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Publicação da Yakult do Brasil - Ano XII - Nº 54 - Abril a Junho de 2012 Solidão, a dor social Grão chia contém fibra dietética, proteínas e ácidos graxos ômega 3 Nova técnica possibilita mais precisão para análise das mamas Pesquisadores avaliam ação dos probióticos nas doenças bucais Lactobacillus casei Shirota podem ser aliados do sistema imunológico Entrevista: as boas e as más notícias sobre o câncer

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Publicao da Yakult do Brasil - Ano XII - N 54 - Abril a Junho de 2012

Solido, a dor social

Gro chia contm fibra diettica, protenas e cidos graxos mega 3

Nova tcnica possibilita mais preciso para anlise das mamas

Pesquisadores avaliam ao dos probiticos nas doenas bucais

Lactobacillus casei Shirota podem ser aliados do sistema imunolgico

Entrevista:as boas e as ms notcias sobre o cncer

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Solido, Pesquisas comProvam que indivduos solitrioscorrem mais risco de desenvolver doenas

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Elessandra Asevedo

A solido uma condio psicolgica debilitante responsvel pelo sentimento de vazio interior, falta de controle, inutili-dade e ameaa pessoal que pode se mani-festar em diferentes fases da vida, inclusi-ve em indivduos que vivem cercados pela famlia e pelos amigos. Este sentimento torna mais difcil regular o comportamen-to, tornando as pessoas mais propensas a beber em excesso, ter uma dieta ali-mentar desequilibrada e realizar menos exerccios fsicos. Estudos realizados nas ltimas dcadas tm demonstrado que a solido tambm pode ser considerada um srio fator de risco para a sade, to grave quanto a obesidade e o tabagismo, alm de afetar negativamente os sistemas imu-nolgico e cardiovascular. Tudo porque fazer parte de um grupo ou ter amigos

John CaCioppo Carlos alberto pastore

Pesquisas comProvam que indivduos solitrioscorrem mais risco de desenvolver doenas

um fator necessrio para a sobrevivncia desde o incio da histria do ser humano, que apenas sobreviveu e prosperou graas unio das famlias e tribos que propor-cionaram proteo e assistncia mtua.

A maioria dos indivduos j sentiu ou sentir solido em algum momento da vida, mas isso no significa que todos sofram da dor crnica da solido. No en-tanto, se frequentemente se sentem ss durante um perodo prolongado, como meses ou anos, podem ser caracteriza-dos como cronicamente solitrios. Entre os fatores que podem aumentar o risco da solido esto a perda de um relaciona-mento significativo, sentir-se desrespeita-do, conviver com conflitos no resolvidos e problemas familiares, sentir-se rejeitado ou deixado de lado, ter m qualidade con-jugal e pouco contato com amigos e fami-liares, desenvolver poucos papis sociais, no ter participao em organizaes ou ter sintomas fsicos de sade e limitaes fsicas. Estes fatores podem diminuir a sensao de estar ligado aos outros. Em-bora a solido motive as pessoas a se reco-nectarem com seus pares, se essas tentati-vas no tm xito deixam uma sensao de solido crnica, explica o psiclogo

John Cacioppo, diretor do Departamento de Psicologia da Universidade de Chica-go, nos Estados Unidos, autor de diversos estudos sobre a relao crebro e corpo e coautor do livro Loneliness , baseado em pesquisa cientfica desenvolvida pelo au-tor por mais de 20 anos.

O psiclogo, que comeou a pesquisa de vnculo social em 1990 na Universida-de de Ohio, explica que os prejuzos cau-sados pela solido esto relacionados prpria histria da espcie humana e as doenas atribudas so um sinal do orga-nismo de que necessrio se relacionar socialmente. Trabalhos com varreduras do crebro, marcadores fisiolgicos e anlises de herdabilidade permitiram co-locar a solido em um contexto evolutivo que ressalta a sua utilidade. Alm disso, a solido evoluiu como qualquer outra forma de dor que serviu para o ser hu-mano renovar suas conexes, assegurar a sobrevivncia e promover a confiana social, coeso e ao coletiva. A fome, se ignorada, pode causar efeitos sobre o crebro e a biologia e, assim, reduzir a capacidade de um indivduo no meio selvagem para encontrar e capturar ali-mentos. A solido tambm, se ignorada, pode ter efeitos prejudiciais que tornam mais difcil para um indivduo escapar de suas garras. A solido um estado aversivo que evoluiu como um sinal para mudarmos o comportamento, muito pa-recido com fome, sede ou dor fsica, para motivar-nos a renovar as conexes de que precisamos para sobreviver e prosperar, afirma o pesquisador.

John Cacioppo ressalta que a solido tem sido associada a nveis mais elevados de hormnios de estresse circulando, o que favorece o baixo funcionamento do sistema imunolgico e eleva a presso sangunea, prejudicando a funo car-daca. Os solitrios tambm tm menor

Os males causados

4Super Saudvel

Elessandra Asevedo

A solido uma condio psicolgica debilitante responsvel pelo sentimento de vazio interior, falta de controle, inu-tilidade e ameaa pessoal que pode se manifestar em diferentes fases da vida, inclusive em indivduos que vivem cer-cados pela famlia e pelos amigos. Este sentimento torna mais difcil regular o comportamento, tornando as pessoas mais propensas a beber em excesso, ter uma dieta alimentar desequilibrada e re-alizar menos exerccios fsicos. Estudos realizados nas ltimas dcadas tm de-monstrado que a solido tambm pode ser considerada um srio fator de risco para a sade, to grave quanto a obesi-dade e o tabagismo, alm de afetar ne-gativamente os sistemas imunolgico e cardiovascular. Tudo porque fazer parte de um grupo ou ter amigos um fator necessrio para a sobrevivncia desde o incio da histria do ser humano, que apenas sobreviveu e prosperou graas unio das famlias e tribos para propor-

cionar proteo e assistncia mtua.A maioria dos indivduos j sentiu

ou sentir solido em algum momento da vida, mas isso no significa que sofram da dor crnica da solido. No entanto, se frequentemente se sentem ss durante um pe-rodo prolongado, como meses ou anos, podem ser caracterizados como cronicamente solitrios. Entre os fatores que podem aumentar o risco da solido esto a perda de um relacio-namento significativo, sentir-se des-respeitado, possuir conflitos no resolvidos e problemas familia-res, sentir-se rejeitado ou dei-xado de fora, ter m qualidade conjugal e pouco contato com amigos e familiares, desenvol-ver poucos papis sociais, no ter participao em organiza-es voluntrias ou ter sintomas fsicos de sade e limitaes fsi-cas. Estes fatores podem diminuir a sensao de estar ligado aos outros. Embora a solido motive as pessoas a

se reconectarem com seus pares, se es-sas tentativas no tm xito, deixam uma

sensao de solido crnica, explica o psiclogo John Cacioppo,

diretor do Departa-mento de

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qualidade do sono e sofrem mais com obesidade, alcoolismo e abuso de drogas resultantes do estilo de vida. A solido tambm est associada demncia em adultos mais velhos. Descobrimos que a solido provoca aumento da resistncia vascular em adultos jovens e aumento da presso arterial nos mais velhos. Embora o mecanismo para aumento da presso sangunea no tenha sido determinado, a resistncia vascular elevada pode produ-zir elevaes na presso sangunea com a idade e o funcionamento endotelial torna-se menos robusto, complementa.

Segundo o professor doutor Carlos Al ber to Pastore, cardiologista do Insti-tu to do Corao do Hospital das Clni-cas da Universidade de So Paulo (In Cor-HC-USP) muitos solitrios tam-bm acabam manifestando depresso, considerada um fator de risco to grave para doenas do corao quanto a ansie-dade e a hipercolesterolemia. Alm de limitar os indivduos para atividades so-ciais e fsicas benficas sade, a solido provoca alterao hormonal no crebro.

No dia a dia, os indivduos possuem um balano fisiolgico de vrias aes hor-monais e a depresso praticamente segura este tnus. Esta falta de adaptao s movimentaes cor-porais um fator de risco e causa ansiedade, que deixa o organis-mo extremamente estimulado e, quando constante e tenso, aumenta a presso arterial e a frequncia cardaca, que trazem prejuzos corporais de modo geral, relata o mdico.

A solido pode afetar o compor-tamento, pois diminui o funcio-namento do crebro, o que tor-na mais difcil para os solitrios controlarem os impulsos, tais como sucumbir a um prazer culpado ao invs de se exercitar ou ter uma dieta alimentar sau-dvel, hbitos que prejudicam a sade e podem desencadear doenas. Alm disso, faz com que o indivduo sinta-se infeliz e inseguro, prejudicando as relaes e causando sentimento e ato de distanciamento.

pela solido

ComprovaesO artigo cientfico Social Relationships and Mortality

Risk: A Meta-analytic Review, de autoria de pesquisadores da Universidade Brigham Young e da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, confirma que indivduos com fortes relaes sociais apresentam probabilidade 50% maior de sobrevivncia do que aqueles com baixas relaes sociais. Uma recente pesquisa da Mental Health Foundation, no Reino Unido, indica que 10% dos indivduos se sentem solitrios muitas vezes na vida; um tero tem um amigo ou parente que muito solitrio e metade acha que as pessoas esto ficando mais solitrias em geral.

O cardiologista Carlos Alberto Pastore afirma que a soluo para a solido no quantidade, mas qualidade de relacio-namentos, e as relaes humanas tm de ser significativas e satisfatrias para cada um dos envolvidos. Os relacionamentos

so necessariamente mtuos e exigem nveis bastante seme-lhantes de intimidade e intensidade de ambos os lados. Mesmo o bate-papo informal tem de avanar em um ritmo que seja confortvel para todos. Conversar alivia as tenses e emoes, por isso, necessrio ter uma rede de pessoas no dia a dia para trocar ideias, pois isso funciona quase como uma terapia. Ter uma rede de amigos afasta a solido, enfatiza.

O artigo Social Relationships and Mortality Risk ressalta que, apesar de mais pesquisas serem necessrias para deter-minar como as relaes so ciais podem ser usadas para reduzir o risco de mortalidade, preciso que mdicos, profissionais de sade, educadores e os meios de comunicao reconheam que as relaes sociais influenciam os resultados de sade e ter relacionamentos sociais algo to srio quanto outros fatores de risco que afetam a sade.

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Idosos correm mais riscosDe acordo com o Censo Demogr-

fico 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatstica (IBGE), quase 3 milhes de indivduos com 60 anos de idade ou mais vivem sozinhos no Brasil e, embora no seja sinnimo de solido, o isolamento do idoso um grande fator que pode levar a tal con-dio. O fato ocorre principalmente para a mulher que, em geral, quem mais fica sozinha por causa da viuvez, pois tem uma expectativa de vida maior que a do homem em mdia 20 anos e sofre com a sndrome do ninho vazio, que geralmente ocorre quando os filhos saem de casa. Segundo a geriatra Silvia Regina Mendes Pereira, presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Ge-rontologia (SBGG), o grande problema da solido nos idosos que est inti-mamente associada com a depresso.

