PSICOTERAPIA, PSICANÁLISE PURA E ?· point-de-capiton moi, d $ $ Se escamoteia, então, na Psicoterapia,…

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    18-Sep-2018

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  • RESUMO

    Palavras-chave

    ABSTRACT

    Keywords

    INTRODUO

    O presente trabalho tem como objetivo discutir a insero da Psicanlise nasinstituies em sua vertente aplicada. Desenvolvemos, primeiramente, aoposio da Psicanlise s Psicoterapias, elevando o dever tico que prpriode sua interveno. Em segundo lugar, desenvolvemos os conceitos dePsicanlise pura e Psicanlise aplicada, trabalhando as funes da Psicanlise esua relao com a teraputica. Para tal tarefa, tomamos o sintoma, e,posteriormente, o como referncia central do analista em suaprtica.

    : Psicanlise pura e aplicada. Psicoterapia. Instituio.Sintoma.

    This work has as objective to discuss the insertion of psychoanalysis ininstitutions um its applied source. We develop at first the opposition ofpsychoanalyses to the psychotherapies raising the ethical duty that is proper ofits intervention. At second we develop the concepts of pure psychoanalysisand applied psychoanalysis, working the functions of psychoanalysis and itsrelation with therapeutical. For such task we take the symptom, and, later, thesinthoma, as central reference of the analyst in its practice.

    : Pure and applied psychoanalysis. Psycotherapy. Institution.Symptom. Sinthome.

    A clnica tem muito a apreender com a psicose. Ela ensina, pois traz

    sinthome,

    Sinthome.

    PSICOTERAPIA, PSICANLISE PURA E PSICANLISEAPLICADA TERAPUTICA1

    Douglas Nunes Abreu2

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    2

    Artigo adaptado a partir de: ABREU. Douglas Nunes. A prtica feita por muitos: a psicanlise nainstituio de sade mental. 2004. 76 f. Dissertao (Mestrado em Psicologia) Centro de EnsinoSuperior de Juiz de Fora, Juiz de Fora.Psicanalista, Mestre em Psicanlise e Mestre em Letras pelo CES-JF, Professor de Ps-Graduao UFJF,

    Coordenador de Sade Mental e do CAPS de Santos Dumont, Presidente do CAIA Centro deAcolhimento a Infncia e a Adolescncia.

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  • Douglas Nunes Abreu

    um saber prprio de sua formao e estruturao. As psicoses demonstram oinconsciente, neste lugar, flor da pele. Mais ainda, as psicoses nos convocama um lugar outro de nossa interveno habitual: as instituies. Este artigo visaa discutir o campo de atuao do analista quando falamos desta clnicaparticular que, muitas vezes, exige uma ateno para alm dos consultrios.Uma clnica que se insere em dispositivos pblicos, comunitrios, coletivos,colocando prova os aspectos transferenciais e as ferramentas tradicionais denossa prtica, a interpretao, o pagamento, o tempo, o div, dentre outros.Buscamos pensar a Psicanlise numa perspectiva oposta s Psicoterapias,discutindo sua vertente pura e aplicada, bem como seus efeitos na teraputica.

    O saber da Psicanlise inaugura um novo campo de reflexes, umlugar que no se insere ao lado das tcnicas psicoterpicas j existentes. Marca,a partir do inconsciente, um destino que esta acompanhar em toda suaexistncia, trazendo sempre questionamentos sobre sua prtica e sua eficcia.A aplicao da Psicanlise em novos espaos de demandas avana a partir dainsero de analistas nas mais diversas instituies de tratamento. Como Freudapontou em (1918), precisodebruar na tarefa de adaptar a nossa tcnica s novas condies (1996,p.181). No significa, portanto, perder seu ouro, transform-la em cobre, mas,sim, preservar seu lugar tico. Estamos muito mais diante de uma questo detica... em relao ao seu ato, j que o analista sempre responsvel pelosefeitos que ele produz. (DRUMMOND, 2004, p. 64)

    Num texto denso e desafiador, Jacques-Alain Miller conduz o leitorpelos ensinamentos de Lacan, procurando delinear o que seria a Psicanlisepura e a Psicanlise aplicada teraputica. Segundo Miller, o primeiroproblema que se coloca no em relao a esses dois termos, mas, sim, quanto relao da Psicanlise com a teraputica, entre a Psicanlise e a Psicoterapia.A confuso que importa verdadeiramente aquela que mistura, em nome dateraputica, o que Psicanlise e o que no (MILLER, 2001, p. 10).

