Prtica do Recurso Extraordinrio e do Recurso Especial .DOUTRINA Prtica do Recurso Extraordinrio

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Prtica do Recurso Extraordinrio e doRecurso Especial

ALCYR MENNA BARRETO DE ARAJOProcurador de Justia - SPCoordenador

IRAHY BAPTISTA DE ABREUProcurador de Justia - SP

TOMAZ MITUO SHINTATIProcurador de Justia ~ SP

1 - DISTINO ENTRE RECURSO EXTRAORDINRIO ERECURSO ESPECIAL

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As hipteses de recurso especial (CF, art. 105, IH) constituem desdobramentosde casos que, na ordem constitucional precedente (CF de 1967, EC n. o 1169, art.119, lII), eram de recurso extraordinrio.

O recurso especial, tal qual o recurso extraordinrio, de que derivou, tem porobjeto questo federal controvertida. Tanto o STF, em recurso extraordinrio,quanto o ST], em recurso especial, tm a funo de tutelar o direito objetivo daUnio.

O recurso extraordinrio, de competncia do STF (CF, art. 102, lU), difere dorecurso especial, de competncia do ST] (CF, art. lOS, lII), em razo do objeto.Objeto do recurso extraordinrio: matria constitucional; objeto do recurso espe-cial: matria infraconstitucional.

2 - PRESSUPOSTO DO RECURSO EXTRAORDINRIO

Pressuposto do recurso extraordinrio que haja deciso definitiva da justialocaL

O recurso extraordinrio cabe da deciso final, da que ocorre aps esgotadosos recursos ordinrios, excetuada, pois, a reviso, que no recurso. Se nenhumrecurso ordinrio tiver cabimento, lcito o extraordinrio contra a deciso denica instncia, como, alis, frisa o texto constitucional.

76 Juslitia, So Paulo, 51 (147), juUset 1989---

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Discute-se se as quest6es ventiladas por esse recurso so apenas jurdicas ou defato tambm. Razo assiste aos que negam a possibilidade da apreciao do mritoda deciso recorrida. Se fosse possvel essa apreciao, no se saberia a distinoentre a reviso e ele, ocorrendo que a reviso no privativa do STF.

No objetiva o recurso extraordinrio, pois, a justia ou injustia na deciso,sob o ponto de vista do fato. Conquanto seja rduo, no poucas vezes, estremar aquesto jurdica da de fato, certo que esta a que se relaciona substncia, constituio material do que se aceita ou nega e que repousa, por excelncia, naprova. A questo de fato no , pois, objetivo do recurso extraordinrio. HO que essencial o Supremo Tribunal Federal tenha a matria de fato como definiti~vamente apreciada pelas jurisdies inferiores, no lhesendo pennitido passara apreciao de outros errares juris in judicandoou crtica e reforma dojulgamento das provas, pois a cognio que ele tem limitada quaestio jurisque serviu de fundamento para a interposio do recurso extraordinrio"(Pomes de Miranda, HComentrios Constituio de 1946", t. lII, p. 285). aquesto jurdica, portanto, o seu objeto.

3 - CASOS DE RECURSO EXTRAORDINRIO

Os casos de recurso extraordinrio so aqueles elencados no art. 102, IH, a, b ec, da CF:

!CArt. 102. COll1pete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, aguarda da Constituio, cabelldo~lhe:

I - ( );II - ( );

lU - julgar, mediante recurso extraordinrio, as causas decididas emnica ou ltima instncia, quando a deciso recorrida:

a) - contrariar dispositivo desta Constituio;

b) - declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;

c) - julgar vlida lei ou ato de governo local contestado em face destaConstituio.

Pargrafo nico. A argio de descumprimento de preceito fundamentaldecorrente desta Constituio ser apreciada pelo Supremo Tribunal Federal, naforma da lei."

Na letra "aH , tem~se em vista a deciso que se ope ou colide com disposioconstitucional.

A letra Hb" versa a inconstitucionalidade da regra jurdica, assim declarada poruma deciso. Considera~se a sua validade luz do texto constitucional, isto , a suaconsonncia ou conformidade com ele. Assim, no tem validade a lei federal, porcolidir com a CP, quando,v.g' l dispe sobre matria que escapa competncia daUniao.

Na letra HC", considera~se a deciso que tem como vlida lei ou ato de governo,local, impugnado com fundamento na CF. Sao condies que perniitcm o recursocom fundamento nesse inciso:

a) haver impugnao da validade da lei ou ato do governo local;

b) tenha essa impugnao por fundamento a incompatibilidade da lei ouato estadual com a CF;

c) que a deciso seja favorvel lei ou ato irupugnado. Conseqentemente,se a deciso invalidar o ato do governo local ou sua lei, por colidir com a CF,no cabvel o recurso extraordinrio, pois ela manteve a supremacia da CF.Ato de governo local: ato do Executivo, do Legislativo ou do Judicirio locais,bem como de algum rgo auxiliar ou cooperador nas atividades do governo.

No cogita o texto constitucional de dissdio de jurisprudncia sobre matriaconstitucionaL Contudo, em face do que se decidiu no RE 119.2186 SP (D]U de5.5.89, p. 7.164, reL Min. Moreira Alves) e no Ag. 131.3200 SP (D]U de 28.04.89,p. 6.300, rel. lvfin. 1\1oreira Alves), parece~nos que o caso de recurso extraordin-no, de competncia do STF.

