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QUEM EZRA POUND - academiacearensedeletras.org.bracademiacearensedeletras.org.br/revista/Colecao_Diversos/Literatu... · Ezra (Weston Loomis) Pound nasceu em 30/XI/1885, etn Haley,

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QUEM EZRA POUND

Pedro Henrique Saraiva Leo Mdico. Ese1itor. M en1bro da AcadenJia Cetrense

de l....etras, daAcadei!Jicl Cearense de Medicina e da

Sociedade Brasileira de Mdicos Escn'tores

fOBRAMES), tendo sido se11 presidente 11acional.

(Poema, Laura, s vezes nen1 precisa ter versos" Jader de Carvalho

O HOMEM

Ezra (Weston Loomis) Pound nasceu em 30/XI/1885, etn Haley, Idaho, Meio Oeste americano. De orgem "pioneira": seu av paterno, pai de Homer (!)1 Pound, nascera em uma cabana de madeira, cotno Abrahatn Lincoln. Aos 22 anos foi distinguido com uma bolsa de estudos em linguas romnicas, e, na Europa, por um ano, pesquisou os poetas provenais e as peas de Lope de Vega.

Retornou aos EUA, onde exerceu brevemente e enfastiado um cargo acadmico. A Europa era a sua obsesso, e l voltou, em Setembro de 1908, inicialmente para Londres, via Veneza 2, a seguir Paris, e ao fim, novamente a Itlia.

Cinco anos depois partiu para a Inglaterra, onde ficaria at 1920. Sempre atnbicioso, dizia que aos 30 anos saberia tudo acerca de poesia, superando qualquer pessoa!

Em carta ao mdico e poeta William Carlos \Villiams (tido por alguns con1o o "santo patrono dos poetas americanos"), E.P. referiu-se a si prprio como "der grasse Ich": "o grande eu", em

Alemo!

1 Seria isso j prenncio dl! sua futura venerao pelo fan1oso grl!go?

2 Conduzindo ento penas 80 dolares (1), dos quais pagou 8 para itnpritnir seu prirnciro Jivro de poemas "A Lutnc Spcnto" ("\'Vith Tapers Quenched"), "Co1n Ve

las Apagadas'',

nurnn tir:tgem de 100 exemplares!

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Em Londres foi o inspirador e principal promotor do ltnagismo,

movimento literrio que enfatizava o tratamento direto do objeto

potico, sem retrica desnecessria; a frase livre e no a mtrica

forada, e a clareza exponencial de imgem e m.etfora. A primeira

antologia dessa nova tendncia poemtica foi editada al por E.P., em 1914: "Des Imagistes". Sempre inquieto e inovador, igualmen

te criou o Vorticismo, um dos ramos do Futurismo italiano, tendo

editado a revista "Blast", por apenas 2 nmeros! Simultneamente

era editor da revista "Poetry" (Chicago, 1912) e londrino da "The

Little Review" (1914-1929), esta a primeira a publicar, em captu

los, o discutido romance "Ulysses", do seu amigo James Joyce. Nesse perodo londrino publicou "Exultations"(1909),

"Personae"3 e "Provena"(1910), "Canzone"(1911), "Ripostes", e "Lustra"( 1912). dessa poca o seu profundo interesse pela literatura oriental, disso resultando o livro "Cathay"(1915), este adaptaes suas, ou translaes das tradues do grande poeta chins Li Po, feitas pelo fillogo e sinlogo americano Ernest Francisco Fenollosa (1853-1908)4

Merece agora comentado que "mutatis (no muito) "mutandis", o poeta cearense V irglio Maia, em seu livro mais recente "Recordei" ( Ateli Editorial, S.P./Fortaleza, Edies Poetaria, 2004), romanceou textos significativos de autores famosos, entre eles Jorge Luis Borges. De certa forma, assim cordelizando, usou "personae", mscaras, impersonando-os, personificando-os!

