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Plataforma pelo fortalecimento da comunicao pblica no Brasil

1. Conceito e papel das emissoras do campo pblico

O campo pblico de comunicao rene diversas emissoras que atuam sem finalidade comercial e que tm como misso ser um reflexo da diversidade e da pluralidade, respeitar e promover os direitos humanos e contribuir para a construo da cidadania. Ele inclui emissoras pblicas, educativas, comunitrias, universitrias e legislativas. Esses veculos estimulam o respeito, a preservao e o desenvolvimento da diversidade lingustica, de tradies, religies, gnero, sexualidade, origens, costumes, contextos e formas de expresso tanto em suas programaes comona sua composio. Tambm consideram a pluralidade de ideias, fontes, setores, alcances (nacional,regional, local), formatos e de tipos de contedo (cultural, poltico, educativo, cientfico). Sua marca colocar o interesse da sociedade acima de interesses econmicos e polticos especficos.

Garantir a liberdade de expresso de toda a diversidade cultural brasileira significa hoje contrapor-se padronizao e composio estereotipada, empobrecida e rasa que a mdia comercial do pas faz da realidade. Indgenas, negras e negros, mulheres, LGBTTs, pessoas com deficincia, jovens e idosos tambm tm direito a ter suas representatividades garantidas e a ocuparem espaos de produo e veiculao de contedos na mdia brasileira. O fortalecimento da comunicao pblica entender tambm a comunicao plural e diversa enquanto direito dos cidados.

Para isso, as emissoras do campo pblico buscam refletir as diferentes manifestaes tambm nas suas diversas formas de produo, criao, participao e de uso. Estes meios devem ser um espaode experimentao e inovao de linguagens, contedos, formatos e tecnologias a fim de atender e dar lugar s necessidades, interesses e inquietudes dos distintos setores da populao. Como se regem por objetivos diferentes dos comerciais, os meios pblicos tm a liberdade de tentar e promover a atualizao e o desenvolvimento de novas formas, tecnologias e ideias. Assim, essas emissoras tambm cumprem sua tarefa de formar cidados/s crticos, capazes de manifestar suas ideias, opinies e aes e de exercer sua cidadania.

Tal prtica deve considerar, inclusive, a participao da sociedade na definio e na gesto dos prprios meios pblicos. A populao deve contar com diferentes formas de participao incluindo a possibilidade de definio, planejamento, monitoramento e avaliao de todas as instncias que fazem parte da gesto dos meios pblicos (misso, comunicao, organizao, economia)

Esta participao deve ser diversa e vinculante, de forma que possa representar vrios setores e garantir a independncia de todos os poderes no seu financiamento, equipe, presena territorial e linha editorial.

2. Diagnstico

2.1 Um rpido histrico

A radiodifuso no Brasil nasceu pblica, nos anos 20, com a Rdio Sociedade do Rio de Janeiro, criada por Edgard Roquette-Pinto. Na virada da dcada de 1930 para 1940, a Rdio Nacional tornou-se emissora de destaque na emergente mdia brasileira. Mas, apesar destes dois exemplos, a consolidao do sistema de rdio e TV no Brasil privilegiou, a partir do governo de Getlio Vargas, os operadores privados e a atividade com fins comerciais. A experincia de mdia pblica no pas sfoi surgir efetivamente na dcada de 1960, com a criao do servio de televiso educativa. A Constituio Federal de 1988 estabeleceu em seu artigo 223 que as emissoras de rdio e TV brasileiras deveriam ser organizadas em trs sistemas: pblico, privado e estatal. Com isso, criou a base legal para o campo pblico.

A regulao da TV a Cabo, nos anos 90, estabeleceu a obrigatoriedade das operadoras do servio reservarem espao seis canais bsicos de utilizao gratuita: (1) da Cmara, (2) do Senado, (3) universitrio, (4) comunitrio, (5) da Justia, (6) das Assembleias Legislativas e (7) Cmaras de Vereadores. Apenas uma parte pequena desses canais conseguiu migrar para a TV aberta em algumas cidades, em especial as TVs Cmara e Senado e as de Assembleias e Cmara Municipais.

Em 1998, as rdios comunitrias foram regulamentadas pela Lei 9612, que institui o Servio de Radiodifuso Comunitria. A legislao trata apenas das rdios, denominando o servio como o de radiodifuso sonora em FM, operada em baixa potncia e cobertura restrita, outorgada a fundaes e associaes comunitrias, sem fins lucrativos, e com sede na localidade de prestao do servio. Atualmente, em torno de 4.600 emissoras esto autorizadas a operarem como rdio comunitria.

Entre 2006 e 2007, o tema ganhou notoriedade com a iniciativa do Ministrio da Cultura e da Radiobrs de realizao do 1 Frum de TVs Pblicas. O evento teve importncia fundamental ao pautar a questo, resultando em um amplo diagnstico e um programa de mudanas para criao deum efetivo sistema pblico de comunicao, com foco na televiso, no pas. Uma segunda edio foi realizada em 2009, na Cmara dos Deputados. Em 2008, a Associao das Rdios Pblicas do Brasil (Arpub) promoveu frum semelhante envolvendo as estaes radiofnicas, com apoio da Associao Mundial de Rdios Comunitrias (Amarc) e da Associao Brasileira de Radiodifuso Comunitria (Abrao).