    Pensar a Psicanlise aplicada teraputica implica prudncia. Tratarpela via analtica no significa deixar de ser Psicanlise, em toda suaconceituao que delimita seu campo de saber. Devemos

    Linhas de Progresso na terapia psicanaltica

    PSICANLISE X PSICOTERAPIA

    exigir muito da Psicanlise aplicada teraputica, ou seja, exigirque ela no ceda diante de ser Psicanlise - sob o pretexto deteraputica, se deixar levar a ultrapassar esse limite, essa

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  • Psicoterapia, psicanlise pura e psicanlise aplicada teraputica, p.211 - p.222

    diferena. (MILLER, 2001, p. 11)

    A orientao da Psicanlise , por conseqncia, uma orientaono em direo ao sentido e em direo ao ideal ou norma que visa sugesto, mas em direo ao gozo e considerao do sintomanaquilo que satisfaz alguma coisa. (NAVEAU, 2003, p. 15)

    Ela consiste em repartir Psicanlise e Psicoterapia sobre esses doisandares, colocando o papel crucial daquilo que, em A, abre a via aoandar superior, e onde ns podemos considerar que o operador odesejo do analista, enquanto que ele no estaria em funo daparte inferior (MILLER, 2001, p. 15).

    Quanto Psicoterapia, Lacan nos brinda com sua resposta em, onde para ele a Psicoterapia se encontra no campo do sentido, do

    bom-senso, onde a fala escamoteia o inconsciente, o gozo, a fantasia. Situa-sena dimenso da compreenso, do enunciado e no da enunciao. No tocaas pulses e se fixa no jogo das relaes imaginrias, no apontando a falta dogrande Outro. A Psicoterapia... conduz ao pior. (LACAN, 1993, p. 21)

    A Psicanlise no visa identificao, tende, sim, desidentificaoque conduz o sujeito a se haver com sua diviso.

    O caminho da Psicanlise para o gozo e o real, enquanto que aPsicoterapia se direciona para o sentido e o imaginrio.

    Miller busca no texto ,dos Escritos de Jacques Lacan, essa diferenciao pela via do Grafo do desejo.

    Televiso

    A subverso do sujeito e a dialtica do desejo

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    ILUSTRAO 1 Grafo do DesejoFonte: LACAN, 1998, p. 831.

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    No primeiro andar, temos o eixo da cadeia significante, de s a s',recortado pelo eixo do discurso, que vai do a I(A), do sujeito barrado aoIdeal-do-Eu. Este ltimo corta o eixo significante em dois pontos: o cdigo, A, ea mensagem, s(A). O cdigo aqui marcado como A, grande Outro, namedida em que representa o campo da linguagem. o que Lacan chamou de

    (ponto de estofo ou ponto de basta), que corta a cadeiasignificante, que metaforiza. O segundo encontro, que fecha o circuito [...]como suporte criador do sentido, a mensagem. Na mensagem vem luz, osentido (LACAN, 1999, p. 20). o significante do grande Outro que fala aosujeito. Esse circuito concerne ao ser falante, ao ser da linguagem. Atravs dasoperaes metonmicas, s-s', e metafricas, A-s(A), o discurso faz sentido, daordem do senso. Na parte inferior dessa equao, encontra-se o curto-circuitoeu-ideal, i(a), e m, (Eu), operando a linha das identificaes imaginrias.

    A palavra ter o primeiro andar, a pulso ter o segundo (LACAN,1999, p. 20). O andar superior, que se inaugura a partir do grande Outro, sustentado pelo desejo do analista, , quando o sujeito se v diante de suafantasia, ( a). Esse encontro remete o sujeito dimenso da falta no grandeOutro, S(A), abrindo o eixo que vai da dimenso do gozo pulso, ( D),fazendo surgir o dilema da castrao.

    O psicanalista recusa assumir o lugar do grande Outro completo,como faz a Psicoterapia.

