prevenir LER-DORT

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LER/DORTSaiba como prevenir

C O M O FA L A R C O M O S I N D I C ATOSindicato dos Bancrios de So Paulo, Osasco e Regio CUT Secretaria de Sade e Condies de Trabalho Rua So Bento, 413 Centro 3188-5268/5269 e 5270 www.spbancarios.com.br Regional Oeste Rua Arthur de Azevedo, 2007 Pinheiros 3814-2583 Regional Norte Rua Banco das Palmas, 288 Santana 6979-7720 Regional Leste Rua Icm, 67 Tatuap 6191-0494 - 293-0765 Regional Sul Rua Ada Negri, 127 Santo Amaro 5641-6733 e 5641-2227 ramais 27 e 30 Regional Paulista Rua Carlos Sampaio, 305 Metr Brigadeiro 3284-7873 e 3285-0027 Regional Osasco Rua Presidente Castelo Branco, 150 Centro 3682-3060 e 3685-2562

Publicao do Sindicato dos Bancrios e Financirios de So Paulo, Osasco e Regio CUT Presidente: Joo Vaccari Neto Secretria de Sade e Condies de Trabalho: Deise Teixeira Lessa Superviso Tcnica, Mdica e Jurdica da 7 edio: Maria Maeno e Gislndia Ferreira da Silva Assessoria: Joo Adonias de Oliveira Assistentes tcnicos: Bernadete P. Martins de Souza, Marcio Gonalves Pereira, Carlos Alberto Michelin Editorao eletrnica: Virgnia Leite Ilustraes: Mrcio Baraldi Produo: Secretaria de Imprensa e Comunicao do Sindicato dos Bancrios. 2003 Tiragem: 25 mil Impresso: Bangraf (11) 6947-0265 Setembro de 2003.

A P R E S E N TA O

odo bancrio j ouviu falar em LER/DORT, as Leses por Esforos Repetitivos (LER) ou Distrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT). O que poucos sabem que estas so doenas graves, que podem levar incapacidade para o trabalho, e que h meios de preveni-las, principalmente se houver empenho dos empregadores e uma poltica para tal. Quando estas doenas j esto instaladas, necessrio ao trabalhador adoentado o conhecimento de seus direitos, para exigi-los e assim evitar que a empresa simplesmente se livre do problema, demitindo-o. J existe inclusive um programa de preveno acordado entre a Executiva Nacional dos Bancrios e a Fenaban, mas ele ainda no foi implementado na grande maioria dos bancos. Conhea, nesta stima edio da cartilha desenvolvida pela Secretaria de Sade e Condies de Trabalho do Sindicato dos Bancrios e Financirios de So Paulo, Osasco e Regio, mais detalhes sobre estas enfermidades, campes entre as molstias que acometem os bancrios, e como proceder em defesa de seus interesses junto com o Sindicato.

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Cartilha LER/DORT 3

DEFINIO E ORIGEMLER/DORT so termos que designam um conjunto de doenas que atingem msculos, tendes, nervos e articulaes dos membros superiores (dedos, mos, punhos, antebraos e braos) e, eventualmente, membros inferiores e coluna vertebral. Decorrem de sobrecarga do sistema msculo-esqueltico no trabalho, que vai se acumulando ao longo do tempo. POR QUE OCORREM? Porque as empresas tm diminudo seu contingente de trabalhadores, sobrecarregando os que ficam. O ritmo de trabalho aumenta, a presso por produtividade tambm. Aos que trabalham nos setores operacionais, concomitantemente presso contnua e ao trabalho extenuante, sem pausas, restam os movimentos repetitivos, as interminveis horas em posio desconfortvel e a dificuldade at de satisfazer necessidades fisiolgicas.

Ritmo de trabalho e presso maiores aumentam casos de LER

C O M O I D E N T I F I C A R A L E R / D O RT ?Comparemos duas situaes: SITUAO 1: Um caixa de banco escorrega e cai no ambiente de trabalho sobre a mo direita. No h fratura, mas nos dias seguintes h dor e inchao no punho e na mo, com dificuldade para realizar movimentos normais. O mdico lhe diz que o diagnstico tendinite de punho direito. Mas neste caso a tendinite uma reao inflamatria de aparecimento agudo causada pela queda. Em alguns dias, o caixa dever se recuperar. Este um caso de tendinite traumtica, isto , decorrente de um trauma. Trata-se de acidente de trabalho tpico, mas no de LER/DORT. SITUAO 2: Um bancrio trabalha h 10 anos como caixa e h 4 sente dor e fadiga nos membros superiores, principalmente no punho direito e ombro esquerdo. Essa dor passou a ser constante nos ltimos dois anos. Um mdico faz o diagnstico de tendinite de punho direito e tendinite de ombro esquerdo. Investigando as possveis causas, conclui que se trata de um quadro clnico que tem relao com os movimentos repetitivos dos dedos da mo direita utilizada para a digitao, concomitantemente aos movimentos repetitivos do ombro esquerdo, em suspenso, utilizado para passar documentos um a um na mquina e para depois entreglos aos clientes. Este um caso de LER/DORT, doena ocupacional.

4 Cartilha LER/DORT

As leses so resultado de agresses dirias, que duram meses ou anos. O sistema msculo-esqueltico exigido por tempo prolongado, no tem tempo para se recuperar e acaba se desgastando, causando dor e fadiga na pessoa.

