Limpeza Urbana e Manejo de Resduos Slidos....................................... 23 3.2.4. Drenagem e Manejo das guas Pluviais Urbanas .................................... 25

3.3. TITULARIDADE DOS SERVIOS................................................................ 253.3.1. Essencialidade ............................................................................................ 25 3.3.2. Titularidade do Saneamento na UGRHI em Estudo .................................. 25 3.3.3. Atribuies do Titular ................................................................................. 27 3.3.4. Formas de Exerccio da Titularidade dos Servios .................................. 32

3.4. PRESTAO DOS SERVIOS: MODELOS INSTITUCIONAIS .................. 353.4.1. Prestao Direta pela Prefeitura Municipal ............................................... 35 3.4.2. Prestao de Servios por Autarquias ...................................................... 36 3.4.3. Prestao por Empresas Pblicas ou Sociedades de Economia Mista Municipais ................................................................................................... 36 3.4.4. Prestao Mediante Contrato ..................................................................... 36

4.1. PLANO DE GERENCIAMENTO DOS RECURSOS HDRICOS DO LITORAL NORTE - COMIT DAS BACIAS HIDROGRFICAS DO LITORAL NORTE (CBH-LN) - IPT - 2002 .................................................................................. 401

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4.2. PLANO ESTADUAL DE RECURSOS HDRICOS 2004-2007 - CONSRCIO JMR/ENGECORPS - JULHO/2005............................................................... 40 4.3. PLANO DIRETOR PARA DISPOSIO FINAL DOS LODOS E DEMAIS RESDUOS PRODUZIDOS PELOS SISTEMAS DE TRATAMENTO DE GUA E ESGOTOS DO LITORAL NORTE DO ESTADO DE SO PAULO ESTUDOS TCNICOS E PROJETOS ETEP LTDA - SETEMBRO/2005 ..... 43 4.5 MAPEAMENTO DE REAS DE RISCO ASSOCIADOS A ESCORREGAMENTOS E INUNDAES DO MUNICPIO DE ILHABELA TERMO DE COOPERAO TCNICA IG-CEDEC DE 28/04/2006 INSTITUTO GEOLGICO - OUTUBRO/2006 .............................................. 44 4.5. RELATRIO DE SITUAO DAS SOLUES ALTERNATIVAS DE ABASTECIMENTO DE GUA DO LITORAL NORTE DO ESTADO DA SO PAULO - COMISSO PERMANENTE DE ACOMPANHAMENTO DA QUALIDADE DA GUA PARA CONSUMO HUMANO DO LITORAL NORTE - CP- GUA - 2008 ....................................................................................... 46 4.6. PLANO DE BACIAS HIDROGRFICAS DO LITORAL NORTE - UGRHI 03 2009 - COMIT DE BACIAS HIDROGRFICAS DO LITORAL NORTE DEZEMBRO/2009 ........................................................................................ 47 DESCRIO DOS SERVIOS DE ABASTECIMENTO DE GUA ..................... 51 5.1 SISTEMA PRINCIPAL .................................................................................. 515.1.1 Produo ..................................................................................................... 51

5.2 SISTEMAS ISOLADOS ................................................................................ 58 5.3 AVALIAO DOS SERVIOS ..................................................................... 60 DESCRIO DOS SERVIOS DE ESGOTAMENTO SANITRIO ..................... 60 6.1 SISTEMA DE ESGOTOS SANITRIOS ....................................................... 60 6.2 SISTEMAS ISOLADOS ................................................................................ 62 6.3 AVALIAO DOS SERVIOS ..................................................................... 64 DESCRIO DOS SERVIOS DE LIMPEZA URBANA E MANEJO DE RESDUOS SOLIDOS .......................................................................................... 66 7.1 VISO GERAL DOS SERVIOS DE LIMPEZA URBANA E MANEJO DE RESDUOS SLIDOS SISTEMA PRINCIPAL, SISTEMAS ISOLADOS E DOMICLIOS DISPERSOS ........................................................................... 667.1.1 Diviso de Atribuies................................................................................ 66 7.1.2 Limpeza Pblica .......................................................................................... 66 7.1.3 Resduos Slidos Domiciliares .................................................................. 68 7.1.4 Resduos Slidos Inertes ........................................................................... 74 7.1.5 Resduos de Servios de Sade ................................................................ 74

7.2 AVALIAO DOS SERVIOS, OBRAS, PLANOS E PROJETOS............... 752

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DESCRIO DOS SERVIOS DE DRENAGEM URBANA ................................ 75 8.1. CARACTERSTICAS GERAIS...................................................................... 75 8.2. PRINCIPAIS OCORRENCIAS ...................................................................... 77 8.3 AVALIAO DOS SERVIOS ..................................................................... 78

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DIAGNSTICO ECONMICO-FINANCEIRO ...................................................... 78 9.1 INTRODUO.............................................................................................. 78 9.2 INFORMAES FSICAS ............................................................................ 79 9.3 INFORMAES FINANCEIRAS .................................................................. 79 9.4 INDICADORES ............................................................................................. 81 9.4 CONCLUSO ............................................................................................... 82

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FONTES CONSULTADAS E INFORMAES DISPONIBILIZADAS ................. 82 ANEXOS I - DESENHOS ...................................................................................... 82 11.1 PLANTA 1:35.000 LOCALIZAO DAS UNIDADES DO SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE GUA EXISTENTE (desenho n 0872-DS-13-S3901/00). ...................................................................................................... 82 11.2 PLANTA 1:35.000 LOCALIZAO DAS UNIDADES DO SISTEMA DE ESGOTAMENTO SANITRIO EXISTENTE (desenho n 0872-DS-13-S3902/00). ...................................................................................................... 82

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1.

APRESENTAO

Este relatrio compe o Produto 2 Descrio dos Sistemas Existentes e Projetados e Avaliao da Prestao dos Servios de Saneamento Bsico no Municpio de Ilhabela no mbito do Contrato CSAN No 001/SSE/2009 firmado entre a SECRETARIA DE SANEAMENTO E ENERGIA - SSE e o CONSRCIO PLANSAN 123, constitudo pelas empresas ETEP, JNS e HAGAPLAN, tendo por objeto final a elaborao de Planos Integrados Regionais de Saneamento Bsico e Atividades de Apoio Tcnico Elaborao de Planos Integrados Municipais de Saneamento Bsico para as Unidades de Gerenciamento de Recursos Hdricos da Serra da Mantiqueira, Paraba do Sul e Litoral Norte UGRHIs 1, 2 e 3. Destaca-se que o Produto 2, como um todo, o conjunto constitudo por todos os relatrios, com contedos que objetivam descrever e avaliar a situao atual do saneamento bsico, elaborados para cada um dos municpios inseridos nas UGRHIs 1, 2 e 3, excludo So Jos dos Campos que j tem seu Plano Integrado de Saneamento. 2. 2.1 DADOS E CARACTERSTICAS DE INTERESSE DA UGHRI 03 DESCRIO GERAL

O gerenciamento de recursos hdricos no Estado de So Paulo passou a ser feito por meio de Unidades de Gerenciamento de Recursos Hdricos (UGRHIs) com a Lei Estadual n 9.034, que dividiu o Estado em 22 unidades. A Unidade de Gerenciamento de Recursos Hdricos do Litoral Norte (UGRHI 03) contempla quatro municpios, sendo eles: Caraguatatuba, Ilhabela, So Sebastio e Ubatuba. Da rea total da UGRHI 03, cerca de 80% so formadas por reas continentais e 20% por reas insulares, sendo que estas ltimas so representadas pela Ilha de So Sebastio e por outras 61 ilhas, ilhotas e lajes. A Unidade de Gerenciamento dos Recursos Hdricos do Litoral Norte UGRHI 03 limita-se a nordeste com o Estado do Rio de Janeiro, a noroeste com a UGRHI 02, a sudoeste com a UGRHI Baixada Santista e Alto Tiet e a sudeste com o Oceano Atlntico. Esses limites compreendem uma rea de 1.977 km.

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UGRHI 03

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Fonte: Relatrio Sntese. Diagnstico da Situao atual dos Recursos Hdricos do Litoral Norte, IPT

Na parte continental da UGRHI 03 existem diversas bacias hidrogrficas cujos cursos dgua partem das pores mais elevadas da Serra do Mar em direo ao Oceano Atlntico e desembocam neste atravs de vrios exutrios. A maior delas a do rio Juqueriquer (juno dos rios Camburu e Claro), que apresenta uma rea de drenagem em torno dos 420 km2. Tambm na Ilha de So Sebastio os seus cursos dgua desembocam no Oceano Atlntico atravs de diferentes exutrios. 2.2 ASPECTOS FSICOS

De forma sucinta, em relao s caractersticas do meio fsico, destacam-se: a presena de rochas gneas e metamrficas nas pores serranas e sedimentares e na plancie; acentuadas declividades ao longo de toda a Serra do Mar; e espessas camadas de solo de alterao intemprica e alta pluviosidade. Tais caractersticas, associadas, atuam como condicionantes naturais para as elevadas suscetibilidades da regio a escorregamentos, eroses e inundaes. Os padres de uso e ocupao do solo so, notadamente, de uso institucional, representado pelos parques estaduais, e secundariamente, de uso antrpico. O relevo da UGRHI 03 caracterizado como Provncia Costeira. O litoral norte pode, de forma simplificada, ser dividido em dois grandes compartimentos: encostas e plancies, incluindo uma zona de transio entre esses entes. Considera-se tambm a praia como uma segunda zona de transio entre a plancie e o mar. A formao florestal da Mata Atlntica est presente em toda a rea, bem preservada, sobretudo no mbito dos limites dos Parques Estaduais da Serra do Mar e de Ilhabela, fator positivo para a preservao tanto da quantidade como da qualidade dos5