4 - ARGiO DE RElEVNCIA

No mais necessria a argio de relevncia da questo federal. A atualConstituio no mais admite as restries, que a ela davam margem, quer quantoao recurso extraordinrio, quer quanto ao recurso especial.

Trata~se, portanto, de instituto atualmente extinto. Tem decidido, no entanto oSTF que, processada a argio, o recurso devolvido ao Tribunal a quo para queseu Presidente examine a possibilidade de admisso do Recurso Especial Hnosestreitos lhnites da tnatria deduzinda, na argio de relevnciaH (ARv13.1030 R] - Min. Nri da Silveira - O]U - de 05.05.89, p. 7.159).

5 - lEGITIMIDADE

Tem legitimidade para interpor o recurso extraordinrio a parte sucumbente.

Quanto ao assistente da acusaao, h as restries impostas pelas Smulas 208e 210 do STF:

"O assistente do Ministrio Pblico no pode recorrer, extraordinarian"len-te, de deciso concessiva de habeas-corpus/'

"O assistente do Ministrio Pblico pode recorrer, inclusive extraordin-riamente, na ao penal, nos casos dos artigos 584, 1. o, e 598 do Cdigo deProcesso Penal."

6 - PRAZO PARA A INTERPOSiO

O recurso extraordinrio criminal dever ser interposto no prazo de 10 dias, apartir da publicao do acrdo (smula 602 do STF).

7 - PROCEDIMENTO PARA A INTERPOSiO

o procedimento do recurso extraordinrio, no Juzo a quo, quer ern matriacriminal, quer em matria cvel, foi uniformizado pela Lei n.o 3.396, de 1958, querevogou, expressamente, vrios dispositivos dos Cdigos de Processos Penal e Civil.Contudo, em janeiro de 1974, entrou em vigor o novo CPC, que l sem fazer expressameno Lei n. o 3.396, traou novo procedimento para o recurso extraordinrio noTribunal recorrido.

Na esfera processual pernl l o procedimento do recurso extraordinrio, no Juzoa quo, deve obedecer s diretrizes do novo diploma processual civil ou quelas

78 Justila, So Paulo, 51 (147), juLlsel. 1989---~~----

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Na verdade, o novo CPC revogou a Lei em foco apenas na parte que dizrespeito ao recurso extraordinrio no cvel. No penal, a matria dever continuarsendo regulada pela Lei n.o 3.396, de 1958, at que outra venha dispor ao contrrio.Nem teria sentido pudesse o CPC revogar uma lei que diz respeito a matriacriminal. De acordo com esse entendimento, decises do STF. (RT] 95/679,96/923).

Ficou, assim, o recurso extraordinrio, no Juzo a quo, com duas formasprocedimentais:

no cvel, de acordo com os arts. 542 a 545, pargrafo nico, do CPC; nopenal, de conforndade com a Lei n. o 3.396, de 1958.

T ratando~se de recurso extraordinrio em matria criminal, o interessado(Ministrio Pblico, por m.eio do Procurador Geral, o ru, o querelante ou,excepcionalmente, o assistente da acusao) dispor do prazo de 10 dias para ainterposio do recurso, a partir da publicao do acrdo ou da intimao daparte. Em relaao ao lvfinistrio Pblico, o STF firmou o entendimento de que oprazo para a h-resignao extrema conta;se a partir da cincia pessoal do MP, eno do ingresso dos autos em seu servio administrativo (cf. RE 1l1.790~7-SP, reI.Min. Francisco Rezek, 2. a Turma, j. 16.8.88, OJU de 16.09.88, p. 23317).

O recurso dever ser interposto por petio fundamentada, dirigida ao Presiden~te do Tribunal a quo, com precisa indicao do permissivo constitucional.

Se a afronta ao dispositivo constitucional no tiver sido objeto da decisorecorrida, incabvel ser o recurso extraordinrio, em face da ausncia do preques-tionamento. A propsito, a Smula 282 do STF: ~' inadmissvel o recursoextraordinrio, quando no ventilada, na deciso recorrida, a questo federalsuscitada".

Se, por acaso, tal questo tiver sido ventilada em 1. a instncia, mas, em grau derecurso, o acrdo dela no tratou, e o interessado, podendo opor embargosdeclaratrios no o fez, deixa de haver o prequestionamento. Veja~se a Smula 356do STF: HO ponto omisso da deciso, sobre o qual no foram opostosembargosdeclaratrios, no pode ser objeto de recurso extraordinrio, por faltar orequisito do prequestionamento".

Se, porventura, o Tribunal tiver dado interpretaao razovel ao dispositivoconstitucional, mas no lhe tiver negado vigncia, descabe o recurso extremo, comfundamento na letra a do permissivo constitucional, a teor da Smula 400 do STF.

De observar-se, contudo, que, no contemplando o novo texto constitucional apossibilidade de interposio do recurso extraordin~rio quando houver dissdiojurisprudencial em matria constitucional, a Smula 400 do STF tender a serrevogada, a fim de admitir o enquadramento da hiptese na letra a do inciso TIL doart. 102 da CR.

No caso de dissdio jurisprudencial, a divergncia dever ser comprovada porcertidao, ou cpia autenticada, ou mediante citao do repositrio de jurisprudn~cia, oficial ou autorizado, com a transcrio dos trechos que configurem o dissdio,mencionadas as circunstncias que identifiquem ou assemelhem os casos confronta-dos. A propsi