Prova - Cursos T©cnicos Presenciais - Concomitantes/Subsequentes

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Text of Prova - Cursos T©cnicos Presenciais - Concomitantes/Subsequentes

  • PROCESSO SELETIVO 2013/1

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    Portugus TEXTO I

    Punir o culpado pega mal por Ferreira Gullar

    Estar, hoje, a mais alta corte de Justia do pas, julgando um processo que envolve algumas importantes figuras do mundo poltico nacional um fato de enorme significao para o pas. verdade que esse processo estava h sete anos esperando julgamento e que muitas tentativas foram feitas para inviabiliz-lo. At o ltimo momento, no dia mesmo em que teve incio o julgamento, tentou-se uma manobra que o suspenderia, desmembrando-o em dezenas de processos sujeitos a recursos e protelaes que inviabilizariam qualquer punio dos rus. Mas a proposta foi rechaada e, assim, o julgamento prossegue. Se os culpados sero efetivamente punidos, no se pode garantir, uma vez que os mais famosos e sagazes advogados do pas foram contratados para defend-los. Alm disso, como se sabe, punio, no Brasil, coisa rara, especialmente quando se trata de gente importante. E sobre isso que gostaria de falar, porque, como do conhecimento geral, poucos so os criminosos condenados e, quando o so, nem sempre a pena corresponde gravidade do crime cometido. Sei que estou generalizando, mas sei tambm que, ao faz-lo, expresso o sentimento de grande parte da sociedade, que se sente acuada, assustada e, de modo geral, no confia na Justia. Nem na polcia. Agora mesmo, uma pesquisa feita pelo Datafolha deixou isso evidente. Embora 73% dos entrevistados achem que os rus do mensalo devem ser condenados, apenas 11% acreditam que eles sejam mandados para a cadeia. E natural que pensem assim, uma vez que a criminalidade cresce a cada dia e parece fugir do controle dos rgos encarregados de det-la e combat-la.

    Outro dia, um delegado de polcia veio a pblico manifestar sua revolta em face das decises judiciais que mandam soltar criminosos, poucas horas depois de terem sido presos em flagrante, assaltando residncias e ameaando a vida dos cidados. Parece que uma boa parte dos juzes pensa como um deles que, interpelado por tratar criminosos com benevolncia, respondeu que a sociedade no tem que se vingar dos acusados. Entendo o delegado. Mas pior que alguns juzes a prpria lei. Inventaram que marmanjos de 16, 17 anos de idade, que assaltam e matam, no sabem o que fazem. Lembro-me de um deles que, aps praticar seu oitavo homicdio, ouviu de um reprter: Ano que vem voc completa 18 anos, vai deixar de ser de menor. E ele respondeu: Pois , tenho que aproveitar o tempo que me resta. Todo mundo sabe que os chefes de gangues usam menores para eliminar seus rivais. So internados em casas de recuperao que no recuperam ningum e donde fogem ou recebem permisso para se ressocializar junto famlia. Saem e no voltam. Meses, anos depois, so presos de novo porque assaltaram ou mataram algum. E comea tudo de novo. Mas isso no vale s para os menores de idade. Criminosos adultos, reincidentes no crime, condenados que sejam, logo desfrutam do direito priso semiaberta, que lhes permite s dormir no presdio. H algumas semanas, descobriu-se que dezenas desses presos, da penitenciria de Bangu, no Rio, traziam drogas para vender na penitenciria. E tudo articulado com o uso de telefones celulares, de que dispem vontade, inclusive para chantagear cidados forjando falsos sequestros. Com frequncia, ao prender assaltantes, a polcia constata que se trata de criminosos que cumpriam pena e que, graas ao direito de visitar a famlia no Dia das Mes, das tias ou das avs, saem e retornam, no priso, mas prtica do crime.

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    Esses fatos se repetem a cada dia, com o conhecimento de todo mundo, especialmente dos responsveis pela aplicao da Justia, mas nada feito para evit-los ou sequer reduzi-los. A impresso que se tem que tomou conta do sistema judicirio uma viso equivocada, segundo a qual o crime provocado pela desigualdade social e, sendo assim, o criminoso, em vez de culpado, vtima. Puni-lo seria cometer uma dupla injustia. O que essa teoria no explica por que, havendo no Brasil cerca de 50 milhes de pobres, no h sequer 1 milho de bandidos. Isso sem falar naqueles que de pobres no tm nada, moram em manses de luxo e mandam no pas.

    GULLAR, Ferreira. Punir o culpado pega mal. Veja Online, So Paulo, 22 ago. 2012. Coluna do Augusto Nunes. Disponvel em Acesso em: 16 set. 2012.