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mananciais, uma vez que a vegetao desempenha importante papel na conteno dos processos erosivos. Os principais ecossistemas da regio so a Mata Atlntica, restinga, litoral rochoso, praias arenosas e pequenos fragmentos de manguezal. Recursos Minerais As atividades de minerao que aparecem na regio esto relacionadas a rochas ornamentais, materiais para construo civil, material de emprstimo, argilas, turfa e gua mineral. Um grande desafio na atualidade o aproveitamento de forma racional dos resduos provenientes de processos industriais, operaes de lavra e beneficiamento de rochas ornamentais. Na construo civil, destaca-se a utilizao dos agregados: areias, cascalhos e rochas para brita, e rochas para cantaria. A produo de brita tem distribuio irregular ao longo da Serra do Mar, com atividades em maior ou menor grau, de desmatamento e remoo das camadas de solo situadas sobre o macio. As alteraes ambientais comumente associadas produo de brita, a partir de pedreiras, decorrem de vibrao, rudo, emisso de particulado, transporte, conflitos com uso e ocupao do solo, etc. O desmatamento e o decapeamento executados sobre o macio, modificam a circulao das guas de superfcie e de subsuperfcie, instabilizando as pores superiores dos taludes. As pedreiras, quando abandonadas, acabam por interferir na instabilizao dos macios rochosos a partir da prpria frente de lavra. reas de Risco Na UGRHI 03 verifica-se a presena de reas degradadas, relativas a escorregamentos/eroso e ao desmatamento. Os processos erosivos se intensificam com o avano da ocupao desordenada que atinge reas destinadas conservao ambiental. A eroso no tem sido mais acelerada devido s prprias dificuldades que a topografia serrana oferece ocupao antrpica, mas que, por outro lado, favorece as instabilidades de solos e encostas. As encostas da Serra do Mar tm na vegetao, seu agente retardador e inibidor de escorregamentos. A malha de razes desempenha um papel mecnico resistente e a floresta cumpre um papel fundamental na interceptao, na reteno e na eliminao (evapotranspirao) de grande parte das guas de chuva, impedindo sua ao direta sobre o solo, e diminuindo e diluindo no tempo sua capacidade de saturao. 2.3 VEGETAO E USO DO SOLO

A rea territorial utilizada para as atividades antrpicas no litoral norte compreende uma estreita faixa costeira devido existncia legal do Parque Estadual da Serra do Mar que estabelece, na maioria das vezes, o limite superior para a rea em que admitida a ocupao urbana. As caractersticas geotcnicas e condies de acesso determinam, ainda, que essa ocupao se d predominantemente nas reas de plancie, baixas encostas e fundos de vale.6

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As funes urbanas dos quatro municpios da regio (Caraguatatuba, Ilhabela, So Sebastio, Ubatuba) so muito semelhantes, excetuando-se os servios porturios de So Sebastio. Os municpios tm hoje, como funo principal, o atendimento aos turistas e veranistas, atravs dos servios de restaurantes, hotis, acampamentos, estabelecimentos varejistas e outros. Esse grupo de funes caracteriza a homogeneidade da regio, que se reflete nos tipos de uso e ocupao do solo. O uso predominante do solo em toda a regio o residencial turstico, que se apresenta na maioria das vezes em loteamentos e condomnios horizontais prximos orla martima, tendendo hoje verticalizao e expanso para o interior. As sedes municipais e seus arredores mais prximos agregam a maior concentrao de populao fixa que se distribui tambm em alguns ncleos tradicionais e outros mais recentes, estes ltimos decorrentes do aumento da populao fixa em funo do contingente migratrio para a construo civil. Nas praias de ocupao mais antiga a populao fixa local, que antes ocupava a zona da orla martima, j foi deslocada para o interior enquanto que nas praias de acesso mais difcil esse deslocamento ainda no se deu ou apenas se inicia. A populao no litoral norte chega quase a dobrar na temporada, pelo afluxo da populao flutuante.Cobertura Vegetal na UGRHI 03

206 207 208 209

Fonte: IF (2005). Extrado do Documento: Plano de Bacia Hidrogrfica do Litoral Norte, 2009, IPT

Os usos de comrcio e servio esto concentrados nos ncleos urbanos, sendo que em algumas praias j comeam a se tornar expressivos. O uso industrial pontual, no7

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se registrando nenhuma aglomerao de estabelecimentos que merea destaque no permetro regional. O tipo de ocupao denominado uso institucional apresenta a maior rea de uso. So espaos ocupados por atividades pblicas municipais, estaduais e federais, alm do Parque Estadual da Serra do Mar que abrange cerca de 80% do territrio. Unidades de Conservao A UGRHI 03 possui as Unidades de Conservao que esto apresentadas no quadro a seguir:UC Proteo Legal rea (ha) Administrao Municpios

Parque Nacional - PN Decretos Federais n 68.172/71 e n 70.694/72

Serra da Bocaina

104.000

IBAMA

Ubatuba

Parque Estadual - PE Decretos Estaduais n 10.251/77 e n 13.313/79 Decreto Estadual n 9.629/77 Decreto Estadual n 9.414/77 Instituto Florestal (SMA) Instituto Florestal (SMA) Instituto Florestal (SMA) Caraguatatuba, So Sebastio e Ubatuba

P.E. Serra do Mar

315.390

P.E. Ilha Anchieta P.E. Ilhabela

828 27.025

Ubatuba Ilhabela

Estao Ecolgica E.E. E.E. Tupinambs Decreto Federal n 94.656/87 2.445,2 IBAMA Ubatuba e So Sebastio

rea de Proteo Ambiental - APA Lei n 848/92 e Decreto Municipal n 2.029/97 Decreto Municipal n 1.964/96 Prefeitura Municipal

APA Alcatrazes

-

So Sebastio

APA Ilha de Itauc

-

Prefeitura Municipal

So Sebastio

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continua

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220UCA Proteo Legal rea (h) Administrao Municpios Reserva Particular do Patrimnio Natural - RPPN RPPN Morro do Curuss-Mirim RPPN Stio do Jacu RPPN Toque-Toque Pequeno RPPN Rizzieri Portaria IBAMA n 87/99 Portaria IBAMA n 52/01 Portaria IBAMA n 09/00 Portaria IBAMA n 05/03 22,8 Gradual Participaes LTDA Bernard Ledue Mieko Kishi Joo Batista Baldine Rizzieri Ubatuba

1,59 2,70 1.282,00

Caraguatatuba So Sebastio So Sebastio

rea sob Proteo Especial - ASPE ASPE do Centro de Biologia Marinha da Universidade de So Paulo - Cebimar ASPE do Costo do Navio ASPE do Costo de Boiucanga Resoluo SMA de 10/2/87 Resoluo SMA de 10/2/87 Resoluo SMA de 10/2/87

107

SMA

So Sebastio

199,32 192

SMA SMA

So Sebastio So Sebastio

rea Natural Tombada - ANT ANT Serra do Mar e de Paranapiacaba ANT Ilhas do Litoral Paulista ANT Ncleo Caiara de Picinguaba Resoluo n 40/85 Resoluo n 8/94 Resoluo n 7/83 1.300.000 176,27 Condephaat Condephaat Condephaat Caraguatatuba, Ilhabela, So Sebastio e Ubatuba Caraguatatuba, So Sebastio e Ubatuba Ubatuba

Terra Indgena - TI TI Boa Vista do Serto do Prumirim TI Ribeiro Silveira Decreto Federal n 94.220/87 Decreto Federal n 94.568/87 920,66 948,40 Reserva Biosfera Reserva da Biosfera da Mata Atlntica RBMA Cerca de 35.000.000 Conselho Nacional da RBMA Caraguatatuba, Ilhabela, So Sebastio e Ubatuba FUNAI FUNAI Ubatuba So Sebastio

Fonte: Plano de Bacia Hidrogrfica do Litoral Norte, dez/2009

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2.4

CLIMA1

O litoral norte caracteriza-se por pequenas plancies costeiras encontradas entre os espores da Serra do Mar, exceo da Enseada de Caraguatatuba, que constitui a maior poro sedimentar da regio. Essa regio, localizada no limite da zona tropical, fortemente influenciada pelos sistemas tropicais e polares, que atuam de forma desigual, sendo que estes ltimos determinam o ritmo climtico regional. O confronto entre esses dois sistemas um dos principais responsveis pela precipitao pluviomtrica da regio, caracterizada como uma das mais chuvosas do pas. Os maiores ndices pluviomtricos encontram-se nas encostas de Ubatuba (Mato Dentro, 3.200 mm) e os menores ndices (1.371 mm) so registrados em Ilhabela, na poro voltada para o canal, onde quase no penetram os fluxos atmosfricos (efeito de sombra). As chuvas so mais abundantes no vero, perfazendo 37% do volume total, sendo janeiro, geralmente, o ms mais chuvoso. Na primavera, o confronto entre os sistemas tropicais e extratropicais, ambos midos, provocam chuvas intensas e constantes, apresentando ndices pluviomtricos elevados totalizando 29% do volume. O outono e inverno tm uma participao de 19,3 e 14,7%, respectivamente. No tocante temperatura, a regio do litoral norte no apresenta uma variao sazonal to marcante quanto na poro interior do territrio paulista. Os meses mais quentes do ano esto relacionados com perodo de vero, com mdias superiores a 24 oC e os meses mais frios correspondem a junho, julho e agosto, cujas mdias variam entre 17 e 20oC. 2.5 CONJUNTURA SOCIO-ECONMICA

De acordo com o IBGE, no ano de 2000, nos quatro municpios que compem a UGRHI 03, a populao total era de 223.914 habitantes e a populao flutuante chegou a 1.450.000 turistas, cerca de 6,5 vezes mais que a moradora. A atividade econmica mais importante na UGRHI 03 o turismo de veraneio, com a predominncia do setor tercirio, comrcio e servios, o qual constitui a mola propulsora do desenvolvimento regional. A extensa orla martima e temperaturas agradveis o ano todo, propiciam condies propcias para atividades de lazer praiano. Uma implicao direta o grande nmero de moradias de uso ocasional, de hotis e de pousadas j existentes; a tendncia de expanso com o advento de novas construes para atender demanda turstica. O Terminal Martimo da Petrobrs, em So Sebastio, tambm, uma referncia importante na infraestrutura econmica da regio, embora tenha uma capacidade limitada como potencializador de outros investimentos. H, ainda, a agricultura, em algumas reas destinadas cultura de gengibre.1

Fonte: Plano Diretor para Disposio Final dos Lodos e Demais Resduos Produzidos pelos Sistemas de guas e Esgotos do Litoral Norte do Estado de So Paulo - SABESP, Relatrio Final, elaborao: Estudos Tcnicos e Projetos ETEP Ltda, 2005 10

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2.6

DISPONIBILIDADE HDRICA DA UGRHI 03

A UGRHI do Litoral Norte dividida em 34 sub-bacias hidrogrficas e esta compartimentao mostra-se bastante particular na regio. Destacam-se as bacias hidrogrficas referentes aos rios da Iriri/Ona, Fazenda/Bicas, Itamambuca, PerequMirim, Juqueriquer, Maresias, Juque, Una e Camburi.

263 264 265 266 267 268 269 270 271 272

Fonte: Plano de Bacia Hidrogrfica do Litoral Norte, 2009, IPT

guas Subterrneas O Litoral Norte conta com dois sistemas aqferos: o sistema aqfero fraturado correspondente a terrenos cristalinos da Serra do Mar, permeveis por fraturamento de rochas e o sistema aqfero sedimentar (aqfero litorneo), permeveis por porosidade granular, correspondendo a sedimentos ao longo das praias. Os citados Sistemas Aqferos Cristalino e Litorneo ocorrem, respectivamente, em cerca de 85 e 15% da rea do Litoral Norte.

