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PROPOSTA PEDAGÓGICA 2016

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  • PROPOSTA

    PEDAGGICA 2016

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    2

    PREFEITURA DE MANAUS

    SECRETARIA MUNICIPAL DE EDUCAO

    PROPOSTA PEDAGGICA PARA O SEGUNDO SEGMENTO DO ENSINO FUNDAMENTAL

    DA EDUCAO DE JOVENS E ADULTOS EJA

    MANAUS 2016

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    3

    Arthur Virglio do Carmo Ribeiro Neto

    Prefeito de Manaus

    Ktia Helena Serafina Cruz Schweickardt

    Secretria Municipal de Educao

    Euzeni Arajo Trajano

    Subsecretria de Gesto Educacional

    Luis Fabian Pereira Barbosa

    Subsecretrio de Administrao e Finanas

    Franklin Jaa Pinto

    Subsecretrio de Infraestrutura e Logstica

    Marcionlia Bessa da Silva

    Diretora do Departamento de Gesto Escolar

    Maria Francilene Farias de Brito

    Chefe da Diviso de Ensino Fundamental

    Weyder Ricardo Bind Afonso

    Gerente de Educao de Jovens e Adultos

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    4

    Comisso de Elaborao

    GERNCIA DE EDUCAO DE

    JOVENS E ADULTOS Assessores Pedaggicos

    Assria Mrcia Napoleo de Arajo

    Cristiana Mesquita da Silva Eliseanne Lima da Silva

    Josette Maria Cunha Alves Jlio Csar Santos Brito

    Maria Daise da Cunha Matos Maria Roslia Melo de Sousa

    Rosicleide Romo da Cruz Rosana Mouro

    Snia Maria Saraiva Bezerra Snia Serro Rodrigues

    Colaborao

    DIVISO DO ENSINO FUNDAMENTAL

    Assessores Pedaggicos

    Anglica Carneiro Cordeiro

    Francinaldo Mendes Nogueira Lidia Helena de Oliveira Moreira

    Madalena Mesquita Moleiro Niltow Srgio Lima

    Zacarias Lopes de Lima Jnior

    Pedagogos

    Carlos Augusto Edenilza Serro de Souza

    Erika Cazuza Jos Davi da Silva Santos

    Lucimar dos S. Soares Maria do Perptuo Socorro M. Silva

    Ndia Kelly Medeiros Pedro Souza Silvio Esteves

    Valdizete Lopes Martins

    Assessores Pedaggicos das Divises Distritais Zonais- DDZ

    Adma Gley Pereira Colares

    Aline Costa Amanda Melo

    Cinthia Simone M. Filgueira Clisivnia Souza

    Darcley Abreu dos Santos Edenilza de Souza

    Eliana Maquin Fernanda Freitas Fernanda Vieira

    Francisca Mouro Graciete Nascimento Camargo

    Hellen Nahmias Idelice Freitas

    Janne Fabola Alves Nascimento Lucimar Soares

    Luzia Mara dos Santos Maria Abreu

    Maria de Nazar Ribero da Silva Maria Francilene de A.Fonseca

    Maria Graciete Maria Jane Trindade

    Nilcilene Gouveia Martins Rafael de Azevedo Melo

    Rosangela Pinheiro Cunha Sinara Narciso

    Diretores

    Ana Neri Lopes Dantas Antonio Carlos de Oliveira Edna Oliveira de Carvalho Nilze Silva de Albuquerque

    Regina Ortiz Rocha Renata Cristina Seabra Moraes

    Tamilton Azevedo da Costa Zacarias Macedo dos Santos

  • Professores

    Adriana de A. Rodrigues Aldo Pereira de Matos

    Andra de Castro do Nascimento Antonia Costa de S

    Arinaldo Monteiro Coelho Arlan Ribeiro Albano

    Arlene Costa da |Silva Costa Arni O Neil Guimares dos Santos

    Arthur Castro Aurenir Marques de Paula

    Denis Jos P. Ribeiro Edineida da Silva

    Eliezio da Gama Bandeira Ellen Marques

    Emilia Serra Silva Evandro Ribeiro de Souza Frankciberg Nunes Lima

    Geison Barbosa de Moraes Gercino Miranda

    Giovan Nonato Soriano Girlane A. Brando

    Glaunara Mendona de Oliveira Hailton da Costa Taveira

    Hineuda Campos Inglys de Souza

    Izabel Cristina Silva Jabert Saraiva

    Jacqueline Oliveira Jaqueline Pontes

    Jaqueline Rocha Tavares Jason Ferreira

    Jorge Castro Barros Jorge Luiz Gangeiro

    Jos Marino Arajo da Silva Leandro Lopes

    Lourinia SantAnna Luciana Chacon Paixo Luiz Carlos dos Santos

    Luiz Carlos Santos

    Luzmarina L. S. Guimares Marcela Brito de Castro Alves

    Marcio Jorge de Assis Maria de Ftima da Silva

    Maria do Perpeto Socorro Oliveira Maria do Rosrio Duarte

    Maria do Socorro dos Santos Maria do Socorro Ferreira da Silva

    Maria Emily Alves do Carmo Maria Enide de Souza Pereira Maria Perptua Beleza Pereira

    Maria Rosngela Rolim da Silva Maria Snia Nunes

    Marlice de Sousa Pimentel Marlise Angela da Silva

    Marta Amaral Mayara Letcia Paiva

    Micael Menezes Midian da Silva Barroso

    Nazinha da Costa e Silva Otto Franco

    Pablo Lemos Rafael Melo

    Raquel de Oliveira Librio Ricardo Maquin

    Robson Barbosa Cordeiro Rosemiro Fernandes

    Sandra Elyenai Tinoco Sebastiana Paulo da Silva

    Sheila Mara Rodrigues Shirley Kely Abreu Lima

    Sousimar de Souza Castro Tatiana Castro Terezinha Lima Thamara Norte

    Vicente Jos da Silva Wellington Coelho

    Williams Flamarion Ramos Dias Winder Jane Silva

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    6

    A educao de adultos torna-se mais que um direito: a

    chave para o sculo XXI; tanto consequncia do exerccio da

    cidadania como condio para uma plena participao na

    sociedade.

    Alm do mais, um poderoso argumento em favor do

    desenvolvimento ecolgico sustentvel, da democracia, da

    justia, da igualdade entre os sexos, do desenvolvimento

    socioeconmico e cientfico, alm de um requisito fundamental

    para a construo de um mundo onde a violncia cede lugar ao

    dilogo e cultura de paz baseada na justia.

    Declarao de Hamburgo, 1997 sobre a EJA.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    7

    APRESENTAO ............................................................................................. 10

    1 JUSTIFICATIVA ............................................................................................. 12

    2 OBJETIVOS .................................................................................................. 14

    2.1 GERAL ........................................................................................................ 14

    2.2 ESPECFICOS ............................................................................................ 14

    3 CONTEXTO HISTRICO E LEGAL DA EDUCAO DE JOVENS E

    ADULTOS .........................................................................................................