Ezra pound considerou as observaes de Fenollosa, sobre o ideograma} em "The Chinese Written Character as a Medium for Poetry", - obra por ele prefaciada, anotada e editada em 1936 - "a primeira assero definitiva da aplicabilidade de um mtodo cientfico crtica literria". Em verdade suas "recriaes" de poetas

3 Do Latim: "mscaras", aqui usadas por E.P. para adotar, modificando-a, a escritura de outros autores ("personae" = "per sona", i.e., sons atravs de!). Nessas "pcrsonae ", o poeta 1nascarado, c1nbora supcriorn1cntc iconoclasta c inventor. rcincnrna os antios ... heris da tradio romntica. '

4 Este Prancisco, embora nascido cm Salcm, l\bssachusctts, EUA, e.ra filho de utn n1utco espanhol, de Mlaga. (ln "ldcograrna" - Lca/Pocsia/Linguagcn'l. Hnroldo de Cntnpos, org. Edusp,. 1944). Neste livro, s ptlhrinas 110-148, est a traduo par o portugu do famoso arugo de Fenollosa, mencionado a seguir.

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chineses seguiram o lema de Confcio do "Make it New" ("renovar"), con1o l-se no Canto Lili 5 Era o poundiano dote revivalista do ideogran1a!

Curiosamente os Cantos LXXII e LXXIII, escritos em Italiano, e denon1inados ''Prezena" e "Corrispondenza Republicana", no foran1 includos en1 edies em Portugus! Situam-se entre os Cantos John Adams e os Cantos Pisanos. Devero ser publicados no Cear no nQ 11 da revista "Literapia", versados, pela primeira vez em lngua portuguesa, pelos poetas Luciano Maia e Geraldo Bezerra, ambos neo-latinistas!

Como sabem alguns, o ideograma a escrita tradicional da China e do Japo, na qual o leitor v e l no espao grfico frases com palavras no explicitadas, mas fortemente alusivas (ver (1deograma' op. cit.). a

, escrita pictrica, dessarte rompendo a cannica linearidade. E o dese-nho cotno representao grfica da idia. Baseia-se na figura da "para taxe", i. e . , o ajuntamento de palavras, frases ou oraes sem eletnentos de ligao, v.g., "Veni, vidi, vinci'' (ln Harry Shaw" ( (Vicionn'o ele Tertnos Literrios}}. Trad. Cardigos dos Reis. Ed. Dom Quixote. Lisboa, 1978).

Tambm por admirao pelo Oriente, E.P. estudou (durante sua lua de tnell) e publicou (1916) um ensaio sobre o "N", o teatro clssico Japons.

Em 1917 apareceu sua primeira grande obra potica: "Homenageln a Sextus Propertius", poeta romano ( 49-15 a.C.).

Gradativamente mais estressado com o que considerava os fracassos inerentes s democracias ocidentais, decide mudar-se para a Frana etn 1920. Despediu-se de Londres ( das concepes retricas e morais da era vitoriana) com o livro "Hugh Selwyn Mauberley" no r J T Grncwald Mrio Fa ustino, poeta piaucn sc. foi o traouao uc , . .. .-. . , . . . " .

1 E J> 110 ll rn si l no J B cm coluna semanal (Poesta-Expcrtcncta, de pnn1e1ro a rcvc ar .. . . ' .-.. , : ' . . . . , " , . 1956-1959, aos do1ningos. 1\ps ter re(l lgtdo estas notas, dquruns o 1" ro ...

1n.o

1.. \ s 1c J>oesJ a Fontes c Corrcn tes da 1 oesta OcHlcn tal) . bugen1a ausuno. 1 r tcsena to n ' Boavcn tura. EJ. Companhia das Letras, S. Paulo, 2004.