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Potencialidade de gua Subterrnea na UGRHI 03

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Fonte: DAEE/IG/IPT/CPRM (2005). Extrado do Documento: Plano de Bacia Hidrogrfica do Litoral Norte, 2009, IPT

A poro do aqufero Cristalino que est contida na UGRHI 03 est com sua maior dimenso protegida pelo Parque Estadual da Serra do Mar, apresentando baixssima ocupao antrpica. Os dois sistemas aquferos da UGRHI 03, por serem livres, apresentam vulnerabilidade natural contaminao, no entanto, o Aqufero Litorneo, por ser um meio contnuo (sedimentar), considerado mais sensvel contaminao que o Aqufero Cristalino (meio descontnuo).

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283Disponibilidade Hdrica Subterrnea na UGRHI 03 Sub-bacias Hidrogrficas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 Total rea (km) 79,9 74,2 166,4 21 56,4 37,5 102,6 16,5 61,5 67,7 23,6 4,2 35,5 25,3 39,8 419,4 16,8 10,6 18,1 21,9 28,1 33,2 36,2 24 14,9 120,7 18,9 13,1 12,3 49,8 38,3 91,3 85,6 29,2 1.957,00 Oferta (m/s) Q7,10 0,860 1,090 2,170 0,240 0,640 0,480 1,350 0,250 0,710 0,700 0,300 0,490 0,490 0,430 0,670 2,790 0,060 0,190 0,310 0,210 0,160 0,381 0,540 0,330 0,210 1,720 0,113 0,080 0,110 0,230 0,160 0,500 0,480 0,150 19.594 50% Q7,10 0,430 0,545 1,085 0,120 0,320 0,240 0,675 0,125 0,355 0,350 0,150 0,245 0,245 0,215 0,335 1,395 0,030 0,095 0,155 0,105 0,080 0,191 0,270 0,165 0,105 0,860 0,057 0,040 0,055 0,115 0,080 0,250 0,240 0,075 9.797

Fonte: Plano de Bacia Hidrogrfica do Litoral Norte 2009, CBH Litoral Norte, dezembro/2009.

28413

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285 286 287 288

guas Superficiais Conforme j mencionado, os ndices mais elevados de pluviosidade da regio encontram-se no alto da Serra do Mar e nas encostas de Ubatuba, enquanto que os menores ndices so registrados em Ilhabela.Disponibilidade de Recursos Hdricos na UGRHI 03 e Estado de SP UGRHI 03 Litoral Norte Estado de So Paulo

Disponibilidade (m/s) (1)

Vazo Mnima Superficial (Q7/10)

27,0

893,0

Reservas Explorveis gua Subterrnea

8,2

336,1

Disponibilidade Total

35,2

1.229,1

(1) PERH, 2005. Fonte: Situao dos Recursos Hdricos do Estado de So Paulo - ano base 2007, SMA, 2009.

289Disponibilidade Hdrica nas Sub-bacias da UGRHI 03 - Litoral Norte Sub-Bacia Rio Fazenda / Bicas Rio Iriri / Ona Rio Quiririm / Puruba Rio Prumirim Rio Itamambuca Rio Indai / Capim Melado Rio Grande de Ubatuba Rio Perequ-Mirim Rio Escuro / Comprido Rio Maranduba/Arariba Rio Tabatinga Rio Mocca Ubatuba Ubatuba Ubatuba Ubatuba Ubatuba Ubatuba Ubatuba Ubatuba Ubatuba Ubatuba Ubatuba/Caraguatatuba Caraguatatuba Municpio rea de Drenagem 2 (km ) 79,9 74,2 166,4 21,0 56,4 37,5 102,6 16,5 61,5 67,7 23,6 40,2 Disponibilidade 3 Hdrica (m /s) Q7,10 0,860 1,090* 2,170* 0,240* 0,640* 0,480* 1,350 0,250* 0,710* 0,700 0,300* 0,490*

290 291

continua

14

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292Sub-Bacia Rio Massaguau/Bacu Rio Guaxinduba Rio Santo Antonio Rio Juqueriquer Rio So Francisco So Sebastio Ribeiro Grande Paba Rio Maresias Rio Grande Rio Camburi Rio Barra do Sa Rio Juque Rio Una Crrego do Jabaquara Crrego Bicuba Crrego Ilhabela/ Cachoeira Crrego Paquera/Cego Cor. So Pedro/ So Sebastio/ Frade Crrego Sepituba / Ipiranga/ Boneti/ Enchovas/ Tocas Crrego Manso/ Engenho/ Castelhano/ Cabeuda Crrego do Poo Total Municpio Caraguatatuba Caraguatatuba Caraguatatuba Caraguatatuba/So Sebastio So Sebastio So Sebastio So Sebastio So Sebastio So Sebastio So Sebastio So Sebastio So Sebastio So Sebastio So Sebastio Ilhabela Ilhabela Ilhabela Ilhabela Ilhabela Ilhabela Ilhabela Ilhabela rea de Drenagem 2 (km ) 35,5 25,3 39,8 419,4 16,8 10,6 18,1 21,9 28,1 33,2 36,2 24,00 14,9 120,7 18,9 13,1 12,3 49,8 38,3 91,3 85,6 29,2 1.957,0

continuaoDisponibilidade 3 Hdrica (m /s) Q7,10 0,490* 0,430* 0,670* 2,790 0,060 0,190* 0,310* 0,210* 0,160 0,381* 0,540* 0,330* 0,210* 1,720*

0,080* 0,110 0,230* 0,160 0,500* 0,480* 0,150* 19,600

Fonte: CBH litoral norte - IPT/ nov/2000; Q 7,10 = Vazo Superficial Mnima Disponvel; (*) Dados de Cadastro DAEE.

293 294 295 296 297 298 299 300

2.7

UTILIZAO DOS RECURSOS HDRICOS

A utilizao dos recursos hdricos feita para diferentes tipos de uso conforme definio do DAEE, sendo eles: Industrial: (uso em empreendimentos industriais, nos seus sistemas de processo, refrigerao, uso sanitrio, combate a incndio, alm de outros), Urbano (gua que se destina predominantemente ao consumo humano em ncleos urbanos, tais como cidades, bairros, distritos, vilas, loteamentos, condomnios, comunidades, dentre outros), Irrigao (gua utilizada em irrigao das mais distintas culturas agrcolas), Rural (uso da gua em atividades na zona rural, tais como15

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301 302 303 304 305 306 307 308 309 310 311 312 313 314 315

aqicultura, pecuria, dentre outros, excetuando-se o uso na irrigao que possui classificao especfica, conforme citado anteriormente), Minerao (diz respeito a toda a gua utilizada nos processos de minerao, incluindo lavra de areia), Recreao e Paisagismo (uso em atividades de recreao, tais como piscinas, lagos para pescaria, bem como para composio paisagstica de propriedades (lagos, chafarizes, etc, e outros), Comrcio e Servios (utilizao da gua em empreendimentos comerciais e prestadores de servios, seja nas suas atividades propriamente ditas ou com fins sanitrios em shopping centers, postos de servios, hotis, clubes, hospitais, etc.) e outros (utilizao da gua em atividades que no se enquadram em nenhuma das anteriores ou seno, quando a fonte de informao ou de registro do uso da gua no especifica claramente em qual a categoria se enquadra um determinado usurio. As tabelas apresentadas ilustram os diversos tipos de utilizao e foram extradas do Plano de Bacia Hidrogrfica do Litoral Norte (2009):Caracterizao geral da utilizao dos recursos hdricos na captao subterrnea e superficial na UGRHI 03 Demanda (m /s) Usos Captao Subterrnea Urbano Rural Comrcio e Servios Industrial Gerao de energia Outros Total 0,186 0,003 0,005 0,019 0,213 Captao Superficial 1,61 0,512 0,468 0,006 0,213 2,8093

316

16

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317 318 319

2.8

INSERO DE ILHABELA NA UGRHI 03

LocalizaoLocalizao do Municpio de Ilhabela na UGRHI 03

320 321 322 323 324 325 326 327 328 329 330 331 332 333 334

Fonte: Plano de Bacias Hidrogrficas do Litoral Norte 2009

O municpio de Ilhabela est localizado na Regio Administrativa de So Jos dos Campos e Regio de Governo de Caraguatatuba, no Litoral Norte, a cerca de 190 km da capital paulista. Limita-se a noroeste com o Canal de So Sebastio e a norte, leste, sul e oeste com o Oceano Atlntico. Acesso O acesso a Ilhabela realizado via balsa, a partir da cidade de So Sebastio, que por sua vez acessada pela Rodovia Dr. Manoel Hippolito Rego (SP-055). Ocupao Populacional A cidade de Ilhabela conta com 28.5262 habitantes, distribudos em uma rea de 348,30 km e densidade de 81,90 hab/km. Mais da metade da populao localiza-se em zona urbana, pois a taxa de urbanizao de 99,16%. A evoluo da populao urbana e rural em Ilhabela apresentada no quadro a seguir, sendo que enquanto a populao urbana no municpio foi gradativamente crescendo, a2

Projeo SEADE, consulta set/201017

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335 336

populao rural obteve seu pico nos anos de 1990 e 1995 (247hab), com posterior reduo nos anos seguintes, alcanando, no ano de 2009, cerca de 232 habitantes.Local 1980 1990 1995 2000 2005 2006 2007 2008 2009

Evoluo da Populao urbana Ilhabela 7.515 12.550 16.349 20.506 24.361 25.107 Evoluo da populao rural 247 246 227 223 25.875 26.656 27.458

IlhabelaFonte: SEADE/2010

228

247

218

225

232

337 338 339

Unidades de Conservao As Unidades de Conservao que abrangem o municpio de Ilhabela esto identificadas no quadro a seguir:UC Parque Estadual de Ilhabela Tombamento da Serra do Mar e de Paranapiacaba Reserva da Biosfera da Mata Atlntica RBMA Proteo Legal Decr. Est. 9.414/77 rea (h) 27.025 Administrao IF Municpios Ilhabela

Res. Est. 40/85

1.300.000

CONDEPHAAT

Ubatuba, Caraguatatuba, So Sebastio e Ilhabela

-

Cerca de 35.000.000

Conselho Nacional da RBMA

Ubatuba, Caraguatatuba, So Sebastio e Ilhabela

Fonte: CBH litoral norte IPT / Plano Bacia Hidrogrfica do Litoral Norte, 2009, IPT.

