Pesquisa Qualitativa x Quantitativa

  • Published on
    02-Mar-2016

  • View
    11

  • Download
    0

Transcript

  • 201

    Psicologia: Teoria e PesquisaMai-Ago 2006, Vol. 22 n. 2, pp. 201-210

    Pesquisa Qualitativa Versus Pesquisa Quantitativa: Esta a Questo?1

    Hartmut Gnther2Universidade de Braslia

    RESUMO Diante da falta de dilogo entre pesquisadores qualitativos e quantitativos, este artigo adota uma posio ecumnica. Argumenta que ambas as abordagens tm suas vantagens, desvantagens, pontos positivos e pontos negativos, considerando que o mtodo escolhido deve se adequar pergunta de uma determinada pesquisa. O trabalho apresenta algumas diferenciaes entre a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa. Em seguida, aponta a complexidade da pesquisa qualitativa em termos de pressupostos, coleta, transcrio e anlise de dados. Discutimos, tambm, critrios de qualidade para a pesquisaqualitativa. Concluimos com consideraes sobre as conseqncias para a pesquisa, ao se optar pela pesquisa qualitativa e/ou pela pesquisa quantitativa.

    Palavras-chave: pesquisa qualitativa; pesquisa quantitativa; abordagem multi-metodolgica; triangulao.

    Qualitative Research Versus Quantitative Research:Is that Really the Question?

    ABSTRACT Given the lack of dialogue between qualitative and quantitative researchers, this article assumes an ecumenical position. The text argues that both perspectives present advantages, disadvantages, positive and negative points, considering that the chosen method must be adequate to the question of a certain research. The paper presents some distinctions between qualitative and quantitative research. Next it points out the complexity of qualitative research in terms of its underlying assumptions, as well as data collection, transcription and analysis. Next, quality criteria for qualitative research are considered. The paper closes with a discussion of implications for research when choosing qualitative research and/or quantitative research.

    Key words: qualitative research; quantitative research; multi-methodological approach; triangulation.

    qualidade dos dados obtidos, s possibilidades da sua ob-teno e maneira de sua utilizao e anlise4. Consideran-do que este artigo trata, predominantemente, da pesquisaqualitativa e de dados qualitativos, convm explicitar que a primeira vertente, observao, inclui registros de compor-tamento e estados subjetivos, como documentos, dirios,lmes, gravaes, que constituem manifestaes humanas observveis.

    O que une os mais diversos mtodos e tcnicas de pes-quisa includos nestas trs grandes famlias de abordagem o fato de todos partirem de perguntas essencialmente quali-tativas. Por que existe variabilidade vericada? Como lidarcom a mesma? Quais as suas implicaes? Estas perguntas exigem, por sua vez, respostas qualitativas. A variabilidadeexiste por essa ou aquela razo. Tem essas ou aquelas im-plicaes. Assim, usando nmeros, ou no, na tentativa de se chegar de uma pergunta qualitativa a uma resposta qua-litativa, qual seria a diferena entre a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa? Ser que se pode argumentar que todo tipo de pesquisa qualitativa?

    Neste artigo, comeamos com a apresentao de algu-mas diferenciaes entre a pesquisa qualitativa e a pesquisa

    Ao se considerar como objeto de estudo do cientista so-cial a variabilidade do comportamento e dos estados sub-jetivos, i., pensamentos, sentimentos, atitudes, segue-se a pergunta: a que atribuir esta variabilidade? Sob a ticadas cincias sociais empricas existem trs aproximaesprincipais para compreender o comportamento e os esta-dos subjetivos3 : a) observar o comportamento que ocorre naturalmente no mbito real; b) criar situaes articiais e observar o comportamento diante das tarefas denidas para essas situaes; c) perguntar s pessoas sobre o seu com-portamento, o que fazem e zeram e sobre os seus estados subjetivos, o que, por exemplo, pensam e pensaram. Cada uma destas trs famlias de mtodos de conduzir estudos empricos observao de comportamento, experimentoe survey apresentam vantagens e desvantagens distintas(Kish, 1987). As vantagens e desvantagens so ligadas

    1 O trabalho fruto do Seminrio em Psicologia: Metodologia Qualita-tiva oferecido pelo autor no programa de ps-graduao em psicologiadurante o segundo semestre de 2003. O trabalho contou com apoiodo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientco e Tecnolgico(CNPq).

    2 Endereo: Departamento de Psicologia Social e do Trabalho, Univer-sidade de Braslia, DF, Brasil 70910-000. E-mail: hartmut@unb.br

    3 Em Ingls comum falar em behavior, termo que se refere tanto a comportamento aberto quanto a estados subjetivos, i., comportamento coberto. Em portugus a palavra comportamento tem tradicionalmenteum sentido mais restrito.

    4 Apesar das variaes dentro das reas de conhecimento que utilizamestes mtodos de pesquisa, podemos armar que cada um tem seu ponto forte. O da observao o realismo da situao estudada. O do experimento permitir uma randomizao de caractersticas das pes-soas estudadas e inferncias causais. O do levantamento de dados por amostragem ou survey assegura melhor representatividade e permitegeneralizao para uma populao mais ampla.

  • 202 Psic.: Teor. e Pesq., Braslia, Mai-Ago 2006, Vol. 22 n. 2, pp. 201-210

    H. Gnther

    quantitativa. Mostraremos, depois, a complexidade da pes-quisa qualitativa em termos de pressupostos, coleta, trans-crio e anlise de dados. A seguir, apontamos critrios de qualidade para a pesquisa qualitativa. Conclumos o artigocom implicaes para pesquisa, ao se optar para a pesquisaqualitativa e/ou a pesquisa quantitativa.

    Diferenciaes entre a Pesquisa Qualitativa e a Pesquisa Quantitativa

    Ao revisar a literatura sobre a pesquisa qualitativa, o que chama ateno imediata o fato de que, freqentemente, a pesquisa qualitativa no est sendo denida por si s, mas em contraponto a pesquisa quantitativa. Apresentaremos alguns destes contrastes e comparaes. Para organizar as diferenas e similaridades entre a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa, consideramos: a) caractersticas da pesquisa qualitativa; b) postura do pesquisador; c) estrat-gias de coleta de dados; d) estudo de caso; e) papel do sujei-to e f) aplicabilidade e uso dos resultados da pesquisa.Caractersticas da pesquisa qualitativa

    A clssica armao de Dilthey explicamos a nature-za, compreendemos a vida mental (citado por Hofsttter, 1957, p. 315) pode ser vista como o ponto de partida para as diferenas entre a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantita-tiva. A primazia do compreender a vida mental reaparece em todas as discusses sobre a natureza da pesquisa qualita-tiva. Qual, ento, a natureza da pesquisa qualitativa? Quaisalguns dos pressupostos desta abordagem?

    Flick, von Kardorff e Steinke (2000), apresentam quatro bases tericas: a) a realidade social vista como construo e atribuio social de signicados; b) a nfase no carter processual e na reexo; c) as condies objetivas5 de vida tornam-se relevantes por meio de signicados subjeti-vos; d) o carter comunicativo da realidade social permiteque o refazer do processo de construo das realidades so-ciais torne-se ponto de partida da pesquisa. Subseqente-mente, estes autores traduzem estas bases tericas em 12 caractersticas da pesquisa qualitativa. Mayring (2002), por outro lado, apresenta 13 alicerces da pesquisa qualitativa. Agregando estes dois conjuntos, chegamos a cinco grupos de atributos da pesquisa qualitativa: a) caractersticas ge-rais; b) coleta de dados; c) objeto de estudo; d) interpretaodos resultados; e) generalizao.

