Primeira Aula de Fruticultura

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Fruticultura

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UNIVERSIDADE PRESIDENTE ANTNIO CARLOSPRIMEIRA AULA DE FRUTICULTURA - ICULTURA DA BANANEIRA

Professor: Adriano de Almeida Franzo

Introduo A banana (Musa spp.) uma fruta de consumo universal, sendo umas das mais consumidas no mundo, e, comercializada por dzia, por quilo e at mesmo por unidade. rica em carboidratos e potssio, mdio teor em acares e vitamina A, e baixo em protenas e vitaminas B e C. A banana apreciada por pessoas de todas as classes e de qualquer idade, que a consomem in natura, frita, assada, cozida, em calda, em doces caseiros ou em produtos industrializados.

A fruta verde usada in natura com grande sucesso na desidratao infantil, depois de bem homogeneizada no liquidificador; seu tanino, revestindo as paredes intestinais e do tubo digestivo, evita, por ao mecnica, que as clulas do rgo continuem se desidratando. No meio rural utilizada, ainda verde, como alimento de animais, depois de cozida, para eliminar o efeito do tanino nos intestinos. A importncia da bananicultura varia de local para local, assim como de pas para pas. Por vezes, ela plantada para servir de complemento da alimentao da famlia (fonte de amido), como receita principal ou complementria da propriedade ou como fonte de divisas para o pas.

Com freqncia, seu cultivo feito em condies ecolgicas adversas, mas, em vista da proximidade de um bom mercado consumidor, esta atividade se torna economicamente vivel. H uma grande diversidade de cultivares, cujos frutos tm vrios sabores e utilizaes. O porte das plantas varia de 1,50 m a 8,0 m e seus cachos podem ser compostos por algumas bananas ou centenas delas. Merece realar que seu tronco no um tronco e, sim, um imbricamento de bainhas de folhas. Seu perodo de vida definido pelo aparecimento do filhote na superfcie do solo e a sua colheita ou a seca do seu cacho. Entretanto, sua lavoura considerada de carter permanente na rea.

As bananas cultivadas podem ser divididas em duas classes: as consumidas frescas ou industrializadas e as consumidas fritas ou assadas, que chamamos de bananas de fritar ou da terra. Na lngua espanhola, apenas as bananas do subgrupo Cavendish (Nanica, Nanico, Dgua, etc.) so chamadas de bananas; as demais so conhecidas por pltanos.

Origem da banana O gnero Musa, ao qual pertence as bananeiras, foi criado por Lineu em homenagem a Antonio Musa, mdico de Otvio Augusto, o primeiro imperador de Roma (63 14 A.C.). A palavra banana originria das lnguas serraleonesa e liberiana (costa ocidental da frica), a qual foi simplesmente incorporada pelos portugueses sua lngua. No se pode indicar com exatido a origem da bananeira, pois ela se perde na mitologia grega e indiana. Atualmente admite-se que seja oriunda do Oriente, do sul da China ou da Indochina. H referncias da sua presena na ndia, na Malsia e nas Filipinas, onde tem sido cultivada h mais de 4.000 anos. A histria registra a antigidade da cultura.

As bananeiras existem no Brasil desde antes do seu descobrimento. Quando Cabral aqui chegou, encontrou os indgenas comendo in natura bananas de um cultivar muito digestivo que se supe tratar-se do Branca e outro, rico em amido, que precisava ser cozido antes do consumo, chamado de Pacoba que deve ser o cultivar Pacova. interessante lembrar que a palavra pacoba, em guarani, significa banana. Com o decorrer do tempo, verificou-se que o Branca predominava a regio litornea e o Pacova, a Amaznica.

Classificao botnica As bananeiras produtoras de frutos comestveis foram classificadas, pela primeira vez, por Linneu, que as agrupou no gnero Musa com as espcies: Musa cavendishii, Musa sapientum, Musa paradisiaca e Musa corniculata. Essa classificao foi abandonada porque, dado seu empirismo, no seria possvel incluir todos os cultivares hoje conhecidos, sem provocar grandes conflitos dentro da mesma espcie. Sendo assim, atualmente, segundo a sistemtica botnica de classificao hierrquica, as bananeiras produtoras de frutos comestveis so plantas da classe das Monocotiledneas, ordem Scitaminales, famlia Musaceae, da qual fazem parte as subfamlias Heliconioidease, Strelitzioidease e Musoidaea. Esta ltima inclui, alm do gnero Ensete, o gnero Musa.

O gnero Musa ainda pode ser dividido em quatro subgneros: Australimusa, Callimusa, Rhodochlamys e Eumusa. Os subgneros Callimusa e Rhodochlamys no produzem frutos comestveis; o subgneros Australimusa contm apenas uma espcie (Musa textilis), conhecida como abac e utilizada principalmente nas Filipinas para extrao de fibras das bainhas vasculares. No subgnero Eumusa ou simplesmente Musa que esto localizadas as espcies de interesse comercial, essas espcies de interesse comercial so: Musa acuminata Colla e Musa balbisiana Colla.

Os cultivares tradicionais de bananeiras apresentam nveis cromossmicos di, tri ou tetraplides, respectivamente com 22, 33 e 44 cromossomos, em combinaes variadas de genomas das espcies Musa acuminata (genoma AA) e Musa balbisiana (genoma BB). Estes cultivares diferem das espcies silvestres devido a presena de genes

responsveis pela partenocarpia. Segundo os grupos cromossmicos, os principais cultivares de bananas cultivados no Brasil so classificados da seguinte maneira: - Grupo diplide acuminata AA: Ouro.