Essa doena faz com que o indiv-duo que ira ficar em

casa, sem con tato com o mundo e

com outras pessoas. Quando es t em um

grupo social s fala de doena, o que leva

a afastar as pessoas

e, com o tempo, isso pode se perpetuar deixando-a cada vez mais s. Sem o contato h o declnio cognitivo, pio-rando a memria e a concentrao, e o idoso fica sem interesse por se alimentar, levando desnutrio e perda da musculatura, prejudicando a mobilidade e podendo agravar doenas preexisten-tes, enumera. Outro problema a de-ficincia de vitaminas, que leva a uma piora das doenas pre existentes. A m-dica lembrar que a depresso tambm pode desencadear precocemente o pro-cesso demencial.

A solido dos idosos constatada inclusive nos pases desenvolvidos, com provando que uma condio que independe da classe social e de escola-ridade. No Reino Unido foi criada em 2010, pelas organizaes no governa-mentais britnicas Age UK Oxfordshire, Counsel and Care, Independent Age e WRVS, a Campaign to End Loneliness (Campanha Para o Fim da Solido), com pesquisas que revelam que 51% dos idosos britnicos com 75 anos ou mais vivem sozinhos e 10% se sentem solitrios. A organizao mostra, ainda, que 12% dos idosos se sentem presos em sua prpria casa, 36% no tm con-tato com o ritmo da vida moderna, 9% dizem sentir-se cortados da sociedade e cerca de 5 milhes afirmam que a

televiso sua principal companhia. H indcios de que aqueles que se

sentem solitrios no gostam de falar sobre isso, fato conside-

rado preocupante pelos pes-quisadores, uma vez que a

campanha afirma que o servio de sade e

os profissionais no esto sen-

sibilizados com a re-

lao entre a sade e a solido na ter-ceira idade, apesar de esta conexo ter a capacidade de colaborar no diagnstico e no tratamento.

A presidente da SBGG garante que os geriatras so profissionais capacita-dos para identificar a solido no idoso, no entanto, na anamnese preciso le-var em considerao onde e com quem mora e se recebe visitas frequentes. Tentamos organizar a vida do idoso para que tenha qualidade e, muitas vezes, precisamos trabalhar com pro-fissionais de diversas reas, como fisio-terapeuta, assistente social e at mesmo arquiteto e advogado. Quando o pacien-te no atendido por geriatra, cabe aos demais profissionais se preocuparem com a possibilidade de estar sofrendo com a solido, alerta. Ao identificar o problema necessrio comprometer a famlia do idoso e, na falta dos parentes, entrar em contato com as assistentes sociais, igrejas e associaes de bairro para trabalhar uma maneira de o pa-ciente se sentir querido. Cabe tambm aos prprios indivduos fazerem a pre-veno da solido, evitando o isolamen-to, participando de atividades em grupo e tentando estar sempre em companhia de outras pessoas.

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Felipe Burle dos Anjos

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Apesar do avano da tecnologia e da globalizao que, presumivelmente, deveriam promover e aumentar as rela-es sociais, os indivduos esto se tor-nando cada vez mais socialmente iso-lados. Um dos fatores para este quadro a compe tio desenfreada por cargos e salrios no mundo corporativo, o que leva a uma concorrncia frequente no s com a empresa rival, mas tambm com os prprios colegas de trabalho. Esse comportamento conduz a um cli-ma de competio por cargos e salrios, pela sobrevivncia do emprego e, conse-quentemente, abre espao para prticas anti ticas como sonegar informaes e dar dicas que levam ao fracasso. Com o passar do tempo, as relaes interpes-soais de trabalho deterioram levando os indivduos ao isolamento e ao sentimen-to de solido e vulnerabilidade.

Mesmo entre seus pares comum encontrar indivduos solitrios, porque as relaes sociais no trabalho no so naturais e s acontecem devido a uma demanda coletiva. Essas pessoas foram arbitrariamente escolhidas e colocadas todas juntas em uma sala ou instituio e, portanto, trata-se de relaes artifi-ciais. Faz-se necessrio um investimento nesta rea para que essas relaes se de-senvolvam de maneira saudvel e apro-priada. Simplesmente deix-las deriva

e esperar que evoluam para o melhor ca-minho uma loteria. O prmio at vale a pena, mas a chance de ganhar baixa, acrescenta Felipe Burle dos Anjos, psic-logo especialista em Anlise Comporta-mental Clnica, mestre e doutorando em Psicologia Social, do Trabalho e das Or-ganizaes pela Universidade de Braslia (UnB) e coordenador do curso de espe-cializao em Psicologia Organizacional e do Trabalho do Instituto Brasiliense de Anlise do Comportamento (IBAC).

O bullying, bem como outros ass-dios, que uma agresso ou violncia intencional repetida por um perodo de tempo com objetivo de isolar e excluir, tambm pode levar solido, seja na criana, no adolescente ou no adulto. Acarretado pela falta de um ambiente de acolhimento e recuperao gerado pelo isolamento social e pelo pacto do silncio, o bullying gera diversos proble-mas como falta de concentrao, falhas na aprendizagem, baixa autoestima, perda de apetite, insnia ou sono ex-cessivo, falta de coordenao motora, depresso, transtornos de ansiedade e isolamento social. Estes problemas po-dem acompanhar as vtimas pela vida toda se no forem tratados devidamente com psiclogo e psiquiatra.

A internet tambm pode ser apon-tada co mo causa da solido em indiv-

duos que utilizam a rede para conversar e fa zer amigos por medo das relaes pessoais. No entanto, se no concorrer com o mundo real no considerada um problema, por oferecer um campo mais propcio para as pessoas se desenvolve-rem, apesar de suas dificuldades, prin-cipalmente em se tratando de jovens em fase de transio e indivduos tmidos que carecem de autonomia e habilidades sociais para desenvolver relaes sociais no mundo real. Usar o computador no faz as pessoas evitarem o convvio so-cial. Esconderem-se atrs dele, sim. O que leva os indivduos a se esconderem atrs do computador geralmente so problemas de socializao e no o con-trrio, pontua o psiclogo Felipe Burle dos Anjos.

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Solitrios dos tempos modernos

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Chia, U

Alimento se destAcA pelAs quAlidAdes nutricionAis

Elessandra Asevedo

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o gro da sade

Uma das principais fontes de alimen tao dos povos andinos da era pr co lombiana, com indcios de que foi plantada desde 2600 a.C, a chia (Salvia his-pnica) era muito cultivada no Mxico e na Guatemala e tinha os astecas e os

maias como principais consumidores, que ingeriam o gro para aumentar a resistncia fsica. No entanto, por tambm ser usada em rituais sagrados, os colonizadores catlicos condenaram o gro como ritual pago e levaram o cultivo extino. Somente na dcada de 1990 o plantio foi retomado por pesquisadores argentinos e norteamericanos, que desenvolveram estudos sobre o gro e demonstraram, entre os benefcios, ao coadjuvante no combate de vrias enfermidades, como obesidade, alteraes gastrointestinais e doenas cardiovasculares.

Com aparncia semelhante do gergelim, a chia contm 40% de fibra diettica, 21% de protena e 20% de cidos graxos mega 3. Alm disso,

contm 20% da dose diria recomendada para adultos de cl

cio, fsforo, ferro, magnsio e potssio, e potente ao antioxidante contra os radicais livres. A chia tambm possui ao antiinflamatria e grande capacidade de absoro de glicose, ideal para a preveno do diabetes e para o controle da insulina, explica a nutricionista Carolina Chica, do Departamento de Doenas Cardiovasculares da Pontifcia Universidade Catlica do Chile (PUC), que estuda o gro h mais de 10 anos.

A grande quantidade de fibra diettica solvel e insolvel propicia ao redutora do ndice glicmico da dieta e reguladora do aparelho digestrio e da funo intestinal. Por ter as fibras solveis do tipo mucilaginosas, a chia tem a capacidade de absorver lquidos e gorduras aumentando em mais de 10 vezes o seu volume, o que pode proporcionar uma sensao de saciedade

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IndIcada para todosA chia pode ser consumida na forma natural, sem a necessidade de triturao

para obter seus nutrientes, como exigem alguns gros, mas tambm pode ser inserida em massas, bolos, pes, saladas e sucos. Para um indivduo com diabetes, coles-terol ou triglicerdeos elevados, melhor consumir a semente para o fornecimento de fibra e mega 3. As pessoas que querem perder peso, entretanto, devem ingerir preferencialmente a farinha ou uma pequena quantidade de sementes e, para aque-las com doena cardiovascular, o leo uma boa alternativa, ensina a nutricionista Carolina Chica. A recomendao mdia de 5g a 25g ao dia, variando de acordo com as diversas indicaes. O consumo excessivo pode causar desconforto gstrico e, por ser um alimento muito calrico duas colheres de sopa fornecem aproximada-mente 140kcal, que equivalem a duas fatias de po integral deve ser consumida com moderao e sempre acompanhada de lquidos para uma maior efetividade.

Contraindicada apenas para indivduos com doenas inflamatrias intestinais, diverticulite e intolerncias, a chia pode ser consumida por crianas como forma de contribuio no desenvolvimento cognitivo e de aprendizagem. O leo o mais indicado para menores de um ano, enquanto a semente ideal para crianas maio-res. As mulheres grvidas tambm podem ingerir o gro chia devido presena dos cidos graxos, essenciais durante a gravidez e a lactao, para o desenvolvimento visual e neural do feto. Estamos desenvolvendo um estudo no Chile com um grupo de mulheres que consomem leo de chia na gestao e na lactao e, at agora, os resultados so surpreendentes. A quantidade de cidos graxos mega 3 no leite ma-terno e no sangue do grupo de mes e recm-nascidos aumentou significativamente em relao ao grupo que consumia leo de peixe, relata Carolina Chica.

e contribuir para a diminuio do peso corporal. As fibras solveis, quando agre gadas dieta, tm a capacidade de retardar o esvaziamento gstrico e a absor o de glicose pela circulao, o que contribui para um melhor controle do perfil glicmico e colabora com a sa-de de indivduos com diabetes.

As fibras solveis so prebiticos que, por sua vez, se apresentam como substrato para os probiticos micror-ganismos que compem a microbiota in-testinal. Este equilbrio de prebiticos e probiticos tem ao condicional para a adequada absoro dos nutrientes pelo intestino e efeito imunomodulador, ressalta a mdica nutrloga Marcella Garcez Duarte, diretora da Associao Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Ou-tro ponto positivo a protena presente em 21% do gro que, por ser um macro-nutriente presente em todas as clulas do corpo e com aminocidos que no podem ser sintetizados pelo organismo, deve ser inserida na dieta.