C AT E G O R I A S N A M I R ATrabalhadores de qualquer ramo de atividade podem ser atingidos, mas as LER/DORT so mais comuns em funes de digitao, operao de telemarketing, caixas, trabalhadores de linha de montagem e produo, escriturrios, trabalhadores da rea de comunicaes, confeces, alimentos, grfica etc. Na categoria bancria, como voc j sabe, um problema disseminado. Mas ateno: o diagnstico pode no trazer as palavras LER/DORT. H vrias doenas relacionadas ao problema, como tenossinovite, tendinite, epicondilite, sndrome do tnel do carpo, sndrome miofascial, bursite, sndrome do desfiladeiro torcico, tendinite de DEQuervain, entre muitas outras. Quando diagnosticadas precocemente e os fatores de risco afastados, com tratamento correto pode ocorrer recuperao total. Do contrrio, a doena pode se tornar crnica, de difcil controle.

Problema disseminado na categoria

PREVENOA preveno s ocorrer se os fatores lesivos forem enfrentados. Palestras, ginstica laboral ou mudanas de mobilirio no resolvero os problemas se no estiverem integradas a uma poltica da empresa de gesto dos riscos sade. O maior desafio para a preveno resgatar o trabalhador como sujeito, recuperar sua potencialidade intelectual e garantir espao para sua criatividade. Dessa forma, repetitividade, estresse e sobrecarga de certos grupos musculares no poderiam fazer parte do trabalho. Para isso, os trabalhadores devem ter como objetivos o controle do ritmo de trabalho; enriquecimento das tarefas, no permitindo a fragmentao do trabalho; definio do perodo da jornada de trabalho em que h esforo repetitivo e do perodo em que ele no esteja presente; eliminao das horas extras; pausas durante o trabalho; adequao do posto de trabalho para evitar posturas incorretas - mobilirio e mquinas devem ser ajustados s caractersticas fsicas individuais e ambiente com temperatura, rudo e iluminao adequados.

A preveno deve focalizar a organizao do trabalho

Cartilha LER/DORT 5

C O M O LU TA R C O N T R A A L E R / D O RTAs LER/DORT so reconhecidas como doenas do trabalho, tanto pelo SUS (Portaria 1339/ GM, 1999) como pelo INSS (anexo II do decreto 3.048/99). Mas as empresas continuam tentando negar sua existncia, freqentemente descaracterizando as leses como ocupacionais. Ento, cabe ao trabalhador, o principal atingido, se organizar para alterar esse quadro. Veja como: Fortalecendo as organizaes dos trabalhadores por local de trabalho, seja em forma de comisses internas de preveno de acidentes (CIPA) ou outras comisses; Conhecendo a legislao do Ministrio do Trabalho (preveno), do Sistema nico de Sade-SUS (preveno e assistncia, incluindo reabilitao) e da Previdncia Social (concesso de benefcios por incapacidade para o trabalho e reabilitao profissional); Cobrando do poder pblico a sua atuao na preveno de doenas ocupacionais; Inserindo as questes de sade e segurana no trabalho nas clusulas dos acordos coletivos de trabalho; Participando de reunies sobre sade para obter informaes corretas e atualizadas. A preveno s ser possvel se houver a convergncia do saber de profissionais com o saber do trabalhador. Nada substitui o conhecimento e a experincia do trabalhador. A contratao de especialistas no propiciar a preveno de doenas: as condies existentes que tm de ser alteradas. E isso s ocorrer se houver acordos e negociaes.

6 Cartilha LER/DORT

DIREITOS E CONDIES AMBIENTAIS DE TRABALHOH vrias normas que regulamentam os direitos dos trabalhadores a melhores condies de trabalho. Confira algumas delas: NORMA REGULAMENTADORA 17 Cuida da ergonomia e das condies de trabalho. Estabelece parmetros que permitem a adaptao das condies de trabalho s caractersticas do trabalhador, de modo a proporcionar o mximo conforto, segurana e desempenho. NORMA REGULAMENTADORA 9 - MAPAS DE RISCO A NR9 obriga a elaborao de mapas de riscos ambientais nas empresas, que devem ser realizados pelas CIPAs aps os trabalhadores serem ouvidos. NORMA REGULAMENTADORA 5 - CIPAS A NR 5 regulamenta a CIPA (Comisso Interna de Preveno de Acidentes), que composta por representantes do empregador e dos empregados e tem por fim relatar condies de risco existentes no ambiente de trabalho e solicitar medidas para reduzi-los, elimin-los ou neutraliz-los. O movimento sindical reivindica a livre organizao da CIPA nos locais de trabalho. NORMA REGULAMENTADORA 7 - TIPOS DE EXAMES MDICOS A NR7 trata dos exames mdicos e institui o Programa de Controle Mdico de Sade Ocupacional. A empresa obrigada a realizar os exames mdicos admissional, peridico, de retorno ao trabalho, de mudana de funo e demissional, nos seguintes moldes: PERIDICO Anual, para os trabalhadores expostos a riscos ou situaes de trabalho que impliquem no desencadeamento ou agravamento de doena ocupacional. Nas demais atividades, deve ser anual para menores de 18 anos e maiores de 45, e a cada dois anos para os demais; RETORNO AO TRABALHO Os trabalhadores que ficarem afastados por perodo igual ou superior a 30 dias por motivo de doena, acidente (ocupacional ou no) ou parto devem ser submetidos obrigatoriamente a exame mdico no primeiro dia do retorno ao trabalho; MUDANA DE FUNO Realizado antes da mudana;Cartilha