    Caractersticas geraisSeguindo o pensamento de Dilthey citado acima, Flick

    e cols. (2000) apontam a primazia da compreenso como princpio do conhecimento, que prefere estudar relaes complexas ao invs de explic-las por meio do isolamentode variveis. Uma segunda caracterstica geral a constru-o da realidade. A pesquisa percebida como um ato sub-jetivo de construo. Os autores armam que a descobertae a construo de teorias so objetos de estudo desta abor-dagem. Um quarto aspecto geral da pesquisa qualitativa, conforme estes autores, que apesar da crescente importn-cia de material visual, a pesquisa qualitativa uma cinciabaseada em textos, ou seja, a coleta de dados produz textos que nas diferentes tcnicas analticas so interpretados her-meneuticamente.

    Cabe alertar ao leitor que a primeira destas quatro ca-ractersticas pode ser considerada um contraponto articial.

    Dicilmente um pesquisador adjetivado como quantitativo exclui o interesse em compreender as relaes complexas. O que tal pesquisador defende que a maneira de chegar a tal compreenso por meio de explicaes ou compre-enses das relaes entre variveis. Segundo, sem dvida,pode-se conceber as mltiplas atividades que compem o processo de pesquisa como um ato social de construo de conhecimento. A questo no respondida, porm , qual a correspondncia entre o conhecimento socialmente cons-trudo e a realidade alheia? supondo, obviamente, que ela exista independentemente do pesquisador. A descoberta e a construo de teorias simplesmente constituem o cerne de qualquer cincia. Uma preferncia por material textual uma legitima opo de procedimento, desde que no se con-traponha aos princpios elencados no prximo pargrafo.

    Coleta de dadosTanto Mayring (2002) quanto Flick e cols. (2000) consi-

    deram o estudo de caso como o ponto de partida ou elemen-to essencial da pesquisa qualitativa. Em ambas as publica-es ressaltam-se o princpio da abertura. Tal postura vaialm da formulao de perguntas abertas. Nas palavras de Mayring (p. 28), nem estruturaes tericas e hipteses, nem procedimentos metodolgicos devem impedir a viso de aspectos essenciais do objeto [de pesquisa]. Ao mes-mo tempo, enfatiza, que apesar da abertura exigida, os mtodos so sujeitos a um controle contnuo (...) Os passos da pesquisa precisam ser explicitados, ser documentados e seguir regras fundamentadas (p. 29). O princpio da aber-tura se traduz para Flick e cols. (2000) no fato da pesquisaqualitativa ser caracterizada por um espectro de mtodos e tcnicas, adaptados ao caso especco, ao invs de um m-todo padronizado nico. Ressaltam, assim, que o mtododeve se adequar ao objeto de estudo.

    Pode-se argumentar que no somente o controle meto-dolgico, mas tambm as demais caractersticas menciona-das acima, aplicam-se a qualquer tipo de pesquisa. A ques-to subjacente que se coloca a seguinte: a partir de que momento do processo de pesquisa vai-se de um caso espec-co, deixando-se portas abertas para agregar dados no es-perados, no se restringindo a um nico mtodo padroniza-do? Ao conceber o processo de pesquisa como um mosaicoque descreve um fenmeno complexo a ser compreendido fcil entender que as peas individuais representem um espectro de mtodos e tcnicas, que precisam estar abertas a novas idias, perguntas e dados. Ao mesmo tempo, a diver-sidade nas peas deste mosaico inclui perguntas fechadas e abertas, implica em passos predeterminados e abertos, utili-za procedimentos qualitativos e quantitativos.

    Objeto de estudoPara Mayring (2002) a nfase na totalidade do indi-

    vduo como objeto de estudo essencial para a pesquisa qualitativa, i., o princpio da Gestalt. Alm do mais, a concepo do objeto de estudo qualitativo sempre visto na sua historicidade, no que diz respeito ao processo de-senvolvimental do indivduo e no contexto dentro do qual o indivduo se formou. Tanto Mayring quanto Flick e cols. (2000) sublinham que o ponto de partida de um estudo seja centrado num problema, pois a diferenciao entre pesquisa bsica e aplicada no frutfera. Flick e cols. salientam, ainda, que as perspectivas de todos os partici-pantes da pesquisa so relevantes e no apenas a do pes-quisador.

    A questo do objeto de estudo na pesquisa qualitativa nos leva de volta s controvrsias entre a posio da Gestalt5 As aspas so do original.

  • 203Psic.: Teor. e Pesq., Braslia, Mai-Ago 2006, Vol. 22 n. 2, pp. 201-210

    Pesquisa Qualitativa Versus Quantitativa

    e dos experimentalistas. A armao o todo maior doque a soma das suas partes no signica que no possa ser conveniente, concentrar-se apenas numa parte do proces-so da pesquisa.

    Interpretao dos resultadosTanto Mayring (2002) quanto Flick e cols. (2000) apon-

    tam acontecimentos e conhecimentos cotidianos como ele-mentos da interpretao de dados. Os acontecimentos no mbito do processo de pesquisa no so desvinculados da vida fora do mesmo. Isto leva, ainda, a contextualidadecomo o condutor de qualquer anlise em contraste com uma abstrao nos resultados para que sejam facilmente ge-neralizveis. Implica, ainda, num processo de reexo con-tnua sobre o seu comportamento enquanto pesquisador e, nalmente, numa interao dinmica entre este e seu objeto de estudo.

    Uma distino mais acentuada entre a pesquisa qualita-tiva e a pesquisa quantitativa diz respeito interao din-mica entre o pesquisador e o objeto de estudo. No caso da pesquisa quantitativa, dicilmente se escuta o participanteaps a coleta de dados. Uma incluso de acontecimentos e conhecimentos cotidianos na interpretao de dados depen-de, no caso da pesquisa quantitativa, da audincia e do meiode divulgao. Ao mesmo tempo em que um nvel maior de abstrao pode impedir a incluso do cotidiano, qualquer passo na direo de uma aplicao de resultados necessaria-mente inclui o dia-a-dia. O mesmo se aplica para a questo do contexto. A reexo contnua, obviamente, no espe-cca da pesquisa qualitativa; deve acontecer em qualquer pesquisa cientca.

    Generalizao de resultadosA generalizao de resultados da pesquisa qualitativa

    passa por quatro dimenses. Mayring (2002) introduz o conceito da generalizao argumentativa. medida que os achados na pesquisa qualitativa se apiem em estudo de caso, estes dependem de uma argumentao explcita apon-tando quais generalizaes seriam factveis para circuns-tncias especcas. No caso da pesquisa quantitativa, uma amostra representativa asseguraria a possibilidade de uma generalizao dos resultados. Relaciona-se a isto a nfase no processo indutivo, partindo de elementos individuaispara chegar a hipteses e generalizaes. Entretanto, este processo deve seguir regras, que no so uniformes, mas especcas a cada circunstncia. Desta maneira, de suma importncia que as regras sejam explicitadas para permitiruma eventual generalizao. Finalmente, Mayring no ex-clui a quanticao, mas enfatiza que a funo importanteda abordagem qualitativa a de permitir uma quanticaocom propsito. Desta maneira, poder-se-ia chegar a genera-lizaes mais consubstanciadas.

    Postura pessoal do pesquisador

    Uma primeira distino entre a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa refere-se ao fato de que na pesquisaqualitativa h aceitao explcita da inuncia de crenas e valores sobre a teoria, sobre a escolha de tpicos de pesqui-sa, sobre o mtodo e sobre a interpretao de resultados. J na pesquisa quantitativa, crenas e valores pessoais no so consideradas fontes de inuncia no processo cientcas.Ser mesmo? Considerando que um tema importante da psicologia social o estudo de atitudes, crenas e valores, a questo no se valores inuenciam comportamentos e

    estados subjetivos, inclusive os valores do cientista. O que se coloca como lidar com esta inuncia no contexto da pesquisa seja ela qualitativa ou quantitativa.

