PONTOS CRÍTICOS DO CONTROLE DE QUALIDADE EM wp.ufpel.edu.br/nutricaoanimal/files/2011/03/BPF_APPCC_fabrica_ra... ·

Embed Size (px)

Text of PONTOS CRÍTICOS DO CONTROLE DE QUALIDADE EM...

  • I Simpsio Internacional ACAVEmbrapa sobre Nutrio de Aves17 e 18 de novembro de 1999 Concrdia, SC

    PONTOS CRTICOS DO CONTROLE DE QUALIDADE EMFBRICAS DE RAO UMA ABORDAGEM PRTICA

    Antnio Aprcio Klein, Eng. Agr., M.Sc.

    Frangosul, Monte Negro, RS

    1 Introduo

    A indstria de raes no foge as regras do mercado cada vez mais competitivo,com margens cada vez menores, o que exige reduo de custos sem, no entanto,afetar a qualidade do produto final.

    A competio internacional, especialmente para as indstrias exportadoras decarnes, esto constantemente submetidas a regras comerciais e barreiras dediferentes tipos. Alm disto, no mundo inteiro, existem movimentos ambientalistase a ISO 14000 em plena implementao, pelo menos nos pases mais desenvolvidos,o que exigir cada vez mais produtos naturais e livres de contaminaes. Portanto, odesenvolvimento de tcnicas que visem melhorar a competitividade deve ser visto commuita ateno e cuidado. Neste sentido, diagnosticar os riscos e controlar os pontoscrticos no processo de produo uma ferramenta indispensvel.

    Para fazer uma anlise dos pontos crticos, precisamos, em primeiro lugar,estabelecer o que queremos (os objetivos) e, aps, estabelecer um plano de ao.

    Poderamos, ento, comear perguntando: O que precisamos para fazer uma boarao?

    Nutrio: Uma boa frmula

    Suprimentos: Aquisio de matrias-primas de qualidade. Para garantir isto,devemos ter padres para a aquisio, fazer uma boa amostragem na chegadae avaliar os padres no laboratrio

    Produo: Ter uma boa fbrica (um bom processo). Isto significa que elaseja capaz de preservar a qualidade das matrias-primas e conseguir traduzirfielmente a frmula em rao

    Uma fbrica deve ter tambm FLEXIBILIDADE para receber, beneficiar e estocarmatrias-primas; para permitir o uso de matrias-primas alternativas e no processoprodutivo como um todo.

    De que depende uma boa fbrica?

    1. De um bom projeto: Um bom projeto depende da Diagramao Tcnica, doestudo do fluxograma e do lay out, visando basicamente:

    A simplicidade/a racionalidade. A operacionalidade. Ser o mais retilneo possvel.

    1

  • I Simpsio Internacional ACAVEmbrapa sobre Nutrio de Aves17 e 18 de novembro de 1999 Concrdia, SC

    Permitir o trabalho multifuncional. Facilitar a visibilidade. Atentar para a flexibilidade, a velocidade e a confiabilidade. A microbiologia. Permitir a rastreabilidade completa. Eliminar a contaminao cruzada, etc.

    2. Mquinas e equipamentos que garantem as intenes do projeto

    3. Uma boa administrao

    A questo vital formar e manter uma boa EQUIPE DE TRABALHO. Alm disto,ter manuais orientativos que definam: que, onde, quando, como, quem (manuaisde procedimentos, manual de padres, manual de limpeza, organizao edesinfeco e manual para segurana no trabalho). Usar outras ferramentasgerenciais como, por exemplo, diagnstico dos riscos e controle de pontoscrticos de processo, que o tema deste trabalho.

    4. Automao: Nos dias atuais, no admissvel discutir uma fbrica de rao semautomao, no mnimo, da dosagem e da mistura

    2 Elaborao do roteiro de inspeo

    Precisamos ter alguns cuidados na elaborao do roteiro de inspeo.

    1. preciso determinar os objetivos da empresa e em funo deles a importnciade cada ponto crtico. Neste sentido, podemos afirmar que cada roteiro sernico, ou seja, cada empresa ter o seu em funo dos seus objetivos.

    2. Sempre envolver as pessoas de cada setor na elaborao do roteiro. Sem istono teremos co-responsabilidade e comprometimento.

    3. O sentido do roteiro deve ser da rea Limpa para a rea Suja.

    4. A nfase deve ser dada na soluo do problema e no apenas no diagnstico.

    5. O objetivo nunca deve ser achar culpados. As pessoas ficaro com medo de seexpor e no ajudaro na soluo dos problemas.

    6. O roteiro deve ser claro e objetivo, centrado nos pontos crticos do processo.Deve ser feito por rea ou setores facilmente identificveis (por clulas deproduo).

    7. De preferncia ter uma grade com os pontos crticos ou ter um roteiro escrito.

    8. Sempre dar retorno (Feedback) a todas as pessoas envolvidas.

    2

  • I Simpsio Internacional ACAVEmbrapa sobre Nutrio de Aves17 e 18 de novembro de 1999 Concrdia, SC

    3 Sugesto para a implementao de um roteiro paradiagnstico e controle de pontos crticos

    1. Estabelecer os objetivos (metas).

    2. Formar uma equipe:

    No nosso entender, a formao e manuteno da equipe que ir conduzir oprocesso fundamental. A participao deve ser ampla, especialmente nadiscusso e avaliao dos pontos crticos. Se bem conduzida, esta etapa, servircomo uma excelente oportunidade de treinamento: qualidade se produz e nose controla. As pessoas devem estar identificadas com o problema e devemquerer assumir a responsabilidade para si.