    Para Alexander Stevens as Psicoterapias so:

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    point-de-capiton

    moi,

    d

    $

    $

    Se escamoteia, ento, na Psicoterapia, o que colocaria em causa oOutro todo poderoso. Se preservaria na Psicoterapia a consistnciado Outro, enquanto que o que seria o prprio da posio analticaque abre a porta Psicanlise propriamente dita, seria j,admitindo a questo do gozo, inconsistir o Outro. (MILLER, 2001,p.17)

    fundadas sobre uma relao de dominao que se exerce daimagem do outro, i(a) como escreve Lacan, sobre o Eu do sujeito,marcado por um 'm'. Seu campo de ao pode assim ser definido, apartir da Psicanlise, como operando sobre o que ns chamamosdialtica intersubjetiva imaginria enquadrada por elementossimblicos. O grafo do desejo de J. Lacan escreve estas coordenadasem seu andar inferior. (STEVENS, 1999, p. 16)

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  • Observamos a insistente tentativa da cincia moderna em reduzir aPsicanlise ao andar inferior do grafo do desejo pela via da exigncia de umaverdade. A teraputica da Psicanlise se deve ao fato de o analista recusar olugar de terapeuta, esse lugar deve ser apenas suposto, um lugar de semblante,pois esse ato inaugura uma teraputica.

    Miller aponta esta outra resposta de Lacan diferena entrePsicoterapia e Psicanlise: a localizao da Psicoterapia no discurso do mestre.

    O psicoterapeuta responde do lugar do mestre, do lugar do saber, deuma verdade. O discurso do mestre cria uma dupla barra entre o sujeitobarrado e o objeto a, precisamente um discurso que acaba com o fantasma,que o torna impossvel... A Psicoterapia privilegia a identificao ao preo dese desembaraar do fantasma (MILLER, 2001, p. 18).

    Quanto ao psicanalista, seu discurso de outra ordem:

    Uma psicoterapia que se contenta em trabalhar no nvel dasidentificaes (nvel inferior do grafo) e a Psicanlise, cuja meta oatravessamento do plano das identificaes (passagem ao nvelsuperior do grafo). Portanto a Psicanlise, mesmo que ela inclua emsi um poder teraputico, fundamentalmente o contrrio de umaPsicoterapia... preciso que o psicanalista se desprenda da posiode psicoterapeuta para ser psicanalista. Isto necessrio, noentanto, desde o incio do tratamento. (MILLER, 2001, p. 18)

    O discurso do mestre conforme ao inconsciente. o seu discurso.Em termos de Psicoterapia, se diria: o sujeito reclama umaidentificao que se sustente, e ele sofre quando essa identificaovacila, quando ela lhe falta. A urgncia ento de lhe restituir essaidentificao. (MILLER, 2001, p. 17)

    No discurso do analista no lugar de agente o que domina o objetodo qual o analista faz semblante, situando a castrao na causa dodesejo. A causa tem a ver com a castrao e no com o objeto dogozo que est proibido. Lacan nomeia isto de 'desejo do analista'. Acastrao indica seu no-domnio, o avesso do pai morto ou domestre. Torna possvel ao analisante que responda com seu desejoao desejo enigmtico do Outro. (WAINSZTEIN, 2001, p. 33)

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    Nesse lugar de semblante o analista, deixa com que caiam, aocontrrio da Psicoterapia, as identificaes do sujeito, permitindo-lhe aconstruo da fantasia. O que define o analista seu ato (GUGUEN, 2003,p. 24).

    Freud discorre de forma mais clara sobre as aplicaes da Psicanlisena , intitulada

    . Expe que a Psicanlise comeoucomo um mtodo de tratamento e, como tal, tem sua eficcia comprovada noscasos clnicos, no tratamento do gozo e do real dos quais todos somosinvestidos, entretanto Freud marca a funo da Psicanlise como uma verdadesobre o sujeito, ou, pelo menos, como diria Jacques Lacan, um semblante deverdade. A Psicanlise implica o sujeito em suas relaes com a realidade ecom o social. Dessa forma, a aplicao dela se desdobra em duas vias: umaconcerne diretamente ao prprio analista, o reconhecimento do real do gozo,e a outra implica a utilizao do saber analtico em outras prticas queconcernem subjetividade (VIGAN, 2000).