O mega 3 se destaca porque um cido graxo com atividade protetora contra doenas cardiovasculares, por sua ao anti-inflamatria, antiagre-gante plaquetria, reguladora do perfil lipdico e da presso arterial, alm de estimular a comunicao entre os neu-rnios. O consumo de chia pode con-trolar os nveis de glicemia, a melhora do perfil lipdico, a funo endotelial das clulas que revestem os vasos san-guneos e o corao, a coagulao e o status de ferro, auxiliando tambm na diminuio do LDL-colesterol e no au-mento do HDL-colesterol.

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Marcella Garcez Duarte

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Doenas urolgicas no escolhem sexo ou idade

Fernanda Ortiz Especial para Super Saudvel

Com ampla lista de patologias, causas, sintomas e tratamentos distintos, as doenas do trato urinrio podem acometer crianas, jovens, adultos e idosos de ambos os sexos. A estimativa da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) de que mais da metade da populao possa apresentar algum problema urolgico ao longo da vida. Das enfermidades, as cisti tes e doenas da prstata esto entre as ocorrncias mais comuns nos consultrios mdicos. Como na maioria dos casos h tratamento, o diagnstico precoce fundamental para evitar que simples problemas evoluam para quadros

mais graves, afetando de forma significativa a qualidade de vida dos pacientes.

Mais comum entre as doenas urol gicas, as infeces urinrias podem acometer indivduos de qualquer idade, principalmente mulheres. Com sintomas como ardor ao urinar, aumento das mices e, em alguns casos, hematria (sangue na urina), esses problemas podem ser diagnosticados por meio de um simples exame de cultura de urina. Devido anatomia desfavorvel da mulher, cuja uretra mais curta, as infeces urinrias chegam a ser 30 vezes mais frequentes no sexo feminino. Essas doenas so causadas por bactrias do prprio organismo, que colonizam o intestino por via ascendente, passam pelo perneo, pela uretra e chegam bexiga, ocasionando a infeco, explica o urologista Alberto Azoubel Antunes, professor livre docente de Urologia do Hospital das Clnicas da Faculdade de Medicina da Universidade de So Paulo (HCFMUSP).

Se no for cuidada, a cistite pode evoluir para pielonefrite, quando as bactrias presentes na bexiga sobem atravs do ureter e colonizam no rim. Esse um quadro mais dramtico que pode ocasionar dor lombar, fe bre alta e at sep tice mia, sendo necessria inter nao para tratamento via parenteral,

aler ta o professor doutor Carlos Mrcio Nbrega, chefe do Departamento de Urologia da Faculdade de Medicina de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (FMBUNESP). Tambm mais frequente entre as mulheres, a incontinncia urinria atinge aproximadamente 50%

Diagnstico precoce Diminui evoluo DasenfermiDaDes e aumenta as chances De cura

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Carlos MrCio Nbrega

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Doenas urolgicas no escolhem sexo ou idade

da populao feminina, principalmente aps a menopausa. Entre as causas pro vveis do problema esto o desgaste dos tecidos do assoalho plvico, aumento da presso abdominal e sobrecarga durante a gestao ou por consequncia de cirurgias. Alm do fator fsico, a incontinncia urinria um problema limitante que produz mudanas de hbi tos, depresso e excluso social. im portante que todos saibam que o pro blema tem tratamento e pode levar recuperao completa do indivduo, avisa o mdico Carlos Alberto Bezerra, membro da diretoria da Socie dade Bra

sileira de Urologia e professor livre docente da disciplina

de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC.

Homens em riscoNa adolescncia, um dos principais problemas urolgicos nos homens a va-

ricocele, dilatao das veias no entorno dos testculos geralmente indolor e que, por ser assintomtica, s diagnosticada por meio de exame clnico. Atualmente, a doena reconhecida como causa de infertilidade, sendo responsvel por quase 40% dos casos, alerta o mdico Fernando Almeida, professor livre docente pela Universidade Federal de So Paulo (Unifesp). O diagnstico feito por exame fsi-co com manobras que aumentam a presso abdominal, seguido de exame clnico que verifica se h refluxo de sangue e qual a sua intensidade. Em alguns casos, o tratamento cirrgico.

No entanto, so as doenas relacionadas prstata as que mais atingem o sexo masculino a partir de 40 anos de idade. O cncer de prstata a neoplasia mais frequente entre os homens, com maior incidncia acima de 50 anos, e pode atingir de 10% a 15% da populao, alerta o urologista Fernando Almeida. A recomendao que, a partir dos 45 anos, todos os homens se submetam aos exames de toque prosttico e de dosagem de Antgeno Prosttico Especfico (PSA), que verifica a consistncia da glndula. Caso haja histrico familiar de cncer de prstata, os exames devem ser realizados a partir dos 40 anos. importante ressaltar que o check up no previne a doena, mas faz um rastreamento para identificar poss-veis alteraes na prstata. Se descobertos precocemente, as chances de cura dos tumores so de 90% a 95%. Mas, se diagnosticados em estgio avanado, que j gerou metstase, as chances caem para 30%, orienta o urologista Alberto Azoubel Antunes.

A litase renal outra doena do trato urinrio que atinge mais homens do que mulheres. Segundo estimativas, 10% da populao mundial algum dia apresentar pelo menos um episdio do problema. Com incidncia de trs casos em homens para um em mulheres, a litase pode ser conse-quncia de herana gentica ou de hbitos de vida pouco saudveis, como consumo excessivo de sal, baixa ingesto de gua e at mesmo sedentarismo acompanhado de obesidade, pontua o urologista.

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Alberto Azoubel Antunes

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Menos prevalente entre as doenas do trato urinrio, a sndrome da bexiga hiperativa atinge perto de 15% de homens e mulheres com idade acima de 50 anos e caracterizada pela urgncia miccional. Segundo o mdico Fernando Almeida, a sndrome traz consequncias negativas para a qualidade de vida dos pacientes, que tendem a se isolar socialmente. Isso compreensvel, visto que algumas pessoas chegam a urinar inmeras vezes ao dia, podendo, em 1/3 dos casos, apresentar urge-incontinncia, o que as impede de realizar atividades simples como, por exemplo, ir ao cinema, informa.

O problema ocorre porque, com o passar dos anos, por algum motivo, a bexiga naturalmente sofre uma srie de alteraes moleculares, em nvel celular, e passa a se contrair de forma in-voluntria durante o intervalo entre as mices. Esse cenrio compromete dramaticamente a qualidade de vida do paciente, que passa a dormir mal, ter baixa autoestima e at mesmo quadros de depresso, refora o urologista Alberto Azoubel Antunes.

Como a bexiga um msculo de controle neurolgico, pode rece-ber interferncias do crebro, de doenas de seu prprio msculo, dos nervos perifricos ou da medula. Algumas situaes, como infeco urinria, constipao intestinal ou efeito colateral de medicamentos podem gerar sintomas de bexiga hiperativa, acrescenta o mdico Carlos Alberto Bezerra. Apesar de especulaes, a causa do problema ainda pouco conhecida, pois, em muitos pacientes, no possvel identificar o fator desencadeante, mas o comum que seja idioptica.

O tratamento comportamental e apresenta resultados satisfatrios. Simples aes, como segurar a urina ao mximo, ter ingesto moderada de lquidos e usar medicamentos antimuscarnicos, que agem na parede da bexiga diminuindo sua sensibilidade e a contrao involuntria e desordenada, podem fazer toda a diferena, informa o mdico Carlos Mrcio Nbrega. H outros tratamentos, como injeo de toxina botulnica intravesical na bexiga, que de-vem ser feitos com total critrio mdico, pois, como outros procedimentos, h risco de reaes.

Bexiga hiperativa causa urgncia nas mices

Fernando almeida Carlos alberto bezerra

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Adenilde Bringel

Microrganismo comensal que faz parte da flora natural dos tratos respiratrio e digestivo de homens e mulheres, e da microbiota genital feminina, a Candida sp. tambm pode ser encontrada na mucosa bucal de aproximadamente 60% da populao, especialmente idosos. Em circunstncias normais, a levedura no causa quaisquer efeitos prejudiciais sade, no entanto, quando presente em excesso costuma provocar quadros de infeco oral e vaginal, conhecidos como candidose ou candidase. Na cavidade oral, os sintomas clssicos so aparecimento de placas esbranquiadas e aveludadas na membrana mucosa da boca e da lngua.

Embora possa atingir indivduos de qualquer idade, so os idosos os mais comprometidos pela infeo oral provocada por Candida albicans. Naqueles que utilizam prtese total comum o surgimento de estomatite prottica associada levedura, caracterizada por pequenas leses que vo desde pequenos pontos avermelhados assintomticos at hiperemia generalizada, com sangramento, aumento de volume da mucosa e sintomatologia dolorosa, com consequente perda de qualidade de vida. Entre os fatores que contribuem para a proliferao de Candida sp. na cavidade oral de idosos esto queda no sistema imune, uso constante de medicamentos que diminuem a salivao e aumentam a proliferao das leveduras, dificuldade para higienizar a boca e prteses mal adaptadas.

Geralmente tratada base de nistatina, agora pesquisadores brasileiros comeam a investigar a ao de microrganismos probiticos para o combate candidase oral, com resultados considerados promissores. Um dos estudos foi desenvolvido pela doutoranda do Departamento de Prtese da Faculdade de Odontologia da Universidade de So Paulo (FOUSP) e professora doutora da Uni Araras Fundao Hermnio Ometto, Karin

ExpErimEntos rEalizados no Brasil dEmonstram quE algumas EspciEs dE microrganismos podEm comBatEr a candidasE oral

Probiticospara proteger a boca

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14Super Saudvel

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Hito mi Ishikawa, entre 2008 e 2010. A tese de doutorado foi defendida em janeiro deste ano sob a superviso do professor associado do Departamento de Prtese da Faculdade de Odontologia da USP, Atlas Edson Moleros Nakamae.

Na pesquisa foram avaliados 158 pacientes idosos com prtese total atendidos na instituio e, destes, cerca de 40% tinham a levedura na mucosa oral,

mas eram assintomticos. Por cuidado do Comit de tica, somente portadores do fungo sem sintomatologia ou infeco puderam participar do experimento. O objetivo do estudo foi verificar a influncia dos probiticos na reduo da levedura, pois comum observarmos os pacientes com prteses totais, atendidos na disciplina, apresentarem sinais e sintomas de infeco por Candida sp., explica a pesqui

sadora. Antes do incio do experimento foram colhidas amostras de saliva da boca dos pacientes e analisadas no Laboratrio de Microbiologia do Instituto de Cincias Biolgicas (ICBUSP), com auxlio da professora doutora Claudete Rodrigues Paula e do professor doutor Eriques Gonalves.

Durante o estudo randomizado e duplocego, os idosos receberam cpsulas de Lactobacillus rhamnosus e Lactobacillus acidophilus liofilizados e misturados com aroma de morango, para serem aplicados na prtese antes de ser colocada na boca. O grupo placebo recebeu as cpsulas com aroma e lactose. Os dois grupos usaram o produto diariamente, durante cinco semanas. Ao trmino do perodo foram colhidas novas amostras e, aps anlise no ICB, os pesquisadores constataram que em 83% do grupo probitico a levedura foi completamente eliminada da cavidade bucal. Com este resultado conclumos que possvel prevenir a candidase oral com o uso de probiticos, afirma a professora doutora Karin Ishikawa.