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. t t'n "the sublin1e" / ln the oJd sense". to n1a1n a .. "Mauberley,, utn conjunto de 18 poernas un1 dos pontos aJ-

d poesta por ele considerado '' . . . , urn adeus ao passado e UJna tos a sua .. , ,

protnessa de futuro". . . Quatro anos depois, eterno expatrtado, bandeou-se de novo

para Rapallo, Riviera italiana. Para dedicarse aos seus atos, ou 'Cantares}} (como preferia chatna-los) . Essa fot sua obra maXItna, seminal, pica, ecumnica, iniciada em 1913 (ou '15?), primeiramente publica

dos etn 1925, e acrescentados at sua morte (1972) quando, inacabados,

restaratn num total de 117 (1969). Parenteticamente, ocorre nos mencionar Carlos Drummond de

Andrade ao considerar ((Os Cantos)} uma escrita cosmognica, cotno tal tambm adjetivava a trilogia uo.r PesJJ do nosso conterrneo Gerardo !Yielo Mouro (Ed. Record, Rio de Janeiro s/ data) .

Na dcada de '30 (e at 1941), tendo sido apresentado a Mussolini, aderiu ao fascismo, a Hittler, e ao anti-semitismo. Durante a II Guerra :Niundial publicou livros de economia e engajou-se politicamente 6 Datam desse perodo suas mais de 300 transmisses pela "American Hour", da Radio Roma, quando pregava o fascismo. Tentou voltar t\mrica do Norte etn 1942, tnas foi impedido pelo presidente F. D. Roosevelt que lhe guardava odioso rancor 7

O aludido "pounddio" (!) culminou com seu indicia-menta por traio, pelo Procurador Geral dos EUA, em 1943. Dois anos aps (Abril - Maio'45) foi preso pela resistncia italiana, entregue s foras norte-an1ericanas, e levado para um can1po de concentrao em Pisa. Tal priso fora construda para os ento 3.600 prisioneiros de guerra tnais perigosos. Para ele foi feita utna jaula especial ("gorilla cage"), reforada com ao medindo 3x2tn, e pouco mais de 2tn de altura!

Dali, aps tanto padecer e quase sucutnbir, foi transferido para instalaes hospitalares, onde cotneou a escrever seus HCantoJ Pisano/', de nmeros 74-84. No inicio do 74 l-se R: "The enortnous tragedy of the dreatn in the peasant's bent shoulders", ou, na tradtto de JL. Grnewald (op. cit): " A enorme traggia do so11ho 11os on1bros curva-() 7

8

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Neste sentido ver seu Ii,ro "Pattia lia,. Hiena Editora, Lisboa, 1989. No canto 87, E.P. escreveu: " The total dirt that wns Roo!'cvclt" (ln "Scction: Rock-Drill HS-95 de los cantares,. Ed. Fahcr nnd Paber, London., 1 55). ln "The Cantos of E7.ra Ponnd,. Ed. fabcr and fabcr. ] .. ondon, 1986 (818 pginas).

d s do cmpnio". Nesta linha, "seu sonho" era aquela justia social que ele a rcdttava con1partilhar con1 11 Duce, Mussolini 9

En1 Noven1bro desse ano escoltaram-no de regresso aos EUA, onde, 111 \Xlashington, foi encarcerado por traio e, considerado louco, con1o tal internado no l-lospital Sta. Elisabeth, daquela cidade, aos 60 anos, para l pern1anecer por n1ais 12!

i\proposita-se-nos, agora, referendar o que foi escrito pelo antes citado cearense Gerardo Melo Mouro ( considerado pela crtica autorizada 'o n1aior poeta vivo das Atnricas"!), que o conheceu pessoalmente en1 Rapallo, dele recebendo depois carta elogiosssima sua poesia: "O suplicio do internan1ento de escritores em sanatrios para loucos 01aja vista Soljenitsin)( . . . ), tetn utn precedente abominvel: o de Ezra Pound pelos lstados Unidos da Amrica do Norte"(*).

\o longo desses 12 anos, quando esteve internado (pasmem!) como dbil n1ental, cresciatn o interesse da crtica por sua poesia e a onda de protestos contra to indevida deteno. Etn 1958 E.P. foi indultado pelo governo norte-an1e1icano, mesmo sem ter sido julgado, e logo a seguir libertado.

