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Publicação da Yakult do Brasil - Ano XII - Nº 54 - Abril a ... · PDF filePublicação da Yakult do Brasil - Ano XII - Nº 54 - Abril a Junho de 2012 Solidão, a dor social Grão

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Publicao da Yakult do Brasil - Ano XII - N 54 - Abril a Junho de 2012

Solido, a dor social

Gro chia contm fibra diettica, protenas e cidos graxos mega 3

Nova tcnica possibilita mais preciso para anlise das mamas

Pesquisadores avaliam ao dos probiticos nas doenas bucais

Lactobacillus casei Shirota podem ser aliados do sistema imunolgico

Entrevista:as boas e as ms notcias sobre o cncer

Capa

Solido, Pesquisas comProvam que indivduos solitrioscorrem mais risco de desenvolver doenas

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Capa

Elessandra Asevedo

A solido uma condio psicolgica debilitante responsvel pelo sentimento de vazio interior, falta de controle, inutili-dade e ameaa pessoal que pode se mani-festar em diferentes fases da vida, inclusi-ve em indivduos que vivem cercados pela famlia e pelos amigos. Este sentimento torna mais difcil regular o comportamen-to, tornando as pessoas mais propensas a beber em excesso, ter uma dieta ali-mentar desequilibrada e realizar menos exerccios fsicos. Estudos realizados nas ltimas dcadas tm demonstrado que a solido tambm pode ser considerada um srio fator de risco para a sade, to grave quanto a obesidade e o tabagismo, alm de afetar negativamente os sistemas imu-nolgico e cardiovascular. Tudo porque fazer parte de um grupo ou ter amigos

John CaCioppo Carlos alberto pastore

Pesquisas comProvam que indivduos solitrioscorrem mais risco de desenvolver doenas

um fator necessrio para a sobrevivncia desde o incio da histria do ser humano, que apenas sobreviveu e prosperou graas unio das famlias e tribos que propor-cionaram proteo e assistncia mtua.

A maioria dos indivduos j sentiu ou sentir solido em algum momento da vida, mas isso no significa que todos sofram da dor crnica da solido. No en-tanto, se frequentemente se sentem ss durante um perodo prolongado, como meses ou anos, podem ser caracteriza-dos como cronicamente solitrios. Entre os fatores que podem aumentar o risco da solido esto a perda de um relaciona-mento significativo, sentir-se desrespeita-do, conviver com conflitos no resolvidos e problemas familiares, sentir-se rejeitado ou deixado de lado, ter m qualidade con-jugal e pouco contato com amigos e fami-liares, desenvolver poucos papis sociais, no ter participao em organizaes ou ter sintomas fsicos de sade e limitaes fsicas. Estes fatores podem diminuir a sensao de estar ligado aos outros. Em-bora a solido motive as pessoas a se reco-nectarem com seus pares, se essas tentati-vas no tm xito deixam uma sensao de solido crnica, explica o psiclogo

John Cacioppo, diretor do Departamento de Psicologia da Universidade de Chica-go, nos Estados Unidos, autor de diversos estudos sobre a relao crebro e corpo e coautor do livro Loneliness , baseado em pesquisa cientfica desenvolvida pelo au-tor por mais de 20 anos.

O psiclogo, que comeou a pesquisa de vnculo social em 1990 na Universida-de de Ohio, explica que os prejuzos cau-sados pela solido esto relacionados prpria histria da espcie humana e as doenas atribudas so um sinal do orga-nismo de que necessrio se relacionar socialmente. Trabalhos com varreduras do crebro, marcadores fisiolgicos e anlises de herdabilidade permitiram co-locar a solido em um contexto evolutivo que ressalta a sua utilidade. Alm disso, a solido evoluiu como qualquer outra forma de dor que serviu para o ser hu-mano renovar suas conexes, assegurar a sobrevivncia e promover a confiana social, coeso e ao coletiva. A fome, se ignorada, pode causar efeitos sobre o crebro e a biologia e, assim, reduzir a capacidade de um indivduo no meio selvagem para encontrar e capturar ali-mentos. A solido tambm, se ignorada, pode ter efeitos prejudiciais que tornam mais difcil para um indivduo escapar de suas garras. A solido um estado aversivo que evoluiu como um sinal para mudarmos o comportamento, muito pa-recido com fome, sede ou dor fsica, para motivar-nos a renovar as conexes de que precisamos para sobreviver e prosperar, afirma o pesquisador.

