POMAR DOMÉSTICO - APOSTILA

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POMAR DOMSTICO

SOUZA, O.P. MELO, B.

SUMRIO

1 INTRODUO 2 PLANEJAMENTO DO POMAR DOMSTICO 2.1 Clima 2.2 Solo 2.3 Escolha do local 2.4 Espcies 2.5 Experincia Local 2.6 Possibilidades de aproveitamento das sobras 2.7 Sugestes para formao de um pomar 3 PREPARO DO TERRENO 3.1 Limpeza 3.2 Retirada de amostra para anlise 3.3 Calagem 3.4 Arao e gradagem 4 AQUISIO DAS MUDAS 5 TRANSPORTE DAS MUDAS 6 ESPAAMENTO 7 LOCAO DO POMAR 8 ABERTURA DAS COVAS 9 ADUBAO DE PLANTIO 10 PLANTIO DA MUDA 11 TRATOS CULTURAIS 11.1 Cobertura Morta 11.2 Capinas 11.3 Irrigao 11.4 Adubao de formao e frutificao 11.5 Espaldeiramento 11.6 Abertura de copa 11.7 Quebra de dormncia 11.8 Induo florao 11.9 Raleio de Frutos 11.10 Ensacamento dos frutos 11.11 Polinizao artificial das flores 11.12 Escoramento de ramos e plantas 11.13 Desfolha 12 PODAS 12.1 Poda de Formao 12.2 Poda de Frutificao 12.3 Poda de limpeza 12.4 Encurtamento 12.5 Instrumentos para poda 13 CONTROLE DE PRAGAS E DOENAS 13.1 Principais Pragas 14 FUNGICIDAS RECOMENDADOS PARA CONTROLE DE DOENAS

14.1 Calda bordalesa 1% 14.2 Pasta bordalesa 14.3 Calda viosa 15 INSETICIDAS RECOMENDADOS PARA CONTROLE DE PRAGAS 15.1 gua de fumo 15.2 gua de sabo 15.3 Soluo de querosene e sabo 15.4 Pasta para pincelamento de tronco 16 CONTROLE DE FORMIGAS 16.1 Cone para proteo contra formigas 16.2 Sacos plsticos com iscas para formiga 17 CONTROLE DE MOSCAS-DAS-FRUTAS 17. l Garrafa caa-mosca 18 COLHEITA 19 COMERCIALIZAO 20 EQUIPAMENTOS E FERRAMENTAS USADAS NO POMAR 21 BIBLIOGRAFIA

1 INTRODUO O plantio de espcies frutferas uma boa opo de diversificao para as propriedades agrcolas, pois alm de rentvel, contribui para melhorar a qualidade de alimentao do agricultor e sua famlia, com utilizao da fruta in naturae industrializada.

Ao produzir seu prprio alimento, o homem deixa de adquiri-lo de outros e, com isso, diminui sua despesa. O que sobrar do consumo familiar pode ser vendido, tornando uma fonte de renda. A disponibilidade de frutas produzidas no prprio pomar motiva o hbito de

