Prova Preambular (com gabarito)

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Text of Prova Preambular (com gabarito)

  • XLVII CONCURSO PARA INGRESSO

    CARREIRA DO MINISTRIO PBLICO DO

    RIO GRANDE DO SUL

    PROVA PREAMBULAR 19 de outubro de 2014

    NOME DO CANDIDATO ASSINATURA

    - Este caderno contm 100 questes objetivas. Verifique se ele est completo e se no apresenta

    problemas de impresso. Se for o caso, solicite ao fiscal de sala a substituio deste caderno.

    - Preencha agora os campos destacados acima. No primeiro, escreva seu nome com letra legvel;

    no segundo, aponha sua assinatura.

    - Confira a correo de seus dados pessoais constantes na folha de respostas; em caso de erro,

    consulte um fiscal de sala.

    - Preencha as elipses da folha de respostas com caneta esferogrfica preta ou azul, sem rasurar.

    - No deixe nenhuma questo sem resposta.

    - No utilize qualquer espcie de material para consulta.

    - Abstenha-se de fazer perguntas relacionadas ao contedo das questes, pois a interpretao

    destas faz parte da prova.

    - O candidato NO PODER LEVAR ESTE CADERNO DE QUESTES; o caderno ser disponibilizado

    para consulta no site www.mprs.mp.br.

    - No deixe de assinar a folha de respostas e a lista de presenas.

    - A prova ter durao de, no mximo, de 5 horas e 30 minutos.

    A partir do dia 23 de outubro de 2014, o gabarito das 100 questes objetivas ser publicado no Dirio

    Eletrnico do Ministrio Pblico do Estado do Rio Grande do Sul, e tambm estar disponvel para consulta no

    site www.mprs.mp.br/concursos.

    Direitos reservados ao Ministrio Pblico do Estado do Rio Grande do Sul - Proibida cpia e/ou reproduo total ou parcial

  • MINISTRIO PBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

    MP/RS Edital n. 376/2014-PGJ Pgina 2

    LNGUA PORTUGUESA

    Instruo: As questes 1 a 17 esto relacionadas com o texto abaixo.

    O texto constitucional de 1824 estabeleceu os fundamentos da organizao do Estado monrquico e da

    nao durante o Imprio, mas, ao mesmo tempo, foi alvo de variadas interpretaes. Resultado das intensas lutas polticas que envolveram o movimento de Independncia dois anos antes, o documento provocou

    inmeras reaes na imprensa e entre os polticos pelos princpios ali adotados e por ter sido outorgado por D. Pedro I, o que lhe valeu a denominao de Carta Constitucional, e no Constituio.

    A Carta foi redigida por um pequeno grupo de pessoas escolhidas a dedo por D. Pedro I: polticos de algumas das principais famlias de proprietrios e negociantes, que desde a poca de D. Joo VI ocupavam

    lugares importantes na administrao pblica e que tinham atuado na Assembleia Constituinte. Na viso de

    membros de agremiaes republicanas formadas no Brasil a partir de 1870, a Carta de 1824 era expresso do absolutismo de D. Pedro, manifestao cabal de que a Independncia no trouxera mudanas substanciais nas

    relaes de poder coloniais. Era um sinal do passado, da permanncia da dinastia dos Bragana, das prticas despticas herdadas da colonizao portuguesa.

    Por outro lado, ________figuras pblicas interpretavam a Carta como equivalente a Constituies

    monrquicas da poca, ou at mesmo mais perfeita do que outras. Segundo esta viso, o poder moderador no s era adequado aos princpios dos governos representativos, como tambm possibilitava um equilbrio

    entre o Executivo e o Parlamento, permitindo que o arbtrio da Coroa garantisse a centralizao poltico-administrativa e a alternncia de grupos no poder.

    Foi o pensador Benjamin Constant um dos que mais discutiram a teoria de um quarto poder a ser exercido

    pelo rei, que se colocaria acima de arranjos poltico-partidrios, definindo-se como esfera neutra. Constant afirmava ainda que o Parlamento no podia concentrar em suas mos a soberania e o poder decisrios, sob

    pena de substituir-se o despotismo de um pelo de muitos. Ao mesmo tempo, criticava o absolutismo monrquico, defendendo conquistas da Revoluo, como a garantia de direitos, especialmente as liberdades

    individuais. Buscando um ________, defendia repartir a soberania do Estado entre quatro poderes: o Legislativo, composto por uma cmara eleita e outra vitalcia; o Judicirio, composto por magistrados e juzes

    vitalcios; o Executivo, representado pelo governante, mas exercido por ministros responsveis perante a nao,

    e um quarto poder, que preservava a ________ e a capacidade do rei de governar. A finalidade do quarto poder seria manter o funcionamento dos demais, impedindo choques de atribuies,

    bem como o comprometimento da atuao do governo e do Estado em razo de conflitos de autoridade. Seria uma espcie de guardio dos interesses nacionais e dos cidados, agindo em todas as ocasies em que

    ministros, parlamentares e juzes ultrapassassem seus respectivos campos de ao. Colocando o governante na

    condio de representante perptuo do povo, Constant julgava-o capaz de atuar como poder conservador, pois deveria garantir o curso da administrao e das polticas pblicas, e como moderador, j que seria um

    freio a controlar os limites dos outros poderes. Mas havia uma condio essencial: Constant alertava para a diferena e a separao que deveriam existir entre o poder neutro ou real e o poder executivo ou

    ministerial. Ainda que os ministros fossem nomeados pelo rei, no deveria haver sobreposio ou ingerncia de uma esfera de poder na outra. Somente assim o rei poderia agir como fora reguladora e preservadora do

    equilbrio poltico sem ser agente de violncia.