Complementao envolve animais de laboratrioO sucesso do experimento com os pro-

biticos levou o mestrando da FO-USP e professor da UniAraras Fundao Herm-nio Ometto, Victor H. Matsubara, a desen-volver um trabalho para avaliar a eficcia dos probiticos no combate Candida albicans na cavidade oral de camundon-gos imunossuprimidos. Camundongos germe-free foram imunossuprimidos e colonizados com a levedura e divididos em quatro grupos: sem tratamento (controle), tratados com nistatina, tratados com Lactobacillus rhamnosus e tratados com Lactobacillus acidophilus. O objetivo era avaliar qual dos tratamentos tinha maior eficcia no combate levedura e a ao profiltica e teraputica dos probiticos. O L. rhamnosus foi o que apresentou melhor ao quando comparado com a nistatina no modelo animal, descreve.

No doutorado, o professor Victor H. Matsubara pretende avaliar os cortes

Karin Hitomi isHiKawa e atlas edson moleros naKamae

histolgicos do dorso da lngua dos ca -mundongos, que a principal rea co-lo nizada pela levedura, para avaliar a contagem de microrganismos, e tambm coletar o sangue para anlise molecular. Uma das nossas dvidas pelo fato de o camundongo ter sido colonizado, mas no observado sinal da doena. Porm, tudo leva a crer que os probiticos podem me-

lhorar a reao do tecido comprometido da mesma maneira, afirma o professor doutor Atlas Nakamae, que tambm orien-tou o trabalho. O docente conta que os resultados destas pesquisas conferem ao grupo o respaldo tico para desenvolver um estudo clnico com uso de probiticos em pacientes contaminados com Candida.

O resultado tambm le vou origem de um grupo cadastrado no Conselho Na cional de Desenvolvimento Cientfico e Tecnolgico (CNPq) para apro fun dar as pesquisas sobre a ao dos probiticos no combate a doenas causadas por micror-ganismos na cavidade bucal. Ainda neste ano dever comear a ser avaliada a ao preventiva de um queijo minas frescal pro-bitico para preveno de candidase oral, desenvolvido pelo mesmo grupo, do qual participa a equipe da professora doutora Susana Saad, da Faculdade de Cincias Farmacuticas da USP.

Victor H. matsubara

Super Saudvel15

Para investigar a ao dos probiticos Lactobacillus casei e Bifidobacterium breve para a eliminao da Candida albicans e para o equilbrio imunolgico, pesquisadores do Instituto de Biocincias da Universidade de Tauba t, no interior de So Paulo, desenvolveram estudo in vivo e in vitro com camundongos imunossuprimidos experimentalmente para induo de candidose. O trabalho foi orientado pelo professor doutor Antonio Olavo Cardoso Jorge, que titular da disciplina de Microbiologia e Imunologia do Departamento de Biocincia e Diagnstico Bucal da Escola de Odontologia da Universidade Estadual Paulista Jlio de Mesquita Neto (UNESP), campus de So Jos dos Campos.

Selecionamos uma populao de ido sos de Taubat, examinados por den tistas, e contamos a quantidade de Candida albicans na cavidade bucal. A maioria dos pacientes usava prtese

Estudos tambm envolveram jovens

EntErobactriasO estudo Influence of Consumption of Probiotics on Presence of Enterobacteria in the Oral Cavity, desenvolvido em 2011

por Mariella Vieira Pereira Leo, Ricardo Coelho Cassia, Silvana Solo Ferreira dos Santos e Clia Regina Gonalves e Silva na mesma instituio, tambm com orienta o do professor doutor Antonio Olavo Cardo so Jorge, analisou a ao de probiticos na cavidade oral para combater a enterobactria. O microrganismo est envolvido com desordens gastrointestinais, infec es hospitalares e desordens orais. Para o estudo foram coletadas amos tras de saliva de 112 adultos jo vens, 42% com confirmao da entero bactria. Todas as amostras foram semeadas em duplicata em Agar MacConkey e incu ba das a 37C durante 24-48 horas. Aps o resultado, 20 indivduos foram selecionados para ingerir Yakult LB diariamente, por 20 dias. Novas anlises demonstraram reduo de 25% na pre valncia de enterobactria na cavida de oral dos voluntrios. O uso de probiticos pode ser til em ambientes hospitalares para reduzir a prevalncia de microrganismos entre os profissionais e, consequentemente, reduzir a transmisso, uma vez que as infeces causadas por enterobactrias so normalmente difceis de tratar, descrevem.

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total e apresentava a levedura, conta o professor. Os idosos receberam o probitico Yakult LB (atualmente no disponvel no Brasil) com Lactobacillus casei e Bifidobacterium breve com 2x107 at 109 UFC/mL e 5x107 at 109 UFC/mL, respectivamente, uma vez por dia, trs vezes por semana, durante 45 dias. Depois deste perodo, os pesquisadores analisaram novamente a cavidade oral dos voluntrios e constataram significativa reduo na populao da levedura, inclusive com eliminao total da Can-dida em alguns indivduos, e reduo da intensidade das leses. Satisfeito com o resultado, o professor coordena uma nova linha de pesquisa in vivo com cultura de clulas e animais experimentais (camundongos), com a utilizao de Lactobacillus casei vivos.

O docente tambm participou de dois trabalhos envolvendo a presena de Candida albicans na cavidade oral

em adultos jovens. O primeiro, intitulado Influence of probiotics on Candida presence and IgA anti-Candida in the Oral Cavity, publicado em 2009, envolveu 111 volunt rios com candidose oral que usavam prteses ou aparelhos ortodnticos. Os pacientes ingeriram diariamente Yakult LB por 20 dias. A contagem da levedura foi feita pela contagem de unidades formadoras de colnias e os resultados demonstraram significativa reduo na mdia de UFC/mL de Candida albicans aps o uso dos probiticos (65%), com reduo de 46% na prevalncia da levedura. De 26 indivduos selecionados, a levedura no foi mais identificada em 12, relata o docente. O trabalho envolveu os pesquisadores Agda Lima dos Santos, Clia Regina Gonalves e Silva, Silvana Solo Ferreira dos Santos e Mariella Vieira Pereira Leo, do Instituto de Biocincias da Universidade de Taubat.

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Aline Nascimento

Caracterizado pela multiplicao anormal de clulas do tecido mamrio, o cncer de mama o segundo tipo mais frequente no mundo e o mais prevalente entre as mulheres. Embora o tratamento englobe diversas possibilidades, como labectomia, mastectomia, radiao e qui-mioterapia, a neoplasia ainda apresenta uma alta taxa de mortalidade. Em 2008, a doena foi responsvel por mais de 12 mil mortes no Pas e a estimativa do Instituto Nacional de Cncer (INCA) para este ano de 52.680 novos casos. Para combater o tumor, a principal arma o diagnsti-co precoce, realizado por meio do exame clnico das mamas e da mamografia. No entanto, uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Filosofia, Cincias e Letras de Ribeiro Preto da Universidade de So Paulo (FFCLRP-USP) resultou em uma nova tcnica para detectar a doena. So-mada s medidas de diagnstico tradicio-nais, a tcnica apresenta maior preciso e capaz de diagnosticar um tumor em escala nanomtrica.

O sistema de diagnstico foi desen-volvido com base nas informaes de ra diao espalhada pela mama quando exposta a exames de raios X. Na mamo-

grafia, a radiao transmitida, o que resulta na formao da imagem baseada na atenuao de raios X ao passar pela mama. J na nova tcnica, o diagnstico realizado a partir da anlise da radiao, que espalhada de acordo com a estrutu-ra do tecido, a conformao espacial e o tipo de molcula. Os tumores benignos e malignos causam alteraes especficas na estrutura do tecido da mama e essa mudana visvel no espalhamento, o que permite detect-los e classific-los, explica Andr Luiz Coelho Conceio, f-sico mdico do Departamento de Fsica da FFCLRP-USP e autor do projeto, sob superviso do professor Martin Poletti e com financiamento da Fundao de Am-paro Pesquisa do Estado de So Paulo (FAPESP).

Desenvolvida ao longo de cincos anos, a pesquisa analisou amostras normais, be-nignas e malignas de 106 pacientes com idades entre 21 e 84 anos. O projeto en-globou o estudo do comportamento dos tecidos da mama apresentado no espalha-

mento em regies de baixo ngulo e de ngulos intermedirios. O aumento do percentual de gua em relao aos cidos graxos foi uma das principais alteraes detectadas na regio de ngulos interme-dirios. Com o passar da idade, o tecido fibroglandular presente na mama, cujo principal componente a gua, substi-tudo por clulas de gordura, compostas

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16Super Saudvel

Pesquisadores brasileiros desenvolvem tcnica inovadora Para detectar tumores na mama

Andr Luiz CoeLho ConCeio

o combate ao Novo diagnstico

Diagnstico precoceO fsico mdico Andr Luiz Coelho Conceio ressalta que a pesquisa demons-

trou uma eficincia de diagnstico maior que a obtida com o mamgrafo. Na ma-mografia, s possvel detectar a propagao das clulas a partir de uma massa formada, o que em muitos casos dificulta o tratamento. J a nova tcnica busca informaes em escala molecular, ainda em nanmetros, muito antes da formao da massa, compara. Embora possibilite um diagnstico ainda mais precoce, a tcnica no pode substituir o mamgrafo, pois no fornece a informao de loca-lizao do tumor. Para aprimorar a tcnica, o pesquisador trabalha em uma nova pesquisa para aumentar o nmero de anlise de amostras e no desenvolvimento de um estudo que possibilite a formao de imagens por espalhamento. A utilizao da nova tcnica em hospitais ainda no tem data prevista.An

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basicamente por cidos graxos. Entretanto, quando h a manifestao de tumores ocorre uma alterao estrutural na mama de modo a apresentar um comportamento diferente do esperado, possuindo um maior percentual de gua em relao aos cidos graxos. Na regio de baixo ngulo, a mudana foi apresentada na alterao da periodicidade das fibras de colgeno. Em amostras normais, a unidade da fibra de colgeno possui um padro de sequncia, enquanto as amostras malignas so caracterizadas por rompimentos na fibra de colgeno e, consequentemente, uma alterao nesta periodicidade, explica o fsico mdico Andr Luiz Coelho Conceio.

A tcnica incluiu o desenvolvimento de um software capaz de analisar as amostras e comparar as alteraes apresentadas nos diferentes ngulos, possibilitando um diagnstico mais eficaz. O programa baseado em um mtodo estatstico denominado anlise multivariada, que permite distinguir as variveis mais significantes para classificar as amostras. Para padronizar a anlise das alteraes apresentadas no espalhamento, o mtodo estatstico relaciona o ngulo de espalhamento com a energia dos raios X e possibilita a identificao de amostras anormais quando comparadas com as informaes padres estabelecidas por meio do software. A tcnica apresentou grande eficincia, pois todas as amostras analisadas durante a pesquisa atravs do modelo foram classificadas e detectadas corretamente, garante o pesquisador.