340 341 342 343 344

Sub-bacias A UGRHI 03 foi dividida em 34 sub-bacias, distribudas nos quatro municpios que a configuram. O quadro a seguir apresenta as sub-bacias identificadas em Ilhabela, (mapa ilustrativo do item 2.6 do presente relatrio):

18

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345N 27 28 29 30 31 32 33 34 Sub-bacia Crrego do Jabaquara Crrego Bicuba Crrego Ilhabela/ Cachoeira Crrego Paquera/ Cego Crrego So Pedro/ So Sebastio/ Frade Crrego Sepituba/ Ipiranga/ Boneti/ Enchovas/ Tocas Crrego Manso, Engenheiro, Castelhano/ Cabeuda Crrego do Poo rea (km) 18,9 13,1 12,3 49,8 38,3 91,3 85,6 29,2

Fonte: CBH litoral norte IPT / Plano Bacia Hidrogrfica do Litoral Norte, 2009, IPT

346 347 348 349 350 351 352 353 354 355 356 357 358 359 360 361 362 363 364 365 366

2.9

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

- Plano de Bacia Hidrogrfica do Litoral Norte 2009, Comit de Bacia Hidrogrfica do Litoral Norte, dezembro/2009; - RELATRIO N 57.540 - Plano de Gerenciamento dos Recursos Hdricos do Litoral Norte, Comit de Bacia Hidrogrfica do Litoral Norte, Fundo Estadual de Recursos Hdricos Fehidro, IPT; - Plano Estadual de Recursos Hdricos 2004/2007 UGRHI 03 Litoral Norte, Governo do Estado de So Paulo Conselho Estadual de Recursos Hdricos, Consrcio JMR/Engecorps; - Situao dos Recursos Hdricos no Estado de So Paulo Ano base 2007, Governo do Estado de So Paulo SMA e Coordenadoria de Recursos Hdricos, So Paulo, 2009; - Plano Diretor para Disposio Final dos Lodos e Demais Resduos Produzidos pelos Sistemas de guas e Esgotos do Litoral Norte do Estado de So Paulo - SABESP, Relatrio Final, elaborao: Estudos Tcnicos e Projetos ETEP Ltda, 2005; - SEADE, consultas via site oficial em agosto/2010. 3. BASES E FUNDAMENTOS LEGAIS DOS PLANOS MUNICIPAIS DE SANEAMENTO INTRODUO

3.1.

O presente item trata das questes jurdicas e institucionais que interferem na elaborao dos planos municipais de saneamento bsico nas seguintes Unidades19

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367 368 369 370 371 372 373 374 375 376 377 378 379 380 381 382 383 384 385 386 387 388 389 390 391 392 393 394 395 396 397 398 399 400 401 402 403

Hidrogrficas de Gerenciamento de Recursos Hdricos: UGRHI 3/Litoral Norte, conforme a diviso dos recursos hdricos do Estado de So Paulo, estabelecida no Anexo I da Lei n 9.034 de 27-12-1994. Os planos de saneamento esto previstos na Lei n 11.445, de 5-1-2007, que dispe sobre as diretrizes nacionais para o saneamento bsico. Essa lei, que revogou a norma anterior Lei n 6.528, de 11-5-1978, veio estabelecer, aps longo perodo de discusses em nvel nacional, uma poltica pblica para o setor do saneamento, com vistas a estabelecer a sua base de princpios, a identificao dos prprios servios, as diversas formas de sua prestao, a obrigatoriedade do planejamento e da regulao, o mbito da atuao do titular dos servios, assim como a sua sustentabilidade econmico-financeira, alm de dispor sobre o controle social da prestao. Vale dizer que, com a edio dessa lei abriram-se, sob o aspecto institucional, novos caminhos para a prestao dos servios de saneamento bsico e tambm para o alcance dos objetivos ambientais e de sade pblica que envolvem a matria. Evidentemente, um longo caminho existe entre a edio da lei e a efetiva melhoria dos nveis de qualidade ambiental desejados. Os planos de saneamento bsico consistem, dessa forma, em um dos instrumentos de alcance da efetividade da norma, conforme ser detalhado adiante. Tambm ser objeto de anlise a Lei n 11.107/07, que dispe sobre os consrcios pblicos e que veio apresentar novos arranjos institucionais para a execuo de atividades inerentes aos Poderes Pblicos, como o caso do saneamento bsico, tanto no que se refere ao exerccio da titularidade como prestao dos servios. Com a edio da Lei n 12.305, de 2-8-2010, que institui a Poltica Nacional de Resduos Slidos, e considerando a forte interao entre essa norma e a Lei de saneamento, sero verificados alguns conceitos aplicveis aos municpios, no que se refere aos planos de resduos slidos. Sero abordados ainda dois temas fundamentais: a titularidade e a prestao dos servios. Em relao titularidade, ser verificado no que consiste essa atividade e as formas legalmente previstas para o seu exerccio. Quanto prestao dos servios de saneamento bsico cabe estudar as diversas formas de prestao, incluindo a prestao regionalizada, modalidade prevista na Lei n 11.445/07 e se caracteriza pelas seguintes situaes: um nico prestador do servio para vrios Municpios, contguos ou no; uniformidade de fiscalizao e regulao dos servios, inclusive de sua remunerao; compatibilidade de planejamento3.

3 Lei n 11.445/07, art. 14.

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404 405 406 407 408 409 410 411 412 413 414 415 416 417 418 419 420 421 422 423 424 425 426 427 428 429 430 431 432 433 434 435 436 3.2. ABRANGNCIA DOS SERVIOS

A Lei n 11.445/07 define, como servios de saneamento bsico, as infra-estruturas e instalaes operacionais de quatro categorias: a. abastecimento de gua potvel; b. esgotamento sanitrio; c. limpeza urbana e manejo de resduos slidos;

d. drenagem e manejo das guas pluviais urbanas. 3.2.1 Abastecimento de gua Potvel

O abastecimento de gua potvel constitudo pelas atividades, infra-estruturas e instalaes necessrias ao abastecimento pblico de gua potvel, desde a captao at as ligaes prediais e respectivos instrumentos de medio 4. Isso significa a captao em um corpo hdrico superficial ou subterrneo, o tratamento, a reservao e a aduo at os pontos de ligao e um forte indicador do desenvolvimento de um pas, principalmente pela sua estreita relao com a sade pblica e o meio ambiente. Para o abastecimento pblico, visando prioritariamente ao consumo humano, so necessrios mananciais protegidos e uma qualidade compatvel com os padres de potabilidade legalmente fixados, sob pena de ocorrncia de diversas doenas, como diarria, clera etc. No que se refere diluio de efluentes, muitas vezes lanados ilegalmente in natura e sem o adequado tratamento pelos servios de abastecimento de gua e esgotamento sanitrio, a poluio dos corpos hdricos compromete as captaes de gua das cidades que se encontram a jusante. dever do Poder Pblico garantir o abastecimento de gua potvel populao, obtida dos rios, reservatrios ou aquferos. A gua derivada dos mananciais para o abastecimento pblico deve possuir condies tais que, mediante tratamento, em vrios nveis, de acordo com a necessidade, possa ser fornecida populao nos padres legais de potabilidade, sem qualquer risco de contaminao. Os servios de gua e esgotamento sanitrio, essenciais em todos os centros urbanos, usam a gua de duas formas: para o abastecimento e para a diluio de efluentes. O fator captao da gua encontra-se estreitamente ligado idia do lanamento das guas servidas. Parte da gua captada devolvida ao corpo hdrico, aps o uso, o que implica que a gua servida deve submeter-se a tratamento antes da devoluo, para que no prejudique a qualidade desse receptor.

4 Lei n 11.445/07, art. 3, I, a.

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Os procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e vigilncia da qualidade da gua para consumo humano e seu padro de potabilidade so competncia da Unio, vigorando a Portaria n 518, de 25-3-2004, do Ministrio da Sade, que aprovou a Norma de Qualidade da gua para Consumo Humano. O Decreto n 5.440, de 4-5-2005, que estabelece definies e procedimentos sobre o controle de qualidade da gua de sistemas de abastecimento e institui mecanismos e instrumentos para divulgao de informao ao consumidor sobre a qualidade da gua para consumo humano, fixa, em seu Anexo Regulamento Tcnico sobre Mecanismos e Instrumentos para Divulgao de Informao ao Consumidor sobre a Qualidade da gua para Consumo Humano, as seguintes definies: gua potvel gua para consumo humano cujos parmetros microbiolgicos, fsicos, qumicos e radioativos atendam ao padro de potabilidade e que no oferea riscos sade5; sistema de abastecimento de gua para consumo humano instalao composta por conjunto de obras civis, materiais e equipamentos, destinada produo e distribuio canalizada de gua potvel para populaes, sob a responsabilidade do poder pblico, mesmo que administrada em regime de concesso ou permisso6; soluo alternativa de abastecimento de gua para consumo humano toda modalidade de abastecimento coletivo de gua distinta do sistema de abastecimento de gua, incluindo, entre outras, fonte, poo comunitrio, distribuio por veculo transportador, instalaes condominiais horizontal e vertical7; controle da qualidade da gua para consumo humano conjunto de atividades exercidas de forma contnua pelo(s) responsvel(is) pela operao de sistema ou soluo alternativa de abastecimento de gua, destinadas a verificar se a gua fornecida populao potvel, assegurando a manuteno desta condio8; vigilncia da qualidade da gua para consumo humano conjunto de aes adotadas continuamente pela autoridade de sade pblica, para verificar se a gua consumida pela populao atende a esta norma e para avaliar os riscos que os sistemas e as solues alternativas de abastecimento de gua representam para a sade humana9.

5 Decreto n 5.440/05, art. 4, I. 6 Decreto n 5.440/05, art. 4, II. 7 Decreto n 5.440/05, art. 4, III. 8 Decreto n 5.440/05, art. 4, IV. 9 Decreto n 5.440/05, art. 4, V.

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470 471 472 473 474 475 476 477 478 479 480 481 482 483 484 485 486 487 488 489 490 491 492 493 494 495 496 497 498 499 500 501 502 503 504 505 506 507

3.2.2.