    15

    4 CONCEPES TERICAS........................................................................... 19

    5 PERFIL DO EDUCANDO E FUNO SOCIAL DA EJA................................ 22

    6 FUNDAMENTOS E ORIENTAES DA EJA DO CAMPO........................... 23

    7 PRINCPIOS PEDAGGICOS ..................................................................... 26

    8 PROPOSTA CURRICULAR............................................................................ 28

    9 CARGA HORRIA.......................................................................................... 29

    10 PROCEDIMENTOS PEDAGGICOS.......................................................... 30

    10.1 ACOLHIMENTO ........................................................................................ 30

    10.2 CONHECER .............................................................................................. 30

    10.3 DILOGO................................................................................................... 31

    11 AVALIAO................................................................................................. 32

    12 ACOMPANHAMENTO TCNICO-PEDAGGICO....................................... 34

    13 ORGANIZAO E FUNCIONAMENTO........................................................ 35

    13.1 EQUIPE PEDAGGICA ............................................................................ 35

    13.2 PBLICO ATENDIDO ............................................................................... 39

    13.3 SISTEMA DE MATRCULA....................................................................... 39

    13.4 CALENDRIO ESCOLAR.......................................................................... 40

    14 FREQUNCIA DO ALUNO........................................................................... 40

    15 CARGA HORRIA DO PROFESSOR E HTP............................................... 40

    16 CERTIFICAO............................................................................................ 40

    17 COMPONENTES CURRICULARES............................................................. 41

    17.1 LNGUA PORTUGUESA .......................................................................... 41

    17.1.1 CARACTERIZAO............................................................................... 42

    17.1.2 OBJETIVOS ........................................................................................... 42

    17.1.3 CONTEDOS E HABILIDADES............................................................. 44

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    8

    17.1.4 ORIENTAES DIDTICAS ................................................................. 55

    17.2 MATEMTICA .......................................................................................... 59

    17.2.1 CARACTERIZAO .............................................................................. 60

    17.2.2 OBJETIVOS ........................................................................................... 61

    17.2.3 CONTEDOS E HABILIDADES ............................................................ 63

    17.2.4 ORIENTAES DIDTICAS ................................................................. 71

    17.3 CINCIAS ................................................................................................. 74

    17.3.1 CARACTERIZAO ............................................................................. 75

    17.3.2 OBJETIVOS ........................................................................................... 76

    17.3.3 CONTEDOS E HABILIDADES ............................................................ 77

    17.3.4 ORIENTAES DIDTICAS ................................................................. 85

    17.4 GEOGRAFIA.............................................................................................. 87

    17.4.1 CARACTERIZAO ............................................................................. 88

    17.4.2 OBJETIVOS ........................................................................................... 89

    17.4.3 CONTEDOS E HABILIDADES ............................................................ 91

    17.4.4 ORIENTAES DIDTICAS ................................................................. 101

    17.5 HISTRIA.................................................................................................. 102

    17.5.1 CARACTERIZAO............................................................................... 103

    17.5.2 OBJETIVOS ........................................................................................... 104

    17.5.3 CONTEDOS E HABILIDADES ............................................................ 105

    17.5.4 ORIENTAES DIDTICAS ................................................................. 112

    17.6 ARTE ........................................................................................................ 114

    17.6.1 CARACTERIZAO............................................................................... 115

    17.6.2 OBJETIVOS ........................................................................................... 116

    17.6.3 CONTEDOS E HABILIDADES ............................................................ 117

    17.6.4 ORIENTAES DIDTICAS ................................................................. 125

    17.7 ENSINO RELIGIOSO................................................................................ 127

    17.7.1 CARACTERIZAO............................................................................... 128

    17.7.2 OBJETIVOS ........................................................................................... 129

    17.7.3 CONTEDOS E HABILIDADES ............................................................ 130

    17.7.4 ORIENTAES DIDTICAS ................................................................. 132

    17.8 LNGUA INGLESA.................................................................................... 133

    17.8.1 CARACTERIZAO............................................................................... 134

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    9

    17.8.2 OBJETIVOS ........................................................................................... 135

    17.8.3 CONTEDOS E HABILIDADES ............................................................ 136

    17.8.5 ORIENTAES DIDTICAS ................................................................. 149

    17.9 EDUCAO FSICA................................................................................. 150

    17.9.1 CARACTERIZAO.............................................................................. 151

    17.9.2 OBJETIVOS .......................................................................................... 152

    17.9.3 CONTEDOS E HABILIDADES ............................................................ 153

    17.9.4 ORIENTAES DIDTICAS ................................................................. 160

    17.10 INFORMTICA EDUCACIONAL............................................................. 161

    17.10.1 CARACTERIZAO............................................................................. 162

    17.10.2 OBJETIVOS ......................................................................................... 162

    17.10.3 CONTEDOS E HABILIDADES .......................................................... 163

    17.10.4 ORIENTAES DIDTICAS ............................................................... 165

    REFERNCIAS BIBLIOGRFICAS ................................................................. 166

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    10

    APRESENTAO

    A Secretaria Municipal de Educao de Manaus SEMED, por meio da

    Gerncia de Educao de Jovens e Adultos GEJA, apresenta a Proposta

    Pedaggica para o Segundo Segmento do Ensino Fundamental da Educao de

    Jovens e Adultos EJA, correspondente do 6 ao 9 ano, com o objetivo de

    subsidiar o processo educativo nas escolas municipais que atendam a esse

    segmento, contribuindo para um ensino de qualidade mediante a abordagem de

    contedos significativos para seus educandos.

    A presente proposta parte do pressuposto do educando como sujeito scio-

    histrico-cultural, com conhecimentos e experincias construdas ao longo da vida,

    onde cada sujeito possui um tempo prprio de formao, apropriando-se de saberes

    locais e universais, a partir de uma perspectiva de ressignificao da concepo de

    mundo e de si mesmo.

    Para sua elaborao foram utilizadas as orientaes e preconizaes da Lei

    de Diretrizes e Bases da Educao Nacional n 9.394/96; o Parecer CNE/CEB

    n 11/00; as Resolues CNE/CEB n 01/00, n 03/10, n 04/10 e n 07/10; e a

    Resoluo n 07/CME/2011. Os contedos programticos esto em consonncia

    com os Parmetros Curriculares Nacionais e a Proposta Curricular para o Segundo

    Segmento da EJA, proposto pela Secretaria de Educao Continuada,

    Alfabetizao, Diversidade e Incluso SECADI do Ministrio da Educao-MEC.

    A definio da Proposta Curricular de cada uma das reas do conhecimento

    que integram este documento levou em considerao:

    O fato de que cada ano escolar na EJA corresponde a dois do ensino

    regular (6 ao 9 ano), sendo necessrio definir um currculo que no fosse extenso

    e impossvel de ser cumprido, mas que contemplasse os conhecimentos para

    formao dos discentes;

    A importncia de incluir temas transversais no cotidiano dos educandos,

    especialmente aqueles ligados ao mundo do trabalho, a sade, qualidade de vida,

    aos direitos e deveres;

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    11

    A necessidade da SEMED/Manaus em ofertar um ensino de qualidade,

    compromissado em elevar os nveis de escolaridade de sua populao.

    E ainda, esta proposta surge com o intuito de redefinir o conceito da

    Educao de Jovens e Adultos no municpio de Manaus. Aquilo que anteriormente

    se denominava compensar o tempo perdido, hoje necessita ser revisto e concebido

    como uma formao para jovens e adultos que possibilite a aprendizagem, a

    qualificao no de maneira suplementar, mas fundamental e ao longo da vida.

    A construo desta proposta contou com a participao de educadores

    que atuam nas escolas da SEMED, gestores escolares e representantes das

    Divises Distritais Zonais - DDZ, buscando valorizar as experincias construdas

    ao longo do percurso da EJA em nosso pas.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    12

    1 JUSTIFICATIVA

    A Educao de Jovens e Adultos destaca-se como modalidade de ensino

    voltada para aquelas pessoas que no tiveram acesso s salas de aula da educao

    regular ou que no puderam concluir seus estudos na idade considerada adequada

    na legislao educacional vigente, pelos mais diversos motivos, devendo ser

    assegurada de forma gratuita pelos sistemas de ensino, os quais devero criar

    oportunidades educacionais apropriadas, levando em considerao as

    caractersticas de seus educandos, conforme expresso na LDBEN n 9.394/96:

    Art. 37. A educao de jovens e adultos ser destinada queles que no tiveram acesso ou continuidade de estudos no ensino fundamental e mdio na idade prpria. 1 Os sistemas de ensino asseguraro gratuitamente aos jovens e aos adultos, que no puderam efetuar os estudos na idade regular, oportunidades educacionais apropriadas, consideradas as caractersticas do alunado, seus interesses, condies de vida e de trabalho, mediante cursos e exames. (LDBEN n 9.394/96, Seco V da Educao de Jovens e Adultos, artigo 37 e pargrafo 1).

    O pblico da EJA caracteriza-se por sua heterogeneidade, seja pela idade

    dos alunos, seja pelas diferenas relacionadas forma como cada sujeito

    estabelece suas relaes com a sociedade. Sendo assim, o ensino oferecido aos

    educandos dessa modalidade de ensino deve possibilitar a ampliao de seus

    conhecimentos certamente desenvolvidos ao longo de sua trajetria de vida, o

    desencadeamento de novas aprendizagens, a interlocuo com o mundo do

    trabalho e, por ltimo, a plena participao cidad.

    De acordo com o artigo 6 da Resoluo CNE/CEB n 01/2000 cabe a cada

    sistema de ensino definir a estrutura e a durao dos cursos da Educao de Jovens

    e Adultos, respeitadas as diretrizes curriculares nacionais, a identidade desta

    modalidade de educao e o regime de colaborao entre os entes federativos.

    Sob a gide deste embasamento, a Secretaria Municipal de Educao de

    Manaus redimensiona a Proposta Pedaggica do Segundo Segmento com o intuito

    de subsidiar o processo educativo desencadeado nas escolas municipais que

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    13

    atendem a Educao de Jovens e Adultos; contribuindo para a melhoria do processo

    de ensino e aprendizagem, uma vez que este documento foi organizado a partir das

    orientaes das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental e para

    a Educao de Jovens e Adultos.

    Segundo o Parecer CNE/CEB n 11/2000, a EJA deve atender a trs

    funes: a funo reparadora, que sugere a restaurao de um direito negado; a

    funo equalizadora, que possibilita a reentrada no sistema educacional daqueles

    que tiverem percursos escolares inacabados; e a funo qualificadora, no sentido de

    educao permanente ao longo da vida.

    Em termos mais objetivos, esta verso da Proposta Pedaggica da EJA

    SEMED/Manaus apresenta-se necessria no cenrio educacional em lide, por

    redirecionar a problemtica existente da temporalidade da organizao curricular

    modularizada, frente ao carter conteudstico de trabalho com o conhecimento

    socialmente construdo pela humanidade e de sua sistematizao/redistribuio no

    tempo-espao de trabalho docente em seu efetivo exerccio de planejamento e

    atuao escolar.

    Outro ponto importante, diz respeito a ento incompatibilidade deste formato

    modular trimestral em relao organizao curricular calcada na bimestralidade, no

    que se refere a situao acadmica do alunado no prosseguimento de seus estudos

    em outros espaos escolares, tanto do prprio Sistema Municipal de Ensino de

    Manaus, quanto de outros sistemas de ensino.

    Neste contexto, faz-se mais que necessrio garantir a escolaridade bsica

    para jovens e adultos na perspectiva da formao que oportunize o acesso e a

    permanncia desses sujeitos at a concluso de seus estudos, o que enseja, por

    parte da Rede Pblica Municipal de Ensino de Manaus a adoo do processo

    avaliativo bimestral, uniformizando com os demais sistemas.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    14

    2 OBJETIVOS

    2.1 OBJETIVO GERAL

    - Propiciar a universalizao do Ensino Fundamental Segundo Segmento,

    com durao de dois anos, a jovens e adultos que no tiveram acesso a Educao

    Bsica em idade correlata, por meio de uma educao de qualidade, baseada em

    valores inclusivos, emancipatrios, humanistas e democrticos.

    2.2 OBJETIVOS ESPECFICOS

    - Ofertar aos jovens e adultos oportunidades de concluso da Educao

    Bsica, na etapa do Ensino Fundamental Segundo Segmento, por meio de uma

    organizao curricular flexvel e pautada em suas necessidades e realidades.

    - Assegurar ao aluno da EJA um currculo escolar que possibilite sua

    preparao para a insero no mundo do trabalho, na vida social e em diversos

    canais de participao, permitindo a construo de conhecimentos que contribuam

    na ampliao de suas prticas sociais, na valorizao de seus direitos e no

    posicionamento crtico diante da realidade na qual est inserido.

    - Possibilitar aos professores da Rede Pblica Municipal de Ensino de

    Manaus orientaes didticas que subsidiem o seu planejamento.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    15

    3 CONTEXTO HISTRICO E LEGAL DA EDUCAO DE JOVENS E ADULTOS

    A histria da Educao de Jovens e Adultos no Brasil iniciou-se nos tempos

    coloniais, com aes educativas missionrias exercidas pelos religiosos. Porm,

    devido ao contexto socioeconmico e poltico da poca, pouco ou quase nada foi

    realizado oficialmente e as aes desenvolvidas no adquiriram amplitude

    significativa (BRASIL, 1998).

