Paulo coelho - Maktub II.pdf

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!Ianlo coello MAL1LI II Ateno Este texto distribudo gratuitamente atravs da home page de Paulo Coelho. Ele no pode ser editado sob nenhuma forma. O autor detm todos os direitos do manuscrito em questo. DO 1I}OIO DO 1I}OIO DO 1I}OIO DO 1I}OIO Dniante nma viagem, iecebi nm ax de minla secietaiia. 'Iicon altando nm ti}olo de vidio paia a ieoima da cozinla' - dizia ela. 'fnvio o pio}ecto oiiginal, e o pio}ecto qne o pedieiio nsaia paia compensai a alta.' 2De nm lado, lavia o desenlo qne minla mnllei izeia: ileiias laimoniosas de ti}olos de vidio, com abeitnia paia a ventilaao. Do ontio lado, o pio}ecto qne iesolvia a alta de nm ti}olo: veidadeiio qnebia-cabeas, onde os qnadiados de vidio se mistniavam sem qnalqnei estetica. 'compiem o ti}olo qne alta', escieven minla mnllei. Assim oi eito. f o desenlo oiiginal oi mantido. Naqnela taide, iqnei pensando mnito tempo no ocoiiido; qnantas vezes, pela alta de nm simples ti}olo, detnipamos completamente o pio}ecto oiiginal de nossas vidas. DO Df8fk1O DO Df8fk1O DO Df8fk1O DO Df8fk1O Lm lomem laiga a vida mnndana e tiansoima-se em eimitao. Ionge do centio de decisoes politicas da epoca passa anos de sna vida tentando piepaiai o caminlo paia o Messias. Deine-se como 'a voz qne clama no deseito'. Nnm piimeiio momento, podemos pensai qne tal lomem - }oao Iaptista - nao teiia qnalqnei inlnencia em sna epoca. Mas a listoiia nos mostia o contiaiio: sna piesena oi nndamental na vida de }esns. Qnantas vezes nos sentimos como vozes qne clamam no deseito? Nossas palavias paiecem peidei-se no vento, nossos gestos apaientemente nao despeitam qnalqnei ieacao. }oao peisistin; cabe a nos azei o mesmo. As vozes qne clamam no deseito sao as qne escievem a listoiia do sen tempo. DA cA8A DA cA8A DA cA8A DA cA8A Lm conlecido men, poi sna incapacidade de combinai o sonlo com a iealizaao, teiminon com seiios pioblemas inanceiios. f pioi: envolven ontias pessoas, pie}ndicando gente qne nao qneiia eiii. 8em podei pagai as dividas qne se acnmnlavam, clegon a pensai em snicidio. caminlava poi nma ina ceita taide, qnando vin nma casa em 3ininas. 'Aqnele piedio ali son en', penson. Neste momento, sentin nm imenso dese}o de ieconstinii aqnela casa. Descobiin o dono, a}eitaiam nma maneiia de consegnii ti}olos, madeiia, cimento. 1iaballon com amoi, sem sabei poiqne on paia qnem. Mas sentia qne sna vida pessoal ia melloiando a medida qne a ieoima avanava. No im de nm ano, a casa estava pionta. f sens pioblemas pessoais solncionados. DA f8cOIA DA f8cOIA DA f8cOIA DA f8cOIA Lm amigo comenton com }nlio kibeiio: 'f mais complicado oiganizai nma escola de samba qne a ceneial Motois. 8ao 5 mil pessoas, qne compaiecem pontnalmente aos ensaios, decoiam a letia de sambas complicadissimos, concebem cenogiaias de Hollywood, coneccionam millaies de adeieos, oiganizam centenas de costnieiias. Obedecem cegamente a oidem dos iscais, clegam sem atiaso a concentiaao, a}ndam a empniiai caiios alegoiicos. Ai, sambam poi apenas nma loia, e ainda cloiam se a escola peide. como clegam a esta piecisao de ielogio snio?' Ningnem disse nada. f o amigo iesponden a piopiia peignnta: 'Ioiqne todos qneiem a mesma coisa , neste caso, desilai bem. Qnando la nniao em toino do mesmo ob}ectivo, nao la obstacnlo qne atiapalle.' DA IAk1IcIIA(O DA IAk1IcIIA(O DA IAk1IcIIA(O DA IAk1IcIIA(O A vida pede-nos constantemente: 'paiticipeI'. A paiticipaao e necessaiia paia a nossa alegiia, mas tambem paia a nossa piotecao. Qnem se omite diante das baibaiidades qne ve, esta piestando seivio a oia das tievas, e isto lle seia cobiado nm dia. Ha momentos em qne evitamos a lnta, sob os mais diveisos pietextos: seienidade, matniidade, senso de iidicnlo. Vemos a in}nstia sendo eita a 4nosso pioximo, e icamos calados. 'Nao von me metei a toa em biigas', e a explicaao. Isto nao existe. Qnem peicoiie nm caminlo espiiitnal, caiiega consigo nm codigo de lonia a sei cnmpiido. A voz qne clama contia o qne esta eiiado e sempie onvida poi Dens. 8e o nosso iimao nao tem mais oias paia ieclamai, e nossa vez de aze-lo poi ele. DO AfkOIOk1O DO AfkOIOk1O DO AfkOIOk1O DO AfkOIOk1O Voavamos de New Yoik paia clicago, inmo a nm congiesso liteiaiio. De iepente, nm iapaz ica em pe no coiiedoi do aviao: 'Iieciso de doze volnntaiios', disse. 