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ANDREIA APARECIDA FERREIRA DA SILVA PÂRAMETRO QUANTITATIVO E QUALITATIVO DO PERCOLADO E DO SOLO NO CULTIVO DO PINHÃO MANSO (Jatropha curcas L.) ADUBADO COM DEJETOS DE SUÍNOS CASCAVEL PARANÁ BRASIL FEVEREIRO 2013

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ANDREIA APARECIDA FERREIRA DA SILVA

PRAMETRO QUANTITATIVO E QUALITATIVO DO PERCOLADO

E DO SOLO NO CULTIVO DO PINHO MANSO (Jatropha curcas L.)

ADUBADO COM DEJETOS DE SUNOS

CASCAVEL

PARAN BRASIL

FEVEREIRO 2013

ANDREIA APARECIDA FERREIRA DA SILVA

PARMETRO QUANTITATIVO E QUALITATIVO DO PERCOLADO

E DO SOLO NO CULTIVO DO PINHO MANSO (Jatropha curcas L.)

ADUBADO COM DEJETOS DE SUNOS

Dissertao apresentada Universidade Estadual do

Oeste do Paran, como parte das exigncias do

Programa de Ps-Graduao em Energia na

Agricultura para a obteno do ttulo de Mestre.

Orientador: Prof. Dr. Reginaldo Ferreira Santos

Co-orientador: Prof. Dr. Elisandro Pires Frigo

CASCAVEL

PARAN BRASIL

FEVEREIRO - 2013

Dados Internacionais de Catalogao-na-Publicao (CIP)

Biblioteca Central do Campus de Cascavel Unioeste

Ficha catalogrfica elaborada por Jeanine da Silva Barros CRB-9/1362

S586p

Silva, Andreia Aparecida Ferreira da

Parmetro quantitativo e qualitativo do percolado e do solo no cultivo do pinho manso (Jatropha curcas L.) adubado com dejetos de sunos. / Andreia Aparecida Ferreira da Silva Cascavel, PR: UNIOESTE, 2013.

Orientador: Prof. Dr. Reginaldo Ferreira Santos

Co-orientador: Prof. Dr. Elisandro Pires Frigo Dissertao (Mestrado) Universidade Estadual do Oeste do

Paran. Programa de Ps-Graduao Stricto Sensu em Energia na

Agricultura, Centro de Cincias Exatas e Tecnolgicas. Bibliografia.

1. Conservao de gua e solo. 2. Reuso de gua. 3. Percolado. I.

Universidade Estadual do Oeste do Paran. II. Ttulo. CDD 21.ed. 636.4

ii

iii

Dedico aos meus pais Joo e Terezinha e ao Sr. Jos Ferreira da Silva (in memoriam) que

compartilharam dos meus ideais, incentivando-me sempre a seguir em frente, fossem quais

fossem os obstculos; a vocs que mesmo longe dos olhos mantiveram-se sempre bem perto

do corao, lutando comigo, dedico essa conquista com a mais profunda admirao e

respeito.

iv

AGRADECIMENTOS

A Deus, por me conceder o dom da vida, por ser inspirao, orientao, fora, estmulo e por

me livrar dos perigos da estrada.

A minha Famlia pelo apoio incondicional em todos os momentos da minha vida.

Ao Prof. Dr. Elisandro Pires Frigo, por compartilhar comigo seu conhecimento, por ter sido

amigo, alegrando-se com minhas conquistas e apoiando-me nos momentos mais difceis, por

todo carinho a mim dispensado... Muito obrigada.

Ao Prof. Dr. Reginaldo Ferreira Santos, por todo aprendizado e confiana em mim

depositada.

Ao amigo Mauricio Guy de Andrade, por sua amizade leal e verdadeira e por no me deixar

desistir de viver.

Aos amigos Thiago Edwiges, Luiza Haas, Luiz Incio Chaves, Mireille Sato e Soni Beltrame,

pela troca de experincias, por todo conhecimento compartilhado e amizade construda.

Ao grande amigo Srgio Ferreira da Silva, por todas as alegrias e tristezas vividas durante o

tempo em que estivemos juntos e por ter me ensinado a ir busca dos meus sonhos.

A todos os professores do Programa de Ps-Graduao Mestrado em Energia na Agricultura,

pelos ensinamentos transmitidos, em especial ao Prof. Jair Siqueira, por ter me incentivado a

continuar nos momentos que pensei em desistir

A Secretaria da Coordenao de ps-graduao, em especial Vanderlia Luzia Stockmann

Schmidt e Tatiane Alves Pidorodeski, pela amizade, incentivo e ateno.

Aos Professores Jian Pires Frigo, Jonathan Dieter e ao Angelo Mari pela ajuda na realizao

das anlises estatsticas.

v

A direo, equipe pedaggica e funcionrios do Colgio Agrcola Estadual Adroaldo Augusto

Colombo Palotina/PR, em especial a Eng. Agrnoma Mara Luci Ortolan, pelo apoio

incondicional na realizao deste trabalho.

Aos alunos de Iniciao Cientifica Junior do CAEAAC, Bruno Marcos Nunes Cosmo, Arno

Schneider Neto, Roger Tiete Jesuno e Matheus Thom, por todo o empenho neste trabalho.

Aos meus sempre alunos e com certeza amigos Ivan Ricardo Franzoi, Solange Orives Batista,

Solange Jardim, Robson, Flavia Fernanda, Junior Franzoi, Aurea Mariliza e Mariana

Campana Adriano.

A querida diretora e amiga Dulce Jander Chimene, por toda compreenso e pacincia que

dispensou a mim durante a realizao deste, pelos sbios conselhos e ensinamentos que com

certeza levarei por toda minha vida... Muito obrigada.

Aos sempre amigos da CRTE/NRE Umuarama, Claudinia Berto, Daiane Trevisan, Mrcia

Higashi, Edna Vry, Fbio Canonico, Cislaine Ratti, Renato Alessandro, Alessandro

Constantino e Celo Luiz Arajo, por terem compartilhado comigo o incio desta conquista.

Aos amigos professores, pedagogos e funcionrios do Colgio Estadual Professor Paulo

Alberto Tomazinho, pelo apoio e estmulo, em especial minhas queridas amigas Leila Barion,

Neusa Leonel, Anita Batista, Lucimara Faria, Val Arajo, Yara Navarro e Dona Snia.

Ao Marcelo Arenas por todo carinho e apoio.

A estrada, minha sempre companheira...

Aos anjos que encontrei pelo caminho que direta ou indiretamente me ajudaram nesta

conquista...

Muito obrigada!

vi

LISTA DE FIGURAS

Figura 1. Evoluo anual da produo mundial de carne. .......................................................... 3

Figura 2. Gerao de Dejetos Sunos.......................................................................................... 6

Figura 3. Vista area do CAEAAC Palotina/PR. .................................................................. 17

Figura 4. Lismetro ................................................................................................................... 19

Figura 5. Esquema de distribuio dos lisimetros ................................................................... 20

Figura 6. rea de cultivo de pinho manso (Jatropha curcas L). ............................................ 21

Figura 7. Distribuio dos tratamentos nas parcelas. ............................................................... 22

Figura 8. Delimitao e identificao das parcelas no experimento. ....................................... 23

Figura 9. Precipitao Mdia .................................................................................................... 25

Figura 10. Temperatura Mdia ................................................................................................. 25

Figura 11. Amostras do percolado ............................................................................................ 26

vii

LISTA DE TABELAS

Tabela 1. Produo mundial de carne suna (mil t -1

em equivalente-carcaa). ......................... 4

Tabela 2. Produo brasileira de carne suna 2007 a 2011. ..................................................... 4

Tabela 3. Municpios paranaenses produtores de sunos em 2010. ............................................ 5

Tabela 4. Produo mdia diria de dejetos lquidos das fases produtivas dos sunos. ............. 7

Tabela 5. Atributos fsico-qumicos de gua residuria de sunos. ............................................ 8

Tabela 6. Densidade do solo, microporosidade, macroporosidade e porosidade do solo. ....... 18

Tabela 7. Caracterizao qumica do solo da rea experimental. ............................................. 18

Tabela 8. Quantidade de ARS em cada tratamento. ................................................................. 22

Tabela 9. Caracterizao da gua residuria de suinocultura. .................................................. 23

Tabela 10. Valores mdios para acidez no solo na primeira aplicao .................................... 28

Tabela 11.Comparao dos valores mdios para acidez no solo aps a segunda aplicao .... 29

Tabela 12. Valores mdios para acidez no solo na terceira aplicao ...................................... 30

Tabela 13. Resumo da anlise de varincia para obteno dos valores de F para acidez do solo

aps as aplicaes de ARS ....................................................................................................... 31

Tabela 14. Valores mdios para macronutrientes e formas ntricas do solo na primeira

aplicao ................................................................................................................................... 34

Tabela 15. Valores mdios para macronutrientes e formas ntricas do solo na segunda

aplicao ................................................................................................................................... 34

Tabela 16. Valores mdios para macronutrientes e formas ntricas do solo na terceira

aplicao ................................................................................................................................... 35

Tabela 17. Resumo da anlise de varincia para obteno dos valores de F para formas

ntricas e macronutrientes do solo aps as aplicaes de ARS ................................................ 36

Tabela 18. Valores mdios para micronutrientes do solo na primeira aplicao ..................... 40

Tabela 19. Valores mdios para micronutrientes do solo na segunda aplicao ...................... 41

Tabela 20. Valores mdios para micronutrientes do solo na terceira aplicao ....................... 42

Tabela 21. Resumo da anlise de varincia para obteno dos valores de F para os

micronutrientes do solo aps as aplicaes de ARS ................................................................ 43

Tabela 22. Valores mdios para nitrognio, fsforo, magnsio, potssio, clcio, mangans,

cobre, ferro e zinco presentes no material percolado ............................................................... 46

viii

Tabela 23. Resumo da anlise de varincia para obteno dos valores de F da concentrao de

nitrognio, fsforo, mangans, cobre, ferro e zinco (mg L-1

) para o material percolado dos

lismetros sob tratamento de ARS ............................................................................................ 47

Tabela 24. Parmetros com probabilidade de ocorrncia em guas subterrneas .................... 48

ix

RESUMO

SILVA, Andreia A. F. MSc, Universidade Estadual do Oeste do Paran, fevereiro de 2013.

Parmetro quantitativo e qualitativo do percolado e do solo no cultivo do pinho manso

(Jatropha curcas L.) adubado com dejetos de sunos. Professor Orientador Dr. Reginaldo

Ferreira Santos; Professor Co-orientador Dr. Elisandro Pires Frigo.

