Prova Medicina - B

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Text of Prova Medicina - B

  • Nome:

    Bloco: Sala: Lugar:

    B

    VESTIBULAR

    MEDICINA

    2016

  • INSTRUES

    UNICESUMAR MEDICINA PROCESSO SELETIVO 20163B

    VERIFIQUE SE A LETRA DESTE CADERNO A MESMA EM DESTAQUE NA ETIQUETA COLADA EM SUA MESA E NA FOLHA DE RESPOSTAS.

    Este caderno de questes composto por 32 pginas e contm:

    50 (cinquenta) questes objetivas de mltipla escolha com 5 alternativas. Em cada questo h apenas uma alternativa correta. Responda s questes objetivas na folha tica entregue pelo fiscal.

    1 (uma) redao com duas propostas. Escolha UMA delas para redigir o seu texto na folha anexa folha tica.

    Para realizar a prova mantenha sobre a carteira documento de identidade com foto e vlido, comprovante de inscrio, lpis preto e caneta.

    Mantenha no cho celular e outros aparelhos eletrnicos desligados, dentro do envelope designado para esse fim. Bolsa e demais materiais devem permanecer no cho, sem uso, durante o exame. NO UTILIZE O CELULAR EM HIPTESE ALGUMA.

    No ser permitido usar bon, culos de sol, portar arma, relgio, calculadora, assim como telefone celular, pager, similar ou quaisquer outros materiais que a UNICESUMAR julgar inconvenientes.

    A durao da prova de 5 (cinco) horas e o tempo mnimo de permanncia em sala de 3 (trs) horas a partir de seu incio.

    Boa prova!

  • LNGUA PORTUGUESA E LITERATURA

    UNICESUMAR MEDICINA PROCESSO SELETIVO 20164B

    H pouco tempo, o mdico carioca Jos Cludio Casali da Rocha viu-se bastante assediado pela imprensa, vida para questionar-lhe sobre a deciso da atriz Angelina Jolie de se submeter a cirurgias para remoo das mamas e dos ovrios, motivada por histrico familiar.

    Mas o doutor em Oncogentica, ttulo obtido ao participar do projeto Genoma Humano do Cncer (Fapesp/ Instituto Ludwig), no Hospital A. C. Camargo onde, alis, fundou o primeiro ncleo de aconselhamento gentico para pacientes com tumores no Brasil, em 1998 , mostrou ter muito mais a falar sobre o assunto, durante entrevista exclusiva concedida revista Ser Mdico.

    Entusiasmado pelo trabalho (atua no Rio de Janeiro, So Paulo e no Hospital Erasto Gaertner, Curitiba, onde coordena ambulatrio para pacientes do SUS), Casali da Rocha aborda, com bom humor, dilemas pelos quais passam mdicos da rea, pacientes e seus familiares, envolvendo, entre outros, alocao de recursos escassos na Sade, exames para detectar possibilidades de doenas, fornecimento de informaes genticas aos acometidos que no desejam saber, e em relao a um eventual determinismo gentico.

    Confira aqui a entrevista deste autor de diversos captulos de livro sobre cncer e gentica e que foi, tambm, diretor do Banco Nacional de Tumores e DNA, do Instituto Nacional do Cncer (Inca).

    como se fosse um hemograma ou exame de glicose. Passa por refletir, junto com o paciente, sobre a finalidade dele e como agir se o resultado for positivo ou negativo. Por isso, no se pode simplesmente jogar informaes. Condutas demandam sensibilidade e condies de o mdico dar informaes de maneira simples e clara, sobre assuntos avanadssimos. preciso preparar-se para explicar, definir condutas e traar perspectivas, criando caminhos para que o paciente tome a melhor opo, a partir dos riscos e benefcios. No o mesmo que estabelecer direes rgidas, como as que envolveriam tratamentos.

    SM Se no h um determinismo, uma mulher que decidir pela remoo das mamas pela chance de desenvolver cncer, nunca ter a certeza de que a doena, de fato, iria acontecer?

    Casali da Rocha Exatamente. H pessoas que querem enfrentar o risco e outras, no. Existem mulheres com 80% de chances de desenvolver cncer por histrico familiar que optam por acompanhar, sem mastectomia, e outras, com 20%, que desejam ser operadas. Tudo depende de como a situao sentida, de forma mais otimista ou pessimista, como naquele caso de ver o copo

    meio cheio ou meio vazio. A percepo do risco que determina as aes do mdico. Preciso refletir: minha paciente com leso suspeita apresenta condies psicolgicas de acompanhamento com exames peridicos? Por outro lado, ser que algum vai acreditar na eficcia da preveno, se conviveu com parentes prximos jovens que morreram de cncer, como aconteceu com a Angelina Jolie, que perdeu me, av e tia pela doena? A Angelina tambm tinha outro agravante: grande probabilidade de cncer de ovrio, contra o qual a preveno falha. De qualquer maneira, com certeza, no tico atender um pedido de uma mulher motivada pela cancerofobia, que chega ao consultrio solicitando remoo de mamas ou ovrios. coisa que acontece de tempos em tempos quando uma pessoa pblica divulga sua histria especfica, como Angelina. No tem nada a ver com simplesmente respeitar a autonomia do indivduo; no existem cirurgias incuas e a obrigao do mdico no causar dolo.

