Plano de Trabalho Individual Na Sala de Recursos

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    13-Dec-2014

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<p>PLANO DE DESENVOLVIMENTO INDIVIDUAL: Avaliao e ao pedaggica na sala de recursos multifuncionais Rosimar Bortolini Poker Anna Augusta Sampaio de Oliveira (colaboradora) Sandra Eli Sartoreto de Oliveira Martins (colaboradora)</p> <p>Desde 1985, o governo brasileiro procura implementar uma nova poltica educacional que pretende garantir a universalizao da escolarizao. Observa-se o processo de democratizao do ensino, com a disseminao da ideia de justia social, atravs da garantia do ensino fundamental gratuito e obrigatrio para todos, sem exceo. Em 1994, o Brasil, tendo participado da Conferncia Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais: Acesso e Qualidade , realizada em Salamanca, na Espanha, assume o compromisso de que, at o ano de 2015, garantir o acesso de todas as crianas ao ensino fundamental, de forma gratuita e obrigatria. O governo compromete-se a transformar a educao brasileira em um sistema inclusivo, o que significa, em termos curriculares, que as escolas pblicas devem ser planejadas, e os programas de ensino organizados, considerando as diferentes caractersticas e necessidades de aprendizagem do alunado. Diante desse fato, as crianas com deficincia passam a ter a garantia de uma pedagogia diferenciada, capaz de identificar e satisfazer as suas necessidades, proporcionando-lhes condies de desenvolvimento e aprendizagem como todos os outros alunos. Consequentemente, a escola passa a redimensionar a sua forma de organizao e o seu funcionamento, para poder atender plenamente a todos os alunos. Em 1996, os princpios da educao inclusiva so reiterados, com a aprovao da Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional (LDB). Tal documento prev que as crianas com necessidades educacionais especiais tambm tm o direito de receberem educao na rede regular de ensino, ou seja, garantida a matrcula em escolas e classes comuns, independentemente de suas diferentes condies fsicas, motoras, intelectuais, sensoriais ou comportamentais. Os sistemas educacionais passam, assim, a enfrentar o desafio de construir uma pedagogia centrada no aluno, capaz de educar a todos.</p> <p>A LDB de 1996 reiterou o objetivo maior do ensino fundamental, isto , o oferecimento de formao bsica para a cidadania, tendo como base os princpios de uma sociedade inclusiva. A escola deve propiciar condies de aprendizagem que levem ao domnio da escrita, da leitura, do clculo, da compreenso do ambiente natural e social, do sistema poltico, da tecnologia, das artes e dos valores da sociedade, bem como o desenvolvimento da aprendizagem e da solidariedade humana. Com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional, em 1997, o governo federal publica os Parmetros Curriculares Nacionais. Constituram um importante referencial para a Educao Fundamental de todo o pas, respeitadas as diversidades culturais, regionais, tnicas e polticas, orientando os sistemas educacionais municipais e estaduais a se tornarem inclusivos, por meio de aes que favorecem a construo da cidadania dos alunos vinculada aos princpios democrticos. Para tanto, a proposta educacional precisa priorizar a qualidade da formao a ser oferecida aos alunos, tendo em vista o que a sociedade moderna demanda. Isso significa propor uma educao adequada s necessidades sociais, polticas, econmicas e culturais da realidade brasileira, propiciando o desenvolvimento pleno das competncias dos alunos, formando cidados autnomos, crticos e</p> <p>participativos, agindo com responsabilidade na sociedade em que vivem. Em sntese, a escola constitui-se numa instncia que garante a igualdade de oportunidades e de participao, promovendo a construo de uma sociedade inclusiva.</p> <p>O Papel do Professor na escola inclusiva O papel do professor, numa escola que se pauta nos princpios de uma educao inclusiva, de facilitador no processo de busca de conhecimento que parte do aluno. O professor quem organiza situaes de aprendizagem adequadas s diferentes condies e competncias, oferecendo oportunidade de</p> <p>desenvolvimento pleno para todos os alunos. Ressalta Mizukami (1986):O objetivo da educao, portanto, no consistir na transmisso de verdades, informaes, demonstraes, modelos, etc. e sim em que o aluno aprenda, por si prprio, a conquistar essas verdades, mesmo que tenha de realizar todos os tateios pressupostos por qualquer atividade real.</p> <p>Autonomia intelectual ser assegurada pelo desenvolvimento da personalidade e pela aquisio de instrumental lgico-racional. A educao dever visar que cada aluno chegue a essa autonomia. (MIZUKAMI, 1986, p.71).