A aplicao de dejetos via irrigao no solo uma forma de ciclar e disponibilizar nutrientes

s plantas, contudo, pode haver problemas de poluio, seja pelas altas quantidades aplicadas,

somados a relevos acidentados, ou mesmo pela ocorrncia de precipitaes pluviais em solos

com pouca cobertura e baixa permeabilidade. Dessa forma o objetivo do trabalho avaliar o

comportamento dos macronutrientes e micronutrientes presentes no solo e no percolado

quando da aplicao da gua residuria de suinocultura na cultura do pinho manso (Jatropha

curcas L.). O experimento foi desenvolvido no municpio de Palotina PR. As parcelas

experimentais foram projetadas e construdas numa rea de 900m2,

utilizando-se lismetros de

200 mm. A gua residuria foi analisada quimicamente de acordo com a metodologia de

APHA, AWWA e WEF (1998) e amostras do percolado foram coletadas aps a ocorrncia de

precipitao. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado com

repeties, sendo seis tratamentos com trs repeties. Os resultados submetidos anlise de

varincia com comparao de mdias pelo teste Tukey ao nvel de 5% de probabilidade. Para

verificao da normalidade dos dados e homogeneidade das varincias utilizou-se o software

livre Assistat, verso 7.6 beta. As doses de gua residuria de suinocultura foram na

proporo de 0, 40, 80, 120, 160 e 200 m3 ha

-1. Os estudos realizados nesta pesquisa

mostraram que o aumento das doses de gua residuria acima de 40m3ha

-1de suinocultura no

solo influenciam no aumento da concentrao de alguns elementos indispensveis para a

manuteno do solo como pH, MO, acidez potencial, nitrato e fsforo. As concentraes de

fsforo e mangans encontradas no percolado ficaram acima do valor mximo permitido pela

legislao ambiental para esses elementos em guas doces pertencentes a Classe 3. Os

resultados obtidos permitiram verificar que para a adubao de culturas principalmente as que

possuem alta capacidade de extrao de nutrientes, o comportamento dos macronutrientes e

micronutrientes presentes no solo e na gua residuria, a precipitao e a temperatura so

fatores que devem ser considerados.

Palavras-Chave: Conservao de gua e Solo; Reuso de gua; Percolado.

.

x

ABSTRACT

SILVA, Andreia A. F. MSc, Universidade Estadual do Oeste do Paran, February, 2013.

Quantitative and qualitative parameters of the leachate and soil in the cultivation of

jatropha (Jatropha curcas L.) fertilized with swine manure. Adviser Dr. Reginaldo

Ferreira Santos; Adviser Dr. Elisandro Pires Frigo

The application of manure in the soil through irrigation is a form of cycling and nutrient

availability to plants, however, there may be problems of pollution, either by high amounts

applied, plus the reliefs injured, or even the occurrence of rainfall in soils with poor coverage

and low permeability. Thus the aim of this study is to evaluate the behavior of macronutrients

and micronutrients in the soil and in leachate when the application of swine wastewater in the

culture of jatropha (Jatropha curcas L.). The experiment was conducted in Palotina - PR. The

experimental plots were designed and built in an area of 900m2, using lysimeters of 200 mm.

The wastewater was chemically analyzed according to the methodology of APHA, AWWA

and WEF (1998) and the leachate samples were collected after the occurrence of precipitation.

The experimental design was completely randomized with replications and six treatments

with three replications. The results were submitted to analysis of variance with comparison of

means by Tukey test at 5% probability. To verify data normality and homogeneity of

variances was used Assistat free software, version 7.6 beta. Doses of swine wastewater were

in the ratio of 0, 40, 80, 120, 160 and 200 m3 h-

1. The studies conducted in this study showed

that increasing doses of wastewater above 40m3ha

-1 of swine ground influence on increasing

the concentration of some factors required for maintaining the soil as pH, MO, acidity

potential, nitrate and phosphorus. The concentrations of phosphorus and manganese were

found in the leachate above the maximum allowed by law for these elements in environmental

freshwaters belonging to Class 3. The results obtained showed that for fertilization of crops

especially those with high nutrient uptake capacity, the behavior of macronutrients and

micronutrients in soil and wastewater, precipitation and temperature are factors that must be

considered.

Keywords: Soil and Water Conservation; Water Reuse; Leachate.

.

NDICE

LISTA DE FIGURAS .................................................................................................. vi

LISTA DE TABELAS ................................................................................................ vii

RESUMO.................................................................................................................... ix

1. INTRODUO ....................................................................................................... 1

2. REVISO DE LITERATURA ................................................................................. 2

2.1 ASPECTOS ECONMICOS DA SUINOCULTURA BRASILEIRA ........................... 2

2.2 GUA RESIDURIA DE SUINOCULTURA .............................................................. 6

2.3 APLICAO DE GUA RESIDURIA DE SUINOCULTURA E IMPACTOS

AMBIENTAIS........................................................................................................................ 8

2.4 PINHO MANSO (Jatropha curcas L.) ...................................................................... 14

3. MATERIAL E MTODOS ..................................................................................... 17

3.1 INSTALAO DO EXPERIMENTO ........................................................................... 17

3.2 IMPLANTAO DA CULTURA ................................................................................ 21

3.3 DESCRIO DOS TRATAMENTOS .......................................................................... 21

3.4 APLICAO DA GUA RESIDURIA SUNA........................................................ 23

3.5 COLETA E ANLISE DO SOLO ................................................................................. 24

3.6 DADOS PLUVIOMTRICOS....................................................................................... 24

3.7 COLETA DO MATERIAL PERCOLADO ................................................................... 26

3.8 DELINEAMENTO ESTATSTICO .............................................................................. 27

4. RESULTADOS E DISCUSSES ............................................................................ 28

4.1 ANLISE DO pH, MATRIA ORGNICA E ACIDEZ DO SOLO ........................... 28

4.2 ANLISES PARA AMNIA (NH4+), FORMAS NTRICAS (NO3

- NO2

-) E

MACRONUTRIENTES DO SOLO ..................................................................................... 33

4.3 ANLISES PARA OS MICRONUTRIENTES DO SOLO (MANGANS, COBRE,

FERRO E ZINCO) ............................................................................................................... 40

4.4 ANLISE DO PERCOLADO ....................................................................................... 45

5. CONCLUSES ...................................................................................................... 52

6. REFERNCIAS BIBLIOGRFIAS ....................................................................... 53

1

1. INTRODUO

As guas subterrneas so fonte de abastecimento vantajosa para o homem quanto

explorao por apresentar baixo custo e boa qualidade. As ameaas a qualidade das guas no

Brasil e no mundo compreendem o crescimento populacional, a urbanizao, industrializao,

as formas de uso do solo, produo agropecuria, mudanas climticas e fontes de poluio

sejam elas pontuais e ou difusas.

Em inmeras propriedades rurais, principalmente naquelas destinadas a agricultura

familiar comum observar o lanamento de dejetos animais ao solo sem que se tenha

conhecimento da necessidade de nutrientes necessrios, tanto para o solo quanto para as

culturas. Quando se fala em uma maior eficincia em termos de produo inerente

considerar as necessidades nutricionais do solo e da planta, haja vista que em determinados

perodos se fazem necessrias vrias aplicaes e em doses elevadas podendo ocasionar

poluio difusa pelo escoamento superficial e lixiviado, desencadeando impactos ambientais e

econmicos na propriedade.

A poluio da gua subterrnea torna-se tambm um problema de contaminao de

gua superficial, pois a gua do subsolo em algum momento aflora a superfcie formando

nascentes e, consequentemente, constituindo os cursos de gua de superfcie. A aplicao de

dejetos via irrigao no solo uma forma de ciclar e disponibilizar nutrientes s plantas,

contudo, pode haver problemas de poluio, seja pelas altas quantidades aplicadas, somados a

relevos acidentados, ou mesmo pela ocorrncia de precipitaes pluviais em solos com pouca

cobertura e baixa permeabilidade.

Avaliar os parmetros pertinentes a sustentabilidade dos sistemas agropecurios de

produo faz-se extremamente necessrio, no somente do ponto de vista tecnolgico de

aumento da produo e produtividade, mas dos impactos ambientais que esta atividade pode

potencialmente gerar, buscando-se alternativas que possam ser viveis, econmica, social e

tecnicamente para a realidade da agricultura da regio afetada, integrando os sistemas

produtivos de forma a maximizar o lucro, gerando menor quantidade possvel de resduos, ou

seja, de poluio.

Dessa forma o objetivo do trabalho avaliar o comportamento dos macronutrientes e

micronutrientes presentes no solo e no percolado quando da aplicao da gua residuria de

suinocultura na cultura do pinho manso (Jatropha curcas L.).

2

2. REVISO DE LITERATURA

2.1 ASPECTOS ECONMICOS DA SUINOCULTURA BRASILEIRA

A suinocultura brasileira, a exemplo de outras cadeias produtivas do agronegcio,

cresceu significativamente, nos ltimos anos. Esse crescimento notado quando se analisa os

vrios indicadores econmicos e sociais, como volume de exportaes, participao no

mercado mundial, nmero de empregos diretos e indiretos, entre outros. Dentre os aspectos

relevantes do desenvolvimento deste setor pode-se destacar tambm a gerao de emprego e

renda, principalmente no mbito da mo de obra familiar, a possibilidade de maior produo

de alimentos e a diminuio do xodo rural (ABIPECS, 2011).

A importncia da participao da agricultura familiar na economia brasileira denota

relevncia pela produo de alimentos e pela ocupao em imveis rurais, dentre outros.

Assim, segundo dados do Ministrio do Desenvolvimento Agrrio (2011) a participao da

agricultura familiar representa mais de 84% dos imveis rurais do pas, com 4,1 milhes de

estabelecimentos no meio rural. Dos 80,25 milhes de hectares da agricultura familiar, 45%

so destinados a pastagens, 28% a florestas e 22% a lavouras.

Segundo o IBGE (2010), os estabelecimentos ligados agricultura familiar foram

responsveis por 40% do valor bruto da produo agropecuria e 80% das ocupaes

produtivas agropecurias. Na gerao de alimentos, a agricultura familiar responde por 70%

do feijo, 84% da mandioca, 59% dos sunos, 54% do bovino leiteiro, 49% do milho e 40%

das aves.

A produo de carne suna vem aumentando consideravelmente nos ltimos anos em

todo o mundo e o Brasil foi responsvel em 2011, por 3,2% da produo mundial,

representando 3,22 milhes de toneladas. Tal representatividade coloca o Brasil como quarto

maior produtor mundial, logo abaixo da China, Unio Europia e Estados Unidos (Tabela 1).

A suinocultura brasileira pressionada por uma populao que busca animais com menos teor

de gordura, tem apostado no melhoramento gentico com o cruzamento de raas puras e

tecnologias que dem uma melhor produtividade e que sejam viveis economicamente

(USDA, 2012).

O Brasil vem se sobressaindo em relao a outros pases na

produo e exportao de carne suna, tal competitividade se

3

evidencia quando comparada a ndices de outros pases produtores e

exportadores. Vrios fatores internos so responsveis pela alta

competitividade, atingido nos ltimos anos, alguns destes fatores a

serem considerados so os seguintes, a grande extenso territorial do

Brasil, a grande oferta de matria prima para a produo, como

insumos para alimentao dos porcos, avano tecnolgico deste setor

(GONALVES, 2006).

Os estados do Sul apresentam 50% da produo nacional de suinocultura,

contribuindo de forma considervel ao crescimento e desenvolvimento da economia brasileira

(Tabela 2). O Paran tido como um dos maiores produtores de carne suna do pas, O

rebanho estadual de 3,93 milhes de cabeas, sendo 1,21 de sunos comuns e 2,72 milhes

de sunos especializados cujo desfrute mdio de 68% e 144%, respectivamente. A produo

total de carne estimada em 350.571 toneladas anuais. O abate mensal inspecionado situa-se

entre 150 a 230 mil cabeas (ABIPECS, 2011).