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18Super Saudvel

EntrEvista do ms andErson arantEs silvEstrini

Desafios e avanos na Oncologia

Atualmente, qual a importncia do

cncer no mundo?

A estimativa que, at 2020, a morte por doenas neoplsicas ultrapasse as cardiovasculares e seja a grande causa de bito no mundo. No entanto, vemos que o Brasil est pouco preparado para realmente assumir esse aumento de incidncias, pois as polticas pblicas de sade ainda falham muito em fazer o diagnstico precoce da doena e em atividades de preveno.

A preveno o mais importante para

evitar a progresso de casos?

Sim, tanto a preveno primria, que seria estimular os indivduos para melhorar os hbitos de vida e a alimentao, e diminuir o tabagismo, principalmente, que responsvel por 30% das mortes por cncer; quanto a preveno secundria, que o diagnstico precoce. preciso facilitar a realizao de exames na rede pblica de sade. As mulheres precisam realizar mamografia anual e exame ginecolgico adequado para preveno de cncer de colo de tero, alm

de ampliar o acesso para os exames de leses de pele, que so as leses curveis, e ter acesso rede de atendimento e tratamento, para tratar e eliminar essas leses.

O que o Brasil precisa fazer para tratar

melhor os pacientes com cncer?

Podemos afirmar que cerca de 80% ou at mais da populao tratada no Sistema nico de Sade (SUS), mas o que vemos que dentro do Brasil h vrios Brasis. Temos uma situao excelente na regio Sudeste. So Paulo tem grandes centros de referncia, nos quais as taxas de cura so iguais s de pases do primeiro mundo. No entanto, nas regies mais pobres, como Norte e Nordeste, a populao no tem acesso a um simples exame de imagem. Existem tanto a ndia dentro do Brasil como a Europa. Esse o nosso maior problema.

O que muda de uma populao para

outra dentro de um mesmo pas?

Temos a questo da estatstica em si, pois, s vezes, o levantamento desses dados

meio falho em algumas regies do Brasil, como tambm temos a questo da prpria expectativa de vida em algumas regies, que muito diferente de outras. Em algumas regies do Pas a mortalidade infantil ainda muito alta, ainda temos muitas mortes por infeco, por diarreia e, com isso, a expectativa de vida muito baixa. Sabemos que o cncer uma doena do envelhecimento. Apesar de estarmos vendo muitos diagnsticos em pessoas mais jovens, o principal fator de risco ainda a idade. Portanto, nas regies em que a expectativa de vida menor, talvez a incidncia de neoplasias seja tambm um pouco menor. Alm disso, algumas regies do Brasil tm grande dificuldade de fazer o diagnstico de cncer.

Essa dificuldade por falta de equipa

mentos ou de conhecimento mdico?

Acho que de tudo um pouco. Algumas pessoas tm at um pouco de preconceito em investigar a doena neoplsica. Apesar de todos os avanos, ainda existe muito estigma em relao doena, como de que se mexer o tumor espalha, ento melhor no saber. Temos regies com grande concentrao de mdicos e outras com poucos mdicos. Quanto aos equipamentos, em algumas regies no se consegue biopsiar leses de mama impalpveis, por exemplo, o que um absurdo. Portanto, temos tanto dificuldade de acesso quanto dificuldade de informao, quanto dificuldade de material humano e de equipamentos.

H uma dificuldade na formao de

oncologistas no Brasil?

A Oncologia no Brasil vem cada vez mais se destacando no mundo. Hoje, temos profissionais muito bem formados, as instituies de ensino que formam residentes so muito boas e o que falta distribuir

OAdenilde Bringel

O Instituto Nacional de Cncer (INCA) calcula que, neste ano, sero diagnosticados mais de 500 mil novos casos da doena no Pas. No mundo, as estimativas da Organizao Mundial da Sade (OMS) indicam 12,7 milhes de indivduos diagnosticados anualmente, com 7,6 milhes de bitos. Ao mesmo tempo em que as estimativas sugerem uma progresso do cncer, que em 2030 dever atingir 26 milhes de pessoas no planeta, com previso de 17 milhes de mortes, a Cincia avana com novos tratamentos que, se no levam cura, pelo menos aumentam a sobrevida e melhoram a qualidade de vida das vtimas de neoplasias malignas. O presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clnica (SBOC), Anderson Arantes Silvestrini, e tambm diretor tcnico do Grupo Acreditar, instituio que realiza tratamento oncolgico em Braslia, lembra que o Brasil acompanha a evoluo de diagnsticos e tratamentos. No entanto, lamenta que ainda existam inmeras deficincias no sistema de sade do Pas, o que faz com que muitos pacientes nunca tenham acesso aos avanos da Medicina.

Super Saudvel19

EntrEvista do ms andErson arantEs silvEstrini

Desafios e avanos na Oncologia

melhor o contingente de mdicos de maneira geral. O que falta em algumas regies do Pas acesso aos mtodos de diagnsticos e ao me lhor tratamento. Outra questo a se destacar que as faculdades de Medicina tm de estar preparadas tambm para ensinar o estudante a lidar com o cncer. No adianta fechar os olhos e no preparar esse estudante. No so todas as faculdades de Medicina que tm cadeira de Oncologia para formar o estudante de Medicina ainda na gradua o a diagnosticar a doena neoplsica. Isso algo que falta realmente

no Brasil. A maioria dos casos que chegam para tratamento na rede pblica apresenta doena em estgios 3 e 4, e o paciente vai necessitar de tratamentos mais intensivos e txicos e com chances menores de cura.

O cncer ainda considerado uma

doena fatal para muitos pacientes?

O principal fator determinante para a cura o diagnstico precoce. Tumores iniciais apresentam taxas de cura acima de 90%. Acontece que boa parte dos pacientes est sendo diagnosticada com tumores

avanados, o que diminui a taxa de cura para 20% ou 30%. Cerca de 60% ou 70% do cncer de mama diagnosticado no Brasil est em estgios 3 e 4, ou seja, avanado e com taxa de cura bastante baixa.

Homens e mulheres tm o mesmo n

dice de risco para desenvolver cncer?

A proporo semelhante, algo em torno de 51% a 49% para homens e mulheres, respectivamente. O perfil de tumores que diferente. Nas mulheres, alm de pele, mais esperado mama e colo de tero; para

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20Super Saudvel

EntrEvista do ms andErson arantEs silvEstrinihomens seria prstata, pele, pulmo e neoplasias gastrointestinais.

Quanto a obesidade e a gentica inter

ferem para o aparecimento do cncer?

A obesidade aumenta em alguns casos e, inclusive, j pode ser relacionada recidiva da doena. J temos dados que indicam que mulheres que tiveram cncer de mama tratado e perderam peso e mudaram o hbito de vida tm menos recidiva do que as que mantm os mesmos hbitos ou so obesas. Quanto gentica, nos adultos, menos de 10% dos casos so genticos ou heredit rios. Em 90% dos casos o ambiente o principal

fator, como alimentao inadequada, falta de exerccios fsicos, infeces por vrus, tabagismo e outros. Nas crianas, a relao inversa. A maioria vai ter um componente gentico importante.

Entre os fatores ambientais, a alimen

tao est includa?

Existem muitos estudos sobre alimentos e cncer, mas no temos como relacionar diretamente um alimento como causador de cncer. No entanto, conservantes, corantes e outros aditivos qumicos usados em alguns alimentos, como os embutidos, com certeza aumentam um pouco a incidncia na populao em geral. O que sugerimos evitar alimentos defumados, condimentados e churrasco com muita frequncia, por causa das aminas que podem levar ao surgimento do cncer. J a dieta saudvel acaba ajudando no combate aos radicais livres e isso colabora para diminuir o envelhecimento e a incidncia de doena neoplsica.

A Medicina tem boas notcias para

divulgar sobre a doena?

Eu acho que sim. Primeiro, os mtodos de diagnstico melhoraram. Hoje, as ma

que no futuro pode gerar uma metstase. Portanto, o cncer comea de uma nica clula que alterada e vai sofrendo mutaes e alteraes seguidas at o surgimento do tumor. Um tumor a partir de 1cm cbico, que tem mais ou menos 109 clulas, inicia sua fase clnica. A partir de 1cm cbico consideramos um tumor mais invasivo e com chance maior de dar metstase, mas tambm com maior chance de deteco.

O mais cruel do cncer no dar um

sinal para que se desconfie da doena?

Isso ocorre porque, s vezes, os sinais so meio vagos. Nosso organismo muito resistente e tm alguns tumores, como o de reto, por exemplo, em que o nico sintoma pode ser diarreia. E quem nunca teve uma diarreia? Ou, s vezes, a pessoa est fazendo uma dieta, perde um pouco a mais de peso e acha que pela dieta e isso passa meio despercebido. Outras vezes uma tosse seca ou uma tosse crnica, mas quem tabagista acha que do cigarro... Assim, os sintomas podem ser meio vagos mesmo. Alguns tumores, at pela caracterstica do rgo que acometem, demoram anos para dar sintomas. Por isso, importante fazer exames peridicos e cuidarse bem, pois cada um de ns tem de fazer a parte que nos compete.

possvel prevenir o cncer?

Em alguns casos sim. O ideal fazer os exames preventivos para diagnstico de algumas neoplasias, como mamografia , colonoscopia, PSA e outros. Tambm h alguns tumores em que o diagnstico precoce ou mesmo o diagnstico de leses prmalignas ainda consegue ser feito. Em uma boa parte deles no conseguimos interferir em preveno, mas em diagnstico precoce. Talvez, hoje, o melhor mtodo para prevenir o cncer seja parar de fumar, pois isso elimina uns 30% de chance de morrer de cncer.

Como funcionam os tratamentos inte

ligentes contra o cncer?

Os tratamentos evoluram a partir do momento em que os pesquisadores conse

mografias digitais ajudam bastante, assim como a ressonncia da mama para diagnsticos precoces. Os mtodos de imagem, como o PET Scan, agregam muito na definio de alguns tumores, tanto de estadiamento quanto para avaliao de resposta ao tratamento. Os testes imuno histolgicos tambm nos auxiliam a diferenciar melhor os diversos tumores e, com isso, tentam direcionar mais especifica mente os tratamentos, e isso algo que vem se desenvolvendo a cada dia de 30 anos para c. Hoje, tambm temos drogas alvo moleculares que atingem especificamente alvos especficos na clula tumoral, tentando levar menos

toxidade e melhores taxas de respostas tambm para o doente. Isso se desenvolveu muito quando se comeou a entender melhor como a clula do tumor se comporta, bem como procurar vias de crescimento da clula tumoral e de resistn cia a medicamentos. Conhecendo essas vias, a Medicina conseguiu descobrir alvos especficos nas clulas tumorais e isso ajudou bastante a melhorar as taxas de cura e a diminuir a toxidade dos tratamentos.