    Jacques-Alain Miller, num texto que prope discutir as contra-indicaes ao tratamento psicanaltico, aponta que o pressuposto usual e bemdifundido de que a Psicanlise tem suas restries e, at mesmo,recomendaes em casos muito especficos, sendo para outros, ineficaz e,at mesmo, nefasta (MILLER, 2001, p. 52), como nos casos de psicoses puras,nos tipos de carter psictico ou nas psicopatias severas. Miller aponta deforma precisa que esse equvoco acontece na medida em que se atm concepo do tratamento psicanaltico em sua vertente chamada dePsicanlise pura.

    Lacan, no da Escola, em 1964, divide-a em duassees : Psicanlise pura e aplicada. A Seo de Psicanlise pura se direciona Psicanlise didtica (LACAN, 2003a, p. 236), ao estudo e pesquisa dosconceitos psicanalticos, no sendo a Psicanlise pura, em si mesma, umatcnica teraputica. (LACAN, 2003a) A seo de Psicanlise aplicada serelaciona diretamente com a clnica e a teraputica. Podemos, com base na

    , trabalhar tambm com asnomenclaturas intenso e extenso. A Psicanlise em extenso se refere

    PSICANLISE PURA X PSICANLISE APLICADA

    Lio XXXIV das Conferncias introdutrias PsicanliseExplicaes, aplicaes e orientaes

    Ato de fundao

    Proposio de 9 de outubro de 1967

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    2163Lacan a divide em trs sees, sendo a terceira chamada de Recenseamento do Campo Freudiano.Para nosso estudo, interessa apenas as duas primeiras divises visto sua relao com a prtica clnica.

  • como presentificadora da Psicanlise no mundo (LACAN, 2003b, p. 251), ea Psicanlise em intenso que, segundo Lacan, no fazendo mais quepreparar operadores para ela (LACAN, 2003b).

    Preparar analistas parece desde j funo de uma Psicanlise pura.Entretanto fazem-se necessrias duas consideraes: segundo a escoladeixada a ns por Lacan, a formao do analista se daria, prioritariamente, pornossa anlise pessoal, por nos termos submetido experincia analtica, ou emoutras palavras, pela via de uma prtica teraputica? Para se operar umaprtica teraputica o referencial terico e conceitual baliza nossa direo?Dessa forma, que tipo de Psicanlise realizamos em nossos consultrios?Estaria Lacan anunciando que a pura a Psicanlise em consultrio e aaplicada a Psicanlise aplicada fora do consultrio, na instituio, porexemplo? De certo que no. Pierre Naveau aponta este mal-entendido:

    Temos ento que a Psicanlise, tanto na sua vertente de consultrio,quanto na sua aplicao no campo institucional, encontra-se no nvel dateraputica e essa extenso uma condio de sobrevivncia. (BROUSSE,2003, p. 30) Tomar a Psicanlise em sua vertente ampliada coloc-la aservio do mundo moderno visto que a demanda inicial a Freud em relao shistricas e seus problemas familiares e sexuais j se modificam desde o texto

    (1930). A demanda que se apresenta a ns,analistas, pauta-se nos chamados novos sintomas da modernidade, sendochamados a confrontar com a eficcia cientfica. O saber cientfico contribuipara o desenvolvimento do gozo dos sujeitos, mas no para o tratamento.(BROUSSE, 2003, p. 30) A Psicanlise deve ser teraputica, deve incidir sobreo sintoma. O sintoma no social, mesmo se exato que seja um modo desocializao. Ela do sujeito, ou seja, do Outro. (BROUSSE, 2003, p. 30) aque devemos intervir.

    Jacques-Alain Miller prope uma reflexo: seria a psicanlise pura...a psicanlise na medida em que ela conduz ao passe do sujeito [...] na medidaem que ela se conclui pelo passe (MILLER, 2001, p. 29), e a psicanliseaplicada, a psicanlise que concerne ao sintoma, a Psicanlise aplicada aosintoma? (MILLER, 2001, p. 29).

    No significa... que a prtica em consultrio o lugar privilegiadoda Psicanlise pura e a que a prtica em instituio consagrada Psicanlise impura, ou seja, Psicanlise aplicada teraputica. Aprtica em consultrio , com efeito, consagrada em grande parte Psicanlise aplicada. (2003, p.15)

    O Mal-es...

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