A Figura 1 mostra a evoluo da produo mundial das quatro principais carnes em

milhes de toneladas.

Figura 1. Evoluo anual da produo mundial de carne.

Fonte: USDA (2011)

Segundo a Federao das Indstrias do Estado de So Paulo - FIESP (2012), no

escopo da produo de carnes, alguns aspectos devem ser cuidadosamente analisados no que

concerne produo de carnes. Possuir o maior rebanho no significa, propriamente, ser o

maior produtor de carne, o que no resulta tambm em maior criao de riqueza e valor ou

4

maior exportador, pois depende do acesso aos melhores mercados consumidores e da

capacidade de agregao de valor ao produto.

O rebanho paranaense encontra-se distribudo em 136.457 propriedades,

concentrando-se na regio Oeste do estado, destacando os municpios de Toledo, Marechal

Candido Rondon e Nova Santa Rosa (Tabela 3), considerando-se uma participao efetiva no

mercado de aproximadamente 38 mil produtores. A capacidade total de abate de 5,43

milhes de cabeas/ano, distribudas em 114 estabelecimentos, sendo 21 com inspeo federal

(SIF), 47 com inspeo estadual (SIP) e 46 apresentam inspeo municipal (SIM). Os

abatedouros com SIF respondem por 72% da capacidade de total de abate (EMBRAPA,

2012).

Tabela 1. Produo mundial de carne suna (mil t -1

em equivalente-carcaa).

Ano

Pas 2007 2008 2009 2010 2011

China 42.878 46.205 48.905 50.000 49.500

U. Europia 22.858 22.596 22.159 22.250 22.530

EUA 9.962 10.599 10.442 10.052 10.278

Brasil 2.990 3.015 3.130 3.170 3.227

Rssia 1.910 2.060 2.205 2.270 1.965

Vietn 1.832 1.850 1.850 1.870 1.960

Canad 1.746 1.786 1.789 1.756 1.753

Japo 1.250 1.249 1.310 1.280 1.255

Total 85.426 89.360 91.790 92.648 92.468 Fonte: USDA, 2011

Tabela 2. Produo brasileira de carne suna 2007 a 2011.

Estados/Ano 2007 2008 2009 2010 2011 Var 11/10

R. Grande. Sul 481,4 528,4 585,9 586,1 602,0

Santa Catarina 754,3 724,3 751,7 737,9 782,1 5,99

Paran 437,2 444,3 487,9 491,1 529,7

So Paulo 176,6 147,0 147,4 156,0 155,7 -0,16

Minas Gerais 335,5 348,1 375,0 397,1 428,0

Mato G. Sul 70,2 70,9 80,5 102,1 102,3 0,27

Mato Grosso 116,2 140,0 152,3 175,0 187,0

Gois 121,1 127,0 137,6 147,7 156,5 5,93

Sub Total 2.492,4 2.529,9 2.718,3 2.792,9 2.943,3 5,39

Outros Estados 151,1 154,1 154,4 164,2 176,5 7,52

Total Industrial 2.643,6 2.684,0 2.872,7 2.957,0 3.119,8 5,51

Subsistncia 354,0 342,4 317,3 280,5 278,0 -0,90

Brasil 2.997,6 3.026,4 3.190,0 3.237,5 3.397,8 4,95 Fonte: ABIPECS (2011); Sindicatos RS e PR (2012); EMBRAPA (2012).

5

Tabela 3. Municpios paranaenses produtores de sunos em 2010.

Municpios Plantel de sunos (cabeas)

Toledo 490.780

Arapoti 185.624

Castro 138.149

Marechal Candido Rondon 124.660

Nova Santa Rosa 124.400

Pira do Sul 105.447

neas Marques 102.280

Cascavel 87.598

So Miguel do Iguau 62.365

Palotina 51 900 Fonte: Produo Pecuria Municipal IBGE (2010).

Mesmo com toda relevncia socioeconmica, importante considerar que nas zonas

intensivas de produo, a suinocultura considerada uma atividade com baixa qualidade

ambiental, em face de elevada quantidade de contaminantes gerados pelos seus efluentes, o

que pode representar importante fonte de degradao do ar, dos recursos hdricos e do solo.

Em se tratando da suinocultura, verificou-se um aumento considervel das criaes

confinadas, visando o aumento da produtividade para atender as necessidades do mercado

consumidor de carne e derivados. Essa tendncia maximiza, ainda mais, o potencial poluidor

do setor, em virtude da elevada quantidade de dejetos produzida (CAMPOS et al., 2010).

Se por um lado o aumento no nvel dos confinamentos proporcionou alavancar saltos

de produtividade, por outro lado, nas ltimas dcadas, os atuais moldes da suinocultura tm

despertado a preocupao ambiental da sociedade devido ao grande impacto causado aos

recursos naturais pelo manejo inadequado dos resduos. As conseqncias dessa atividade

predatria resultam na exausto de muitos recursos naturais e na necessidade de repensar o

desenvolvimento de modelos adotados (KUNZ et al., 2009).

O crescimento da suinocultura tornou iminente a discusso sobre as questes da

sustentabilidade no seu processo produtivo, pois, a utilizao de matrias primas, gua,

energia, bem como a reciclagem de produtos, a destinao de refugos e dejetos, os cuidados

com a propagao de odores e rudos so elementos que urgem de ateno especial por parte

de todas as pessoas envolvidas na cadeia produtiva. No contexto social, est entre as

atividades do agronegcio com potencial de gerar emprego e renda, tanto para o setor rural

quanto para o agroindustrial (PROJETO GERAO DISTRIBUDA, 2009).

6

2.2 GUA RESIDURIA DE SUINOCULTURA

Os dejetos sunos so resduos escuros e com odor desagradvel. So compostos por

excrementos slidos e lquidos dos animais, juntamente com a gua utilizada para limpeza das

instalaes (GOSMANN, 1997), como mostra a Figura 2. A indstria suna produz efluentes

com alta carga orgnica devido a concentrao de animais em espaos confinados e uma

alimentao com alto teor de protenas que no totalmente assimilado pelos animais

(BARTHEL, 2007). Essa composio dos dejetos est associada ao sistema de manejo

adotado, que pode apresentar grandes variaes na concentrao dos elementos componentes,

dependendo da diluio qual foram submetidos e do sistema de armazenamento

(SCHULTZ, 2007).

Figura 2. Gerao de Dejetos Sunos

A produo anual de dejetos sunos no Brasil est estimada em 105,6 milhes de

metros cbicos. No entanto, somente 15% possuem destino adequado. Soma-se ainda, a

grande quantidade de gua utilizada em algumas propriedades, onde o manejo dos dejetos na

limpeza das unidades produtoras e feito por diluio com gua, apresentando-se um cenrio

insustentvel frente a crescente demanda pelo uso dos recursos hdricos As condies

ambientais das granjas sofreram mudanas, mais por uma presso legal, a partir da exigncia

de licenciamentos, do que pelo aumento da conscientizao de produtores e agroindstrias

(VELHO, 2011).

Os dejetos sunos so constitudos por fezes e urina dos animais, alm de gua

desperdiada em bebedouros e higienizao, resduos de rao, plos, poeira e outros

materiais decorrentes do processo criatrio (OLIVEIRA, 2006). Os dejetos podem apresentar

grandes variaes em seus componentes, principalmente na quantidade de gua e nutrientes,

7

dependendo do sistema de manejo adotados. Alm da grande quantidade de matria orgnica

presente nesses resduos pode-se verificar tambm nitrognio, fsforo, potssio, clcio, sdio,

magnsio, mangans, ferro, zinco, cobre e outros nutrientes includos nas dietas dos animais

(LEITE et al., 2004).

Os rejeitos dirios de um suno representam 25 a 30 gramas de Nitrognio e 23

gramas de polifosfatos (P2O5). Na frao liquida dos dejetos, o nitrognio e o fsforo esto

presentes na proporo de 85% e 15%, respectivamente, do seu contedo total. O nitrognio

aparece principalmente na forma solvel e o fsforo na forma particulada (GODOS et al.,

2009).

O que define o grau de diluio dos dejetos e suas caractersticas fsico-qumicas o

sistema de produo utilizado em cada granja ou propriedade. No entanto podem ocorrer

diferenas na composio dos dejetos em funo das variaes como idade dos animais,

manejo, alimentao e tipo de estocagem (CASTAMANN, 2005). Em termos gerais, cada

litro de gua ingerida por sunos resulta em 0,6 litros de dejeto (OLIVEIRA, 1995).

Estudos realizados por Konzen et. al., (2003), demonstraram que a quantidade de

dejeto lquido produzido por um suno varia de sete a nove litros dia-1

para animais nas fases

de crescimento e terminao com peso aproximado de 25 a 100 kg, porm o mais agravante

ocorre em matrizes em lactao que produzem 6,4 kg-1

de esterco, mas o total de dejetos

lquidos produzidos de 27 litros matriz-1

dia-1

segundo a Tabela 4.

Tabela 4. Produo mdia diria de dejetos lquidos das fases produtivas dos sunos.

Categoria Esterco Esterco + Urina Dejeto lquido

Kg dia-1

Kg dia-1

Litro dia-1

Suno 25 a 100 kg 2,30 4,90 7,00

Porcas em gestao 3,60 11,00 16,00

Porcas em lactao 6,40 18,00 27,00

Cachao 3,00 6,00 9,00

Leites na creche 0,35 0,95 1,40

Mdia 2,35 5,8 8,60 Fonte: Instituto Ambiental do Paran (2009)

Em funo de suas caractersticas qumicas, os dejetos lquidos de sunos apresentam

um alto potencial fertilizante, podendo substituir, em parte ou totalmente, a adubao qumica

e contribuir significativamente para o aumento da produtividade das culturas e a reduo dos

custos de produo (SCHERER, 1999). No entanto, a aplicao excessiva pode causar a

contaminao das guas.

8

Segundo Perdomo et al., (2001), Oliveira (2006), o dejeto lquido de sunos contem

matria orgnica, nitrognio, fsforo, potssio, clcio, magnsio, sdio, mangans, ferro,

zinco, cobre e outros elementos includos nas dietas dos animais. Na tabela 5 esto

apresentadas caracterizaes de gua residuria suna segundo alguns autores.

Tabela 5. Atributos fsico-qumicos de gua residuria de sunos.

Autores Atributos

pH N P K Ca Mg Zn Cu

dS m-1 mg L

-1

TESSARO (2009) 7,9 338,8 211 440 2,25 0.95 76,50 12,5

DIETER (2009) 7,95 631,4 171 182 1,02 0,43 4,26 0,42

MENEGHETTI (2010) 7.70 1745 171 150 3450 7,50 0,38 0,06 Fonte: TESSARO (2009); DIETER (2009); MENEGUETTI (2010)

As diferenas climticas de cada regio e a sazonalidade tambm influenciam na

determinao das caractersticas das dejees sunas.