Como surge o cncer e porque algu

mas pessoas desenvolvem a doena?

Podemos afirmar que est surgindo algum cncer em nosso corpo o tempo todo, s que o sistema imunolgico combate e elimina aquele tumor. O que se sabe que, talvez aquela clula, em um dia que o sistema imunolgico est um pouquinho desatento, passa a se desenvolver, a ter outras alteraes moleculares at se tornar realmente uma clula tumoral. Assim, o tumor comea a crescer e a liberar uma srie de substncias para tentar manterse vivo e, desta forma, se disseminar. A partir do surgimento do tumor que se comea a disseminar essas clulas para a corrente sangunea, que o

Nos adultos, menos de 10% dos casos so genticos ou hereditrios. Em 90% dos casos o ambiente o principal fator de risco...

Super Saudvel21

EntrEvista do ms andErson arantEs silvEstriniguiram definir melhor as vias das clulas tumorais, entendendo melhor como que essa clula faz para crescer, se dividir, e como funcionam todos os seus mecanismos intracelulares. A partir do conhecimento dessas vias se procurou vias especficas das clulas tumorais, essenciais para mant las vivas, que pudessem ser bloqueadas por medicao. O conceito partiu da e, hoje, j temos drogas alvos para combater linfomas, cncer de mama, cncer de rim e vrios tumores. So drogas bem efetivas e que no so quimioterpicos, com perfil de toxidade diferente de quimioterpicos e com efetividade maior.

E as vacinas, como atuam para o com

bate ao cncer?

Na verdade no so vacinas, pois esto tratando um tumor j institudo. De qualquer forma, precisamos conhecer melhor como fazer essas vacinas. Parece que os estudos no andaram muito, porque o mtodo ainda no esta va muito desenvolvido. Agora, j existem algumas com probabilidades melhores de respostas. Tem uma para cncer de prstata que, apesar de sua confeco ser ainda muito difcil, foi lanada no ano passado. No entanto, o laboratrio no consegue abastecer nem o mercado norte americano, pois a tcnica para fazer a vacina difcil. Tem uma para pulmo tambm, idealizada por pesquisadores cubanos, mas as taxas de respostas ainda so muito parecidas com as quimioterapias convencionais. Apesar de ser uma perspectiva ainda no se transformou em realidade.

O Brasil acompanha o tratamento ofe

recido em pases mais desenvolvidos?

Com a globalizao, o acesso informao est muito mais fcil. Na Sociedade Brasileira de Oncologia Clnica disponibilizamos uma biblioteca virtual e uma livraria virtual nas quais o oncologista tem acesso aos principais peridicos e livros de Oncologia, on line, na sua casa, e atualizadssimos. Os peridicos mais atuais esto dispo nveis, diferentemente do que ocorria h 10, 20 anos. Isso melhorou muito. O Brasil tam

bm um importante centro de pesquisa clnica e essas pesquisas ajudam muito na incluso social do prprio paciente que, s vezes, no tem mais possiblidade teraputica. Com o acesso droga que est em pesquisa e desenvolvimento, ele talvez tenha mais uma chance para ter alguma resposta. Estamos atualizados e o paciente, na medida do possvel, tem acesso maior parte dos melhores tratamentos disponveis.

Como diminuir os efeitos sociais cau

sados pelo cncer?

O Brasil tem uma poltica bem moderna de benefcios ao paciente com cncer, que inclui iseno de imposto de renda, saque de FGTS, de PIS, licenas do trabalho... Isso funciona relativamente bem. Mas precisamos incluir todos os pacientes para receber

o tratamento em tempo adequado. Em algumas regies, a grande dificuldade o paciente conseguir comear seu tratamento logo em seguida ao diagns tico. Faltam pelo menos 100 aparelhos de radioterapia no Pas e existem filas em diversos estados. A tabela do SUS para tratamento de cncer, pelo Ministrio da Sade, muito lenta para a incorporao de tecnologia. O Ministrio aprova a entrada de uma droga nova no mercado, mas, at ser usada por to dos os pacientes, h um caminho muito longo. Muitas vezes, os pacientes que tm convnio particular tm acesso a alguns tratamentos com taxas de respostas melhores do que os pacientes do SUS.

Com otimismo possvel enfrentar

bem um tratamento de cncer?

Vemos que pacientes que conseguem su pe rar o trauma do diagnstico e assimilar que esto com uma doena grave, mas podem vencla com tratamento, tendem a tolerar melhor o tratamento e ter uma evo

luo um pouco melhor que aqueles que no assimilam a doena. Isso pode ser algo um pouco intangvel, mas vemos ocorrer sim. O paciente que tem uma viso de vida mais otimista tende a ir melhor. A f tambm muito importante para conseguir superar esses desafios. Alguns estudos mostram que pacientes que esto de bem com a vida, s vezes, tm o sistema imunolgico melhor. J temos alguns dados em relao a isso.

Quais so os maiores desafios para a

Oncologia neste momento?

Os desafios so muitos. Como uma doena cuja incidncia est aumentando, temos muito em que melhorar a educao mdica nas faculdades. Mesmo um clnico ou um cirurgio tm de estar preparados para fazer o diagnstico da doena. im

portante que os mtodos de diagnstico estejam disponveis para todos os pacientes, pois no deveriam ter de se preocupar se vo ter ou no acesso ao melhor exame. Os mtodos de diagnstico e o acesso deveriam ser melhores, tanto no sistema pblico quanto no privado. A incluso dos pacientes do sistema pblico de sade aos melhores mtodos de tratamento imprescindvel. No se pode separar os pacientes em duas classes: quem tem convnio ou particular de quem pblico. O tratamento deveria estar disponvel para todos para que consegussemos melhorar a taxa de resultados. Gostaramos de curar mais doentes e, mesmo para aqueles com diagnstico mais avanado, incurvel, que pudssemos oferecer uma sobrevida melhor e com melhor qualidade, com tratamentos menos txicos e melhores respostas, para o paciente realmente viver mais e melhor. E temos de nos preparar, pois a populao idosa est aumentando e realmente a incidncia de cncer vai aumentar cada vez mais.

Talvez, hoje, o melhor mtodo para prevenir o cncer seja parar de fumar, pois isso elimina uns 30% de chance de morrer de cncer.

22Super Saudvel

UUma das mais promissoras reas de pesquisa na nutrio humana nas duas ltimas dcadas tem ocorrido com o uso de probiticos e o reconhecimento de seu papel na sade e na doena. Por meio de centenas de estudos desenvolvidos principalmente na sia, na Europa e nos Estados Unidos, tem ficado cada vez mais claro que os efeitos imunomoduladores dependem da espcie do probitico e da resistncia desses microrganismos para ultrapassar as barreiras naturais do organismo, localizadas no estmago e na bile, para que possam chegar vivos e em grande nmero aos intestinos. No Instituto Central de Pesquisas em Microbiologia da Yakult, localizado em Tquio, no Japo, inmeras pesquisas j conseguiram demonstrar que os probiticos Lactobacillus casei Shirota, exclusivos da empresa e desenvolvidos pelo mdico e pesquisador Minoru Shirota entre 1930 e 1935, tm a propriedade de estimular o desenvolvimento de microrganismos benficos e melhorar o equilbrio da microbiota intestinal.

Estudos clnicos com a cepa L. casei Shirota comprovaram que esses microrganismos probiticos tm a capacidade de diminuir os riscos de recorrncia do cncer superficial de bexiga e de reapa

Efeitos biolgicos doLactobacillus

Cepa exClusiva da Yakult foi desCoberta em 1935 e tem inmeros efeitos benfiCos para a sade

recimento de plipos colorretais, de regularizar a constipao crnica, aumentar a atividade das clulas NK e modificar as respostas imunes induzidas por alrgenos na rinite alrgica. Entretanto, os mecanismos de ao dos Lactobacillus casei Shirota sobre as funes imunes ainda no esto totalmente esclarecidos, particularmente no que diz respeito imunidade adquirida. Pesquisas tm sido publicadas nas mais conceituadas revistas cientficas internacionais esclarecendo as propriedades imunomoduladoras dos L. casei Shirota.

Uma dessas pesquisas foi desenvolvida por Masanobu Nanno, Kan Shida e colaboradores, do Instituto Central de

Pesquisas em Microbiologia da Yakult. Os cientistas desenvolveram um estudo para verificar as propriedades dos Lactobacillus casei Shirota sobre as respostas imunes inatas, examinando os efeitos desses microrganismos sobre as atividades das clulas NK em humanos. Publica do no International Journal of Immunopathology and Pharma cology 2011 JanMar; volume 24 Suplemen to 1: pginas 45S50S), o estudo envolveu a ingesto diria do leite fermentado contendo L. casei Shirota para restabelecer a atividade das clulas NK em voluntrios sadios com baixa atividade das clulas NK, assim como em pacientes com mielopatia associada ao vrus

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linfotrpico T (HTLV)1. Quando as clulas mononucleares da circulao perifrica (PBMNC) de indivduos sadios so cultivadas em presena de Lactobacillus casei Shirota inativados termicamente, os pesquisadores observaram um aumento da atividade das clulas NK, mediada em parte pelas interleucinas 12 (IL12) derivadas dos moncitos. Estas observaes levam concluso de que os Lactobacillus casei Shirota contribuem no reforo do sistema de defesa contra o cncer atravs da modulao das funes imunes inatas.

Para avaliar os efeitos dos probiticos na preveno de carcinognese, os mesmos cientistas administraram

L. casei Shirota em pacientes submetidos cirurgia para resseco do cncer superficial de bexiga. O cncer superficial de bexiga, mesmo aps tratamento, uma das neoplasias malignas com maior ndice de recorrncia e, por isso, o desafio dos cientistas buscar respostas para evitar a recidiva do cncer. As anlises foram feitas com base em amostras de sangue coletadas antes da ingesto, uma e trs semanas aps o incio da ingesto, aps trs semanas e depois de dois meses do trmino da ingesto dos produtos.

O estudo seguiu as diretrizes da Declarao de Helsinki e foi realizado aps a aprovao do Comit de tica da Faculdade de Medicina da Univer

sidade de Juntendo, em Tquio. No experimento com voluntrios de meia idade, as atividades das clulas do sistema imunolgico aumentaram significativamente na primeira e na terceira semanas aps o incio da ingesto do leite fermentado com L. casei Shirota, permanecendo altas mes mo aps as trs semanas seguintes. No grupo controle, o nvel de atividade das clulas do sistema imune no sofreu aumento significativo durante todo o perodo de durao do experimento.