Esgotamento Sanitrio

O esgotamento sanitrio constitui-se pelas atividades, infra-estruturas e instalaes operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposio final adequados dos esgotos sanitrios, desde as ligaes prediais at o seu lanamento final no meio ambiente10. Os esgotos urbanos lanados in natura, principalmente em rios, tm sido fonte de preocupao dos governos e da atuao do Ministrio Pblico, pela poluio da gua ou, no mnimo, pela alterao de sua qualidade, principalmente no que toca ao abastecimento das populaes a jusante. Certamente, o ndice de poluio que o lanamento de esgotos provoca no corpo receptor depende de outras condies, como a vazo do rio, o declive, a qualidade do corpo hdrico, a natureza dos dejetos etc. Mas estar sempre degradando, em maior ou menor grau, a qualidade das guas, o que repercute diretamente na quantidade de gua disponvel ao abastecimento pblico. E, para que essa gua se torne potvel, mais complexo e caro ser o seu tratamento. Ou seja, a disponibilidade de gua para o abastecimento pblico depende, entre outros fatores, do tratamento dos esgotos domsticos, questo que o pas ainda no conseguiu equacionar. A aplicao da Lei n 11.445/07 pode vir a modificar essa situao. Da a importncia dos planos de saneamento, entre outros instrumentos da poltica de saneamento. Tanto o abastecimento de gua como o esgotamento sanitrio, pela complexidade da prestao, custos de obras Estaes de Tratamento de gua ETA e Estaes de Tratamento de Esgotos ETE, redes, ligaes, observncia das normas e padres de potabilidade possuem um sistema de cobrana direta do usurio, por meio de tarifas e preos pblicos. A Lei de Saneamento determina, nesse sentido, que os servios tero a sustentabilidade econmico-financeira assegurada, sempre que possvel, mediante remunerao pela cobrana dos servios de abastecimento de gua e esgotamento sanitrio preferencialmente na forma de tarifas e outros preos pblicos, que podero ser estabelecidos para cada um dos servios ou para ambos conjuntamente11. 3.2.3. Limpeza Urbana e Manejo de Resduos Slidos

A limpeza urbana e manejo de resduos slidos, considerados juridicamente como elementos integrantes do saneamento bsico, representam o conjunto de atividades, infra-estruturas e instalaes operacionais de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do lixo domstico e do lixo originrio da varrio e limpeza de logradouros e vias pblicas12. A limpeza urbana, de competncia municipal, outra fonte de inmeros problemas ambientais e de sade pblica, quando prestada de forma inadequada. Cabe tambm ao Poder Pblico garantir a coleta, o transporte e o lanamento do lixo em aterros10 Lei n 11.445/07, art. 3, I, b. 11 Lei n 11.445/07, art. 29, I.

12 Lei n 11.445/07, art. 3, I, c.

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sanitrios adequados, devidamente licenciados, que impeam a percolao do chorume lquido de elevada acidez, resultante da decomposio de restos de matria orgnica, muito comum nas lixeiras 13 em lenis freticos e a ocorrncia de outros danos ao ambiente e sade das populaes. Na contratao da coleta, processamento e comercializao de resduos slidos urbanos reciclveis ou reutilizveis, atividades praticadas por associaes ou cooperativas, dispensado o processo de licitao,14 como forma de estimular essa prtica ambiental. O servio pblico de limpeza urbana e de manejo de resduos slidos urbanos composto, assim, pelas seguintes atividades: coleta, transbordo e transporte do lixo domstico e do lixo originrio da varrio e limpeza de logradouros e vias pblicas; triagem para fins de reuso ou reciclagem, de tratamento, inclusive por compostagem, e disposio final do lixo domstico e do lixo originrio da varrio e limpeza de logradouros e vias pblicas; varrio, capina e poda de rvores em vias e logradouros pblicos e outros eventuais servios pertinentes limpeza pblica urbana.15 Assim como para os servios de abastecimento de gua e esgotamento sanitrio, a Lei n 11.445/07 determina que a limpeza urbana e o manejo de resduos slidos urbanos tero a sustentabilidade econmico-financeira assegurada, sempre que possvel, mediante remunerao pela cobrana de taxas ou tarifas e outros preos pblicos, em conformidade com o regime de prestao do servio ou de suas atividades16. A Lei n 12.305/201017, ao instituir a Poltica Nacional de Resduos Slidos, dispe expressamente sobre a necessidade de articulao dessa norma com a Lei n 11.445/07, entre outras leis18. Cabe ressaltar que a nova norma trata de questes que impactam os sistemas vigentes nos servios de limpeza urbana, na medida em que estabelece, em seus objetivos, a no gerao, reduo, reutilizao, reciclagem e tratamento dos resduos slidos, bem como disposio final ambientalmente adequada dos rejeitos, que por sua vez significa a distribuio ordenada de rejeitos em aterros, observando normas operacionais especficas de modo a evitar danos ou riscos sade pblica e segurana e a minimizar os impactos ambientais adversos19.

13 14 15 16

FORNARI NETO, Ernani. Dicionrio prtico de ecologia. So Paulo: Aquariana, 2001, p. 54. Lei n 8.666/93, art. 24, XXVII. Lei n 11.445/07, art. 7. Lei n 11.445/07, art. 29, II.

17 A Lei n 12.305/10 entrou em vigor na data de sua publicao, mas a vigncia do disposto nos artigos 16 e 18 ocorrer em dois anos da referida publicao. 18 Lei n 12.305/10, art. 5. 19 Lei n 12.305/10, art. 3,VIII.

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3.2.4.

Drenagem e Manejo das guas Pluviais Urbanas

J a drenagem e manejo das guas pluviais urbanas consistem no conjunto de atividades, infra-estruturas e instalaes operacionais de drenagem urbana de guas pluviais, de transporte, deteno ou reteno para o amortecimento de vazes de cheias, tratamento e disposio final das guas pluviais drenadas nas reas urbanas 20. Possui uma forte relao com os demais servios de saneamento bsico, pois os danos causados por enchentes tornam-se mais ou menos graves proporcionalmente eficincia dos outros servios de saneamento. guas poludas por esgoto ou por lixo na ocorrncia de enchentes aumentam os riscos de doenas graves, piorando as condies ambientais e a qualidade de vida das pessoas. Nos termos da lei do saneamento, os servios de manejo de guas pluviais urbanas tero a sustentabilidade econmico-financeira assegurada, sempre que possvel, mediante remunerao pela cobrana dos servios na forma de tributos, inclusive taxas, em conformidade com o regime de prestao do servio ou de suas atividades21. 3.3. 3.3.1. TITULARIDADE DOS SERVIOS Essencialidade

Teoricamente, o que distingue e caracteriza o servio pblico das demais atividades econmicas o fato de ele ser essencial para a comunidade. A sua falta, ou a prestao insuficiente ou inadequada podem causar danos a pessoas e a bens. Por essa razo, a prestao do servio pblico de titularidade do Poder Pblico, responsvel pelo bem estar social. Trata-se, pois, de um servio pblico, prestado pela Administrao ou por seus delegados, de acordo com normas e sob o controle do Estado, para satisfazer as necessidades da coletividade ou a convenincia do Estado.22 Cabe salientar que a ao de saneamento executada por meio de solues individuais no se caracteriza como servio pblico quando o usurio no depender de terceiros para operar os servios, da mesma forma que as aes e servios de saneamento bsico de responsabilidade privada, incluindo o manejo de resduos de responsabilidade do gerador.23 3.3.2. Titularidade do Saneamento na UGRHI em Estudo

Todo servio pblico, por ser essencial, se encontra sob a responsabilidade de um ente de direito pblico: Unio, Estado Distrito Federal ou Municpio. Essa repartio de competncias para cada servio estabelecida pela Constituio Federal. Assim, por exemplo, os servios pblicos de energia eltrica so de titularidade da Unio, conforme estabelece o art. 21, XII, b. Os servios pblicos relativos ao gs canalizado20 Lei n 11.445/07, art. 3, I, b. 21 Lei n 11.445/07, art. 29, II. 22 23 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 32. ed. So Paulo: Malheiros, 2006, p. 329. Lei n 11.455/07, art. 5.

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575 576 577 578 579 580 581 582 583 584 585 586 587 588 589 590 591 592 593 594 595 596 597 598 599 600 601 602 603 604 605 606 607 608

competem aos Estados, em face do art. 25, II. J os servios pblicos de titularidade dos Municpios no esto descritos na Constituio, que apenas determina, para esses entes federados, a prestao de servios pblicos de interesse local, diretamente ou sob o regime de concesso ou permisso.24 Embora no haja qualquer dvida quanto titularidade dos municpios no que se refere aos servios de limpeza urbana e drenagem, em relao ao saneamento, h, porm, uma discusso entre Estados e Municpios que tramita no Supremo Tribunal Federal, ainda sem soluo25.. Paralelamente, a CF/88 transferiu aos Estados a competncia para instituir regies metropolitanas, aglomeraes urbanas e microrregies, agrupando Municpios limtrofes, para integrar a organizao, o planejamento e a execuo de funes pblicas de interesse comum.26 Em tese, os servios de saneamento em cidades localizadas em regies metropolitanas, aglomeraes urbanas ou microrregies, seriam de titularidade estadual, cabendo aos Estados assumir a titularidade nas hipteses do art. 25, 3. Contudo, muitos servios de saneamento vm sendo prestados por Municpios localizados em regies metropolitanas, situao que permanece ao longo de dcadas. Quando da promulgao da Constituio de 1988, no se alterou o que era j uma tradio. Diante desse impasse, e da indefinio do STF na soluo da matria, a Lei federal n 11.107, de 6-4-2005 Lei de Consrcios Pblicos veio alterar esse quadro, estabelecendo novos arranjos institucionais para a prestao de servios pblicos, inclusive os se saneamento bsico, que tiram o foco da questo da titularidade. No novo modelo, os entes federados podem fazer parte de um nico consrcio, o qual contratar os servios e exercer o papel de concedente, por delegao, atravs de lei. A Lei n 11.445/07, adotando essa linha, no define expressamente o titular do servio, prevendo apenas que este poder delegar a organizao, a regulao, a fiscalizao e a prestao dos servios, mediante contrato ou convnio, a outros entes federativos, nos termos do art. 24127 da Constituio Federal e da Lei n 11.107/05. Cabe lembrar que a delegao tambm pode ser concedida ao particular, nos moldes da Lei n 8.987/95. No caso da UGRHI objeto deste estudo, que se encontram fora de regies metropolitanas, no h dvida de que os municpios so os titulares de todos os servios de saneamento bsico28 e responsveis pelos planos municipais de24 CF/88, art. 30, V.

25 ADI/1842 Ao Direta de Inconsticionalidade. 26 CF/88, art. 25, 3. 27 Art. 241. A Unio, os Estados, o Distrito Federal e os Municpios disciplinaro por meio de lei os consrcios pblicos e os convnios de cooperao entre os entes federados, autorizando a gesto associada de servios pblicos, bem como a transferncia total ou parcial de encargos, servios, pessoal e bens essenciais continuidade dos servios transferidos. Redao da EC n 19/98. 28 A discusso acerca da titularidade entre Estado e Municpios, sobretudo em Regies Metropolitanas - foi uma das causas do atraso no consenso necessrio aprovao da poltica nacional do saneamento.