2.3 APLICAO DE GUA RESIDURIA DE SUINOCULTURA E IMPACTOS

AMBIENTAIS

Atualmente, a gua disponvel no ambiente utilizada de forma intensiva, em todos

os contextos climticos, sendo que mais da metade da populao mundial se abastece com

gua extrada do manancial subterrneo (UNESCO, 2012). A partir da Conferncia de Mar

del Plata em 1977, a gua subterrnea foi internacionalmente reconhecida como reserva de

valor estratgico para abastecimento domstico, em especial nas regies em desenvolvimento

ou emergentes. No obstante a crescente importncia alcanada como fonte de abastecimento

pblico, predominou a abordagem extrativista, com base em experincias conduzidas em

diversos pases ou regies, cujas realidades hidrogeolgicas, sociais, econmicas e culturais

so, por vezes, muito diferentes (REBOUAS, 2006).

No Brasil, a utilizao da gua subterrnea tem crescido nas ltimas dcadas, ainda

que em menor grau que as superficiais. Tucci & Cabral (2003) descreveram que h cerca de

300 mil poos tubulares em operao no pas, sendo perfurados mais de 10 mil poos por ano,

utilizados para os mais diversos fins, como o abastecimento humano, a irrigao, indstria e o

9

lazer. Em 2010 no Brasil, segundo dados do IBGE, 15,6 % dos domiclios utilizavam,

exclusivamente, gua subterrnea, 77,8 % usa rede de abastecimento de gua e 6,6 % usam

outras formas de abastecimento.

Esta crescente utilizao pode comprometer a disponibilidade de gua tanto

superficial quanto subterrnea, ambas esto suscetveis a poluio produzida pelas diversas

atividades antrpica. Porm, uma vez poludas, o processo para despoluio bem mais lento,

alm de exigir tcnicas mais elaboradas e onerosas. Entre os fatores que interferem na

qualidade de guas, destacam-se: construo inadequada dos poos, a disposio de resduos

slidos no solo nas proximidades da rea de recarga do aqfero, a presena em locais

prximos de postos de combustveis e cemitrios e o uso de fertilizantes e agrotxicos nas

terras cultivadas na regio, a intruso salina e atividades agropecurias (MEDEIROS, 2012).

Dentre as atividades agropecurias que provocam impacto sobre a qualidade das

guas destaca-se a suinocultura intensiva, fato que tem levado ao desenvolvimento de

pesquisas sobre guas superficiais e subterrneas em reas de intensa produo suincola no

apenas no Brasil, mas em todo o mundo (EMBRAPA, 1998; SMITH et al., 2007; CERETTA

et al., 2005; BAKHSH et al., 2005).

O aumento do plantel na suinocultura e a concentrao desta atividade ao longo dos

anos tm levado a um acrscimo do volume do dejeto gerado e sua aplicao no solo como

fertilizante, muitas vezes em quantidades elevadas tem sido prejudicial ao solo, planta e guas

subsuperficiais e superficiais (PANDOLFO et al., 2008). Em reas tratadas com dejeto lquido

de sunos, a gua perdida por escoamento superficial pode conter quantidades significativas

de nitrognio e fsforo, elementos importantes sobre o ponto de vista nutricional de plantas,

mas que preocupam sob o ponto de vista ambiental pelo seu potencial poluente (SILVEIRA et

al., 2002).

A produo em larga escala agroindustrial da suinocultura proporciona uma grande

produo de dejetos, que costumeiramente so lanados ao solo como forma de descarte,

utilizando-o como meio filtrante, ou reutilizando tal resduo como fertilizante, sendo, s

vezes, a nica fonte de nutrientes para as culturas comerciais, amenizando os custos de

produo e conseqentemente aumentando o lucro das pequenas propriedades rurais

(NASCIMENTO, 2009).

Ceretta et al. (2005), afirmaram que a disposio sucessiva de gua residuria de

sunos por longos perodos numa mesma rea, pode ocasionar srios problemas com

contaminao de guas subsuperficiais e rios com nitrato e fsforo. Dieter (2009) relata que

10

as perdas de nitrognio e fsforo por escoamento nas concentraes observadas nos maiores

picos preocupam pela possibilidade de eutrofizao nos mananciais de gua.

Uma das causas da poluio das guas por dejeto suno est no fato do mesmo ser

lanado direto nos cursos de gua sem o devido tratamento, acarretando desequilbrios

ambientais e poluio, em funo da reduo do teor de oxignio dissolvido na gua,

contaminao com amnia e nitratos e a disseminao de microrganismos patognicos

(BENETTI et al., 2011)

Meneghetti (2010), concluiu que doses elevadas de gua residuria de suinocultura,

combinada coma adubao qumica, apresentaram desempenho indesejvel, pois contriburam

para a lixiviao do NO3-, ocasionando tambm aumento nas concentraes de metais com

potencial contaminante como cobre e zinco no solo e acumulo de fsforo disponvel.

Dessa forma nos ltimos anos as discusses dos dejetos gerados pela suinocultura

implicam tambm na discusso dos impactos ambientais causados por ela, provenientes das

elevadas quantidades de nutrientes, como o fsforo, por exemplo, que aplicado via dejetos,

excede a capacidade de exportao das culturas; no somente o fsforo, mas tambm outros

elementos presentes nos dejetos so acumulados no solo, como metais pesados, cuja aplicao

sucessiva de gua residuria e em grandes quantidades saturam os stios de adsoro

favorecendo sua transferncia para o meio aqutico via escoamento superficial ou percolao,

provocando a degradao da qualidade da gua e da vida da populao do entorno.

A aplicao de dejetos via irrigao no solo uma forma de ciclar e disponibilizar

nutrientes s plantas, contudo, pode haver problemas de poluio difusa, seja pelas altas

quantidades aplicadas, somadas a relevos acidentados, ou mesmo pela ocorrncia de

precipitaes pluviais em solos com pouca cobertura e baixa permeabilidade (SMANHOTO

et al., 2009).

Nos sistemas de tratamentos de efluentes em lagoas a ocorrncia de fsforo est na

forma de ons fosfato e apesar deste elemento ficar retido facilmente na superfcie e sub

superfcie do solo, devido a mudanas qumicas e adsoro, ainda pode ser um poluente das

guas subterrneas, ocasionado pelo processo de lixiviao do elemento que ficou livre na

soluo do solo (CANTER et al., 1987).

O material particulado contido no escoamento superficial a maior fonte de

poluio, pois elementos qumicos e nutrientes so associados eroso de partculas menores

de sedimento. Os poluentes ligados ao sedimento so carreados para os corpos dgua,

causando impactos como o assoreamento das margens dos corpos dgua, aumento da

11

poluio, da turbidez e da temperatura da gua, afetando negativamente a fauna e flora

aqutica (McDOWELL, 2001; SHARPLEY e HALVORSON, 2001; SHARPLEY et al.,

1995).

Anami et al. (2008) estudaram o processo de percolao de ons nitrato e fosfato em

coluna de solo e verificaram que o on nitrato apresentou elevado potencial de percolao, ao

contrrio do que ocorreu com o on fosfato, que apresentou baixo potencial de contaminao.

Como o clcio mais fortemente adsorvido que o amnio, potssio e magnsio, sua

percolao no to intensa e, na verdade, no chega a ser preocupante, em termos de perdas.

A aplicao de gua residuria de animais na superfcie do solo e a avaliao da

transferncia de elementos, como fsforo e nitrognio via escoamento superficial e percolao

para espelhos de gua superficial e guas subsuperficiais, tm sido temas de inmeros

trabalhos (BASSO et al., 2005; CERETTA et al., 2005). Entretanto, dados de transferncia de

metais pesados por percolao no solo so escassos, tornando-se necessrio o estudo sobre

taxas de aplicao de dejetos sunos no solo, para verificar as mais condizentes com a

reposio dos nutrientes retirados pela planta, sua contribuio para a conservao e a

fertilidade dos solos agrcolas e potencial poluidor, considerando o tipo de solo, as

caractersticas da gua residuria de suinocultura, as condies climticas da regio e a

cultura cultivada, assumem fundamental importncia (DAL BOSCO, 2007).

Brito et al. (2007) avaliando a qualidade do lixiviado de solos submetidos aplicao

de vinhaa, observaram que os ndices de condutividade eltrica no lixiviado aumentaram

com o aumento da aplicao sem, porm, apresentarem problemas de contaminao do lenol

fretico.

Com relao s propriedades fsicas do solo, Campelo (1999) verificou que a

aplicao de gua residuria da suinocultura com diferentes concentraes de slidos totais

(0; 0,3; 4,9; 16,3 e 27,7 g L-1

) em solo Podzlico Vermelho-amarelo provocou o selamento

superficial quando se realiza aplicaes com grandes taxas e concentrao de slidos totais

superior a 15 g.L-1

, adio de gua via dejeto e ao selamento da superfcie do solo pelas

finas partculas contidas no dejeto lquido de suno.

A presena de bactrias em regies contaminadas com o lixiviado elevada se

comparada a outros poluentes em geral. Anlises microbiolgicas de amostras de lixiviado

mostraram uma quantidade de coliformes totais da ordem de 104 CFU g

-1(unidades

formadoras de colnias por grama de amostra). Os microrganismos mais comuns presentes

12

nos lixiviado, alm das bactrias metanognicas e acetognicas, so espcies patognicas

(como coliformes fecais), bactrias redutoras e desnitrificantes (EDUARDO, 2007).

Questionamentos envolvendo a qualidade da gua em reas com intensiva aplicao

de resduo animal tm sido levantados em funo do grande potencial poluidor. A aplicao

de resduo animal em reas agrcolas normalmente baseada na necessidade de nitrognio.

Como conseqncia, o uso intensivo desses resduos aumenta os nveis de fsforo no solo

acima das necessidades agronmicas e, conseqentemente, eleva o potencial de perdas de

fsforo, o que acelera o potencial de eutrofizao de mananciais hdricos (PELES, 2007).

O manejo ineficiente e a prtica de lanar dejetos de forma indiscriminada na

natureza propiciaram srios desequilbrios, tais como a explorao intensiva do solo levando a

eroso e ao esgotamento; contaminao do solo por nitratos e minerais; contaminao dos

mananciais de gua (nitrato na gua subterrnea); disseminao de patgenos; reduo do teor

de oxignio dissolvido, entre outros (FLOTATS et al., 2009).

Uma melhor caracterizao do risco de poluio das guas subterrneas consiste, na

associao e interao da vulnerabilidade natural do aqfero com as atividades desenvolvidas

no solo ou em sub-superfcie. Por isso, extremamente importante, em estudos de

vulnerabilidade de aqferos, realizarem levantamentos das atividades potencialmente

contaminantes, uma vez que a carga poluidora pode ser controlada ou modificada; mas o

mesmo no ocorre com a vulnerabilidade natural, propriedade intrnseca do aqfero.

A preocupao com a poluio do ambiente uma das maiores ameaas

sobrevivncia e expanso da suinocultura nos grandes centros produtores. A suinocultura

como atividade potencialmente poluidora necessita de enfoque ambiental prprio,

dimensionado adequadamente para a atividade, no havendo possibilidade de importar

processos de outros segmentos, o que de certa forma foi negligenciado tendo em vista a

associao dos dejetos para aplicao na agricultura, na realidade a sada mais econmica e

mais fcil de ser executada pelo produtor (BLEY JUNIOR et al., 2009).