    Alm da inuncia de valores no processo de pesqui-sa, h de se constatar um envolvimento emocional do pes-quisador com o seu tema de investigao. A aceitao de tal envolvimento caracterizaria a pesquisa qualitativa. J a inteno de control-lo, ou sua negao, caracterizariam a pesquisa quantitativa. Da mesma maneira que os valores fa-zem parte da vida humana, o estudo das emoes assunto importante da psicologia clnica e da personalidade, razo pela qual, mais uma vez, volta-se questo mais relevante: como lidar com esta inuncia no contexto da pesquisa?

    Estratgias de coleta de dados

    Uma resposta ao problema de como lidar com os valo-res e o envolvimento emocional do pesquisador com o seu objeto por meio do controle das variveis do estudo. O contraponto feito entre a pesquisa qualitativa e a pesqui-sa quantitativa o de estudar um determinado fenmeno no seu contexto natural versus estud-lo no laboratrio. A primeira estratgia da pesquisa qualitativa implica em relativa falta de controle de variveis estranhas ou, ainda,a constatao de que no existem variveis interferentes e irrelevantes. Todas as variveis do contexto so considera-das como importantes. Na segunda estratgia da pesquisaquantitativa tenta-se obter um controle mximo sobre o contexto, inclusive produzindo ambientes articiais com o objetivo de reduzir ou eliminar a interferncia de variveisinterferentes e irrelevantes. Entre as variveis irrelevantes e potencialmente interferentes, incluem-se tanto atributos do pesquisador, por exemplo, seus valores, quanto variveiscontextuais ou atributos do objeto de estudo que no inte-ressam naquele momento da pesquisa.

    Antes de tudo, consideramos essa classicao de vari-veis em relevantes e interferentes uma questo estratgicano processo de pesquisa. Em princpio, qualquer varivel pode explicar uma parte, mesmo que innitsima, da va-riabilidade do fenmeno sob estudo. Entretanto, existemvariveis que por razes tericos e/ou de experincia prviaso mais promissoras do que outras. Alm do mais, por ra-zes prticas, h de se limitar as variveis estudadas nummesmo tempo a um nmero manejvel, seja em termos de recursos de tempo e dinheiro por parte do pesquisador, seja da disponibilidade dos participantes da pesquisa. Des-ta maneira, limitar o nmero de variveis estudadas numa determinada pesquisa no implica que as demais variveissejam necessariamente consideradas improcedentes uma boa pesquisa sempre est aberta ao surgimento de novas va-riveis e a explicaes alternativas do cenrio consideradono incio da investigao. O fato de se levar em conta maisexplicitamente os valores e os demais atributos do pesqui-sador requer, por parte da pesquisa qualitativa, maior deta-lhamento dos pressupostos tericos subjacentes, bem como do contexto da pesquisa. Por outro lado, a estandardizaodos procedimentos na pesquisa quantitativa pode indicaravano no estabelecimento de um maior grau de intersub-jetividade entre pesquisadores que usam um determinadoprocedimento.

    Estudo de caso

    O chamado paradoxo da psicologia coloca em confron-to o estudo aprofundado de um evento individual, objeto de interesse da Psicologia por excelncia com a necessidadedo estabelecimento de parmetros para os atributos destes eventos. Por exemplo, mdias constituem parmetros para

  • 204 Psic.: Teor. e Pesq., Braslia, Mai-Ago 2006, Vol. 22 n. 2, pp. 201-210

    H. Gnther

    descrever eventos individuais, mas, tais parmetros so ob-tidos somente em estudos que ignoram a individualidadedos eventos. Assim, ao descrever a individualidade de uma pessoa como agradvel, est implcita a resposta pergun-ta em termos de que referencial? Este referencial pode ser qualitativo: mais agradvel do que fulano ou pode ser quantitativo: sete pontos numa escala de 0 a 10. Seja como for, tais parmetros referenciais somente so obtidospor meio de investigaes mais complexas do que de es-tudos de caso. Observa-se, assim, que abordagens quali-tativas, que tendem a serem associadas a estudos de caso, dependem de estudos quantitativos, que visem gerar resul-tados generalizveis, i., parmetros. Desta maneira dilui-sea controvrsia entre o estudo de caso, i., uma investigao aprofundada de uma instncia de algum fenmeno, e o es-tudo envolvendo um nmero estatisticamente signicativo de instncias de um mesmo fenmeno, a partir do qual seriapossvel generalizar para outras instncias. Alm do mais,num estudo de caso possvel utilizar tanto procedimentosqualitativos quanto quantitativos.

    Papel do sujeitoMencionou-se, acima, a questo do envolvimento emo-

    cional e valorativo do pesquisador com a temtica do seu estudo. Deve-se indagar, tambm, sobre o grau de passivi-dade dos participantes de uma pesquisa. At que ponto os sujeitos de um estudo so envolvidos na concepo, rea-lizao e interpretao de resultados de uma pesquisa? A associao feita de que um participante ativo supe uma pesquisa qualitativa, j um participante passivo, sujei-to de uma pesquisa quantitativa. Embora a pesquisa-aoseja uma abordagem que permite um papel mais ativo do participante, h de se ressaltar que no desenvolvimento ori-ginal da pesquisa-ao por parte de Lewin (1982), qualquer abordagem observacional, experimental, survey, qualitati-va, quantitativa poderia ser utilizada, como demonstrado por Sommer e Amick (1984/2003). Voltaremos questo da pesquisa-ao e pesquisa participante, mais adiante.

    Aplicabilidade e uso da pesquisa

    Existe uma longa controvrsia sobre o valor relativo da natureza da cincia bsica versus aplicada. A argumentao compreende desde pesquisa sem aplicao um desper-dcio at gerar conhecimento um m em si, qualquer utilidade secundria (Gnther, 1986). Por alguma razo pouco clara, a posio da primazia da pesquisa aplicada associada pesquisa qualitativa e da pesquisa bsica pes-quisa quantitativa. Esta associao pode estar relacionadaao processo de traduo da questo inicialmente quali-tativa em estratgias de coleta de dados quantitativos e (re)traduo dos resultados quantitativos para uma resposta qualitativa.

    Subjacente discusso em torno da pesquisa bsica ver-sus pesquisa aplicada est a questo da nalidade do conhe-cimento. Uma postura ativista, conforme a qual a nalidadeda cincia seria a de ajudar as pessoas (participantes da pes-quisa) a obter autodeterminao seria mais caracterstica da pesquisa qualitativa. Por outro lado, a cincia que somen-te contribui para com o avano do conhecimento aplicvel a todas as pessoas podendo ou no manter o status quo seria postulado pela pesquisa quantitativa. No surpreen-de que essa associao seja mais contestada pelos cientistasnaturais, vide, por exemplo, a palestra do fsico Res Jost (1970/1995) sobre o conto de fada da torre de marm.