    3. Descrever os processos e elaborar os roteiros, eventualmente, dos manuais.

    4. Estabelecer controles para os pontos crticos (plano de ao). Sempre procuraragir na causa e no no efeito.

    5. Estabelecer planos corretivos.

    6. Revisar constantemente. Este processo deve funcionar como uma espcie dePDCA. um processo de melhoria contnua.

    7. Feedback.

    Observao: Considera-se que ou seria interessante se houvesse, periodica-mente, uma auditoria externa (por algum de fora da fbrica) para a checagem doprograma.

    4 Sugesto para o grupo de coordenao do trabalho

    Um organizador/coordenador.

    Especialistas da produo.

    Especialista em processos.

    Microbiologista.

    Nutricionista.

    Operrios envolvidos.

    3

  • I Simpsio Internacional ACAVEmbrapa sobre Nutrio de Aves17 e 18 de novembro de 1999 Concrdia, SC

    5 Pontos crticos do controle de qualidade em fbricasde rao

    Abordaremos, neste trabalho, os pontos crticos do controle de qualidade noprocesso. No entanto, no podemos deixar de lembrar a importncia dos controleslaboratoriais e a importncia da coleta das amostras, porm, por serem assuntos toextensos e significativos, seria desvio de foco abordar estes dois temas, neste artigo.

    necessrio que se tenha um laboratrio mnimo para checar os pontos crticosde contaminao do processo. Devemos, tambm, enfatizar que as amostras malcoletadas e/ou mal manuseadas para os objetivos propostos, podem comprometertodo o trabalho.

    5.1 Pontos crticos na recepo/beneficiamento e estocagem decereais granel

    Como j dito, anteriormente, no adianta querer controlar processos mal dimen-sionados ou mal projetados. Por isso, julgamos que as seguintes condies mnimasdevem ser observadas numa estrutura de recepo, beneficiamento e estocagem decereais:

    Os silos de estocagem devem ser pequenos (no maiores do que trs miltoneladas) e bem projetados.

    As capacidades de recepo e de beneficiamento devem ser compatveis com acapacidade da fbrica.

    Os silos devem ter termometria e aerao, preferencialmente monitoradosautomaticamente.

    Ter instalado uma mini-estao meteorolgica prximo a estrutura de armazena-mento a fim de permitir o uso da curva psicomtrica.

    Deve ser possvel monitorar o ensilamento via sinptico com sensores indicandoas rotas para evitar erros de ensilamento (permitir visualizar o fluxo, posio decarrinhos, etc).

    Respeitados estes pontos bsicos, podemos, ento, relacionar os principais pontoscrticos de processo para esta clula:

    Presena de impurezas: As impurezas afetam o comportamento da massa degros dentro dos silos. Por isto a sua remoo vital para que a aerao, por exemplo,funcione bem. Portanto, a capacidade e a qualidade do beneficiamento das mquinasde limpeza so pontos crticos. A quirela, para a aerao, uma impureza.

    Umidade: Existem limites bem conhecidos de tolerncia para o teor de umidadepara o armazenamento em funo da situao e da condio especfica. Monitorar eobservar estes limites fundamental. Outro aspecto crtico, em relao umidade, a secagem. Embora todos saibam disto, na prtica, muitos no respeitam os limitesmximos de temperatura de secagem de 110 a 120oC.

    4

  • I Simpsio Internacional ACAVEmbrapa sobre Nutrio de Aves17 e 18 de novembro de 1999 Concrdia, SC

    Presena de roedores, pssaros, insetos e microorganismos: Elimin-los ,praticamente, impossvel, mas devemos ter padres e um plano de controle para eles.

    Ensilamento: A mistura de matrias-primas muito mais freqente do que seimagina. Se o fluxo acertado, automaticamente, os riscos se reduzem. como jalertado acima, os fluxos devem ser bem sinalizados.

    Controle da termometria e aerao: A leitura da temperatura deve ser automticae, preferencialmente, todo o sistema. A aerao, mesmo sendo manual, deve respeitara curva psicomtrica.

    Acmulo de p e equipamentos batendo (desalinhados): Estes dois fatores soimportantes para evitar exploso de p.

    Goteiras e infiltraes: Silos, moegas e poos mal vedados, assim comocoberturas (telhados) mal feitas, so desastrosos.

    Tempo de estocagem: Quanto menor melhor. O tempo de estocagem varia emfuno das condies de armazenamento e da qualidade das matrias-primas.

    Pessoas responsveis: fundamental que as pessoas que cuidam da estocagemtenham conhecimento (preferencialmente alguma formao tcnica) e sejam respon-sveis.

    Organizao e limpeza: Condio essencial para que haja esprito de cooperaoe para que os demais pontos crticos sejam observados.

    5.2 Pontos crticos no recebimento e estocagem de lquidos

    Capacidade de recepo e estocagem: A capacidade de recepo vital paraevitar perda de tempo das transportadoras e a estocagem deve ser compatvelcom o tamanho e localizao da fbrica. Isto definido na diagramao tcnica.

    Controle da temperatura: Especialmente importante para gorduras e melao.Deve ser suficiente para que a viscosidade no impea a pulverizao e noesquente a ponto de provocar perdas nutricionais. Como mdia, podemos usartemperaturas entre 40 e 50o