    Nos anos de transio do Imprio-Repblica (1887-1897), a educao foi

    considerada como redentora dos problemas da nao. Houve a expanso da rede

    escolar, e as ligas contra o analfabetismo, surgidas em 1910, que visavam

    imediata erradicao do analfabetismo, vislumbravam o voto daqueles que no

    possuam o domnio da leitura e da escrita (PAIVA, 1973).

    O carter qualitativo e a otimizao do ensino tiveram como cenrio as

    melhorias das condies didticas e pedaggicas da rede escolar, quando foram

    iniciadas mobilizaes em torno da educao como dever do Estado, sendo este um

    perodo de intensos debates polticos.

    No incio do sculo XIX, surgiram diversos movimentos civis e oficiais contra

    o analfabetismo. Assim, com a promulgao da Constituio Brasileira de 1824,

    formalizou-se a garantia de escolarizao primria e gratuita para todos os cidados.

    Todavia, a Educao de Jovens e Adultos somente se tornou uma questo de

    poltica nacional e comeou a delimitar seu lugar na histria da educao no pas a

    partir da dcada de 30, quando o sistema pblico de educao elementar comeou

    a se consolidar. Por fora da Constituio de 1934, foi instituda nacionalmente a

    obrigatoriedade do ensino primrio gratuito para todos.

    Neste perodo, o Brasil passava por diversas transformaes, em funo do

    processo de industrializao e da crescente concentrao populacional nos centros

    urbanos. Com isso, surgiu a necessidade de formao de mo de obra qualificada

    para atender as demandas do mercado de trabalho. Neste sentido, Ribeiro (1998),

    postula que:

    A oferta de ensino bsico gratuito estendia-se consideravelmente, acolhendo setores sociais cada vez mais diversos. A ampliao da educao elementar foi impulsionada pelo governo federal, que traava diretrizes educacionais para todo o pas, determinando as responsabilidades dos estados e municpios. Tal movimento incluiu tambm esforos articulados nacionalmente de extenso do ensino elementar aos adultos, especialmente nos anos 40. (RIBEIRO apud Brasil, 1998, p. 19).

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    16

    Na dcada de 40, a Educao de Jovens e Adultos se fortaleceu e ganhou

    destaque nacional, devido a agitao poltica vivida no pas com o fim da ditadura de

    Vargas e ao apelo da Organizao das Naes Unidas ONU, que com o trmino

    da Segunda Guerra Mundial alertou para a necessidade urgente da integrao dos

    povos para alcanar a paz e a democracia. Alm disso, era de interesse

    governamental o aumento das bases eleitorais para sustentar o governo central e

    incrementar a produo industrial no pas.

    Do final da dcada de 50 at meados de 60, o pas viveu uma fase de

    imensa efervescncia na EJA. Em janeiro de 1964, foi aprovado o Plano Nacional de

    Alfabetizao, que previa a disseminao por todo o Brasil, de programas de

    Alfabetizao orientados pela proposta de Paulo Freire, que defendia uma educao

    que estimulasse a colaborao, a deciso, a participao, a responsabilidade social

    e poltica dos jovens e adultos.

    Com o Golpe Militar de 1964, essa concepo educacional foi vista como

    uma ameaa a ordem. Seus promotores foram duramente reprimidos. Desse modo,

    o governo assumiu o controle da alfabetizao de adultos, lanando em 1967, o

    Movimento Brasileiro de Alfabetizao MOBRAL. Em relao a este Movimento,

    Ribeiro (1998) afirma que:

    As orientaes metodolgicas e os materiais didticos do Mobral reproduziam muitos procedimentos consagrados nas experincias de incio dos anos de 1960, mas esvaziando-os de todo sentido crtico e problematizador. Propunha-se a alfabetizar a partir de palavras-chave, retiradas da vida simples do povo, mas as mensagens a elas associadas apelavam sempre ao esforo individual dos adultos analfabetos para sua integrao nos benefcios de uma sociedade moderna pintada sempre de cor de rosa. (RIBEIRO apud Brasil, 1998, p.26).

    Na dcada de 1970, o MOBRAL expandiu-se por todo o territrio nacional,

    diversificando sua atuao. Uma das iniciativas mais importantes foi o Programa de

    Educao Integrada - PEI, que correspondia a uma condensao do antigo curso

    primrio. Este programa abria a possibilidade de continuidade de estudos para os

    recm-alfabetizados e para os chamados analfabetos funcionais.

    Com a Lei de Diretrizes e Bases da Educao - LDBEN n 5.692/71

    implantou-se o Ensino Supletivo, destinando-o a suprir a escolarizao regular para

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    17

    adolescentes e adultos que no tinham seguido ou concludo na idade prpria.

    Assim, a educao bsica obrigatria estendeu-se de 04 (quatro) para 08 (oito)

    anos, afirmando a necessidade de uma educao adequada clientela jovem e

    adulta.

    Em 1985, o MOBRAL foi extinto e surgiu, em seu lugar a Fundao Nacional

    para Educao de Jovens e Adultos Fundao Educar. Esta por sua vez, tinha

    como funes o atendimento as sries iniciais do primeiro grau, a produo de

    material e a avaliao de atividades.

    Em 1988, foi promulgada a Constituio que ampliou o dever do Estado para

    com a Educao de Jovens e Adultos, garantindo o ensino fundamental obrigatrio e

    gratuito para todos:

    O dever do Estado com a educao ser efetivado mediante a garantia de: ensino fundamental obrigatrio e gratuito, assegurada, inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele no tiveram acesso na idade prpria. (Constituio da Repblica Federativa do Brasil, 2006, p. 149).

    Em 1990, a Fundao Educar foi extinta gerando um enorme vazio em

    termos de polticas pblicas para o setor. Desse modo, a EJA ficou a cargo dos

    rgos pblicos, das entidades civis e de instituies no governamentais. A partir

    da, o desafio da educao de jovens e adultos passou a ser o estabelecimento de

    uma poltica e de metodologias criativas, com a universalizao do ensino

    fundamental de qualidade. Foram organizados eventos em nvel nacional e

    internacional, como a Conferncia Mundial de Educao para Todos, em Jomtien,

    na Tailndia, na qual o Brasil ratificou um acordo se comprometendo a garantir uma

    educao bsica para crianas, jovens e adultos.

    Com a promulgao da LDBEN n 9.394/96, reafirmou-se o direito dos

    jovens e adultos a um ensino bsico de qualidade e adequado as suas condies,

    considerando suas caractersticas, interesses, condies de vida e de trabalho do

    cidado, assim como, sua gratuidade em sistemas de ensino, sendo o mesmo dever

    do poder pblico.

    Alm dos avanos advindos da referida lei, houve marcos importantes em

    nvel internacional, dos quais ressaltamos a V Conferncia Internacional sobre a

    Educao de Jovens e Adultos (CONFITEA) realizada em julho de 1997, em

    Hamburgo, na Alemanha.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    18

    A Declarao de Hamburgo definiu a Educao de Jovens e Adultos como

    sendo todo processo de aprendizagem, formal ou informal, em que pessoas

    consideradas adultas pela sociedade, desenvolvem suas capacidades, enriquecem

    seu conhecimento e aperfeioam suas qualificaes tcnicas e profissionais, ou as

    redirecionam, para atender suas necessidades e as de sua sociedade.

    Ainda se tratando do aspecto legal, no ano 2000, o CNE, por meio da

    Cmara de Educao Bsica - CEB, instituiu o Parecer CNE/CEB n 11/2000 e a

    Resoluo CNE/CEB n 01/2000 que estabelecem as Diretrizes Curriculares

    Nacionais para a Educao de Jovens e Adultos.

    Esses documentos reafirmam de vez que a EJA uma modalidade da

    Educao Bsica e como tal, deve considerar o perfil dos alunos e sua faixa etria

    ao propor um modelo pedaggico, de modo a assegurar a equidade, a diferena e a

    proporcionalidade. A equidade se refere distribuio especfica dos componentes

    curriculares, a fim de propiciar um patamar igualitrio de formao e restabelecer a

    igualdade de direitos e de oportunidades face ao direito educao.

    A diferena referenda a identificao e o reconhecimento da alteridade

    prpria e inseparvel dos jovens e dos adultos em seu processo formativo, da

    valorizao do mrito de cada qual e do desenvolvimento de seus conhecimentos e

    valores.

    A proporcionalidade est relacionada disposio e alocao adequadas

    dos componentes curriculares face s necessidades prprias da Educao de

    Jovens e Adultos com espaos e tempos nos quais as prticas pedaggicas

    assegurem aos seus estudantes identidade formativa comum aos demais

    participantes da escolarizao bsica.

    A Resoluo CNE/CEB n 03/2010 instituiu as Diretrizes Operacionais para

    a EJA nos aspectos relativos durao, idade mnima para o ingresso, certificao

    nos exames e normatizou os cursos de Educao a Distncia EAD nesta

    modalidade de ensino.

    Analisando a histria da Educao de Jovens e Adultos no pas, percebe-se

    uma longa trajetria marcada por avanos e retrocessos.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    19

    4 CONCEPES TERICAS

    A Educao de Jovens e Adultos tem no iderio freireano sua gnese, onde

    o processo educativo parte de uma viso crtica da realidade e da possibilidade de

    sua superao. Para Paulo Freire (2004), a educao deve privilegiar o exerccio da

    compreenso crtica da realidade e possibilitar no somente a leitura da palavra, a

    leitura do texto, mas tambm a leitura do contexto, a leitura do mundo:

    A educao (...) no pode fundar-se numa compreenso dos homens como seres vazios a quem o mundo enche de contedos; no pode basear-se numa conscincia especializada, mecanicistamente compartimentada, mas nos homens como corpos conscientes e na conscincia como conscincia intencionada ao mundo. No pode ser a de depsito de contedos, mas a da problematizao dos homens em suas relaes com o mundo. (FREIRE, 2004, p. 67).

    A proposta pedaggica freireana pauta-se em uma educao

    problematizadora e dialgica, que busca promover caminhos para que o aluno

    construa sua prpria autonomia, no se limitando apenas a formao do trabalhador.

    Focaliza-se na relao aluno-professor-conhecimento, salientando importncia do

    respeito diversidade, a identidade cultural do aluno e aos saberes construdos

    pelos seus fazeres. Propondo uma mudana na relao entre professor e aluno: em

    vez de adotar uma relao vertical, em que impe sua viso de mundo, o professor

    assume uma posio horizontal, de igualdade, favorecendo o dilogo entre sua

    viso de mundo e a do aluno, problematizando a realidade. Nessa troca, baseada no

    dilogo efetiva-se o conhecimento.