    Sem dvida, o prprio fato de existirem estas associaesindica que pesquisas, de qualquer natureza, no so ativida-

    des desvinculadas das caractersticas do pesquisador, nem do contexto sociocultural dentro do qual so realizadas. Por outro lado, temos srias dvidas quanto procednciadas respectivas associaes com a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa. A postura do pesquisador diante do seu objeto de estudo pode levar a estratgias de pesqui-sa diferentes, mas no signica que um, ou outro, atribua maior valor ao contexto sociocultural da pesquisa. O ato de se abordar indivduos para que participem em pesquisa demonstra o reconhecimento da sua expertise. Da mesma maneira que difcil defender a participao de todos os participantes de uma pesquisa em todas as fases da mesma (por exemplo, crianas de cinco anos sendo observadas num playground), o pesquisador deve solicitar e utilizar os comentrios dos seus sujeitos sobre a sua pesquisa. O fato de considerar a distino entre pesquisa aplicada versus bsica pouca vantajosa no contexto do avano do conhecimento, torna uma eventual associao destas duas vertentes a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa, respectivamente, ainda menos relevante. Em resumo, os pontos listados acima constituem (devem constituir) preo-cupaes de qualquer pesquisador.

    Pesquisa Qualitativa: Delineamento, Coleta, Transcrio e Anlise de Dados

    No incio deste artigo, apontamos trs aproximaes bsicas para compreender o comportamento e os estados subjetivos na psicologia: a) observar o comportamento que ocorre naturalmente no mbito real; b) criar situaes arti-ciais e observar o comportamento diante de tarefas de-nidas para essas situaes; e c) perguntar s pessoas sobre o seu comportamento e seus estados subjetivos. Diante da exposio sobre os pressupostos da pesquisa qualitativa ca a pergunta, onde e como tcnicas qualitativas espec-cas se enquadram nesta diviso tripartite? Conforme j armado, so caractersticas da pesquisa qualitativa sua grande exibilidade e adaptabilidade. Ao invs de utilizar instrumentos e procedimentos padronizados, a pesquisa qualitativa considera cada problema objeto de uma pes-quisa especca para a qual so necessrios instrumentos e procedimentos especcos. Tal postura requer, portanto, maior cuidado na descrio de todos os passos da pesquisa: a) delineamento, b) coleta de dados, c) transcrio e d) pre-parao dos mesmos para sua anlise especca. Inspirado em Mayring (2002), que organizou seu livro introdutriodesta maneira, trataremos de cada um destes quatro passos para o contexto da pesquisa qualitativa de maneira sepa-rada. Julgamos esta separao til, uma vez que existem muitas combinaes entre os diferentes delineamentos, maneiras de coletar, transcrever e analisar os dados. Fre-qentemente, manuais da pesquisa qualitativa apresentam coleta e anlise de dados interligados (por exemplo, Camic,Rhodes & Yardley, 2003; Denzin & Lincoln, 1994). Mesmo que se considere tal juno interessante, j que mostra a integrao entre coleta e anlise, tal procedimento tende a ocultar as demais possibilidades de combinar elementos destas tcnicas de pesquisa.

    Delineamentos da pesquisa qualitativa

    Mayring (2002) apresenta seis delineamentos da pes-quisa qualitativa: estudo de caso, anlise de documentos, pesquisa-ao, pesquisa de campo, experimento qualita-tivo e avaliao qualitativa. Para qualquer pesquisador acostumado a trabalhar quantitativamente ca evidente que nenhum destes delineamentos necessariamente qua-litativo.

  • 205Psic.: Teor. e Pesq., Braslia, Mai-Ago 2006, Vol. 22 n. 2, pp. 201-210

    Pesquisa Qualitativa Versus Quantitativa

    cedimentos, alm da interpretao tradicional da pesquisaquantitativa, podem incluir uma abordagem qualitativa.

    Em suma, nenhum dos seis delineamentos metodolgi-cos comentados acima constitui seara qualitativa ou quanti-tativa. Num prximo passo, analisaremos elementos do pro-cesso de pesquisa coleta, transcrio e anlise de dados utilizados na pesquisa qualitativa.

    Coleta de dados na pesquisa qualitativa

    Para o contexto da pesquisa qualitativa, as trs maneirasde coleta de dados apontadas por Kish (1987) observao, experimento e survey podem ser reagrupadas como coleta de dados visuais e verbais. Independente dos delineamen-tos elencados acima, diferentes tcnicas de coleta de dados visuais e verbais podem ser utilizadas. Diante dos objetivos deste artigo, constatamos um grande nmero de procedi-mentos em diversos livros da rea. Flick (1995) diferenciaentre quatro tipos de entrevistas: a) focalizada, b) semi-es-tandardizada, c) centrada num problema e d) centrada no contexto (e.g., com especialistas ou etngrafos). Alm do mais, aponta trs tipos de relatos: a) entrevista narrativa, b) entrevista episdica e c) contos. Descreve, ainda, trs tiposde procedimentos grupais: a) entrevista em grupo, b) discus-so em grupo e c) narrativa em grupo. No que diz respeitoaos procedimentos visuais, Flick menciona a) observao, b) observao participante, c) etnograa, d) fotograa e e) anlise de lmes. Mayring (2002) descreve quatro maneirasde levantar dados no contexto da pesquisa qualitativa: a) dados verbais por meio de entrevista centrada num proble-ma, b) entrevista narrativa, c) grupo de discusso e d) dados visuais por meio da observao participante.

    Seguem-se algumas referncias em Portugus e Ingls que tratam de maneiras de coleta de dados com maior de-talhe:

    Dados verbais:- Entrevista de maneira geral: Banister, Burman, Pa-rker, - Taylor e Tindall (1994); Fontana e Frey (1994);- Entrevista centrada no problema: Schorn (2000);- Entrevista episdica: Flick (2002);- Entrevistas individuais e grupais: Gaskell (2002);- Entrevista narrativa: Dick (2000), Jovchelovitch e Bauer (2002);- Entrevista por telefone: Burke e Miller (2001).Dados visuais:- Uso de vdeo, lme e fotograas: Loizos (2002), Ratcliff (2003), Neiva-Silva e Koller (2002);- Observaes: Adler e Adler (1994), Banister e cols. (1994).

    Transcrio de dados na pesquisa qualitativa

    No apenas na pesquisa qualitativa, o passo entre a co-leta de dados e a sua anlise parece ser o mais ignorado na literatura. Especialmente na pesquisa qualitativa, este passo de suma importncia diante da grande variabilidade nas maneiras de coletar dados e da sua no-estandardizao.Mayring (2002) diferencia entre a) meios de representao de dados, b) transcrio de dados propriamente dita e c) construo de sistemas descritivos.

    Representao de dados

    Os meios de representao de dados de qualquer pes-quisa so intimamente ligados s tcnicas de coleta dos

    Estudo de caso

    No contexto de um estudo de caso, delimitado como a coleta e anlise de dados sobre um exemplo individual paradenir um fenmeno mais amplo (Vogt, 1993) podem-se coletar e analisar tanto dados quantitativos quanto quali-tativos. Alm disto, concebvel observar comportamento no seu contexto natural, criar experimentos que utilizem o sujeito como seu prprio controle (Campbell & Stanley, 1963; Ibrahim, 1979), bem como realizar entrevistas, apli-car questionrios ou administrar testes.

    Anlise de documento

    A anlise de documentos a variante mais antiga para realizar pesquisa, especialmente no que diz respeito re-viso de literatura. Alm de procedimentos tradicionais de leitura e resumo de idias, possvel extrair e sumarizarresultados por meio de meta-anlise (e.g., Rosenthal, 1984). A utilizao de documentos como fonte sistemtica de da-dos foi iniciada por Leopold von Ranke, o pai da histriacientca na primeira parte do sculo XIX (Grafton, 1997). Desde ento, desenvolveram-se tanto tcnicas mais quanti-tativas quanto qualitativas para lidar com fontes secundriase documentais. Dependendo da natureza dos documentos existem as mais diferentes maneiras de encar-los, desde relatos verbais e respostas a perguntas de pesquisadores fu-turos, at segmentos de texto selecionados como sujeitosentre um corpo lingstico grande, por meio de procedi-mentos de amostragem.