A legislao ambiental prev rigoroso controle da poluio hdrica, que deve ser

estendido aos efluentes gerados na suinocultura para que seja efetiva a proteo das guas no

territrio nacional, entretanto no existe no Brasil uma legislao especifica para a atividade

suincola, apenas instrumentos legais que auxiliam no ordenamento de sua atividade (SILVA,

2000).

Para compreender melhor as questes ambientais que envolvem a suinocultura

brasileira, convm entend-las como aquelas que dizem respeito aos aspectos legais da

13

propriedade e outros que dizem respeito ao controle dos impactos ambientais da produo

suincola, tais como:

Cdigo Florestal (Lei 4.771 de 15/09/1965), que prev a proteo de florestas

nativas, reservas legais e rea de preservao permanente. Bem como, todas

as propriedades rurais, edificaes da atividade suincola devem respeitar as

distancias mnimas de proteo ambiental.

Ao Civil Pblica (Lei 7.347 de 24/07/1985) trata da responsabilidade por

danos causados ao meio ambiente, ao consumidor e a bens e direitos de valor

artstico, esttico, histrico e turstico, podendo ser requerida pelo Ministrio

Pblico a pedido que qualquer pessoa ou por uma entidade constituda que

tenha pelo menos um ano de atividade.

Recursos Hdricos (Lei 9.433 de 08/01/1997), lei que institui a Poltica

Nacional de Recursos Hdricos e cria o Sistema Nacional de Recursos

Hdricos define a gua como recurso natural limitado dotado de valor

econmico, que pode ter usos mltiplos (por exemplo: consumo humano,

produo de energia, transporte aquavirio, lanamento de esgotos). A partir

dela, a gesto dos recursos hdricos passa a ser descentralizada, prev a

elaborao de planos diretores por bacia hidrogrfica, contando com a

participao do Poder Pblico, usurios e comunidades.

Licenciamento Ambiental (CONAMA, 237/97), refere-se a um instrumento de

controle e exerccio legal de atividades que de alguma forma interferem direta

ou indiretamente no ambiente como, por exemplo, a atividade suincola. A

Portaria n 01/92, de 27/10/1992 e o Decreto n 1.528, de 02/08/2000,

considera tal atividade como grande geradora de impactos ambientais,

exigindo seu licenciamento, alm de algumas exigncias que buscam prevenir

ou ainda corrigir efeitos negativos sobre o ambiente que por ventura possam

surgir.

14

Padres de Lanamento de Efluentes (CONAMA, 357/05), dispe sobre a

classificao dos corpos de gua e diretrizes ambientais para o seu

enquadramento, alm de estabelecer condies e padres de lanamento de

efluentes.

Considerando os aspectos da Lei 9.433/1997 como fundamentos, objetivos e

diretrizes gerais de ao da Poltica Nacional de Recursos Hdricos, afirmam que a produo

animal, principalmente em bacias hidrogrficas caracterizadas pelos sistemas de produo

intensiva, deve ser plenamente contemplada no contexto da gesto/regulao do uso dos

recursos hdricos. A questo que se acena, decorre tanto do fato do setor ser

significativamente dependente da disponibilidade hdrica em termos de qualidade e

quantidade, quanto ao fato do setor ter o elevado potencial de eutrofizao dos recursos

hdricos (OLIVEIRA, 2010).

2.4 PINHO MANSO (Jatropha curcas L.)

Nos ltimos anos possvel observar no contexto mundial, a grande mudana que

vem ocorrendo no que diz respeito matriz energtica, paralelo a isso notria a busca por

fontes mais limpas e renovveis de energia. O Brasil assim como outros pases, tem

desenvolvido pesquisas para obteno de fontes alternativas de gerao energia, um exemplo

a utilizao de leos vegetais para a produo do biodiesel.

O pinho manso (Jatropha curcas L.) vem se destacando entre as oleaginosas, como

alternativa potencial de matria prima para a produo de biodiesel. Mesmo o Brasil

apresentando condies edafoclimticas favorveis ao cultivo do pinho, China e ndia

lideram reas de cultivo da planta (FAILERSS, 2007).

Algumas caractersticas tm despertado o interesse para o cultivo do pinho e a

utilizao deste para fins energticos, dentre elas destaca-se o fato de que o leo produzido

facilmente convertido em biodiesel lquido e a torta resultante da prensa da semente pode ser

utilizada como fertilizante e o resduo orgnico submetido digesto para produo de biogs

(ACHTEN et al., 2008). O pinho manso uma cultura perene, que apresenta bom

desempenho no aproveitamento e recuperao de reas degradadas em funo de suas razes

profundas, apresentando tolerncia a seca e a baixa fertilidade do solo, alm de ser exigente a

15

insolao. A planta no utilizada para fins comestveis o que favorece a comercializao do

seu produto somente para fins energticos (ARRUDA et al., 2004; KUMAR e SHARMA,

2008).

Com relao descrio da planta, o pinho manso pertence famlia das

Euforbiceas, um arbusto grande de crescimento rpido, cuja altura pode atingir dois a trs

metros, podendo alcanar at cinco metros ou mais, em condies especiais, com dimetro do

tronco de 20 cm (CORTESO, 1956).

Cresce rapidamente em solos pedregosos e de baixa umidade. Possui razes curtas e

pouco ramificadas, caule liso, de lenho mole e medula desenvolvida, mas pouco resistente;

floema com longos canais que se estende at as razes, nos quais circula o ltex. O tronco ou

fuste dividido desde a base, em compridos ramos, com numerosas cicatrizes produzidas pela

queda das folhas na estao seca, as quais ressurgem logo aps as primeiras chuvas (YE et al.,

2009).

As folhas do pinho so verdes, esparsas e brilhantes, largas e alternadas, em forma

de palma com trs a cinco lbulos e pecioladas, com nervuras esbranquiadas e salientes na

face inferior. Florao monica, apresentando na mesma planta, mas com sexo separado. O

fruto seco deiscente, capsular, tricoca, com trs sementes e endocarpo lenhoso, a semente

ovalada endosprmica com envoltrio liso (NUNES et al., 2009).

O sistema radicular do pinho manso tem potencial para a conservao do solo, as

razes laterais, podem diminuir a eroso do solo, provocadas pelo vento ou gua devido ao

aumento na sua coeso. Tal caracterstica favorece a explorao da umidade localizada em

camadas subsuperficiais, o que pode ser uma importante propriedade em regies de pouca

disponibilidade hdrica, pois dever aumentar o acesso a gua (REUBENS et al., 2011).

Achten et al. (2008) afirma que a produtividade do pinho manso constitui uma

reposta fenotpica que depende do material gentico utilizado e do ambiente em que a mesma

cultivada. Dessa forma, difcil precisar valores de produtividade potencial do pinho

manso, pelo fato da espcie ainda no ser domesticada, ou seja, de no ter sido conduzido

nenhum programa consistente de melhoramento e tcnicas de cultivo e por fim por no

haverem estudos confiveis sobre a produtividade.

Embora seja uma espcie que sobrevive em condies de seca, adaptada semi-

aridez, exigente em calor e luminosidade, a garantia de produo dever ser maior com

irrigao e dosagem ideal de adubao. No entanto, pouco se conhece sobre fisiologia desta

planta; no existem cultivares definidas e alguns aspectos agronmicos ainda necessitam de

16

investigao como, por exemplo, a densidade ideal de plantas e a configurao de plantio

(BELTRO, 2006)

O pinho manso, pelo emprego do seu leo e possibilidade de uso na produo do

biodiesel, grande rusticidade, boa adaptao s variaes do meio ambiente e pelo papel que

pode exercer na proteo do solo, podendo ser cultivado, ainda, em consrcio com outras

culturas de importncia econmica como o amendoim, algodo entre outras, tem grande

importncia para o melhor aproveitamento agrcola no s da regio semi-rida como outras

regies, sendo uma opo para a economia local. O aumento das reas de plantio pode

contribuir com a efetivao da agricultura familiar, auxiliando na fixao de mo-de-obra na

zona rural pela gerao de emprego e fornecer matria prima para a indstria.

17

3. MATERIAL E MTODOS

3.1 INSTALAO DO EXPERIMENTO

O trabalho foi conduzido na rea experimental do Colgio Agrcola Estadual

Adroaldo Augusto Colombo CAEAAC, municpio de Palotina PR, cujas coordenadas

geogrficas so de 24 12 00 latitude sul, de 53 50 30 longitude oeste (Greenwich), com

altitude mdia de 332 metros (Figura 3).

Figura 3. Vista area do CAEAAC Palotina/PR.

Fonte: Google Earth (2012)

O clima da regio definido segundo a classificao de Kppen, como subtropical

mido (Cfa), com precipitao mdia anual de 1800 mm, com veres quentes e invernos frios

ou amenos. Geadas so freqentes no perodo mais frio, podendo acontecer no perodo entre o

fim de maio e o incio de setembro. O municpio apresenta temperatura mdia de 20 C e a

umidade relativa (UR) do ar mdia de 75% (IAPAR, 2000).

Segundo a EMBRAPA (2006), o solo classificado como Latossolo Vermelho

Eutrofrrico, de textura muito argilosa apresentando uma curva granulomtrica bem graduada,

http://pt.wikipedia.org/wiki/K%C3%B6ppenhttp://pt.wikipedia.org/wiki/Subtropical

18

ou seja, larga faixa de tamanhos de gros, com predominncia de partculas finas, com as

fraes: 60% de argila, 19% de silte e 21% de areia.

Na rea utilizada para a implantao do experimento foram determinadas a

densidade, macroporosidade, microporosidade e porosidade total do solo (Tabela 6), na

camada de 0 a 20 cm de pontos distintos da rea antes da instalao do experimento, segundo

o mtodo do anel volumtrico (EMBRAPA, 1997).

Tabela 6. Densidade do solo, microporosidade, macroporosidade e porosidade do solo.

Ponto de

amostragem

Densidade Microporosidade Macroporosidade Porosidade

total

g cm-3

% % %

Amostra 1 1,16 10,52 35,90 45,87

Amostra 2 1,19 8,89 36,27 46,92

Amostra 3 1,18 8,87 42,56 46,26 Fonte: Laboratrio Solo Frtil (2011)

A caracterizao qumica do solo foi realizada previamente a instalao do

experimento na camada de 0 a 20 cm segundo as metodologias descritas por Raij et al.,

(2001), Tedesco et al., (1995) e EMBRAPA (1997), sendo os resultados apresentados na

Tabela 7.

As amostras de solo tanto para a caracterizao fsica quanto qumica foram retiradas

das parcelas experimentais em pontos aleatrios, foram acondicionadas em sacos plsticos

individuais, identificadas e enviadas a AGRILAB Laboratrio de Anlises Agrcolas e

Ambientais, onde foram submetidas determinao de potencial hidrogeninico (pH), acidez

potencial (H+Al), matria orgnica (MO), potssio (K), clcio (Ca), magnsio (Mg),

alumnio (Al), Ferro (Fe), amnia (NH4), nitrato (NO3), cobre (Cu), zinco (Zn), boro (B) e

fsforo (P).