    O processo educativo no se caracteriza pelo recebimento, por parte dos

    alunos, de conhecimentos prontos e acabados, mas pela reflexo sobre os

    conhecimentos que circulam e que esto em constante transformao. Nessa

    relao, professores e alunos so produtores de cultura, onde todos aprendem e

    todos ensinam.

    Os alunos da EJA, quando chegam escola, trazem consigo muitos

    conhecimentos, que podem no ser aqueles sistematizados pela escola, mas so

    saberes nascidos dos seus afazeres. Esses saberes devem ser respeitados pela

    escola, como ponto de partida para aquisio de outros.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    20

    A educao deve ter carter emanciptorio, libertador, problematizador da

    realidade, no sentido oposto ao de uma educao para a submisso. Para Paulo

    Freire, a educao pode contribuir para que as pessoas se acomodem ao mundo em

    que vivem ou se envolvam na transformao dele, assim, poder ser conservadora

    ou transformadora da realidade. Numa viso dialtica, a educao para a libertao

    se constitui como ato de saber, um ato de conhecer e um mtodo de transformar a

    realidade que se procura conhecer.

    De acordo com as concepes socioconstrutivistas, o conhecimento no

    algo situado fora do indivduo. , antes de tudo, uma construo histrica e social,

    na qual interferem fatores de ordem antropolgica, cultural e psicolgica. A

    aprendizagem na concepo construtivista caracteriza-se como atividade mental

    construtiva, que parte de conhecimentos prvios dos alunos.

    Os alunos jovens e adultos, devido ao seu percurso de vida, experincias

    pessoais, interpessoais e, muitas vezes profissionais, apresentam uma diversidade

    de conhecimentos prvios e cada qual possui um repertrio distinto. a partir

    desses conhecimentos que se d o contato com o novo contedo, atribuindo-lhes

    significado e sentido, que so os fundamentos para a construo de novos

    significados.

    Vigotsky afirma que o processo de desenvolvimento da aprendizagem e a

    relao com o ambiente sociocultural no se desenvolve plenamente sem a ao e

    interferncia do outro. Por este motivo, a escola precisa estar atenta s diversas

    influncias, para que possa propor atividades que favoream uma aprendizagem

    significativa.

    As aprendizagens realizadas na escola so significativas na medida em que

    conseguem estabelecer relaes entre os contedos escolares e os conhecimentos

    previamente construdos, que atendam as expectativas, intenes e propsitos de

    aprendizagem dos alunos.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    21

    De acordo com o Parecer CNE/CEB n 11/2000 DCN para a EJA, essa

    modalidade deve desempenhar trs funes:

    Funo reparadora: no se refere apenas entrada dos jovens e

    adultos no mbito dos direitos civis, pela restaurao de um direito a eles negado o

    direito a uma escola de qualidade, mas tambm ao reconhecimento da igualdade

    ontolgica de todo e qualquer ser humano de ter acesso a um bem real, social e

    simbolicamente importante.

    Funo equalizadora: relaciona-se igualdade de oportunidades, que

    possibilite oferecer aos indivduos novas inseres no mundo do trabalho, na vida

    social, nos espaos da esttica e nos canais de participao.

    Funo qualificadora: refere-se educao permanente, com base no

    carter incompleto do ser humano, cujo potencial de desenvolvimento e de

    adequao pode se atualizar em quadros escolares ou no escolares.

    Segundo as recomendaes internacionais (V CONFITEA), a EJA deve ter

    como princpios:

    Sua insero num modelo educacional inovador e de qualidade,

    orientado para a formao de cidados democrticos, sujeitos de sua ao, valendo-

    se de educadores que tenham formao permanente como respaldo da qualidade

    de sua atuao.

    Currculo variado, que respeite a diversidade de etnias, de

    manifestaes regionais e da cultura popular, cujo conhecimento seja concebido

    como uma construo social fundada na interao entre a teoria e a prtica e o

    processo de ensino e aprendizagem como uma relao de ampliao de saberes.

    Abordar contedos bsicos, disponibilizando os bens socioculturais

    acumulados pela humanidade.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    22

    5 PERFIL DO EDUCANDO E FUNO SOCIAL DA EJA

    Compreender o perfil do educando da EJA requer conhecer sua histria,

    cultura e costumes, entendendo-o como um sujeito com diferentes experincias de

    vida e que em algum momento afastou-se da escola devido a fatores sociais,

    econmicos, polticos e/ou culturais.

    caracterstica dessa modalidade de ensino a diversidade do perfil de seus

    educandos, com relao idade, ao nvel de escolarizao em que se encontram,

    vivncias profissionais, situao socioeconmica e cultural, ritmos de aprendizagem

    e estruturas de pensamento diferentes. So pessoas que vivem no mundo do

    trabalho, com responsabilidades sociais e familiares, com valores ticos e morais

    formados a partir da experincia, do ambiente e da realidade cultural em que esto

    inseridos e nada disso deve ser relevado no processo educacional. Para Arroyo

    (2006, p. 35) essas diferenas podem ser uma riqueza para o fazer educativo.

    Por este motivo, a EJA deve ter uma estrutura flexvel e ser capaz de

    contemplar inovaes que tenham contedos significativos para seus alunos. Nesta

    perspectiva, h um tempo diferenciado de aprendizagem e no um tempo nico para

    todos.

    O artigo 1 da LDBEN n 9.394/96 incorpora uma concepo mais ampla e

    abre outras perspectivas para a Educao de Jovens e Adultos, desenvolvida a

    partir da pluralidade de vivncias humanas:

    A educao abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivncia humana, no trabalho, nas instituies de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizaes da sociedade civil e nas manifestaes culturais. A educao escolar dever vincular-se ao mundo do trabalho e prtica social. (Lei n 9.394/96, Ttulo I Da Educao, Art. 1).

    O educando da EJA torna-se sujeito na construo do conhecimento

    mediante a compreenso dos processos de trabalho, de criao, de produo e de

    cultura. Portanto, passa a se reconhecer como sujeito do processo e a confirmar

    saberes adquiridos para alm da educao escolar, na prpria vida. Trata-se de uma

    consistente comprovao de que esta modalidade de ensino pode permitir a

    construo e a apropriao de conhecimentos para o mundo do trabalho e o

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    23

    exerccio da cidadania, de modo que o educando ressignifique suas experincias

    socioculturais.

    A identidade de homens e mulheres formada pelas experincias do meio

    em que vivem e se modificam conforme se alteram as relaes sociais,

    principalmente as relaes no mundo do trabalho.

    A EJA tem um papel fundamental na socializao dos sujeitos, agregando

    elementos e valores que os levem emancipao e afirmao de sua identidade

    cultural.

    A educao ofertada aos jovens e adultos deve colaborar para que eles

    ampliem seus conhecimentos de forma crtica, viabilizando a reflexo pela busca de

    seus direitos e melhoria da qualidade de vida. Alm disso, deve contribuir para que

    compreendam as dicotomias e complexidades do mundo do trabalho

    contemporneo, no contexto mais amplo possvel.

    6 FUNDAMENTOS E ORIENTAES DA EDUCAO DE JOVENS E ADULTOS DO CAMPO

    A SEMED/Manaus entende que a Educao de Jovens e Adultos - EJA do

    Campo realidade presente no municpio, de tal forma que:

    [...] aprender a ler e a escrever se faz assim uma oportunidade para que mulheres e homens percebam o que realmente significa dizer a palavra: um comportamento humano que envolve ao e reflexo. Dizer a palavra, em sentido verdadeiro, o direito de expressar-se e expressar o mundo, de criar e recriar, de decidir, de optar. (FREIRE, 1987).

    Junto luta de construir escolas como espaos fsicos no campo, trava-se a

    luta para garantir o espao pedaggico da educao do campo que venha tambm a

    atender aos jovens, adultos e idosos que estejam desperiorizados. Esta

    preocupao tem como objetivo, realmente, consolidar uma educao no pensada

    para o campo e, sim, que seja construda junto aos seus sujeitos, levando em

    considerao caractersticas primordiais do prprio campo, como: o sistema de

    enchente e vazante, o acesso aos ramais, o aproveitamento de espaos com a

    utilizao de horta em articulao da gesto da escola para o desenvolvimento das

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    24

    atividades do plano de aprendizagem no tempo-comunidade, na perspectiva da

    qualificao social e profissional.

    A educao, geralmente, se constitui enquanto um espao hegemnico. Na

    educao tradicional no se considera que exista intencionalidade de opressores,

    muito menos que existam oprimidos na escola. Afirmaes que diariamente

    escutamos julgam a escola como um espao onde todos e todas tm o mesmo

    direito, e que todos so iguais. No entanto, muitos foram excludos da escola,

    tornando a educao um fator de discriminao e de excluso. A realidade dos

    jovens e adultos do campo , pois, preocupante porque, em sua maioria, esses

    jovens e adultos no concluram o Ensino Fundamental e uma grande parte deles

    no se alfabetizou. Tomando como referncia, encontramos a triste verdade de

    jovens que no sabem ler e escrever seus prprios nomes, que se somados com os

    adultos traduzem um quadro de imensa quantidade de pessoas sem saber ler e

    escrever.

    A Proposta Pedaggica para a Educao de Jovens e Adultos do Campo

    surge a partir da necessidade de adequar os espaos e tempos especficos aos

    seus sujeitos e uma conquista da equidade no direito de aprender em qualquer

    lugar, com qualquer idade e ao longo da vida, assim possibilitar a assiduidade do

    estudante na escola, apesar das distncias, da falta de transportes etc.

    A organizao do tempo-escola e do tempo-comunidade para o

    desenvolvimento dos planos de aprendizagem que permitam ao estudante da EJA

    do Campo a experimentao com a terra e os temas afins ao seu universo e

    repertrio de vivncias devem constar no projeto poltico pedaggico. Neste sentido,

    pertinente a promoo de tempo-espao de construo e atualizao contnua de

    currculo coerente para a EJA do Campo, considerando os saberes, a cultura e a

    dinmica dos estudantes que vivem e trabalham no campo, mediante a necessidade

    e oportunidade de mudanas, oriundas de fatores internos ou externos escola,

    aps anlise, dilogo e deciso dos sujeitos escolares constitudos.