Os resultados demonstram que o consumo regular de bactrias produtoras de cido ltico contendo L. casei Shirota influencia de forma positiva na atividade das clulas do sistema imune, com aumento em indivduos de meia idade e inibio do decrscimo da atividade em idosos. Ao evitar o processo de declnio progressivo que ocorre no sistema imunolgico dos idosos, contribui se tambm para diminuir a incidncia de infeces, tumores e desordens autoimunes. importante ressaltar que, apesar do aumento da atividade das clulas do sistema imune, a quantidade no sofreu mudanas significativas. A partir do experimento com L. casei Shirota, os cientistas observaram que a administrao dos probiticos diminuiu significativamente os ndices de recorrncia do cncer superficial de bexiga. O mesmo ocorreu com pacientes com cncer colorretal. Quando os L. casei Shirota foram administrados a pacientes submetidos cirurgia para remoo de plipos no clon, os ndices de aparecimento de novos plipos diminuram significativamente.

casei Shirota

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sabido que certos hbitos de vida, incluindo o fumo e o estresse mental, exercem um efeito negativo sobre a atividade das clulas NK, mas nutrio adequada, exerccios fsicos e atitudes positivas contribuem para a sua melhora. Em estudo desenvolvido no Departamento de Imunologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Juntendo, pelos pesquisadores Kazuyo shi Takeda e Ko Okumura, publicado no Journal of Nutrition (2007 volume 137: pginas 791S 793S), foi relatado que as clulas NK desempenham um papel importante na resistncia imunolgica contra o desenvolvimento de tumores e infeces por vrus e que a microbiota intestinal pode modular a atividade dessas clulas do sistema imune.

Em outro experimento, publicado no Preventive Medicine (2005; 40: 589 594), os pesquisadores Kanehisa Morimoto, Tatsuya Take shita e Kunio Nakayama, do Departamento de Medicina Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Osaka; juntamente com Masanobu Nanno, do Instituto Central de Pesquisas em Mi cro biologia da Yakult,

Cepa tambm tem a capacidade de proteger fumantes

Os pesquisadores Marcella Reale, Veronica Bellante, Chia-ra Tarantelli e Rafaella Muraro, do Departamento de Oncologia e Medicina Experimental; Paolo Boscolo e Laura Forcella, do Departamento de Cincias Biomdicas, todos da Universidade G. dAnnunzio, em Chieti, na Itlia; juntamente com Qing Li, do Departamento de Higiene e Sade Pblica da Faculdade de Medicina Nippon, em Tquio, e Kanehisa Morimoto, do De-partamento de Medicina Social e Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Osaka, no Japo, conduziram um estudo duplo-cego, placebo controlado e randomizado em 72 voluntrios italianos sadios fumantes divididos em dois grupos.

O estudo foi publicado no British Journal of Nutrition (2011; publicao on line DOI: 10.1017/S0007114511005630 em 6

Confirmao em estudo na itlia de dezembro de 2011). Um grupo ingeriu o preparado contendo Lactobacillus casei Shirota e o outro ingeriu um placebo durante trs semanas. Amostras de sangue foram coletadas antes e aps o perodo de ingesto das amostras, e clulas mononucleares da circulao perifrica (PBMNC) foram isoladas para medir as ativi-dades das clulas NK e das quantidades das clulas CD16+. Os pesquisadores observaram que houve um aumento da atividade das clulas NK (P < 0,001), em paralelo ao aumento das clulas CD16+ (P < 0,001). Antes da ingesto, a correlao da atividade citotxica NK foi inversamente proporcional quantidade de cigarros consumidos (R 0,064). A ingesto de Lactobacillus casei Shirota impediu a esperada queda na atividade das clulas NK nos fumantes.

e Shinkan Tokudome, do De partamento de Promoo da Sade e Medicina Preventiva da Faculdade de Cincias Mdicas da Universidade de Nagoya, tambm no Japo, avaliaram se a ingesto do leite fermentado contendo Lactobacillus casei Shirota em indivduos fumantes poderia exercer algum efeito benfico. Os cientistas conduziram um teste duplocego placebo controlado com 99 voluntrios com hbitos de fumo.

Os pesquisadores selecionaram voluntrios do sexo masculino entre 20 e 60 anos de idade e escolheram 38 homens no experimento 1 (19 placebos e 19 leites fermentados com Lactobacillus casei Shirota) e 61 no experimento 2 (30 placebos e 31 leites fermentados com L. casei Shirota). Nenhum dos voluntrios apresentou sinais ou sintomas de doenas infecciosas e foram divididos em dois grupos de forma randomizada. Um grupo ingeriu diariamente o leite fermentado contendo 4x1010 de lactobacilos vivos/frasco de 80 ml durante trs semanas, e o outro ingeriu o placebo com a mesma composio do leite fermentado sem os lactobacilos.

A atividade NK das clulas mono nu cleares da circulao perifrica (PBMNC) foi determinada um dia antes do incio e um dia aps o trmino da ingesto do leite fermentado. Os pesquisadores elaboraram um questionrio para saber a quantidade de cigarros consumidos antes e durante os testes, para ajustar a influncia do fumo sobre a atividade das clulas NK, alm das condies fsicas dos participantes. As clulas NK

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Cepa tambm tem a capacidade de proteger fumantes

A anlise da distribuio das mudanas das atividades das clulas NK demonstraram que as variaes positivas foram significativamente associadas com a ingesto de L. casei Shirota, enquanto que as variaes negativas foram associadas com a ingesto do placebo (valor mdio das distribuies das diferenas foi de 20,98 unidades lticas (LU)/107 clulas para o grupo com Lactobacillus casei Shirota contra -4,38 LU/107 clulas para o grupo placebo, com P = 0,039). Os pesquisa-dores concluram que a ingesto diria de Lactobacillus casei Shirota durante trs semanas em fumantes italianos resultou no maior aumento das atividades das clulas NK citotxicas e na quantidade das clulas CD16+ em comparao com os valores do grupo que ingeriu o placebo.

se diferenciam de suas precursoras na medula ssea e so ativadas por vrias citoquinas.

Os dados obtidos mostraram que a ingesto do leite fermentado com L. casei Shirota manteve a atividade dessas clulas durante a fase da ingesto, o que no aconteceu com o placebo, resultando em diferenas significativas entre os grupos. Neste experimento, os pesquisadores confirmaram que o consumo do cigarro est inversamente associado atividade das clulas NK, observando que a mdia da quantidade de cigarros consumidos todos os dias, e tambm da quantidade de cigarros consumidos antes da coleta das amostras de sangue, estava relacionada com a reduo da atividade dessas clulas do sistema imune. A anlise por meio da citometria de fluxo no apresentou diferenas entre as quantidades de clulas NK do grupo que ingeriu o leite fermentado com L.casei Shirota e do grupo que ingeriu o placebo, demonstrando que o probitico da Yakult tem a propriedade de estimular as clulas NK, mas no induz a um aumento na sua quantidade.

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Uso de osso congelado alternativa para implantes, periodontia oU cirUrgias na boca

Elessandra Asevedo

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Boas opes para a Odontologia

Desde 1900 h registros de realizao de transplantes sseos em quantidade significativa nos Estados Unidos, sendo que por volta de 1950, com o desenvolvimento tecnolgico dos congelado res, grandes quantidades de tecido sseo puderam ser armazenadas por um perodo maior de tempo. Com isso, surgiram pequenos bancos de tecidos em diversos hospitais naquele pas e, com as perdas sseas comuns durante a Guerra do Vietn, os norteamericanos passaram a utilizar ainda mais este tipo de transplante. No Brasil, desde a dcada de 1980 existem bancos de ossos para Ortopedia, no entanto, foi h menos de 10 anos que a tecnologia passou a ser utilizada tambm

pela Odontologia que, atualmente, a especialidade que mais faz uso dos bancos.

Em 2005, o Ministrio da Sade regu lamentou a utilizao de banco de ossos pela Odontologia e, desde ento, especialistas em implante, periodontia ou cirurgia, credenciados no rgo do governo, podem solicitar ossos em flocos ou blocos, na medida e quantidade necessrias para a cirurgia. Segundo o cirurgiodentista Artur Cerri, diretor da Escola de Aperfeioamento Profissional da Associao Paulista dos CirurgiesDentistas (EAPAPCD), 80% dos bancos de ossos so usados pela Odontologia, principalmente para implantes em indivduos que ficam muito tempo sem dentes e para pacientes com perda ssea por doenas, como tumores e problemas hormonais.

Antes, o osso bovino liofilizado ou o autoenxerto eram mais usados, mas o osso humano, por ser congelado, contm grande parte das protenas e a ossointegrao melhor. Alm disso, no autoenxerto o paciente tem de passar por duas cirurgias para retirada e implantao do

osso, ressalta. O cirurgio explica que, ao colocar o osso transplantado no local, o sangue entra e coagula criando uma vascularizao que faz o papel de solda. Em mdia, aps dois ou trs meses o osso transplantado se integra ao osso do paciente. O transplante odontolgico pode ser feito em centros cirrgicos ou nos consultrios, que recebem o osso congelado embalado e armazenado em isopor com gelo 24 horas aps a solicitao.

falta De conhecimento Embora traga benefcios, o uso de

ossos congelados avana lentamente devido falta de conhecimento da populao e dos profissionais de Odontologia, e somente 10% dos 25 mil dentistas capacitados so credenciados a utilizar o banco de ossos. Hoje, so realizados 3 mil transplantes de ossos por ano, mas os bancos esto preparados para at 15 mil procedimentos. Para ter uma ideia das possibilidades, um nico fmur pode ser fragmentado e utilizado em at 300 transplantes. Mas existe uma desconfiana por parte do profissional da Odonto

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Boas opes para a Odontologia

Artur Cerri

Banco de ossos

logia em utilizar o banco de ossos, por desconhecimento sobre os benefcios, lamenta o cirurgiodentista Artur Cerri. Como um assunto relativamente novo, as universidades tambm no abordam o tema, que estudado apenas em cursos de psgraduao. Este fato influencia tambm na escolha do paciente, pois cabe ao profissional explicar corretamente quais os procedimentos disponveis.

Alm da falta de informao sobre os tipos de ossos que podem ser transplantados, o nmero de doaes desses rgos est estagnada. No Brasil, 40% dos pacientes com morte enceflica so doadores de rgos, mas apenas 20% doa os ossos. Esta situao justificada pela falta de esclarecimento da populao, que no conhece a prtica da doao ou acredita que o doador ficar mutilado. No entanto, apenas os ossos longos so retirados e substitudos por material sinttico, e ossos do rosto ficam totalmente preservados. Outro ponto importante a ordem de retirada dos rgos do doador, que comea pelo corao e termina com os ossos. Muitas vezes, a famlia fica cansada de esperar a liberao do corpo e cancela a doao dos ltimos rgos, na maioria dos casos, os ossos, acrescenta o especialista.

No Brasil, existem seis bancos de ossos, todos altamente qualificados e com procedimentos que garantem a qualidade em todos os estgios do processo de coleta e armazenamento para segurana do receptor. A seriedade do trabalho veri ficada anualmente pela Vigilncia Sanitria Estadual e a doao feita aps a autorizao de parentes de at quarto grau de indivduos com morte enceflica ou cardaca com idades entre 10 e 70 anos, que no tenham sido vtimas de cncer sseo, osteoporose ou doenas infecciosas trans mitidas pelo sangue, como hepatite, AIDS e malria. Quem fez, h menos de um ano, tatuagem, uso prolongado de corticoides ou acupuntura tambm no pode ser doador.

