PORTUGUS PRTICO PARA JORNALISTAS

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PORTUGUS PRTICO PARA JORNALISTAS LUANDA 2011 Caro Colega. A Lngua o primeiro instrumento do jornalista. O jornalismo - forma privilegiada de comunicao - uma comunicao lingustica, onde o idioma um cdigo unificador, uma estrutura central mesmo se geograficamente diversificada em usos e pronncias. A Lngua o primeiro elemento identificador de uma comunidade feita de comunidades culturalmente diferenciadas, o leo sem o qual no funcionam os motores (os meios de comunicao social) da circulao da informao. Usar (bem) a Lngua uma das artes do jornalismo e uma das obrigaes do jornalista. Mas quem nunca teve dvidas numa construo de frase, num vocabulrio, numa conjugao? A formao jornalstica envolve a boa utilizao da lngua escrita e falada. O rigor e a qualidade, em jornalismo, tambm passam pela correco no uso da lngua de comunicao. Para sua elaborao, socorremo-nos no precioso trabalho feito por duas professoras Portuguesas; Maria da Conceio Duarte e Maria Adelaide Duro, que analisaram boas e ms prticas na utilizao da Lngua Portuguesa, propuseram orientaes, e esclareceram dvidas. Este trabalho foi realizado no mbito de um gabinete de Lngua Portuguesa que funcionou na Agncia Lusa, editado pelo Cenjor (C entro Protocolar De Formao Profissional para Jornalistas) em 2001. Recuperamos, revisamos e adaptmo-lo realidade do jornalismo praticando da Rdio Nacional de Angola. Por isso sugerimos que ele tenha circulao interna.

Centro de Documentao e Arquivo Histrico Luanda, 11 de Abril de 2011

INTRODUO

Desde sempre o homem reconheceu a necessidade de comunicar com os seus semelhantes, de transmitir os seus pensamentos e emoes s outras pessoas, prximas ou afastadas. Assim, utiliza os sons falados, reunidos em unidades de dimenses diferentes que so palavras. Eles formam os sinais audveis (e visveis por escrito) da nossa fala. A lngua o patrimnio colectivo e nico transmitido de gerao a gerao numa comunidade social. A lngua uma realidade viva em evoluo permanente, adquirindo elementos novos de significado mais inovador e deixando perder elementos gastos e descoloridos que por terem perdido o poder de expresso, se tornaram perfeitamente dispensveis.

Usar bem a lngua portuguesa, ser, pois garantir as circunstncias favorveis a toda a articulao de elementos e regras que a constituem, a toda a sua evoluo nos aspectos fontico, sintctico, morfolgico e semntico, sem permitir que ela perca as suas caractersticas fundamentais, que a tornam diferente das outras e a mantm como veculo natural e privilegiado dos povos que pensam e falam em portugus. Neste processo aliciante que a comunicao, os falantes tm, por vezes, dificuldades na utilizao da lngua escrita.

NORMAS GERAIS DO USO DA LNGUA PORTUGUESA NA RDIO

O jornalista um guardio da lngua. Defend-la utiliz-la correctamente. O erro gramatical ou ortogrfico espreita em cada texto, em cada linha, em cada fala. A influncia que a Comunicao Social exerce sobre a cultura de um povo transforma um simples erro jornalstico num mau exemplo. Quanto menos elevado for o nvel de conhecimento dos ouvintes, maior ser a repetio do erro. assim que o erro se pode transformar numa (m) regra, atingindo a Lngua. Escrever, em jornalismo, respeitar a chama regra dos trs cs : clareza, conciso, correco. Ser claro para todos compreenderem o contedo escrito ou oral da notcia; ser conciso para todos lerem e ouvirem o que realmente necessrio compreenso de factos e ideias; ser correcto para que todos usem e transmitam a lngua escrita e falada de acordo com as boas normas. A escrita, em jornalismo, uma questo de comunicao, seja ela escrita ou oral. um instrumento para comunicar os factos e ideias contidos em notcias, reportagens, entrevistas, editoriais, crnicas, etc. Mas a comunicao, sendo prioritria, nunca invalida o uso correcto da lngua. Eis algumas regras da actividade jornalstica que se reflectem particularmente na escrita (em rdio).

v No se pode ser claro (na escrita) sem se ser compreendido bem o contedo da informao que se transmite. Por isso, a recolha da informao uma fase importante para a clareza do que se vai transmitir. Saber bem o assunto sobre o qual se est a escrever ou a falar essencial. v O segredo da conciso est em seleccionar a informao mais importante em relao ao facto que se transmite. Ir direito ao assunto, descrever, apresentar o que interessa e deixar de lado o que no se enquadra no tema, ou claramente secundrio. Estes princpios apontam para um objectivo essencial: escrever o mximo (de informao) no mnimo espao, ou tempo de rdio. v Ser simples na linguagem facilita a compreenso do ouvinte. Por um lado, torna essa compreensomais rpida e, por outro, abrange mais pessoas. Mas ser simples significa usar o vocabulrio de todos os dias, aquele que as pessoas usam nas suas relaes correntes. No ser incorrecto na utilizao da lngua. v Na rdio deve ser ainda maior a preocupao com a simplicidade. Quem ouve tem que compreender imediatamente, porque no se pode voltar atrs (no que se escutou).