</p> <p>Nesse sentido, a escola e seus currculos precisam ser bem diferentes do que prope a educao tradicional. Sua atuao deve ser mais ampla e complexa, considerando o contexto histrico e poltico da sociedade, os interesses, competncias e limitaes dos sujeitos inseridos nas diferentes realidades. Tendo como base uma pedagogia problematizadora, provocar nos sujeitos o esprito crtico, a reflexo, comprometendo-se com uma ao transformadora. Ao professor cabe criar condies para que os alunos superem a situao atual vivenciada pela realidade social e tambm pelas condies orgnicas e/ou intelectuais ou transtornos provocados por deficincias de ordem sensorial, intelectual, motora, comportamental ou fsica. Na escola que assume a perspectiva inclusiva, todo professor busca despertar e desenvolver competncias e propor contedos compatveis com as experincias vividas pelos alunos, para que atribuam significado aos contedos, tendo participao ativa nesse processo. No caso dos alunos com deficincia, o professor precisa identificar e conhecer as suas competncias e os</p> <p>recursos/estratgias de ensino que proporcionam a sua aprendizagem, de forma a superar ou compensar os comprometimentos existentes.</p> <p>Currculo e Educao Inclusiva Os atuais Parmetros Curriculares Nacionais, ao preencher as exigncias do contexto social e poltico do Brasil, expressam, explicitamente, uma opo por um currculo que contemple os princpios da Educao Inclusiva. Os sistemas educacionais e as escolas passam a ser organizados para acolher a diversidade do alunado. Desse modo, torna-se fundamental conceber o funcionamento e a organizao da escola, bem como o ensino e a aprendizagem, sob novas bases epistemolgicas. A escola constitui-se no lugar do aprender entendendo-se aqui a aprendizagem como processo de apropriao do</p> <p>conhecimento pelo aluno. Tal processo, muito diferente do que acontece na escola tradicional, altera todas as dimenses do currculo. Os objetivos, os contedos, a metodologia utilizada, os procedimentos de ensino e mesmo os instrumentos de avaliao,</p> <p>precisam estar associados aos interesses e necessidades do aluno. Nesse contexto, o Atendimento Educacional Especializado, que se constitui no servio complementar que d suporte educao dos alunos com necessidades educacionais especiais, necessita igualmente de ser ressignificado. Tal atendimento complementar subsidia a ao pedaggica do professor da classe regular, que ser orientado a empregar estratgias e/ou recursos diferenciados para suprir as necessidades educacionais de alunos com deficincia, com transtorno global de desenvolvimento e tambm de alunos com altas habilidades. O Atendimento Educacional Especializado (AEE), na perspectiva da educao inclusiva, tem um carter exclusivamente de suporte e apoio educao regular, atravs do atendimento escola, ao professor da classe regular e ao aluno. Para o aluno com deficincia, transtorno global do desenvolvimento ou altas habilidades, o atendimento educacional especializado, oferecido na sala de recursos multifuncionais, visa a oferecer o ensino de contedos especficos, estratgias e utilizao de recursos diferenciados, no existentes na classe regular, que so fundamentais para garantir a sua aprendizagem. So exemplos desses contedos: o cdigo braile, o uso da reglete e do Sorobam, a Lngua Brasileira de Sinais, a Comunicao Alternativa, estratgias cognitivas diferenciadas etc. Acrescenta-se ainda o ensino sobre o uso de materiais e recursos pedaggicos adaptados e alternativos que favorecem a aprendizagem do clculo, da comunicao, da leitura e da escrita. As habilidades desenvolvidas pelo aluno com deficincia nas salas multifuncionais so imprescindveis para garantir o acesso ao currculo da classe regular. Favorecem a eliminao ou conseguem minimizar as barreiras de comunicao, de compreenso, de locomoo, entre outras barreiras que dificultam ou obstaculizam a apropriao, pelo sujeito, dos contedos desenvolvidos pela escola. O Atendimento Educacional Especializado (AEE) que ocorre nas salas de recursos multifuncionais, em horrio contrrio ao da classe regular, tem por objetivo proporcionar s crianas um trabalho complementar especfico, para que possam superar e/ou compensar as limitaes causadas pelos seus comprometimentos sensoriais, fsicos, intelectuais ou comportamentais, desenvolvendo e explorando ao mximo suas competncias e habilidades.</p> <p>Nesse sentido, o ensino nas salas de recursos multifuncionais no pode ser homogeneizador. Ao contrrio, necessrio que se faa um diagnstico a respeito da situao cognitiva, sensorial, comportamental, fsica, motora e escolar de cada aluno atendido, por meio de uma avaliao pedaggica diferencial e, a partir desse trabalho, seja elaborado um plano de ensino individualizado que considere as suas limitaes, suas dificuldades e valorize as suas capacidades e potencialidades. Afinal, a escola denominada inclusiva constitui-se, primordialmente, no lugar em que todos tm oportunidade de aprender, de acordo com as habilidades, o ritmo e o estilo de aprendizagem de cada um.