    Um dos objetivos do currculo voltado para a Educao de Jovens e Adultos

    do Campo proporcionar contedos significativos para a vivncia dos sujeitos e que

    possibilitem a aprendizagem, contemplados com metodologias que contribuam com

    esta realidade. Aquilo que no tem significado mais difcil de ser assimilado. O

    desenvolvimento humano deve se dar a partir de seu cotidiano, de sua histria.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    25

    esse cotidiano e essa histria que podem ser entendidos como cultura. E a cultura

    passa a ser, ento, resultado das vrias manifestaes que acontecem de diferentes

    formas e de diversos significados.

    Outro objetivo efetivar a prtica pedaggica da EJA do Campo de modo

    sustentvel, na perspectiva da valorizao dos saberes local e cultura regional e

    voltada para os saberes globais, portanto, privilegiando a viso rural de educao,

    sem perder de vista sua projeo mais ampla para o mundo. Socialmente justa e

    ecologicamente correta.

    Validar a contextualizao da educao de jovens, adultos e idosos no

    campo, com os conhecimentos historicamente construdos tambm desenvolvidos

    no campo e sua relao direta com a prtica do dia-a-dia, portanto, saber ler e

    escrever, pensar criticamente, conviver, aprender, fazer e cuidar das pessoas e do

    planeta um direito de todos os cidados que vivem essa realidade.

    A organizao estrutural curricular da EJA para as escolas do campo no

    primeiro e segundo segmentos, segue a mesma sistematizao das escolas da rea

    urbana e no que concerne os componentes curriculares e avaliao.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    26

    7 PRINCPIOS PEDAGGICOS

    A SEMED/Manaus adota como princpios pedaggicos para a EJA, os

    quatros pilares recomendados pela Comisso Internacional para Educao no

    sculo XXI:

    a) Aprender a ser

    Relacionamos a esse princpio a formao integral do ser humano com a

    promoo e o desenvolvimento da autoestima e da autoconfiana. As experincias

    de vida de cada um sero pontos de partida para as aprendizagens escolares. Os

    conhecimentos e informaes adquiridos devem contribuir para o desenvolvimento

    da autonomia e criatividade.

    b) Aprender a fazer

    A aquisio de habilidades bsicas est relacionada com o aprender a fazer

    e o aprender a aprender. Os jovens e adultos devem ser estimulados a agir como

    sujeitos do seu processo de aprendizagem tomando decises, iniciativas, criando,

    elaborando, resolvendo situaes e problemas, experimentando, dialogando e

    investigando. Os contedos escolares devem propiciar aos alunos a construo do

    conhecimento e aquisio de habilidades para insero na vida social e no mundo

    do trabalho.

    c) Aprender a conhecer

    As bases para a construo dos conhecimentos dos jovens e adultos sero

    constitudas a partir de temas sociais contemporneos. Os estudos em grupos e o

    dilogo sero recursos essenciais na busca da apreenso dos conhecimentos. Os

    contedos sero abordados de forma contextualizada. O universo sociocultural dos

    alunos o eixo condutor do processo ensino e aprendizagem. Os saberes

    adquiridos sero confrontados com saberes do cotidiano, levando os alunos

    reflexo e construo de novos saberes.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    27

    d) Aprender a conviver

    Aprender a conviver uma atitude de cidadania. O conceito de cidado, os

    valores socialmente representados, a conduta tica e o contexto scio-poltico e

    econmico nos quais os sujeitos esto inseridos.

    Alm de fundamentar-se nos quatros pilares da educao, a

    SEMED/Manaus compartilha de que a aprendizagem ao longo da vida constitui-se

    em uma filosofia, um marco conceitual e um princpio organizador de todas as

    formas de educao. Por este motivo, deve basear-se em valores inclusivos,

    emancipatrios, humanistas e democrticos, sendo abrangente e parte integrante da

    viso de uma sociedade do conhecimento.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    28

    8 PROPOSTA CURRICULAR

    Esta Proposta Pedaggica contempla a organizao do currculo e o modo

    de atendimento ao Ensino Fundamental, na modalidade da EJA Segundo

    Segmento, no que concerne aos seus componentes curriculares e suas respectivas

    cargas horrias, respeitando o artigo 26 da LDBEN n. 9.394/96, em relao base

    nacional comum e a parte diversificada.

    Os componentes curriculares, relativos s reas de conhecimento e

    disciplinas obrigatrias no Ensino Fundamental atendem ao proposto no Parecer

    CNE/CEB n 11/2000 e nas Resolues CNE/CEB n 01/00, n 03/10, n 04/10,

    n 07/10 e Resoluo n 007/CME/2011.

    Os contedos programticos esto em consonncia com a Proposta

    Curricular para o Segundo Segmento da EJA, proposto pela SECADI do MEC e os

    Parmetros Curriculares Nacionais PCNs. Sendo embasados na LDBEN

    n 9.394/96 e organizados por reas de conhecimento, fases e objetivos/habilidades

    correspondentes.

    A temtica Histria e Cultura Afro-brasileira e Indgena sero contempladas

    no mbito de todo o currculo escolar, em especial nas reas de Arte e Histria,

    conforme a Lei n 11.645/08 e a Lei n 10.639/03.

    Atendendo a Lei n 11.769/08 sobre a obrigatoriedade do ensino de Msica,

    a Resoluo n 08/CME/15 estabelece normas complementares para implementao

    do contedo de msica a ser trabalhado de forma interdisciplinar, alm de noes

    bsicas de ritmos, danas, sons de instrumentos regionais e folclricos, alm de

    cantos cvicos.

    O componente curricular de Educao Fsica de carter obrigatrio de

    acordo com 3 do art. 26 da LDBEN n 9.394/96, regulamentado pela Resoluo

    n 07/CME/2007.

    Os temas transversais sero trabalhados em todas as disciplinas de forma

    interdisciplinar e transdisciplinar.

  • 9 CARGA HORRIA

    O Ensino Fundamental na modalidade EJA Segundo Segmento ter a durao de 02 anos, com carga horria de 2000h, sendo distribuda em duas fases: 1000h para a 4 fase (6 e 7 ano) e 1000h para a 5 fase (8 e 9 ano), conforme matriz curricular a seguir:

    ESTRUTURA CURRICULAR - 4 fase (6 e 7 ano) 5 fase (8 e 9 ano)

    BA

    SE

    LE

    GA

    L -

    LE

    GIS

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    O

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    reas do Conhecimento Componentes

    Curriculares

    Carga Horria Carga Horria

    S Bim A S Bim A

    I -Linguagens

    Lngua

    Portuguesa 5 50 200 5 50 200

    Educao

    Fsica 2 20 80 2 20 80

    Arte 2 20 80 2 20 80

    II - Matemtica Matemtica 5 50 200 5 50 200

    III - Cincias da Natureza Cincias 3 30 120 3 30 120

    IV Cincias Humanas Histria 2 20 80 2 20 80

    Geografia 2 20 80 2 20 80

    V Ensino Religioso Ensino

    Religioso 1 10 40 1 10 40

    Pa

    rte D

    ive

    rsif

    ica

    da

    Lngua Estrangeira Moderna Lngua Inglesa 2 20 80 2 20 80

    Informtica Educacional Informtica

    Educacional 1 10 40 1 10 40

    Total 25 250 1000 25 250 1000

    Semanas: 40 Legenda: S = Semanal; Bim = Bimestral; A = Anual.

  • 10 PROCEDIMENTOS PEDAGGICOS

    10.1 Acolhimento

    Atualmente um dos grandes desafios da educao brasileira a

    permanncia dos alunos na escola. Embora as causas do abandono escolar sejam

    mltiplas, podemos enfatizar que a falta do acolhimento dos alunos por parte da

    escola contribui para esse processo.

    A falta de acolhimento pode ser originada, muitas vezes, pelo fato da escola

    no reconhecer a diversidade da populao a ser atendida, com a consequente

    diferenciao na demanda.

    Os alunos jovens e adultos fazem parte de uma demanda peculiar, com

    caractersticas especficas. preciso que o professor esteja atento para no encarar

    essas especificidades como algo negativo, mas entend-las e respeit-las, a fim de

    que os alunos possam realmente se sentir participantes e membros da comunidade

    escolar.

    Contribuir para o processo de acolhimento dos alunos da EJA no tarefa

    simples, pois envolvem emoes, motivaes, valores e atitudes, responsabilidades

    e compromissos. O acolhimento ao aluno abrange tanto a valorizao dos

    conhecimentos e da forma de expresso de cada um, como seu processo de

    socializao.

    O acolhimento aos jovens e adultos se traduz tambm nas oportunidades

    dadas a eles, tanto no sentido de se manifestarem das mais diferentes formas, como

    na partilha de suas produes de conhecimentos, expresses artsticas,

    performances esportivas e as criadas fora do espao escolar. Estimular, valorizar e

    oferecer subsdios para enriquecer as manifestaes e produes dos alunos

    contribui para que eles se reconheam como produtores de cultura, como seres

    capazes de propor, criar e participar.

    10.2 Conhecer

    A escola que atende EJA precisa conhecer e levar em conta as

    singularidades dos alunos dessa modalidade da educao bsica do Ensino

    30

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    31

    Fundamental, a fim de no se configurar como mera adaptao de uma escola de

    crianas, nem um suprimento de algo que os alunos no tiveram anteriormente.

    Cada escola deve conhecer quem so seus alunos para, a partir da,

    desenvolver um projeto educativo que contemple questes importantes a serem

    trabalhadas. Levando em conta, suas diferenas de idade, caractersticas

    socioculturais, insero ou no no mundo do trabalho, local de moradia, relaes

    com a produo cultural, dentre outros.

    Assim como os adultos apresentam algumas caractersticas especficas que

    os diferenciam, os jovens tambm possuem especificidades que vo alm da idade

    cronolgica e mudanas biolgicas pelas quais passam. Eles tm interesses,

    motivaes, experincias e expectativas importantes a serem consideradas pelo

    professor para o desenvolvimento de seu trabalho pedaggico.