consumi-las regulamente e em quantidade suficiente, resultando em suprimento de minerais e vitaminas que o corpo humano necessita e que fornecido pelas frutas, conforme Quadro 1. 2 PLANEJAMENTO DO POMAR DOMSTICO 2.1 Clima O sucesso de um pomar domstico ou comercial est diretamente ligado escolha da variedade, qualidade da muda e aos cuidados no plantio. Como as diversas espcies e variedades frutferas tm diferentes exigncias climticas, importante que o agricultor, antes de implantar o pomar, consulte um tcnico da rea, para adequar as espcies a serem plantadas ao clima da regio. O clima tem grande importncia na fruticultura, pois determina as espcies frutferas a serem plantadas. Algumas espcies necessitam de clima tropical (quente), outras de clima subtropical (meio quente) e existem aquelas que se adaptam melhor ao clima temperado (frio). 2.2 Solo De maneira geral, as caractersticas fsicas (estrutura, profundidade, etc.) so consideradas mais importantes que as qumicas, por serem de mais difcil modificao, pois so necessrios vrios anos para a formao de um solo. As condies qumicas, pela aplicao de fertilizantes, so de correo mais fcil e barata. Para conhecer o solo, fundamental que amostras dele retiradas sejam analisadas em laboratrios especializados. 2.3 Escolha do local O local para plantio de um pomar domstico deve preencher certos requisitos que permitam a obteno de plantas produtivas, sadias e duradouras: O terreno deve ser de preferncia plano ou levemente inclinado; O solo deve ser profundo, bem drenado e livre de cascalho; Existncia de gua potvel nas proximidades. O terreno deve ser cercado para evitar a entrada de animais. 2.4 Espcies Escolher espcies e variedades de maior aceitao e de maior aproveitamento. As frutas mais recomendadas so aquelas preferidas pela famlia e que podem ser utilizadas, tanto para consumo ao natural, como na forma de gelias, compotas, sucos etc. Seguem algumas sugestes de espcies e variedades: Abacateiro: Pollock (B), Geada (B), Simmonds (A) Os precoces; Fortuna (A), Collinson (A) e Quintal (B) - meia estao; Ouro Verde (B), Prince (B), Margarida (B) e Wagner (A) tardias. Abacaxizeiros: Prola (mais doce) e Smooth Cayenne ou Caiena ou Liso (mais cido), Jupi, Primavera etc. Ameixeiras: Carmesin, Kelsey Paulista, Gema de Ouro, Centenria e Januria. Anonceas: Pinha, Graviola, Ata, Atemia, Jaca. Bananeiras: Prata comum, Prata An, Mysore, Nanico, Marmelo, Terra e Ma. Caquizeiros: Fuyu, Taubat, Rama Forte e Jir.

Caramboleira: Comum. Cidreira: Este grupo deve representar 40% da rea do pomar, com destaque para as laranjeiras tardias (Pra Rio, Natal e Valncia). Coqueiro: Ano, Hbrido e Gigante. Figueira: Roxo de Valinhos. Goiabeiras: IAC-4, Ogawa n 3, Kumagai, Pedro Sato, Paluma. Jabuticabeira: Sabar e Paulista. Laranjeiras: Parnsia, Campista, Serra Dgua (Ilha), Seleta, Baia, Baianinha, Pra Rio, Valncia, Lima Verde ou Tardia, Natal, Sangunea etc. Limas doces: Lima da Prsia e de Umbigo Limoeiros e Limas cidas: Siciliano, Tahiti, Galego, Cravo. Macadmias: IAC 4-20 e IAC 5-10. Macieiras: Brasil, Rainha, Ana, Gala. Mamoeiros: Sunrise Solo (papaya ou amaznia), Tainung 1 e 2 (mamo baiano) e tipos comuns (polpa amarela). Mangueiras: Bourbon, Corao de Boi e Espada - precoces; Haden 2 H e Tommy Atkins, Santa Cruz - meia estao; Keitt, Pavo, Ouro, Ub tardias, Sabina. Maracujazeiros: Amarelo (suco), Roxo (suco), maracuj-doce (consumo in natura). Marmeleiro: Portugal. Mexeriqueira: Rio. Nespereira: Mizuho e Precoce de Itaquera. Pereiras: Pra Dgua, Smith, Tenra, Triunfo. Pequizeiro: Comum Pessegueiro: Ouro Mel, Aurora, Diamante, Biuti, Talism, Tropical, Jia. Tangerineiras: Cravo, Ponkan, Dancy, Murcotte. Videiras: niagara branca e rosada, Isabel, Itlia, Thompson.

Outras espcies, nativas, subexploradas. De acordo com as preferncias, existe uma grande relao de frutferas neste grupo, que podero completar o pomar. Muitas so excelentes para a produo de sucos, sorvetes, gelias, doces, etc., como por exemplo: abieiro, acerola, araazeiro, cabeludinha, cainiteiro, caj-manga, caramboleira, gravioleira, grumixameira, jabuticabeira, jaqueira, kiwizeiro, lichieira, nogueira pec, pinha, pitangueira, pitombeira, romzeira, sapotizeiro, sirigueleira, tamarindeiro, uvaieira. 2.5 Experincia Local Considerar a experincia de fruticultores e vizinhos que j plantaram ou possuem pomares. 2.6 Possibilidades de aproveitamento das sobras Efetuar um levantamento regional das possibilidades de venda do excesso da produo, junto a vizinhos, mercearias, mercados e indstrias. 2.7 Sugestes para formao de um pomar As sugestes a seguir podem ser utilizadas para a formao de um pomar domstico em rea de 5.000 m (0,5 ha):