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609 610 611 612 613 614 615 616 617 618 619 620 621 622 623 624 625 626 627 628 629 630 631 632 633 634 635 636 637 638 639 640 641 642 643

saneamento alm de todas as outras aes relativas sua correta prestao, com os seguintes objetivos: cidade limpa, livre de enchentes, com esgotos coletados e tratados e gua fornecida a todos nos padres legais de potabilidade. 3.3.3. Atribuies do Titular

importante verificar no que consiste a titularidade de um servio pblico. J foi visto que sua caracterstica bsica o fato de ser essencial para a sociedade constituindo, por essa razo, competncia do Poder Pblico, responsvel pela administrao do Estado. De acordo com o art. 9 da Lei n 11.445/07, o titular dos servios no caso presente, o municpio - formular a respectiva poltica pblica de saneamento bsico, devendo, para tanto, cumprir uma srie de atribuies. Essas atribuies referem-se ao planejamento dos servios, sua regulao, a prestao propriamente dita e a fiscalizao. Cada uma dessas atividades distinta das outras, com caractersticas prprias. Mas todas se interrelacionam e so obrigatrias para o municpio, j que a Lei n 11.445/07 determina expressamente as aes correlatas ao exerccio da titularidade, conforme segue29: I - elaborar os planos de saneamento bsico, nos termos desta Lei; II - prestar diretamente ou autorizar a delegao dos servios e definir o ente responsvel pela sua regulao e fiscalizao, bem como os procedimentos de sua atuao; III - adotar parmetros para a garantia do atendimento essencial sade pblica, inclusive quanto ao volume mnimo per capita de gua para abastecimento pblico, observadas as normas nacionais relativas potabilidade da gua; IV - fixar os direitos e os deveres dos usurios; V - estabelecer mecanismos de controle social, nos termos do inciso IV do caput do art. 3o da Lei n 11.445/07; VI - estabelecer sistema de informaes sobre os servios, articulado com o Sistema Nacional de Informaes em Saneamento; VII - intervir e retomar a operao dos servios delegados, por indicao da entidade reguladora, nos casos e condies previstos em lei e nos documentos contratuais. Cabe ressaltar que o Municpio, sendo o titular dos servios, pode e deve exercer todas as atividades relativas a essa titularidade organizao (planejamento), regulao, fiscalizao e prestao dos servios - ou deleg-las a terceiros, por meio de instrumentos jurdicos prprios, de acordo com o que a lei determina.

29 Lei n 11.445/07, no art. 9.

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3.3.3.1.

Planejamento

A organizao ou planejamento consiste no estudo e na fixao das diretrizes e metas que devero orientar uma determinada ao. No caso do saneamento, preciso planejar como ser feita a prestao dos servios de saneamento, de acordo com as caractersticas e necessidades locais, com vistas a garantir que essa prestao corresponda a resultados positivos, no que se refere melhoria da qualidade ambiental e da sade pblica. O planejamento tambm corresponde ao princpio da eficincia 30, pois direciona o uso racional dos recursos pblicos. Nessa linha, a Lei n 11.445/07 menciona expressamente os princpios da eficincia e da sustentabilidade econmica como fundamentos da prestao dos servios de saneamento bsico31. Elaborar os planos de saneamento bsico constitui um dos deveres do titular dos servios32. A elaborao desses planos se encontra no mbito das atribuies legais do municpio. Segundo a Lei n 11.445/07, em seu art. 19, a prestao de servios pblicos de saneamento bsico observar plano, que poder ser especfico para cada servio abastecimento de gua, esgotamento sanitrio, resduos slidos, drenagem. O contedo mnimo estabelecido para os planos de saneamento bastante abrangente e no se limita a um diagnstico e ao estabelecimento de um programa para o futuro. Evidentemente, prevista a elaborao de um diagnstico da situao e de seus impactos nas condies de vida, utilizando sistema de indicadores sanitrios, epidemiolgicos, ambientais e socioeconmicos e apontando as causas das deficincias detectadas33. necessrio o conhecimento da situao ambiental, de sade pblica, social e econmica do Municpio, verificando os impactos dos servios de saneamento nesses indicadores. A partir da, cabe traar os objetivos e metas de curto, mdio e longo prazos para a universalizao34, admitidas solues graduais e progressivas, observando a compatibilidade com os demais planos setoriais. Cabe lembrar que o princpio da universalizao dos servios, previsto no art. 2 da lei de saneamento, consiste na ampliao progressiva do acesso de todos os domiclios ocupados ao saneamento bsico35, de modo que, conforme as metas estabelecidas, a totalidade da populao tenha acesso ao saneamento. Uma vez estabelecidos os objetivos e metas para a universalizao dos servios, cabe ao plano a indicao de programas, projetos e aes necessrias para atingir os objetivos e as metas, de modo compatvel com os respectivos planos plurianuais e com outros planos governamentais correlatos, identificando possveis fontes de financiamento.

30 Previsto na Constituio Federal de 1988, art. 37. 31 Lei n 11.445/07, art. 2, VII. 32 Lei n 11.455/07, art. 9, I. 33 Lei n 11.445/07, art. 19, I. 34 A universalizao do acesso aos servios de saneamento consiste em um dos pilares da poltica nacional de saneamento, nos termos do art. 2, I da Lei n 11.445/07. 35 Lei n 11.445/07, art. 3, III.

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Os planos de saneamento bsico devem estar articulados com outros estudos efetuados e que abranjam a mesma regio. Nos termos da lei, os servios de saneamento bsico sero prestados com base, entre outros princpios, na articulao com as polticas de desenvolvimento urbano e regional, de habitao, de combate pobreza e de sua erradicao, de proteo ambiental, de promoo da sade e outras de relevante interesse social voltadas para a melhoria da qualidade de vida, para as quais o saneamento bsico seja fator determinante36. Essa articulao deve ser considerada na elaborao dos planos de saneamento, com vistas a integrar as decises sobre vrios temas, mas que na prtica, acabam por impactar o mesmo territrio. Embora a lei no mencione expressamente, deve haver uma correspondncia necessria do plano de saneamento com o Plano Diretor, instrumento bsico da poltica de desenvolvimento urbano, objeto do art. 182 da Constituio37. Nos termos desse dispositivo, o Plano Diretor constitui lei municipal e o instrumento bsico da poltica de desenvolvimento e de expanso urbana38. Um ponto fundamental, nesse passo, consiste no fato de que a lei de saneamento, nos termos do seu art. 19, 3, estabelece que os planos de saneamento bsico devero ser compatveis com os planos das bacias hidrogrficas em que estiverem inseridos. O Municpio no detentor do domnio da gua, mas sua atuao fundamental na proteo desse recurso. O lixo e o esgoto domstico, gerados nas cidades, so fontes importantes de poluio dos recursos hdricos. Embora o Municpio seja um ente federado autnomo, a norma condiciona o planejamento municipal, ainda que no tocante ao saneamento, a um plano de carter regional, qual seja o da bacia hidrogrfica39 em que se localiza o Municpio. Essa regra de extrema importncia, pois por meio dela que se fundamenta a necessidade de os Municpios considerarem, em seu planejamento, fatores externos ao seu territrio como, por exemplo, a bacia hidrogrfica. Ainda na linha de projetos e aes a serem propostos, a lei prev a indicao, no plano de saneamento, de aes para emergncias e contingncias. Merece destaque o item que prev, como contedo mnimo dos planos de saneamento, mecanismos e procedimentos para a avaliao sistemtica da eficincia e eficcia das aes programadas40. Trata-se de um avano na legislao, pois estabelece, desde logo, que o contedo do plano deve ser cumprido, com a devida indicao de como aferir esse cumprimento. Nota-se que os planos de saneamento, pelo contedo mnimo exigido na lei, extrapolam o planejamento puro e simples, na medida em que estabelecem, desde36 Lei n 11.445/07, art. 2, VI. 37 CF/88, art. 182. A poltica de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Pblico municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funes sociais da cidade e garantir o bem- estar de seus habitantes. 38 CF/88, art. 182, 1. 39 Ou Unidade de Hidrogrficas de Gerenciamento de Recursos Hdricos UGRHI. 40 Lei n 11.445/07, art. 19, V.

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logo, as metas a serem cumpridas na prestao dos servios, as aes necessrias ao cumprimento dessas metas e ainda os correspondentes mecanismos de avaliao. No prprio plano, dessa forma, so impostos os resultados a serem alcanados. Tendo em vista a necessidade de correes e atualizaes a serem feitas, em decorrncia tanto do desenvolvimento das cidades, como das questes tcnicas surgidas durante a implantao do plano, os planos de saneamento bsico vem ser revistos periodicamente, em prazo no superior a 4 anos, anteriormente elaborao do Plano Plurianual41. No que se refere ao controle social, a lei determina a ampla divulgao das propostas dos planos de saneamento bsico e dos estudos que as fundamentem, inclusive com a realizao de audincias ou consultas pblicas42. No que diz respeito rea de abrangncia, o plano municipal de saneamento bsico dever englobar integralmente o territrio do municpio43. O servio regionalizado de saneamento bsico poder obedecer ao plano de saneamento bsico elaborado para o conjunto de Municpios atendidos44. 3.3.3.2. Regulao e Fiscalizao

Regulao todo e qualquer ato, normativo ou no, que discipline ou organize um determinado servio pblico, incluindo suas caractersticas, padres de qualidade, impacto scio-ambiental, direitos e obrigaes dos usurios e dos responsveis por sua oferta ou prestao e fixao e reviso do valor de tarifas e outros preos pblicos45. inerente ao titular dos servios pblicos a regulao de sua prestao, o que implica o estabelecimento de normas especficas, garantindo que a sua prestao seja adequada s necessidades locais j verificadas no planejamento dos servios, considerada a universalizao do acesso. Uma vez estabelecidas as normas, faz parte do universo das aes a cargo do titular fiscalizar o cumprimento das normas pelo prestador dos servios. Conforme j mencionado, o planejamento e regulao encontram-se estreitamente relacionadas, lembrando que cada atribuio correspondente titularidade planejamento, regulao, fiscalizao e a prestao dos servios, embora possuam caractersticas especficas, formam um todo articulado, mas no necessariamente prestados pela mesma pessoa. Da a idia de que deve haver uma distino entre a figura do prestador e do regulador dos servios, para que haja mais eficincia, liberdade e controle, embora ambas as atividades se reportem aos titular. Nessa linha, a Lei prev que o exerccio da funo de regulao atender aos princpios da41 Lei n 11.445/07, art. 19, 4o. 42 Lei n 11.445/07, art. 19, 5o. 43 Lei n 11.445/07, art. 19, 8o. 44 Lei n 11.445/07, art. 17. 45 Decreto n 6.017/05, art. 2, XI.