    10.3 Dilogo

    O dilogo ser um instrumento de relevncia pedaggica a ser explorado

    pelos professores, tendo como objetivo propiciar aos alunos o questionamento e a

    compreenso da realidade em que esto inseridos.

    O procedimento dialgico ser adotado como exerccio da busca da anlise

    e reflexo mais profunda do saber, como possibilidade de acesso a outras

    informaes e a outros saberes. A ressignificao e recriao desses

    conhecimentos estabelecem uma dinmica de formao de cidadania.

    Numa concepo mais ampla, no possvel falar da EJA sem conhecer

    uma interao de dilogo intenso e permanente entre professores e alunos.

    O estmulo e a prtica do dilogo favorecem a socializao, a troca de

    experincias de diferentes culturas. A questo cultural ser abordada de forma que

    favorea aos alunos, a reflexo sobre a diversidade cultural no mundo onde as

    diferenas devem ser respeitadas, superando preconceitos, conflitos e barreiras. O

    dilogo professor-aluno fundamental no desenvolvimento e recuperao da

    autoestima de jovens e adultos.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    32

    Os educandos da EJA trazem consigo um legado cultural conhecimentos

    construdos a partir do senso comum e um saber popular, no-cientfico, constitudo

    no cotidiano, em suas relaes com o outro e com o meio os quais devem ser

    considerados na dialogicidade das prticas educativas. Portanto, o trabalho dos

    educadores da EJA buscar de modo contnuo o conhecimento que dialogue com o

    singular e o universal, o mediato e o imediato, de forma dinmica e histrica.

    11 AVALIAO

    A avaliao um meio e no um fim em si. um processo contnuo,

    diagnstico, dialtico e deve ser tratada como integrante das relaes de ensino e

    aprendizagem. Para Luckesi (2000), a avaliao da aprendizagem um recurso

    pedaggico til e necessrio para auxiliar o educador e o educando na busca e na

    construo de si mesmo e do seu melhor modo de estar na vida.

    Os saberes e a cultura do educando devem ser respeitados como ponto de

    partida real, realizando a avaliao a partir das experincias acumuladas e das

    transformaes que marcaram o seu trajeto educativo. A avaliao ser significativa

    se estiver voltada para a autonomia dos educandos.

    A avaliao implica o coletivo da escola e possibilita a indicao de

    caminhos mais adequados e satisfatrios para a ao pedaggica. Em outras

    palavras, a avaliao no pode ser um mecanismo para classificar, excluir ou

    promover o aluno, mas um parmetro da prxis pedaggica que toma os erros e os

    acertos como elementos sinalizadores para o seu replanejamento.

    A prtica avaliativa deve superar o autoritarismo, o conteudismo e o ato de

    avaliar como objeto de punio, estabelecendo-se uma nova perspectiva, marcada

    pela autonomia do educando. Como afirma Vasconcelos:

    O professor que quer superar o problema da avaliao precisa, a partir de uma autocrtica: abrir mo do uso autoritrio da avaliao que o sistema lhe faculta, lhe autoriza; rever a metodologia do trabalho em sala de aula; redimensionar o uso da avaliao (tanto do ponto de vista da forma como do contedo); alterar a postura diante dos resultados da avaliao; criar uma nova mentalidade junto aos alunos, aos colegas educadores e aos pais. (VASCONCELOS, 1994, p.54).

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    33

    Pautados no princpio da educao que valoriza a diversidade e reconhece

    as diferenas, o processo avaliativo como parte integrante da prxis pedaggica

    deve estar voltado para atender as necessidades dos educandos, considerando o

    seu perfil e a funo social da EJA, isto , o seu papel na formao da cidadania e

    na construo da autonomia.

    A avaliao dever ocorrer em vrios momentos da aprendizagem, ou seja,

    de forma contnua, a partir de debates, observao do aluno, testes, trabalhos

    individuais e em grupos, trabalhos de pesquisa e outros instrumentos que permitam

    observar o progresso e as dificuldades dos alunos visando, quando for o caso, uma

    interveno pedaggica imediata (recuperao paralela) para recuperar

    qualitativamente a aprendizagem do educando.

    Para registro no Dirio de Classe, sero consideradas no mnimo 03 (trs)

    avaliaes para cada componente curricular, atendendo ao princpio da avaliao

    contnua.

    As avaliaes obedecero a uma escala de valores de 0,0 (zero) a 10,0

    (dez) pontos, cuja pontuao mnima para aprovao, ser de 5,0 (cinco) pontos. A

    mdia final dos componentes curriculares ser obtida mediante a soma das notas

    das avaliaes parciais dividida pelo quantitativo de avaliaes realizadas.

    Exemplo:

    MB= 1 Av + 2 Av + 3 Av = 5,0

    3

    MF1 = 1 Bi + 2 Bi + 3 Bi + 4 Bi = 20 = 5,0 4

    MF2 = 1 Bi + 2 Bi + 3 Bi + 4 Bi + Rec = 25 = 5,0 5

    Legenda:

    MB = Mdia Bimestral

    Bi = Bimestre

    Av = Avaliao

    Rec = Recuperao

    MF1 = Mdia final sem recuperao

    MF2 = Mdia final com recuperao

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    34

    Caso o aluno no alcance a nota mnima, o professor far recuperao

    paralela. O Rendimento ser feito por componente curricular. Os professores

    entregaro os dirios de classe devidamente preenchidos na secretaria da escola.

    A frmula de aferio do rendimento escolar ser feito de acordo com a

    soma das avaliaes parciais do componente curricular.

    Para aprovao em cada fase o aluno dever obter a mdia final igual ou

    superior a 5,0 (cinco) em cada componente curricular e ter 75% de frequncia ao

    final do ano letivo.

    O Conselho de Classe

    O Conselho de Classe tem como objetivos orientar e deliberar sobre

    questes relativas ao processo ensino-aprendizagem no sentido de melhorar o

    rendimento individual ou coletivo dos estudantes durante todo ano letivo, conforme

    dispe o art.89 do Regimento Geral das Unidades de Ensino da Rede Pblica

    Municipal de Manaus, aprovado pela Resoluo n 038/CME/ 2015).

    E ainda, no artigo 92 do aludido Regimento fica estabelecido que o

    estudante seja submetido ao Conselho de Classe mediante reteno em at dois

    componentes curriculares, independente da nota obtida.

    O estudante da 5 fase (8 e 9 ano) que ficar reprovado em at 02 (dois)

    componentes curriculares, aps a apreciao no Conselho de Classe, poder

    submeter-se ao Exame de Eliminao de Componente ofertado pelas secretarias de

    educao, ensejando viabilizar a implementao do Provo Eletrnico no mbito da

    Secretaria Municipal de Educao de Manaus, conforme preconizado na Resoluo

    n. 023/CME/2013.

    12 ACOMPANHAMENTO TCNICO-PEDAGGICO

    O acompanhamento tcnico-pedaggico tem a finalidade de subsidiar o

    trabalho docente garantindo o cumprimento das DCN para a EJA.

    Na prtica docente sero utilizados para controle e acompanhamento do

    trabalho pedaggico os documentos abaixo especificados:

    Dirio de classe;

    Ficha de planejamento pedaggico;

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    35

    Plano de curso anual.

    Ao final de cada fase, a documentao de controle e registro do trabalho

    docente dever ser entregue ao pedagogo para anlise, acompanhamento e

    arquivamento junto secretaria da escola.

    13 ORGANIZAO E FUNCIONAMENTO

    13.1 Equipe Pedaggica

    A equipe pedaggica das Escolas da Rede Pblica Municipal de Ensino de

    Manaus, que atendem ao Ensino Fundamental e ofertam a modalidade da EJA -

    Segundo Segmento, deve ser composta pelos profissionais abaixo especificados:

    a) Gestor

    Requisitos: ser servidor efetivo (professor ou pedagogo) em atividade da

    Rede Pblica Municipal de Manaus; ter experincia de no mnimo 03 anos em

    unidade escolar; ter graduao em Pedagogia, com habilitao em Administrao

    Escolar, Inspeo Escolar, Superviso Escolar, Orientao Educacional ou Gesto

    Escolar; ter disponibilidade para trabalhar 40 (quarenta) horas semanais, com

    dedicao exclusiva; no ter sofrido nenhum tipo de sano administrativa, nos

    ltimos 3 (trs) anos, comprovado pela Comisso Interna junto aos setores

    competentes da SEMED.

    Atribuies:

    - Coordenar a elaborao coletiva do Projeto Poltico-Pedaggico e

    Regimento Interno da unidade de ensino, acompanhando a execuo e promovendo

    sua avaliao contnua;

    - Coordenar a elaborao coletiva, a execuo e a avaliao do Plano de

    Trabalho Anual (PTA) da unidade de ensino;

    - Assegurar o cumprimento do Calendrio Escolar, da legislao educacional

    vigente, e das diretrizes e normas emanadas da Rede Pblica Municipal de ensino;

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    36

    - Responsabilizar-se, juntamente com o pedagogo e o corpo docente, pelos

    resultados do processo ensino-aprendizagem;

    - Viabilizar condies adequadas ao funcionamento pleno da unidade de

    ensino quanto s instalaes fsicas, o bom relacionamento na unidade de ensino,

    efetividade do processo ensino-aprendizagem e a participao da comunidade;

    - Desenvolver o Plano de Ao da Unidade de Ensino, com a participao dos

    professores e demais membros da comunidade escolar para que as metas

    determinadas pela SEMED sejam alcanadas e os indicadores escolares sejam

    melhorados;

    - Coordenar, em parceria com os rgos colegiados da unidade de ensino, o

    processo de estudo deste Regimento e da elaborao e divulgao comunidade

    escolar, do Regimento Interno;

    - Elaborar de modo participativo, o plano de aplicao de recursos financeiros

    da unidade de ensino, que dever ser apreciado e aprovado pelo Conselho Escolar

    e pela Secretaria Municipal da Educao;

    - Responsabilizar-se pela gesto dos profissionais lotados e designados na

    unidade de ensino zelando pela segurana e bem-estar dos profissionais da

    educao e corpo discente;

    - Manter atualizado o cadastramento dos bens mveis e imveis (inventrio),

    zelando, em conjunto com a comunidade escolar, pela sua conservao;

    - Criar condies para a viabilizao da formao continuada em servio da

    equipe escolar;

    - Responsabilizarse pela organizao dos processos e registros escolares

    relativos ao estudante, dos documentos referentes aos professores e demais

    funcionrios;

    - Mobilizar a comunidade escolar para a avaliao, a adeso e a

    implementao de projetos e aes socioeducativas e culturais de iniciativa interna e

    de rgos externos;

    - Monitorar sistematicamente os servios de alimentao quanto s

    exigncias sanitrias e padres nutricionais oriundos do Programa Nacional de

    Alimentao Escolar;

    - Estar presente no turno noturno, no mnimo, duas vezes na semana;

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    37

    Alm das supracitadas, devem ser observadas todas as demais aes

    estabelecidas no Regimento Geral das Unidades de Ensino da Rede Pblica

    Municipal de Manaus.

    b) Pedagogo

    Requisitos: ter graduao em Pedagogia, com habilitao em

    Administrao Escolar, Inspeo Escolar, Superviso Escolar, Orientao

    Educacional ou Gesto Escolar, preferencialmente com experincia na EJA

    Segundo Segmento e/ou Ensino Fundamental de 6 ao 9 ano.