    Pesquisa-ao

    No somente no Brasil a pesquisa-ao foi incorpora-da ao campo da pesquisa qualitativa (vide Thiollent, 1985). Num texto que prope dar uma breve introduo pesqui-sa-ao, Newman (2000) sequer faz referncia a Lewin,embora a perspectiva original da pesquisa-ao tenha sido a de realizar investigaes que contribuam, ao mesmo tempo, para o avano cientco e transformao social (Lewin,1982). Conforme apontado por Sommer (1977) e Sommer e Amick (1984/2003), a pesquisa-ao independe da tcnica,podendo ser utilizada com experimento, observao ou sur-vey. Observa-se, ainda, uma juno entre a pesquisa-ao e a pesquisa participante (vide Brando, 1985, 1987).Pesquisa de campo

    Esta abordagem engloba, desde a dcada de 1930, uma ampla variedade de delineamentos desde a sua introduo ao contexto acadmico por Jahoda, Lazarsfeld e Zeisel (1933). Este estudo especialmente interessante do ponto de vistado mtodo da pesquisa qualitativa, ao mesmo tempo em que se constitui como exemplo de triangulao, i., uma inte-grao de diferentes abordagens e tcnicas qualitativas e quantitativas num mesmo estudo. O manual de mtodos em antropologia cultural (Naroll & Cohen, 1970) inclui a seco processo de pesquisa de campo envolvendo desde mtodos quantitativos experimentais (e.g., Sechrest, 1970) at procedimentos qualitativos clnicos (Edgerton, 1970). Amplitude semelhante de tcnicas pode ser encontrada na obra de Werner e Schoepe (1987), bem como em outros livros sobre pesquisa de campo.

    Experimento qualitativo e avaliao qualitativa

    O fato de qualicar experimento e avaliao com o ad-jetivo qualitativo refora a constatao de que estes pro-

  • 206 Psic.: Teor. e Pesq., Braslia, Mai-Ago 2006, Vol. 22 n. 2, pp. 201-210

    H. Gnther

    mesmos. Isto mais evidente no caso de escolher meiosvisuais: o prprio ato de fotografar ou lmar um determi-nado evento j inclui a transcrio de uma idia em uma representao, no caso visual. As imagens j se encontram concatenadas.

    Transcrio de dados

    A transcrio de material verbal pode tomar as maisvariadas formas. A maneira mais detalhada a transcrioliteral de uma entrevista gravada com a incluso de sinaisindicando entonaes, sotaques, regionalismo e erros de fala. a transcrio mais completa, mais informativa e, tam-bm, a mais cara em termos de tempo e de dinheiro. Existea transcrio comentada, no necessariamente mutuamente excludente da anterior, na qual se registra explicitamentehesitaes na fala alm das expresses faciais e corporaisque acompanham as verbalizaes da pessoa. Registroslmados ajudam, consideravelmente, na preparao deste tipo de transcrio. Outra forma de transcrio consiste no protocolo resumido, se bem que este j implique num pro-cessamento da informao dentro de algum esquema inter-pretativo j existente. Os protocolos seletivos, apropriadosno caso de muito material, no somente supem um esque-ma interpretativo subjacente, mas necessitam ainda mais do que as outras formas, de transcrio e de regras explcitaspara a seleo do material.

    Construo de sistemas descritivos

    Se o meio de representao de dados forma o elo com a tcnica da coleta de dados, a construo de sistemas des-critivos a partir da transcrio faz o elo com a interpretaodos dados. Embora a pesquisa qualitativa seja mais indutiva do que dedutiva, no h como armar que a construo de um sistema descritivo seja totalmente livre de perspectivas, valores e emoes de quem prepara um sistema de catego-rizao de eventos. Diante das consideraes acima sobre a postura do pesquisador e as estratgias de coleta de dados, uma descrio detalhada dos procedimentos da coleta, da transcrio e da anlise de dados essencial. A grounded theory um exemplo do quanto transcrio e a interpreta-o esto entrelaadas (Glaser & Strauss, 1967). Anlise de dados na pesquisa qualitativa

    A variedade de tcnicas de anlise de dados corresponde variedade de coleta, embora no exista uma relao diretaentre as duas. Mayring (2002) menciona sete maneiras de analisar dados qualitativos: a) grounded theory, b) anlisefenomenolgica, c) parfrase social-hermenutica, d) an-lise de contedo qualitativa, e) hermenutica objetiva, f) interpretao psicanaltica de textos e g) anlise tipolgica.No livro de Bauer e Gaskell (2000/2002) h oito captulos apresentando enfoques analticos para texto, imagem e som. medida que os recortes de cunho metodolgico-analticosvariam, Camic e cols. (2003) e Denzin e Lincoln (1994) apresentam vrios captulos sobre anlise de dados qua-litativos. Soma-se a esta diversidade o uso cada vez maisintenso de recursos computacionais na rea; no Anexo so apresentadas algumas referncias e links para pginas de programas.

    Critrios de Qualidade de PesquisaO que constitui pesquisa bem feita, convel, merece-

    dora de ser tornada pblica para contribuir para o manancialde conhecimento sobre um determinado assunto? Lienert

    (1989) diferencia entre critrios principais e critrios secun-drios. Entre os primeiros, constam objetividade, dedigni-dade e validade. Entre os segundos, constam utilidade, eco-nomia de esforo, normatizao e comparabilidade. Seriadifcil, se no impossvel, vericar a base cientca de uma pesquisa por meio de estudos adicionais se a mesma no satisfaz a estes critrios.

    At que ponto estes ou outros critrios se aplicam pesquisa qualitativa? Steinke (2000) aponta trs posturas quanto aplicabilidade de critrios de qualidade pesquisaqualitativa. Uma primeira posio rejeita critrios de quali-dade. O freqentemente citado argumento de Feyerabend (1976), segundo o qual qualquer coisa vale, parece-nos confortvel, entretanto mal compreendido. Diante da multiplicidade de problemas a serem estudados, deve-se adaptar o mtodo pergunta. Neste sentido, qualquer m-todo que d conta do recado vale. Tal estratgia, porm, no exime o pesquisador de mostrar at que ponto h uma correspondncia entre o mtodo escolhido e a pergunta e, muito menos, da indagao sobre a qualidade dos resulta-dos. Raciocnio semelhante aplica-se ao argumento scio-construtivista contra uma avaliao da pesquisa qualitativa: conhecimento e avaliao so parte do processo de criaode conhecimento, resultado de construo social e, portan-to, dependente do contexto e dos atores, no constituindouma realidade parte. Mesmo assim, h de se reconhecer que parte inerente do processo social da construo de co-nhecimento o julgamento dos atores (pesquisadores) em aceitar, ou no, a posio subjetiva do outro.

    Uma segunda posio argumenta em favor de critriosespeccos da pesquisa qualitativa, questionando a aplica-bilidade de critrios de qualidade utilizados na pesquisaquantitativa. Partindo da natureza sui generis da pesquisaqualitativa, podem ser utilizados vrios critrios especcos (Steinke, 2000): a validao comunicativa implica numa checagem com o participante da pesquisa, no sentido de perguntar se o pesquisador o entendeu corretamente. Na validao da situao de entrevista verica-se at que pon-to foi possvel estabelecer uma relao de conana entre pesquisador e entrevistado. A triangulao implica na uti-lizao de abordagens mltiplas para evitar distores em funo de um mtodo, uma teoria ou um pesquisador.