Tabela 7. Caracterizao qumica do solo da rea experimental.

Ponto de

Amostragem

Parmetros

pH H+Al MO K Ca Mg Al

gua mmolc dm-3 g dm

-3 mmolc dm

-3

Amostra 01 6,44 38 66 4,0 44 18 0,4

Amostra 02 6,35 42 77 4,0 52 21 0,0

Amostra 03 6,29 29 59 3,5 39 17 0,0

19

Continuao da Tabela 7 Caracterizao qumica do solo da rea experimental

NH4 NO3 Cu Fe Mn Zn B P

mg.dm-3

Amostra 01 14,0 19,6 23,2 11 150 5,6 0,31 19,2

Amostra 02 14,0 8,4 18,2 5 148 6,8 0,41 29,6

Amostra 03 8,4 5,6 18,9 17 107 4,0 0,25 20,1

Mdia 12,6 12,6 20,1 11 110 3,9 0,36 14,0 Fonte: AGRILAB Laboratrio de Analises Agrcolas e Ambientais (2011

O solo utilizado no experimento at o presente momento no havia recebido

nenhuma aplicao de dejetos. O experimento foi instalado e conduzido durante os meses de

dezembro de 2011 a junho de 2012.

As parcelas experimentais foram projetadas e construdas numa rea de cultivo de

pinho manso, localizada nas dependncias do Colgio Agrcola Estadual Adroaldo Augusto

Colombo - CAEAAC, rea esta que conta com 900 m2, utilizando-se de dezoito lismetros de

drenagem com capacidade de 200 mm cada, fixados no solo. Na instalao destes as bordas

dos lismetros ficaram a 0,6 m abaixo da superfcie do solo. No fundo de cada lismetro foi

montada um rede de distribuio constituda por um tubo de cloreto de polivinila (PVC) de 20

mm, acoplado a uma estrutura para coleta da gua filtrada, sendo uma garrafa de

politereftalato de etileno (PET) com capacidade de 2 L, como mostra a Figura 4.

Figura 4. Lismetro

20

No preenchimento dos lismetros foi colocada primeiramente uma camada de 10 cm

de brita com dimetro entre 1,0 e 1,5 mm. Acima foi colocada uma camada de 10 cm de areia,

tendo uma tela de material geotxtil na sua parte superior para proteo, em seguida,

completado por solo retirado do prprio local do experimento. Aps a parcela experimental

ser colocada no solo, a calha coletora foi acoplada na extremidade a favor do desnvel. Em

seguida procedeu-se a abertura de uma vala com declive para acomodao da mangueira

coletora que leva o percolado at o local de coleta.

A profundidade na qual a mangueira foi instalada foi de 0,6 m a 0,7 m e a trincheira

de 0,8 m a 1,00 metros. Quando da instalao dos lismetros, fez-se corte na rea com

escavao manual. Foram distribudos 18 lismetros na rea de cultivo de pinho manso

(Jatropha curcas L.), como mostra a Figura 5.

Figura 5. Esquema de distribuio dos lisimetros

Os lismetros foram distribudos em blocos, cada bloco com seis parcelas. A

distncia entre um lismetro e outro foi de aproximadamente trs a quatro metros.

21

3.2 IMPLANTAO DA CULTURA

A cultura usada no experimento foi o pinho manso (Jatropha curcas L), como

mostra a Figura 6. A cultura utilizada no experimento j apresentava aproximadamente cinco

anos de cultivo.

Figura 6. rea de cultivo de pinho manso (Jatropha curcas L).

3.3 DESCRIO DOS TRATAMENTOS

Os tratamentos empregados no experimento foram compostos por gua residuria de

suinocultura, sendo seis tratamentos, com trs repeties, totalizando 18 parcelas

experimentais com espaamento de 4m2 x 3m

2 e quatro plantas de pinho manso cada uma.

As doses de gua residuria de suinocultura foram na proporo de 0, 40, 80, 120, 160 e 200

m3 ha

-1.

22

A quantidade de gua residuria aplicada em cada uma das parcelas, distribudas em

trs aplicaes encontra-se na Tabela 8

Tabela 8. Quantidade de ARS em cada tratamento.

Tratamentos Quantidade de ARS

m3

ha-1

T1 0

T2 40

T3 80

T4 120

T5 160

T6 200

Os tratamentos foram distribudos de forma aleatria nas parcelas experimentais,

sendo estes divididos conforme representado na Figura 7.

P1 (T3) P2 (T6) P3 (T5)

P4 (T1) P5 (T2) P6 (T4)

P7 (T6) P8 (T1) P9 (T3)

P10 (T5) P11 (T4) P12 (T2)

P13 (T6) P14 (T3) P15 (T1)

P16 (T2) P17 (T5) P18 (T4)

*P = Parcela; T= Tratamento

Figura 7. Distribuio dos tratamentos nas parcelas.

As parcelas experimentais foram devidamente delimitadas e identificadas como

mostra a Figura 8.

23

Figura 8. Delimitao e identificao das parcelas no experimento.

3.4 APLICAO DA GUA RESIDURIA SUNA

A gua residuria de suno utilizada no experimento foi obtida de uma propriedade

rural localizada prxima ao CAEAAC. A gua residuria no recebia nenhum tipo de

tratamento, estando armazenada em esterqueira, a mesma era recolhida das baias onde se

encontravam sunos para engorda e terminao. Foram realizadas trs aplicaes de gua

residuria de suinocultura durante o perodo de instalao do experimento, para todos os

tratamentos, sendo que a primeira aplicao aconteceu no ms de dezembro de 2011, a

segunda aplicao no ms de maro de 2012 e a ltima aplicao em junho de 2012. Amostras

do dejeto foram coletadas antes de cada uma das aplicaes e, uma alquota de 500 mL era

retirada para sua caracterizao. Na Tabela 9 apresentada a caracterizao do dejeto lquido

de sunos.

Tabela 9. Caracterizao da gua residuria de suinocultura.

Aplicaes Parmetros

pH CE C. Org NO-3

+ NO2

P K Ca

1 8,40 5170 12,19 71,1 25,82 1160,0 837,0

2 7,97 3270 2,12 2,8 29,55 581,1 9,2

3 7,60 4060 2,55 26,3 14,47 410,0 13,7

24

*Todas as unidades em (mg L -1

), exceto para CE (dSm-1

)

A aplicao de gua residuria foi manual utilizando-se regadores de material PVC,

com capacidade de 10 litros. Esse procedimento foi feito em todo o experimento nas trs

aplicaes realizadas.

3.5 COLETA E ANLISE DO SOLO

Aps cada aplicao de dejeto suno foi feita coleta e anlise de solo de cada uma das

parcelas a fim de determinar as caractersticas qumicas do solo. Foram realizadas trs coletas,

totalizando as 54 amostras de solo, sendo estas na profundidade de 0 - 20 cm.

As amostras coletadas foram acondicionadas em sacos plsticos individuais

identificadas e, ento, enviadas ao laboratrio e submetidas determinao de pH, matria

orgnica (MO), alumnio (Al), boro (B), clcio (Ca), magnsio (Mg), fsforo (P), potssio

(K), acidez potencial (H+Al+3

), ferro (Fe), cobre (Cu), zinco (Zn), mangans (Mn), nitrognio

total NTK e N orgnico + amoniacal (NH4+ e NH3). As analises foram realizadas no

Laboratrio de Anlises Agrcolas e Ambientais AGRILAB/UNESP, de acordo com a

metodologias de Tedesco et al., (1995); Raij et al., (2001).

3.6 DADOS PLUVIOMTRICOS

Os dados referentes precipitao e temperatura foram disponibilizados pela Estao

Meteorolgica do Colgio Estadual Agrcola Adroaldo Augusto Colombo. Os dados de precipitao

e temperatura mdia durante a execuo do experimento so apresentados nas Figuras 9 e 10,

respectivamente, sendo estes considerados normais para a regio no perodo

Continuao da Tabela 9

Mg Na Cu Mn Zn Fe N Total

1 630,0 152,1 12,70 24,82 75,00 177 2151,3

2 14,1 95,0 0,13 0,04 0,40 5,62 582,4

3 19,3 83,0 0,05 0,05 0,03 1,79 413,0

25

Figura 9. Precipitao Mdia

Figura 10. Temperatura Mdia

26

3.7 COLETA DO MATERIAL PERCOLADO

Aps as aplicaes do dejeto liquido suno, assim que ocorriam as primeiras

precipitaes, amostras do percolado atravs dos lismetros eram coletadas, quantificadas e

acondicionadas em frascos plsticos de 300 ml de capacidade (Figura 13), devidamente

lavados, identificados e mantidos temperatura de 4C, conforme CETESB (1987).

Figura 11. Amostras do percolado

Logo aps a instalao dos lismetros, no dia 03 de dezembro de 2011 foi realizada a

primeira aplicao de ARS. A primeira coleta do percolado aconteceu 37 dias aps sucessivas

precipitaes no perodo. A segunda aplicao de ARS aconteceu no dia 03 de maro, houve

um perodo de estiagem, e em seguida grande precipitao, em seguida realizou-se a coleta do

percolado, 53 dias depois da segunda aplicao de ARS. A ltima aplicao aconteceu em 01

de junho de 2012, sendo o percolado coletado 22 dias aps a terceira aplicao.

27

As amostras do percolado foram enviadas ao AGRILAB Laboratrio de Analises

Agrcola e Ambiental, para determinao dos teores de nitrognio, fsforo, magnsio, zinco,

cobre e ferro, conforme APHA, AWWA &WEF (1998) e TEDESCO et al., (1995).

3.8 DELINEAMENTO ESTATSTICO

O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado com

repeties, sendo seis tratamentos com trs repeties. Os resultados submetidos anlise de

varincia com comparao de mdias pelo teste Tukey ao nvel de 5% de probabilidade. Para

verificao da normalidade dos dados e homogeneidade das varincias utilizou-se o software

livre Assistat, verso 7.6 beta.

28

4. RESULTADOS E DISCUSSES

4.1 ANLISE DO pH, MATRIA ORGNICA E ACIDEZ DO SOLO

Na tabela 10 so apresentados os valores mdios dos parmetros relacionados

acidez do solo, como potencial hidrogeninico (pH), matria orgnica (MO), alumnio (Al) e

alumnio trocvel (H+Al

+3), em funo dos tratamentos na primeira aplicao de ARS

realizada.

Tabela 10. Valores mdios para acidez no solo na primeira aplicao

rea

experimental

Parmetros

pH MO Al H+Al

gua g dm-3

mmolc dm-3

6,36 17,25 0,4 36

1 ARS

pH C. Org Al H+Al

gua g dm-3

mmolc dm-3

8,4 12,19 ----- -----

Tratamentos

(m 3

)

1 Aplicao

Parmetros

pH MO Al H+Al

gua g dm-3

mmolc dm-3

0 5,71 a 27,51a 0,83a 49,81a

40 5,90 a 25,76 a 0,69a 43,13a

80 5,75 a 26,07 a 0,69a 45,90a

120 5,78 a 23,86 a 1,11a 46,20a

160 5,88 a 23,56 a 0,83a 42,48a

200 5,70 a 24,78 a 0,56a 44,64a a no diferem estatisticamente entre si de acordo com o Teste de Tukey ao nvel

de 5% de probabilidade

Verifica-se que no houve diferenas estatsticas ao nvel de 5% para os tratamentos

na primeira aplicao quando comparados aos valores encontrados na caracterizao da rea

experimental e a gua residuria de suinocultura utilizada.