    Atribuies:

    - Participar da elaborao, implementao e acompanhamento do Projeto

    Poltico Pedaggico (PPP) e Regimento Escolar da unidade de ensino;

    - Assessorar e coordenar os professores na elaborao e execuo do

    planejamento didtico pedaggico, bem como na correta escriturao dos registros

    nos dirios de classes, parecer descritivo, ficha de planejamento, ficha de

    acompanhamento e demais documentos pertencentes ao processo pedaggico;

    - Coordenar o desenvolvimento da Proposta Pedaggica da Base Nacional

    Comum Curricular na unidade de ensino;

    - Analisar os indicadores educacionais da unidade de ensino, buscando

    coletivamente alternativa de soluo dos problemas e propostas de interveo no

    processo ensino - aprendizagem;

    - Coordenar, acompanhar e avaliar a execuo dos projetos desenvolvidos na

    unidade de ensino, sistematizando-os por meio de registros e relatrios e divulgando

    os resultados;

    - Coordenar e acompanhar o Conselho de Classe em todas as fases;

    - Coordenar e orientar as atividades realizadas pelo professor na Hora de

    Trabalho Pedaggico - HTP;

    - Coordenar e acompanhar juntamento com o corpo docente, o processo de

    classificao e reclassificao do estudante;

    - Promover momentos de estudo e reflexo da prtica pedaggica,

    disseminando prticas inovadoras na unidade de ensino;

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    38

    - Garantir o uso adequado dos espaos de aprendizagem e dos recursos

    tecnolgicos disponveis na unidade de ensino;

    - Atender ao estudante, identificando, intervindo e acompanhando no

    processo ensinoaprendizagem e em situaes de baixo rendimento na unidade de

    ensino;

    - Manter a direo da unidade informada sobre as atividades pedaggicas;

    - Implementar programas, projetos e aes oriundas da SEMED/Manaus;

    - Orientar os professores no processo de avaliao e recuperao de estudos;

    - Outras atribuies pertinentes a sua rea de atuao, conforme dispostas no

    Regimento Geral das Unidades de Ensino da Rede Pblica Municipal de Manaus.

    c) Professor

    Requisitos: Ter Licenciatura plena em: Letras (com habilitao em Lngua

    Portuguesa /Lngua Inglesa), Matemtica, Histria, Geografia, Arte, Educao Fsica

    e Cincias; preferencialmente com experincia na EJA Segundo Segmento e/ou

    Ensino Fundamental de 6 ao 9 ano.

    Atribuies:

    - Atuar em regncia de classe no Ensino Fundamental, na modalidade EJA

    Segundo Segmento, na disciplina especfica de sua formao, ministrando aulas

    tericas e prticas;

    - Elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a Proposta Pedaggica da

    escola;

    - Zelar pela aprendizagem dos alunos;

    - Estabelecer estratgias de recuperao para os alunos de menor

    rendimento;

    - Colaborar com as atividades de articulao da escola, com as famlias e a

    comunidade;

    - Cumprir os dias letivos estabelecidos, alm de participar integralmente do

    planejamento, da avaliao e do desenvolvimento profissional;

    - Participar das formaes continuadas, oferecidas pela Secretaria e pela

    unidade de ensino;

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    39

    - Registrar diariamente as atividades escolares no Dirio de Classe;

    - Registrar os instrumentos avaliativos, as notas, a frequncia no Dirio de

    Classe e entregar na secretaria da escola no prazo mximo de 2 (dois) dias letivos a

    contar do trmino do bimestre.

    E todas as demais aes estabelecidas no Regimento Geral das Unidades

    de Ensino da Rede Pblica Municipal de Manaus.

    13.2 Pblico Atendido

    - De acordo com a Resoluo n 07/CME/2011, ter direito ao ingresso na

    modalidade EJA Segundo Segmento, os educandos com idade mnima de 15 anos

    completos, que j concluram do 1 ao 5 ano do Ensino Fundamental ou Primeiro

    Segmento da EJA.

    - Caso o educando no tenha como comprovar a concluso do Primeiro

    Segmento (1 ao 5 ano), poder submeter-se a exames de suplncia que sero

    aplicados pelo Centro Municipal de Educao de Jovens e Adultos - CEMEJA.

    13.3 Sistema de Matrculas

    - O aluno poder matricular-se na 4 fase (6 e 7 ano) ou 5 fase (8 e 9

    ano), conforme a comprovao da escolaridade anterior.

    - O perodo de matrcula obedecer ao Calendrio Escolar da Rede Pblica

    Municipal de Ensino de Manaus.

    O aluno uma vez matriculado e cursando a 4 fase (6 e 7 anos) ou a 5

    fase (8 e 9 anos), no poder ser transferido durante o ano letivo para o ensino

    regular.

    No final do ano letivo, se aprovado na 4 fase, caso queira, poder se

    matricular no ensino regular e cursar o 8 ano do ensino fundamental. Se reprovado,

    caso queira, poder matricular-se na srie de origem.

    A modalidade de EJA no prev sistema de Progresso Parcial (PP),

    especialmente por se tratar de proposta de acelerao de estudos, onde o estudante

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    40

    cursa dois anos em um. Por isso, podero ser admitidos ou matriculados os

    estudantes de 6 e 7 anos, na 4 fase e os de 8 e 9 ano, para a 5 fase.

    13.4 Calendrio Escolar

    As escolas que atuam com esta modalidade de ensino devero seguir ao

    Calendrio Escolar da SEMED/Manaus.

    14 FREQUNCIA DO ALUNO

    A frequncia seguir as orientaes do inciso VI do artigo 24 da LDBEN

    n 9.394/96 e inciso II do artigo 153 do Regimento Geral das Unidades de Ensino da

    Rede Pblica Municipal de Manaus, que estabelece a frequncia mnima de 75%

    (setenta e cinco por cento), visando garantir o aprendizado significativo do aluno.

    15 CARGA HORRIA E HORA DE TRABALHO PEDAGGICO DO PROFESSOR

    A carga horria do professor da Rede Pblica Municipal de Ensino de 20

    horas semanais. Na composio da jornada de trabalho, observar-se- o limite

    mximo de 2/3 (dois teros) da carga horria para o desempenho das atividades de

    interao com os educandos, conforme 4, artigo 2 da Lei n 11.738/2008.

    A Hora de Trabalho Pedaggico (HTP) ser destinada ao planejamento de

    aula, avaliao, formao continuada e atendimento aos pais, responsveis e

    estudantes, preenchimento de registro escolares e elaborao de atividades

    pedaggicas.

    16 CERTIFICAO

    O certificado de concluso do Ensino Fundamental EJA Segundo

    Segmento ser expedido pela unidade de ensino em que o aluno completar os

    estudos e ter validade para prosseguimento em todo o Territrio Nacional.

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    2 SEGMENTO/EJA

    41

    LNGUA PORTUGUESA

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

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    42

    17.1 LNGUA PORTUGUESA

    17.1.1 CARACTERIZAO

    A aprendizagem e o domnio da Lngua Portuguesa se constroem ao longo

    da trajetria de vida das pessoas, de acordo com as competncias cognitivas e as

    oportunidades oferecidas a cada um. Dominar o universo de habilidades inerentes

    nossa lngua significa, entre outras coisas, ser capaz de comunicar-se bem em

    qualquer situao social, tanto por meio de linguagem oral, como da escrita.

    Representa ter a capacidade de posicionar-se criticamente, quando da leitura ou

    escuta dos variados tipos textuais, os quais permeiam os discursos do dia a dia. Por

    este motivo, o estudo da Lngua Portuguesa de fundamental importncia para o

    aluno, pois visa melhorar e ampliar sua capacidade de participao social. Vivendo

    em um mundo de fala, de escrita, de leitura e de discusses em comunicao,

    sendo necessrio compreend-lo.

    Para isso, imprescindvel ampliar competncias e habilidades que

    envolvam o domnio da linguagem nas diversas situaes comunicativas. O

    exerccio da oralidade e da escrita de formas variadas valoriza a experincia na

    construo de textos, a expresso verbal, a socializao de vivncias que favorecem

    a interpretao e a valorizao de diversos pontos de vista, despertando o senso

    crtico e melhorando a percepo de realidade.

    17.1.2 OBJETIVOS

    a) Objetivo Geral

    - Utilizar a linguagem na produo de textos orais, na leitura e produo de

    textos escritos, de modo a atender s mltiplas demandas sociais, responder a

    diferentes propsitos comunicativos e expressivos, considerando as diferentes

    condies de produo do discurso.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    43

    b) Objetivos Especficos

    - Utilizar a linguagem para estruturar a experincia discursiva e explicar a

    realidade, operando sobre as representaes construdas em vrias reas do

    conhecimento;

    - Analisar criticamente os diferentes discursos desenvolvendo a capacidade

    de avaliao de textos, contrapondo sua interpretao da realidade a diferentes

    opinies;

    - Compreender e utilizar a lngua falada como forma de expresso do

    pensamento, idias e convices;

    - Ler, compreender e interpretar textos do mais variados gneros textuais,

    valorizando seus conhecimentos prvios, a fim de confrontar idias, reelaborar

    convices e posicionar-se criticamente frente sociedade;

    - Produzir textos (orais e escritos) com coeso e coerncia, adequado aos

    objetivos propostos;

    - Utilizar os conhecimentos lingusticos com suporte leitura, interpretao e

    produo textual;

    - Conhecer e valorizar as diferentes variedades da Lngua Portuguesa,

    procurando combater o preconceito lingustico;

    - Reafirmar sua identidade pessoal e social atravs do discurso oral ou

    escrito;

    - Usar os conhecimentos adquiridos por meio da prtica de anlise

    lingustica para expandir sua capacidade de monitorao das possibilidades de uso

    da linguagem, ampliando sua capacidade discursiva.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    44

    17.1.3 CONTEDOS E HABILIDADES

    LINGUA PORTUGUESA - 4 Fase (6 e 7 ano)

    1 Bimestre

    Eixo Temtico I - Linguagem Oral: Escuta e Produo de Textos

    Contedos Habilidades

    1. Linguagem oral e cultural:

    - A fala como forma de identidade

    cultural.