Tornou Itlia, e de l viajou a Londres para os funerais de TS.Eliot, Irlanda, e.tn Yisita viuva de WB.Yeats- estes dois dos seus "proteges" e grandes discpulos. Esteve tnais uma vez na Grcia, em Paris, etn Nova York, e foi at Zurich, para visitar o tmulo de James Joyce, autor por ele inicialmente descoberto.

Cotno se constata, todos os amigos, a quem altrusticamente tanto incentivara, inclusive financeiramente, haviam falecido.

Ezra Pound sentia-se, j, como escrevera nos Cantos Pisanos

(L.t:r 71 . : ''a tnan on \vhotn the sun has gane down" ("Um homem sobre o qual o sol baixou" apud J.L. Grnewald, op. cit.).

No Canto LXXXI, da Seo "Perfuratriz de Rochas" (''Rock-Drill") disse:

9

"() gue tua amas pertnanece, o resto lixo o l]Ue tu amas no te ser roubado

, l d .

h "lO o (]Ue tu amas e tua veroa e1ra erana .

ln "Thc Poct1c Achicvcrncnt 0[ Ezra Pound ' . !\fichael Alexandcr. Ed. Fabcr and f'aber,

J .. onclon & Boston 1979. . , . . . . I O T I , J D . 13 tu11a1111 do livro "ao longo do t'Jocorrcntc. Ensa1os Literano e r:H uao uc cnlsc o . . ... . . . . . c. > 1 1991

Biogrficos'', de Richard Elhnnnn. Ed. Companlua das lcttas, S.l au o, .

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Assaz interesante notar que o vocbulo "pound", em Ingls,

alm de significar "libra" (eqivalente a 451 ,59g) , tambm, cologuial

mente sinnimo de "murro, golpe seco" (o que E.P. desferiu na Po

tica at ele, e na poltica americana de ento). Tambm sugere" retiro,

isolamento", i. e., do que ele sofria e seus patrcios lhe inflingiram bem

antes do seu fim! (ln A. Houaiss: "Dicionrio Ingls-Portugus''. Ed. Record, R.Janeiro, 1982).

O poeta feneceu em Veneza, no Dia de Todos os Santos (!), 1" de

Novembro, de 1972, aos 87 anos e est ali sepultado no cemitrio de

So lv1iguel, na Ilha de San Giorgio, em frente Piazza San Marco. A notcia foi amplamente veculada pela imprensa internacional (vide revis

ta 11.1\IIE, 12/Xl/72) e, entre ns estampada, cotn fotos, no primeiro Caderno, e no Caderno B do Jornal do Brasil, de sbado, 04/Xl/72.

A OBRA: O POETA

Desde seu primeiro livro Utme Spento" (Veneza, 1908), E.P. publicou, at 197 5, 33 outros de poesia, 19 volumes de prosa, e participou de 4 antologias. As sua obras completas foram cuidadosamente arroladas no livro 'Ezra Pound' de Peter Ackroyd. Jorge Zahr, Ed. Rio de Janeiro 1991.

Notabilizou-se pelos seus 117 ((Cantos", dos quais os dezessete ltimos surgiram em 1969, e representam sua pera solar. Como vimos atrs, ocupam. pois amazonicamente longos, quase todos, mais de 800 pginas, nas edies no comentadas!

Aos interessados alinhamos, ecoando os crticos citados, os seguinte Cantos: 1/13/14/15/36/45 (com 1'usura'} /53/81/83/116/120 11

Para o famoso poeta/ crtico literrio mexicano Octavio Paz, a reforma potica perpetrada por E.P. foi uma re-latinizao da poesia em lngua inglesa, e "Os Cantos" constituem "o ltin1o grande poema romntico da lingua inglesa e talvez do Ocidente" 12

1 1 Sugerin1os cotejr a traduo do Canto Xl'' por Grnevald, cotn aqucl oferecida pelo portugueses Lutsa M.L.Q. Can1pos c Daniel Pcarltnnn, ln "l)o cos ()rdcm''. Ed. assrio c alvim, Lisboa 19931

12 "Signos cn1 Rotao". Ed. Perspectivai, So Pnulo, 1972.