QUADRO 2: Sugestes para formao de um pomarEspcie Citros (Laranjeiras) Citros (Tangerineiras) Citros (Limoeiros) Citros (Outras) Abacateiros Abacaxizeiros Bananeiras Caquizeiros Figueiras Fruta do Conde (Pinha) Goiabeiras Jabuticabeiras Macieiras Mamoeiros Mangueiras Maracujazeiros Marmeleiros Nespereira (Ameixa Amarela) Pessegueiros Pereiras Videiras Outras (porte mdio) Outras (porte alto) Perdas em estradas e carreadores, 10%. Nmero de plantas 50 20 10 10 4 100 20 4 4 2 6 2 4 20 4 10 2 2 5 4 20 4 2 80 12 20 40 20 20 12 40 80 12 40 20 80 20 80 40 rea/planta m 20 20 20 20 80 rea Total m 1.000 400 200 200 320 --240 160 80 160 120 160 160 --320 120 40 80 100 80 240 160 160 500

Observaes: Considerando-se um espaamento bsico de 5 m entre ruas e 4 m entre plantas, com variaes para 5 x 8 m e 10 x 8 m, dependendo do porte da espcie; desta forma a marcao e esttica do pomar ficam facilitadas. Sugestes de espaamento para: Bananeira: 4 m entre ruas e 3 m entre covas

Maracujazeiro: 3 m entre ruas e 4 m entre plantas Abacaxizeiros: entre as outras espcies de frutferas, dentro da rua de plantio a 30-40 cm uma muda da outra. 3 PREPARO DO TERRENO As operaes de preparo do terreno so as seguintes: 3.1 Limpeza Limpar o terreno para facilitar as operaes de calagem, arao e gradagem; Em terrenos anteriormente cultivados, retire a vegetao nativa ou restos de culturas que no possam ser incorporados ao solo. 3.2 Retirada de amostra para anlise A retirada de amostra para analise, deve ser feita conforme os seguintes passos: 1- A coleta do solo deve ser feita em vrios pontos da rea, caminhando-se em ziguezague, utilizando enxado, cavadeira de boca de lobo ou trado. 2- A profundidade deve ser de: 0 a 20cm e 20 a 40cm. 3 - Devem ser retiradas 10 amostras simples de cada rea, sendo colocadas em um balde e misturadas para que forme uma amostra composta, representativa da rea. 4- Deste balde retira-se 500 gramas da mistura e coloque em um saco plstico limpo. 5- Identifique as amostras com uma etiqueta com os seguintes dados: - Nome do Proprietrio e Propriedade; - Profundidade de coleta; - Localizao; - Culturas a serem implantadas. 6- Envie as amostras ao laboratrio. 3.3 Calagem A calagem a aplicao do calcrio ao solo. Ela corrige a acidez, permitindo que as plantas aproveitem melhor os nutrientes nele existentes e os adicionados por meio das adubaes, segundo as seguintes orientaes: Utilizar preferencialmente calcrio dolomitico; A quantidade exata do calcrio a ser utilizada depende dos resultados da anlise de solo; Distribui o calcrio uniformemente em toda a rea com no mnimo 60 dias de antecedncia ao plantio; Incorporar metade do calcrio antes da arao e a outra metade depois da arao seguida de gradagem; Dependendo da anlise de solo, muitas fruteiras exigem a colocao de calcrio na cova. 3.4 Arao e gradagem

A arao deve ser realizada com no mnimo 60 dias de antecedncia ao plantio e numa profundidade de um palmo (20 a 25 cm);

So recomendados duas gradagens: a primeira logo aps a arao para incorporar o calcrio e a segunda pouco antes da marcao das covas, visando eliminar ervas daninhas e facilitar a abertura das covas.

4 AQUISIO DAS MUDAS Uma vez sele