    ROCHA, Jos Cludio Casali da. melhor saber? Ser Mdico. So Paulo, Cremesp - Conselho Regional de Medicina do Estado de So Paulo, n. 72, ano XVIII, p. 4-9, jul. /set. 2015. Entrevista concedida a

    Conclia Ortona. (Texto adaptado para fins de exame vestibular.)

    123RF/Alex Antonio Ruengo

    Ser Mdico tico defender o diagnstico gentico preditivo do cncer, algo caro e que aponta apenas possibilidades, em um pas em que os recursos so escassos para tratar doenas bsicas?

    Jos Cludio Casali da Rocha Sim, sempre trabalhei com inovaes, como vrios colegas da rea. O prprio Simpson (Andrew John George, bioqumico ingls), coordenador do Projeto Genoma Humano do Cncer (Instituto Ludwig/Fapesp), meu orientador de doutorado em Oncogentica no A.C. Camargo, foi muito criticado neste sentido, porque queria colocar um sequenciador gentico em cada canto do Brasil. Diziam: Como assim? Aqui, onde as pessoas morrem de desnutrio e doenas relativas ao raquitismo e pobreza? A opinio dele que a tecnologia precisa de espao, caso contrr io, todos os recursos sero consumidos em coisas bsicas, e o Pas deixaria de se desenvolver. Enfim, aprendi, com ele , a priorizar coisas menos prioritrias. Elas tambm so importantes! Exemplo: hoje so feitos editais de doenas raras porque se todos tratassem de diabetes, infarto e cnceres comuns, as demais doenas seriam negligenciadas. Alm disso, pesquisas envolvendo doenas incomuns tornam-se chaves para abrir portas das outras comuns, levando a novos tratamentos e abordagens. Sabe-se, hoje, que o medicamento usado em esclerose tuberosa (doena gentica degenerativa, causadora de tumores benignos), por exemplo, pode ser tambm empregado em cncer de rim, pois atinge exatamente a mesma via gentica. O estudo da Sndrome de Von Hippel-Lindau (doena gentica rara que envolve o crescimento anormal de tumores em partes do corpo particularmente irrigadas por sangue) e vrias sndromes genticas abriram portas para entender o cncer espordico, que so 90% dos tumores malignos. A boa notcia que o genoma humano foi desvendado em 2001 e 15 anos depois j estamos usando seus resultados na prtica clnica. A gentica tornou-se ferramenta do sculo 21 da chamada medicina de preciso, pois vem indicando alvos nas clulas para tratarmos pacientes de forma individualizada.

    SM Quem lida com pesquisa gentica de cncer enfrenta dilemas ticos sobre revelar uma possibilidade de doena, no uma doena em si. Como super-los?

    Casali da Rocha Nosso trabalho comea a priori com a realizao de um teste gentico, que no pode ser pedido

  • UNICESUMAR MEDICINA PROCESSO SELETIVO 20165B

    Com base em trechos da entrevista realizada com o oncogeneticista Jos Cludio Casali da Rocha, concedida a Conclia Ortona, jornalista do Centro de Biotica do Cremesp, resolva estas cinco questes:

    O ttulo de doutor em Oncogentica foi obtido por Jos Cludio Casali da Rocha

    (A) por ter participado do projeto Genoma Humano do Cncer (Fapesp/ Instituto Ludwig), no Hospital A. C. Camargo.

    (B) por ser autor de diversos captulos de livros sobre cncer e gentica.

    (C) pelo fato de ter sido diretor do Banco Nacional de Tumores e DNA, do Instituto Nacional do Cncer (Inca).

    (D) pela forma com que se destacou sobre a deciso de Angelina Jolie ter se submetido a retiradas das mamas e dos ovrios.

    (E) pelo trabalho entusiasmado que desenvolve no Rio de Janeiro, em So Paulo e em Curitiba, bem como no Hospital Erasto Gaertner, onde coordena ambulatrio para pacientes do SUS.

    Ao anunciar o contedo da entrevista, a jornalista do Centro de Biotica do Cremesp esclarece que o mdico aborda, entre outros dilemas, o fornecimento de informaes genticas aos acometidos que no desejam saber, e em relao a um eventual 'determinismo' gentico.

    A palavra determinismo est entre aspas para

    (A) esclarecer que as doenas cancergenas no so determinadas por cargas genticas.

    (B) assinalar questionamento sobre o fato de o cncer ser rigidamente predeterminado pela gentica.

    (C) questionar a indeterminao das informaes genticas.

    (D) abordar de forma imparcial o fornecimento de informaes genticas.

    (E) reforar que todas as doenas so regidas pela herana gentica.

    O oncogeneticista entrevistado defende o teste gentico de cncer e de outras doenas,

    (A) somente se o paciente e o mdico estiverem em comum acordo sobre a natureza do tipo de cncer, independentemente do resultado.

    (B) em toda e qualquer situao, pois imprescindvel que o paciente seja informado sobre o seu estado de sade em toda e qualquer circunstncia.

    (C) sempre que anteriormente houver um consenso entre mdico e paciente de como os familiares sero informados sobre o estado de avano da doena.

    (D) a no ser que mdico e pacientes no tenham como discutir a questo presencialmente.

    (E) desde que mdico e paciente reflitam antes sobre a finalidade de tal exame e como agir se o resultado for positivo ou negativo.

    Indique os referentes textuais a que os pronomes destacados na primeira resposta do mdico fazem remisso, de acordo com a ordem em qu