Plano de Trabalho Individual Na Sala de Recursos

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PLANO DE DESENVOLVIMENTO INDIVIDUAL: Avaliao e ao pedaggica na sala de recursos multifuncionais Rosimar Bortolini Poker Anna Augusta Sampaio de Oliveira (colaboradora) Sandra Eli Sartoreto de Oliveira Martins (colaboradora)

Desde 1985, o governo brasileiro procura implementar uma nova poltica educacional que pretende garantir a universalizao da escolarizao. Observa-se o processo de democratizao do ensino, com a disseminao da ideia de justia social, atravs da garantia do ensino fundamental gratuito e obrigatrio para todos, sem exceo. Em 1994, o Brasil, tendo participado da Conferncia Mundial sobre Necessidades Educativas Especiais: Acesso e Qualidade , realizada em Salamanca, na Espanha, assume o compromisso de que, at o ano de 2015, garantir o acesso de todas as crianas ao ensino fundamental, de forma gratuita e obrigatria. O governo compromete-se a transformar a educao brasileira em um sistema inclusivo, o que significa, em termos curriculares, que as escolas pblicas devem ser planejadas, e os programas de ensino organizados, considerando as diferentes caractersticas e necessidades de aprendizagem do alunado. Diante desse fato, as crianas com deficincia passam a ter a garantia de uma pedagogia diferenciada, capaz de identificar e satisfazer as suas necessidades, proporcionando-lhes condies de desenvolvimento e aprendizagem como todos os outros alunos. Consequentemente, a escola passa a redimensionar a sua forma de organizao e o seu funcionamento, para poder atender plenamente a todos os alunos. Em 1996, os princpios da educao inclusiva so reiterados, com a aprovao da Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional (LDB). Tal documento prev que as crianas com necessidades educacionais especiais tambm tm o direito de receberem educao na rede regular de ensino, ou seja, garantida a matrcula em escolas e classes comuns, independentemente de suas diferentes condies fsicas, motoras, intelectuais, sensoriais ou comportamentais. Os sistemas educacionais passam, assim, a enfrentar o desafio de construir uma pedagogia centrada no aluno, capaz de educar a todos.

A LDB de 1996 reiterou o objetivo maior do ensino fundamental, isto , o oferecimento de formao bsica para a cidadania, tendo como base os princpios de uma sociedade inclusiva. A escola deve propiciar condies de aprendizagem que levem ao domnio da escrita, da leitura, do clculo, da compreenso do ambiente natural e social, do sistema poltico, da tecnologia, das artes e dos valores da sociedade, bem como o desenvolvimento da aprendizagem e da solidariedade humana. Com base na Lei de Diretrizes e Bases da Educao Nacional, em 1997, o governo federal publica os Parmetros Curriculares Nacionais. Constituram um importante referencial para a Educao Fundamental de todo o pas, respeitadas as diversidades culturais, regionais, tnicas e polticas, orientando os sistemas educacionais municipais e estaduais a se tornarem inclusivos, por meio de aes que favorecem a construo da cidadania dos alunos vinculada aos princpios democrticos. Para tanto, a proposta educacional precisa priorizar a qualidade da formao a ser oferecida aos alunos, tendo em vista o que a sociedade moderna demanda. Isso significa propor uma educao adequada s necessidades sociais, polticas, econmicas e culturais da realidade brasileira, propiciando o desenvolvimento pleno das competncias dos alunos, formando cidados autnomos, crticos e

participativos, agindo com responsabilidade na sociedade em que vivem. Em sntese, a escola constitui-se numa instncia que garante a igualdade de oportunidades e de participao, promovendo a construo de uma sociedade inclusiva.

O Papel do Professor na escola inclusiva O papel do professor, numa escola que se pauta nos princpios de uma educao inclusiva, de facilitador no processo de busca de conhecimento que parte do aluno. O professor quem organiza situaes de aprendizagem adequadas s diferentes condies e competncias, oferecendo oportunidade de

desenvolvimento pleno para todos os alunos. Ressalta Mizukami (1986):O objetivo da educao, portanto, no consistir na transmisso de verdades, informaes, demonstraes, modelos, etc. e sim em que o aluno aprenda, por si prprio, a conquistar essas verdades, mesmo que tenha de realizar todos os tateios pressupostos por qualquer atividade real.

Autonomia intelectual ser assegurada pelo desenvolvimento da personalidade e pela aquisio de instrumental lgico-racional. A educao dever visar que cada aluno chegue a essa autonomia. (MIZUKAMI, 1986, p.71).