Observa-se que aps a aplicao de gua residuria de suinocultura, as parcelas que

receberam os diferentes tratamentos apresentaram uma pequena diminuio no pH do solo, j

29

a matria orgnica, o alumnio e a acidez potencial tiveram aumento nas suas concentraes

quando comparados aos valores iniciais, antes da aplicao da ARS, fato que se justifica pela

gua residuria de suinocultura utilizada apresentar-se altamente concentrada e no solo

apresenta-se repleta de grupos funcionais capazes de produzir efeitos sobre o pH do meio,

liberando H+ para o solo, acidificando-o.

Na tabela 11 so apresentados os valores mdios para os parmetros de pH, matria

orgnica, alumnio e acidez potencial presentes no solo aps a segunda aplicao de ARS, tais

valores so comparados aos encontrados anteriormente, na primeira aplicao e a ARS

utilizada.

Tabela 11.Comparao dos valores mdios para acidez no solo aps a segunda aplicao

Tratamentos

(m 3

)

1 Aplicao

Parmetros

pH MO Al H+Al

gua g dm-3

mmolc dm-3

0 5,72 27,51 0,83 49,81

40 5,90 25,76 0,69 43,13

80 5,75 26,07 0,69 45,90

120 5,78 23,86 1,11 46,20

160 5,88 23,56 0,83 42,48

200 5,70 24,78 0,56 44,64

2 ARS

pH C. Org Al H+Al

gua g dm-3

mmolc dm-3

7,97 2,12 ---------

Tratamentos

(m 3

)

2 Aplicao

Parmetros

pH MO Al H+Al

gua g dm-3

mmolc dm-3

0 5,40a 15,33a 2,93a 48,00a

40 5,32a 16,00a 2,73a 52,33a

80 5,45a 13,67a 2,10a 41,33a

120 5,53a 14,00a 1,70a 42,00a

160 5,24a 16,00a 2,93a 50,33a

200 5,57a 15,33a 1,70a 43,00a a indica que as mdias apresentadas no diferem estatisticamente entre si de acordo com o Teste de Tukey ao nvel de 5% de probabilidade.

No houve diferenas estatsticas ao nvel de 5% para os tratamentos na segunda

aplicao quando comparados aos valores encontrados na primeira aplicao de ARS, porm

observado pequenas variaes no valor do pH. A gua residuria de suinocultura utilizada

30

apresentava pH bsico (7,97), observou-se uma diminuio no pH pelo fato de que neste

perodo houve uma baixa precipitao pluviomtrica.

A Tabela 12 apresenta os valores mdios para acidez no solo aps a terceira

aplicao de ARS, comparando-os aos valores encontrados na segunda aplicao. Observa-se

que no houve diferenas estatsticas ao nvel de 5% para os tratamentos na terceira aplicao.

Tabela 12. Valores mdios para acidez no solo na terceira aplicao

Tratamentos

(m 3

)

2 Aplicao

Parmetros

pH MO Al H+Al

gua g dm-3

mmolc dm-3

0 5,40 15,33 2,93 48,00

40 5,32 16,00 2,73 52,33

80 5,45 13,67 2,10 41,33

120 5,53 14,00 1,70 42,00

160 5,24 16,00 2,93 50,33

200 5,57 15,33 1,70 43,00

3 ARS

pH C. Org Al H+Al

gua g dm-3

mmolc dm-3

7,60 2,55 - -

Tratamentos

(m 3

)

3 Aplicao

Parmetros

pH MO Al H+Al

gua g dm-3

mmolc dm-3

0 6,03a 26,00a 0,63a 43,33a

40 5,63a 28,00a 2,33a 50,00a

80 5,83a 28,00a 1,67a 41,00a

120 5,50a 23,33a 4,00a 52,33a

160 5,67a 22,00a 1,67a 32,33a

180 5,52a 23,00a 2,50a 47,33a a indica que as mdias apresentadas no diferem estatisticamente entre si de acordo com o Teste de Tukey ao nvel de 5% de probabilidade

Mesmo no havendo diferenas significativas nos valores apresentados, observam-se

pequenas variaes nos tratamentos da terceira aplicao em relao aos valores da segunda

aplicao, principalmente para matria orgnica, alumnio e acidez potencial. Variaes estas

que podem ser justificadas pelo acmulo das guas residurias aplicadas, pela composio da

ARS utilizada nesta etapa e pelos fatores climticos como precipitao e temperatura.

31

Na tabela 13 apresentado o resumo da anlise de varincia dos valores mdios de

pH, MO, Al e H+Al+3

, no solo aps as trs aplicaes de gua residuria de suinocultura.

possvel verificar os valores de F e o coeficiente de variao (CV) destes parmetros em

relao s aplicaes realizadas.

Tabela 13. Resumo da anlise de varincia para obteno dos valores de F para acidez do solo aps as

aplicaes de ARS

1 Aplicao

Parmetro Valores de F CV (%)

pH 0,0746** 9,26

MO 0,9525ns

10,30

Al 0,1884ns

99,90

H + Al+3

0,1318** 27,53 2 Aplicao

Parmetro Valores de F CV (%)

pH 1,3065 ns 3,50

MO 0,2677 ns 22,20

Al 0,9594 ns 44,32

H + Al+3

1,4764 ns 14,45 3 Aplicao

Parmetro Valores de F CV (%)

pH 0,9564 ns 6,32

MO 1,6611 ns 14,14

Al 1,8036 ns 68,10

H + Al+3

1,9061 ns 20,43 ** significativo ao nvel de 1% de probabilidade (p < .01); ns indica que o valor de F no

significativo ao nvel de 5% de significncia; CV = coeficiente de variao

Nota-se que o comportamento dos parmetros relacionados acidez no solo aps as

aplicaes de ARS de acordo com as repeties estabelecidas no variou muito em funo das

aplicaes de ARS realizadas, exceto o pH e a acidez potencial na primeira aplicao que foi

significativo a 1% no incio do experimento, tal caracterstica pode estar associada a grande

concentrao de matria orgnica presente na ARS aplicada e possivelmente devido a

produo de cidos orgnicos provenientes da decomposio da MO. Embora tenha um poder

tampo, a MO serve tambm como isolante, tendendo a acidificar o solo, devido a presena

de clcio (Ca) e magnsio (Mg), que ajudam manter o pH mais estvel, desencadeando certa

estabilidade no pH. Para a MO e o Al, os valores de F no foram significativos. A

homogeneidade dos dados segundo Pimentel Gomes (2000) pode ser considerada baixa para o

pH, pois o coeficiente de variao para este parmetro encontra-se abaixo de 10% (CV= 9,26)

32

e mdia para a MO e H + Al+3

, cujos coeficientes foram de 10,30 e 27,53, respectivamente.

Os dados para o Al apresentam-se heterogneos em funo do CV ser maior que 30 %

(GOMES, 1987).

Os valores de F para o pH, MO, Al e H+Al+3

, no solo aps a segunda aplicao de

ARS no foram significativos. Mesmo os valores de F para MO no sendo significativos

possvel observar uma pequena variao nos valores mdios nesta segunda aplicao, o que

pode ser explicado pelo fato de que a ARS utilizada encontrava-se altamente diluda no

momento da aplicao, aliado ainda a um longo perodo de estiagem, ocorrendo depois deste

evento a maior precipitao observada durante a realizao deste estudo (358,4 mm). A

homogeneidade dos dados segundo Pimentel Gomes (2000) pode ser considerada baixa para o

pH pois o coeficiente de variao para este parmetro encontra-se abaixo de 10% (CV= 3,50)

e mdia para a MO e H + Al+3

, cujos coeficientes foram de 22,20 e 14,45, respectivamente.

Os dados para o Al apresentam-se heterogneos em funo do CV ser maior que 30 %.

Na terceira aplicao os valores de F para o pH, MO, Al e H+Al+3

tambm no

foram significativos. A homogeneidade dos dados segundo Pimentel Gomes (2000) pode ser

considerada baixa para o pH pois o coeficiente de variao para este parmetro encontra-se

abaixo de 10% (CV= 6.32) e mdia para a MO e H + Al+3

, cujos coeficientes foram de 14.14e

20.43, respectivamente. Os dados para o Al (CV= 44,32) apresentam-se heterogneos em

funo do CV ser maior que 30 %.

Meneghetti (2010) encontrou resultados semelhantes analisando a acidez do solo

quando da aplicao de gua residuria de suinocultura tratada em lagoa de estabilizao na

cultura do minimilho, sendo que o pH do extrato aquoso do solo no variou em funo dos

tratamentos das doses de ARS, apenas houve alterao significativa no pH em resposta

adubao. Ainda a mesma autora o coeficiente de variao (CV) para o pH foi considerado

baixo (CV 7,36; 6;36 e 4,18%), indicando alta homogeneidade. Quanto a MO, a autora relata

que os valores de F no foram significativos para os fatores analisados e que apesar no

significativos, houve tambm variao nos valores mdios para os perodos observados.

Sampaio et al. (2009) trabalhando com aplicao de ARS sob condio de chuva

simulada observaram que no pH do solo no houve diferena estatstica pelo Teste de Tukey

a 5% de significncia entre os tratamentos (0, 100 e 200 m3 ha

-1) e verificaram uma pequena

variao no valor de pH em funo das taxas de ARS aplicadas. Dal Bosco, (2007)

trabalhando com a aplicao de ARS (0, 50, 100 e 150 m3 ha

-1) na cultura da soja verificou

que no houve diferena estatstica no pH do solo entre os tratamentos.

33

Sediyama et al. (2000) verificaram que a incorporao de matria orgnica nos

solos, na forma de esterco animal ou de compostos orgnicos, aumenta a capacidade de troca

catinica, diminui a densidade aparente e aumenta a porosidade. Ceretta et al. (2003)

afirmaram que a possibilidade de alterao no pH do extrato aquoso do solo com a aplicao

de ARS mnima e observaram que o pH praticamente no sofreu alterao quando da

aplicao de duas taxas de ARS (20 e 40 m3 ha

-1) em solo de pastagem.

Basso (2003) afirmou que aplicaes contnuas de ARS podem ocasionar

desequilbrio dos nutrientes no solo. A severidade do problema pode variar de acordo com o

tempo de aplicao, composio e quantidade de ARS aplicada. O tipo de solo e a capacidade

de extrao das plantas tambm so fatores que influenciam nas conseqncias da aplicao

de ARS.

4.2 ANLISES PARA AMNIA (NH4+), FORMAS NTRICAS (NO3

- NO2

-) E

MACRONUTRIENTES DO SOLO

Na tabela 14 so apresentados os valores mdios para o teor de amnia (NH4+),

nitrato nitrito (NO3- NO2

-) e dos macronutrientes sob tratamento de gua residuria de

suinocultura no solo e os valores destes mesmos elementos quando da caracterizao rea

experimental e da ARS utilizada.

