Questão de Ordem 2012.1

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Produzido para a cadeira de Laboratório de Jornal Impresso, ministrada por Edônio Alves do CCTA, o jornal Questão de Ordem. Neste ano, adaptado ao período pós-greve, o jornal se concretiza em uma edição única.

Text of Questão de Ordem 2012.1

  • QuestodeOrdemJOO PESSOA - PARABA5 A 11 DE NOVEMBRO DE 2012Jornal do Laboratrio do Curso de Jornalismo da UFPB

    Campus Educao Sade Poltica Cultura

    Nova lei de cotas modificaa dinmica do vestibular

    UFPB no prmio Jabuti pg. 15 DCE de fora pg. 9 Cirurgias interativas pg. 11entrevista Poltica sade esPorte

    Foto:Bruna Coutinho

    Foto:Flvia Tabosa

    Dilma escolhero novo reitor

    Aps quatro meses do segundo turno da eleio, a UFPB continua sem reitor definido. A lista trpli-ce encontra-se no MEC para ava-liao e provvel validao da no-meao de Margareth Diniz como primeira reitora mulher da insti-tuio. pg. 8

    Projeto do HU privilegia idosos

    A terceira idade que utiliza os servios do Hospital Universitrio encontra tratamento humanizado no Projeto Cuidar. O grupo man-tido por alunos de diversos cursos de sade da UFPB e visa revolu-cionar o atendimento nos hospitais pblicos do Brasil. pg. 10

    Conflitos marcam relaes na UFPB

    Relaes entre servidores e alu-nos so marcadas pelo desconten-tamento mtuo. De um lado, os alunos questionam a qualidade do servio prestado. Enquanto que, na outra ponta, os servidores se queixam da falta de compromisso dos acadmicos. pg. 5

    Cinema da PB ganha incentivos

    Produes cinematogrficas da Paraba tm obtido cada vez mais relevncia em festivais na-cionais e internacionais. Cine-astas de geraes distintas ex-pem suas vises a respeito da situao do audiovisual em nos-so estado. pg. 13

    Foto:Divulgao

    Foto: Divulgao / G. G. Carsan

    Matrcula online causa transtorno

    Com seis anos de implementa-o, o sistema de matriculas onli-ne continua a apresentar erros que contribuem para grandes filas nas coordenaes de cursos a cada no-vo semestre. Alunos e servidores apresentam queixas e fazem um balano dos problemas. pg. 7

    Atletismo modernizado pg. 15

    INFRAESTRUTURAGREVES

    Foto:Arquivo / Marina Cavalcante

    Foto:Melissa Fontenele

    Foto: Flvia Tabosa

    APROVADA PELA PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF, A LEI DAS COTAS GARANTIR METADE DAS VAGAS DE INSTITUIES FEDERAIS DE ENSINO SUPERIOR A ALUNOS DE ESCOLAS PBLICAS AT 2016 | PAG. 06

    CONTRATEMPOS

    Obras atualizam e inauguram novos espaos da UFPB| pag. 04 Greves alteram rotina da comunidade acadmica | pag. 03

  • 2 JOO PESSOA - PARABA5 A 11 DE NOVEMBRO DE 2012Jornal do Laboratrio do Curso de Jornalismo da UFPB

    Juliny Barreto

    Embora esteja numa sociedade cada vez mais deslumbrada com grandes eventos, defini-tivamente no me engrandece dizer que vivi a mais longa paralisao da histria das universi-dades federais do Brasil. Pelo contrrio, tomada por senti-mento de vergonha, me esfor-o para entender a engrena-gem de descaso e irresponsa-bilidade que me roubou qua-tro meses de vida acadmica.

    Desde seus primrdios, na revoluo francesa e nos pri-meiros movimentos no Brasil, quando foram admitidas timi-damente atravs de um decre-to de lei, em 1946, as greves nasceram como um ato social e tornaram-se um direito tra-balhista, assegurado na consti-tuio. Portanto, no caberia a mim discorrer sobre a polmi-ca e recorrente discusso a cerca da eficincia dos movimentos paredistas.

    Eu, na condio de aluna e sobrevivente do r-duo e complicado processo que me permitiu o

    acesso universidade (a qual meus pais, familia-res, vizinhos e todos ns mantemos com implac-veis impostos) no posso simplesmente dissimular que cento e vinte dias no existiram. Apesar desta ser, aparentemente, a especialidade do Governo vi-gente, j que, com um ms de gesto, foi em rede

    nacional dizer que viveramos a grande hora da educao brasilei-ra, mas que na verdade fechou os olhos e ouvidos para o eco que vi-nha das salas vazias, e das univer-sidades fechadas.

    No existe novidade na evi-dncia que, no Brasil, a educa-o no seja prioridade, embora, ornamente opulentos discursos e jogadas estratgicas de ilustres governantes.

    No existe dinheiro, dizem eles, enquanto seus salrios so reajus-tados de maneira vergonhosa, im-preterivelmente, todos os anos. Brincam de inconsequentes, mani-pulam vidas e conduzem o futuro

    de uma nao para um abismo de ignorncia, co-mo quem lana as cartas quando lhe convenien-te, sem se importar que haja revanche. J que, nesse jogo, os perdedores sempre so os mesmos.