    ........, como o Imperador tambm era o chefe do Poder Executivo, ainda que este fosse exercido pelos ministros, o documento no explicitava com todas as letras um dos pontos-chave da teoria de Constant, o da

    separao entre poder real e poder ministerial, e criava propositalmente ambiguidades sobre a esfera de atuao efetiva do monarca.

    Logo surgiram divergentes interpretaes em torno da Carta. Elas podem ser entendidas como manifestaes

    de projetos distintos do Imprio, de possibilidades histricas abertas com a Independncia, em curso na primeira metade do sculo XIX. Foram marcadas por conflitos nos quais ora o Estado se sobrepunha nao,

    o que foi feito com a outorga da Carta de 1824, ora a nao enfrentava o Estado, como no momento da

    1.

    2. 3.

    4. 5.

    6.

    7. 8.

    9. 10.

    11. 12.

    13.

    14. 15.

    16. 17.

    18.

    19. 20.

    21. 22.

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    26. 27.

    28. 29.

    30.

    31. 32.

    33. 34.

    35.

    36. 37.

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    43. 44.

    45.

  • MINISTRIO PBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

    MP/RS Edital n. 376/2014-PGJ Pgina 3

    Abdicao, quando dentro e fora do Parlamento a sociedade cobrou de D. Pedro as liberdades prometidas com

    a Independncia.

    A partir de meados do sculo XIX, esse embate assumiu outros contornos, alimentado pela polmica entre o princpio de que o rei reina e no governa, defendido por liberais, como Tefilo Ottoni, e o pressuposto de

    que o rei no s reina, mas governa e administra, defendido por conservadores, como o Visconde de Uruguai. Esta discusso manteve-se acesa at o final do Imprio e foi argumento poderoso usado pelos republicanos

    contra o regime monrquico. Adaptado de: OLIVEIRA, C. H. de S. Confronto de poderes. Disponvel em: <

    http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/confronto-de-poderes>. Acesso em: 08 de julho de 2014.

    Instruo: As questes 1 e 2 dizem respeito s lacunas tracejadas das linhas 13, 23 e 26 e

    lacuna pontilhada da linha 38.

    1. Assinale a alternativa que preenche corretamente as lacunas tracejadas das linhas 13, 23 e

    26, nesta ordem.

    (A) eminentes meio-termo majestade (B) iminentes meio-termo majestade

    (C) eminentes meio termo magestade

    (D) iminentes meio termo majestade (E) iminentes meio-termo magestade

    2. Considerando-se a relao de sentido que o quinto e o sexto pargrafos do texto mantm

    entre si, a expresso que mais adequadamente preenche a lacuna pontilhada da linha 38

    (A) Desse modo.

    (B) Por fim. (C) Portanto.

    (D) Em paralelo. (E) Entretanto.

    3. Considere o enunciado abaixo e as quatro propostas para complet-lo.

    Depreende-se do texto que seu autor

    1 - isenta as figuras pblicas que defendiam a equivalncia da Carta Constitucional com antigas

    Constituies monrquicas. 2 - procura informar o leitor sobre as diferentes interpretaes acerca do poder atribudo ao rei na

    Carta Constitucional de 1824. 3 - corrobora as ideias de Tefilo Ottoni sobre o poder moderador atribudo ao rei para decidir

    assuntos do Estado, tal como consentia a Carta Constitucional de 1824. 4 - posiciona-se a favor do poder moderador que garantia ao rei, chefe do poder ministerial,

    intervir em qualquer questo pblica.

    Quais propostas esto corretas, de acordo com o texto? (A) Apenas 1. (B) Apenas 2. (C) Apenas 1 e 3. (D) Apenas 2 e 4. (E) 1, 2, 3 e 4.

    46. 47.

    48.

    49. 50.

    51. 52.

    http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos-revista/confronto-de-poderes

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    MP/RS Edital n. 376/2014-PGJ Pgina 4

    4. Assinale a nica alternativa que apresenta uma afirmao que encontra suporte no texto.

    (A) A Carta Constitucional de 1824 resultou de constantes rebelies da populao contra o poder monrquico.

    (B) O destaque dado ao poder do soberano na Carta de 1824 teve como consequncia a decadncia do absolutismo monrquico.

    (C) Tefilo Ottoni acreditava que o monarca deveria exercer seus poderes de fato: reinando e

    governando a Nao. (D) Para os conservadores, o rei,