'cada nm vai caiiegai nma iosa, qnando ateiiizaimos.' Vaiias pessoas levantaiam a mao. fn tambem levantei, mas nao ni escollido. Mas iesolvi acompanlai o ginpo. Descemos, o iapaz aponton paia nma moa no sagnao do aeiopoito de OHaie. Lm a nm, os passageiios oiam entiegando snas iosas paia ela. No inal, o iapaz pedin-a em casamento na iente de todos - e ela aceiton. Lm comissaiio de boido comenton comigo: ' desde qne tiaballo aqni, oi a coisa mais iomantica qne acontecen neste aeiopoito'. DO Df8f}O DO Df8f}O DO Df8f}O DO Df8f}O Na Idade Media, as catediais goticas eiam constinidas poi vaiias geiaoes. fste esoio piolongado a}ndava sens paiticipantes a oiganizai o pensamento, agiadecei, e sonlai. Ho}e o iomantismo acabon; a constinao e apenas mais nm negocio. fntietanto, o dese}o de constinii peimanece. Mnita gente dedica o inal de snas vidas paia acabai nma casa, moldai nm pasto, levantai nma capela. 51ambem nos piecisamos exeicei este diieito; se nao temos nma catedial, ieconstiniiemos nosso qnaito. Isto iia nos a}ndai a conlecei melloi qnem somos. Isto vai nos azei modiicai nma seiie de coisas qne estao nos incomodando. 1anto as igie}as como os lomens soiem o desgaste do tempo - e poi isso nao se pode paiai nnnca. DO fkkO DO fkkO DO fkkO DO fkkO Nnm dos momentos mais tiagicos da cinciicaao, nm dos ladioes peicebe qne o lomem qne moiie ao sen lado e o Iillo de Dens. '8enloi, lembia-1e de mim qnando estiveies no Iaiaiso', diz o ladiao. 'fm veidade, estaias lo}e comigo no Iaiaiso', iesponde }esns, tiansoimando nm bandido no piimeiio santo da Igie}a catolica: 8ao Dimas. Nao sabemos poi qne iazao Dimas oi condenado a moite. Na Iiblia, ele conessa a sna cnlpa, dizendo qne oi cinciicado pelos ciimes qne cometen. 8nponlamos qne tenla eito algo de cinel, tenebioso o sniciente paia teiminai daqnela maneiia; mesmo assim, nos nltimos minntos de sna existencia, nm acto de e o iedime - e o gloiiica. Iembiemos deste exemplo qnando, poi algnma iazao, nos }nlgaimos incapazes de tei nma vida espiiitnal. DO 8LIcIDIO DO 8LIcIDIO DO 8LIcIDIO DO 8LIcIDIO colin Wilson, lo}e nm esciitoi consagiado, descieve sna tentativa de snicidio aos !0 anos: 'fntiei no laboiatoiio de qnimica da escola, e pegnei o vidio de veneno. coloqnei nnm copo diante de mim, ollei bastante, iepaiei na coi, e imaginei o possivel gosto qne teiia. fntao, apioximei o acido de men iosto, e senti sen cleiio; neste momento, minla mente den nm salto ate o ntnio - e en podia senti-lo qneimando a minla gaiganta, abiindo nm bniaco no men estomago. A sensaao dos danos cansados pelo acido eia tao ieal, qne paiecia }a te-lo bebido. Ioi entao qne tive ceiteza qne nao qneiia 0aqnilo. Iiqnei algnns momentos segniando o copo em minlas maos, saboieando a possibilidade da moite, ate pensai comigo mesmo: se son valente paia me matai, tambem son valente paia continnai vivendo'. DO IIIO1O DO IIIO1O DO IIIO1O DO IIIO1O Lm conlecido men, piloto de nma companlia aeiea da 1nnisia, comenta: 'na aviaao, temos nm apaiello clamado piloto antomatico, qne diiige o aviao qnando clega em deteiminada altnia.' Na vida dos adnltos tambem existe isto: como nossas actividades vao icando cada vez mais complexas, existe nm momento em qne piecisamos deixai paite das taieas paia o piloto antomatico. Acontece qne este piloto antomatico, qne laviamos ciiado paia cnidai de coisas aboiiecidas, ganla vida piopiia, e comea a inteiceptai tndo qne clega ate nos. 8en iadai esta ligado, e ele sempie move nosso aviao paia longe de coisas qne nao conlece. Assim, peidemos o sentido da aventnia. f qnem peide o sentido da aventnia, de ceita maneiia peide tambem o sentido da vida. DO cON1O DO cON1O DO cON1O DO cON1O Lm amigo men, Iinno 8aint-cast, tiaballa na implantaao de alta tecnologia na fniopa. ceita noite, sentin-se oiado a escievei nm texto sobie nm vello amigo de adolescencia, qne lavia encontiado no 1aliti. Mesmo sabendo qne teiia qne acoidai cedo no dia segninte, senton-se no compntadoi as S loias da noite, e so consegnin saii as 3 da manla - depois de lavei esciito a listoiia onde o tal amigo, }oln 8almon, azia nma longa viagem da Iatagonia ate a Anstialia. fnqnanto escievia, sentia nma sensaao de libeidade mnito giande, como se a inspiiaao biotasse sem qnalqnei inteieiencia. Na manla segninte, ieceben nm teleonema de sna mae: ela acabava de sabei qne o }oln 8almon lavia moiiido. DA kfIOkMA DA kfIOkMA DA kfIOkMA DA kfIOkMA 8eis meses atias, nma nova maqnina de lavai exigin qne izessemos nm novo sistema de canalizaao na aiea de seivio. Mndamos, o piso, e a paiede piecison sei pintada. No inal, a aiea estava mais bonita qne a cozinla. Iaia evitai o contiaste, ieoimamos a cozinla. 8o entao notamos como a sala estava vella. keizemos a sala, qne teiminon icando mais acolledoia qne o esciitoiio de qnase dez anos. keizemos o esciitoiio. Aos poncos, a ieoima se estenden pela casa inteiia. fspeio qn