    Luan Barbosa

    Ao poder pblico e seus rgos cabe assegurar s pessoas portadoras de deficincia o pleno exerc-cio de seus direitos bsicos, inclusive dos direitos educao, sade, ao trabalho, ao lazer, previdn-cia social, ao amparo infncia e maternidade, e de outros que, decorrentes da Constituio e das leis, propiciem seu bem-estar pessoal, social e econmi-co. Este trecho est regido na Lei n 7.853, do ano de 1989, artigo 2. Os desafios, porm, que um deficiente vivencia desencantam os direitos estabelecidos no papel e ignorados na prtica.

    A acessibilidade um direi-to de ordem assegurado por nos-sa constituio, mas as institui-es pblicas ainda rastejam, len-tamente, no sentido de atend-las. Os espaos fsicos das instituies federais de ensino superior, em sua maioria, no do condies alguma, ou do muito pouco, de livre acesso s pessoas com necessidades especiais.

    Docentes, servidores e estudantes com algum tipo de deficincia ainda passam por sentimentos como constrangimento, revolta e minimizao do seu es-prito de cidado universitrio. So pequenas situa-es que podem ser ignoradas por um cidado co-mum, mas que fazem toda diferena para eles. E o mais relevante: eles tambm so cidados comuns.

    Foi-se o tempo em que o preconceito clssico,

    impregnado na cultura da sociedade, era o maior obstculo de um cadeirante, ou de um deficiente visual. Hoje, este preconceito tem um efeito sub-jetivo e meramente minimizado, pois aprende-mos, ou estamos aprendendo, a conviver e respei-tar as divergncias gritantes que assolam o nosso pas. O preconceito institucional sim um alarme, pois tem um efeito impeditivo do exerccio da ci-dadania, ele o grande inimigo do deficiente, que

    deve ser, acima de um cidado comum, um militante em bus-ca das possveis melhorias den-tro do seu ambiente de trabalho e/ou estudo.

    H de se perder ainda mui-to tempo e suor na construo de uma sociedade com espao aces-svel a todos, na construo de uma instituio de ensino capaz de abraar todas as demandas. O de-ficiente fsico sempre existiu em nosso meio e a sociedade, a par-tir de certo momento, recente cla-ro, teve que repensar em como in-

    seri-lo dentro do contexto social democrtico. So os mesmos direitos, os mesmos deveres, mas particulari-dades que podem e devem ser toleradas e respeitadas.

    O deficiente fsico deixou de ser o coitado e pas-sou a ser mais um brasileiro, como outro qualquer, mas, repetindo, com a sua individualidade, que tenta manter ntegro os seus direitos e tem cons-cincia da sua capacidade coexistente com as suas responsabilidades sociais.

    opinio

    A deficincia em ser cidado

    Xeque mate na educao do pas

    editorial

    Tudo o que relevanTe

    Greve! A paralisao de mais de 90% das institui-es federais de ensino no Brasil - a maior j realizada no pas at ento - comeou em maio deste ano, atingin-do diretamente o cotidiano de muitas universidades, in-clusive da UFPB. Alm dos professores e servidores, os estudantes tambm tiveram que se adaptar nova reali-dade, que s acabou no fim de setembro, mesmo com os grevistas no obtendo os acordos propostos ao Esta-do com tanta luta.

    Dadas essas circunstn-cias, a produo do Ques-to de Ordem, realizada pelos alunos do curso de Jor-nalismo, no perodo 2012.1 se concretiza nesta edio nica, com a mudana no planejamento inicial de um total de quatro edies, o que costumeiramente feito na disciplina laboratorial de jornalismo impresso. Nem por isso, o jornal perde sua qualidade. A deciso de condensar os fatos e not-cias da comunidade acad-mica ocasionou na elabora-o de um conceito diferen-ciado, dando prioridade s opinies e pontos de vista dos estudates, procurando analisar e observar tudo o que relevante.

    no calor dos aconteci-mentos e da necessidade de mudanas que este jornal se concretiza, sem que sua simplicidade comprometa a qualidade informativa e analtica das reportagens.

    Entre levantar mais uma discusso sobre o que gerou a greve, por exemplo, pre-

    ferimos mostrar como este acontecimento influenciou no s a vida dos alunos, como tambm a situao econmica dos muitos es-tabelecimentos comerciais situados ao redor da UFPB, alm daqueles que se man-teram funcionando, mesmo com as dezenas de salas vazias.

    justamente nas sugestes iniciais de temas - pautas - que apesar de haver mui-tas controvrsias e o dese-jo de expor a opinio, todas as matrias tm o equilbrio de lados. Vejam-se a nova lei das cotas que estampa a primeira pgina, a relao entre acadmicos e servido-res, o panorama sobre as obras que esto se concre-tizando em todos os campus da Paraba ou a indita tec-nologia de cinema 4K, que pertence a grupos de pes-quisa desta instituio.

    Apesar das facilidades, uma vez que esta a pri-meira turma que tem um la-boratrio com novos com-putadores e nova estrutu-ra, foi com muito trabalho e apurao que as questes muitas vezes no acessveis ou devidamente discutidas pela populao acadmica se transformaram em textos que foram lidos, relidos, mo-dificados, adaptados, reor-ganizados, diagramados e, finalmente, impressos.

    Assim como toda a equi-pe se sentiu livre para dis-correr sobre diversos assun-tos, o leitor esteja confort-vel para ler este experimen-to que trabalhou unicamen-te com a realidade.

    O preconceito institucional, sim, um alarme, pois tem efeito impeditivo do

    exerccio da cidadania

    No existe dinheiro, dizem eles, enquanto

    seus salrios so reajustados de

    maneira vergonhosa

    Charge

  • 3JOO PESSOA - PARABA5 A 11 DE NOVEM