- Grupo triplide acuminata AAA: Robusta, Mestia, Gros-Michel, Caru roxa, Caru verde, Caipira, Leite, Ouro Mel, So Mateus, So Tom. Dentro deste grupo o subgrupo Cavendish apresenta importncia, representado principalmente pelos cultivares Nanica e Nanico. - Grupo triplide AAB: Pacovan, Ma, Mysore, So Domingos. Dentro deste grupo os subgrupos de maior importncia so Prata, representado pelos cultivares Prata An e Prata Zulu, e Plantain, representado pelos cultivares Maranho, Terra e Terrinha.

- Grupo triplide ABB: Marmelo, Figo, Po. - Grupo tetraplide AAAA: IC-2. - Grupo tetraplide AAAB: Pioneira, Ouro da Mata, Platina. Os cultivares mais comuns no Brasil e em outras partes do mundo so os triplides, devido ao seu vigor, maior tamanho dos frutos e consistncia mais agradvel destes em relao aos diplides.

Classificao quanto utilizaoSegundo o destino que a banana vai ter, pode-se classificar as bananeiras mais cultivadas em cinco grupos: a - Banana destinada exportao e mercado interno: Ba, Bout-round, Caturro, Grande Naine, Gros Michel, Jangada, Johnson, Lacatan, Monte Cristo, Nanica, Nanico, Pseudocaule roxo, Piru,

Robusta, Valery e Williams.

b - Banana de mesa para consumo interno: Ba, Boutround, Branca, Canela, Caru roxa, Caru verde, Caturro, Colatina ouro, Congo, Enxerto, Figo cinza, Figo cinza escura, Figo vermelha, Figo vermelha rachada, Giant Fig, Grande Naine, Jangada, Johnson, Lacatan, Leite, Ma, Miomba, Monte Cristo, Mysore, Nanica, Nbrega, Ouro, Ouro da mata, Ouro mel, Pach naadan, Pacovan, Padath, Po, Piru, Platina, Prata, Prata ponta aparada, Prata Santa Maria, Prata Zul, Pseudocaule roxo, Robusta, Salta do cacho, So Domingos, So Mateus, So Tom, Valery, Viropaxy e Williams.

c - Banana para fritar, conhecidas como banana da terra e na lngua espanhola como "pltano": Angola, Carnaval, DAngola, Figo cinza, Figo cinza-escura, Figo vermelha rachada, Maranho branca, Maranho caturra, Maranho vermelha, Mongol, Mucoc, Ouro (quando verde), Po, Pacova, Pacov, Pacovau, Sambur, Terra, Terra caturra e Terrinha. d - Banana para compota: Nanica e todos os cultivares do subgrupo Cavendish, Ouro, Pacovan, Prata Zul, So Domingos, Terra e todos os cultivares do subgrupo Plantain. e - Banana para doce em massa: Branca, Enxerto, Nanica e todos os cultivares do subgrupo Cavendish.

Classificao quanto ao porte a - Porte baixo, at 2,0 metros: Nanica e Salta-docacho. b - Porte mdio, de 2,0 a 3,5 metros: Angola, Ba, Bout-round, Congo, Enxerto, todo o subgrupo Figo, Grande Naine, Jangada, Java, Johnson, Leite, Ma, Maranho Caturra, Monte Cristo, Nanico, Ouro, Pacova, Pacovau, Padath, Piru, Platina, Pseudocaule roxo, Robusta, So Mateus, So Tom, Terrinha, Valery e Williams.

c - Porte alto, de 3,5 a 6 metros: Canela, Carnaval, Caru roxa, Caru verde, Colatina ouro, Giant fig, IC2, Lacatan, Nbrega, Miomba, Mongol, Mysore, Ouro mel, Pach naadan, Pacov, Prata ponta aparada, Prata Santa Maria, Prata Zul, Sambur e Viropaxy. d - Porte muito alto, mais de 6 metros: Branca, Caturro, Gros Michel, Imperial, Maranho branca, Maranho vermelha, Ouro da mata, Pacovan, Prata e Terra.

Morfologia A Bananeira uma planta herbcea, caracterizada pela exuberncia de suas formas e dimenses das folhas. Possui tronco curto e subterrneo, representado pelo rizoma e o conjunto de bainhas das folhas de pseudocaule. O rizoma constitui um rgo de reserva, onde se insere as razes adventcias e fibrosas. Entretanto, no linguajar popular este chamado de tronco da bananeira. A multiplicao da bananeira se processa, naturalmente no campo, por via vegetativa, pela emisso de novos rebentos. Entretanto, o seu plantio tambm pode ser feito por meio de sementes, processo este usado mais freqentemente quando se pretende fazer a criao de novas variedades ou hbridos.

A bananeira, como todas as plantas, tem um ciclo de vida definido. Sua fase de gestao comea com a gerao de um broto-rebento em outra bananeira, mas como nos animais, o incio da contagem de sua vida somente se faz com seu aparecimento ao nvel do solo. Com seu crescimento, h a formao de uma bananeira que ir produzir um cacho, cujas frutas se desenvolvem, amadurecem e caem, verificando-se em seguida o secamento de todas as suas folhas, quando se diz que a planta morreu. A morte encerra o ciclo de vida, o qual tambm pode ser abreviado com a colheita do cacho, que corresponde ao assassinato da bananeira.

Corte horizontal esquemtico de uma touceira de bananeiras, com a me com cacho, mostrando a formao inicial de trs famlias.

Sistema radicular As razes tm sua origem na parte central do rizoma, na unio entre o cilindro cent