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O PROFESSOR/CRTICO DE POESIA

7] JJJtf 118/Jf!r JJJrile corythint, St/lJe what is alrecufy ttnderstood, the field o; llnda!:rtanding Jvi/1 never be extended. One de111ands the rigbt, 1/0JJJ rtnd t{gain, lo 1vrite jor a je1v people with specia/ interests and JJJbostf c11riosiry 1"Cctches into greater detai/n13

En1 seu tratada. (grifo nosso) t_:4BC of ReadingJJ, de 1934, e republicado ( ta111btn en1 Londres) etn 1951 ( no Brasil: ABC da Literatt1ra. Ed. (\trix, So Paulo, 1982), Ezra Pound expe, didatican1ente, sua teoria esttica. Seus pendores de pedagogo e crtico literrio, foran1 novamet1te demostrados e ampliados em 1954 ln "Literary Essays of Ezra Pound". Ed. Faber & Faber, editado com alentada introduo, por T.S. Eliot. Este, utn dos seus mais notrios beneficirios, afirn1a ser tal livro de "leitura obrigatria para todos os interessados etn literatura, e tatnbtn leitura compulsria nas universidades.

Nestes ensaios literrios, E.P. discorre sobre alguns poetas tradicionais sua poca - como o provenal Arnaut Daniel, e o italiano Guido Cavalcanti, ambos por ele traduzidos, preservando o significante translingistico - assim como de contemporneos seus, entre estes o j tnencionado americano Eliot, e o dublinense James Joyce.

Sobresaindo, sobremaneira como crtico pragmtico, E.P. reve-

lou aos incipientes, novos e futuros vates, aquelas receitas basilares de poesia, tnuita vez ignoradas, ou escamoteadas pela bolorenta rotina, pela mesrnice to do gosto do ensino acadmico, cannico, da literatura.

Esse "ABC", vera bblia, cartilha de poesia, subentitulado pelo autor cotno (rad11s ad l)arnasumJJ, e dedicado "queles que gostariam de aprender ( . . . ) e no aos que chegaram ao completo conhecimento do assunto sen1 conhecer os fatos"!

Das suas "dicas", conselhos para "those beginning to write ver-ses", ressai ta mos as seguites:

I - Abordar diretamente o tema do poema, sem subterfgios ou vs divagaes;

--- ---- ------ --13 "Se nunc cscrcvcn1os nada exceto o que j est cotnprccndido, o catnpo da cotnnprccnso

nunca ser cxtcndjdo. Exige-se o direito, agora c outra vez de escrever pam alguns con1 intcrcs:\es especiais, c cuja curiosidde alcana n1aiorcs detalhes". (ln Canto 96, do livro "Thrones Cantos 9-1 09 of Ezrn Pounlr'. Ed. Fabcr nnd Fabcr, London, 1960.

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II _ Em relao ao rtmo, compor, i.e., e.srever na segencia da I\ frase n1usical, no naquela do metronomo;

III_ Ser econmico nas palavras; condensar!14

IV _ No usar palavra suprflua e evitar adjetiv,o (grifo nosso), que nada revela; . . . .

v_ No dizer em versos metocres o que Ja fo1 dtto etn boa prosa; VI _ No ser descritivo (grifo nosso). Lembrar que um pintor

pode descrever uma paisagem melhor do gue voc;

VII - Observar o mtodo dos cientistas, e no dos propagan-distas divulgando utna nova marca de sabo. O cientista comea aprendendo o que j foi descoberto, para ento progredir!

Lapidar, na esttica poundiana, o conceito de grande literatura ser simplesmente linguagem carregada com o mximo de significao.