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independncia decisria, incluindo autonomia administrativa, oramentria e financeira da entidade reguladora e da transparncia, tecnicidade, celeridade e objetividade das decises46. O art. 22. da Lei n 11.445/07 estabelece como objetivos da regulao: I - estabelecer padres e normas para a adequada prestao dos servios e para a satisfao dos usurios; II - garantir o cumprimento das condies e metas estabelecidas; III - prevenir e reprimir o abuso do poder econmico, ressalvada a competncia dos rgos integrantes do sistema nacional de defesa da concorrncia; IV - definir tarifas que assegurem tanto o equilbrio econmico e financeiro dos contratos como a modicidade tarifria, mediante mecanismos que induzam a eficincia e eficcia dos servios e que permitam a apropriao social dos ganhos de produtividade. Note-se que esses objetivos dizem respeito ao planejamento e regulao dos servios, na medida em que tratam tanto da fixao de padres e normas relativas adequada prestao dos servios47 como garantia de seu cumprimento. Alm disso, a regulao inclui o controle econmico financeiro dos contratos de prestao de servios regulados, buscando-se a modicidade das tarifas, eficincia e eficcia dos servios e ainda a apropriao social dos ganhos da produtividade. Cabe ao titular dos servios de saneamento a adoo de parmetros para a garantia do atendimento essencial sade pblica, inclusive quanto ao volume mnimo per capita de gua para abastecimento pblico, observadas as normas nacionais relativas potabilidade da gua48. No que se refere aos direitos do consumidor, cabe ao titular dos servios fixar os direitos e os deveres dos usurios. Um ponto a destacar consiste na obrigao do titular estabelecer mecanismos de controle social, definido como o conjunto de mecanismos e procedimentos que garantem sociedade informaes, representaes tcnicas e participaes nos processos de formulao de polticas, de planejamento e de avaliao relacionados aos servios pblicos de saneamento bsico49. Cabe tambm ao titular estabelecer sistema de informaes sobre os servios, articulado com o Sistema Nacional de Informaes em Saneamento 50. Os sistemas de informaes se articulam com os planos, na medida em que fornecem informaes

46 Lei n 11.445/07, art. 21. 47 Segundo o art. 6, 1o da Lei n 8.97/95, servio adequado o que satisfaz as condies de regularidade, continuidade, eficincia, segurana, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestao e modicidade das tarifas. 48 Lei n 11.445/07, art. 9, III. 49 Lei n 11.445/07, art. 3, IV. 50 Lei n 11.445/07, art. 9, VII.

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sua elaborao e, ao mesmo tempo, so alimentados pelas novas informaes obtidas na elaborao desses planos. Cabe tambm ao titular dos servios intervir e retomar a operao dos servios delegados, por indicao da entidade reguladora, nos casos e condies previstos em lei e nos documentos contratuais. Na prestao regionalizada, as atividades de regulao e fiscalizao podero ser exercidas por rgo ou entidade de ente da Federao a que o titular tenha delegado o exerccio dessas competncias por meio de convnio de cooperao entre entes da Federao, obedecido o disposto no art. 241 da Constituio Federal e por consrcio pblico de direito pblico integrado pelos titulares dos servios 51. E, no exerccio das atividades de planejamento dos servios, o titular poder receber cooperao tcnica do respectivo Estado e basear-se em estudos fornecidos pelos prestadores52. Na prestao regionalizada, a entidade de regulao dever instituir regras e critrios de estruturao de sistema contbil e do respectivo plano de contas, de modo a garantir que a apropriao e a distribuio de custos dos servios estejam em conformidade com as diretrizes estabelecidas na Lei53. 3.3.4. Formas de Exerccio da Titularidade dos Servios

As atividades de regulao, prestao dos servios e seu controle, inerentes ao titular, podem ser efetuadas por ele ou transferidas a terceiros, pessoa jurdica de direito pblico ou de direito privado, conforme ser verificado adiante. O exerccio da titularidade consiste em uma obrigao. Por mais bvias que sejam as atividades necessrias para que se garanta o atendimento da populao, essas atividades devem estar descritas em uma norma ou em um contrato. Sem a fixao das atividades a serem realizadas, no h como exigir do prestador o seu cumprimento de modo objetivo. Essa uma crtica que se faz aos casos em que os servios so prestados diretamente pela municipalidade, por intermdio dos Departamentos de gua e Esgoto e das autarquias especialmente criadas por lei para a prestao desses servios. A questo que se coloca que o titular dos servios - Municpio - no estabeleceu as regras a serem cumpridas, nem mesmo nas leis de criao dos SAAES. Alm disso, em se tratando de rgos e entidades da administrao municipal, existe uma coincidncia entre o responsvel pela prestao dos servios e o responsvel pelo controle e fiscalizao. Cabe ponderar que raramente se encontra uma regulao municipal estabelecida para os servios nessas categorias. Na legislao aplicvel criao e implantao desse modelo DAE e SAAE -, no se cogitava de estabelecer a regulao nem fixar normas para a equao econmicofinanceira dos servios baseada na cobrana de tarifa e preos pblicos e muito menos51 Lei n 11.445/07, art. 15. 52 Lei n 11.445/07, art. 15, pargrafo nico. 53 Lei n 11.445/07, art. 18, pargrafo nico.

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a universalizao do acesso era tratada como uma meta a ser atingida obrigatoriamente. Da o estabelecimento, nos ltimos anos, de novos modelos institucionais de prestao dos servios e mesmo do exerccio da titularidade, com o objetivo de tornar mais eficiente a prestao dos servios de saneamento bsico. 3.3.4.1.Delegao Agncia Reguladora A Lei n 11.445/07 permite que a regulao de servios pblicos de saneamento bsico seja delegada pelos titulares a qualquer entidade reguladora constituda dentro dos limites do respectivo Estado, explicitando, no ato de delegao da regulao, a forma de atuao e a abrangncia das atividades a serem desempenhadas pelas partes envolvidas54. O Estado de So Paulo instituiu, pela Lei Complementar n 1.025, de 7-12-2007, regulamentada pelo Decreto n 52.455, de 7-12-2007, a Agncia Reguladora de Saneamento e Energia - ARSESP, entidade autrquica e vinculada Secretaria de Saneamento e Energia do Estado de So Paulo. Em relao ao Saneamento, cabe ARSESP regular e fiscalizar os servios de titularidade estadual, assim como aqueles, de titularidade municipal, que venham a ser delegados ARSESP pelos municpios paulistas que manifestarem tal interesse 55. Isso significa que, mesmo nos casos em que a titularidade dos servios de saneamento pertena aos municpios, como o caso vigente na UGRHI em estudo, podem esses entes celebrar convnio com ARSESP, no qual so delegadas a essa agncia as competncias do titular dos servios de saneamento no que se refere regulao e fiscalizao. No caso dos municpios que concederam os servios de saneamento gua e esgotamento sanitrio - SABESP, por contrato de programa, ou concesso a particular, esses entes podero celebrar convnio de cooperao com a ARSESP, mas no esto obrigados a faz-lo, pois o modelo flexvel. Apenas a Lei Complementar Estadual 1.025/07 exige, todavia, que a celebrao do convnio de cooperao seja precedida pela apresentao de laudo que ateste a viabilidade econmico-financeira dos servios56.

54 Lei n 11.445/07, art. 23, 1. 55 A ARSESP a nova denominao da Comisso de Servios Pblicos de Energia CSPE, que teve as suas competncias estendidas para o saneamento bsico. 56 Artigo 45 - Fica o Poder Executivo do Estado de So Paulo, diretamente ou por intermdio da ARSESP, autorizado a celebrar, com Municpios de seu territrio, convnios de cooperao, na forma do artigo 241 da CF/88, visando gesto associada de servios de saneamento bsico, pelos quais podero ser delegadas ao Estado, conjunta ou separadamente, as competncias de titularidade municipal de regulao, fiscalizao e prestao desses servios. 1 - Na hiptese de delegao ao Estado da prestao de servios de saneamento bsico, o prestador estadual celebrar contrato de programa com o Municpio, no qual sero fixadas tarifas e estabelecidos mecanismos de reajuste e reviso, observado o artigo 13 da Lei n 11.107/05, e o Plano de Metas Municipal de Saneamento. 2 - As tarifas a que se refere o 1 deste artigo devero ser suficientes para o custeio e a amortizao dos investimentos no prazo contratual, ressalvados os casos de prestao regionalizada, em que esse equilbrio poder ser apurado considerando as receitas globais da regio. 3 - As competncias de regulao e fiscalizao delegadas ao Estado sero exercidas pela ARSESP,... vedada a sua atribuio a prestador estadual, seja a que ttulo for.

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3.3.4.2. Delegao a Consrcio Pblico A figura do consrcio pblico encontra-se prevista no art. 241 da Constituio Federal 57 e seu regime jurdico foi fixado pela Lei n 11.107, de 6-04-2005, regulamentado pelo Decreto n 6.017, de 17-1-2007. Consrcio pblico pessoa jurdica formada exclusivamente por entes da Federao, na forma da Lei n 11.107/05, para estabelecer relaes de cooperao federativa, inclusive a realizao de objetivos de interesse comum, constituda como associao pblica, com personalidade jurdica de direito pblico e natureza autrquica, ou como pessoa jurdica de direito privado sem fins econmicos58. Somente podem participar como consorciados do consrcio pblico os entes Federados: Unio, Estados, Distrito Federal e Municpios, no podendo nenhum ente da Federao ser obrigado a se consorciar ou a permanecer consorciado. Sua constituio pode ocorrer de uma nica vez ou paulatinamente, mediante a adeso dos consorciados ao longo do tempo. No presente caso, os formatos podem ser: 1. Estado e Municpio e 2. somente municpios. Os objetivos do consrcio pblico so determinados pelos entes da Federao que se consorciarem59. Entre os objetivos do consrcio60 encontra-se a gesto associada de servios pblicos, que significa a associao voluntria de entes federados, por convnio de cooperao ou consrcio pblico, conforme disposto no art. 241 da Constituio Federal61. O consrcio pblico ser constitudo por contrato, cuja celebrao depender da prvia subscrio de protocolo de intenes62 o que envolve as seguintes fases: 1. subscrio de protocolo de intenes63; 2. publicao do protocolo de intenes na imprensa oficial64; 3. promulgao da lei por parte de cada um dos partcipes, ratificando, total ou parcialmente, o protocolo de intenes65 ou disciplinando a matria66 e 4. celebrao do contrato67.

4 - Quando o convnio de cooperao estabelecer que a regulao ou fiscalizao de servios delegados ao prestador estadual permaneam a cargo do Municpio, este dever exercer as respectivas competncias por meio de entidade reguladora que atenda ao disposto no artigo 21 da Lei n 11.445/07, devendo a celebrao do convnio ser precedida da apresentao de laudo atestando a viabilidade econmico-financeira da prestao dos servios. 5 - Na hiptese prevista no 4 deste artigo, a ARSESP poder atuar como rbitro para soluo de divergncias entre o prestador de servios e o poder concedente. 57 Art. 241. A Unio, os Estados, o Distrito Federal e os Municpios disciplinaro por meio de lei os consrcios pblicos e os convnios de cooperao entre os entes federados, autorizando a gesto associada de servios pblicos, bem como a transferncia total ou parcial de encargos, servios, pessoal e bens essenciais continuidade dos servios transferidos. Redao da EC n 19/98. 58 Decreto n 6.017/07, art. 2, I. 59 Lei n 11.107/05, art. 2. 60 Decreto n 6.017/07, art. 3, I. 61 Lei n 11.445/07, art. 3, II. 62 Lei n 11.107/05, art. 3. 63 Lei n 11.107/05, art. 3. 64 Lei n 11.107/05, art. 4, 5. 65 Lei n 11.107/05, art. 5. 66 Lei n 11.107/05, art. 4, 4. 67 Lei n 11.107/05, art. 3.