Para este tipo de doao so captados o fmur e a tbia inteiros, alm de parte do mero e da crista ilaca, bilateralmente. Mas podem ser captados ou tros ossos, como rdio, solicitado por cirurgies para casos de tumores sseos, por exemplo, explica Rafael Prinz, chefe da Diviso de Transplantes de Multitecidos do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into), rgo do Ministrio da Sade. A legislao que regulamenta a atividade de transplante no Brasil determina que, aps a retirada, para preservar a aparncia do corpo do doador, as cavida des sejam preenchidas com material sinttico adequado.

No banco realizado o processamento dos tecidos, que passam por rigoroso controle de qualidade. Exames bac te rio lgicos, fngicos, radiolgicos e histopatolgicos esto na lista de procedimentos que vo evitar os riscos para a sade do receptor. As peas ficam armazenadas e preservadas em congela dores, sob

temperaturas em torno de 80C por at cinco anos, e podem ser solicitadas por ortopedistas, cirurgies bucomaxilofaciais e implantodontistas credenciados no Sistema Nacional de Transplante.

Todas as regies do corpo podem receber o transplante de ossos, tendo apenas contraindicao reas com infeco e com dficit de vascularizao local. Em 2011, o Into disponibilizou mais de 16 quilos de tecido sseo para transplantes, atendendo a mais de 150 pacientes no Instituto e em outros Estados. Para Rafael Prinz, a evoluo do transplante sseo ocorreu devido diminuio do risco de transmisso de doenas, com uma eficiente triagem do doador atravs da anlise epidemiolgica e triagem so rolgica, similar utilizada para doa dores de sangue. Outra questo importante foi o desenvolvimento de tcnicas de processamento do tecido sseo que captado. Desta maneira, houve a diminuio da reao imune do transplantado e do fornecimento de tecido sseo sem contaminao por vrus ou bactrias, enfatiza.

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Utilizada nas mais simples tarefas cotidianas, a comunicao fundamental para estabelecer o convvio social e qualquer distrbio de linguagem pode afetar de maneira severa o cotidiano e as relaes sociais. Um dos transtor-nos de linguagem mais comuns em casos de leso cerebral provocada por traumatismo craniano ou acidente vascular cerebral (AVC) a afasia, ca-racterizada por dficit geral da linguagem que leva os pacientes a inmeras dificuldades. Distrbios na codificao e decodificao de smbolos por meio dos canais visuais, auditivos e tteis, na seleo de palavras, formulao

de mensagens e na expresso de smbolos atravs da comunicao oral, escrita ou gestual so aspectos que caracterizam o transtorno.

Embora apresente diferentes denominaes, os tipos de afasia podem ser divididos em dois grandes grupos: expressivas e receptivas. No primeiro grupo, a habilidade de utilizar a linguagem oral e escrita afetada, enquanto o segundo caracterizado por um distrbio na

habilidade de compreenso da linguagem escrita e falada. H muitos tipos de afasia e uma gama de severidades e aspectos. No entanto,

para o tratamento do transtorno, o fundamental conhecer as limitaes e as habilidades do paciente, afirma a fonoaudiloga Fernanda Papaterra Limongi, fundadora da instituio sem fins lucrativos Ser em Cena, criada em 2002 e que utiliza o teatro como ferramenta no auxlio da reabilitao da afasia.

Composta por fonoaudilogos, psiclogos e um assistente de direo que se recuperou de uma afasia decorrente de traumatis-mo craniano, a instituio atende aproximadamente 70 pacien-tes por ano e oferece terapia em grupo coordenada por fonoau-dilogos, seguida por aulas de teatro. As peas so criadas pela equipe e os papis so desenvolvidos de acordo com as limitaes

de cada indivduo, ressalta a fundadora da Associao Ser em Cena, que tambm mantm um grupo de DanceAbillity e de Canto.

Criado em 1989, resultado de um convnio entre o Instituto de Es-tudos da Linguagem (IEL) e o Departamento de Neurologia da Faculdade

de Cincias Mdicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp), o Centro de Convivncia de Afsicos (CCA) outro espao de interao entre in-divduos com e sem afasia. O objetivo do CCA reinserir o afsico no convvio

social e partilhado com outros, atravs da linguagem e dos diversos aspectos que fazem parte da vida. A convivncia ocorre por meio de atividades que envolvem a linguagem e outros recursos cognitivos como, por exemplo,

leitura e discusso da mdia falada e escrita, trabalho com agenda e dramatizao de cenas cotidianas, esclarece a professora Maria Irma HadlerCoudry, livre docente do Departamento de Lingustica do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp

InIcIatIvas transformam a vIda de pacIentes com afasIa e tambm de seus famIlIares

Teatro na reabi

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e responsvel pelo Grupo II do CCA. Os afsicos tambm so acompanhados em sesses individuais, nas quais as dificul-dades com a linguagem mais especficas so focalizadas.

Na Clnica de Fonoaudiologia da Fa-cul dade de Odontologia de Bauru da Universidade de So Paulo (FOB-USP), na rea de Linguagem do Adulto, a pro-fessora doutora Magali de Lourdes Calda-na tambm desenvolve trabalho de m-sicacoral e de teatro, em parceria com o Centro Cultural do campus. A atuao junto aos pacientes na Clnica de Fonoau-diologia resultou no guia Conversando sobre Afasias: Guia Familiar, de autoria de Dionsia Aparecida Cusin Lamnica, Ana Cristina Musa Minervino-Pereira e Grace Cristina Ferreira.

Desafios No incio da dcada de 1980, o neu-

rologista canadense Andr Roch Lcours, em conjunto com fonoaudilogas brasi-leiras entre as quais Fernanda Papaterra Limongi, desenvolveu pesquisa que com-parou a recuperao da linguagem depois de um AVC em pacientes com e sem es-colaridade. A concluso foi que, quanto maior a exposio cultura, maiores so as chances de recuperao da linguagem depois de uma leso cerebral. Com a ca-pacidade de comunicao reduzida, um dos principais desafios desses indivduos enfrentar o preconceito e a excluso social. Devido s dificuldades, o pacien-te pode desenvolver depresso, agnosia visual, labilidade emocional e reaes ca-tastrficas. importante que familiares,

litao da linguagemTeatro na reabi

amigos e profissionais da sade tratem o afsico como o adulto que ele , pois a afasia no afeta a capacidade cognitiva, enfatiza Fernanda Papaterra Limongi.

Apoio psicolgico e fAmiliAr Paralelamente ao trabalho dos fonoaudilogos, o acom

panha mento psicolgico tambm importante para a recuperao dos afsicos. A psicloga Dagma Venturini Marques Abra mides, professora doutora associada do Departamento de Fonoaudiologia da Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de So Paulo (FOBUSP), ressalta que o sucesso do tratamento est relacionado ao trabalho integrado da equipe multidisciplinar. O grande desafio para estes profissionais a busca do atendimento globalizado, eficiente e adequado, com objetivo de proporcionar melhor qualidade de vida a estas pessoas, refora.

O objetivo do tratamento psicolgico promover a reabilitao englobando desde o funcionamento neuropsicolgico at a capacidade de enfrentamento diante das adversidades impostas pela afasia, bem como a avaliao e manejo das oportunidades e barreiras ambientais para participao desses indivduos na sociedade. Uma vez que a afasia decorre do acometimento cerebral, o papel do psiclogo com especializao em Neuropsicologia realizar a avaliao das funes cognitivas como ateno, memria e funes executivas, entre outras. Por exemplo, a interveno neuropsicolgica deve ocorrer em integrao com a interveno fonoaudiolgica, que enfoca as alteraes de linguagem, receptiva e/ou expressiva, aponta.

Outra frente do tratamento psicolgico ocorre em relao s perdas pessoais e sociais do paciente, ao identificar como a afasia interfere nas atividades e no envolvimento nas situaes de vida. A partir da podemos compreender, de fato, o impacto desta condio na qualidade de vida do indivduo. Tal avaliao se faz necessria a cada etapa de adaptao, refora a professora da FOBUSP. A terceira frente de tratamento psicolgico consiste na incluso da famlia no contexto da reabilitao e no incremento das redes de apoio formada por amigos, parentes e grupo religioso, assim como a readaptao no trabalho.

A famlia considerada parceira ativa da reabilitao, pois muitas das aes do processo s podem ser consolidadas no cotidiano das atividades de vida prtica da pessoa e de suas relaes interpessoais. O psiclogo deve trabalhar com o aconselhamento centrado na famlia, fazendo com que a mesma seja parte integrante da deciso clnica e desempenhe um papel proativo. Outra forma de atuao constituir um grupo de familiares a fim de criar um espao de vivncia e troca de experincias. Os profissionais da sade tm um papel importante de engajamento na tarefa de esclarecer, sensibilizar e conscientizar seus pares, as famlias, os empregadores e a comunidade sobre a noo de cuidado para com o paciente afsico e o seu potencial de (re) adaptao, enfatiza.

Fernanda PaPaterra Limongi

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Aline Nascimento

Ricas em sais minerais e oligoelementos, as guas termais e seus diversos benefcios so conhecidos desde a Grcia Antiga. Provenientes das gotas de chuva que penetram no solo e passam dcadas em-baixo da terra, essas guas retornam superfcie enriquecidas por elementos como clcio, magnsio, zinco e ferro, e so livres de qualquer espcie de microrganismo. Com temperaturas que variam de 35C a 54C, as guas termais tambm possuem propriedades antioxidantes e, embora ainda sejam necessrios mais estudos para a comprovao de seus benefcios, alguns j demonstram que podem estimular o sistema imunolgico, melhorar a circulao e a digesto e diminuir a sensao de dor.

Graas sua composio, o uso das fontes hidrominerais como coadjuvante no tratamento e na preveno de doenas tornou-se uma tradio no Brasil. Banhos de imerso, hidromassagem, duchas, sauna e at mesmo a ingesto so algumas das maneiras de aproveitar os benefcios das estncias hidrominerais. Para quem deseja relaxar e aproveitar todos os benefcios, no Brasil h uma srie de fontes termais distribudas em diferentes regies. Alm de descansar, os visitantes podem conhecer o charme e o encanto dos atrativos tursticos oferecidos pelas cidades onde as estncias hidrominerais esto localizadas.

Sade e diverso nas estaes termais O Brasil pOssui inmeras estncias hidrOminerais que prOpOrciOnam diversO e descansO a milhares de visitantes

Rio Grande do Sul Com populao estimada em 5.372 habitantes, o municpio de Marcelino Ramos integra a microrregio Termas e Lagos, localizada no extremo norte do Rio Grande do Sul. A cidade co-nhecida pelas propriedades teraputicas das guas termais sulfurosas, ricas em enxofre e indicadas para problemas de pele, intoxicaes e inflamaes. Hidroginstica, hidromassagem com sais, massagem na gua, sauna e hidratao com arg