    2. Lngua, linguagem e fala:

    - A importncia de se conhecer e

    valorizar a maneira como cada falante

    utiliza a linguagem oral.

    - Preconceito lingustico: linguagem

    padro x coloquial.

    Entender a fala como patrimnio cultural.

    Compreender as diferenas e

    proximidades de lngua, linguagem e fala.

    Valorizar a maneira de falar de cada

    indivduo.

    Conhecer os preconceitos lingusticos

    existentes.

    Eixo Temtico II - Linguagem Escrita: Leitura e Produo de Textos

    Contedos Habilidades

    1. Texto e textualidade:

    - O que texto?

    - Os fatores de textualidade:

    coerncia, coeso, situacionalidade,

    aceitabilidade, informatividade,

    intertextualidade e intencionalidade.

    - Gneros textuais: biografia, fbulas e

    contos.

    Conhecer as caractersticas de um texto.

    Reconhecer e utilizar os fatores de

    textualidade durante a leitura e produo

    de textos.

    Produzir gneros textuais a partir de sua

    biografia, fbulas e contos.

    Eixo Temtico III - Anlise Lingustica

    Contedos Habilidades

    1. Aspectos Gramaticais:

    - Letra e fonema: slaba, encontros

    Diferenciar letras de fonema.

    Reconhecer e dividir as palavras em

    slabas.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    45

    voclicos, encontros consonantais e

    dgrafos.

    - Estrutura e formao das palavras.

    2. Acentuao grfica:

    - Acentuao grfica x tnica.

    - Tonicidade.

    - Classificao das palavras quanto

    tonicidade.

    3. Ortografia:

    - Uso do: s / ss / s / x / ch.

    - Pontuao: paragrafao, ponto final,

    ponto e vrgula e dois pontos.

    Reconhecer os encontros voclicos,

    consonantais e os dgrafos.

    Conhecer o processo de estruturao e

    formao das palavras, sobretudo,

    daquelas mais utilizadas.

    Diferenciar acentuao grfica de tnica.

    Perceber a tonicidade das palavras.

    Classificar as palavras quanto

    tonicidade.

    Escrever as palavras corretamente,

    sobretudo quelas que geram maior

    dvida.

    Utilizar corretamente os pargrafos.

    Reconhecer a funo e valores

    assumidos no texto, decorrentes do uso

    de determinado sinal de pontuao.

    Utilizar corretamente os sinais de

    pontuao.

    LNGUA PORTUGUESA - 4 Fase (6 e 7 ano)

    2 Bimestre

    Eixo Temtico I - Linguagem Oral: Escuta e Produo de Textos

    Contedos Habilidades

    1. Linguagem oral e sociedade:

    - O uso da linguagem oral como

    forma de insero e igualdade social.

    - Lngua, linguagem e fala.

    - Variao social do uso da linguagem

    oral: diferenas entre o uso da

    linguagem oral de acordo com cada

    classe ou grupo social.

    Reconhecer o uso da linguagem oral

    como forma de insero social.

    Conhecer as peculiaridades da lngua,

    linguagem e fala.

    Reconhecer as diferenas do uso da

    linguagem oral, de acordo com cada

    classe ou grupo social.

    Eixo Temtico II - Linguagem Escrita: Leitura e Produo de Textos

    Contedos Habilidades

    1. Tipos textuais: caractersticas,

    Conhecer os tipos textuais existentes,

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    46

    finalidades, a interrelao entre os

    tipos e a variedade com que

    aparecem nos gneros textuais:

    - Narrao.

    - Descrio.

    - Dissertao.

    - Injuno.

    2. Denotao e conotao.

    - Abordagem e contextualizao de

    temtica textual e de ideias

    secundrias.

    bem como suas caractersticas

    fundamentais, a interrelao existentes

    entre os tipos, notando como os tipos

    textuais podem ser escritos sob a

    forma de vrios gneros textuais.

    Diferenciar textos denotativos dos

    conotativos, compreendendo as funes e

    finalidades de cada um.

    Abordar e contextualizar as temticas dos

    textos e identificar as ideias secundrias.

    Eixo Temtico III - Anlise Lingustica

    Contedos Habilidades

    1. Aspectos Gramaticais:

    - Diviso silbica.

    - Classificao quanto ao nmero de

    slaba.

    - Classe de Palavras:

    Substantivo.

    Adjetivo.

    Artigo.

    Numeral.

    Interjeio.

    Realizar a diviso silbica.

    Classificar quanto ao nmero de slaba.

    Conhecer e utilizar as funes das classes

    de palavras durante a leitura,

    compreenso e produo textual.

    2. Ortografia:

    - Uso do: h; ss / / s / z; eza / esa;

    os fonemas: z / s, g / j, x / ch.

    - Acentuao:

    Monosslabos tnicos, oxtonas,

    paroxtonas, ditongo aberto.

    - Pontuao:

    Interrogao.

    Exclamao.

    Reticncias.

    Conhecer e empregar corretamente os

    grupos ortogrficos.

    Constatar as caractersticas que renem

    as palavras da lngua portuguesa em

    grupos ou classes.

    Reconhecer a funo e valores assumidos

    no texto, decorrentes do uso de

    determinado sinal de pontuao.

    Utilizar corretamente os sinais de

    pontuao.

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    47

    LNGUA PORTUGUESA - 4 Fase (6 e 7 ano)

    3 Bimestre

    Eixo Temtico I - Linguagem Oral: Escuta e Produo de Textos

    Contedos Habilidades

    1. Linguagem oral:

    - A valorizao e necessidade de se

    adequar a fala de acordo com o lugar

    e situao em que o falante se

    encontra.

    - A fala planejada e a no planejada.

    Os recursos e suportes da fala:

    paralinguagem.

    - Leitura expressiva de textos.

    Valorizar a fala e adequ-la as diversas

    situaes sociais.

    Elaborar fala planejada, percebendo a

    diferena da no planejada.

    Utilizar os recursos da paralinguagem na

    fala planejada.

    Ler textos em voz alta de maneira

    expressiva.

    Eixo Temtico II - Linguagem Escrita: Leitura e Produo de Textos

    Contedos Habilidades

    1. Leitura compreensiva e

    interpretativa:

    - Temtica textual.

    - Ideias principais e secundrias.

    - Levantamento de hipteses.

    - Relaes de causa e consequncia,

    tempo, modo, condio, adversidade,

    finalidade.

    - Leitura de textos em verso e prosa.

    - Ampliao vocabular.

    - Confronto de ideias obtidas nos

    textos com outras pr-conhecidas.

    Realizar leitura compreensiva e

    interpretativa.

    Levantar temtica textual.

    Identificar ideias primrias e secundrias

    nos textos.

    Levantar hipteses durante e aps a

    leitura.

    Ler textos em verso e prosa.

    Ampliar o vocabulrio.

    Confrontar ideias contidas no texto com

    outras formas pr-conhecidas.

    Eixo Temtico III - Anlise Lingustica

    Contedos Habilidades

    1. Ortografia:

    - O emprego correto do:

    mas / mais ; mau / mal

    Conhecer e empregar corretamente os

    grupos ortogrficos.

    Identificar o efeito de sentido decorrente

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    48

    h / a

    agente / a gente / h gente

    onde / aonde / donde .

    2. Pontuao:

    - Reticncias, parnteses e

    travesso.

    3. Aspectos Gramaticais:

    - Classe de Palavras:

    Preposio.

    Conjuno.

    Advrbio.

    Pronomes.

    Verbos: conjugaes.

    do uso da pontuao e de outras

    notaes.

    Conhecer e utilizar as funes das classes

    de palavras durante a leitura,

    compreenso e produo textual.

    Reconhecer e utilizar as preposies

    como elementos de ligao das palavras.

    Reconhecer os valores e sentidos

    produzidos pelo uso das conjunes e

    advrbios.

    Utilizar as conjunes como elementos

    coesivos.

    Reconhecer e utilizar os pronomes de

    acordo com as funes de cada um deles.

    Reconhecer as terminaes verbais.

    Reconhecer os tempos e modos verbais.

    LNGUA PORTUGUESA - 4 Fase (6 e 7 ano)

    4 Bimestre

    Eixo Temtico I: Linguagem Oral: Escuta e Produo de Textos

    Contedos Habilidades

    1. Diversos gneros textuais:

    - Gneros textuais da oralidade:

    conversa, debate, telefonema e

    discurso.

    - Prticas de conversas formais e no

    formais.

    - Verbalizao das opinies em sala

    de aula.

    Conhecer e trabalhar com os diversos

    gneros textuais da oralidade.

    Praticar conversas formais e no formais.

    Verbalizar e expor opinies.

    LNGUA PORTUGUESA - 4 Fase (6 e 7 ano)

    4 Bimestre

    Eixo Temtico II - Linguagem Escrita: Leitura e Produo de Textos

    Contedos Habilidades

    1. Gneros textuais para leitura,

  • PROPOSTA PEDAGGICA PARA O ENSINO FUNDAMENTAL

    2 SEGMENTO/EJA

    49

    compreenso e produo textual:

    - relatos, receitas, bulas de remdios,

    bilhetes, regulamentos, manuais,

    classificados, histrias em

    quadrinhos, resumos, letras de

    msicas e textos no verbais.

    2. Produo textual:

    - Estruturao do texto em: ttulo,

    subttulo, em pargrafos, estrofes e

    versos.

    - Maisculas e minsculas.

    -