Nesse sentido, a escola e seus currculos precisam ser bem diferentes do que prope a educao tradicional. Sua atuao deve ser mais ampla e complexa, considerando o contexto histrico e poltico da sociedade, os interesses, competncias e limitaes dos sujeitos inseridos nas diferentes realidades. Tendo como base uma pedagogia problematizadora, provocar nos sujeitos o esprito crtico, a reflexo, comprometendo-se com uma ao transformadora. Ao professor cabe criar condies para que os alunos superem a situao atual vivenciada pela realidade social e tambm pelas condies orgnicas e/ou intelectuais ou transtornos provocados por deficincias de ordem sensorial, intelectual, motora, comportamental ou fsica. Na escola que assume a perspectiva inclusiva, todo professor busca despertar e desenvolver competncias e propor contedos compatveis com as experincias vividas pelos alunos, para que atribuam significado aos contedos, tendo participao ativa nesse processo. No caso dos alunos com deficincia, o professor precisa identificar e conhecer as suas competncias e os

recursos/estratgias de ensino que proporcionam a sua aprendizagem, de forma a superar ou compensar os comprometimentos existentes.

Currculo e Educao Inclusiva Os atuais Parmetros Curriculares Nacionais, ao preencher as exigncias do contexto social e poltico do Brasil, expressam, explicitamente, uma opo por um currculo que contemple os princpios da Educao Inclusiva. Os sistemas educacionais e as escolas passam a ser organizados para acolher a diversidade do alunado. Desse modo, torna-se fundamental conceber o funcionamento e a organizao da escola, bem como o ensino e a aprendizagem, sob novas bases epistemolgicas. A escola constitui-se no lugar do aprender entendendo-se aqui a aprendizagem como processo de apropriao do

conhecimento pelo aluno. Tal processo, muito diferente do que acontece na escola tradicional, altera todas as dimenses do currculo. Os objetivos, os contedos, a metodologia utilizada, os procedimentos de ensino e mesmo os instrumentos de avaliao,

precisam estar associados aos interesses e necessidades do aluno. Nesse contexto, o Atendimento Educacional Especializado, que se constitui no servio complementar que d suporte educao dos alunos com necessidades educacionais especiais, necessita igualmente de ser ressignificado. Tal atendimento complementar subsidia a ao pedaggica do professor da classe regular, que ser orientado a empregar estratgias e/ou recursos diferenciados para suprir as necessidades educacionais de alunos com deficincia, com transtorno global de desenvolvimento e tambm de alunos com altas habilidades. O Atendimento Educacional Especializado (AEE), na perspectiva da educao inclusiva, tem um carter exclusivamente de suporte e apoio educao regular, atravs do atendimento escola, ao professor da classe regular e ao aluno. Para o aluno com deficincia, transtorno global do desenvolvimento ou altas habilidades, o atendimento educacional especializado, oferecido na sala de recursos multifuncionais, visa a oferecer o ensino de contedos especficos, estratgias e utilizao de recursos diferenciados, no existentes na classe regular, que so fundamentais para garantir a sua aprendizagem. So exemplos desses contedos: o cdigo braile, o uso da reglete e do Sorobam, a Lngua Brasileira de Sinais, a Comunicao Alternativa, estratgias cognitivas diferenciadas etc. Acrescenta-se ainda o ensino sobre o uso de materiais e recursos pedaggicos adaptados e alternativos que favorecem a aprendizagem do clculo, da comunicao, da leitura e da escrita. As habilidades desenvolvidas pelo aluno com deficincia nas salas multifuncionais so imprescindveis para garantir o acesso ao currculo da classe regular. Favorecem a eliminao ou conseguem minimizar as barreiras de comunicao, de compreenso, de locomoo, entre outras barreiras que dificultam ou obstaculizam a apropriao, pelo sujeito, dos contedos desenvolvidos pela escola. O Atendimento Educacional Especializado (AEE) que ocorre nas salas de recursos multifuncionais, em horrio contrrio ao da classe regular, tem por objetivo proporcionar s crianas um trabalho complementar especfico, para que possam superar e/ou compensar as limitaes causadas pelos seus comprometimentos sensoriais, fsicos, intelectuais ou comportamentais, desenvolvendo e explorando ao mximo suas competncias e habilidades.

Nesse sentido, o ensino nas salas de recursos multifuncionais no pode ser homogeneizador. Ao contrrio, necessrio que se faa um diagnstico a respeito da situao cognitiva, sensorial, comportamental, fsica, motora e escolar de cada aluno atendido, por meio de uma avaliao pedaggica diferencial e, a partir desse trabalho, seja elaborado um plano de ensino individualizado que considere as suas limitaes, suas dificuldades e valorize as suas capacidades e potencialidades. Afinal, a escola denominada inclusiva constitui-se, primordialmente, no lugar em que todos tm oportunidade de aprender, de acordo com as habilidades, o ritmo e o estilo de aprendizagem de cada um.

Plano de Desenvolvimento Individual (PDI) O Atendimento Educacional Especializado oferecido pela sala de recursos multifuncionais tem a incumbncia de atender s necessidades educacionais especiais de cada aluno com deficincia ou transtorno global do desenvolvimento, proporcionando-lhe o acesso aos contedos curriculares desenvolvidos nas classes regulares. Nesse sentido, a ao pedaggica do