    A terceira posio tenta adaptar critrios da pesquisaquantitativa para determinar a qualidade da pesquisa qua-litativa. Miles e Huberman (1994) apresentam uma srie de critrios que constituem tais adaptaes. Grunenberg (2001) foi alm, ao realizar uma meta-anlise de pesquisas quali-tativas das reas da educao e das cincias sociais com o objetivo de vericar a qualidade da pesquisa qualitativa. O resultado desta anlise foi a criao de uma lista de critriosde qualidade.

    Agregando as consideraes de Grunenberg (2001), Mayring (2002), Miles e Huberman (1994), bem como as de Steinke (2000), apresentamos os seguintes critrios formulados em termos de perguntas para uma anlise de at que ponto uma pesquisa qualitativa pode ser considera-da de boa qualidade.

    - As perguntas da pesquisa so claramente formula-das?- O delineamento da pesquisa consistente com o objetivo e as perguntas?- Os paradigmas e os construtos analticos foram bem explicitados?- A posio terica e as expectativas do pesquisadorforam explicitadas?- Adotaram-se regras explcitas nos procedimentosmetodolgicos?- Os procedimentos metodolgicos so bem docu-

  • 207Psic.: Teor. e Pesq., Braslia, Mai-Ago 2006, Vol. 22 n. 2, pp. 201-210

    Pesquisa Qualitativa Versus Quantitativa

    mentados?- Adotaram-se regras explcitas nos procedimentosanalticos?- Os procedimentos analticos so bem documenta-dos?- Os dados foram coletados em todos os contextos, tempos e pessoas sugeridos pelo delineamento?- O detalhamento da anlise leva em conta resulta-dos no-esperados e contrrios ao esperado?- A discusso dos resultados leva em conta possveisalternativas de interpretao?- Os resultados so ou no congruentes com as expectativas tericas?- Explicitou-se a teoria que pode ser derivada dos dados e utilizada em outros contextos?- Os resultados so acessveis, tanto para a comuni-dade acadmica quanto para os usurios no campo?- Os resultados estimulam aes bsicas e aplica-das futuras?Consistente com os princpios tanto da pesquisa quali-

    tativa quanto da pesquisa quantitativa (i.e., validade), estes critrios podem alcanar algum nvel numa gradao quali-tativa, mas no valor numrico. H de se lembrar que, sem tais critrios, no existe dilogo entre resultados de pesqui-sa sejam estes de natureza qualitativa ou quantitativa. Sem dilogo entre os resultados, no h como se chegar a uma compreenso no sentido de Dilthey da natureza do ser humano.

    O capitulo Making good sense: Drawing and verifying conclusions do livro de Miles e Huberman (1994) apresenta uma anlise mais detalhada da qualidade das pesquisas qua-litativas. Igualmente interessante a discusso na revista on-line Forum: Qualitative Social Research sobre a questo da qualidade. Esta discusso foi iniciada por Reichertz em 2000 e seguida, em cada nmero subseqente da revista, de rplicas e trplicas (em ordem de publicao: Breuer, 2000; Huber, 2001; Kiener & Schanne, 2001; Breuer & Reichertz,2002; Lauken, 2002; Fahrenberg, 2003; Rost, 2003; Breuer, 2003).

    A Escolha entre a Pesquisa Qualitativa e a Pesquisa Quantitativa

    Inicialmente, devemos admitir que no concordamos com a dicotomia de Dilthey quando armou explicamos a natureza, compreendemos a vida mental. O ser humano e, portanto, sua vida mental faz parte da natureza; desta ma-neira, encontra-se em constante interface com a natureza. Conseqentemente, a cincia do ser humano e da sua vidamental consiste em um esforo concomitante de explicare compreender. Mais enfaticamente, explicao e compre-enso dependem uma da outra, so impossveis uma sem a outra.

    Para o processo de investigao cientca, tal perspec-tiva implica que o pesquisador, enquanto consumidor de pesquisa, na fase da reviso de literatura, no se deve res-tringir a resultados frutos de uma determinada abordagem, ignorando ou, at, vilicando as demais, muitas vezes por falta de conhecimento.

    Enquanto participante do processo de construo de conhecimento, idealmente, o pesquisador no deveria es-colher entre um mtodo ou outro, mas utilizar as vriasabordagens, qualitativas e quantitativas que se adequam sua questo de pesquisa. Do ponto de vista prtico existemrazes de ordens diversas que podem induzir um pesquisa-dor a escolher uma abordagem, ou outra.

    Assim como difcil ser uente em mais de uma cultu-ra e lngua, igualmente difcil aproximar-se de um tema

    de pesquisa a partir de paradigmas distintos. Turato (2004) alerta para uma lamentvel indiferena real no-harmo-nia dos paradigmas (p. 22), argumentando contra aborda-gens que combinam mtodos qualitativos e quantitativos. Ns ressaltamos, entretanto, que uma abordagem mista no necessariamente implica numa algaravia metodolgica.

    Um primeiro argumento em favor de um determinadomtodo est implcito no princpio da abertura (veja subi-tem Coleta de dados), na escolha de um mtodo adequa-do para a pergunta que est sendo estudada. medida que perguntas de pesquisa freqentemente so multifacetadas, comportam mais de um mtodo. Assim, uma segunda con-siderao, obviamente, a da competncia especca do pesquisador. Cabe ressaltar que tal competncia deve incluira sabedoria quando for apropriado, de no realizar uma pes-quisa por extrapolar determinadas habilidades, ao invs de modicar a pergunta em funo da sua competncia.

    Consideraes mais objetivas incluem recursos dispon-veis: quanto tempo existe para realizar a pesquisa e preparar o relatrio com os resultados? Que incentivos esto dispon-veis para contratar colaboradores e assistentes de pesquisa?Quais os recursos materiais (gravadores, mquinas fotogr-cas, lmadoras, computadores) existentes? Qual o acesso populao a ser estudada?

    Em suma, a questo no colocar a pesquisa qualitativa versus a pesquisa quantitativa, no decidir-se pela pesqui-sa qualitativa ou pela pesquisa quantitativa. A questo tem implicaes de natureza prtica, emprica e tcnica. Consi-derando os recursos materiais, temporais e pessoais dispo-nveis para lidar com uma determinada pergunta cientca,coloca-se para o pesquisador e para a sua equipe a tarefa de encontrar e usar a abordagem terico-metodolgica que permita, num mnimo de tempo, chegar a um resultado que melhor contribua para a compreenso do fenmeno e para o avano do bem-estar social.

    Referncias

    Adler, P. A. & Adler, P. (1994). Observational techniques. Em N. K. Denzin & Y. S. Lincoln (Orgs.), Handbook of qualita-tive research (pp. 377-392). Thousand Oaks: Sage.

    Banister, P., Burman, E., Parker, I., Taylor, M. & Tindall, C. (1994). Qualitative methods in psychology: A research guide. Buckingham: Open U Press.

    Bauer, M. W. & Gaskell, G. (Orgs.) (2002). Pesquisa qualita-tiva com texto, imagem e som: um manual prtico. (P. A. Guareschi, Trad.). Petrpolis: Vozes (Original publicado em 2000).

    Brando, C. R. (Org.) (1985). Pesquisa participante (5 ed.). So Paulo: Brasiliense.

    Brando, C. R. (Org.) (1987). Repensando pesquisa participan-te (3 ed.). So Paulo: Brasiliense.