As mdias encontradas para a amnia (NH4+), nitrato nitrito (NO3

- NO2

-) e os

macronutrientes fsforo (P), potssio (K), magnsio (Mg) e clcio (Ca), na primeira aplicao

no diferiram significativamente em relao aos valores encontrados na rea experimental e

na caracterizao da ARS utilizada, porm observa-se que na primeira aplicao de ARS os

maiores valores para o NH4+ aparecem quando as parcelas receberam o T3 (80 m

3 ha

-1) de

ARS, no caso do NO3- NO2

-), o T5 (160 m

3 ha

-1) e para os macronutrientes, clcio e fsforo o

T6 (200 m3 ha

-1); para o magnsio, T5 (160 m

3 ha

-1). Com exceo do potssio todos os

outros elementos analisados tiveram concentraes maiores que as observadas na

caracterizao da rea experimental. Tal fato pode ser justificado pela grande homogeneidade

presente na matria orgnica da ARS utilizada.

34

Tabela 14. Valores mdios para macronutrientes e formas ntricas do solo na primeira aplicao

rea

experimental

NH4 NO3-NO2

- P K Mg Ca

mg dm-3

mmolc dm-3

12,25 11,55 20,72 4,12 17,75 43,75

1 ARS N Total NO3-NO2

- P K Mg Ca

mg L

-1 mg L

-1

2151,3 71,1 25,82 1160 630 837

Tratamentos

(m 3

)

1

Aplicao

NH4 NO3-NO2

- P K Mg Ca

mg dm-3

mmolc dm-3

0 19,25a 29,17a 28,14a 4,17a 19,05a 50,30a

40 19,25a 38,50a 28,69a 3,73a 23,14a 49,03a

80 25,67a 44,33a 22,34a 3,10a 18,63a 47,77a

120 22,17a 35,00a 26,25a 3,63a 18,45a 46,00a

160 20,42a 56,00a 32,58a 3,50a 25,73a 54,23a

200 19,83a 51,33a 37,53a 3,91a 23,11a 54,43a a as mdias apresentadas no diferem estatisticamente entre si de acordo com o Teste de Tukey

ao nvel de 5% de probabilidade

Na tabela 15 apresentam-se os valores mdios para os teores de amnia, nitrato e

nitrito e macronutrientes presentes no solo aps a segunda aplicao de ARS, comparando-os

aos valores da primeira aplicao.

Tabela 15. Valores mdios para macronutrientes e formas ntricas do solo na segunda aplicao

Tratamentos

(m 3

)

1

Aplicao

NH4 NO3-NO2

- P K Mg Ca

mg dm-3

mmolc dm

3

0 19,25 29,17 28,14 4,17 19,05 50,30

40 19,25 38,50 28,69 3,73 23,14 49,03

80 25,67 44,33 22,34 3,10 18,63 47,77

120 22,17 35,00 26,25 3,63 18,45 46,00

160 20,42 56,00 32,58 3,50 25,73 54,23

200 19,83 51,33 37,53 3,91 23,11 54,43

2 ARS N Total NO3NO2

- P K Mg Ca

mg L-1

mg L-1

582,4 2,8 29,55 581,1 14,1

9,2

35

Tratamentos (m

3)

2 Aplicao

NH4 NO3-NO2

- P K Mg Ca

mg dm-3

mmolc dm3

0 15,80a 22,17a 7,10a 3,30a 14,00a 40,67a

40 14,63a 19,83a 24,67a 5,23a 15,67a 37,67a

80 16,97a 16,33a 9,23a 2,83a 14,33a 38,33a

120 13,47a 17,50a 8,00a 4,57a 15,33a 47,00a

160 13,47a 19,83a 9,20a 3,67a 14,00a 42,33a

200 13,47a 17,50a 13,13a 4,40a 19,00a 43,67a Letras minsculas iguais na linha no diferem estatisticamente entre si de acordo com o Teste de Tukey

ao nvel de 5% de probabilidade

Na Tabela 16 so apresentados os valores para os elementos do solo aps a terceira

aplicao de ARS em comparao aos valores encontrados na segunda aplicao e a ARS

utilizada.

Tabela 16. Valores mdios para macronutrientes e formas ntricas do solo na terceira aplicao

Tratamentos

(m 3)

2

Aplicao

NH4 NO3-NO2

- P K Mg Ca

mg dm-3

mmolc dm

3

0 15,80 22,17 7,10 3,30 14,00 40,67

40 14,63 19,83 24,67 5,23 15,67 37,67

80 16,97 16,33 9,23 2,83 14,33 38,33

120 13,47 17,50 8,00 4,57 15,33 47,00

160 13,47 19,83 9,20 3,67 14,00 42,33

200 13,47 17,50 13,13 4,40 19,00 43,67

3 ARS N Total NO3NO2

- P K Mg Ca

mg L-1

mg L-1

413,0 26,3 14,47 410,0 19,3 13,7

Tratamentos

(m 3)

3

Aplicao

NH4 NO3-NO2

- P K Mg Ca

mg dm-3

mmolc dm3

0 16,97a 20,47a 27,83a 3,93a 20,33a 44,00a

40 11,13ab 19,30a 24,40a 3,40a 14,67a 42,67a

80 11,13ab 21,63a 27,70a 2,60a 19,67a 48,33a

120 11,13ab 20,47a 20,10a 2,93a 16,33a 39,33a

160 9,97b 22,80a 18,83a 2,87a 17,00a 40,00a

200 9,97b 21,63a 22,00a 3,47a 17,33a 38,67a

36

a; ab no diferem estatisticamente entre si de acordo com o Teste de Tukey ao nvel de 5% de

probabilidade

Nota-se que aps a terceira aplicao de ARS, as mdias encontradas no diferiram

estatisticamente, porm observado variaes nas concentraes de alguns elementos. Os

maiores teores de nitrato foram observados nas parcelas que receberam o T5 (160 m3 ha

-1). O

fsforo, j o clcio apresentou suas maiores concentraes nas parcelas que receberam o T3

(80 m3 ha

-1), observando-se pequenas variaes entre os tratamentos.

Para a NH4, observa-se que as que receberam T2, T3 e T4 no foram suficientemente

diferentes, ou seja, no diferem estatisticamente dos outros tratamentos.

A Tabela 17 apresenta o resumo da analise de varincia dos valores mdios para os

teores de amnia (NH4+), nitrato (NO3

-NO2

-), fsforo (P), potssio (K), magnsio (Mg) e

Clcio (Ca), aps as aplicaes de gua residuria de suinocultura. possvel verificar os

valores de F e coeficiente de variao. Observa-se que para a maioria dos parmetros os

valores de F no foram significativos para os fatores analisados a 5%.

A amnia (NH4) nas duas primeiras aplicaes no apresentou valor significativo

somente na terceira aplicao que houve significncia a 5%, tendo um coeficiente de

variao mdio (CV 21,12). Os teores de nitrato no solo no variaram em funo do aumento

nas doses de ARS. O coeficiente de variao (CV) para os teores de nitrato foi considerado

baixo na primeira aplicao (CV 6,77) e mdio para a segunda e terceira aplicao (CV 20,52;

15,68), respectivamente, indicando mdia e baixa homogeneidade (PIMENTEL GOMES,

2000).

Na segunda aplicao houve um ligeiro aumento nos teores de nitrato e em seguida

diminuio para a terceira aplicao, o que permite inferir em alta mobilidade do nitrato que

segundo Ceretta et al. (2003) a alta mobilidade destas formas ntricas devido a baixa energia

envolvida na sua adsoro s partculas do solo pode resultar em perdas destes nutrientes.

Tabela 17. Resumo da anlise de varincia para obteno dos valores de F para formas ntricas e

macronutrientes do solo aps as aplicaes de ARS

1 Aplicao

Parmetro Valores de F CV (%) NH4 0,8240 ns 22,49

NO3-NO2

- 0,5457 ns 6,77

P 0,3040 ns 56,44

37

K 0,0975 * 54,81

Mg 0,3116 ns 4,80

Ca 0,4555 ns 18,08 2 Aplicao

Parmetro Valores de F CV (%) NH4 12,000 ns 15,95

NO3-NO2

- 0,9182 ns 20,52

P 1,4619 ns 79,41

K 1,2831 ns 34,04

Mg 0,7318 ns 25,03

Ca 0,5534 ns 19,54 3 Aplicao

Parmetro Valores de F CV (%) NH4 3,4000 * 21,12

NO3-NO2

- 0,4125 ns 15,68

P 0,3367 ns 47,48

K 0,6504 ns 32,76

Mg 0,3601 ns 34,78

Ca 1,0277 ns 14,79 *significativo ao nvel de 5% de probabilidade (p < .01); ns indica que o valor de F no

significativo ao nvel de 5% de significncia; CV = coeficiente de variao

Segundo BAYER (1996), a mineralizao do N orgnico do solo e das culturas

afetada por diversos fatores como temperatura e umidade e ainda pH, textura e mineralogia do

solo, o que pode explicar os teores de nitrato no se apresentarem to altos, considerando os

perodos de temperatura baixas e intensas precipitaes durante a realizao do estudo. A

lixiviao de nitrato para camadas profundas do solo, em que a planta no consegue absorver

o nitrognio e as possibilidades de contaminao das guas subterrneas tambm foram

evidenciadas por ANAMI et al. (2008) e MIYAZAWA et al. (2009).

Ingrid et al. (1997), confirmaram que doses de 60, 120 e 180 m3 ha

-1 de ARS,

resultou em um significativo acmulo de nitrato na zona radicular de centeio com perda de

nitrognio. No entanto, os autores mostraram que as perdas de azoto para escoamento pode

atingir 93,341 kg ha-1

sob irrigao e aplicao repetida a dose recomendada, podendo

ocasionar contaminao do solo e da gua. Chang e Entz (1996) avaliaram o efeito do uso

anual de guas residuais de bovino na agricultura em longo prazo e mostratam que os nveis

de aplicao e precipitao afetaram as concentraes de nitrato no solo.

Os valores de F para o fsforo no foram significativos a 5%, apesar de no

significativos, observa-se uma pequena variao na segunda aplicao, cujo coeficiente de

variao foi de 79,41%, indicando que os dados no so homogneos segundo PIMENTEL

38

GOMES (2000). possvel observar um decrscimo na segunda aplicao provocando um

aporte de fsforo no solo, em relao ao perodo inicial do estudo, podendo ser justificado

pelo fato de que o fsforo por ser de origem orgnica e de fcil decomposio acumula

primeiramente na forma orgnica e, em seguida, converte-se em inorgnico, devido

mineralizao microbiana (GABOTINI et al., 2008). Smanhotto (2008) e Meneghetti (2010),

aplicando gua residuria de suinocultura observaram eventos semelhantes a este, onde os

teores de fsforos aumentaram e em seguida decresceram no final do ciclo, evidenciando um

aporte de fsforo no solo.

Conforme Ceretta et al. (2005), o P apresenta uma baixa mobilidade no solo,

podendo apresentar um alto potencial de acmu