</p> <p>Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) O Atendimento Educacional Especializado oferecido pela sala de recursos multifuncionais tem a incumbncia de atender s necessidades educacionais especiais de cada aluno com deficincia ou transtorno global do desenvolvimento, proporcionando-lhe o acesso aos contedos curriculares desenvolvidos nas classes regulares. Nesse sentido, a ao pedaggica do professor da sala de recursos multifuncionais deve ser detalhadamente planejada de forma a suprir as necessidades educacionais de cada aluno, criando condies que proporcionam e favorecem a sua aprendizagem, superando as barreiras antes existentes. Na escola denominada inclusiva, o atendimento educacional realizado pelo professor especializado na sala de recursos multifuncionais constitui-se em um suporte fundamental para garantir a participao e aprendizagem do aluno com deficincia ou transtornos globais do desenvolvimento, na classe comum. Sua ao ser delineada pelo Plano de Desenvolvimento Individual (PDI), documento que registra a avaliao e a interveno especializada realizada pelo professor do atendimento educacional especializado, na sala de recursos multifuncinais. O PDI constitudo de duas partes, sendo a primeira destinada a informes e avaliao e a segunda voltada para a proposta de interveno. So assim denominadas: Parte I Informaes e avaliao do aluno, e Parte II Plano Pedaggico Especializado. Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) Parte I Informaes e avaliao do aluno</p> <p>A avaliao um processo fundamental na organizao de uma escola denominada inclusiva. Subsidia o planejamento das aes a serem desenvolvidas pela escola, pelos professores da sala de recursos multifuncionais e, tambm, da sala regular. Por meio dos dados coletados no processo de avaliao, possvel decidir quais so as melhores atitudes, estratgias, metodologias e recursos, bem como quais objetivos e contedos devem ser desenvolvidos, de forma a preencher as necessidades e interesses do aluno, dando-lhe uma resposta educativa adequada s suas possibilidades, favorecendo seu pleno desenvolvimento. Num sistema educacional denominado inclusivo, a avaliao no serve apenas para mensurar o que o aluno no sabe, como ocorre na escola tradicional. Vai muito alm disso. Constitui-se em um instrumento que permite ao gestor e ao professor identificar a situao da escola, da sala de aula e dos alunos em relao s condies favorecedoras e s barreiras de aprendizagem existentes. Afinal, a escola deve ser entendida como o lugar do aprender; para tanto, deve se adequar, se preparar para responder aos interesses e necessidades do seu alunado. No caso do professor da sala de recursos multifuncionais, a avaliao faz parte do plano de trabalho do professor que, a fim de elaborar o planejamento para o aluno, precisa identificar quais so os elementos facilitadores e quais so as barreiras que esto dificultando a aprendizagem do aluno, na escola e na sala de aula. Tambm propicia a identificao das necessidades educacionais especiais vinculadas ao prprio aluno, as quais dificultam ou impedem que a sua aprendizagem escolar ocorra. Incluem-se, nesse caso, problemas visuais, intelectuais, comportamentais, motores, auditivos, fsicos etc. A partir dos dados coletados no processo de avaliao, o professor da sala de recursos poder elaborar e desenvolver o Plano Pedaggico Individualizado, que tem como objetivo atender s necessidades de cada aluno, de forma a superar ou compensar as barreiras de aprendizagem diagnosticadas, tanto no mbito da escola e da sala de aula, como do prprio aluno. Somente uma avaliao detalhada das competncias de aprendizagem, capaz de coletar dados sobre as dificuldades do aluno, no que tange aos processos cognitivos subjacentes aos diferentes contedos, bem como aos aspectos sociais, familiares, emocionais e escolares, que permite, de fato, planejar estratgias pedaggicas individualizadas, para promover o seu desenvolvimento. Avaliao e interveno passam a se relacionar diretamente.</p> <p>Uma educao verdadeiramente inclusiva reconhece a diversidade do seu alunado e, por isso mesmo, adapta-se s suas caractersticas de aprendizagem, mas, para isso ocorrer, o professor precisa conhecer tais caractersticas. Com base nos dados coletados na avaliao, o professor capaz de planejar e oferecer respostas educativas especficas adequadas e diversificadas, que proporcionam, para o aluno, formas de superar ou compensar as barreiras de aprendizagem existentes nos diferentes mbitos. Assim, a escola organiza-se, propiciando as melhores condies possveis de aprendizagem para o aluno. Por meio dos dados coletados no processo de avaliao o professor especializado pode identificar as reas comprometidas e as competncias do aluno que podem ser exploradas e aprimoradas. Alm disso, tais dados quando analisados, podem instrumentalizar e orientar o professor da classe comum, os gestores da escola e a famlia, para que o aluno tenha acesso, de fato, aos contedos curriculares. A Parte I do Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) apresenta cinco tpicos. O tpico 1 tem como objetivo coletar informaes a respeito da identificao do aluno. O tpico 2 aponta dados familiares que so importantes para contextualizar a situao do aluno, na famlia, bem como a sua situao social e econmica. O tpico 3 aborda a trajetria escolar do aluno, informao fundamental para o professor poder conhecer as experincias j vividas, as oportunidades que o aluno j teve e, tambm, a maneira como a...</p>

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