    Breuer, F. (2000). ber das In-die-Knie-Gehen vor der Logikder Einwerbung konomischen Kapitals - wider bessere wis-senssoziologische Einsicht. Eine Erregung. Zu Jo Reichertz: Zur Gltigkeit von Qualitativer Sozialforschung. [Ajoelhan-do-se diante da acquisio de recursos econmicos - contra a uma melhor compreenso epistemolgica. Uma irritao. Uma resposta a Jo Reichertz: Sobre a validade de pesqui-sa social qualitativa]. Forum: Qualitative Social Research, 1(3). Retirado em 17/11/2004 do URL: www.qualitative-research.net/fqs-texte/3-00/3-00breuer-d.htm.

    Breuer, F. (2003). Qualitative und quantitative Methoden: Po-sitionen in der Psychologie und deren Wandel. Ein Kom-mentar zu Texten von Jochen Fahrenberg und Jrgen Rost. [Mtodos qualitativos e quantitativos: Posies na psicolo-gia e suas mudanas. Um comentrio acerca dos textos de Jochen Fahrenberg e Jrgen Rost]. Forum: Qualitative So-cial Research, 4(2). Retirado em 17/11/2004 do URL: www.qualitative-research.net/fqs-texte/2-03/2-03breuer-d.htm

  • 208 Psic.: Teor. e Pesq., Braslia, Mai-Ago 2006, Vol. 22 n. 2, pp. 201-210

    H. Gnther

    Breuer, F. & Reichertz, J. (2002). Standards of Social Research. Forum: Qualitative Social Research, 2(3). Retirado em 17/11/2004 do URL: www.qualitative-research.net/fqs-texte/3-01/3-01breuerreichertz-e.htm

    Burke, L. A. & Miller, M. K. (2001). Phone interviewing as a means of data collection: Lessons learned and practical recommendations. Forum: Qualitative Social Research, 2(2). Retirado em 22/09/2004 do URL: www.qualitative-research.net/fqs-texte/2-01/2-01burkemiller-e.htm

    Camic, P. M., Rhodes, J. E. & Yardley, L. (Orgs.) (2003). Qual-itative research in psychology: Expanding perspectives in methodology and design. Washington: American Psycho-logical Association.

    Campbell, D. T. & Stanley, J. C. (1963). Experimental and quasi-experimental designs for research. Chicago: Rand McNally.

    Denzin, N. K. & Lincoln, Y. S. (Orgs.) (1994). Handbook of qualitative research. Thousand Oaks: Sage.

    Dick, M. (2000). The application of narrative Grid interviews inpsychological mobility research. Forum: Qualitative Social Research, 1(2). Retirado em 22/09/2004 do URL: www.qualitative-research.net/fqs-texte/2-00/2-00dick-e.htm

    Edgerton, R. B. (1970). Method in psychological anthropology. Em R. Naroll & R. Cohen (Orgs.), A handbook of method in cultural anthropology (pp. 338-352). New York: ColumbiaU Press.

    Fahrenberg, J. (2003). Interpretationsmethodik in Psychologieund Sozialwissenschaften neues Feld oder vergessene Traditionen? [Mtodos de interpretao na psicologia e nas cincias sociais - um campo novo ou uma tradio esque-cida?] Forum: Qualitative Social Research, 4(2). Retirado em 17/11/2004 do URL: www.qualitative-research.net/fqs-texte/2-03/2-03fahrenberg-d.htm

    Feyerabend, P. (1976). Wider den Methodenzwang Skizze einer anarchistischen Erkenntnistheorie. [Contra a obri-gatoriedade metodolgica esboo de uma epistemologiaanarquista] Frankfurt: Suhrkamp.

    Flick, U. (1995). Qualitative Forschung: Theorie, Methoden, Anwendung in Psychologie und Sozialwissenschaften. [Pes-quisa qualitativa: teoria, mtodos, aplicao na psicologia e nas cincias sociais] Reinbek: Rowohlt.

    Flick, U. (2002). Entrevista episdica. Em M. W. Bauer & G. Gaskell, G. (Orgs.), Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prtico (pp. 114-136). (P. A. Guareschi,Trad.). Petrpolis: Vozes (Original publicado em 2000).

    Flick, U., von Kardorff, E. & Steinke, I. (Orgs.) (2000). Was ist qualitative Forschung? Einleitung und berblick. [O que pesquisa qualitativa? Uma introduo.]. Em U. Flick, E. von Kardorff & I. Steinke, (Orgs.), Qualitative Forschung: Ein Handbuch [Pesquisa qualitativa - um manual] (pp. 13-29). Reinbek: Rowohlt.

    Fontana, A. & Frey, J. H. (1994). Interviewing: The art of science. Em N. K. Denzin & Y. S. Lincoln (Orgs.), Hand-book of qualitative research (pp. 361-376). Thousand Oaks: Sage.

    Gaskell, G. (2002). Entrevistas individuais e grupais. Em M. W. Bauer & G. Gaskell, G. (Orgs.), Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prtico (pp. 64-89). (P. A. Guareschi, Trad.). Petrpolis: Vozes (Original publi-cado em 2000).

    Glaser, B. G., & Strauss, A. L. (1967). The discovery of ground-ed theory: Strategies for qualitative research. Chicago: Al-dine.

    Grafton, A. (1997). The footnote: A curious history. Cam-bridge: Harvard U Press.

    Grunenberg, H. (2001). Die Qualitt qualitativer Forschung. Eine Metaanalyse erziehungs- und sozialwissenschaftlicher Forschungsarbeiten. [A qualidade da pesquisa qualitativa. Uma meta-anlise de trabalhos de pesquisa das reas de educao e cincias sociais]. Marburg: Philipps-Univer-sitt. Retirado em 02/08/2006 do URL http://www.maxqda.de/downloads/grunenberg.pdf .

    Gnther, I. A. (1986). Pesquisa para conhecimento ou pesquisa para deciso? Psicologia: Reexo e Crtica, 1(1), 75-78.

    Hofsttter, P. R. (1957). Psychologie. Frankfurt: Fischer.

    Huber, A. (2001). Die Angst des Wissenschaftlers vor der sthetik. Zu Jo Reichertz: Zur Gltigkeit von Qualitativer Sozialforschung [O medo do cientista da esttica: Resposta a Jo Reichertz Sobre o problema da validade de pesquisa qualitativa]. Forum Qualitative Social Research, 2(2). Re-tirado em 17/11/2004 do URL: www.qualitative-research.net/fqs-texte/2-01/2-01huber-d.htm

    Ibrahim, M. A. (Org.) (1979). The case-control study: Consen-sus and controversy. [Nmero especial]. Journal of Chronic Diseases, 32(1), 1-144.

    Jahoda, M., Lazarsfeld, P. & Zeisel, H. (1933). Die Arbeitslosen von Marienthal: Ein soziographischer Versuch ber die Wirkungen langandauernder Arbeitslosigkeit. Os desem-pregados de Marienthal: um estudos dos efeitos de desem-prego de longa durao]. Leipzig: Hirzel.

    Jost, R. (1995). Das Mrchen vom elfenbeinernen Turm. [O conto de fada da torre de marm]. Em K. Hepp, W. Hunziker & W. Kohn (Orgs.), Res Jost Das Mrchen vom elfenbeinernen Turm: Reden und Aufstze [Res Jost - O conto de fada da torre de marm: palestras e ensaios]. (pp. 261-270). Berlin: Springer.

    Jovchelovitch, S. & Bauer, M. W. (2002). Entrevista narrativa. Em M. W. Bauer & G. Gaskell, G. (Orgs.), Pesquisa qua-litativa com texto, imagem e som: um manual prtico (pp. 90-113). (P. A. Guareschi, Trad.). Petrpolis: Vozes (Origi-nal publicado em 2000).