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O protocolo de intenes o contrato preliminar, resultado de uma ampla negociao poltica entre os entes federados que participaro do consrcio. nele que as partes contratantes definem todas as condies e obrigaes de cada um e, uma vez ratificado mediante lei, converte-se em contrato de consrcio pblico. 3.4. PRESTAO DOS SERVIOS: MODELOS INSTITUCIONAIS

O titular Municpio - pode prestar diretamente os servios de saneamento ou autorizar a delegao dos mesmos, definindo o ente responsvel pela sua regulao e fiscalizao, bem como os procedimentos de sua atuao68. Releva notar que a delegao de servio de saneamento bsico no dispensa o cumprimento pelo prestador do respectivo plano de saneamento bsico em vigor poca da delegao69. Desse modo, havendo qualquer ato ou contrato de delegao, cabe ao prestador cumprir o plano de saneamento em vigor na poca da edio desse ato ou mesmo contrato. No quadro jurdico-institucional vigente, os servios de saneamento so prestados segundo os modelos a seguir descritos. Em geral, a prestao de tais servios feita por pessoas distintas, muitas vezes em arranjos institucionais diferentes, dentro das possibilidades oferecidas pela legislao em vigor. Dessa forma, para tornar mais claro o texto, optou-se por tratar dos modelos institucionais e, em cada um, aborda cada tipo de servio, quando aplicvel. A prestao regionalizada de servios pblicos de saneamento bsico poder ser realizada por rgo, autarquia, fundao de direito pblico, consrcio pblico, empresa pblica ou sociedade de economia mista estadual, do Distrito Federal, ou municipal, na forma da legislao ou empresa a que se tenham concedido os servios 70. Os prestadores que atuem em mais de um Municpio ou que prestem servios pblicos de saneamento bsico diferentes em um mesmo Municpio mantero sistema contbil que permita registrar e demonstrar, separadamente, os custos e as receitas de cada servio em cada um dos Municpios atendidos e, se for o caso, no Distrito Federal71. 3.4.1. Prestao Direta pela Prefeitura Municipal

Os servios so prestados por um rgo da Prefeitura Municipal, sem personalidade jurdica e sem qualquer tipo de contrato, j que, nessa modalidade, as figuras de titular e de prestador dos servios se confundem em um nico ente o Municpio. A Lei n 11.445/07 dispensa expressamente a celebrao de contrato para a prestao de servios por entidade que integre a administrao do titular72. Os servios de abastecimento de gua e esgotamento sanitrio so prestados, em vrios Municpios, por Departamentos de gua e Esgoto, rgos da Administrao68 Lei n 11.445/07, art. 9, II. 69 Lei n 11.445/07, art. 19, 6o . 70 Lei n 11.445/07, art. 16. 71 Lei n 11.445/07, art. 18. 72 Lei n 11.445/07, art. 10.

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Direta Municipal. A remunerao ao Municpio, pelos servios prestados, efetuada por meio da cobrana de taxa ou tarifa. Em geral, tais servios restringem-se ao abastecimento de gua, coleta e ao afastamento dos esgotos. No h um registro histrico importante de tratamento de esgoto nesse modelo, situao que, nos ltimos anos, vem sendo alterada graas atuao do Ministrio Pblico fundamentada na Lei n 7.347, de 24/07/85, que dispe sobre a Ao Civil Pblica. Tampouco as tarifas e preos pblicos so cobrados com base em uma equao econmico-financeira estabelecida. Os servios relativos drenagem e ao manejo das guas pluviais urbanas so em geral prestados de forma direta por secretarias municipais. Os servios de limpeza urbana so prestados pelo rgo municipal, sem a existncia de qualquer contrato. 3.4.2. Prestao de Servios por Autarquias

A autarquia uma entidade da administrao pblica municipal, criada por lei para prestar servios de competncia da Administrao Direta, recebendo, portanto, a respectiva delegao. Embora institudas para uma finalidade especfica, suas atividades e a respectiva remunerao no se encontram vinculadas a uma equao econmico-financeira, pois no h contrato de concesso. Tampouco costuma se verificar, nas respectivas leis de criao, regras sobre sustentabilidade financeira ou regulao dos servios. Os SAAE Servios Autnomos de gua e Esgoto so autarquias municipais com personalidade jurdica prpria, autonomia administrativa e financeira, criadas por lei municipal com a finalidade de prestar os servios de gua e esgoto. 3.4.3. Prestao por Empresas Pblicas ou Sociedades de Economia Mista Municipais

Outra forma indireta de prestao de servios pelo Municpio a delegao a empresas pblicas ou sociedades de economia mista, criadas por lei municipal. Nesses casos, a lei o instrumento de delegao dos servios e ainda que haja, como nas autarquias, distino entre o titular e o prestador dos servios, tampouco existe regulao para os servios. 3.4.4. Prestao Mediante Contrato

De acordo com a Lei n 11.445/07, a prestao de servios de saneamento bsico, para ser prestada por uma entidade que no integre a administrao do titular, quer dizer, que no seja um DAE (administrao direta) ou um SAAE (administrao indireta), depende da celebrao de contrato, sendo vedada a sua disciplina mediante convnios, termos de parceria ou outros instrumentos de natureza precria. 73 No esto includos nessa hiptese os servios pblicos de saneamento bsico cuja prestao o Poder Pblico, nos termos de lei, autorizar para usurios organizados em73 Lei n 11.455/07, art. 10, caput.

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cooperativas ou associaes, desde que limitados a determinado condomnio, e localidade de pequeno porte, predominantemente ocupada por populao de baixa renda, onde outras formas de prestao apresentem custos de operao e manuteno incompatveis com a capacidade de pagamento dos usurios e os convnios e outros atos de delegao celebrados at 6-4-2005.74 3.4.4.1. Condies de Validade dos Contratos Para que os contratos de prestao de servios pblicos de saneamento bsico sejam vlidos, e possam produzir efeitos jurdicos, isto , o prestador executar os servios e a Administrao pagar de acordo com o que foi contratado, a lei impe algumas condies, relativas aos instrumentos de planejamento, viabilidade e regulao, alm do controle social. Em primeiro lugar, necessrio que tenha sido elaborado o plano de saneamento bsico, nos termos do art. 19 da Lei n 11.445/07. E de acordo com o plano elaborado, deve ser feito um estudo comprovando a viabilidade tcnica e econmico-financeira da prestao universal e integral dos servios, de forma a se conhecer o custo dos servios, ressaltando que deve se buscar a universalidade da prestao.75 A partir do plano e do estudo de viabilidade tcnica e econmico-financeira, preciso estabelecer as normas de regulao dos servios, devendo tais normas preverem os meios para o cumprimento das diretrizes da Lei de Saneamento e designar uma entidade de regulao e de fiscalizao76. A partir da, cabe realizar audincias e consultas pblicas sobre o edital de licitao, no caso de concesso, e sobre a minuta do contrato. Trata-se de uma forma de tornar pblicas as decises do poder municipal, o qual se submete, dessa forma, ao controle social77. Alm disso, os planos de investimentos e os projetos relativos ao contrato devero ser compatveis com o respectivo plano de saneamento bsico78, o que corresponde ao estabelecimento da equao econmico-financeira relativa aos servios. 3.4.4.2. Contrato de Prestao de Servios

Alm da exigncia, em regra, da licitao, a Lei n 8.666/93 estabelece normas especficas para que se faam o controle e a fiscalizao dos contratos, estabelecendo uma srie de medidas a serem tomadas pela Administrao ao longo de sua execuo. Tais medidas referem-se ao acompanhamento, fiscalizao, aos aditamentos, s notificaes, aplicao de penalidades, eventual resciso unilateral e ao recebimento do objeto contratado.

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Lei n 11.455/07, art. 10, 1.

75 Lei n 11.445/07, art. 11, II. 76 Lei n 11.445/07, art. 11, III. 77 Lei n 11.445/07, art. 11, IV. 78 Lei n 11.445/07, art. 112

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O acompanhamento e a fiscalizao da execuo dos contratos constituem poderdever da Administrao, em decorrncia do princpio da indisponibilidade do interesse pblico. Se em uma contratao esto envolvidos recursos oramentrios, dever da Administrao contratante atuar de forma efetiva para que os mesmos sejam aplicados da melhor maneira possvel. Quando a Administrao Pblica celebra um contrato, fica obrigada observncia das regras impostas pela lei, para fiscalizar e controlar a execuo do ajuste. Cabe ao gestor de contratos fiscalizar e acompanhar a correta execuo do contrato. A necessidade de haver um gestor de contratos definida expressamente na Lei no 8.666/93, em seu art. 67. Segundo esse dispositivo, a execuo do contrato dever ser acompanhada e fiscalizada por um representante da Administrao especialmente designado, permitida a contratao de terceiros para assisti-lo e subsidi-lo de informaes pertinentes a essa atribuio. Esse modelo utilizado, sobretudo, para a Limpeza Urbana. O modelo o de contrato de prestao de servios de limpeza coleta, transporte e disposio dos resduos -, poda de rvores, varrio, entre outros itens. No caso da Drenagem Urbana, as obras, quando no realizadas pelos funcionrios municipais, so realizadas por empresas contratadas de acordo com a Lei n 8.666/93. No caso do abastecimento de gua e esgotamento sanitrio, a complexidade da prestao envolve outros fatores, como o equilbrio econmico-financeiro dos contratos e a poltica tarifria, entre outros fatores, que remetem contratao por meio de modelos institucionais especficos. 3.4.4.3. Contrato de Concesso

Concesso de servio pblico o contrato administrativo pelo qual a Administrao Pblica delega a um particular a execuo de um servio pblico em seu prprio nome, por sua conta e risco. A remunerao dos servios assegurada pelo recebimento da tarifa paga pelo usurio, observada a equao econmico-financeira do contrato. O art. 175 da Constituio Federal estatui que incumbe ao Poder Pblico, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concesso ou permisso, sempre mediante licitao, a prestao de servios pblicos. De acordo com o seu pargrafo nico, a lei dispor sobre: 1. o regime das empresas concessionrias e permissionrias de servio pblico, o carter especial de seu contrato e de sua prorrogao, bem como as condies de caducidade, fiscalizao e resciso da concesso ou permisso; 2. os direitos d