Por igual, nesse volume, autntico vade mecum, E.P. professou seus trs "tipos de poesia"; Melopia, quando a lingugem est alimentada de sons ou algumas propriedades musicais, como bem ilustrado no estro dos bardos gregos, mxime em Homero; Fanopia: a carga projeta imagens visuais na mente do leitor. Esta caracterstica e pi centrou os ideogramas chineses, e a Logopia: lingugem abastecida pelas palavras, de permeio danando o intelecto. (Pessoalmente, cuidamos indispensvel, sempre que possvel a presena simultnea dos trs, qual fossem rgos vitais interdependentes, vasos comunicantes).

Estas pois resumem a essncia, o sumo das suas reflexes, ou, diratnos, neologicamente, suas "pounderaes!" .

o MECENAS

Ezra Pound, etn mais de L anos votados Literatura, malgrado cheio de s, nunca se via no espelho sozinho! Sempre patrocinou aqueles que lhe mereciam futuro literrio, e nessa galeria avultatn: I(homas) S(tearns) Eliot

(1888-1965): poeta americano que viveu em Londres, tornandose cidado britnico. Tambm crtico e dratnaturgo. destacou-se cotn

14 Alis, .P. n1ensiona que un1 certo Senhor, o lexicgrafo Basil Bunting. o qual constatou ser a poesta uma condensao, to antib quanto a lgua alem, onde o verbo uoichter'' significa condensar e corresponde aos subst'lntivos "Dichtung" = poesia, e "Dichten,,, poeta'

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"The Wast l.Jand" ("1\ 1""erra Devastada"), e "Murder in the Cathedral". Prn1io Nobel (1948).

Jatnes Joys.:.e (1882-1941 ). Rotnancista, contista e poeta irlands. Co111siderado utn dos tnaiores talentos do sculo XX. Mais letnbrado por ''Retrato do Artista Quando Jvem'', "Ulysses", e "Finnegans Wake,. (\XIill.iatn Butlcr) Yeats (1865-1939). Irlands. Poeta e dramaturgo. Por alguns reconhecidos cotno um dos maiores poetas da ltima centria. Prrnio Nobel (1923). William Carlos Williams (1883-1963). Atnericano de Nova Jersey. J\tldico e poeta. Era contra a rima convencional e o tntodo. Tornou-se o tnais itnitado poeta dos EUA. Ernest (Nfiller) Hemingway (1899-1961 ). Americano. Romancista e contista. De "Por Quetn os Sinos Dobram", 'deus s rmas", e "O Velho e o Mar" Prmio Nobel (1954).

Tradicionalista renovador ("Make it New", fazer novo, ou de novo), E .P. acreditava que a funo da poesia era renovar constantetnente a lngua, e a lingugem como um todo.

Controverso, pois contra o verso (este, leia-se: com rdea e esporas), ele continua sendo um poeta muito citado, pouco lido, e ainda tnenos estudado.

Teria sido mais revolucionrio, mais emblemtico do que Stphane Mallartn (1842-1898), falecido 26 anos antes, aquele que Roland Barthes alcunhou "o Hamlet da escrita"?15

Ou do que o festejado jan1es Joyce, autor de "Ulysses", e do quase-ilegvel "Finnegans Wake"?16 Para o aclamado poeta americano e. e. cummings, Pound "foi para a

poesia deste sculo o que Einstein foi para a Fsica". T.S. Eliot o considerava "il miglior fabbro" do sculo XX.

Hetningway assitn se expressou: "um poeta deste sculo no ter sido influnciado por Ezra Pound, merece mais a nossa piedade do

- '' que a nossa repreensao .

15 Recomendo conhec-lo ln "l'vlallarm". Traduo de Augusto de Campos, Dcio Pignatari, H a roido de Campos. Ed .

. Perspccciv , o Palo, !?7. ,, . . .

16 O prin1ciro foi tra du7. ido no Brastl por Antonto Hou1ss ( Ullss . hd. C1v1hzaao Brasileira, Rio de Janeiro, 1966), c o segundo por Donaldo Schul

er. m 5 volumes.

A tdi Editorial, So Paulo, 2002.

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