Quando se escreve (para a Rdio fundamental pensar no pblico a que a informao se destina. O vocabulrio, a construo do texto, a explicao dos factos devem corresponder o melhor possvel aos conhecimentos, experiencias e capacidade mdia desse pblico. (Ningum ouve rdio com um dicionrio ou uma enciclopdia na mo para procurar o que no sabe ou no percebeu). A escolha das palavras de um texto informativo tem que ser rigorosa. O texto jornalstico faz-se sobretudo com substantivos e verbos, estes de preferncia activos, que descrevem aco de do vida notcia (o verbo escolhido deve reflectir com exactido o que se pretende narrar ou descrever. Exemplo: em vez de O Presidente do Kabuscorp disse ter solicitado ao treinador a sua demisso, melhor O Presidente do Kabuscorp anunciou ter demitido o treinador. A explicao especializada do cientista ou do tcnico, a interveno vaga do poltico, o discurso longo e cansativo dos que gostam de se ouvir a si prprios devem ser evitados. Por outro lado, o jornalista deve descodificar o discurso tcnico, traduzindo-o para a linguagem corrente do cidado (mas de uma forma correcta, sem alterar o sentido das afirmaes do especialista). Por outro lado, o jornalista deve resumir, sintetizar o essencial, ou procurar informao mais interessante. Reler o que se escreveu (para a rdio) uma rotina essencial: na releitura detectam-se frequentemente erros lingusticos, falhas de informao, vocabulrio inadequado (ao pblico a que se destina a informao). Escrever para ser lido diferente de escrever para ser ouvido. H aspectos tcnicos a ter em conta, porque a leitura e audio tm caractersticas diferentes. ESCREVER PARA SER LIDO Quem l marca o ritmo da sua prpria leitura, mas isso no significa que se escreva de forma difcil (vocabulrio pouco conhecido, frases de construo complexa, perodos e pargrafos longos, etc.) Algumas regras bsicas Utilizar vocabulrio conhecido pelo pblico. Se houver palavras menos conhecidas ou novas o seu significado deve ser explicado no texto. Escrever pelo menos uma vez o que significam as siglas utilizadas (Por exemplo: OMS (organizao mundial da sade). Evitar palavras longas. No escrever frases longas. As frases mais curtas facilitam a compresso do seu contedo. No escrever pargrafos muito extensos. Quanto mais longos menos atraente a leitura. Construir preferencialmente as frases segundo a estrutura natural da lngua (sujeito-predicadocomplemento). Por exemplo: O Executivo aprovou o oramento, em vez de O oramento foi aprovado pelo Executivo. Evitar frases intercalares (entre travesses ou parntesis) muito longas. Cuidar da utilizao da pontuao: o ponto final muito til (limita a extenso das frases ou perodos), a vrgula tambm (quando faz realmente falta), mas o ponto de interrogao pouco usado (compete ao

jornalista dar respostas, maias do que deixar perguntas, excepto em entrevistas), o ponto de exclamao e as reticncias so raros. Preferir a voz activa, que dinamiza e confere interesse asa notcias, fugindo-se voz passiva. (no escrever A reunio foi presidida pelo Presidente da Repblica, mas sim O Presidente da Repblica presidiu reunio). Evitar escrever pela negativa (Ele no foi admitido como scio do clube incorrecto. Recusaram-lhe a admisso como scio do clube - correcto). ESCREVER PARA SER OUVIDO Se uma leitor de jornal no compreender o significado de uma frase primeira leitura, pode voltar a l-la as vezes que forem necessrias para lhe compreender o sentido. O mesmo no se passa com o rdio -ouvinte. Se os jornalistas da Rdio no dominarem as tcnicas especficas da escrita jornalstica prpria desta meio, os destinatrios das suas mensagens tero graves dificuldades em compreend -las. Sublinhe-se que entre estes dois meios h ainda nveis de apuramento e tcnicas de escrita diferentes. Na Rdio, no existem outros suportes alm da palavra, cuja apreenso, para dificultar as coisas, se faz atravs de um nico sentido: o auditivo. Por exemplo na Televiso a imagem confere alguma vantagem natural sobre a Rdio na eficcia das mensagens, os dois meios porm servem-se de uma escrita jornalstica muito semelhante. Ambos devem socorrer-se das vrias tcnicas e alguns cuidados para atingir o objectivo estratgico, que a clareza. Como so ouvidos, devem falar num estilo coloquial, informal e corrente. Mas cuidado: coloquial, informal e corrente no significam um estilo pouco culto ou de baixo nvel. Coloquial o estilo prprio de uma conversa: despretensioso e no literrio, mas sem redundncias, grias ou improvisos, dos quais, resulta invariavelmente, um discurso descuidado, impreciso e palavroso. O ideal um estilo de conversao correcta e clara, em que a dignidade lingustica n nunca desa abaixo do admissvel. E isso exige normas e elaborao. Informal supe evitara formalismos, no ser escravo de normas estritas, sobretudo se da informalidade resultar mais clareza e maior compreenso. Corrente quer dizer de uso comum , ou seja, utilizam-se palavras, fra