    Questo 01: A partir de uma leitura global do texto, assinale a NICA opo cuja ideia est coesa com o ponto de vista do autor:

    a) O autor concorda com a ideia de que os crimes em geral so provocados pela desigualdade social e que, na verdade, os criminosos so vtimas de um sistema judicial injusto.

    b) O autor afirma que no se pode assegurar que os polticos envolvidos no mensalo sero efetivamente punidos, visto que os mais famosos e sagazes advogados do pas foram contratados para defend-los.

    c) O autor limita-se exposio dos fatos, apresentao objetiva da informao acerca do assunto de que trata em seu texto, o que constata-se no trecho Embora 73% dos entrevistados achem que os rus do mensalo devem ser condenados, apenas 11% acreditam que eles sejam mandados para a cadeia.

    d) O autor enumera argumentos que evidenciam os aspectos negativos do sistema judicirio brasileiro como o caso da penitenciria de Bangu, no Rio de Janeiro, em que presos vendiam drogas e celulares na prpria penitenciria.

    e) O autor aponta que, embora raramente haja punio no meio poltico nacional, os raros criminosos que so condenados recebem uma pena condizente com o nvel do ato infringido.

    Questo 02: Nas opes abaixo, encontram-se enumeradas as questes nacionais polmicas s quais Ferreira Gullar

    faz aluso, como tambm as desenvolveu em seu texto, com EXCEO em:

    a) Mensalo. b) Trfico de drogas nas penitencirias. c) Impunidade a criminosos menores de 18 anos. d) Direito de criminosos priso semiaberta. e) Descrena na Polcia.

    Questo 03: No que concerne ao mensalo, Ferreira Gullar, ao afirmar que natural que pensem assim, faz

    referncia: a) mais alta corte de Justia do pas, em julgamento do processo do mensalo, o qual envolve algumas

    importantes figuras do mundo poltico nacional. b) a 11% dos entrevistados da pesquisa do Datafolha, que acham que os rus do mensalo sero condenados. c) a 73% dos entrevistados da pesquisa do Datafolha, que acreditam que eles (os rus) sejam mandados para a

    cadeia. d) ao total dos entrevistados da pesquisa do Datafolha mencionados no texto. e) a todos os rus envolvidos no esquema do mensalo.

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    Questo 04: Em todas as alternativas, a palavra destacada est corretamente interpretada, EXCETO em:

    a) At o ltimo momento, no dia mesmo em que teve incio o julgamento, tentou-se uma manobra que o suspenderia ... (que = manobra).

    b) ... Sei que estou generalizando, mas sei tambm que, ao faz-lo, expresso o sentimento de grande parte da sociedade, que se sente acuada, assustada e, de modo geral, no confia na Justia. (que = sociedade).

    c) ... descobriu-se que dezenas desses presos, da penitenciria de Bangu, no Rio, traziam drogas para vender na penitenciria. E tudo articulado com o uso de telefones celulares, de que dispem vontade... (que = presos).

    d) A impresso que se tem que tomou conta do sistema judicirio uma viso equivocada, segundo a qual o crime provocado pela desigualdade social... (a qual = viso equivocada).

    e) Isso sem falar naqueles que de pobres no tm nada, moram em manses de luxo e mandam no pas. (que = aqueles).

    Leia o texto II: Piscina, de Fernando Sabino, para responder s questes de 5 a 8.

    TEXTO II

    PISCINA

    Era uma esplndida residncia, na Lagoa Rodrigo de Freitas, cercada de jardins e tendo ao lado uma bela piscina. Pena que a favela, com seus barracos grotescos se alastrando pela encosta do morro, comprometesse tanto a paisagem. Diariamente desfilavam diante do porto aquelas mulheres silenciosas e magras, latas dgua na cabea. De vez em quando surgia sobre a grade a carinha de uma criana, olhos grandes e atentos, espiando o jardim. Outras vezes eram as prprias mulheres que se detinham e ficavam olhando. Naquela manh de sbado, ele tomava seu gim-tnica no terrao, e a mulher um banho de sol, estirada de mai beira da piscina, quando perceberam que algum os observava pelo porto entreaberto. Era um ser encardido, cujos molambos em forma de saia no bastavam para defini-lo como mulher. Segurava uma lata na mo, e estava parada, espreita, silenciosa como um bicho. Por um instante as duas se olharam, separadas pela piscina. De sbito, pareceu dona da casa que a estranha criatura se esgueirava, porto adentro, sem tirar dela os olhos. Ergueu-se um pouco, apoiando-se no cotovelo, e viu com terror que ela se aproximava lentamente. J transpusera o gramado, atingia a piscina, agachava-se junto borda de azulejos, sempre a olh-la, em desafio, e agora colhia gua com a lata. Depois, sem uma palavra, iniciou uma cautelosa retirada, meio de lado, equilibrando a lata na cabea e em pouco tempo sumia-se pelo porto. L no terrao, o marido, fascinado, assistiu toda a cena. No durou mais de um ou dois minutos, mas lhe pareceu sinistra como os instantes tensos de silncio e paz que antecedem um combate. No teve dvida: na semana seguinte vendeu a casa.

    SABINO, Fernando. Piscina. In: A mulher do vizinho. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1976.

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    Questo 05: No conto Piscina de Fernando Sabino, percebe-se um momento em que a narrativa atinge um ponto alto de tenso, ou seja, um conflito que levar a narrativa ao seu desfecho. Assinale a opo, cujo trecho apresenta o mais delicado ponto de conflito deste conto:

    a) Depois, sem uma palavra, iniciou uma cautelosa retirada, meio de lado, equilibrando a lata na cabea e em pouco tempo sumi