    Kiener, U. & Schanne, M. (2001). Kontextualisierung, Auto-ritt, Kommunikation. Ein Beitrag zur FQS-Debatte ber Qualittskriterien in der interpretativen Sozialforschung.[Contextualizao, autoridade, comunicao. Algumas ob-servaes sobre a discusso na FQS sobre Qualidade de pesquisa qualitativa]. Forum Qualitative Social Research, 2(2). Retirado em 17/11/2004 do URL: www.qualitative-research.net/fqs-texte/2-01/2-01kienerschanne-d.htm

    Kish, L. (1987). Statistical design for research. New York: Wiley.

    Laucken, U. (2002). Quality criteria as instruments for political control of sciences. Forum: Qualitative Social Research, 3(1). Retirado em 17/11/2004 do URL: www.qualitative-research.net/fqs-texte/1-02/1-02laucken-e.htm

    Lewin, K. (1982). Aktionsforschung und Minderheitenprobleme, 7 [Pesquisa-ao e problemas de minorias]. Bern: Huber.

    Lienert, G. A. (1989). Testaufbau und Testanalyse. [Constru-o e anlise de testes]. Mnchen: Psychologie Verlags Union.

    Loizos, P. (2002). Vdeo, lme e fotograas como documentos de pesquisa. Em M. W. Bauer & G. Gaskell, G. (Orgs.), Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prtico (pp. 137-155). (P. A. Guareschi, Trad.). Petrpolis: Vozes (Original publicado em 2000).

    Mayring, Ph. (2002). Einfhrung in die qualitative Sozialforschung[Introduo pesquisa social qualitativa]. (5 ed.). Weinheim:Beltz.

    Miles, M. B. & Huberman, A. M. (1994). Qualitative data analysis: An expanded sourcebook (2 ed). Thousand Oaks: Sage.

    Naroll, R. & Cohen, R. (Orgs.). (1970). A handbook of method in cultural anthropology. New York: Columbia U Press.

    Neiva-Silva, L. & Koller, S. H. (2002). O uso da fotograa na pesquisa em Psicologia. Estudos de Psicologia, 7(2), 237-250.

    Newman, J. M. (2000). Action research: A brief overview. Forum: Qualitative Social Research, 1(1). Retirado em 18/09/2004 do http://www.qualitative-research.net/fqs-texte/1-00/1-00newman-e.htm

    Ratcliff, D. (2003). Video methods in qualitative research. Em P. M. Camic, J. E. Rhodes & L. Yardley (Orgs.), Qualitative re-search in psychology: Expanding perspectives in methodology and design (pp. 113-129). Washington: American Psycho-logical Association.

    Reichertz, J. (2000). Zur Gltigkeit von Qualitativer Sozi-alforschung. [Sobre a validade de pesquisa qualitativa].Forum: Qualitative Social Research, 1(2). Retirado em 18/09/2004 do URL: www.qualitative-research.net/fqs/fqs-d/2-00inhalt-d.htm

  • 209Psic.: Teor. e Pesq., Braslia, Mai-Ago 2006, Vol. 22 n. 2, pp. 201-210

    Pesquisa Qualitativa Versus Quantitativa

    Rosenthal, R. (1984). Meta-analytic procedures for social re-search. Applied Social Research Methods Series, 6. Newbury Park: Sage.

    Rost, J. (2003). Zeitgeist und Moden empirischer Analyse-methoden. [Zeitgeist e modas nos mtodos de anlise de dados empricos]. Forum: Qualitative Social Research, 4(2). Retira-do em 17/11/2004 do URL: www.qualitative-research.net/fqs-texte/2-03/2-03rost-d.htm

    Schorn, A. (2000). The Theme-centered Interview: A Method to decode manifest and latent aspects of subjective reali-ties. Forum: Qualitative Social Research, 1(2). Retirado em 22/09/2004 do URL: http://www.qualitative-research.net/fqs-texte/2-00/2-00schorn-e.htm

    Sechrest, L. (1970). Experiments in the eld. Em R. Naroll & R. Cohen (Orgs.), A handbook of method in cultural anthropology (pp. 196-209). New York: Columbia U Press.

    Sommer, R. (1977). Action Research. Em D. Stokols (Org.), Per-spectives on environment and behavior: Theory, research, and application (pp. 195-203). New York: Plenum.

    Sommer, R. & Amick, T. (2003). Pesquisa-Ao: Ligando Pes-quisa Mudana Organizacional. Srie: Planejamento de Pesquisa nas Cincias Sociais, 4, (H. Gnther, Trad.). Bra-slia: Laboratrio de Psicologia Ambiental, UnB. (Originalpublicado em 1984)

    Steinke, I. (2000). Gtekriterien qualitativer Forschung. [Critriosde qualidade de pesquisa qualitativa]. Em U. Flick, E. von Kardorff & I. Steinke (Orgs.), Qualitative Forschung: Ein Handbuch [Pesquisa qualitativa um manual]. (pp. 319-331). Reinbek: Rowohlt.

    Thiollent, M. (1985). Metodologia da pesquisa-ao. So Paulo: Cortez Editora.

    Turato, E. R. (2004). A questo da complementaridade e das dife-renas entre mtodos quantitativos e qualitativos de pesquisa:uma discusso epistemolgica necessria. Em S. Grubits & Jos A. V. Noriega (Orgs.), Mtodo qualitativo: epistemolo-gia, complementariedades e campos de aplicao (pp. 17- 51). So Paulo: Vetor Editora.

    Vogt, W. P. (1993). Dictionary of statistics and methodology: A nontechnical guide for the social scientist. Newbury Park: Sage.

    Werner, O. & Schoepe, G. M. (1987). Systematic eldwork, 1, 2.Newbury Park: Sage.

    5HFHELGRHP3ULPHLUDGHFLVmRHGLWRULDOHP

    9HUVmRQDOHP$FHLWRHP

    Anexo

    Seguem alguns links para recursos computacionais para a anlise de dados qualitativos. medida que existe grande di-versidade na coleta e anlise de dados, no surpreende a existncia de vrios programas.

    Um bom ponto de partida a pgina do Computer Assisted Qualitative Data Analysis (CAQDAS) Networking Project, http://caqdas.soc.surrey.ac.uk/, que apresenta, no seu stio uma comparao de seis importantes programas computacionais:ATLAS.ti, HyperRESEARCH, MAXqda, N6, NVivo, Qualrus.

    primeira vista, estes programas oferecem recursos muito semelhantes, como anlise de dados no somente textuais, mas tambm grcas, udio e vdeo, bem como interface com SPSS ou EXCEL. As pginas dos programas na Internet freqen-temente trazem links para textos sobre pesquisa qualitativa. A maioria dos programas tem interface em ingls, o MAXqda tambm tem interface em alemo e espanhol. O programa Alceste, desenvolvido na Frana, difere dos demais por ser orientado mais diretamente para uma anlise de contedo, tendo verses com interface em francs e ingls.

    A revista online Forum: Qualitative Social Research traz em maio de 2002 um nmero especial sobre o uso de tecnologiano processo de pesquisa qualitativa. A URL deste nmero www.qualitative-research.net/fqs/fqs-e/inhalt2-02-e.htm

    Links para ProgramasATLAS.ti www.atlasti.deHyperRESEARCH www.researchware.com/ MAXqda www.maxqda.com/maxqda-eng/start.htm (ingls) ou www.maxqda.com/maxqda-spa/ (espanhol).N6 e NVivo www.qsrinternational.com/index.htm.Qualrus www.qualrus.com/Qualrus.shtml Alceste http://www.image.cict.fr/

    Duas revista online e de acesso gratuito para pesquisa qualitativa:Forum: Qualitative Social Research URL: www.qualitative-research.net The Qualitative Report URL: www.nova.edu/ssss/QR/

Recommended

View more >