Em 2006, o Decreto 5.820, que instituiu o Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (SBTVD), previu a criao de mais quatro canais: um do Poder Executivo Federal, um da educao, um da cultura e um da cidadania. Destes, seguem no papel os canais da educao e da cultura. O Canal da Cidadania foi regulamentado em 2012 e comea a ser implantado com quatro faixas de

programao (subcanais): uma para o poder pblico estadual, uma para o poder pblico municipal eduas para produo exclusiva da sociedade.

Em 2008, foi aprovada a Lei n 11.652, que instituiu a Empresa Brasil de Comunicao (EBC), gestora da TV Brasil, da TV Brasil Internacional, de nove emissoras de rdio, da Agncia Brasil e da Rdioagncia Nacional. Ela foi um marco ao, 20 anos depois, dar impulso concretizao do sistema pblico previsto na Constituio Federal. A criao da EBC significou um esforo importante de superao do passado de atrelamento destes canais pblicos aos governos e autoridades para apontar na direo da construo de iniciativas efetivamente pblicas.

Ao longo destes sete anos, a empresa se consolidou, mas ainda enfrenta desafios. A reunio de veculos pblicos e estatais em um mesmo espao e a vinculao institucional Secretaria de Comunicao Social da Presidncia da Repblica (Secom), por exemplo, mantiveram uma dose de confuso na definio clara do perfil das emissoras e trouxeram obstculos garantia da autonomia necessria e prevista na lei de criao da empresa. Alm de indicar os principais cargos da empresa,a Secom responsvel pela divulgao dos atos do Governo Federal, tornando-se tambm a principal cliente da EBC Servios, que o brao de prestao de servios e uma das fontes de arrecadao financeira da empresa. Questes como esta ainda precisam ser enfrentadas, no sentido de aprimorar e fortalecer a comunicao pblica no pas.

No ltimo perodo, tambm foi criada a Rede Nacional de TVs Pblicas, cuja coordenao prerrogativa legal da EBC. A Rede, instituda em 2010, agrega os 4 canais abertos da TV Brasil (RJ,DF, SP e MA), 15 emissoras pblicas estaduais de TV, e sete emissoras universitrias federais de TV, atingindo cerca de 23 Estados brasileiros e o DF, com uma rede de 765 retransmissoras prprias de TV, permitindo atingir um pblico potencial de 120 milhes de telespectadores. Ela funciona com um limite de 10 horas e meia para as transmisses nacionais simultneas, sendo quatro delas formada por produo das emissoras parceiras, e admite 03 tipos de categorias de associao, dependendo do nmero de horas de transmisso simultnea. J a Rede Nacional de Rdios Pblicas ainda est sendo estruturada.

A criao da Rede Nacional de TVs Pblicas levou objetivos e princpios da EBC aos demais entes participantes. Novas experincias de comunicao pblica surgiram inspiradas neste modelo, como a implantao da Empresa Pernambuco de Comunicao. Houve, mesmo que timidamente, novidades na destinao de verbas oficiais para os veculos do campo. E programas de fomento, como o Brasil de Todas as Telas, passaram a contemplar tambm os atores do setor. Contudo, restam diversos desafios para que o campo pblico possa ocupar o espao que merece no sistema demdia brasileiro.

2.2 Problemas na legislao

At o momento, no h uma definio completa na legislao sobre os sistemas pblico, privado e

estatal. Enquanto a radiodifuso pblica do Poder Executivo Federal (sob a responsabilidade da EBC) possui princpios, objetivos e modelos de gesto e financiamento claros, as emissoras pblicas, educativas e culturais estaduais seguem regidas pelo Decreto-Lei 236 de 1967, que est ultrapassado, j que determina que as emissoras educativas devem apenas transmitir aulas, palestrase debates.

A esse vcuo legal soma-se a falta de disposio do Governo Federal para implantar parte das emissoras previstas no Decreto 5.820/2006, notadamente o canal da cultura e o canal da educao. As emissoras que operam na TV por assinatura tiveram praticamente repetido o texto da Lei do Cabo (8.977/1995) na Lei n 12.485, chamada Lei do SEAC (Servio de Acesso Condicionado), que atualizou a regulao da TV paga no pas. Seguem, em boa parte, restritas a quem possui condio de contratar esse servio.

J as rdios comunitrias possuem legislao prpria (Lei 9612/1998), mas que vem sendo questionada historicamente pelas estaes por limitar a potncia e o alcance, no prever um modelode financiamento, impedir a formao de redes e colocar imposies desiguais em relao s rdios comerciais. Some-se a isso a criminalizao prevista na legislao de atividades de transmisso noautorizadas, que atinge parte importante desses comunicadores. Um levantamento realizado pela ONG Artigo 19 apontou que em 2012 havia 2.113 processos penais contra rdios comunitrias.

Mais recentemente, uma fiscalizao indita resultante de uma "operao

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