John Cacioppo ressalta que a solido tem sido associada a nveis mais elevados de hormnios de estresse circulando, o que favorece o baixo funcionamento do sistema imunolgico e eleva a presso sangunea, prejudicando a funo car-daca. Os solitrios tambm tm menor

Os males causados

4Super Saudvel

Elessandra Asevedo

A solido uma condio psicolgica debilitante responsvel pelo sentimento de vazio interior, falta de controle, inu-tilidade e ameaa pessoal que pode se manifestar em diferentes fases da vida, inclusive em indivduos que vivem cer-cados pela famlia e pelos amigos. Este sentimento torna mais difcil regular o comportamento, tornando as pessoas mais propensas a beber em excesso, ter uma dieta alimentar desequilibrada e re-alizar menos exerccios fsicos. Estudos realizados nas ltimas dcadas tm de-monstrado que a solido tambm pode ser considerada um srio fator de risco para a sade, to grave quanto a obesi-dade e o tabagismo, alm de afetar ne-gativamente os sistemas imunolgico e cardiovascular. Tudo porque fazer parte de um grupo ou ter amigos um fator necessrio para a sobrevivncia desde o incio da histria do ser humano, que apenas sobreviveu e prosperou graas unio das famlias e tribos para propor-

cionar proteo e assistncia mtua.A maioria dos indivduos j sentiu

ou sentir solido em algum momento da vida, mas isso no significa que sofram da dor crnica da solido. No entanto, se frequentemente se sentem ss durante um pe-rodo prolongado, como meses ou anos, podem ser caracterizados como cronicamente solitrios. Entre os fatores que podem aumentar o risco da solido esto a perda de um relacio-namento significativo, sentir-se des-respeitado, possuir conflitos no resolvidos e problemas familia-res, sentir-se rejeitado ou dei-xado de fora, ter m qualidade conjugal e pouco contato com amigos e familiares, desenvol-ver poucos papis sociais, no ter participao em organiza-es voluntrias ou ter sintomas fsicos de sade e limitaes fsi-cas. Estes fatores podem diminuir a sensao de estar ligado aos outros. Embora a solido motive as pessoas a

se reconectarem com seus pares, se es-sas tentativas no tm xito, deixam uma

sensao de solido crnica, explica o psiclogo John Cacioppo,

diretor do Departa-mento de

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qualidade do sono e sofrem mais com obesidade, alcoolismo e abuso de drogas resultantes do estilo de vida. A solido tambm est associada demncia em adultos mais velhos. Descobrimos que a solido provoca aumento da resistncia vascular em adultos jovens e aumento da presso arterial nos mais velhos. Embora o mecanismo para aumento da presso sangunea no tenha sido determinado, a resistncia vascular elevada pode produ-zir elevaes na presso sangunea com a idade e o funcionamento endotelial torna-se menos robusto, complementa.

Segundo o professor doutor Carlos Al ber to Pastore, cardiologista do Insti-tu to do Corao do Hospital das Clni-cas da Universidade de So Paulo (In Cor-HC-USP) muitos solitrios tam-bm acabam manifestando depresso, considerada um fator de risco to grave para doenas do corao quanto a ansie-dade e a hipercolesterolemia. Alm de limitar os indivduos para atividades so-ciais e fsicas benficas sade, a solido provoca alterao hormonal no crebro.

No dia a dia, os indivduos possuem um balano fisiolgico de vrias aes hor-monais e a depresso praticamente segura este tnus. Esta falta de adaptao s movimentaes cor-porais um fator de risco e causa ansiedade, que deixa o organis-mo extremamente estimulado e, quando constante e tenso, aumenta a presso arterial e a frequncia cardaca, que trazem prejuzos corporais de modo geral, relata o mdico.

A solido pode afetar o compor-tamento, pois diminui o funcio-namento do crebro, o que tor-na mais difcil para os solitrios controlarem os impulsos, tais como sucumbir a um prazer culpado ao invs de se exercitar ou ter uma dieta alimentar sau-dvel, hbitos que prejudicam a sade e podem desencadear doenas. Alm disso, faz com que o indivduo sinta-se infeliz e inseguro, prejudicando as relaes e causando sentimento e ato de distanciamento.

pela solido

ComprovaesO artigo cientfico Social Relationships and Mortality

Risk: A Meta-analytic Review, de autoria de pesquisadores da Universidade Brigham Young e da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, confirma que indivduos com fortes relaes sociais apresentam probabilidade 50% maior de sobrevivncia do que aqueles com baixas relaes sociais. Uma recente pesquisa da Mental Health Foundation, no Reino Unido, indica que 10% dos indivduos se sentem solitrios muitas vezes na vida; um tero tem um amigo ou parente que muito solitrio e metade acha que as pessoas esto ficando mais solitrias em geral.

O cardiologista Carlos Alberto Pastore afirma que a soluo para a solido no quantidade, mas qualidade de relacio-namentos, e as relaes humanas tm de ser significativas e satisfatrias para cada um dos envolvidos. Os relacionamentos

so necessariamente mtuos e exigem nveis bastante seme-lhantes de intimidade e intensidade de ambos os lados. Mesmo o bate-papo informal tem de avanar em um ritmo que seja confortvel para todos. Conversar alivia as tenses e emoes, por isso, necessrio ter uma rede de pessoas no dia a dia para trocar ideias, pois isso funciona quase como uma terapia. Ter uma rede de amigos afasta a solido, enfatiza.

O artigo Social Relationships and Mortality Risk ressalta que, apesar de mais pesquisas serem necessrias para deter-minar como as relaes so ciais podem ser usadas para reduzir o risco de mortalidade, preciso que mdicos, profissionais de sade, educadores e os meios de comunicao reconheam que as relaes sociais influenciam os resultados de sade e ter rela